Modernização da Gestão Administrativa do MPF Lei de Responsabilidade Fiscal, Finanças Públicas e o Aprimoramento da Transparência Francisco Vignoli Novembro-Dezembro/2010 MPF - I Seminário de Planejamento Estratégico 1
CONTEXTO Anos 90: Ponto de partida do Plano Real: ênfase total no ajuste das contas do Setor Público (PAI). Estabilização Monetária: evidencia um quadro de deterioração das contas públicas a partir de 1994. Política Econômica do 1 Mandato de FHC: no período compreendido entre 1994 e 1998 a política econômica implementada joga fora a vantagem do ajuste fiscal levando ao limite do insustentável a situação das contas públicas. Custos da Política Econômica: período 1990 1994 - relação juros/pib = 3,2% 8% em 1998 no período janeiro agosto de 1999 atingiu 16,9%. 2
CONTEXTO Aceitação das condicionalidades para o socorro do FMI em 1998: Política Econômica segundo regras Reformas estruturais e institucionais (redução do setor público, responsabilidade fiscal, lei de falências, etc.) Garantir a sustentabilidade da dívida e estimular os investimentos privados Em 1999 o Governo encaminha ao Congresso Projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal Discurso oficial afirmava que o ajuste do setor público era indispensável para garantir e consolidar a estabilização monetária no longo prazo. Em 04/05/2000 é aprovada a Lei Complementar N 101 - LRF 3
LEI de RESPONSABILIDADE FISCAL - LRF A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, os entes da federação, deverão estar preparados para administrarem as finanças públicas de forma muito mais Planejada, com controles eficientes sobre a Receita e a Despesa Públicas. ASPECTOS CENTRAIS: - ÊNFASE NA QUESTÃO DO PLANEJAMENTO - ÊNFASE NA QUESTÃO DO CONTROLE 4
LEI de RESPONSABILIDADE FISCAL - LRF Art. 1º - Esta Lei Complementar estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal, com amparo no Capítulo II do Título VI da Constituição. 1º - A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação planejada e transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange à renúncia de receita, geração de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dívidas consolidada e mobiliária, operações de crédito, inclusive por antecipação de receita, concessão de garantia e inscrição em Restos a Pagar. 5
ESTRUTURA DA LEI 1º BLOCO (artigos 1º ao 28) 28 artigos que, direta ou indiretamente, tratam da questão do Planejamento 6
ESTRUTURA DA LEI 2º BLOCO (artigos 29 a 42) 14 artigos que tratam da Dívida e do Endividamento Públicos 7
ESTRUTURA DA LEI 3º BLOCO (artigos 43 a 47) 5 artigos que tratam da Gestão Patrimonial 8
ESTRUTURA DA LEI 4º BLOCO (artigos 48 a 75) 28 artigos que tratam da Transparência, do Controle e da Fiscalização 9
LRF - SÍNTESE A LRF impôs normas de planejamento e controle das contas públicas, definindo critérios transparentes para a estimativa de receita, redefinindo os limites e critérios de apropriação dos gastos de pessoal, fixando procedimentos para a ampliação de despesas obrigatórias de caráter continuado, estabelecendo regras severas relativas ao endividamento público, restringindo o uso da máquina administrativa pelos governantes em fim de mandato, impedindo que o mandato de seu sucessor fique inviabilizado e introduzindo, ainda, alterações importantes visando à transparência fiscal e à eficácia na fiscalização pelo Poder Legislativo e Tribunal de Contas. 10
LRF O QUE FAZER? Responsabilidade na gestão fiscal - o que fazer? prevenir os riscos que comprometam o equilíbrio das contas públicas; estabelecer metas para as receitas e despesas; cumprir os limites e os critérios relativos à renúncia da receita, gastos com pessoal, com a seguridade social, com as dívidas consolidada e mobiliária, com as operações de crédito e com as inscrições em restos a pagar. 11
LRF COMO FAZER? Responsabilidade na gestão fiscal - como fazer? Agestãofiscalcompreendeasreceitaseasdespesaspúblicase,nesse sentido, o ponto de partida para o entendimento do espírito dessa Lei deve ser o PLANEJAMENTO; A execução orçamentária deve expressar que o PLANEJAMENTO está norteando as ações de governo; A TRANSPARÊNCIA possibilitará a avaliação da gestão fiscal. 12
LRF QUEM DEVE FAZER? Responsabilidade na gestão fiscal - quem deve fazer? Poder Executivo: a União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, incluindo as respectivas administrações indiretas, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes Poderes Legislativo (incluindo os Tribunais de Contas), Judiciário e o Ministério Público. 13
FASES DA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (LRF) Fase 1 Implantação da LRF Fase 2 Ameaça ou Oportunidade? A Consolidação da LRF Fase 3 Crescimento Econômico e LRF
FASES DA LRF FASE 1: Implantação da Gestão Fiscal Responsável Período 05/2000 a 12/2002 vigência imediata da Lei os dados relativos aos municípios no exercício fiscal de 2001 e 2002 reforçam o entendimento de que o código de conduta estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal foi cumprido. A análise dos dados da amostra de cerca de 90% dos municípios brasileiros, realizada pela área fiscal do BNDES, demonstram que os resultados orçamentários apresentaram superávits, tanto no montante agregado, quanto na grande maioria das cidades, e que a despesa com pessoal de todos os poderes e a dívida consolidada ficaram bem abaixo do limite legal. 15
