S2357. Hortic.bras., n.2, (Suplemento-CD ROM), julho 2014

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Transcrição:

Frequências de irrigação localizada em cultivares de morangueiro no Norte de Minas Gerais Jair Lucas Oliveira Júnior 1 ; João Batista Ribeiro da Silva Reis 2 ; Mário Sérgio Carvalho Dias 2 ; Alniusa Maria de Jesus 2 ; Jean Renovato Dias 3 ; Silvânio Rodrigues dos Santos 1 ; Wagner Ferreira da Mota 2 1 UNIMONTES Universidade Estadual de Montes Claros. Av. Reinaldo Viana, 2630, Bairro Bico da Pedra, 39440-000 Janaúba MG, jairjunior.agro@hotmail.com, silvaniors@yahoo.com.br, wagnermota@unimontes.br 2 EPAMIG Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais MG. MGT 122, km 155. 39525-000 Nova Porteirinha MG, jbrsreis@epamig.br, mariodias@epamig.br, alniuza@epamig.com.br 3 PLASTECA Engenheiro Agrônomo, jean.renovato@hotmail.com RESUMO O cultivo do morangueiro requer cultivares adaptadas à região e um manejo adequado da irrigação. A escolha de uma frequência de irrigação pode reduzir custos e otimizar o aproveitamento da água. Diante do exposto, objetivou-se determinar qual a melhor frequência de irrigação e a principal cultivar associada à produção do morangueiro em função do sistema de irrigação utilizado. O trabalho foi desenvolvido na Fazenda Experimental de Mocambinho da EPAMIG Norte de Minas. Foram utilizadas as cultivares Camarosa, Dover, Oso grande e Tudla na subparcela e as frequências (uma vez ao dia (FR1), duas vezes ao dia (FR2) e uma vez a cada dois dias (FR3)) nas parcelas, no delineamento em blocos casualizados, em quatro repetições, mantendo-se a mesma lamina de irrigação. Maior produtividade de frutos comercial e número de frutos comercial foi observada na cultivar Oso grande. A frequência de irrigação duas vezes ao dia foi melhor para todas as variáveis avaliadas, comparada a de uma vez a cada dois dias. Portanto, a cultivar Oso Grande apresentou melhor desempenho produtivo. Relacionada à frequência de irrigação, pode ser usada a de uma ou duas vezes ao dia para maiores produtividades do morangueiro. PALAVRAS-CHAVE: Fragaria x ananassa Duch., microaspersão, produção. ABSTRACT Irrigation frequency located in strawberry cultivars in north Minas Gerais The strawberry crop requires cultivars adapted to the region and appropriate irrigation management. The choice of irrigation s frequency can reduce costs and optimize the use of water. Therefore, we aimed to determine the best irrigation frequency and the main cultivar associated with the production of strawberry dueto the irrigation system used. The study was carried out at the Experimental Farm of Mocambinho of EPAMIG Northof Minas. In the experiment were utilized cultivars Camarosa, Dover, Oso Grande S2357

and Tudla on subplot and frequency (once a day (FR1), twice daily (FR2) and a once every two days (FR3)) in the plots in a randomized block design with four replications, keeping the same irrigation s depth. The results showed higher commercial fruit yield and commercial fruits number by cultivar Oso Grande. The frequency of irrigation two times a day showed a better performance for all variables compared to once every two days. Therefore, the cultivar Oso Grande showed better productive performance. Related to irrigation s frequency, it can be used at one or two times a day for higher strawberry yields. keywords: Fragaria x ananassa Duch., microsprinkling, production. O morangueiro (Fragaria x ananassa Duch.) é uma espécie olerícola, classificada popularmente no grupo de pequenas frutas, destacando-se por sua característica atraente e sabor diferenciado. O seu cultivo ocorre em diversas regiões do mundo (Duarte Filho et al., 2007). No Brasil, a cultura encontra-se difundida principalmente em regiões de clima temperado e subtropical, sendo os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul os maiores produtores. O Norte de Minas Gerais tem demonstrado resultados promissores para o cultivo do morangueiro (Dias et al., 2002), apresentando bons níveis de produtividade e adaptabilidade às condições semiáridas da região, proporcionando aos agricultores uma opção de complementação de renda. A escolha das cultivares é um dos fatores fundamentais para se obter êxito no cultivo do morangueiro, sendo que as mesmas possuem características pertinentes à região de cultivo que devem ser consideradas, como temperatura do ar, umidade relativa e fotoperíodo (Duarte Filho et al., 2007). A irrigação é uma prática fundamental no cultivo do morangueiro, sendo que o seu manejo garante níveis adequados de água no solo para a cultura do morangueiro que, segundo Mcniesh et al. (1985), é sensível ao déficit e ao excesso de água. O déficit ou o excesso de água aplicada, bem como o modo de aplicação, pode propiciar condições desfavoráveis ao desenvolvimento do morangueiro e levar à queda da produtividade da cultura, além de elevar os custos na produção. A escolha correta do sistema de irrigação e o suprimento de água às plantas, no momento oportuno e na quantidade adequada, S2358

