100 mitos sobre o médio oriente



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Transcrição:

Fred Halliday 100 mitos sobre o médio oriente Tradução de Pedro Serras Pereira l i s b o a : tinta da china M M V I I I

Índice Introdução 9 100 mitos sobre o Médio Oriente 17 Um glossário da crise: o 11 de Setembro de 2001 e as suas consequências linguísticas 167 2005, Fred Halliday Edições tinta da china, Lda. Rua João de Freitas Branco, 35A 1500 627 Lisboa Tels.: 21 726 90 28/9 Fax: 21 726 90 30 E mail: info@tintadachina.pt Índice de mitos 253 Índice onomástico 259 www.tintadachina.pt Título: 100 Myths About the Middle East Autor: Fred Halliday Tradução: Pedro Serras Pereira Revisão: Tinta da china Capa e composição: Vera Tavares 1.ª edição: Agosto de 2008 isbn: 978 972 8955 69 4 Depósito Legal n.º 280416/08

Introdução «Fala se muito das raízes da Península Ibérica e de outros sítios. Fala se das raízes das nossas sociedades e das comunidades históricas... Mas o homem não é uma árvore. Não tem raízes, mas sim pés, e caminha.» Juan Goytisolo, «Metaforas de la migración», El País, 24 de Setembro de 2004 Em 1984 os historiadores britânicos Eric Hobsbawm e Terence Ranger publicaram um livro com um título provocador: The Invention of Tradition (Cambridge University Press, 1992). Nesse livro, com uma profusão de exemplos retirados de diferentes países, mostraram que aquilo que é apresentado como herança do passado como «tradição» ou «património» é muitas vezes um reflexo da imaginação contemporânea, uma invenção. Nas Ilhas Britânicas, o Natal das famílias modernas e o kilt escocês são exemplos disto, tal como aconteceria, nos anos que se seguiram à publicação do livro, com a celebração do Dia de São Jorge no dia 23 de Abril enquanto feriado nacional em Inglaterra, assim como com a proeminência, nunca antes vista nos tempos modernos, da bandeira do próprio São Jorge. O significado global deste livro e do seu argumento central é imenso, visto que vai ao cerne de uma das ideias mais difundidas da cultura e da ideologia política modernas a ideia de que existe [9]

1 0 0 m i t o s s o b r e o m é d i o o r i e n t e um passado definido, um conjunto de tradições estabelecidas em cada país, cultura ou tradição, a que podemos recorrer quer em termos analíticos, quer em termos morais, isto é, um conjunto de referências que podemos usar para explicar porque é que o mundo é como é, e também para nos fornecer um conjunto de princípios morais e por vezes religiosos, com base nos quais podemos e devemos viver. Estes pressupostos têm vindo a ser reforçados, de muitas maneiras, ao longo das últimas décadas, não só no mundo desenvolvido, especialmente na Europa, no Japão e na América do Norte, como também no Terceiro Mundo, onde o Médio Oriente não é excepção. A forma mais óbvia que esta tendência assume é o reforço das ideias baseadas na interpretação dos textos religiosos, naquilo que se vem designando de forma genérica e não totalmente inexacta por «fundamentalismo», uma tendência evidente no islão, no judaísmo, no cristianismo e no hinduísmo. Mas as reivindicações mais fortes do nacionalismo em geral, um pouco por todo o mundo, implicam também a invocação do passado como algo de adquirido e de benéfico. Ao passo que há uma ou duas gerações atrás se tomava como ponto de partida a campanha contra o passado e a necessidade de afastar os grilhões da tradição, da superstição, do obscurantismo em todas as suas formas, a favor de um novo e apropriadamente denominado «Iluminismo», hoje dir se ia que invertemos os termos da discussão. Na política, na religião, nos costumes e, não menos importante, na gastronomia, o culto do passado, daquilo que é supostamente determinado e tradicional, parece dominar. Este livro é uma tentativa de contrariar esta tendência, assentando em três grandes argumentos. O primeiro consiste em questionar, no espírito de Hobsbawm e de Ranger, a exactidão histórica daquilo que é apresentado como tradicional e autêntico. O Médio Oriente aparenta ser uma região onde o passado político, nacional e religioso domina mas, se analisarmos mais atentamente a situação, veremos que está longe de ser esse o caso. Independentemente das suas pretensões de antiguidade, todos os estados do Médio Oriente são criações modernas, fruto do colapso dos impérios otomano e czarista russo, no final da Primeira Guerra Mundial, e da interacção destes estados com um sistema global moderno de poder político, económico e militar. Quando consideramos as formas particulares de afirmação e o simbolismo que estão em jogo, percebemos que há uma modernidade idêntica para todos. A convicção, partilhada por políticos islamistas e sionistas, de que se está a recriar um passado perdido não é válida. O conceito do estado islâmico, proposto pelo xiismo do aiatola Khomeini durante a Revolução Iraniana de 1978 9, ou de um califado renovado, defendido pelos sunitas conservadores, incluindo a al Qaeda, são projectos políticos contemporâneos. O estado de Israel, por exemplo, não tem senão uma relação de retórica com os antigos reinos de Salomão e de David. Muitos dos símbolos mais poderosos da política contemporânea também são criações recentes. Assim, a pretensão da Arábia Saudita a ser khadim al haramain («servidora dos dois lugares sagrados») foi introduzida em 1986 com o objectivo de deter as pretensões rivais do rei Hussein da Jordânia a tornar se patrono da mesquita de al Aqsa em Jerusalém; por sua vez, o termo equivalente que Ossama bin Laden utiliza para designar a Arábia, bilad al haramain, («terra dos dois lugares sagrados») é uma invenção sua. Todas as monarquias do Médio Oriente reivindicam uma legitimidade antiga e ritualizada, mas na verdade são criações do século xx, da voga dos reinos que tardiamente percorreu o mundo árabe e, com igual relevância, do apoio atento, por vezes militar, que lhes foi prestado [10] [11]

