A atitude filosófica



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Transcrição:

A atitude filosófica

Conhece-te a ti mesmo (frase inscrita no oráculo de Delfos É a pedra angular da filosofia de Sócrates e de seu método, a maiêutica) O que é um oráculo? 2 significados Síbila é o nome da transmissora da mensagem divina. No 1º filme da série Matrix, há uma sibila que pergunta a Neo se ele leu o que está escrito sobre a porta de entrada da casa que acaba de entrar.

Ele diz que não e ela lê para ele: Nosce te ipsum Conhece-te a ti mesmo. O oráculo diz a ele que somente ele poderá saber se livrará o mundo do poder da Matrix e somente conhecendo a si mesmo ele terá a resposta. Há um paralelo entre essa cena e o um acontecimento de 23 séculos atrás na Grécia.

Em Delfos, na Grécia, havia um santuário dedicado ao Deus Apolo, e sobre o portal de entrada desse santuário estava escrito Nosce te ipsum. Sócrates foi ao oráculo consulta-lo, pois diziam que ele era o mais sábio ateniense. Desejava saber o que era sábio e se podia ser chamado de sábio. O oráculo perguntou-lhe o que sabia e ele respondeu: só sei que nada sei. O oráculo disse que não só era sábio, mas o mais sábio de todos, pois era o único que sabia que não sabia.

Neo e a Matrix Análise dos nomes: Neo: novo, renovado, jovem na força e no ardor da juventude. Morfeu: Era um espírito filho do sono e da noite que possuía asas e era capaz de voar num único instante, em absoluto silêncio para as extremidades do mundo. Esvoaçando sobre um ser humano ou pousando levemente sobre a sua cabeça, tocando o com uma papoula vermelha, tinha o poder, não só de fazê-lo adormecer e sonhar, mas também de aparecer-lhe no sonho, tomando a forma humana.

Dessa forma, no filme, Morfeu se comunica pela primeira vez com Neo. Em vários momentos Morfeu lhe pergunta se tem a impressão de estar sonhando. Até o momento que lhe oferece uma pílula azul e uma vermelha, ao que Neo escolhe a vermelha ( como a papoula da mitologia) que o fará ver a realidade. E morfeu quem lhe mostra a Matrix. Assim compreende que passou o tempo todo dormindo e sonhando.

Definições de Matrix: Do latim mater: mãe, útero. Na linguagem técnica é o molde de fundição de uma peça, o circuito de codificadores e decodificadores das cores primárias e dos sons e, na informática, a rede de guias de entradas e saídas de elementos lógicos No filme, a Matrix tem todos esses sentidos. Ela é um útero universal onde estão todos cuja vida real é uterina e cuja vida virtual é forjada pelos circuitos de codificadores e decodificadores de cores e sons e pelas redes de guias de entrada e saída de sinais lógicos. Qual é o poder da Matrix? O que faz? Pq?

O computador antes era chamado de cérebro eletrônico. Vencer a Matrix é destruir a aparência, restaurar a realidade e assegurar que os seres humanos possam perceber e compreender o mundo verdadeiro e viver realmente nele.

Neo e Sócrates Porque Neo foi o escolhido? Pq era um perito em informática e desconfiava da realidade. Sempre teve dúvidas sobre como a realidade era percebida. Pq Sócrates é considerado o patrono da Filofia? Pq jamais se contentou com as opiniões estabelecidas e com os preceitos de sua sociedade

Ele costumava dizer que era impelido por um espírito interior que o levava a desconfiar das aparências e procurar a realidade verdadeira das coisas. Provou p muita gente, através de suas incansáveis perguntas que, as pessoas na realidade não sabiam o que estavam fazendo ou dizendo ou acreditavam.

Sócrates instigava as pessoas a descobrirem a diferença entre parecer e ser, entre crença ou opinião e verdade ( discorrer) O ideal de Sócrates mexeu fortemente com os poderosos de Athenas ao ponto de Sócrates ser condenado à morte, acusado de espalhar dúvidas sobre as ideias e os valores Atenienses e corromper a juventude. O paralelo entre Sócrates e Neo continua com o mito da caverna de Platão.

O mito da caverna

Imaginem uma caverna, na qual não se pode ver o mundo exterior. Apenas uma fresta de luz é projetada nas paredes da caverna, onde também são projetadas sombras. Dentro dessa caverna há seres humanos acorrentados vivendo sem poder mover a cabeça na direção da entrada, sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do sol. Estão quase no escuro, imobilizados.

Dentro da caverna há um fogo, que projeta as sombras na parede da caverna. Do lado de fora pessoas passam conversando e carregando nos ombros figuras ou imagens de homens, mulheres e animais, e essas sombras também são projetadas nas paredes da caverna. Não tendo visto o exterior, os prisioneiros acreditam que as sombras são as coisas que as projetam e que os sons são produzidos pelas sombras. Acreditam também que os sons produzidos pelos artefatos que essas pessoas carregam nos ombros são as vozes de seres reais.