aliados às boas práticas de gerenciamento, são aspectos decisivos para o sucesso da cultura (Costa et al., 2007). Diante deste contexto, o objetivo neste trabalho foi o de determinar qual a melhor frequência de irrigação por microaspersão bem como a cultivar de morangueiro mais produtiva, nas condições edafoclimáticas nortemineiras. MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi desenvolvido na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, Fazenda Experimental de Mocambinho (EPAMIG/FEMO), situada no município de Jaíba-MG, correspondendo às coordenadas geográficas- 15 05' de latitude, - 44 01' de longitude ealtitude de 452 m. No dia 10 de maio de 2012 foram transplantadas 672 plantas de morangueiro das cultivares Dover, Oso Grande, Camarosa e Tudla. O solo da área é classificado como Neossolo Flúvico, de textura média. O preparo do solo foi feito com aração e gradagem e em seguida a preparação dos canteiros com enxada, fazendo-se os canteiros nasdimensões de 5,6 x 0,80 x 0,20 m. Realizou-se a adubação com superfosfato simples, sulfato de amônio, cloreto de potássio, sulfato de magnésio e FTE BR10, os quais foram distribuídos uniformemente via solo. A adubação orgânica foi realizada com a utilização de esterco curtido de curral na proporção de 20.000 kg ha -1 (Ribeiro et al., 1999). Após quinze dias da adubação de plantio foi realizado o transplantio das mudas no espaçamento de 0,4 x 0,4 m, sendo quatro plantas consideradas como parcela útil. Decorridos 30 dias do transplantio das mudas, foi colocado o mulching sobre os canteiros. O experimento foi instalado em parcelas subdivididas, tendo as cultivares Camarosa, Dover, Oso Grande e Tudla na subparcela e as frequências (uma vez ao dia (FR1), duas vezes ao dia (FR2) e uma vez a cada dois dias (FR3)) nas parcelas, no delineamento em blocos casualizados, em quatro repetições, mantendo-se a mesma lâmina aplicada, totalizando 48 unidades experimentais. Os dados foram submetidos à análise de variância, e comparados entre si, pelo teste de Tukey, ao nível de 5 % de significância. As plantas foram irrigadas pelo sistema de microaspersão, o qual foi instalado com os emissores espaçados 3,5 m entre plantas e 3,0 m entre linhas. Cada parcela foi irrigada por quatro emissores modelo VAN, série 15, pressão de 2 kgf cm -2 e vazão de 0,21 m 3 h -1. S2359

No monitoramento da umidade foi realizado o acompanhamento dos valores médios de potencial matricial do solo por meio de tensiômetros, em duas profundidades (10 cm e 30 cm, representando as camadas de 0-20 e 20-40 cm, respectivamente), considerando cada fase de desenvolvimento da cultura.o manejo da irrigação foi baseado na evapotranspiração potencial de referência obtida diariamente de uma estação meteorológica automática localizada próxima à área experimental, segundo metodologia de Penman-Monteith (Allen et al., 2006). Para o experimento, consideraram-se os frutos comerciais (frutos extras ->14 g, de primeira 6 a 14 g e de segunda - < 6 g) e não comerciais (podres, danificados, deformados e deformados/danificados) (Lima, 1999). RESULTADOS E DISCUSSÃO Por meio da tabela de análise de variância (Tabela 1), pode-se observar que houve diferenças significativas para as fontes de variação (FV) frequência de irrigação (FR) em todas as variáveis analisadas, à exceção de produtividade de frutos comerciais. Efeito significativo de cultivares (Cult) foi observado em todas as variáveis e somente para produtividade comercial de frutos por hectare e número de frutos comerciais por hectare houve efeito significativo da interação Cult x FR. A cultivar com maior produtividade de frutos comerciais (PFC) foi a Oso Grande, totalizando 43.247,4 kg ha -1 (Tabela 2). Os resultados indicam que a produtividade dessa cultivar pode estar relacionada à presença de frutos maiores, com peso individual de 10 g ou mais, confirmando informações presentes na literatura que destacam positivamente o tamanho dos frutos da cultivar Oso Grande (U.S. Patents, 2002; Bernardi et al., 2005), desproporcional ao número dos frutos (NFC), sendo equivalentes aos das cultivares Dover e Camarosa (Tabela 3). Observou-se superioridade somente da cultivar Dover dentro da frequência de duas vezes ao dia (FR2) nas variáveis PFC e NFC (Tabelas 2 e 3). Esta frequência de irrigação duas vezes ao dia mostrou-se com maior eficácia no ganho de produção, principalmente devido ao ganho de turgidez das plantas, contribuindo para um melhor desenvolvimento dos frutos, considerando a segunda aplicação no final do dia. Resultado semelhante foi encontrado em um estudo de efeitos dos sistemas de irrigação localizada na cultivar Dover quando submetida à diferentes frequências de irrigação e formas de fertilização (Santana, 2009). S2360