1 0 0 m i t o s s o b r e o m é d i o o r i e n t e em momentos de crise pelos seus amigos mais poderosos da Europa e dos Estados Unidos. Fala se muito do carácter antigo, atávico e milenar do conflito israelo árabe. Isto é apenas um pretexto, bastante capcioso, aliás. As causas do conflito israelo árabe residem na formação de duas comunidades social e etnicamente rivais na Palestina sob mandato britânico, a partir do período de 1920, e não têm nada que ver excepto no uso selectivo do simbolismo com os textos dos livros supostamente sagrados sobre acontecimentos de há mil, dois mil ou três mil anos atrás. A verdade é que este conflito fornece bons exemplos acerca do modo como os símbolos são criados e investidos de significado contemporâneo; ou seja, do modo como a tradição pode ser, efectivamente, inventada. Os dois símbolos visuais mais poderosos da identidade judaica são o menorah, o candelabro de sete braços, e a estrela de seis pontas, conhecida como a estrela de David (magen david; literalmente, «escudo de David», em hebraico), o símbolo da bandeira israelita. O menorah é sem dúvida um símbolo antigo da identidade judaica, mas a estrela de David está longe de o ser: enquanto símbolo místico da unidade da humanidade, foi utilizada durante séculos por cristãos, muçulmanos e judeus, e ainda hoje pode ser vista em muitas mesquitas no Irão e na região do Golfo Pérsico. Só no fim do século xix lhe foi atribuída especial importância, quando foi adoptada pelo movimento sionista, e não tem qualquer relação, histórica ou religiosa, com o rei David. No lado palestiniano, talvez o símbolo mais importante seja o lenço de xadrez usado pelo falecido Yasser Arafat, que foi adoptado pelos apoiantes da Palestina em todo o mundo; o símbolo tem origem num lenço militar desenhado nos anos 20 por uma casa de comércio de Manchester ela própria de origem síria, para a então recentemente criada força da Legião Árabe, na Jordânia. As mesmas correcções históricas poderiam ser feitas para muitos dos elementos do nacionalismo turco e iraniano. O facto de estes símbolos e termos adquirirem novos significados e serem usados para consolidar o poder político, se não mesmo para matar, é indiscutível. Mas o seu impacto, incluindo a capacidade de matar, é causado não pelo peso da história mas sim por escolhas políticas, emoções e objectivos contemporâneos. O segundo propósito deste livro é desafiar as premissas em que assenta grande parte do debate contemporâneo sobre a religião, a cultura e a civilização, nomeadamente o facto de, ao olharmos para as religiões ou para as culturas, estarmos a olhar para entidades distintas e monolíticas. Há obviamente culturas diversas neste mundo, tal como há línguas e tipos étnicos diversos, mas eles estão longe de ser estanques e têm vindo a interagir de modo criativo e antagónico uns com os outros ao longo dos anos. Muito daquilo que é supostamente «europeu» vem de outros lugares, e não deixa de ser europeu por causa disso: a religião dominante mas não a única na Europa tem origem em acontecimentos ocorridos na Palestina há dois milénios; a escrita e a matemática europeias provêm igualmente do Médio Oriente; as línguas da Europa, incluindo em domínios como a comida e o sexo, têm uma marca da cultura do Médio Oriente. Outra questão é saber a quantidade de alimentos europeus que provêm realmente da Europa sem o chá, o café, as batatas, o arroz, o tomate e diversos frutos, sem as ervas aromáticas e as especiarias, ficaríamos reduzidos a uma dieta bastante pobre. O mesmo sucede com a literatura: os grandes escritores de todas as nações, como Shakespeare e Cervantes, foram beber inspiração a outras culturas, padrões e histórias. Na Feira do Livro de Frankfurt de 2004, dedicada à [12] [13]

