Drogas e Álcool (substâncias psicoativas) EDUARDO HENRIQUE TEIXEIRA www.psiquiatriaforense.com.br
II Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil: 2005 Em 108 cidades c/ mais 200 mil hab. Brasil Fonte: SENAD, 2007 9 DROGAS MAIS USADAS % de uso na vida DROGAS 2001 2005 ÁLCOOL 68,7 74,6 TABACO 41,1 44,0 MACONHA 6,9 8,8 SOLVENTES 5,8 6,1 OREXÍGENOS 4,3 4,1 BENZODIAZEPÍNICO 3,3 5,6 COCAÍNA 2,3 2,9 XAROPE (codeína) 2,0 1,9 ESTIMULANTES 1,5 3,2
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA Classificação das substâncias (Existem outras formas de classificação) 1) INIBIDORES DO SNC 2) PERTURBADORES DO SNC 3) ESTIMULANTES DO SNC
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA Classificação das substâncias 1) ESTIMULANTES DO SNC - cocaína - crack - anfetamínicos
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA Classificação das substâncias 2) PERTURBADORES DO SNC - maconha - haxixe - LSD - chá de cogumelo - ecstasy / êxtase
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA Classificação das substâncias 3) INIBIDORES DO SNC - álcool etílico - soníferos / hipnóticos - opiáceos - inalantes
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA OMS
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA UNESCO - PADRÃO DE USO / CONSUMO - ESPORÁDICO (~ uso nocivo) - HABITUAL / FUNCIONAL (~ uso abusivo) - DISFUNCIONAL (~ dependente) - PSICÓTICO
ÁLCOOL
ÁLCOOL
ÁLCOOL
ÁLCOOL
ÁLCOOL
ÁLCOOL
ÁLCOOL Depressor do SNC
EFEITOS SOBRE O SNC 1- POSSUI EFEITO DEPRESSOR SOBRE O SNC 2- AGONISTA GABAÉRGICO DIRETO neuroadaptação dowregulation 3- ANTAGONISTA GLUTAMATÉRGICO DIRETO promove neuroadaptação upregulation 4- Neuroadaptação sensibilização dos canais de Cácio
EVOLUÇÃO PARA DEPENDÊNCIA 1- Empobrecimento do repertório 2- Relevância da bebida 3- Aumento da tolerância ao álcool 4- Sintomas repetidos de abstinência 5- Alívio dos sintomas de abstinência através de mais bebida
COMPLICAÇÕES 1. Doenças físicas 2. Prejuízos sociais e legais 3. Síndrome de Abstinência Alcoólica 4. Síndrome de Wernicke-Korsakoff
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA (SAA) Muito obrigado
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA (SAA) ESTADO DE ABSTINÊNCIA (F10.3) A. Deve haver evidência de interrupção ou redução do uso de álcool após uso repetido, usualmente prolongado e em altas doses. B. Três dos sinais devem estar presentes: (1) tremores da língua, pálpebras ou das mãos quando estendidas (2) sudorese (3) náusea, ânsia de vômito ou vômito (4) taquicardia ou hipertensão
SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA (SAA) ESTADO DE ABSTINÊNCIA (F10.3) (5) agitação psicomotora (6) cefaléia (7) insônia (8) mal-estar ou fraqueza (9) alucinações visuais, táteis ou auditivas transitórias (10) convulsão tipo grande mal Se o delirium está presente, o diagnóstico deve ser estado de abstinência alcoólica com delirium (delirium tremens) (F10.4), sem ou com convulsões (F10.40 e F10.41).