Há um claro engano, por parte dos prisioneiros. Essa confusão não tem por causa um defeito na natureza dos prisioneiros, e sim as condições adversas nas quais se encontram. O que aconteceria se fossem libertados dessa condição miserável? Um dos prisioneiros, inconformado com a condição na qual se encontra, decide abandoná-la. Fabrica um instrumento que serve para desatar seus grilhões.

Sai da caverna. Num primeiro instante fica totalmente cego pela luminosidade do sol, com o qual seus olhos não estão acostumados. Há dificuldades nessa nova situação. Corpo dolorido, incredulidade, deslumbramento, e retorna a caverna para livrar-se da dor e do espanto. Lá fora não consegue enxergar com nitidez e caverna lhe é familiar e conhecido.

Indisposto para entrar novamente na caverna, permanece em seu exterior e seus olhos começam a se adaptar a luz. Encanta-se. Tem a felicidade de finalmente ver as próprias coisas descobrindo que estivera prisioneiro a vida toda e que em sua prisão via apenas sombras. Decide ficar longe da caverna dali pra frente, nunca mais habitar seu interior, porém tem pena dos outros prisioneiros e decide voltar ao seu interior para contar aos outros o que viu e convencê-los a se libertarem também.

O que acham que acontece quando volta e conta a verdade aos outros prisioneiros? Zombam dele e não acreditam em sua palavra. Se não conseguirem silenciá-lo com sua zombaria, tentarão fazê-lo espancando-o. Se ainda assim ele insistir em afirma-lo, acabarão por mata-lo. Mas quem sabe alguns poderão ouvi-lo e contra a vontade dos demais também decidir sair da caverna rumo à realidade?

O que é a caverna? O mundo das aparências em que vivemos. As sombras projetadas são as coisas que percebemos. Os grilhões e as correntes são nossos preconceitos e opiniões. Nossa crença de que o que estamos percebendo é a realidade. Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. O que é a luz do sol? A verdade. O que é o mundo iluminado pelo sol da verdade? A realidade. Qual o instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A filosofia.

Nossas crenças costumeiras

Emitimos várias opiniões em nossa vida cotidiana. Exemplos: Ela ficou maluca! Ele está sonhando! Glorinha está mais vívida que Maria! Quando se trata do namorado, ou mesmo de um filho, as pessoas tende a enxergarem a realidade distorcida, de modo a favorecerem seus queridos. Somos muito subjetivos. Quem ama o feio, bonito lhe parece.

Quando pergunto que horas são, há vários pressupostos nessa pergunta. O tempo existe, ele passa, pode ser medido em horas e dias. O que já passou é diferente de agora e o que há de vir também há de ser diferente desse momento. O passado pode ser lembrado ou esquecido e o futuro, desejado ou temido. Há coisas ou ideias que acreditamos sem questionar. Aceitamos porque são obvias, evidentes. Exemplos.

Quais são as crenças presentes nessas afirmativas? Ele está sonhando. Ela ficou maluca. Onde há fumaça, há fogo. (causa e efeito) Não saia na chuva para não se resfriar.

Exercendo nossa liberdade

Ao fazermos uma comparação do tipo Glorinha está mais vívida que Maria ou, essa casa é mais bonita que aquela, acreditamos que as coisas ou pessoas podem ser comparados e avaliados. Se disséssemos que o sol é maior do que vemos estamos acreditando que nossa percepção alcança as coisas de modos diferentes. Por exemplo, a caneta, a percebemos como ela é, já o sol, é maior do que o disco de luz que vemos ao longe.

Nossa visão pode ver as coisas diferentemente do que elas são. Mas nem por isso diremos que estamos sonhando ou que ficamos malucos. A percepção visual varia de acordo com a distância, ou seja, depende das condições de visibilidade ou da localização e movimento do objeto. Na briga, quando chamamos o outro de mentiroso, está presente a crença de há diferença entre verdade e mentira. A verdade diz as coisas exatamente como são, a mentira faz o contrário, distorce a realidade.

No entanto, consideramos a mentira diferente do sonho, da loucura e do erro, pq quem erra, sonha e mente se ilude involuntariamente, enquanto o mentiroso decide voluntariamente deformar a realidade e os fatos. Erro e mentira são falsidades diferentes. Somente no mentira há a intenção. Disso decorre que somos seres dotados de vontade, e dela depende dizer a verdade ou a mentira.

Nem sempre classificamos a mentira como algo ruim. Ex. novelas, romances e filmes. Acreditamos que quando alguém nos avisa que está mentindo, a mentira é aceitável. Quando distinguimos verdade de mentira ou mentiras aceitáveis de inaceitáveis, não estamos só nos referindo a conhecimento e desconhecimento da realidade, mas também ao caráter da pessoa, à sua moral.

Acreditamos que a pessoa, porque possui vontade, pode ser moral ou imoral, pois cremos que vontade é o poder de escolher entre o bem e o mal. Acreditamos que exercer tal poder é exercer liberdade. Acreditamos que somos livres para escolhermos voluntariamente nossas ações, nossas idéias, nossos sentimentos.

