O Impressionismo como base das transformações do Modernismo.

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Transcrição:

ARTE. VISUAL. ENSINO Ambiente Virtual de Aprendizagem Professor Doutor Isaac Antonio Camargo IV Curso de Artes Visuais Universidade Federal de Mato Grosso do Sul O Impressionismo como base das transformações do Modernismo. Parte 2 Claude Monet, Impressões: nascer do sol, 1872.

ARTE. VISUAL. ENSINO Ambiente Virtual de Aprendizagem Professor Doutor Isaac Antonio Camargo Curso de Artes Visuais Universidade Federal de Mato Grosso do Sul 3 A ruptura Impressionista

A primeira exposição Impressionista ocorre em 1874 e a última em 1886. Ao todo foram sete exposições que definiram um novo modo de pensar a criação artística na Arte Visual a partir de parâmetros que instauraram uma atitude analítica no contexto poético em relação ao ambiente e à sua representação visual: o descolamento entre a visualidade convencional e sua representação. O Impressionismo, como passa a ser chamado, surge ao mesmo tempo em que a Fotografia estava sendo gestada. Coincidentemente, sua primeira mostra foi realizada na Rue des Capucines em Paris no estúdio de Felix Tournachon, chamado Nadar, um dos grandes fotógrafos da época.

A primeira exposição da Sociedade Anônima dos Artistas, foi realizada de 15 de abril a 15 de maio de 1874, no estúdio do fotógrafo Nadar, na rua dos Capuchinhos 35, em Paris. Foram apresentados 165 trabalhos de vários artistas, entre eles: Renoir; Monet; Pissarro; Morisot; Degas; Sisley; Boudin; Cezanne e Guillaumin.

Renoir, 1874

Monet, 1872

Pissarro, 1873

Morissot, 1689

Degas, 1872

Sisley, 1872

Boudine, 1874

Cezanne, 1873

Guillaumin, 1873

As obras que vimos foram expostas na primeira exposição Impressionista. Os artistas que participaram desta exposição continuaram a expor nos anos subsequentes, mesmo sem apoio da crítica. Estes artistas não possuíam um programa único, tinham certas tendências como a opção pela Pintura ao ar livre, a oposição ao academismo e o estudo da cor. O que vai caracterizar a poética Impressionista é a opção pelo visível e mesmo a manifestação da textura matérica das tintas na superfície de suas obras. As tintas são tratadas pelas suas características plásticas, as densidades do material e as características cromáticas, bem como, revelam a gestualidade e direcionamento do toque dos pincéis e espátulas na superfície da tela.

A gestualidade marca a direção das pinceladas, são mantidas e passam a integrar as telas como informações complementares do processo constitutivo da Obra. Assim, as marcas do fazer passam a integrar a poética pictórica como elementos produtores de sentido de tal modo que a materialidade da pintura também passa a ser elemento de significação. A pintura ao ar livre passa a ser um dos referenciais do Impressionismo, antes dele, a maioria dos artistas trabalhava em seus Ateliers reproduzindo os efeitos luminosos e cromáticos ensinados pelos mestres do passado, pouco afeitos à leitura da luz no mundo natural.

A exploração das variações luminosas e dos efeitos da luz na atmosfera faz do Impressionismo um novo modo de olhar e perceber o entorno. O Impressionismo não se propõe a destituir a figuração de base naturalista do mundo natural, ao contrário, mantém sua estrutura formal e ambiental. Seu propósito é tratar a luminosidade, por meio do espectro cromático, de tal modo que a imagem possa ser recriada pelo olho do observador. Neste sentido, o Impressionismo não rompe totalmente com a figuração do mundo o, apenas reordena o sistema representativo formal. Destitui o desenho como elemento estruturante de suas pinturas e incorpora a luz e a cor como variáveis na base constitutiva de suas obras.

Monet, catedral de Rouen, 1894

Monet, catedral de Rouen, nublado

Monet, Rouen, sol pleno

A construção plástica da superfície revela-se no processo constitutivo da pintura e as marcas do fazer indicam o processo, percurso e os procedimentos adotados. A celebração da luz, a dinâmica da cor, a riqueza cromática do mundo são reveladas pelos Impressionistas. O efeito ótico provocado por muitas de suas obras possibilitam a reconstituição visual mediante o afastamento, ou seja, quanto mais perto delas se está, mais complexa é a imagem, pois a marcas das pinceladas e gestos se revelam, quanto mais se afasta, mais parecida com o mundo natural ela se torna na medida que o conjunto se impõe.

Monet, Ondas Quebrando, 1881.

Monet, As reconstruções visuais da paisagem se seu jardim

Pissaro

Renoir

Sisley

Pode-se dizer que o Impressionismo não rompeu totalmente com a visualidade do mundo natural, embora alterasse o modo com tal visualidade passa a ser constituída. No entanto, estabelece um novo modo de olhar e reconstituir o visível quebrando as regras da tradição clássica. Este foi o grande passo dado por ele. A partir dali, tornou-se possível redirecionar os processos constitutivos, formativos e poéticos na Arte Visual de acordo com o interesse dos artistas e da criação e não mais dos modelos e cânones anteriores. Aos poucos a Arte Visual assume sua autonomia criativa. Assim são definidas algumas das tendências Modernas: Investigação, experimentação e liberdade criativa.