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Transcrição:

AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS SOBRE A PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS DIFERENTES ATORES SOCIAIS PROVOCADOS PELO CURSO DE AGENTES MULTIPLICADORES EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CAMPINA GRANDE-PB. Émerson David Justino Graduando de Ciências Biológicas da Universidade Estadual da Paraíba e integrante do Grupo de Pesquisa e Extensão em Gestão e Educação Ambiental (GGEA/UEPB). Lívia Poliana Santana Cavalcante, Daniella Marques Souza, Eliane Henrique da Silva, Monica Maria Pereira da Silva (Orientadora/DB/UEPB) Email do Autor Principal: edjbiologia@gmail.com RESUMO O objetivo deste trabalho consistiu em identificar os impactos provocados sobre a percepção ambiental de diferentes atores sociais, a partir da realização do curso de agentes multiplicadores em Educação Ambiental, em Campina Grande- PB. A pesquisa participante foi realizada de julho a dezembro de 2012, no Campus I da Universidade Estadual da Paraíba. O processo de formação sucedeu por meio do Curso de Agentes Multiplicadores em Educação Ambiental, constituído em três fases (I, II e III), com carga horária de 30 horas cada, atendendo estudantes de nível superior de diferentes áreas de conhecimento e profissionais interessados na temática ambiental. A base do processo de sensibilização e formação foi o Modelo Dinâmico de Construção e Reconstrução do Conhecimento MEDICC, através do qual a coleta de dados ocorreu simultaneamente ao processo de sensibilização. O referido curso foi impactante na difusão de conhecimentos sobre a temática ambiental, provocou inquietude entre os participantes, motivou a visão critica e sistêmica, proporcionou novos olhares sobre o meio ambiente e sobre as ações cotidianas e desencadeou o desejo de uma vida saudável, sustentável e feliz. Educação Ambiental na perspectiva sociocrítica, não apenas sensibiliza, motiva o exercício da cidadania. PALAVRAS-CHAVE: Percepção Ambiental, Educação Ambiental, Impactos ambientais. INTRODUÇÃO A crise ambiental tem como principais causas a percepção ambiental inadequada centrada na visão antropocêntrica e no paradigma cartesiano. Segundo Capra (1996), a crise é eminentemente de percepção, a qual motiva a exploração desordenada dos recursos naturais e desconhece que todos os elementos que constituem o meio ambiente estão interligados, desencadeando a insustentabilidade. É notório que a busca pela sustentabilidade vem sendo cada vez mais estimada. Há, porém, necessidade de mudanças no modelo de desenvolvimento e de gestão dos recursos ambientais, de modo a observar a capacidade de suporte dos diferentes sistemas. Para Romeiro (2012), sustentável é ser economicamente sustentado (ou eficiente), socialmente desejável (ou includente) e ecologicamente prudente (ou equilibrado). A educação é um ponto marcante para o desenvolvimento de qualquer nação, por favorecer a formação de cidadãos críticos e ambientalmente conscientes, consequententemente, mentores de uma sociedade centrada nos princípios da justiça e sustentabilidade. Sabe-se, no entanto, que no mundo, especialmente no Brasil, predomina ainda em pleno século XXI a pedagogia bancária que não propicia o alcance dos objetivos da educação. É necessário envolver os diversos atores sociais para que estes se engajem na causa ambiental, de forma interdisciplinar, por isso é notória a necessidade da formação continuada em educação ambiental, para que tal intuito seja obtido. A dimensão ambiental configura-se crescentemente como uma questão que envolve um conjunto de atores do universo educativo, potencializando o engajamento dos diversos sistemas de conhecimento, a capacitação de profissionais e a comunidade universitária numa perspectiva interdisciplinar (JACOBI, 2003). IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 1

Goiânia/GO - 19 a 22/11/2012 O objetivo deste trabalho foi identificar os impactos provocados sobre a percepção ambiental de diferentes atores sociais, a partir da realização do curso de agentes multiplicadores em Educação Ambiental, em Campina Grande-PB. METODOLOGIA: A pesquisa participante foi realizada de julho a dezembro de 2012, no Campus I da Universidade Estadual da Paraíba. O processo de formação sucedeu por meio de Curso de Agentes Multiplicadores em Educação Ambiental, constituído em três fases (I, II e III), com carga horária de 30 horas cada, atendendo estudantes de nível superior de diferentes áreas de conhecimento e profissionais interessados na temática ambiental. O curso ministrado teve como base o Modelo Dinâmico de Construção e Reconstrução do Conhecimento MEDICC, proposto por Silva e Leite (2008), através desse método a coleta de dados ocorre simultaneamente ao processo de sensibilização, dentre as estratégias aplicadas destacam-se: mapas mentais, questionários em forma de trilha e matrizes. RESULTADOS: A Percepção a cerca do que é meio ambiente para os atores no inicio do curso estava centrada em uma concepção de meio ambiente como espaço (33,9%), logo após a sensibilização prevaleceu a percepção de meio ambiente como interação (66,7%), como mostra os dados da Tabela 1. Durante os debates notou-se que os participantes do curso passaram a compreender que são parte integrante do meio ambiente. Com relação aos impactos ambientais, permaneceu mesmo depois do processo de sensibilização a visualização apenas dos ambientais, os sociais e econômicos foram negligenciados ou esquecidos (Tabela 2). Sabe-se, porém, que estes estão interligados (CAPRA, 1996). Destaca-se que os impactos citados, são vivenciados pelos entrevistados. O uso exacerbado dos recursos naturais, não respeitando os princípios da termodinâmica e a finitude dos mesmos, tem causado os impactos que se potencializam com o avanço tecnológico e econômico. Para Romeiro (2012), do ponto de vista da Economia Ambiental (mainstream neoclássico), os recursos naturais (como fonte de insumos e como fonte de serviços ecossistêmicos) não representam, no longo prazo, um limite absoluto à expansão da economia, e tal economia funciona fora da segunda lei da termodinâmica, a lei da entropia o que é preocupante na busca do sustentável. 2 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais

