Meirielle Tainara de Souza



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Transcrição:

17 A TRADUÇÃO DE UM CONTO ALEMÃO E O SEU PROJETO 1 O texto de partida escolhido para a realização da tradução foi Die Frau in der Bar. Este curto conto é recente e foi escrito pelo escritor alemão Leonhard Thoma. Foi publicado em 2001 no livro Der Hundetraum und andere Verwirrungen pela Editorial Idiomas. Este livro reúne vários contos escritos por Leo, que de maneira bem simples e com um alemão básico é facilmente entendível aos estudantes de alemão como língua estrangeira (L.E.). A maioria dos contos trás uma moral da história ao se concluir a narração, e com Die Frau in der Bar não é diferente. Die Frau in der Bar tem como tema central o turismo e juntamente oportunidades perdidas. Ao longo deste, o sentimento que evoca no leitor é de como o turismo pode ser um comércio ganancioso e descontrolado, não por aqueles que ganham e exploram-no, mas sim, por aqueles que viajam apenas por viajar. Este sentimento pode ser notado por qualquer pessoa que tenha condições financeiras de viajar, e que esteja presente em alguma cidade no mundo cuja principal fonte de renda é o turismo. Este conto aborda de maneira simples e objetiva o quão vão pode ser viajar para um lugar paradisíaco ou cheio de experiências incríveis, se o turista não está disposto a realmente vivenciar o cartão-postal que tornou-se real em sua frente. Ele se passa em alguma ilha na Espanha, provavelmente nas Grans Canárias 2, e tem como exemplo destes turistas que aproveitam apenas os hotéis que se hospedam, personagens estereotipadas de alemães. Já através da personagem principal, Max, um jovem banqueiro alemão, muitos daqueles que viajam com certa frequência, ou não, podem se reconhecer (ou não) e refletir se vale mesmo à pena viajar para, por vezes, tão longe pelo puro prazer de dizer estive lá, sem necessariamente ter saído de dentro do hotel. 1 Estudante do sétimo semestre de Letras e Literatura Alemã da Universidade Federal de Santa Catarina. Email: meiri.letras@gmail.com 2 Encontrado em: http://www.las-palmas-24.com/index.php?kurzgeschichten

18 2. O Projeto de Tradução O projeto tradutório que norteará a tradução deste conto tem como fundamentos básicos para as escolhas tradutórias os seguintes pontos: a conservação ou não do estilo do autor; a acessibilidade ao novo texto e o público alvo. No sentido da conservação do estilo do autor optarei por deixar basicamente como está no texto-fonte. O modo como insere falas ou pensamentos, impressões; o espaçamento que utilizou; a forma como narrou; as frases curtas; todos os aspectos que juntos tornaram um conto claro e de fácil entendimento. Optarei em trazer este estilo ao público brasileiro, já que alguns aspectos como, por exemplo, um travessão iniciando um diálogo, que não ocorre no texto-fonte e não terá no texto-alvo também, podem causar certa estranheza para quem não está acostumado com este estilo de escrita. E esta estranheza é desejada para que aja o impacto da leitura no novo público alvo. Por escolher manter o estilo do autor, correrei o risco de pôr em xeque o segundo ponto norteador da tradução: a acessibilidade. Neste caso, creio que isso não ocorrerá, pois o texto é de linguagem simples e coeso. Sua mensagem é passada diretamente ao público. No texto original, o público-alvo são estudantes de alemão como L.E., mas penso que o novo público desta história não precisa ser necessariamente estudante de português como Língua Estrangeira. Apesar de o conto fazer mais sentido para jovens europeus e norte-americanos, pois estes estatisticamente viajam mais do que jovens brasileiros, creio que esta história possa ter como destinatário o público infanto-juvenil. Apesar de a mensagem ser universal: não desperdiçar momentos e lugares, pois cada um desses é único, o formato do texto e a linguagem à ele atribuída, o torna apto para leituras rápidas, que geralmente são as preferidas dos jovens e adolescentes. Sendo assim, pensando nestes fundamentos e tendo em vista que por mais simples, nenhuma tradução é insignificante, a seguir neste trabalho está a tradução Die Frau in der Bar. O texto original encontra-se ao final deste trabalho, no anexo. 3. A Tradução de Die Frau in der Bar, de Leonhard Thoma.