Em relação à produtividade de frutos não comerciais (PFNC) e o número de frutos não comerciais (NFNC), a cultivar Oso Grande foi a que mais produziu, tendo uma correlação com o peso individual dos frutos dessa cultivar que é maior em relação às outras (Tabelas 4 e 5). Nas cultivares Camarosa, Dover e Tudlaemrelaçãoàs variáveis PFNC e NFNC não se observou diferença significativa entre elas. Tanto a PFNC quanto o NFNC as maiores médias foram observadas na FR2 comparada à FR3. A frequência de irrigação de duas vezes ao dia mostrou-se superior a de uma vez a cada dois dias em todas as variáveis analisadas, exceto na PFC, comprovando que o morangueiro responde melhor a condições de baixa depleção da água no solo, sobretudo naqueles solos cuja capacidade de armazenamento da água é baixa. Estes dados estão de acordo com Costa et al. (2007) no qual indica um manejo de irrigação com alta frequência e com redução do volume para que o morangueiro tenha uma maior disponibilidade de água, refletindo em melhores índices de produtividade. REFERÊNCIAS ALLEN RG.; PEREIRA LS; RAES D; SMITH M. 2006. Evapotranspiración del cultivo. Guias para la determinación de los requerimientos de agua de los cultivos. Rome: FAO. 320 p. (FAO Irrigation and Drainage, 56). BERNARDI J;HOFFMANN A; ANTUNES LEC; FREIRE JM; Cultivares In: Sistema de Produção de Morango para Mesa na Região da Serra Gaúcha e Encosta Superior do Nordeste. Embrapa Uva e Vinho. Sistema de Produção, 6 Versão Eletrônica; Bento Gonçalves - RS. 2005. Disponível em <http://sistemasdeproducao. cnptia.embrapa.br/fonteshtml/morango/mesaserragaucha/cultivares.htm>. COSTA EL; COELHO EF; COELHO FILHO M A. 2007. Irrigação do morangueiro. Informe Agropecuário v.28, n.236. In: Morango: conquistando novas fronteiras. Belo Horizonte. p.50-55. DIAS MSC; RIBEIRO JÚNIOR PM; SILVA MS; SANTOS LO; CANUTO RS; COSTA SM; CASTRO MV. 2002. Caracterização físico-química de morangos cultivados no Norte de Minas Gerais. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE FRUTICULTURA, 17.Anais... Belém: SBF. DUARTE FILHO J; ANTUNES LEC; PÁDUA, JG. 2007. Cultivares. Informe Agropecuário v. 28, n. 236. Belo Horizonte: p. 20-23. LIMA LCO. 1999. Qualidade, colheita e manuseio pós-colheita de frutos de morangueiro. Informe Agropecuário v.20, n.198. Belo Horizonte: p.80-83. MCNIESH CM; WELCH NC; NELSON RD.1985. Trickle irrigation requirements for strawberries in Coastal Califórnia. Journal of the American Society for Horticultural Science. Alexandria 110: 714-718. RIBEIRO AC; GUIMARÃES PTG; ALVAREZ VVH.1999 (Ed.). Recomendação para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais: 5ª aproximação. Viçosa, MG: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais. 359p. SANTANAPB.Efeito dos sistemas de irrigação localizada na cultura do morangueiro, submetida às diferentes frequências de irrigação e formas de S2361

fertilização.unimontes. (Monografia para obtenção do Título de Eng. Agrônoma). U.S. PATENTS 2002. Informaçõessobreregistro de patentes. Disponível em <http://www.uspto.gov>. Acesso em 06 ago. 2002. Atualizado em 13 de junho de 2011. S2362