1 0 0 m i t o s s o b r e o m é d i o o r i e n t e literatura árabe, o romancista egípcio Naguib Mahfuz defendeu que a literatura árabe foi beber a três grandes fontes de inspiração: à poesia e às lendas orais pré islâmicas, à cultura islâmica e à literatura ocidental. É assim desde sempre. A história dos povos não é nacional, mas sim cosmopolita; não é uma história de blocos separados que se vão conhecendo uns aos outros de modo gradual e beligerante, como os mitos nacionalistas nos pretendem levar a acreditar, mas sim de um processo constante de interacção cultural e comercial, de redefinição de fronteiras e de enriquecimento mútuo. Isto é verdade hoje, na época da globalização, da hibridação e da world music, como já o era há séculos e milénios atrás. O terceiro argumento deste livro é um argumento ético, uma afirmação da necessidade apesar da actual submissão em face da tradição, do passado e do autêntico que nos ensombra de assumir um distanciamento crítico relativamente à identificação com a história. A perspectiva crítica e historicamente céptica sobre o mito, o símbolo e a língua é tão mais importante quanto estes elementos da vida pública têm vindo a assumir uma importância crescente no mundo contemporâneo. Em vez de terem provocado uma onda de racionalidade, de rigor histórico e de universalismo, a verdade é que a globalização, o colapso e o descrédito das ideologias radicais dominantes do século xx, de esquerda e de direita, e as diversas formas de violência levaram a um fortalecimento do mito e das exigências da emoção. Estamos cientes, através do trabalho de sociólogos e estudiosos do nacionalismo, do papel que tais mitos desempenham na mobilização das pessoas e na capacidade de estas darem sentido às suas vidas complexas, por vezes desconcertantes. Podemos reconhecer, portanto, que quanto mais rapidamente o mundo mudar, e quanto mais interacção e conflito houver entre os povos, mais poderosas se tornarão estas ideias. Saber se elas são verdadeiras ou falsas, histórica ou linguisticamente exactas ou não, é de somenos importância comparado com o uso que delas se faz, e com as emoções com que são defendidas. Maior parece ser a necessidade, portanto, de colocar algumas dúvidas fundamentadas e comedidas relativamente a tais ideias e pretensões. Foi sobre este pano de fundo que escrevi o presente livro. O seu propósito é tratar estas questões, de um modo necessariamente subjectivo e por vezes aleatório, no âmbito de uma única região, o Médio Oriente, e com uma incidência especial em duas componentes do debate: as afirmações sobre a história da região e os usos a que a linguagem é submetida, quer pelas pessoas da região, quer pelas que com ela se relacionam a partir do exterior, com particular incidência nas mudanças e inovações de vocabulário observáveis neste segundo grupo a partir do 11 de Setembro. O livro não pretende ser abrangente, definitivo ou imparcial. Baseia se na reafirmação de uma visão crítica das reivindicações históricas e linguísticas, bem como na relevância daquilo que, noutro contexto, designei como «razão internacional» isto é, a crença num conjunto de critérios partilhados, analíticos e morais, para determinar as relações internacionais, e no poder dos argumentos racionais para avaliar as afirmações feitas por forças políticas, nacionalistas e religiosas sobre o mundo contemporâneo. Este livro faz parte de um projecto de investigação e publicação mais vasto para a crítica do pensamento nacional e religioso e para a reconstituição de uma teoria do cosmopolitismo e do internacionalismo, generosamente financiado pelo Leverhulme Trust, e que acabará, espera se, por levar a novos trabalhos de teoria política e relações internacionais contemporâneas. Ao mesmo [14] [15]

tempo, o texto baseia se nos dois principais corpos de trabalho que escrevi nos últimos anos: um conjunto de estudos sobre o Médio Oriente moderno e os seus conflitos, por um lado; por outro, o desenvolvimento de um conjunto de ideias sobre a política mundial e, em particular, sobre o papel que a teoria internacional desempenha na sua análise. A minha principal preocupação em ambas as áreas é desenvolver um argumento capaz de mostrar o modo como a «razão internacional», despojada das suas aspirações determinísticas e monolíticas mas resoluta na oposição ao particularismo, às reivindicações de autoridade nacional e religiosa e à confusão retórica em geral, pode ajudar a compreender e pode proporcionar nos um vocabulário moral para discutir o mundo contemporâneo. Algo de que precisamos, de facto, no Médio Oriente e noutros locais. Espera se assim que este livro possa ajudar não só a lançar luz sobre algumas ideias e acontecimentos, como a promover uma reafirmação mais informada e confiante do pensamento cosmopolita e internacionalista no mundo contemporâneo. 100 mitos sobre o médio oriente [16]