TRATAMENTO DA SAA PRESCRIÇÃO PARA PACIENTES COM SAA LEVE 1. Dieta leve 2. Oferecer líquidos à vontade 3. Diazepam 10 mg (VO) (1) 1 comprimido às 8 horas 1 comprimido às 14 horas 2 comprimidos às 20 horas Diminuir 1/2 comprimido a cada dois dias
TRATAMENTO DA SAA 4. Tiamina 100mg (IM) 1 ampola por 10 dias A partir do 11 dia: 1 cp de 300mg (VO) às refeições 5. Ácido fólico 5 mg (VO) 1 comprimido às refeições 6. Propiciar um ambiente calmo, confortável, com pouca estimulação de luz e som. 7. Proibido dirigir autos/motos ou operar máquinas.
TRATAMENTO DA SAA 8. Retornos diários ao ambulatório. 9. Procurar um serviço de emergência em caso de piora importante Obs: A prescrição de BDZ depende da gravidade dos sintomas. A dose inicial deve estar entre 20 e 40 mg. A presença de sintomas ou de sedação são os parâmetros para o aumento ou diminuição da dose. Assim que se encontrar uma dose estável, ou seja, aquela que elimina todos os sintomas sem sedar o paciente, a mesma deve ser descontinuada ao longo de 7 a10 dias. SAA e seu tratamento. Rev Bras Psiquiatr 2000; 22(2): 62-71.
Síndrome de Wernicke-Korsakoff (SWK) Forma de dano cerebral, por vezes letal. É composta por duas entidades: Encelopatia de Wernicke Psicose de Korsakoff. Cerca de 10-20% dos dependentes de álcool 4ª e 5ª década de vida
Síndrome de Wernicke-Korsakoff (SWK) Causada pela deficiência de Tiamina (B1) Aporte (hábitos ruins) Má absorção (pangastrite, vômitos) Armazenamento (fígado) Ação enzimática (enzimas ativadoras)
Síndrome de Wernicke Tem início abrupto Sintomas (tríade): Rebaixamento do nível de consciência (82%); Distúrbios oculomotores (29%) Ataxia cerebelar (23%) Não é necessária a presença da tríade para o diagnóstico.
Síndrome de Wernicke Ausência de resposta clínica clara em 48-72 horas sugere mau prognóstico. A mortalidade é ao redor de 17%. 80 a 85% de todos os casos de encefalopatia de Wernicke podem evoluir para a síndrome amnéstica ou psicose de Korsakoff (confabulação). Tratamento: reposição de Tiamina (B1)
Rohypnol (Flunitrazepam) - É um benzodiazepínico 10 vezes mais potente que o diazepam - Não tem sabor nem cheiro quando misturado a bebidas - Muitas vezes usado para sequestro e abuso sexual "boa noite cinderela"
Efeitos Desejados: Desinibição, relaxamento muscular Adversos: Sedação, depressão respiratória, confusão, alucinações, agressividade (efeito paradoxal)
CANABINÓIDES Perturbador do SNC
Introdução Cannabis sativa Delta-9-tetrahidrocarbinol (THC) Haxixe à forma mais potente Efeitos euforizantes (sistema endocanabinóide no SNC)
CANABINÓIDES Duração de 3 a 4 horas (> se VO) Alterações mentais dependente: Dose Via de administração Características individuais do usuário Lipossolúveis à pode apresentar recorrência ou permanência por 12 a 24 h.
