/ / JEITOS DE APRENDER. Índios Yanomami, Roraima



Documentos relacionados
OS SABERES PROFISSIONAIS PARA O USO DE RECURSOS TECNOLÓGICOS NA ESCOLA

INDÍGENAS NO BRASIL DEMANDAS DOS POVOS E PERCEPÇÕES DA OPINIÃO PÚBLICA

OS SENTIDOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA CONTEMPORANEIDADE Amanda Sampaio França

A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS VISUAIS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM DE ALUNOS SURDOS.

BROCANELLI, Cláudio Roberto. Matthew Lipman: educação para o pensar filosófico na infância. Petrópolis: Vozes, RESENHA

A DANÇA E O DEFICIENTE INTELECTUAL (D.I): UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA À INCLUSÃO

AULA DE PORTUGUÊS: CRIAÇÃO DE POEMAS

Papo com a Especialista

Curso: Diagnóstico Comunitário Participativo.

ANÁLISE DE UMA POLÍTICA PÚBLICA VOLTADA PARA A EDUCAÇÃO: PROGRAMA BRASIL ALFABETIZADO

20 Anos de Tradição Carinho, Amor e Educação.

A educadora avalia a formação de nossos professores para o ensino da Matemática e os caminhos para trabalhar a disciplina na Educação Infantil.

O professor que ensina matemática no 5º ano do Ensino Fundamental e a organização do ensino

A escola para todos: uma reflexão necessária

RELATÓRIO DA OFICINA: COMO AGIR NA COMUNIDADE E NO DIA A DIA DO SEU TRABALHO. Facilitadoras: Liliane Lott Pires e Maria Inês Castanha de Queiroz

EMEB. "ADELINA PEREIRA VENTURA" PROJETO: DIVERSIDADE CULTURAL

ISSN ÁREA TEMÁTICA: (marque uma das opções)

AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA DA ESCRITA COMO INSTRUMENTO NORTEADOR PARA O ALFABETIZAR LETRANDO NAS AÇÕES DO PIBID DE PEDAGOGIA DA UFC

TEMAS E CONTEÚDOS ABORDADOS POR PROFESSORES INDÍGENAS EM OFICINAS DE PRODUÇÃO DE TEXTO EM LÍNGUA TERENA

I SEMINÁRIO INTERDISCIPLINAR DAS CIÊNCIAS DA LINGUAGEM NO CARIRI DE 21 a 23 DE NOVEMBRO DE ISSN

PÉ DE MOLEQUE, CANJICA, E OUTRAS RECEITAS JUNINAS: UM JEITO GOSTOSO DE APRENDER A LER E ESCREVER

Elaboração de Projetos

20 perguntas para descobrir como APRENDER MELHOR

MÉTODOS E TÉCNICAS DE AUTOAPRENDIZAGEM

Aula5 LEGISLAÇÃO PATRIMONIAL. Verônica Maria Meneses Nunes Luís Eduardo Pina Lima

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NUMA ESCOLA DO CAMPO

Recomendada. A coleção apresenta eficiência e adequação. Ciências adequados a cada faixa etária, além de

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES 1

Encantos de Mojuí dos Campos

Projeto Grêmio em Forma. relato de experiência

UTILIZANDO BLOG PARA DIVULGAÇÃO DO PROJETO MAPEAMENTO DE PLANTAS MEDICINAIS RESUMO

Arquivos de Áudio (Podcasts) para divulgação de Ciência no Ensino Médio

Guia dos Cargos de Patrulha

Organização Curricular e o ensino do currículo: um processo consensuado

A IMPORTÂNCIA DE SE TRABALHAR OS VALORES NA EDUCAÇÃO

Planejamento de Aula - Ferramenta Mar aberto

SEDUC SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO ESCOLA ESTADUAL DOMINGOS BRIANTE ANA GREICY GIL ALFEN A LUDICIDADE EM SALA DE AULA

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E EDUCAÇÃO ESPECIAL: uma experiência de inclusão

- Tudo isto através das mensagens do RACIONAL SUPERIOR, um ser extraterreno, publicadas nos Livros " SO EM DESENCANTO ". UNIVER

Profª : Mcs Gisele Maciel Monteiro Rangel Doutoranda em Educação - UFPEL Geografia e Libras- IF RS Campus Rio Grande

Denise Fernandes CARETTA Prefeitura Municipal de Taubaté Denise RAMOS Colégio COTET

ENTREVISTA Alfabetização na inclusão

SÍNDROME DE DOWN E A INCLUSÃO SOCIAL NA ESCOLA

VIVER SUSTENTÁVEL UMA ABORDAGEM ESSENCIAL NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL I

A INCLUSÃO DOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS EDUCATIVAS NAS SÉRIES INICIAIS SOB A VISÃO DO PROFESSOR.