FASES DA LRF FASE 2: Ameaça ou Oportunidade? A consolidação da Gestão Fiscal Responsável Período 01/2003 a 12/2006 janeiro de 2003: o novo governo assume em meio a uma crise econômica que apresenta as seguintes características: inflação em alta, choque de crédito, vulnerabilidade externa, alto grau de endividamento e risco país elevado. Nesse contexto, a orientação dada à política macroeconômica procurou, inicialmente, recuperar a credibilidade e a confiança buscando assegurar o equilíbrio fiscal, o respeito aos contratos e a queda da inflação. Meta de superávit primário acertada junto ao FMI pelo governo anterior foi ampliada, passando de 3,5% do PIB para 4,25%. Necessidade que o país tinha de recuperar a credibilidade, em função, principalmente, da armadilha colocada pelo descontrole da Dívida Interna. 16
FASES DA LRF FASE 2: Ameaça ou Oportunidade? A consolidação da Gestão Fiscal Responsável Período 01/2003 a 12/2006 O grande teste da Lei se deu no início de 2003, quando os novos governadores que assumiram estados com déficits elevados e salários em atraso pressionaram o governo federal para que fossem revistas as cláusulas dos acordos das dívidas, o que significaria descumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não bastasse o fato de os acordos não serem revistos, o espaço que essa discussão ganhou na imprensa demonstrou a força e a importância da Lei. Metas de Superávit Primário cumpridas redução da relação Dívida Interna/ PIB Dívida Externa equacionada. 17
FASES DA LRF FASE 3: Crescimento Econômico e Gestão Fiscal Responsável Período 01/2007 a... O Brasil demonstrou que é possível crescer com responsabilidade fiscal e inflação controlada, derrubando mitos econômicos característicos de um Keynesianismo bastardo muito difundido. ANO PIB IPCA 2007 5,4 4,5 2008 5,1 5,9 2009-0,2 4,3 2010* 7,5 5,2 Gestão Fiscal cada vez mais transparente. 18
LC Nº 131-27/05/2009 Acrescenta dispositivos à Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências, a fim de determinar a disponibilização, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. VIGORANDO A PARTIR DE 27/05/10 **ONTEMLINE** 19
LC Nº 131-27/05/2009 Art. 1 o O art. 48 da Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: Art.48.... Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante: I incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos; II liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público; III adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que atenda a padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da União eaodispostonoart.48-a. (NR) 20
LC Nº 131-27/05/2009 Art. 2 o A Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 48-A, 73-A, 73-B e 73-C: Art. 48-A. Para os fins a que se refere o inciso II do parágrafo único do art. 48, os entes da Federação disponibilizarão a qualquer pessoa física ou jurídica o acesso a informações referentes a: I quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e, quando for o caso, ao procedimento licitatório realizado; II quantoàreceita:olançamentoeorecebimentodetodaareceitadasunidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários. 21
LC Nº 131-27/05/2009 Art. 2 o A Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 48-A, 73-A, 73-B e 73-C: Art. 73-A. Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para denunciar ao respectivo Tribunal de Contas e ao órgão competente do Ministério Público o descumprimento das prescrições estabelecidas nesta Lei Complementar. 22
LC Nº 131-27/05/2009 Art. 2 o A Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 48-A, 73-A, 73-B e 73-C: Art. 73-B. Ficam estabelecidos os seguintes prazos para o cumprimento das determinações dispostas nos incisos II e III do parágrafo único do art. 48 e do art. 48-A: I 1 (um) ano para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios com mais de 100.000(cem mil) habitantes; II 2 (dois) anos para os Municípios que tenham entre 50.000 (cinquenta mil) e 100.000(cem mil) habitantes; III 4 (quatro) anos para os Municípios que tenham até 50.000 (cinquenta mil) habitantes. Parágrafo único. Os prazos estabelecidos neste artigo serão contados a partir da data de publicação da lei complementar que introduziu os dispositivos referidos no caput deste artigo. 23
LC Nº 131-27/05/2009 Art. 2 o A Lei Complementar n o 101, de 4 de maio de 2000, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 48-A, 73-A, 73-B e 73-C: Art. 73-C. O não atendimento, até o encerramento dos prazos previstos no art. 73-B,das determinações contidas nos incisos IIeIII doparágrafoúnico doart. 48 e noart.48-asujeitaoenteàsançãoprevistanoincisoido 3 o doart.23. Art.3 o EstaLeiComplementarentraemvigornadatadesuapublicação. 24
Francisco Vignoli Professor da EAESP/FGV Consultor da FGV Projetos