3 A frequência da guerra no Médio Oriente, nos tempos modernos, é expressão de uma antiga tradição de violência e conquista e de uma cultura que promove a violência. A frequência da guerra no período pós 1945 não tem nada que ver com a frequência das guerras anteriores nem com uma «cultura de conflito» herdada dos tempos pré modernos. Os estados, os guerreiros e os propagandistas falam muito acerca dessa continuidade, sejam os israelitas invocando o rei guerreiro David, Saddam Hussein recordando a Batalha de Qadisiya ou os turcos apelando à memória dos seus sultões conquistadores. Na verdade, estas apropriações são simbólicas, e não explicações históricas. Quanto à existência de uma «cultura de violência» no Médio Oriente, trata se de uma expressão nebulosa, quase sempre desprovida de valor analítico. Claro que há valores e práticas nestas sociedades, tais como a participação de miúdos pequenos empunhando armas em pomposos desfiles militares, que são usados para fins de mobilização e doutrinação militar, mas o mesmo se pode dizer de outras culturas em especial as das antigas potências coloniais da Europa, bem como os Estados Unidos e o Japão. A história da Europa no século xx, bem como a brutalidade imposta por alguns dos dirigentes aos seus povos, ultrapassa em muito tudo o que podemos observar no Médio Oriente. 4 Os povos do Médio Oriente têm uma consciência particular da «história», do papel grandioso que nela desempenharam no passado, das humilhações mais recentes a que foram sujeitos e da sua necessidade de reabilitação em termos históricos. Por todo o Médio Oriente são frequentes as referências históricas e a utilização da «história» para explicar e justificar as actividades e os acontecimentos da actualidade. No entanto, e de acordo com quaisquer critérios plausíveis de instrumentalização do passado, tais usos e abusos da história são igualmente observáveis noutras partes do mundo por exemplo, nos Balcãs, na Irlanda, na Ásia Oriental, na Rússia tal como no Médio Oriente. Para além disso, à semelhança do que sucede com as tradições e os textos religiosos, a invocação da história reflecte não só o efeito real do passado no presente, como a pilhagem, a selecção e a invenção, quando conveniente, de uma história sempre poderosa para justificar as preocupações do presente. A «história» deixa de ser uma forma de explicação para se tornar uma ideologia. [26] [27]

glossário da crise: o 11 de setembro de 2001 e as suas consequências linguísticas *

Qualquer mudança social e política produz mudanças na linguagem, e no vocabulário em particular, mas as grandes insurreições e crises tendem a acelerar este processo. A história da governação colonial europeia na Ásia e em África, especialmente entre 1870 e 1950, gerou todo um vocabulário de dominação, status e subordinação. Da mesma maneira, as décadas da Guerra Fria, de finais de 1940 a 1991, produziram um vasto vocabulário de denúncia: «running dogs», «fellow travellers» («simpatizantes comunistas»), «pinkos» («esquerdistas»), e «capitalist roaders» **, para não falar em lugares hoje esquecidos como Pankow, Peiping, Formosa, Argélia francesa ou República Democrática do Iémen. Os dramas associados a Checkpoint Charlie, à Baía dos Porcos e a Khe Sanh conheceram a mesma sorte de alguns pontos críticos do colonialismo como Fashoda, Agadir e Manchukuo. Termos como «cadre», («quadro político»), «peace-loving» («amante da paz»), «paper tiger» («tigre de papel»), «revisionist» («revisionista») e «stooge» («pateta») caíram numa semi-obscuridade. O verbo «to defect» («desertar») perdeu boa parte da sua força, assim como «divert» («desviar[-se]»). Poucos falam agora em «bases vermelhas» ou em «longas marchas». Poucos sabem dizer o que é um «macartista», ou um «titista», ou * Este glossário contém um grande número de termos em língua inglesa que não têm equivalente ou tradução consagrada em português. Nestes casos, optou-se pela inclusão dos termos originais ou da sua tradução possível entre parênteses. (N. do t.) Partidário incondicional de um sistema político. (N. do t.) ** Indivíduos de esquerda, tendencialmente aburguesados e resignados às forças do capitalismo. (N. do t.) [169]

