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O SUBJUNTIVO EM ORAÇÕES SUBORDINADAS: DESCRIÇÃO SINTÁTICA PELA TEORIA X-BARRA Mário Márcio Godoy Ribas (UEMS) marcioribas@gmail.com Nataniel dos Santos Gomes (UEMS) natanielgomes@hotmail.com 1. Considerações iniciais Alguns estudos gerativistas sobre a estrutura sintática no português brasileiro (PB) já foram realizados, porém, conforme Othero (2009), ainda não foram matematizadas as regras formais, explícitas e gerativas que possam compreender uma língua natural. São bem conhecidos os estudos também de Othero (2006) sobre a teoria X-barra, contudo esse estudo, apesar de detalhado, foca-se em uma descrição das frases simples do português, ou seja, frases com apenas um único verbo. Portanto há muito para ser trabalhado e este trabalho pode acrescentar conteúdo àquilo que já existe na sistematização. 2. A teoria X-barra A escolha da teoria X-barra deve-se ao fato de ela ser rotineiramente aceita como uma teoria da estrutura sintagmática em uma variedade de escolas distintas de pensamento gramatical (KORNAI & PUL- LUM, 1990 apud OTHERO, 2009, p. 24), como também o estudo poderá auxiliar na implementação computacional da gramática língua portuguesa. Esta teoria possui um modelo que faz uma descrição sintática dos sintagmas. O modelo é formado da seguinte maneira: 808 Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012

2.1. A estrutura da frase simples e da frase com mais de uma o- ração A estrutura básica da frase no PB é o sintagma nominal (NP) iniciando-a e sendo imediatamente seguido pelo sintagma verbal (VP), sendo representada em muitos livros por: (1a) S NP VP Atualmente, conforme Othero (2009, p. 32), o S foi substituído por IP (sintagma flexional), usado em frases absolutas, e CP (sintagma complementizador), usado nas frases subordinadas. Também houve alterações na projeção máxima, retirando-se o foco do N para o elemento anterior a ele na sentença. Assim, o NP, muitas vezes, passa a ser uma projeção do determinante (DP), sendo o determinante ocupado por pronomes demonstrativos, pronomes pessoais, artigos, quantificadores, elementos-qu ou elemento vazio. Essa nova regra foi adotada para se evitar a geração de sentenças agramaticais que poderiam ter em seu NP infinitos numerais, seguindo-se a regra abaixo: NP pré-det NP Logo a regra acima possibilita que um NP tenha um determinante antes do substantivo e não impede que o NP ramificado venha se ligar novamente a mesma regra, formando frases inaceitáveis no PB. Vale lembrar que o NP continua existindo, como no exemplo a- baixo (3), contanto há restrições em sua formação que solucionam problemas com o citado acima. Desta maneira, a regra (1a) pode ser representada como abaixo: (1b) IP DP VP Ainda existem outras estruturas que podem ser consideradas no PB. Frases sem verbos e frases iniciando-se com verbos são exemplos possíveis no português. Cada um dos elementos inclusos na regra (1b) possuem diversas possibilidades de serem formados, como já foi explicado em relação ao elemento S. Os exemplos abaixo são umas das possíveis e finitas estruturas para a formação do DN em PB. É importante ressaltar que para o gerativismo o número de regras é finito, porém, a partir delas, pode-se gerar infinitas elementos. Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012 809

Assim, para se gerar uma frase com mais de uma oração, especialmente uma subordinada, a regra (1b) não se faz suficiente. Para isso, será preciso criar regras para se chegar ao sintagma complementizador, que é o foco deste estudo: (5) IP DP I (6) I I VP (7) VP V (8) V V CP Exemplo 810 Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012

Foi utilizado o triângulo para simplificar a estrutura da árvore, focando-se apenas nas partes referentes a este trabalho, o qual, a partir deste ponto, apresentará a estrutura somente abaixo do CP, já que os demais elementos não são objetos do estudo. 2.2. A estrutura da oração subordinada São várias as possibilidades de criação de uma frase que contenha uma oração subordinada, algumas possuem características mais marcantes como: as concessivas, que podem tanto estar antes ou depois da oração principal: Embora faça sol, ainda está muito frio. / Está muito frio embora faça sol. as adjetivas, que podem ser intercaladas ou não. Porém, por serem recursivas, estarão mais próximas do elemento que repetem. Todavia, neste momento, não se tem a intenção de detalhar tais estruturas, mas sim a estrutura das orações subordinadas substantivas objetivas diretas. Para se estruturar esta oração, faz-se necessário o uso de uma oração complementizadora, que fará, em uma frase simples, o papel do sintagma nominal, ou DP, nos diagramas arbóreos. (3.1) Luana quer um sanduíche. Como o DP engloba a possibilidade de um verbo, utilizaremos o sintagma complementizador, que além do verbo, também inclui um elemento de conexão entre as duas orações. Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012 811