A LEITURA NA VOZ DO PROFESSOR: O MOVIMENTO DOS SENTIDOS

Conversando sobre a REALIDADE. Propostas Educação. Ano 1 - nº 3 - Nov/15

PEDAGOGIA EM AÇÃO: O USO DE PRÁTICAS PEDAGÓGICAS COMO ELEMENTO INDISPENSÁVEL PARA A TRANSFORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

APRENDENDO NOS MUSEUS. Exposição no Bloco do estudante: O brinquedo e a rua: diálogos

20 perguntas para descobrir como APRENDER MELHOR

O PSICÓLOGO (A) E A INSTITUIÇÃO ESCOLAR ¹ RESUMO

PRÁTICAS LÚDICAS NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LÍNGUA ESCRITA DO INFANTIL IV E V DA ESCOLA SIMÃO BARBOSA DE MERUOCA-CE

REFLEXÕES INICIAIS DE ATIVIDADES PEDAGÓGICAS PARA INCLUIR OS DEFICIENTES AUDITIVOS NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA.

Pesquisa e Prática Profissional: Educação Especial. Direitos Humanos. Contextualização. Quem são os Excluídos? Vídeo: Um Sonho Possível.

Projetos. Outubro 2012

INGLÊS PARA INICIANTES: ESTRATEGIAS DE COMUNICAÇÃO E INSERÇÃO NA CULTURA INGLESA

Estudos da Natureza na Educação Infantil

Projetos Pedagógicos. Agosto 2012

O Trabalho Docente: Elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas

O uso de jogos no ensino da Matemática

Tarcia Paulino da Silva Universidade Estadual da Paraíba Roseane Albuquerque Ribeiro Universidade Estadual da Paraíba

INTEGRAÇÃO E MOVIMENTO- INICIAÇÃO CIENTÍFICA E.E. JOÃO XXIII SALA 15 - Sessão 2

Jéssica Victória Viana Alves, Rospyerre Ailton Lima Oliveira, Berenilde Valéria de Oliveira Sousa, Maria de Fatima de Matos Maia

RESUMO. Palavras-chave: Educação matemática, Matemática financeira, Pedagogia Histórico-Crítica

A Música No Processo De Aprendizagem

O LABORATÓRIO DE EVENTOS NA FORMAÇÃO ACADÊMICA

PROMOVENDO ATIVIDADES RELACIONADAS À HIGIENE PESSOAL NO ENSINO FUNDAMENTAL

O que é desenho técnico

INDISCIPLINA ESCOLAR E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO: UMA ANÁLISE SOB AS ÓTICAS MORAL E INSTITUCIONAL

Letramento e Alfabetização. Alessandra Mara Sicchieri Pedagoga e Psicopedagoga, Formada em Letras. Tutora de Pró-Letramento-MEC.

Pedagogia Profª Luciana Miyuki Sado Utsumi. Roteiro. Perfil profissional do professor

RESUMO Sobre o que trata a série?

Educação Patrimonial Centro de Memória

Política de Formação da SEDUC. A escola como lócus da formação

A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NA EDUCAÇÃO DOS FILHOS NO CONTEXTO ESCOLAR

O Determinismo na Educação hoje Lino de Macedo

PARTE DIVERSIFICADA 2º TRIMESTRE TEMA- CUIDAR DA CASA COMUM LEMA: A FESTA JUNINA RESGATANDO A IDENTIDADE COMUM ATRAVÉS DE DANÇAS TÍPICAS

O COORDENADOR PEDAGÓGICO COMO FORMADOR: TRÊS ASPECTOS PARA CONSIDERAR

Carta de Princípios dos Adolescentes e Jovens da Amazônia Legal

5 Considerações finais

Projeto Jornal Educativo Municipal

Indicamos inicialmente os números de cada item do questionário e, em seguida, apresentamos os dados com os comentários dos alunos.

EXPRESSÃO CORPORAL: UMA REFLEXÃO PEDAGÓGICA

Planejamento e Acompanhamento da Aprendizagem. Claudia Zuppini Dalcorso

PROJETO MÚSICA NA ESCOLA

PROFISSIONALISMO INTERATIVO E ORIENTAÇÕES PARA A AÇÃO

GT Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil

Mão na roda. Projetos temáticos

JOGOS MATEMÁTICOS: EXPERIÊNCIAS COMPARTILHADAS

Elaboração do Plano de Aula

Faculdade Sagrada Família

O MUNDO DENTRO E FORA DA SALA DE AULA: idas e vindas na busca de uma escola cidadã

O PRECOCE PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO COM CRIANÇAS DE 4 e 5 ANOS DE UMA ESCOLA PARTICULAR.

