Extração de Macromoléculas: Técnicas e Aplicações



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XIX congresso brasileiro de Histotecnologia Extração de Macromoléculas: Técnicas e Aplicações Eloisa H. R. Olivieri Banco de Macromoléculas AC Camargo Cancer Center eloisa.ribeiro@accamargo.org.br

Macromoléculas? ÁCIDOS NUCLEICOS (NA) RNA ÁCIDO RIBONUCLEICO DNA ÁCIDO DESOXIRRIBONUCLEICO Macromoléculas especializadas no armazenamento, na transmissão e no uso da informação genética

Estabilidade: o DNA é mais estável, principalmente pelo fato dos anéis de desoxirribose não possuírem grupo hidroxila (muito reativos) no C2` da pentose.

TIPOS de RNA Eloisa Olivieri

OMAS Eloisa Olivieri

Descobertas do Projeto Genoma Humano (1990-2003) Contém 3,2 bilhões de nucleotídeos Número estimado de genes é 25 mil Tamanho médio dos genes é de 3.000 bases, mas varia muito A função de cerca de 50% dos genes descobertos é desconhecida A sequência do genoma humano é 99,9% exatamente a mesma em todas as pessoas Somente cerca de 2% do genoma codifica instruções para a síntese de proteínas Sequências repetidas que não codificam proteínas constituem mais do que 50% do genoma humano

Dogma central da genética e a Cascata ômica

Genômica Exoma-sequencing Genoma sequencing Karotype and CGHarray Aplicações Transcriptômica Q-RT_PCR Transcriptome sequencing (RNAseq) Microarray Proteômica 2D-PAGE LS/MS Eloisa Olivieri SELDI-TOF (or MALDI-TOF) Antibodies Microarray (Ab Microarray) Tissue Microarray

Aplicações Diagnósticos Moleculares de Doenças Genéticas Muitas doenças são causadas por mutações ou alterações na seqüência do DNA de um gene (doenças monogênicas) ou de vários (doenças poligênicas) Com a alteração genética a proteína resultante pode não funcionar corretamente ou não ser formada

Aplicações Testes genéticos para diagnóstico molecular Oncogenética: Predisposição genética ao câncer (alteração germinativa) Diagnóstico da condição familiar e acompanhamento do indivíduos Direcionamento de tratamento no câncer drogas específicas (alteração somática)

Aplicações Testes genéticos para diagnóstico molecular Reprodução Humana Diagnóstico pré-natal e pré-implantacional / Infertilidade masculina Investigação de doenças neurológicas Pesquisa de agentes patogênicos Farmacogenética Doenças Genéticas e Erros Inatos do Metabolismo

Aplicações Outras aplicações com uso de material genético Teste de paternidade Análise forense Investigação científica Estudo de processos evolutivos (filogenias, estudos populacionais) Outros

De onde podemos extrair RNA e DNA? Tecido: congelado/ fresco/ emblocado em parafina Sangue: soro, plasma, leucócito Fluido corpóreo: urina, saliva Células em cultura Outros

Aplicações Finalidade e tipo de amostra Oncogenética: Teste de Predisposição hereditária - mutação germinativa - sangue ou saliva Teste de mutação para direcionar tratamento - mutação somática adquirida tumor tecido Reprodução Humana Diagnóstico pré-natal não invasivo: sangue materno

A preparação da amostra é de extrema importância para identificação das sequências nos ácidos nucleicos (RNA e DNA) A molécula deve ser eficientemente extraída e purificada, eliminando inibidores que possam atrapalhar o ensaio molecular aplicado.

História do NA 1869 Johann Friedrich Miescher Isolou uma substância que continha fósforo e nitrogênio no núcleo da célula: a primeira purificação de DNA da história Chamou de nucleína Publicado com um título nada atraente: Composição química das células do pus. Extração de células vindas dos glóbulos brancos em pus de feridas 1889 - Richard Altmann comprovou que a tal nucleína era um ácido e lhe deu o nome de ácido nucleico. 1953 - James Watson e Francis Crick propuseram o modelo dupla hélice do DNA (publicado na Nature). Ganharam o prêmio Nobel em 1962.

Os passos básicos envolvidos na extração 1. Separação/ Homogeneização da amostra Métodos físicos (RNA) ou químicos (DNA) 2. Lisar células: remoção de lipídios/ desnaturação proteica Remoção da membrana lipídica e restos celulares Uso de detergente e centrifugação A desnaturação proteica é feita utilizando proteases ou proteinases K 3. Remoção do outro NA RNAse para DNA e DNase para RNA 4. Purificação Remoção de impurezas 5. Precipitação/agregação/eluição do NA Etanol / Sais e carreadores/ Eluição em H2O ou TE

Existem vários kits comerciais disponíveis para extração e purificação dos NA A escolha do kit correto é crucial para aperfeiçoar a execução do experimento Os fatores que precisam ser considerados ao escolher o melhor kit : Origem da amostra: Sangue (Plasma, leucócito), tecido congelado/ fresco/ embebido em parafina (FFPE), fluidos corporais (urina, saliva), amostras clínicas (biopsias, aspirados), amostras forenses, etc Preparação antes da extração: FFPE (punch/ scrape/ direto), células fixadas em etanol, saliva (Oragene ), urina, separação dos componentes do sangue, etc... Intenção de uso: a qualidade e pureza do NA deve ser compatível com a futura aplicação downstream

