SUGESTÃO PARA REDUÇÃO GLOBAL DA EMISSÃO DE POLUENTES DOS AUTOMOVEIS José Góes de Araujo Prof. Aposentado Abstract Comments about the reduction possibility of CO² on the atmosphere by the limitation of the cars sizes. A contribuição global dos automóveis na poluição do ar e, em conseqüência, no Efeito Estufa é, talvez, a única que pode ser reduzida, em poucos anos, por decisões firmes de órgãos internacionais e antes que seja tarde demais. No fim do século XIX a população mundial era de 1,5 bilhões de habitantes. Entramos no século XX com uma participação de 290 partes/milhões (ppm) do CO² na atmosfera originária do carvão de pedra consumido nas industrias, trens e navios a vapor inventados no primeiro quarto do século XIX. A descoberta do petróleo, a aplicação de seus derivados nos motores de explosão e o aumento populacional motivaram o intenso aumento dos poluentes na atmosfera. Agora, no século XXI, o mundo abriga 6 bilhões de seres humanos que utilizam 1 bilhão de carros e o CO² na atmosfera atingiu a casa de 390 ppm e continua crescendo. Um tremendo salto acontecido em pouco mais de 100 anos. São muitos os poluentes existentes nos gases resultantes da queima de combustíveis fosseis nos motores a explosão, sendo os principais, o CO (monóxido de carbono), potencialmente mortal e gerado nos processos de combustão parcial como no momento da partida dos motores dos veículos ou dos motores desregulados. Os Particulados micro suspensão de metais pesados e carvão, o NO (oxido de Nitrogênio, o SO² (dióxido de enxofre) e os Hidrocarbonetos leves (HC). Muito do ozônio (O³) encontrado na baixa atmosfera, ou seja, no ar que respiramos, é prejudicial a saúde da humanidade e tem origem nas reações conseqüentes dos gases emitidos pelos veículos automotores e resulta da combinação do (NOx) com (HC) ativada pela os raios ultravioleta do sol. Entretanto na alta atmosfera o ozônio é benéfico pois limita a passagem de raios solares ultra violeta danosos a vida. Outros tóxicos existentes nos aditivos dos combustíveis, dos óleos lubrificantes e na borracha dos pneus, embora contribuam em menores percentagens na poluição do ar devem ser considerados. I Politécnica Ano 2 N 3 Edição semestral Jan-jun 2007 40
Os EUA, onde o número de automóveis ultrapassa a casa de 100 milhões de unidades, contribuem com mais CO² na atmosfera do que todos os outros paises do mundo reunidos excluindo a China, Rússia, Índia e Japão. Assim é evidente que a quantidade CO² na atmosfera, resultante da combustão nos veículos americanos, desconsiderando a contribuição advinda das chaminés das industria no planeta, é uma das principais causas do chamado Efeito Estufa. Segundo a US EPA Environmental Protection Agency, órgão do governo americano, no informe Average Annual Emissions and Fuel Comsumption for Passenger Cars and Light Trucks um carro em bom estado de conservação emite 0,916 lbs de CO² por milha percorrida (0,253 kg/km) ou aproximadamente 5.200 k por ano considerando o valor médio de uso anual de 12.500 milhas (20000 km). (A estimativa baseia-se no consumo médio de 17,2 mpg (aprox 7,3 km/litro)). Os 143.400.000 veículos (0,7 aprox carros/habitante) que circulam nos EUA (http://factfinder.census.gov) consomem 120 bilhões de galões de gasolina (www.greenersvars.com/autoenviron.html) colocando na atmosfera anualmente uma quantidade de CO² e poluentes equivalente a mais de três vezes a do Brasil. Em 1997 o as nações do mundo se reuniram em Kioto, Japão, para estudar e propor um tratado internacional para o controle das emissões de gases causadores do Efeito Estufa. O Protocolo de Kioto, como ficou conhecido o resultado do encontro, depois de aperfeiçoado e refinado foi assinado por todas as nações menos os EUA. Entretanto outras providências legais e normas surgiram em diversos estados americanos, principalmente na Califórnia, que, em conjunto, contribuíram para redução das emissões poluente mas não a produção de CO² o principal causador do Efeito Estufa. Algumas medidas tênues foram tomadas por alguns paises como a Índia. Em Delhi, os carros até 1000 kg pagam anualmente Rs 3815 de impostos enquanto que os maiores e mais pesados acima de 1500 k o valor do imposto sobe para Rs 7.000 (Cybersteering.com,) ou seja, uma medida para restringir o consumo de combustível e indiretamente a produção de CO² e de poluentes por quilômetro percorrido. Suspensão internacional da produção de carros com cilindrada maior que 1000cc Convém ressaltar que 590.000.000 de carros e caminhonetes leves trafegam nas ruas e estradas do nosso sofrido mundo e, só agora, a humanidade despertou para o problema criado nos últimos cem anos pois sentiu seu efeito. I Politécnica Ano 2 N 3 Edição semestral Jan-jun 2007 41
É inegável o beneficio que seria conseguido, ao longo de 10 anos (vida útil dos carros pesados atuais), se fosse suspensa internacionalmente a fabricação de carros acima de 1000cc. Os carros existentes acima desta cilindrada seriam permitidos trafegar ainda por 10 anos, porém sujeitos a rígidas normas de controle dos poluentes. Os carros com mais de 1.000 cc de cilindrada, em 1990, em média, pesavam 1434 kg (Ward s Automobile Yearbook, em (Graedel e Alenby, 1998, adaptado e citado em Tendência Ambientais do Setor Automotivo..., - Kiperstok,A - Eng UFBA). Um carro de 1000 cc de cilindrada, (FIAT, Siena, Fire 1.0 8v) pesa 1015 kg ou seja 70% do peso do carro médio acima referido e consegue fácil e eficientemente trafegar nas ruas das cidades percorrendo 12 km com 1 litro de gasolina. O carro de 1000cc percorre 12.500 milhas (20.000 km) gastando 1666 litros de combustível enquanto o carro pesado, segundo a US EPA, necessita de 581 galões americanos (2.198 lts) de gasolina, ou seja, 1,3 vezes mais. O consumo das matérias primas para fabricação dos carros seria reduzida e, na mesma proporção, diminuiria a contribuição dos efluentes poluentes das fábricas. Finalmente, considerando que existam circulando em todo o mundo 400.000.000 de carros pesados produzindo anualmente 5,2 t de CO² por carro, ou seja, lançando na atmosfera o 2,08 bilhões de toneladas de CO² mais os poluentes e se por sua vez este mesmo número de automóveis fosse de carros de 1000cc, a redução anual seria maior que 560 milhões de toneladas de CO² /ano. Conclusão A substituição de todos os carros pesados por carros leves seria uma medida atenuante até o surgimento de veículos que utilizem energia não poluente. I Politécnica Ano 2 N 3 Edição semestral Jan-jun 2007 42