um «browderista», embora termos como «estalinista» e «troika» pareçam ter resistido. Esta relação do vocabulário e das expressões linguísticas com os conflitos políticos foi muito destacada no século xx, de modo especialmente perspicaz nas obras de dois grandes escritores George Orwell e Victor Klemperer. As análises que estes autores fizeram têm um valor intemporal e ajudam a compreender, ainda que em circunstâncias distintas, o vocabulário gerado pelo conflito global em torno do terrorismo. Foi justamente esse o efeito que o 11 de Setembro de 2001 e as suas consequências tiveram nos países do Ocidente (em particular nos EUA e em Espanha), bem como no mundo islâmico. Estes acontecimentos geraram centenas, se não milhares, de novas palavras, algumas sob a forma de nomes e palavras de ordem produzidos por fundamentalistas no mundo muçulmano, outras pelos governos ocidentais e outras ainda através dos processos informais com que o público se adapta às novas situações. O que se segue é uma tentativa de ilustrar de forma inevitavelmente incompleta algumas destas mudanças de vocabulário e nomenclatura a seguir ao 11 de Setembro, registando os significados de algumas das palavras e expressões que a crise desencadeou. Trata se necessariamente de uma miscelânea, com referências históricas islâmicas lado a lado com eufemismos de estado de Washington e de Londres. Mas, para além de se pretender registar e/ou explicar alguns dos termos e ideias gerados pela crise, espera-se que a lista sirva, acima de tudo, para demonstrar mais uma vez a capacidade dos seres humanos para usarem e reinventarem a sua linguagem quando são confrontados com novos acontecimentos. A lista está longe de ser completa, e poder-se-iam acrescentar novos elementos, do Oriente e do Ocidente, todos os dias. 6+2. Processo de negociações das Nações Unidas (ONU), iniciado em 1993, mediante o qual os seis estados que fazem fronteira com o Afeganistão (China, Paquistão, Irão, Turquemenistão, Uzbequistão, Tajiquistão), a par dos EUA e da Rússia, se envolveram num processo de negociações para pôr fim ao conflito dentro e fora do Afeganistão. Abu Hafs al Masri. Nome do chefe de operações militares da al Qaeda que morreu durante o ataque norte americano ao Afeganistão, em 2001, o qual foi adoptado pelo grupo islâmico Brigadas de Abu Hafs al Masri, que reclamou a autoria das explosões de 11 de Março de 2004 em Madrid; do ataque à sede das Nações Unidas em Bagdade, em Agosto de 2003; dos ataques às sinagogas de Istambul, em Novembro de 2003; e dos ataques de 10 de Agosto de 2004, também em Istambul, que envolveram quatro bombas com dois mortos e 11 feridos, entre eles vários turistas estrangeiros. Ameaçaram ainda «incendiar» a Itália se o primeiro ministro Silvio Berlusconi não retirasse as forças italianas do Iraque. Abu Qaqa. Nome de guerra de Ossama bin Laden nos anos 80. Cf. Bin Laden. Abuso de prisioneiros. Eufemismo frequente para referir práticas de tortura e crimes de guerra. Expressão muito usada após as [170] [171]

1 0 0 m i t o s s o b r e o m é d i o o r i e n t e pela Arábia Saudita. Fundado por Muhammad ibn Abd al Wahhab (1703 87). Seguindo a rigorosa escola da lei islâmica Hanbali, o wahhabismo é um dos três elementos principais do islão sunita conservador, juntamente com a Irmandade Muçulmana e os deobandi. Ibn Abd al Wahhab castigava todos os que discordavam dele, incluindo outros muçulmanos e especialmente xiitas, apelidando os de «infiéis» e declarando a jihad contra eles. Quando conquistaram o Iraque em 1802, bem como quando ressurgiram durante a primeira metade do século xx, os wahhabitas destruíram santuários e túmulos xiitas. Os descendentes de Ibn Abd al Wahhab são hoje chamados Al Sheikh («a família do xeque»), por oposição à dinastia Al Saud, politicamente dominante. Na Rússia, o termo equivalente vahabobchik é agora uma palavra genérica para designar todos os grupos muçulmanos de oposição. Cf. Muwahhidun, Vovchik. Xiita. Literalmente, «facção», em árabe. Os xiitas eram os seguidores de Ali, o primo e genro do profeta Maomé, que entrou em conflito com os sucessores de Maomé e formou uma seita separada. Constituem hoje cerca de dez por cento da população islâmica mundial. Os subgrupos xiitas incluem os xiitas dos doze, os ja fari, os ismaelitas e outras comunidades. O xiismo é a religião dominante no Irão e no Azerbaijão. A frase de lamentação «Ya Hassan, Ya Hussein», entoada durante a comemoração do martírio dos filhos de Ali, foi corrompida pela Índia colonial britânica para «Hobson Jobson» termo da gíria anglo indiana para designar a pronúncia regional segundo padrões linguísticos ingleses. tudo e mais alguma coisa (excepto as ogivas nucleares), não existem números oficiais para o número de yordim. Estimativas de 2004 sugeriam que 20 por cento da população teria abandonado o país em virtude da violência continuada, da hostilidade política e ainda, de acordo com critérios ocidentais, de um rendimento médio relativamente baixo de cerca de 1200 dólares mensais. Zabib. Literalmente, «uva», em árabe. Marca na fronte de um muçulmano devoto. Sinal indicativo da prática regular da oração, o que explica o surgimento de uma marca no ponto onde a sua fronte toca no chão. Também conhecida como «dinar de Alá»; halat al salah («a marca da oração»). al Zarqawi, Abu Musab. Muçulmano radical jordano, que se pensa ter sido o organizador das principais acções militares de base sunita no Iraque, em 2004, por intermédio da Tawhid wa Jihad e de outras organizações. Conjuga a retórica anti ocidental com o incitamento à violência contra os xiitas. Yorda. Termo hebraico que significa «descida», isto é, a emigração de Israel, por oposição à aliya («ascensão»). Os yordim são israelitas que abandonaram o país. Numa terra onde abundam estatísticas sobre [250] [251]