19 A moça no bar Não, Max não estava nada satisfeito com suas férias. Já está há duas semanas aqui na ilha, mas nada de especial aconteceu. Nenhuma aventura, nenhuma surpresa. E hoje já é a última noite. Encontrou na maioria das manhãs, na praia ou na piscina, Else e Werner de Hamburgo. Às tardes conversava com Petra, uma estudante de Duisburgo que até se interessou pelo trabalho de Max no banco. Com Toni, seu professor de surf e de tênis ia de vez em quando à discoteca Titanic. Lá, porém, também não tinha muita diversão. Encontrava Petra de novo, e uma vez ou outra Else e Werner, ambos um pouco embriagados. E essa noite será assim novamente. O hotel organizou um coquetel de despedida. Amanhã partirão vários hóspedes. É o fim da temporada de verão. Max se arrumou todo, com um terno azul, gravata amarela, e seu perfume favorito Fool Water. Uma olhadinha no espelho. Tudo nos conformes. Boa figura, muito bonito, muito esportivo, como sempre. Tudo bonito e bom, é, é. Mas para quê mesmo? Pra quê o terno? Pra quê a gravata? Para quê toda gala? Super legal aqui é que as férias não foram. E agora mais uma vez bater um papo sobre a água com Else, e sobre o Euro com Petra? Precisa ser assim? Não basta que depois de amanhã ele estará novamente em Frankfurt precisando falar o dia inteiro sobre créditos e hipotecas, e sobre o tempo? Max olha seu rádio-relógio. Já era bem tarde. Ele suspira e desce as escadas devagar. Ficou parado em frente ao salão de festas, olhando através da grande porta de vidro. Já estava um bafafá, muitas pessoas e música ruim. Ele olhou para o palco. Lá está Else cantando no karaokê Viva España com o rosto vermelho de vergonha, mais essa agora. Não, ninguém merece isso, pensa ele. Ele se virou e foi embora. Ainda estava com seu carro alugado. Mas para onde ele iria dirigir? Para Titanic? De preferência não. Não faz diferença para onde, diz para si e sobe, apenas longe daqui. Ele dirige pela cidade turística. Anúncios luminosos, barulho e pessoas. Max não parou mais. Ele acabou em uma pequena estradinha, colina acima, dentro da misteriosa escuridão. De repente tudo estava em silêncio. Mal tinha luz, apenas a lua sobre o mar. Estranho, pensa Max, nem dez minutos de carro e tudo já é tão diferente.

20 Pela rua ele vê um par de casas, uma placa brilhante: Bar. Pára e vê pela janela. Um local simples, uma jovem atrás do balcão, as mesas quase vazias, música baixa. Bom, pensa ele, apenas uma cerveja pra me dar sono, então volto para o hotel e vou dormir. Ele entra, senta-se perto ao balcão e pede. A moça sorri. O senhor fala espanhol? Sim respondeu Max, mas só um pouquinho. Já está bom, o senhor pode treinar um pouco aqui também. Sim, foi isso que eu pensei mesmo. É que na praia e no hotel falei mais em alemão. Quase só se encontra alemão aqui. Sim, fala a mulher, na praia e nos hotéis. Mas o senhor não foi nenhuma vez até a montanha, no pequeno povoado? Max sacode a cabeça. Não, pra quê? A paisagem é linda lá de cima. E agora em setembro até tem muitas festas. Festa do vinho, com música. As pessoas comem, bebem e dançam na rua mesmo. Como estrangeiro, o senhor é bem-vindo lá e melhor ainda que o senhor fala um pouco de espanhol. Sobre isso eu não ouvi nada no hotel, fala Max baixinho. A moça dá de ombros, bebe um gole de vinho e olha através da janela. Eu me admiro sobre os turistas aqui, diz ela, todos se limitam aos pontos turísticos. Porém piscinas e bares de hotel têm em qualquer lugar. Até mesmo as praias lá em baixo não são nada de mais. Para isso não se precisa voar de tão longe. O bonito aqui, isso é outra coisa bem diferente: as montanhas, as baías, os povoados, as pessoas. Aqui se tem tanto para descobrir! Max não sabe o que dizer. É, a senhorita tem razão. Mas mesmo assim..., lá em baixo na praia, no calor, não se pensa nisso. Os últimos fregueses se levantam e se despedem. A moça olha para o relógio. Já é bem tarde, diz ela, eu preciso fechar agora. Mas eu pretendo ir à um pequeno povoado amanhã. Visitar amigos lá. Se o senhor tiver vontade, pode vir comigo, para ver outras coisas também.