A importância de recomendar a leitura para crianças de 0 a 6 anos

QUANTO VALE O MEU DINHEIRO? EDUCAÇÃO MATEMÁTICA PARA O CONSUMO.

ISSN PROJETO LUDICIDADE NA ESCOLA DA INFÂNCIA

As 10 Melhores Dicas de Como Fazer um Planejamento Financeiro Pessoal Poderoso

Projeto Pedagógico. por Anésia Gilio

TIPOS DE RELACIONAMENTOS

SÃO CAMILO SOCIAL. Informativo Semanal - Equipamentos Sociais - Sociedade Beneficente São Camilo-SP

Transcrição:

/ / JEITOS DE APRENDER Índios Yanomami, Roraima Ao longo de toda vida as pessoas passam por muitos aprendizados. Aprende-se dos mais diferentes jeitos e em vários momentos. O que se aprende e com quem se aprende também é muito diverso em cada lugar. As crianças indígenas, aprendem muita coisa com seus pais e parentes mais próximos, como os irmãos e os avós. Os conhecimentos podem ser transmitidos durante as atividades do dia a dia ou em momentos especiais, durante os rituais e as festas. Studio R/Rosa Gauditano Studio R/Rosa Gauditano Aldeia Waurá Mato Grosso É principalmente na relação com seus parentes que as crianças aprendem. Caminham junto com eles, observam atentamente aquilo que os mais velhos estão fazendo ou dizendo; acompanham seus pais até a roça; vão pescar com os adultos e brincam muito! Cada brincadeira é um jeito de aprender, uma habilidade que será importante no futuro, como saber caçar, pescar, fazer pinturas no corpo, fabricar arcos e flechas, potes, cestos... É por meio desses processos de aprendizagem que as crianças aprimoram as técnicas necessárias para realizar tais atividades.

Aldeia Waurá Mato Grosso Na convivência com os mais velhos, aprende-se o jeito certo de se comportar e de se relacionar com todos da família e do grupo. Dessa forma as crianças aprendem, quem são as pessoas que devem ser tratadas como irmãos e irmãs, como tios e tias, com quem poderão se casar no futuro... Dessa maneira vão entendendo qual a sua importância na comunidade. Pouco a pouco, as crianças aprendem os modos de agir, os princípios e tudo aquilo que é importante para que se tornem pessoas produtivas e participativas. Para isso, é muito importante estarem sempre atentas aos trabalhos diários e ao aprendizado e transmissão de conhecimentos. Tem escola na aldeia? Sim, muitas aldeias têm escola! Como se sabe, a maioria das aldeias fica dentro de Terras Indígenas, assim, cada Terra pode ter uma ou mais escolas. Isso vai depender de seu tamanho e da situação de cada comunidade. Pulsar Imagens/Edson Sato Studio R/Rosa Gauditano Escola indígena yanomami na aldeia do Kolulú bacia do Rio Auarís fronteira Brasil Venezuela, Amajarí RR As escolas indígenas, assim como aquelas dos não índios, também são um espaço de aprendizado das crianças. Muitas vezes o conteúdo que é ensinado ali, pelos 2

professores é bem diferente daquele que é transmitido pelos parentes na aldeia. É claro que estes conteúdos podem se misturar em alguns momentos, mas a escola tem como foco ensinar a escrever, ler, fazer conta, entre outros conhecimentos importantes para o diálogo com o mundo dos não índios, já os parentes ensinam as formas de se organizar da comunidade, como produzir artefatos e tudo aquilo que é importante para se viver bem naquele grupo. Pulsar Imagens/Delfim Martins Sala de aula da escola Estadual Indígena da etnia Kapinawá, na aldeia ou comunidade Batinga, Buíque PE Além disso, o conteúdo que se aprende nas escolas indígenas é diferente daquele das escolas dos não índios. Isso porque os povos indígenas têm direito a ter uma escola diferenciada, isto é, uma escola que ensine conteúdos que se relacionem com a cultura e a língua de cada povo. Mas nem sempre esses direitos são respeitados. Muitas vezes, os professores e os livros usados nas escolas indígenas falam de assuntos que não estão ligados ao cotidiano das comunidades indígenas e ensinam o ponto de vista dos não índios como o único ponto de vista correto. A história da educação nas escolas indígenas no Brasil mostra que, de um modo geral, a escola buscou integrar as populações indígenas à sociedade à sua volta, ou seja, fazer com que eles fizessem parte dela. Mas a integração era, na verdade, uma tentativa de fazer com que os índios vivessem como os não índios, ensinando-os a falar, ler e escrever em português, a língua oficial do país. Somente há pouco tempo, línguas indígenas passaram a ser usadas na escola. A escola pode ajudar a valorizar as línguas indígenas? Nos anos 90, surgiram novos modelos de escola indígena preocupados em respeitar as diferentes culturas, especialmente as línguas. Assim, a escola passou a ser um espaço que estimula e fortalece o uso das línguas indígenas. 3