Tabela 1.Resumo da análise de variância para produtividade de frutos commercial e não comercial (PFC, PFNC e PFT), em kg ha -1, número de frutos commercial e não comercial (NFC, NFNC e NTF) por hectare de cultivares (Cult) de morangueiro em função de frequências de irrigação (FR) (Summary analysis of variance for yield commercial and non-commercial fruits in kg ha -1, number of commercial and noncommercial fruits per hectare of cultivars of strawberry according to irrigation frequencies). FV GL Quadrados médios PFC PFNC NFC NFNC Bloco 3 1,4x10 8 7,2x10 6 2,8x10 12 4,9x10 10 FR 2 3,2x10 8ns 2,8x10 7* 3,0x10 12* 1,7x10 11* Erro 1 6 6,8x10 7 3,5x10 6 5,1x10 11 2,2x10 10 Cult 3 1,8x10 9** 1,8x10 7** 1,8x10 13** 1,1x10 11** Cult*FR 6 1,4x10 8* 2,4x10 6ns 3,3x10 12* 7,6x10 9ns Erro 2 27 5,2x10 7 1,1x10 6 1,2x10 12 5,7x10 9 Total corrigido - 47 47 47 47 CV1 (%) - 31,61 62,38 23 57.1,6 CV2 (%) - 27,67 34,75 34,71 28,68 Média - 26053,1 3,00 3,11 2,62 * e ** -p>0,05 e p<0,01, respectivamente e; ns não significativo, pelo teste F (* and **, p <0.05 and p <0.01, respectively, and; ns not significant by F test). Tabela 2. Produtividade de frutos comercial (kg ha -1 ) de cultivares de morangueiro submetidas a frequências de irrigação por microaspersão (Yield commercial fruits (kg ha -1 ) of strawberry cultivars subjected to frequency microsprinkler irrigation). FR CULTIVARES Camarosa Dover Oso Grande Tudla Média 1 21.214,8Ba 17.293,0Bb 39.1125,0Aa 15.371,1Ba 23.251,0a 2 22.871,1Ba 39.460,9 Aa 45.105,5 Aa 17.511,7Ba 31.237,3a 3 19.925,8Ba 18.218,8Bb 45.5511,8 Aa 11.027,4Ba 23.670,9a Média 21.337,3BC 24.990,9B 43.247,4A 14.636,7C - Letras minúsculas diferentes na mesma coluna e maiúsculas diferentes na mesma linha indicam diferenças entre si pelo teste de Tukey, p>0,05 (Different lowercase letters in the same column and different case in the same row indicate differences among themselves by Tukey test, p> 0.05). S2363

Tabela 3. Número de frutos comercial (frutos ha -1 ) de cultivares de morangueiro submetidas a frequências de irrigação por microaspersão (Number commercial fruits (fruits ha -1 ) of strawberry cultivars subjected to frequency microsprinkler irrigation). FR CULTIVARES Camarosa Dover Oso Grande Tudla Média 1 2.761.718Aba 3.476.562ABb 3.660.156Aa 1.710.937Ba 2.902.343ab 2 2.667.968Ba 6.351.562Aa 3.636.718Ba 1.800.781Ba 3.614.257 a 3 2.717.447Aba 3.179.687ABb 4.105.468Aa 1.285.156 Ba 2.823.242 b Média 2.717.447BC 4.335.937A 3.335.937AB 1.598.858 C - Letras minúsculas diferentes na mesma coluna e maiúsculas diferentes na mesma linha indicam diferenças entre si pelo teste de Tukey, p>0,05 (Different lowercase letters in the same column and different case in the same row indicate differences among themselves by Tukey test, p> 0.05). Tabela 4. Produtividade de frutos não comercial (kg ha -1 ) de cultivares de morangueiro submetidas a frequências de irrigação por microaspersão (Yield noncommercial fruits (kg ha -1 ) of strawberry cultivars subjected to frequency microsprinkler irrigation). CULTIVARES FR Camarosa Dover Oso Grande Tudla Média 1 1.625,0Ba 2.425,8ABa 4.500,0Ab 3.089,9ABb 2.910,2ab 2 3.011,7Ba 3.156,3Ba 6.949,2Aa 4.367,2ABa 4.371,1a 3 1.171,9Aa 2.121,1Aa 2.835,9Ab 757,8Ab 1.721,7b Média 1.936,2B 2.567,7B 4.761,7ª 2.738,3B - Letras minúsculas diferentes na mesma coluna e maiúsculas diferentes na mesma linha indicam diferenças entre si pelo teste de Tukey, p>0,05 (Different lowercase letters in the same column and different case in the same row indicate differences among themselves by Tukey test, p> 0.05). Tabela 5. Número de frutos não comercial (frutos ha -1 ) de cultivares de morangueiro submetidas a frequências de irrigação por microaspersão (Number non-commercial fruits (fruits ha -1 ) of strawberry cultivars subjected to frequency microsprinkler irrigation). FR CULTIVARES Camarosa Dover Oso Grande Tudla Média 1 191.406Ba 195.312Bab 414.062Aab 242.187ABab 267.742ab 2 265.652Ba 359.375ABa 542.968Aa 300.781Ba 367.187a 3 128.906Aa 175.781Ab 257.812Ab 78.125Ab 160.156b Média 195.312 B 243.489 B 404.947 A 207.031 B - Letras minúsculas diferentes na mesma coluna e maiúsculas diferentes na mesma linha indicam diferenças entre si pelo teste de Tukey, p>0,05 (Different lowercase letters in the same column and different case in the same row indicate differences among themselves by Tukey test, p> 0.05). S2364