(3.2) Luana quer que Luís fale com a amiga dela. 2.3. As orações subordinadas substantivas objetivas diretas com verbos volitivos Há algumas diferenças entre as orações objetivas diretas resultantes de um verbo volitivo (que exprime desejo) e as demais. Em vários casos, as primeiras oferecem diversas possibilidades de construções, independentemente de seguirem as regras da gramática normativa, e todas a- presentando frases completamente compreensíveis aos falantes do PB. (4.1) O pai sabe [que a filha saiu]. (4.2) O pai sabe [que a filha saia].* O exemplo acima mostra duas frases que tem o mesmo verbo principal, sendo que apenas a primeira possibilidade é aceita. A segunda é agramatical. (3.2) Luana quer que Luís fale com a amiga dela. (3.3) Luana quer que Luís fala com a amiga dela. (3.4) Luana quer que Luís vá falar com a amiga dela. (3.5) Luana quer que Luís vai falar com a amiga dela. Já estes últimos exemplos mostram que além da frase indicada como correta pela gramática normativa (3.2), outras estruturas correm paralelamente no PB e são gramaticais. Todas elas terão um diagrama muito próximo, inclusive as frases 812 Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012

(3.4) e (3.5) que aparentemente deveriam ser diferentes porque possuem dois verbos, porém os verbos dessas orações são compostos, o que não as alteram de maneira substancial. Desse modo teremos o seguinte diagrama para estas frases. (3.2) Luana [quer que Luís fale com a amiga dela]. Portanto podemos concluir que: (9) CP C (10) C C IP E para o IP, poderemos retornar à regra (5). Ainda outra forma de utilizar as objetivas diretas que não são exclusivas apenas às que possuem verbos volitivos é a forma no infinitivo sem elemento complementizador. Essa estrutura ocorre quando o sujeito repete-se na segunda oração, como nas frases abaixo, porém a repetição do sujeito não acontece no infinitivo, tornando-as agramaticais: (3.6) Luana quer falar com a amiga dela. (3.7) Luana quer ela falar com a amiga dela. * Entretanto a repetição do sujeito quando 3ª pessoa em alguns verbos (como querer) também são agramaticais, mas não com todos os verbos volitivos. (3.8) Ela quer que ela fale com a amiga dela. * (3.9) Ela espera que ela passe no vestibular. Nas frases com infinitivo não se considera o complementizador como vazio (Ø), mas sim inexistente, portanto não ocorre CP, mas sim IP. Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012 813

(3.6) Luana quer falar com a amiga dela. Apesar de os exemplos utilizarem o verbo querer, o comportamento de outros verbos que exprimem desejo também seguem os mesmos padrões. Alguns deles são: desejar, ansiar, gostar (no futuro do pretérito) e esperar. Em alguns casos, a partícula complementizadora poderá estar implícita e o verbo que ocorrerá na subordinada poderá, assim, continuar sendo no modo subjuntivo, como no exemplo de Neves (2000, p.351): V. Exa. é humano, justo e generoso, e [espero não duvidará] em cooperar para o bem desta minha Pátria. (5.1). Portanto: Apesar de se ter alcançado o objetivo de se listar às macrorregras e de se construir os diagramas para as orações subordinadas, ainda há que se sistematizar regras computacionais que indiquem a gramaticalidade ou agramaticalidade dessas orações. Será assim preciso criar regras de como determinados verbos nas orações principais se relacionam com o verbo da subordinada. Por exemplo, o verbo querer no presente do indicativo 814 Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012

se seguido do complementizador que aceitará um sujeito explícito ou implícito desde que não seja sua repetição, e o verbo relacionado a esse sujeito poderá assumir o presente do subjuntivo, o presente do indicativo ou ainda o futuro do presente do indicativo composto. 3. Conclusão Este trabalho efetuou uma breve análise, que ainda não havia sido realizada das orações subordinadas substantivas objetivas diretas com verbos volitivos, orações que são diferentes das demais já que podem assumir diversas formas dependendo principalmente do verbo e do sujeito da principal. Apesar desta análise inicial, ainda se necessita de uma sistematização de regras para futura implementação em linguagem computacional. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2001. NEVES, M. H. M. Gramática de usos do português. São Paulo: UNESP, 2000. OLIVEIRA, D. P. Umas tintas de gerativa: conversa com quem não é do ramo. Ave Palavra, Alto Araguaia, v. 1, n. 8, 2005. Disponível em: <www2.unemat.br/avepalavra/>. Acesso em: 16-10-2012. OTHERO, G. A. A gramática da frase em português [recurso eletrônico]: algumas reflexões para a formalização da estrutura frasal em português. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2009. OTHERO, G. A. Teoria X-Barra: Descrição do português e aplicação computacional. São Paulo: Contexto, 2006. PINKER, S. O instinto da linguagem: Como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Revista Philologus, Ano 18, N 54 Suplemento: Anais da VII JNLFLP. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2012 815