CANABINÓIDES Usada em geral com outras substâncias Nicotina, álcool e cocaína Misturada ou fumada com outros: Opióides, fenciclidina crack (mesclado) Letargia física e mental e anedonia em usuários assíduos Formas leves de depressão, ansiedade ou irritabilidade à 1/3 dos usuários assíduos
Efeitos psicoativos ~ alucinógenos em altas doses Ideação paranóide, variando de desconfiança a francos delírios e alucinações
CANABINÓIDES
CANABINÓIDES Tratamento: Não existe medicação Deve-se tratar as comorbidades e os quadros secundários Psicoterapia (grupo) Conscientização
DROGAS SINTÉTICAS
Considerações Iniciais Aumento do consumo principalmente a partir do final dos anos 80; Uso associado à cultura rave, música techno; Associado a outras drogas na maior parte dos casos;
Perfil do Usuário - Homens > Mulheres (2/3 dos usuários); - 20 a 30 anos; - Classe média; - Melhor funcionamento se comparado a usuários de outras drogas; - Ausência de antecedentes criminais;
Ecstasy (MDMA) - Histórico - 1912: sintetizado pelo químico alemão Anton Köllisch com o objetivo de ser usado como um redutor do apetite - 1950: utilizado pela polícia em interrogatórios - 1960: indicado como complemento nas psicoterapias
Histórico - 1970: início do uso recreativo - 1977: proibido no Reino Unido - 1985: proibido nos EUA
Mecanismo de ação - Age sobre o SNC e SNA: - Aumenta a biodisponibilidade da serotonina (liberação intensa de 5-HT) - Também provoca aumento de dopamina na fenda sináptica
Efeitos imediatos sobre o comportamento - Sensação de prazer, bem estar - Euforia - Aumento do potencial de comunicação, confiança, sociabilidade - Ansiedade - Sintomas psicóticos (em indivíduos predispostos ou não; não é dose dependente)
Efeitos físicos - Diminuição do apetite - Hipertermia - Taquicardia - Vertigem - Sialoquiese - Dispnéia - Trismo - Confusão - Sudorese - I renal aguda - Cefaléia - Fadiga muscular - Rubor facial - Rabdomiólise - Insônia - Hepatotoxicidade
Efeitos a longo prazo - Lesões celulares irreversíveis provocadas pelo excesso de serotonina na fenda sináptica com posterior diminuição da produção de serotonina e com isso: - impulsividade - ataques de pânico - prejuízo da memória - depressão - dificuldade no planejamento e tomada de decisões - sintomas psicóticos recorrentes
Tolerância e Dependência - Tolerância aos efeitos ocorre rapidamente com decréscimo dos efeitos desejados e aumento dos efeitos negativos -Efeitos positivos diminuem com o aumento da dose -Há na literatura relatos de casos compatíveis com dependência embora ainda faltem dados conclusivos
Overdose - Tratamento - Hidratação e correção de eletrólitos - Benzodiazepínicos para agitação/ ataques de pânico - Neurolépticos para agitação com agressividade - Betabloqueadores, procainamida, bloq. Canais de cálcio para arritmias
LSD ( Dietilamida do ácido lisérgico) - Tem estrutura semelhante a da serotonina - Doses de 20 a 50 milionésimos produzem efeitos de 4 a 12 horas - Pode ser usado na forma de comprimidos VO, SL - A tolerância é rápida e reversível- (sem adição)
Efeitos - Ansiedade intensa com sintomas de pânico ( bad trips ) - Comportamento violento - Sintomas psicóticos
COCAÍNA / CRACK Estimulante do SNC
Transtornos relacionados a cocaína A cocaína é um alcalóide derivado do arbusto Erythroxylon coca que é nativo da América do Sul Era empregada em cirurgias de olhos, nariz e garganta, para as quais seus efeitos vasoconstritores e analgésicos são valiosos
Cocaína
Introdução Mortalidade e impacto social do crack e da cocaína. 1. Maior taxa de hospitalização 2. Subemprego e desemprego 3. Violência, vitimização e gastos com o sistema carcerário. 4. Estigma e isolamento social
Vias de uso: Inalatório ou intranasal Inalatória ou fumada Via endovenosa ou injetável
Crack Forma básica + adição de uma base ( sulfato de amônio ou bicarbonato de sódio) É a forma de cocaína aquecida. Maior disponibilidade plasmática da droga (quase imediata) É extremamente potente. Os usuários chegam a comportamentos extremos para obter meios de adquiri-lo.
Epidemiologia 10% da população dos EUA Faixas etárias: 18-25 anos e 26-34 anos. Crack : mudou o perfil de usuários da cocaína
Epidemiologia no Brasil Predomínio masculino Idade média de 27 anos Solteiros Menos de oito anos de estudo Desempregado ou afastado de suas atividades
Epidemiologia no Brasil Maior incidência a partir de 1989 1993: 36% dos moradores de rua eram usuários. 1997: 46% dos moradores de rua eram usuários.
