Workshop de Ecografia Ocular



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Transcrição:

Workshop de Ecografia Ocular Ana Miguel Quintas, Helena Prior Filipe 1ª Reunião Anual de Internos de Oftalmologia SPO Jovem 14 de Julho de 2012

Apresentação do Workshop Pré-teste (10 ) Prelecção (15 ) Oficina (grupos) (45 ) Localização Labeling Ecogramas e filmes Teste Final (10 ) Inquérito (5 ) Encerramento (5 )

Objectivos 1. Como se geram os ecos? 2. Como representá-los? 3. Como obter a representação? 4. Como interpretar?

Introdução A ecografia ocular funciona por ultrassom e é uma ferramenta indispensável no diagnóstico e seguimento de várias doenças oculares e orbitárias Cria uma imagem de secção anatómica detalhada do globo ocular e órbita Primeiro uso em Oftalmologia em 1956 por Mundt e Hughes como A-scan B-scan foi introduzido por Baum e Greenwood em 1958

Características do ultrassom O ultrassom é uma onda acústica que consiste em oscilações de partículas num meio com frequências maiores que os 20 khz (20000 oscilações/seg) A ecografia ocular diagnóstica usa frequências entre os 10 e os 80 MHz (1MHz=1000000ciclos/seg) (20, 35, 50MHz ) Interfaces com impedância diferente produzem alteração (reflexão, refracção, dispersão, absorção) no seu trajeto

Recordado a física.. > frequência < o comprimento de onda < c.d.o. < penetrância nos tecidos < c.d.o. > resolução 10, 20MHz B(A)-scan do segmento posterior 20, 35, 50, 80 MHz B(A)-scan Ultrabiomicroscopia (UBM) do segmento anterior

E a engenharia.. Elementos básicos da ecografia Emissor Transdutor Receptor Monitor

SONDA Corrente elétrica Cristal de quartzo Onda de ultrassom longitudinal Exibição no visor Receptor Propagação pelo meio Sinais eléctricos Transdutor Produção de ecos Interacção Tecido ultrassom - Reflexão - Refracção - Dispersão - Absorção

Modos de representação Modo A Modo B Doppler

Modos de representação Modo A linear ou unidimensional (tempoamplitude) Ecos em forma de picos verticais sobre uma linha basal isoeléctrica que indica 0% de reflectividade Sonda Córnea Superf ant/post do cristalino Retina Esclera Gordura orbitária

Modos de representação Modo B bidimensional (intensidademodulada) Imagem em tempo real, bidimensional, em escala de cinzentos Diferentes ecodensidades são representadas em gradação de luminosidade

Informações importantes Modo A Estrutura Reflectividade/ecogenecidade (altura do pico: alta, média, baixa)(regular/irregular) Consistência Medidas exactas

Informações importantes Modo B Topografia (localização) Forma Crescimento (extensão lateral) Consistência e motilidade da lesão

Modo A + B

Ganho Amplificação das imagens no visor Maior ganho mostra sinais mais fracos (mas diminui a resolução) Menor ganho evidencia sinais muito intensos (drusen) Começar com ganho alto para que os sinais mais fracos não passem despercebidos

Principais indicações Opacidade dos meios Segmento anterior Opacidade querática Hifema ou hipópion Miose Catarata Membrana pupilar ou retrolenticular Segmento posterior Hemovítreo Inflamação

Principais indicações Diagnóstico diferencial entre: Lesões da íris vs. corpo ciliar (UBM) Despistar descolamento do corpo ciliar Diferenciação entre tumores intraoculares Descolamento coroideu seroso vs. Hemorrágico Descolamento de retina exsudativo vs. Regmatogéneo Drusen disco óptico vs. papiledema

Técnica Começar com ganho máximo no B-scan (90dB) Anestesia tópica (se contacto conjuntival) Marca na sonda aponta para a porção superior do ecograma (visor) Standard transversais: incidências verticais apontar marca para cima; incidências horizontais apontar marca para o lado nasal longitudinais: Marca aponta sempre para o centro (córnea)

Incidências Axial Visão axial do olho (nervo óptico) Transversal Mais comum (corte coronal) Quadrantes (engloba 6 horas) Músculos extraoculares em secção transversal Superior, Inferior, Nasal, Temporal Longitudinal Radiária (corte sagital) Mostra apenas 1 hora por ecograma desde o polo posterior até à ora serrata Músculos extraoculares em secção longitudinal 1h, 2h, 3h,

Axial Incidências Visão axial do olho (nervo óptico)

Incidências Transversal

Incidências Longitudinal

Incidências Longitudinal

Diagnóstico diferencial Topográfica Quantitativa (modo A) Descolamento Posterior do Vítreo (DPV) Liso Sem inserção no NO Descolamento de Retina (DR) Liso ou enrugado Funil aberto ou fechado com inserção no NO Descolamento Coroideu (DC) Liso, em cúpula ou plano Inserção na ora serrata Baixa amplitude Picos nos 100% Pico alto e largo (duplo pico) Amplitude 100% Cinética ++++ ++ +/- Monitor

Diagnóstico diferencial Melanoma da Coroideia Hemangioma da Coroideia Lesão secundária Características do Modo A Deflecção inicial elevada, seguida de redução acentuada dos ecos ângulo K Deflecções de elevada amplitude relativamente regulares Deflecções irregulares Histologia Denso empacotamento celular Múltiplas interfaces lagos vasculares Anarquia celular

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Sumário 1. Explicámos o racional subjacente à ultrassonografia 2. Identificámos os diferentes modos de representação de resultados de uma ecografia 3. Explicámos a técnica de aquisição de um exame ultrassonográfico compreensivo 4. Explicámos os princípios básicos de interpretação dos ecogramas adquiridos

Bibliografia Sandra Frasier, Ronald L. Green: Ultrasound of the Eye and Orbit. 2002. St. Louis. Mosby. D. Jackson Coleman et al: Ultrasonography of the Eye and Orbit. 2006. Philadelphia. Lippincot Williams e Wilkins. Cathy DiBernardo et al: Ophthalmic Ultrasound. A Diagnostic Atlas. 1998. New York. Thieme http://www.ophthalmicedge.org http://emedicine.medscape.com http://www.eophtha.com/eophtha/