DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO do Direito Internacional Privado. Autonomia. Fontes do Direito Internacional Privado: Lei, Tratados internacionais, Doutrina e Jurisprudência Professora Raquel Perrota
1. Natureza - O Direito Internacional Privado é o ramo da ciência jurídica que resolve os conflitos de leis no espaço, e disciplina os fatos em conexão com leis divergentes e autônomas. - Ele determina o direito aplicável às relações jurídicas de direito privado com conexão internacional.
- O Direito Internacional Privado é concebida como sobredireito ou superordenamento. - Ele tem função designativa, de modo a determinar qual o direito deve ser aplicado no caso concreto, sem análise própria de seu conteúdo material.
Fundamentalmente, o Direito Internacional Privado é o ramo da ciência jurídica que desafia o princípio da territorialidade das leis na medida em que fixa fundamentos da aplicação do direito estrangeiro pelo juiz nacional: quando aplicar? Em que casos? E quais os limites dessa aplicação? Maristela Basso
Quanto à sua natureza, a norma de Direito Internacional Privado é geralmente conflitual, indireta, não solucionadora da questão jurídica em si, mas indicadora do direito interno aplicável, daí ser classificada como sobredireito. Dolinger
- Embora busque solucionar problemas que dizem respeito aos interesses privados, o Direito Internacional Privado apresenta normas de Direito Público, que oferece ao aplicador do Direito elementos para solucionar conflitos de leis.
2. Objeto - O Direito Internacional Privado tem como objeto as relações jurídico-privadas internacionais, os fatos susceptíveis de relevância jurídico-privada, especialmente no que diz respeito aos CONFLITOS DE LEIS NO ESPAÇO (choques da lei estrangeira com as leis pátrias, por ofender a soberania nacional e a ordem pública) e à APLICAÇÃO DE LEI ESTRANGEIRA ( condições jurídicas do estrangeiro e os direitos
- Haroldo Valadão entende que o Direito Internacional Privado tem por objeto leis de qualquer natureza que abranjam conflitos de leis no espaço, quer nacionais, estaduais, provinciais, religiosas, civis, comerciais, pertencentes à esfera trabalhista, penal processual, administrativa e fiscal.
- Pontes de Miranda entende, sob uma ótica mais restritiva, que o Direito Internacional Privado não aceita no seu âmbito questões ligadas ao direito público. - A unanimidade reside, entretanto, em se afirmar que as normas de Direito Internacional Privado destinam-se a resolver conflitos de leis no espaço, o que sempre pressupõe fatos juridicamente relevantes que possuem conexão internacional.
3. Denominação - Critica-se a denominação Direito Internacional Privado pelo caráter nacional da sua legislação. - Grande parte de suas normas é interna, havendo muito pouco de internacional na legislação que determina o Direito a ser aplicado. - Além disso, a denominação Internacional denota relação inter Estados, o que só ocorre no Direito Internacional Público.
- Em relação ao termo Privado, diz-se não se tratar essa disciplina apenas de Direito Privado, uma vez que há questões de Direito Público no seu estudo. - Apesar das críticas, mantêm-se a terminologia. - Nas palavras de Dolinger, há um generalizado deleite entre os estudiosos do Direito Internacional Privado em demonstrar que a denominação da disciplina é incorreta e ao mesmo tempo manter-se fiel a ela
4. Autonomia - O Direito Internacional Privado é amplamente reconhecido pelo mundo e é objeto de proteção pelo ordenamento jurídico internacional, com princípios específicos, e dotado de uma estrutura que o define como ramo autônomo em relação a outras ciências jurídicas.
- Goza de autonomia científica e é ramo destacado da ciência do Direito, uma vez que possui objeto próprio, qual seja, a solução de problemas de conflitos de leis no espaço.
5. Fontes do Direito Internacional Privado 5.1 Lei 5.2 Tratados Internacionais 5.3 Doutrina 5.4 Jurisprudência
5.1 Lei - A lei é tida como a principal fonte do Direito Internacional Privado, e no Brasil podemos enumerar diversos exemplos, como a nossa Constituição Federal que traz variadas disposições no tocante aos estrangeiros (arts. 5, 12, 14 e 22, CF), bem como à extradição e à homologação de sentença estrangeira (art. 102, I e art. 105 I, CF).
- Ademais, podemos encontrar normas de Direito Internacional Privado no CTN (arts. 98 e 100), no CPC (arts. 21 e 376), no Código Civil (arts. 7º a 19 da LINDB), e ainda o Lei de Migração (Lei n 13.445/2017).
Também podemos encontrar no Decreto n 18.971 de 13 de agosto de 1929 o chamado Código de Bustamante, que é uma espécie de Código de Direito Internacional Privado.
5.2 Tratados - Trata-se, por excelência, de fonte externa de Direito Internacional Privado. - Os tratados consistem em acordos firmados entre dois ou mais Estados, visando à consecução de um objetivo ou ao estabelecimento de normas de conduta nas suas múltiplas relações (Edgar Carlos de Amorim).
Artigo 2, item 1, a da Convenção de Viena de 1969 Tratado significa um acordo internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo Direito Internacional, quer conste de um instrumento único, quer de dois ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação específica.
- Como a própria Convenção de Viena afirma, os tratados constituem um meio de desenvolver a cooperação pacífica entre as nações, quaisquer que sejam seus sistemas constitucionais e sociais.
5.3 Doutrina - Havendo omissão da lei e não havendo tratado, a doutrina é utilizada com grande êxito para a resolução do conflito de leis no espaço. - Na maioria das vezes, busca-se orientação nas obras dos próprios tratadistas, e assim encontra-se o caminho para a solução do conflito.
- Segundo Agenor Pereira de Andrade, a doutrina é a força modeladora do Direito, é o Direito em movimento, é a norma positiva do futuro. É através do estudo silencioso nos gabinetes, das conclusões dos sábios e cientistas do Direito, que se mantém, num ritmo de constante evolução, o feitio jurídico dos povos.
5.4 Jurisprudência - Segundo Del Olmo, O intenso intercâmbio entre pessoas de diferentes países, com negócios, casamentos e movimento turístico, tem ocasionado o surgimento de litígios entre pessoas regidas por legislações diversas. - As decisões a respeito de tais litígios, até pela natural semelhança decisória em semelhantes casos, já que muitos conflitos se repetem, acabam ensejando valiosos precedentes para
- Assim, também a jurisprudência vem-se constituindo em verdadeira fonte de Direito Internacional Privado.
5.5. Costumes - Segundo Machado Villela, o costume internacional consiste no acordo tácito dos Estados no sentido de aceitar uma norma obrigatória reguladora da sua conduta nas suas relações mútuas. - Trata-se de uma fonte de direito internacional privado essencialmente bilateral.