Ação no SNC O efeito agudo: bloqueio da recaptação da dopamina (reforço) Outros neurotransmissores
Efeitos agudos da cocaína Euforia (...disforia). Sensação de energia aumentada. Aumento das percepções sensoriais. Diminuição do apetite. Aumento da ansiedade. Aumento da autoconfiança. Delírios de cunho persecutório. Sintomas gerais de descarga simpática. Fonte: GOLD (1993)
Síndrome de Abstinência TRIFÁSICA 1ª etapa: Crash - 1ª horas até dias. - piora do humor, hipersonia, esgotamento físico, sintomas depressivos e arrependimento pelo uso. - Intensa depleção de neurotransmissores.
Síndrome de Abstinência 2ª etapa: Síndrome disfórica tardia 2 semanas a 3 a 4 meses. Irritabilidade e alterações do afeto. Há uma intensidade do desejo pelo consumo. Associado a anedonia e apatia.
Síndrome de Abstinência 3ª etapa Pode durar alguns meses ou anos Apresenta melhora da fissura pelo consumo, permanecendo a princípio sintomas de anedonia, dificuldade de planejamento e assertividade.
Tratamento Abordagem tem que ser multudisciplinar Medicações: Topiramato (dose de 300 a 400 mg) Dissulfiram Ácido Valpróico Modafinil Outros
INTERNAÇÃO Lei nº 10.216 de 04 de junho de 2001 - O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Os direitos e a proteção das pessoas cometidas de transtorno mental, de que trata esta Lei, são assegurados sem qualquer forma de discriminação quanto à raça, cor, sexo, orientação sexual, religião, opção política, nacionalidade, idade, família, recursos econômicos e ao grau de gravidade ou tempo de evolução de seu transtorno, ou qualquer outra.
INTERNAÇÃO Art. 2º Nos atendimentos em saúde mental, de qualquer natureza, a pessoa e seus familiares ou responsáveis serão formalmente cientificados dos direitos enumerados no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. São direitos da pessoa portadora de transtorno mental: I ter acesso ao melhor tratamento do sistema de saúde, consentâneo às suas necessidades; II - ser tratada com humanidade e respeito e no interesse exclusivo de beneficiar sua saúde, visando alcançar sua recuperação pela inserção na família, no trabalho e na comunidade; III - ser protegida contra qualquer forma de abuso e exploração; IV - ter garantia de sigilo nas informações prestadas; V - ter direito à presença médica, em qualquer tempo,...
INTERNAÇÃO Art. 3º É responsabilidade do Estado o desenvolvimento da política de saúde mental, a assistência e a promoção de ações de saúde aos portadores de transtornos mentais, com a devida participação da sociedade e da família, a qual será prestada em estabelecimento de saúde mental, assim entendidas as instituições ou unidades que ofereçam assistência em saúde aos portadores de transtornos mentais. Art. 4º A internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes....
INTERNAÇÃO Art. 5º O paciente há longo tempo hospitalizado ou para o qual se caracterize situação de grave dependência institucional, decorrente de seu quadro clínico ou de ausência de suporte social, será objeto de política específica de alta planejada e reabilitação psicossocial assistida, sob responsabilidade da autoridade sanitária competente e supervisão...
INTERNAÇÃO Art. 6º A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo médico circunstanciado que caracterize os seus motivos. Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psiquiátrica: I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usuário; II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do usuário e a pedido de terceiro; e III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.
INTERNAÇÃO 1º A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta. Art. 9º A internação compulsória é determinada, de acordo com a legislação vigente, pelo juiz competente, que levará em conta as condições de segurança do estabelecimento, quanto à salvaguarda do paciente, dos demais internados e funcionários.
OBRIGADO