21 Max observa a moça. Ela apanha seu copo sorridente. Isso é muito amável de sua parte, diz ele, mas amanhã já viajo de volta para Alemanha. Hoje é meu último dia aqui. Que pena, ele ouve a moça dizer. É mesmo uma pena, pensa Max e deixa umas moedas em cima do balcão. Em frente ao seu carro ele lança um último olhar para trás. A moça do bar ainda sorri. As persianas estão descendo lentamente. 4. Os comentários sobre a tradução A tradução do conto Die Frau in der Bar, de Leo Thoma não foi um trabalho muito árduo de ser executado. Por sorte, como é um conto escrito para estudantes de alemão como língua estrangeira, tive bastante facilidade com os termos e em como transpor ao português as passagens da história. Minhas duas maiores dificuldades, na verdade eram curiosidades de tradução. Os termos das seguintes passagens: Es ist schon eine Menge los, viele Leute und schreckliche Musik, e Da steht Else und singt mit rotem Kopf Viva España, me chamaram a atenção. Na primeira, a dificuldade maior foi achar uma partícula no português que pudesse ser compatível com menge los, optei pelo conhecido e popular bafafá, que creio expressar perfeitamente o que é essa confusão com muitas pessoas e barulho. Na segunda, creio que a expressão mit rotem Kopf seja apenas rosto vermelho de vergonha, como dizemos no Brasil. Sanei minhas dúvidas em conversas com um parceiro de conversação Alemão-Português. Apesar de o texto em si não ter sido de difícil tradução, há um anseio por parte de quem traduziu, de que poderia ter feito diferente, no estilo, na forma, em algum termo, ou seja, na escolha tradutória. Em verdade, creio que quem decide ao fim de tudo se a tradução está aceitável ou não, é o público que a recebe.

22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Thoma, Leonhard: Der Hundetraum und andere Verwirrungen. Madrid: Editorial Idiomas, 2001. 2. Sítio na internet visitado em 15 de junho de 2009 <http://www.las-palmas- 24.com/index.php?kurzgeschichten> 3. Sítio na internet visitado em 16 de junho de 2009 <http://de.wikipedia.org/wiki/ Gran_Canaria >

23 Anexo Die Frau in der Bar, de Leonhard Thoma Nein, Max ist mit seinem Urlaub absolut nicht zufrieden. Zwei Wochen ist er jetzt hier auf der Insel, aber es ist nichts Besonderes passiert, keine Abenteuer, keine Überraschungen. Und heute ist schon der letzte Abend. Am Strand oder am Swimmingpool morgens hat er meistens Else und Werner aus Hamburg getroffen. Nachmittags hat er sich manchmal mit Petra unterhalten, einer Studentin aus Duisburg, die sich sehr für seine Arbeit in der Bank interessiert hat. Mit Toni, seinem Surf- und Tennislehrer, ist er ab und zu in die Diskothek Titanic gegangen. Aber dort war auch nie viel los. Sie haben dort nur Petra wieder getroffen und einmal sogar Else und Werner, beide ein wenig betrunken. Auch heute Abend wird es wieder so sein. Das Hotel organisiert einen Abschlusscocktail. Morgen reisen viele Gäste ab. Ende der Sommersaison. Max hat sich schon chic gemacht, mit blauem Anzug, gelber Krawatte und seinem Lieblingsparfum Fool Water. Ein Blick in den Spiegel. Alles passt. Gute Figur, sehr schön, sehr sportlich, wie immer. Alles schön und gut, ja, ja. Aber wozu eigentlich? Wozu der Anzug? Wozu die Krawatte? Wozu die ganze Gala? So toll sind die Ferien hier doch auch nicht gewesen! Und jetzt noch einmal mit Else über das Wetter plaudern und mit Petra über den Euro? Muss das sein? Genügt es nicht, dass er übermorgen in Frankfurt wieder den ganzen Tag über Kredite und Hypotheken sprechen muss - und über das Wetter? Max sieht auf seinen Wecker. Es ist schon spät. Er seufzt und geht langsam die Treppe hinunter. Vor dem Festsaal bleibt er stehen und schaut durch die große Glastür. Es ist schon eine Menge los, viele Leute und schreckliche Musik. Er sieht zur Bühne. Da steht Else und singt mit rotem Kopf Viva España. Karaoke, auch das noch! Nein, denkt er, das muss nicht sein. Er dreht sich um und geht nach draußen. Immerhin hat er ja noch sein Mietauto. Aber wohin soll er jetzt fahren? Zur Titanic? Lieber nicht.

