3. AMOSTRAGEM DO SOLO



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Transcrição:

3. AMOSTRAGEM DO SOLO Reinaldo Bertola Cantarutti 1 Victor Hugo Alvarez V. 2 Antônio Carlos Ribeiro 3 3.1. Introdução A amostragem do solo é a primeira e principal etapa de um programa de avaliação da fertilidade do solo, pois é com base na análise química da amostra do solo que se realiza a interpretação e que são definidas as doses de corretivos e de adubos. Neste sentido, ressalta-se que, no laboratório, não se consegue minimizar ou corrigir os erros cometidos na amostragem do solo. Assim, uma amostragem inadequada do solo resulta em uma análise inexata e em uma interpretação e recomendação equivocadas, podendo causar graves prejuízos econômicos ao produtor e danos ao meio ambiente. Uma amostragem criteriosa requer a observação não só do sistema agropecuário em uso, mas também de princípios relacionados com a seleção da área para amostragem e com a coleta das amostras. 3.2. Seleção da Área de Amostragem Para que a amostra do solo seja representativa, a área amostrada deve ser a mais homogênea possível. Assim, a propriedade ou a área a ser amostrada deverá ser subdividida em glebas ou talhões homogêneos. Nesta subdivisão ou estratificação, levam-se em conta a vegetação, a posição topográfica (topo do morro, meia encosta, baixada, etc.), as características perceptíveis do solo (cor, textura, condição de drenagem, etc.) e o histórico da área (cultura atual e anterior, produtividade observada, uso de fertilizantes e de corretivos, etc.). Na amostragem de área com cultura perene, devem-se considerar na estratificação as variações de cultivar, idade das plantas, características do sistema de produção e, principalmente, a produtividade. Diante o exposto, ressalta-se que os limites de uma gleba de terra para amostragem não devem ser definidos pela área (hectares), mas, sim, pelas características já enumeradas, que determinam sua homogeneidade (Fig. 3.1). Sugere-se, no entanto, para maior eficiência, não amostrar glebas superiores a 1 Professor Adjunto, Departamento de Solos UFV. cantarutti@solos.ufv.br 2 Professor Titular, Departamento de Solos UFV. Bolsista CNPq. vhav@mail.ufv.br 3 Professor Titular Aposentado, Departamento de Solos UFV. Bolsista FAPEMIG/EPAMIG. aribeiro@mail.ufv.br

10 ha. Deste modo, glebas muito grandes, mesmo que homogêneas, devem ser divididas em sub-glebas com áreas de até 10 ha. Figura 3.1. Divisão da área em glebas para amostragem de solos. A Figura 3.1 exemplifica uma eficiente divisão do terreno para amostragem de solos: a gleba 1 representa a encosta íngreme, parte que recebeu calagem (1a) e parte que não recebeu (1b); a 2, a encosta mais suave usada com agricultura esporádica; a gleba 3, pastagem no sopé da encosta; a 4 constitui-se do terraço de relevo suave-ondulado, de coloração mais acinzentada (4a) e de cor mais amarelada (4b); a gleba 5 consiste em pastagem nativa com drenagem deficiente. Na gleba 4b, está representado o sistema de coleta de amostras simples (21 pontos) para formar uma amostra composta. 3.3. Coleta da Amostra de Solo Na amostragem de solos para a análise química, trabalha-se com AMOSTRAS SIMPLES e AMOSTRAS COMPOSTAS. Amostra simples é o volume de solo coletado em um ponto da gleba e a amostra composta é a mistura homogênea das várias amostras simples coletadas na gleba, sendo parte representativa desta, aquela que será submetida à análise química. Para que a amostra composta seja representativa da gleba, devem ser coletadas de 20 a 30 amostras simples por gleba. Maior número de amostras simples (30) deve ser coletado em glebas sujeitas à maior heterogeneidade do

solo, como pode ocorrer em solos de baixada (aluviais), em solos muito argilosos, em solos sob pastagens ou, então, em solos intensamente cultivados. Outro aspecto fundamental é a distribuição espacial das amostras simples na gleba. As amostras simples devem ser uniformemente distribuídas por toda a gleba, o que é obtido realizando a coleta ao longo de um caminhamento em zigzag pela gleba. Maior eficiência de distribuição dos pontos de coleta é obtida em glebas menores que 10 ha, por isto recomenda-se a subdivisão das glebas muito grandes. No caso de amostragem do solo em glebas de cultura perene (café, fruteiras, etc.), os pontos de coleta das amostras simples devem ser localizados na área adubada, em geral, sob a projeção da copa. Havendo interesse em amostrar toda a área, devem-se amostrar separadamente a área adubada na projeção da copa e a área das entrelinhas. Para tanto, coletam-se amostras simples em cada uma das áreas para obter duas amostras compostas distintas. É importante que as amostras simples coletadas em uma gleba tenham o mesmo volume de solo. Isto se consegue padronizando a área e a profundidade de coleta da amostra simples. Obtém-se boa padronização, utilizando os instrumentos denominados trados de amostragem; no entanto, eficiência satisfatória pode ser obtida com instrumentos mais simples, tais como pá ou enxadão (Fig.3.2). Quando se utiliza pá, ou enxadão, deve-se abrir um buraco com as paredes verticais (pequena trincheira). Observando-se a profundidade de amostragem, coleta-se a amostra cortando uma fatia de 4 cm de espessura em uma das paredes do buraco. Em seguida, com o solo aderido ao instrumento, são cortadas e descartadas as porções laterais do volume de solo de forma a deixar apenas os 4 cm centrais. Deste modo, a amostra simples constituir-se-á do volume de solo contido em um prisma com arestas transversais de 4 cm e aresta vertical correspondente à profundidade de amostragem. Para a maioria das culturas, as amostras simples são coletadas na camada de 0 a 20 cm, no entanto, deve-se levar em conta a camada de solo onde se concentra o maior volume do sistema radicular. Para pastagens já estabelecidas, por exemplo, recomenda-se a amostragem na camada de 0 a 5 cm, ou, até, 0 a 7 cm. Quando necessário, pode retirar-se outra amostra composta de 7 a 20 cm. No caso de culturas como da batatainglesa (batatinha), na qual o preparo do solo para a produção de tubérculos chega a 30 cm de profundidade, e da cana-de-açúcar, na qual o plantio é feito em sulcos profundos, recomenda-se a amostragem na camada de 0 a 30 cm, ou 0 a 35 cm.