Conhecendo as coisas

Numa briga quando alguém pede para os que estão brigando para colocarem a cabeça no lugar, e que sejam objetivas, ou no caso dos namorados que são incapazes de ver as coisas como são, sendo muito subjetivos, também há várias crenças silenciosas. Se alguém tenta defender um ponto de vista que envolva alguém ou algo que gosta muito, ou está apaixonado, perde a objetividade. Deixa-se guiar apenas pelos seus sentimentos, e não pela realidade.

Ter objetividade é ter uma atitude imparcial. Ser subjetivo é ser guiado pelas emoções. (amor, ódio, medo, desejo). Disso depreende-se que não só a objetividade e a subjetividade existem mas também são diferentes, a primeira percebe perfeitamente a realidade e não a deforma enquanto a segunda não percebe a realidade e a deforma.

Ao dizermos que alguém é legal pela semelhança de gostos com essa pessoa, acreditamos que o que nos torna semelhantes ou diferentes das outras pessoas são as normas e valores morais, políticos, religiosos e artísticos. Nossa vida cotidiana é toda feita de crenças silenciosas, da aceitação de coisas e ideias que nunca questionamos porque nos parecem naturais, óbvias.

E se não for bem assim

Quando em Matrix Neo pergunta a Morfeu: Onde estamos? Morfeu lhe responde que a pergunta correta seria quando, não onde. Morfeu lhe mostra a realidade. Ao ir ao oráculo, Neo se depara com crianças prodígio fazendo coisas impossíveis na realidade física, ao que a criança lhe explica: A colher não existe. O que neo vê não existe e o que existe não é visto por ele. É quando o oráculo lhe mostra a inscrição sobre a porta. Conhece-te a ti mesmo, sugerindo que antes que comece a desvender os enigmas do mundo externo, que comece por compreender-se a si próprio.

Cremos que nossa vontade é livre para escolher entre o bem e o mal. Cremos também na necessidade de obedecer às normas e as regras da nossa sociedade. Que acontece, porém, quando, numa situação, nossa vontade nos indica que é bom fazer ou querer algo que nossa sociedade proíbe ou condena? Ou, ao contrário, quando nossa vontade julga que será um mal ou uma injustiça querer ou fazer algo que nossa sociedade exige ou obriga? Há momento que vivemos um conflito entre o que nossa liberdade deseja e o que nossa sociedade determina ou impõe.

O tempo é relativo. Pode passar mais rápido ou devagar. No céu, tudo parece se mover quando na verdade o que se move é a Terra. Esses exemplos se assemelham às experiências de Neo. Por um lado tudo parece correto e como tem de ser, por outro, parece que tudo poderia estar errado ou ser ilusão.

Temos a crença na liberdade mas somos dominados pelas regras da nossa sociedade. Temos a experiência do tempo parado ou do tempo ligeiro, mas o relógio não comprova essa experiência. No caso do céu, a astronomia prova o contrário.

Momentos de crise

Os conflitos entre nossas crenças e os saberes estabelecidos são as principais circunstâncias que nos fazem mudar de atitude. Quando o que sempre acreditamos é contrariado por uma outra forma de conhecimento, entramos em crise.

Aí nos indagamos, sou livre quando quero e faço algo que contraria a minha sociedade ou sou livre quando domino minha vontade e a obrigo a aceitar o que minha sociedade determina. Sou livre quando sigo minha vontade ou quando sou capaz de controla-la?

Para respondermos essa pergunta necessitamos de outras perguntas como O que é liberdade?, O que é a vontade?, O que é a sociedade?, O que são o bem e o mal, o justo e o injusto? Nos exemplos dados do sol, do tempo e da Terra, também indagamos se estamos percebendo o que é real ou não. Necessitamos fazer perguntas mais profundas para entendermos como O que é tempo, o que é perceber, o que é realidade.

O que está por trás de tais perguntas? O fato de que estamos mudando de atitude. Estamos quebrando a prática costumeira de aceitar as coisas como são e estamos tendo uma atitude filosófica. Isso indica que quem não se contenta com o que está pré estabelecido, está exprimindo o desejo de saber. É isso que significa filosofia. Amor à sabedoria.

Buscando a saída da caverna ou a atitude filosófica.

Imaginenos uma pessoa que ao invés de emitir as opiniões normais do nosso dia a dia como, por exemplo, que horas são ou Ele está sonhando ou Ela é mentirosa, dissesse: O que é o tempo ou o que é o sonho, loucura ou a razão ou O que é o falso?, o que é a mentira?, o que é a verdade? Uma pessoa que assim fizesse, estaria se distanciando da vida cotidiana e de si mesma, pois estaria indagando as crenças e os sentimentos que alimentam silenciosamente nossa existência.

Ao fazer isso, estamos desejando conhecer porque cremos no que cremos, porque sentimos o que sentimos e estaria começando a cumprir o que o oráculo de delfos dizia: Conhece-te a ti mesmo e estaria adotando a atitude filosófica. Assim, a resposta a pergunta: O que é filosofia? seria: A decisão de não aceitar como naturais, óbvias e evidentes as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana, jamais aceita-los sem antes os haver investigado e compreendido.

Certa vez perguntaram a um filósofo: Para que Filosofia ao que ele respondeu: Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações. Fim do capítulo 1 Questões.