Os participantes do curso de Agentes Multiplicadores em Educação Ambiental assinalaram no primeiro momento a ação antrópica (53,4%) e políticas públicas (15,8%) como as principais causas dos problemas ambientais (Tabela 3). Após o processo de sensibilização e de formação os participantes, passaram a enxergar o capitalismo, consumismo e ausência ou gestão pública incorreta como os fatores desencadeantes dos problemas ambientais. Verificamos que a falta de educação que não fora citada no primeiro momento, foi entendida posteriormente, enquanto uma das causas dos problemas ambientais por 11,8% dos participantes. Para Jacobi (2003), isto nos remete a necessária reflexão sobre os desafios para mudar as formas de pensar e agir em torno da questão ambiental numa perspectiva contemporânea, e que toda educação seja realmente educação ambiental, objetivando sua complexidade, não no sentido de dificuldade; mais de integradora. Segundo a Política Nacional de Educação Ambiental, instituída pela lei 9795/99, a Educação Ambiental tem o objetivo a compreensão integral de meio ambiente, popularização das informações ambientais, incentivo a uma sociedade socialmente justa e ecologicamente correta, articulação entre ciência e tecnologia, e fomento a cidadania (BRASIL,1999). Os principais objetivos de Educação Ambiental dos participantes do curso de Agentes Multiplicadores em Educação Ambiental consistiam em proporcionar mudanças (30%), conscientizar (29,5%) e resolver os problemas (28,5%). Educação Ambiental enquanto processo de sensibilização só foi percebida após a intervenção (Fase III) por 30% dos participantes (Tabela 3). IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 3

Goiânia/GO - 19 a 22/11/2012 Em relação à inserção da Educação Ambiental enquanto disciplina no currículo escolar, na Fase I, a maioria dos participantes afirmou que Educação Ambiental deveria ser disciplina na educação básica (94,6%). Na Fase III, 29% permaneceram com a mesma afirmação, embora tenhamos a diminuição do percentual de participantes que contrapôs o artigo 10, da Política Nacional de Educação Ambiental, Lei 9795/99 (BRASIL, 1999), cujo conteúdo determina a proibição de Educação Ambiental como disciplina específica do currículo de ensino, entanto, é facultada a criação de disciplina específica nos cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis (Figura 1). Para Jacobi (2003), cabe a todos os professores, independente da área do conhecimento, a preparação devida para reelaborar as informações que recebem, e dentre elas, as ambientais, a fim de poderem transmitir e decodificar para os alunos a expressão dos significados sobre o meio ambiente e a ecologia nas suas múltiplas determinações e intersecções. CONCLUSÃO: O curso de agentes multiplicadores de educação ambiental foi impactante na difusão de conhecimentos sobre a temática ambiental, provocou inquietude entre os participantes, motivou a visão critica e sistêmica, proporcionou novos olhares sobre o meio ambiente e sobre as ações cotidianas e desencadeou o desejo de uma vida saudável, sustentável e feliz. Educação Ambiental na perspectiva sociocrítica, não apenas sensibiliza, motiva o exercício da cidadania. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. BRASIL. Política Nacional de Educação Ambiental. Lei 9795/99. Brasília-DF: Ministério do Meio Ambiente, 1999. 2. CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida; uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo: Cultrix, 1996. 256p. 3. JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Rev.Cadernos de Pesquisa, n. 118, p.189-205.março/ 2003. 4. ROMEIRO, Ademar. Ribeiro. Desenvolvimento sustentável:uma perspectiva econômico-ecológica. Rev. Estudos Avançados,São Paulo-SP,n.74,p.65-92,2012. 5. SILVA. Monica. Maria. Pereira. Formação em educação ambiental para transferência e empoderamento de tecnologias de gestão ambiental sustentáveis. Relatório Parcial. (Programas/Projetos de Extensão da PROEAC/UEPB), Campina Grande-PB: PROEAC/UEPB, 2012. 4 IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais

6. SILVA, M. M. P. da e LEITE, V. D. Estratégias para realização de educação ambiental em Escolas do ensino fundamental. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient. Rio Grande, v. 20, p.454-475, 2008. IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 5