Índice onomástico Arabi, Ibn: 141 Abraão: 131, 217 Abrahamian, Ervand: 75, 115 Abu Bakr: 130 Acordo de Taif: 89 Adnan: 131 Afeganistão: 45 6, 96 8, 106, 110, 114, 151, 171 2, 177, 179 82, 184, 187, 190, 194, 202, 213, 218, 220 7, 233, 237, 244, 246, 249 África: 20, 29, 31, 69, 90, 102, 122, 132, 143, 155, 169, 196, 214, 229 Agência Internacional de Energia (AIE): 108 al Azm, Sadeq: 159 al Bashir, Omar Hassan: 164 al Fatah: 198 al Jazeera: 37 8, 211 al Mamun, califa: 141 al Qaeda: 11, 36, 97, 171, 177, 180, 184, 187 8, 196 7, 200, 203, 212, 220, 223, 226, 233 al Razi, Muhammad ibn Zaharia: 145 al Tabari: 158 al Wahhab: 77, 250 Alemanha: 129, 195, 206, 208, 224 Ali, califa: 77, 130 1, 186, 195, 197, 250 Allan, Tony: 65 Al Saud, família: 77, 250 Al Shaikh, família: 77 América Latina: 20, 92, 102 Amin, Qasim: 148, 227 Angola: 106, 226 Arábia: 11, 40, 73, 77, 86, 91 2, 110, 122, 127, 151, 177, 180, 188 9, 201, 211 2, 217, 221, 226, 232, 244, 250 Arábia Saudita: 11, 73, 77, 86, 91, 110, 122, 151, 177, 180, 188 9, 201, 211 2, 217, 221, 226, 232, 244, 250 ver também Arábia Arafat, Yasser: 12, 85, 101, 182, 186, 234 Argélia: 59, 84, 105, 169, 203, 220, 229 Armas de Destruição Maciça (ADM): 177, 202, 239, 241 Arménia: 64 Ásia Oriental: 20, 23, 27, 90, 95, 132, 178 Australásia: 90 Áustria: 129 Azerbaijão: 46, 63 4, 125, 250 Bahrein: 86, 212 Baker, James: 98 Banco de Comércio e Crédito Internacional: 83 Bangladeche: 92, 232 Banisadr, Abol Hassan: 81, 244 Barak, Ehud: 120 Batatu, Hanna: 75 BBC: 45, 103, 234, 239 Begin, Menachem: 120 Bengala: 21 [259]

