Produto mais sustentável De maneira geral, um produto pode ser considerado mais sustentável por diversas razões: a) processo de fabricação com baixo impacto: consiste em produtos que eliminaram ingredientes tóxicos dae sua composição, passaram a utilizar embalagens de menor impacto ou diminuíram o uso de recursos matéria-prima, energia, água no processo produtivo. Outra possibilidade é a eliminação ou o tratamento de resíduos gerados pelo processo produtivo; b) tipo de matérias-primas utilizadas: nesse grupo, encontram-se produtos que utilizam matérias-primas extraídas ou produzidas de forma a minimizar os impactos socioambientais. Bons exemplos desse grupo são os produtos orgânicos e produtos que utilizam materiais recicláveis e reciclados como insumo; c) produtos ecoeficientes: esses produtos necessitam de menos recursos como energia e água em sua utilização. Um exemplo clássico são as lâmpadas fluorescentes, que apresentam uma longa vida útil e um consumo de energia reduzido quando comparadas às lâmpadas tradicionais; d) substituição de produto que possui maior impacto ambiental: por exemplo, empresas de filtro de água têm-se posicionado como mais sustentáveis, uma vez que seu uso gera menor impacto ambiental do que a água engarrafada. A água engarrafada gera CO2 no transporte e elevado índice de resíduos, mediante o descarte das embalagens. Nesses casos, as empresas devem estudar o ciclo de vida dos produtos alternativos para terem condições de comparar os impactos; e) geração de renda para pequenos fornecedores e comunidades de baixa renda: a Mercedes-Benz e a Honda incluíram fibras naturais na fabricação de seus veículos. Essa prática gera renda, uma vez que os insumos são adquiridos de pequenos fornecedores e comunidades do Pará; f) oportunidade de acesso ao consumo para população de baixa renda: como sabemos, a sustentabilidade tem impactos ambientais e sociais. Se quisermos uma sociedade com igualdade de oportunidades, buscar produtos e serviços que atendam às necessidades da população de baixa renda consiste em uma grande contribuição. No entanto, é preciso lembrar que esses produtos também precisam gerar um baixo impacto ambiental. A ONG Instituto para o desenvolvimento de energias alternativas e da autossustentabilidade Ides, fundada pelo engenheiro agrônomo Fábio
Rosa, tem como proposta levar energia solar para pessoas de baixa renda, a fim de beneficiar aqueles locais onde ainda não existe luz. A ideia nasceu quando seu fundador constatou as dificuldades para o desenvolvimento agrário, por causa da falta de energia. Os painéis de energia solar permitem o uso de bombas de água para irrigação nas pequenas propriedades, gerando melhoria direta na qualidade de vida dos pequenos produtores. Além da revisão do processo produtivo de seus produtos, as empresas também estão buscando novas formas de se tornarem sustentáveis desenvolvendo iniciativas como: Design de novos produtos: Consiste na produção de produtos, serviços e lugares levandose em conta questão da sustentabilidade e dos aspectos sociais. Esta iniciativa tem como objetivo reduzir o consumo dos recursos não renováveis e minimizar o impacto ambiental causado, contribuindo ainda para a geração de renda de certas comunidades. Tais produtos e serviços devem ser elaborados já se levando em conta a questão da reciclagem após seu uso. Desmaterialização da economia: Consiste, basicamente, na busca pela substituição de produtos por serviços. Assim, os consumidores contratam determinado serviço e os meios para a sua efetiva prestação pertencem à empresa. Logística reversa: A teoria básica da logística reversa é fazer com que o produto já utilizado e sem destinação certa retorne à linha de produção para que possa ser reaproveitado, gerando assim um ciclo sustentável. Evita-se assim tanto uma nova busca pelo produto na natureza quanto o descarte incorreto danoso ao meio ambiente.