Os fatores que precisam ser considerados ao escolher o melhor kit : Quantidade inicial disponível da amostra: amostra inteira de sangue & mancha de sangue. LCM. Numero de células em culturas (10 5-10 7 ), miligramas de tecido - biópsia, quantidade de sangue (100 µl para 1 ml), etc Rendimento obtido: Diagnóstico & Biobanco Simplicidade e flexibilidade: experiência do profissional Habilidade em automatizar: contaminação cruzada QIASymphony Qiagen Hamilton Maxwell Promega KingFisher Thermo Scientific MagNA Pure ROCHE

Métodos automatizados Fonte: Thatcher SA. DNA/RNA preparation for molecular detection. Clin Chem. 2015

RNA uma molécula instável!! Eloisa Olivieri Cuidados na extração Manipulação dos materiais: Materiais livres de RNAses: Estão presentes em vários materiais biológicos, como por exemplo a nossa pele, saliva, etc. Água, plásticos, vidros, etc RNAse free Tratamento com DEPC ou RNase away: inibidores de RNAses Uso de luva e máscara Transporte e armazenamento: Tecido: em nitrogênio/ gelo seco/ quando molécula em gelo sempre Sangue, saliva: solução protetora

Tipos de protocolos de extração Extração orgânica: Fenol/clorofórmio ou Trizol Tecnologia baseada em sílica: kits de coluna Separação magnética: beads magnéticos Outros: Tecnologia de troca iônica: isolamento de plasmídeos Salting out Gradiente de densidade por cloreto de césio

Tipos de protocolos Extração orgânica: Fenol/clorofórmio(DNA) ou Trizol DNA ph basico RNA ph ácido (RNA) Amplamente utilizado, método convencional Vantagens: dificilmente há perda de material, rendimento muito superior aos kits convencionais com qualidade semelhante, RNA total com mirna Limitações: toxicidade do fenol, tempo do procedimento, experiência do técnico

Tipos de protocolos Tecnologia baseada em sílica: kits de coluna Muito empregada nos kits atuais Vantagens: procedimento simples e rápido, permite automação, pode ser feito RNA e DNA simultâneo Limitações: membrana da coluna pode ocluir perdendo o material, alguns RNA total sem mirna

Separação magnética: beads magnéticos Tipos de extração Vantagens: não há uma barreira p/ oclusão da amostra, simples, RNA total com mirna Limitações: compra do equipamento Muito empregada nos métodos automatizados

Avaliação de qualidade Qualidade da molécula de RNA e DNA Pureza (livre de contaminantes como sais, etanol, lipídeos, polissacarídeos, proteínas, fenol, clorofórmio e outras substâncias) Rendimento (em ug) Integridade (as moléculas não devem estar fragmentadas)

Avaliação de qualidade PUREZA RNA Nível de pureza do RNA / DNA OD 260 / OD 280 = 1,8 ~ 2,0 Espectrofotômetro OD 260 / OD 230 = 1,8 ~ 2,0 NanoDrop ND-1000 DNA Pico de absorbância do RNA é a 260 nm. Leitura a 260nm = 1.0 equivale a 40 ug RNA/ml Pico de absorbância do DNA é a 260 nm. Leitura a 260nm = 1.0 equivale a 50 ug DNA/ml Proteínas 280 nm Contaminantes 230 nm: sais, polissacarídeos, compostos orgânicos como fenol, etc

Avaliação de qualidade Quantificação Qubit Fluorometer Life technologies corante fluorescente que emite um sinal apenas quando ligado ao alvo, o que minimiza os efeitos de contaminantes

Avaliação de qualidade Integridade do RNA Agilent 2100 Bioanalyzer ~80% rrna ~1-5% mrna 18S 28S Contaminação DNA 28S (~5kbases) 18S (~2kbases) Degradação do RNA RIN: RNA integrity number

Integridade do DNA Eloisa Olivieri Avaliação de qualidade GEL de AGAROSE 0,8% Banda de alto peso molecular Agilent 2200 TapeStation DIN: DNA integrity number

Armazenamento das moléculas

Olivieri et al, 2014 Qualidade do RNA avaliando tecidos armazenados a -140oC por até 7 anos Qualidade do RNA armazenado a -80oC por até 4 anos (nas concentrações 250 e 25 ng/ul) Não houve diferença do RIN RNA preservado a 250 ng/ul Degradação significativa a 25 ng/ul

http://www.biocision.com/blog/9493/biobanking-variables Olivieri EH, de Andrade Franco L, Pereira RG, Carvalho Mota LD, Campos AH, Carraro DM. Biobanking practice: RNA storage at low concentration affects integrity. Biopreserv Biobank. 2014; 1:46 52. doi: 10.1089/bio.2013.0056.

http://acceleratingscience.com/biobanking/maintainingrna-integrity-during-cold-storage/

Obrigada!!!