1 0 0 m i t o s s o b r e o m é d i o o r i e n t e Ben Gurion, David: 139 Ben Yehuda, Eliezer: 42 Beslan: 164 Bin Laden, Ossama: 11, 97, 171, 174, 180 2, 185 6, 199, 201, 210 1, 232 3, 243 4 Bizâncio: 138 Bolívar, Simón: 92 Bósnia: 45, 215, 222 BP: 66 Bush, George W.: 61 2, 164, 175, 179, 181, 184 6, 197 8, 202, 204 6, 216 7, 219, 222 3, 231, 233, 236, 241 3 Camboja: 106 Cazaquistão: 63 Cerf, Christopher: 87 Chechénia: 64, 164 China: 90, 94, 143, 171, 208 Chipre: 66, 92 Churchill, Winston: 93, 185 Cisjordânia e Gaza: 85, 164, 180, 182, 185, 191 2, 194, 219, 222, 235, 247 Colville, Jim: 145 Comoro, Ilhas: 43 Conselho de Cooperação do Golfo: 86 Croácia: 215 Curdistão: 44, 125, 213 Darfur: 164, 189, 191 David: 11 2, 26, 174 Declaração de Balfour: 123 Declaração Universal dos Direitos do Homem: 161 Dubai: 32 Echmiadzin, santo: 138 Egipto: 19, 39, 55, 65, 74, 78, 83 4, 90 1, 98, 105 7, 110 2, 114, 125, 189, 191, 205, 232 3 El Saadawi, Nawal: 148 Emirados Árabes Unidos: 86, 212 Espanha: 33, 170, 173 4, 179, 182, 224 5, 233 Etiópia: 65, 106, 187, 232 EUA: 12, 23, 26, 60, 64, 66, 68, 87, 93, 98, 101, 104 6, 109 10, 113, 116, 142, 170 1, 173, 175 7, 179 80, 183 7, 190, 192 4, 198 205, 208, 210, 213, 215, 218, 222, 226 8, 230 1, 234, 236, 241 3, 246 7, 249 Europa: 10, 12 3, 20, 23 4, 26, 29, 33 5, 38, 41, 52, 68 9, 101, 111, 116, 120, 132, 143, 198, 205 6, 218, 220, 224, 226, 233, 242, 246 Euzkadi: 43 Faruq, rei: 112 Ferdousi: 46 Fletcher, M.D.: 159 França: 81, 177, 224, 247 Franco, Francisco: 29 Frente Islâmica Nacional: 115 Frentes Democrática e Popular: 117 «Grande Jogo»: 94 Galileia: 154 Gana: 105 Gaza: 85, 164, 180, 182, 191 2, 194, 219, 222, 235, 247 Geórgia: 64 GINGO (ONG governamentais): 72 Glaspie, April: 87 Golfo Pérsico: 12, 68, 79, 82, 99, 102, 184, 201, 223 Grécia: 69, 105, 225 Guerra da Crimeia: 138 Guerra do Golfo: 162, 192, 203, 216 Guerra Fria: 51, 61, 95 6, 101, 103, 106, 115, 126, 163, 169, 183, 195, 226, 231, 240, 247 Guerra Irão Iraque: 50, 86, 95, 113, 132, 216, 234 guerra israelo árabe: 105 6, 139, 222, 234, 246 Hamas: 85, 204, 219 Heine, Peter: 145 Herzl, Theodore: 42, 119, 124, 241 Hezbollah: 89, 178, 205 Hijaz: 127, 217 Himyar: 151 Hirão, rei: 154 Hobsbawm, Eric: 9 10 Hoca, Nasrettin: 23 Hodeida: 32 Hodgson, Marshall: 40 Holanda: 29, 224 Hussein, rei: 11, 113 Hussein, Saddam: 26, 60, 86 7, 108, 113, 182, 184, 186, 192, 203, 206 7, 216, 244 Hussein, Sharif: 127 Iémen: 31, 39 40, 84, 90 1, 110 1, 114, 169, 187, 205, 210, 212, 231 2 Ilhas Canárias: 43 Império Abássida: 146, 150, 206, 217 Império Otomano: 33, 49, 110, 129, 138 9, 163, 225 Índia: 50, 92, 94, 143, 159, 193, 217, 225, 232 Indonésia: 20, 105 Inglaterra: 9, 31, 202, 224 Irão: 12, 23 4, 44 5, 50, 59, 63, 71, 74, 84, 86, 93 5, 104, 106, 112 4, 122, 125, 132, 150, 155, 158 9, 163, 171 2, 177, 189, 192, 195, 201, 203, 207, 209, 214, 216, 218 9, 226, 231, 234, 244, 250 Iraque: 37, 39, 44, 50, 60 1, 65, 84, 86, 87, 95, 111 4, 132, 162, 171, 179, 183 97, 200 19, 222, 226, 228 31, 234 7, 241 5, 248, 249 51 Irlanda: 27, 43, 92 Israel: 11, 29, 33, 41 3, 55, 65, 71, 88, 101, 105 6, 110, 114, 117, 119, 120 2, 152, 154 5, 174 5, 184, 189, 191 6, 205 6, 208 9, 218, 226, 231, 235, 238, 241, 243, 247, 249, 250 Itália: 171, 182, 225 ITN: 164 Jabar, Faleh A.: 75 Japão: 10, 26, 50, 111, 178 Jerusalém: 11, 138 9, 191, 211, 212, 235, 240 Jesus Cristo: 35, 41, 138, 144, 153, 157, 220, 222 Jihad: 85, 198, 203, 207, 212, 215, 220, 244, 250 1 Jordânia: 11, 13, 65, 84 5, 113, 184, 206 Josefo, Flávio: 153 Jugoslávia: 20, 45, 92 Kennedy, John F.: 54 KGB: 103 Khaldun, Ibn: 31 Khomeini, aiatola: 11, 24, 115, 157 8, 203, 216, 244 Kiev: 138 Kirkuk: 139 Kuwait: 32, 73, 86 7, 108, 180, 203 4, 207, 212, 235, 237 Laos: 106 Lawrence, T.E.: 31, 127 Levy, Ruben: 83 Lewis, Bernard: 75 Líbano: 20, 55, 85, 88 9, 102, 114, 178, 205, 214, 226 Líbia: 84, 92, 226 Liga dos Estados Árabes: 92, 117 [260] [261]