Além disso, o conteúdo que se aprende nas escolas indígenas é diferente daquele das escolas dos não índios. Isso porque os povos indígenas têm direito a ter uma escola diferenciada, isto é, uma escola que ensine conteúdos que se relacionem com a cultura e a língua de cada povo. Mas nem sempre esses direitos são respeitados. Muitas vezes, os professores e os livros usados nas escolas indígenas falam de assuntos que não estão ligados ao cotidiano das comunidades indígenas e ensinam o ponto de vista dos não índios como o único ponto de vista correto. A história da educação nas escolas indígenas no Brasil mostra que, de um modo geral, a escola buscou integrar as populações indígenas à sociedade à sua volta, ou seja, fazer com que eles fizessem parte dela. Mas a integração era, na verdade, uma tentativa de fazer com que os índios vivessem como os não índios, ensinando-os a falar, ler e escrever em português, a língua oficial do país. Somente há pouco tempo, línguas indígenas passaram a ser usadas na escola. A escola pode ajudar a valorizar as línguas indígenas? Nos anos 90, surgiram novos modelos de escola indígena preocupados em respeitar as diferentes culturas, especialmente as línguas. Assim, a escola passou a ser um espaço que estimula e fortalece o uso das línguas indígenas. Pulsar Imagens/Edson Sato Escola indígena yanomami na aldeia do Kolulú bacia do Rio Auarís fronteira Brasil Venezuela, Amajarí RR Foi a partir desse momento que os próprios índios se tornaram professores nas escolas das aldeias e a língua indígena passou a ser utilizada em sala de aula. Os conteúdos tratados nos cursos foram adaptados pelos próprios índios para dialogar melhor com a realidade vivida por cada comunidade. 4

Pulsar Imagens/Renato Soares Sala de aula na aldeia Kuikuro Etnia Kuikuro, Gaúcha do Norte MT A escola indígena, além de abordar muitos conteúdos que os não índios aprendem, ensinar a fazer conta, a ler e a escrever na língua indígena, também passou a incluir os conhecimentos locais na sala de aula. Os alunos aprendem como usar os recursos naturais e cuidar do ambiente e do território onde vivem, aprendem sobre a história de seus antepassados, seus mitos, etc. Além disso, seu calendário escolar é diferente, pois respeita as festas e rituais locais. Esse novo modelo de educação ajuda a valorizar a língua indígena, e também todo o modo de ser do grupo que a criança pertence, isso, porque ela aprende conteúdos que se referem à sua vida e a vida de sua comunidade. Por que aprender Português é importante? Mesmo tendo aulas na língua indígena é muito importante aprender o português na escola. Saber falar a língua portuguesa é uma das maneiras que os povos indígenas têm para se comunicar com diferentes pessoas, interpretar e compreender as leis que orientam a vida no país, principalmente, aquelas que dizem respeito aos direitos dos índios. Afinal, todos os documentos necessários para viver na sociedade brasileira, são escritos em Português. O aprendizado da escrita em Português tem, para os povos indígenas, funções muito claras: dá chance de defenderem seus diretos e acesso ao conhecimento de outras sociedades. Angela Nunes No tempo e no espaço: brincadeiras das crianças A uwe-xavante, do livro Crianças Indígenas: ensaios antropológicos(2002). 5

Adriana Queiroz Testa Entre o canto e a caneta: oralidade, escrita e conhecimento entre os Guarani Mbya (2008). Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX) e Instituto Socioambiental (ISA) Ecologia, Economia e Cultura livro 1 (2005). Programa Xingu Instituto Socioambiental Projeto Político Pedagógico Povo Yudjá, aldeia Tuba Tuba (2008). Site Povos Indígenas no Brasil (PIB) Disponível em: <http://pibmirim.socioambiental.org/como-vivem/aprender>. Acesso em: 29 abr. 2013. 6