Comunicação e Greenwashing Greenwashing : é um termo utilizado para designar um procedimento de marketing utilizado por uma organização com o objetivo de prover uma imagem ecologicamente responsável dos seus produtos ou serviços. A procura dos consumidores por produtos que se apresentam como ecologicamente corretos vem crescendo nos últimos anos, principalmente com o aumento da preocupação do consumidor global em relação às questões e problemas ambientais que tem se agravado com o passar do tempo (tais como a preocupação com o aquecimento global e as consequentes mudanças climáticas, entre outros). O aumento da demanda real e potencial por produtos mais verdes tem estimulado muitas empresas a se posicionar favoravelmente como oferta capaz de preencher esta procura, algumas de forma genuína, congruente e transparente. No ano passado, anúncios sobre Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade Corporativa ganharam ainda mais força entre mídias impressas, totalizando o maior número de anúncios desta natureza desde o ano de 2003. Entre tais anúncios sobre Responsabilidade Social Empresarial e Sustentabilidade Corporativa, o foco ambiental tem se tornado o mais frequente, o que vem legitimar a preocupação do brasileiro com as questões ambientais. Porém, a qualidade do conteúdo comunicado pouco reflete compromissos tangíveis e transparentes com o meio ambiente: apenas 20% do conteúdo dos anúncios mostram de fato os resultados obtidos com suas ações e o investimento realizado. O estudo Monitor de Responsabilidade Social Corporativa 2010, realizado anualmente pelo instituto de pesquisas Market Analysis, revela que os consumidores brasileiros acreditam que uma
etiqueta capaz de certificar que o produto foi produzido de forma responsável é a melhor indicação de cidadania corporativa. Duas outras fortes indicações são os trabalhos desenvolvidos junto a ONGs ou instituições de caridade e uma certificação governamental capaz de comprovar o comprometimento da organização. Embora estas pistas não sejam as únicas existentes ou possíveis, e sua eficácia mude entre os diferentes segmentos da economia, a pesquisa indica que a utilização de etiquetas é um passo crítico na facilitação do reconhecimento pelo consumidor de quem é responsável, como e por quê. Mas, esta nova tendência verde do mercado também estimulou empresas a aproveitar o momento para associar seus produtos a atribuições ecoamigáveis duvidosas e oportunistas, sem critérios claros que respaldem suas pretensões ambientalistas, ou, ainda, através da apresentação de símbolos e apelos visuais que podem induzir o consumidor a conclusões erradas sobre o produto ou serviço que deseja comprar. A pesquisa sobre os Apelos Ambientais nos Rótulos dos Produtos foi conduzida pela primeira vez na América do Norte, nos países do Canadá e Estados Unidos, em novembro de 2007. Entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, a TerraChoice expandiu a pesquisa para mais dois países. Além do Canadá e EUA, a pesquisa também foi conduzida na Inglaterra e Austrália. Quanto à questão financeira, muitas pesquisas tentam definir se o retorno financeiro de empresas sustentáveis é superior ao de empresas tradicionais. No entanto, a única certeza que temos é a de que investidores preferem investir em empresas que adotam princípios de sustentabilidade caso obtenham resultados financeiros similares aos oferecidos pelas demais empresas. Dessa forma, há alguns anos, iniciou-se uma tendência mundial de os investidores procurarem empresas socialmente responsáveis, sustentáveis e rentáveis para aplicar seus recursos.
Essas aplicações são denominadas investimentos socialmente responsáveis SRI. Essas aplicações consideram que empresas sustentáveis geram valor para o acionista no longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais. Essa demanda veio se fortalecendo ao longo do tempo e hoje é amplamente atendida por vários instrumentos financeiros no mercado internacional. Esse tipo de investimento tem crescido rapidamente nos Estados Unidos. De 1995 a 2007, o crescimento foi de mais de 320%, atingindo mais de 10% da indústria de fundos americana. No Brasil, essa tendência teve início em 2005 com a criação do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Outra descoberta recente é a forte relação existente entre empresas mais sustentáveis e redução de risco. Com isso, bancos, instituições de fomento e empresas passaram a incluir questões socioambientais em suas análises de crédito e parceria. Assim, as empresas que querem contar com recursos externos precisam demonstrar suas habilidades em questões ligadas à sustentabilidade. Além das análises socioambientais, a sustentabilidade trouxe outra consequência para o acesso a recursos financeiros, o incentivo ao microcrédito. O objetivo desses empréstimos é atuar em comunidades e regiões carentes, atendendo ao segmento de baixa renda.