24 Egal wohin, sagt er sich und steigt ein, nur weg von hier. Er fährt durch das Feriendorf. Leuchtreklamen, Lärm und Leute. Max hält nicht an. Er nimmt eine kleine Straße, die Hügel hinauf, in die Dunkelheit hinein. Plötzlich ist alles still. Kaum Lichter, nur der Mond über dem Meer. Seltsam, denkt Max, nicht einmal zehn Minuten mit dem Auto, und schon ist alles ganz anders. Er sieht ein paar Häuser an der Straße, ein erleuchtetes Schild: Bar. Er hält an und schaut durch ein Fenster: ein einfaches Lokal, eine junge Frau hinter der Theke, die Tische fast leer, leise Musik. Gut, denkt er, noch ein Bier, um müde zu werden. Dann fahre ich zurück und gehe schlafen. Er geht hinein, setzt sich an die Theke und bestellt. Die Frau lächelt. Sie sprechen Spanisch? Ja, antwortet Max, aber leider nur ein bisschen. Na ja, dann können Sie ja hier üben. Ja, das habe ich eigentlich auch gedacht. Aber am Strand und im Hotel habe ich doch nur Deutsch gesprochen. Und man trifft ja auch fast nur Deutsche. Ja, sagt die Frau, am Strand und in den Hotels. Aber sind Sie nicht einmal hinauf in die Berge gefahren, in die kleinen Dörfer? Max schüttelt den Kopf. Nein, warum denn? Die Landschaft ist wunderbar da oben. Und jetzt im September gibt es dort viele Feste. Weinfeste mit Musik. Die Leute essen und trinken und tanzen auf der Straße. Als Fremder sind Sie da willkommen, und wenn Sie auch noch ein wenig Spanisch sprechen, umso besser. Davon habe ich im Hotel gar nichts gehört, sagt Max leise. Die Frau zuckt mit der Schulter, trinkt einen Schluck Wein und sieht aus dem Fenster. Ich wundere mich über die Touristen hier, sagt sie, alle bleiben unten in den großen Ferienzentren. Aber Swimmingpools und Hotelbars gibt es doch überall. Und selbst die Strände dort sind nichts Besonderes. Deshalb braucht man doch nicht so weit zu fliegen. Das Schöne hier, das ist doch etwas ganz Anderes: die Berge, die Buchten, die Dörfer, die Leute. Es gibt hier so viel zu entdecken!

25 Max weiß nicht, was er sagen soll. Ja, da haben Sie Recht. Aber irgendwie..., da unten am Strand, in der Hitze, denkt man nicht daran. Die letzten Gäste stehen auf und verabschieden sich. Die junge Frau sieht auf die Uhr. Es ist schon spät, sagt sie, ich muss jetzt schließen. Aber ich werde morgen in ein kleines Dorf fahren. Ich besuche dort Freunde. Wenn Sie Lust haben, können Sie mitkommen, damit Sie mal etwas anderes sehen. Max sieht die Frau an. Sie trinkt lächelnd ihr Glas aus. Das ist sehr freundlich von Ihnen, sagte er, aber ich fahre morgen schon. Heute ist mein letzter Tag hier. Schade, hört er die Frau sagen. Ja, wirklich schade, denkt Max und legt ein paar Münzen auf die Theke. Draußen vor seinem Auto wirft er noch einmal einen Blick zurück. Die Frau in der Bar lächelt noch immer. Langsam gehen die Jalousien nach unten.