1 0 0 m i t o s s o b r e o m é d i o o r i e n t e Mahfuz, Naguib: 14 Manama: 32 Maomé, profeta: 51, 130, 139, 144, 157, 211, 220, 237, 250 Mar Cáspio: 63 4, 94 Marrocos: 39, 84, 173, 199, 229, 245 Meca: 77, 174, 180, 212, 217, 220 Mernissi, Fatima: 148 Meyssan, Thierry: 36 Mohammadzai, dinastia: 45, 172 Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA): 106 Mukalla: 32 Muscat: 32 Nagorno Karabagh: 64 Najibullah, Presidente: 98, 227 Nasruddin, Mulá: 23 Nasser, Gamel Abder: 101, 105, 125, 233 Nicarágua: 106, 226 Nigéria: 20 Nizami: 46 Nye, Joseph: 109 OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico): 108 Oceano Índico: 43, 96, 184 OLP (Organização de Libertação da Palestina): 101, 102, 198 OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo): 99 País Basco: 43 Palestina: 12 3, 20, 33, 37, 41, 84 5, 97, 114, 117, 123 4, 153, 159, 175, 178, 191, 198, 229, 233, 241, 244 Paquistão: 92, 98, 146, 159, 171, 184, 193, 214, 218, 221, 225 6, 232, 244, 246 Partido Baas: 112 3, 115, 179, 193, 207 Partido Comunista: 114, 117 Partido Socialista Iemenita: 114 Partido Tudeh: 114 PDPA (Partido Democrático do Povo do Paquistão): 96 7, 172, 227 Pedro, o Grande: 96 Península Arábica: 31 2, 91, 151, 177, 211 2, 237 Pérsia: 90, 152, 174, 202 Philby, St. John: 31 Primeira Guerra Mundial: 11, 29, 49, 74, 91, 97, 110, 127, 129 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): 70 Putin, Vladimir: 164 Qadisiya, Batalha de: 26 Qataba: 151 Qatar: 37, 86, 202 3, 211 2 Qishtayni, Khalid: 24 Qutb, Sayyid: 151 Rabin, Yitzhak: 120, 219, 237 Ranger, Terence: 9, 10, 234, 240 Reagan, Ronald: 97, 106, 113, 226, 243 Reino Unido: 60, 93, 98, 110, 157, 176, 228, 234, 236 7, 249 ver também Inglaterra República Árabe Unida: 91, 125 República Islâmica: 24, 81, 112, 156, 172, 214 Revolução Iraniana: 11, 81, 103, 162, 184, 201, 210 ver também Pérsia Rodinson, Maxime: 40, 75, 80, 83, 122, 238 Roma: 69, 138, 153 Ruanda: 20 Rumi: 46 Rumsfeld, Donald: 113, 200, 223 Rushdie, Salman: 24 5, 157, 159 Rússia: 20, 27, 50, 64, 94, 96, 100, 110, 171, 198, 202, 215, 250 ver também URSS Saba: 151 Sadat, Anwar: 106, 210 Said, Nuri: 112, 207 Salomão, rei: 11, 154 Segunda Guerra Mundial: 33, 48, 74, 114, 116, 125, 129, 178, 192 3, 215 Sérvia: 215, 225 Shamir, Yitzhak: 120 Sharon, Ariel: 120, 164, 191, 208, 221, 229 Sifry, Micah: 87 Síria: 41, 44, 55, 65, 84, 91, 111, 125, 153, 179 80, 226 Smith, David: 164 Socotra: 40 Sri Lanka: 21, 178 Sudão: 65, 92, 114 5, 181, 191, 215 Suez: 162 Suíça: 116, 241 Suleiman, professor Yasir: 39 Sykes, Sir Percy: 93 Tajiquistão: 45 6, 171 talibã: 151, 172 3, 177, 182, 193, 199, 210, 216, 220, 223, 227, 244 Thesiger, Wilfred: 31 Tigres Tamil: 21, 178, 226 Tiro: 154 Tratado de Sèvres: 129 Turquia: 23, 29, 44, 64, 71, 82, 94, 122, 129, 152, 178, 187, 198, 215, 217 8, 230 URSS: 52, 63, 92, 94, 96 7, 99, 101, 106, 116, 175, 189, 202, 226, 231, 235 ver também Guerra Fria Uthman, califa: 130, 235 Vietname: 97, 104 6, 110, 164, 188, 190, 227 Weber, Max: 79 World Trade Center: 36, 201, 219, 230, 233 Yezid: 131 Zubaida, Sami: 92 [262] [263]