Figura 3.2. Coleta de amostras simples para formar a amostra composta. Para áreas novas, principalmente quando se pretende a implantação de culturas perenes, recomenda-se coletar as amostras simples nas camadas de 0 a 20, 20 a 40 e 40 a 60 cm. A amostragem de camadas mais profundas permitirá avaliar a necessidade da correção de impedimentos químicos ao desenvolvimento radicular, tais como: elevada acidez, elevados teores de Al 3+ e baixos teores de Ca 2+. As amostras simples das diferentes camadas devem ser coletadas no mesmo ponto e em igual número, obtendo-se amostras compostas para cada camada. No ponto de coleta das amostras simples, a superfície do solo deverá ser limpa, removendo restos vegetais sem, contudo, remover a camada superficial do solo. Os pontos de coleta das amostras simples não devem ser localizados próximos a acidentes atípicos na área, como por exemplo, cupinzeiros, local de queimadas de restos culturais, local de deposição de fezes e cochos ou saleiros em áreas de pastagens. Para área manejada sob o sistema de plantio direto, ainda são requeridos, em Minas Gerais, estudos mais profundos e detalhados para definir as técnicas de amostragem. No entanto, na ausência de tais informações e aproveitando-se da experiência do Sul, recomenda-se a amostragem de uma fatia de 3 a 5 cm de solo, retirada com pá de corte, transversalmente aos sulcos e no espaço compreendido entre os pontos médios entre os sulcos (Fig. 3.3). Nos primeiros anos (dois a três) do sistema de plantio direto recomenda-se amostrar as camadas de 0 a 10 cm e de 10 a 20 cm. Nos anos seguintes, e para maior informação, amostrar as camadas de 0 a 5, 5 a 10 e de 10 a 20 cm, caso contrário, de 0 a 5 e de 5 a 20 cm. O número de trincheiras amostradas para

formar as amostras compostas (das diferentes profundidades) pode variar de 10 a 15 na gleba. Figura 3.3. Coleta de amostras nas trincheiras para formar as amostras compostas de diferente profundidade em áreas manejadas sob o sistema de plantio direto. A amostragem de solo pode ser feita em qualquer época do ano; no entanto, esta deve ser realizada com boa antecedência da época de plantio e, ou, adubação, considerando o tempo que decorrerá entre a amostragem e a recepção dos resultados. Além disso, recomenda-se fazer a amostragem quando o solo ainda mantém umidade suficiente para conferir-lhe friabilidade, o que facilitará a coleta das amostras simples e a homogeneização do volume de solo para obtenção da amostra composta. Para culturas perenes em produção, recomenda-se que a amostragem seja feita após o término da colheita. 3.4. Processamento das Amostras As amostras simples devem ser reunidas em um recipiente limpo. Devem-se evitar recipientes metálicos, principalmente aqueles galvanizados, que podem acarretar contaminação das amostras, recomendando-se, preferencialmente, recipientes de plástico. O volume de solo das amostras simples deve ser cuidadosamente destorroado e perfeitamente homogeneizado, para obter uma AMOSTRA COMPOSTA representativa, que deve ser constituída por um volume aproximado de 250 cm 3 (1/4 de litro). Este volume de solo pode ser seco à sombra e depois enviado ao laboratório. Não se recomenda que o solo da amostra composta seja peneirado. O volume de solo da amostra composta deve ser acondicionado em saco plástico limpo, ou em caixas de papelão apropriadas. A amostra composta deve

ser devidamente identificada de modo que os resultados possam ser relacionados com as respectivas glebas. As etiquetas devem ser escritas a lápis e protegidas perfeitamente com plástico para que a umidade da amostra do solo não as deteriore. Assim, a etiqueta deve ficar entre dois sacos plásticos. Além disso, é importante que seja fornecido ao laboratório o nome do proprietário, o município e o nome da propriedade. Quando o laboratório apresenta sugestões de correção e de adubação, outras informações devem ser prestadas, como a cultura que será implantada ou manejada (ver Formulário 1A, Apêndice). 3.5. Freqüência de Amostragem A freqüência de amostragem depende do manejo da propriedade e, principalmente, da intensidade da adubação aplicada. Em glebas cultivadas anualmente com uma cultura de ciclo curto e, mantida em pousio no período seco, recomenda-se pelo menos a amostragem a cada três anos. Em glebas manejadas com rotação de cultura, com maiores doses de adubação com ou sem irrigação, recomenda-se a amostragem anual. Para culturas perenes, a partir da fase produtiva, recomenda-se a amostragem anual, principalmente quando são aplicadas doses mais elevadas de fertilizantes.