URBANISMO. Antonio Castelnou

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1 URBANISMO Antonio Castelnou Castelnou

2 Introdução Enquanto a atuação profissional do urbanista é bastante antiga uma vez que nasceu com a própria CIDADE em cerca de 4000 a.c., as teorias científicas que fundamentariam essa prática ainda estão em formação. Somente em meados do século XIX, com as transformações promovidas pela Revolução Industrial ( ), que o pensamento urbanístico moderno nasceu e passou a se desenvolver (Teoria Urbana), tornando-se, ao mesmo tempo, reflexivo e crítico.

3 Vestígios da cidade de Mohendjo-Daro (3000 ac, Vale do Indo - Índia) Paris (França) Desde a Antiguidade, o homem entendeu o ESPAÇO URBANO como campo de intervenção, projetando cidades novas e ampliando ou fazendo modificações no traçado das antigas. Porém, foi apenas com os problemas trazidos com a industrialização que surgiram as primeiras teorias científicas a esse respeito, fazendo nascer o URBANISMO.

4 30 o N Latitude Trópico de Câncer Equador ac ac ac Historicamente, as primeiras cidades nasceram graças à agricultura, em regiões climáticas similares Trópico de Câncer e a 30º N Latitude e próximas a grandes rios, que ofereciam condições de cultivo e transporte.

5 Aleppo (Síria) PRIMEIRAS CIDADES DO MUNDO Damasco (Síria) Jubayl: Sítio arqueológico da antiga Byblos (Levant - Líbano) Tell es-sultan: Sítio arqueológico da antiga Jericó (Cisjordânia - Palestina)

6 Reconstituição da cidade de Ur (4000 ac, Mesopotâmia - atual Iraque) Reconstituição da Cidade da Babilônia ( ac, hoje Bagdá, Iraque)

7 Na Antiguidade clássica, o URBANISMO era visto como um conjunto de normas de composição arquitetônica, baseado em critérios funcionais, estéticos ou construtivos, que foram definidos em parte pelo arquiteto grego Hipódamo de Mileto (c ac); o criador da planta em retícula ortogonal e do zoneamento funcional. Cidade de Mileto (Séc. V ac, Grécia) Ruínas de Mileto, hoje Turquia

8 Plano de uma cidade colonial romana (Séc. I ac) Vitrúvio (Séc. I ac) entendia a cidade como artefato artístico e, como tal, deveria seguir os mesmos princípios de composição da arquitetura; ideia de foi retomada pelos tratados renascentistas. As cidades que praticamente desapareceram durante a Idade Média, ressurgiram e cresceram a partir da RENASCENÇA, sendo a maioria remodelada graças à riqueza do clero, nobres e burguesia. Roma (Séc. I dc)

9 Milão (séc. XV) Paris (século X) Roma (Séc. XIV) Londres (Séc. XII)

10 Veneza (Séc. XVI) Do século XV ao XVIII, as experiências urbanísticas eram fundamentadas somente em questões técnicas e estéticas, sem terem uma visão social e político-econômica ao se abordar a questão urbana. Tais critérios usados também em projetos de expansão territorial e remanejamentos de áreas não tinham a preocupação de explicar a cidade enquanto um fenômeno socioespacial. Paris (Séc. XVII)

11 Contudo, no século XIX, o processo crescente de urbanização ocasionado pela sociedade industrial levou a problemas de equilíbrio de sua própria ordem e isto exigiu o maior estudo urbano. Historiadores, filósofos e sociólogos foram os primeiros a estudar a CIDADE INDUSTRIAL, seguidos pelos geógrafos, engenheiros e finalmente arquitetos, nascendo assim o urban planning. Londres (Século XVIII)

12

13 Planejamento Urbano As bases da urbanística moderna nasceram a partir dos problemas surgidos com a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL ( ), em especial aqueles ligados às questões sanitárias e habitação, os quais exigiram medidas urgentes a fim de solucioná-los durante o século XIX na Europa.

14 Plano do Ringstrasse (1860, Viena - Áustria) Inicialmente, o planejamento urbano comprometeu-se com as classes dominantes na manutenção de seu poder, o que fez com que problemas técnico-funcionais fossem sobrepostos aos sociais. Várias cidades europeias passaram por grandes reformas urbanas, nas quais se priorizavam questões de saneamento, arruamento, iluminação pública, arborização e transporte. Plano Cerdá (1859, Barcelona - Espanha)

15 A grande reforma promovida pelo Barão de Haussmann ( ) em Paris, entre 1853 e 1870, foi um exemplo da ação urbanística usada como instrumento de transformação da cidade industrial, além de controle social e político.

16 Aos poucos, a CIDADE passou a ser entendida como a espacialização (ponto crítico) das relações sociais, econômicas e políticas que interagem dentro de uma sociedade. Logo, ela consiste em uma etapa de um processo histórico que é contínuo, irreversível e dinâmico do desenvolvimento da civilização humana, que deve ser estudado. Plano para a Ilha de Manhattan (1811, New York EUA)

17 Rio de Janeiro RJ (1713) Da reflexão do fenômeno urbanístico nasceu o PLANEJAMENTO URBANO ou Urban Planning, que consiste em um conjunto de procedimentos racionais, que visam a tomada de decisões para conduzir os processos urbanos segundo determinadas metas e objetivos préestabelecidos. Plano de remodelação do Rio (1875)

18 O planejamento moderno adota uma metodologia de investigação da questão urbana que se fundamenta em várias disciplinas, tornando assim cidade objeto de conhecimentos históricos, sociológicos, econômicos, políticos, tecnológicos e físico-espaciais: MULTI- DISCIPLINARIDADE. Plano-piloto de Brasília DF (1957, Lúcio Costa) Plano-piloto de Brasília DF (1957, M.M.M. Roberto)

19 Desenho Urbano Até a primeira metade do século XX, a ênfase da análise multidisciplinar fez com que os arquitetos acabassem migrando para a área de planejamento urbano apenas em nível socioeconômico, distanciando-os de seu campo inicial, o da conformação de espaços. Isto conduziu a várias críticas pós-modernas alegando um comprometimento da própria concepção da CIDADE como algo concreto, o que tornava os planejadores impotentes no tratamento de solução ao nível de desenho.

20 A partir da década de 1970, surgiu a necessidade de coexistir ambos conceitos: O da cidade como estrutura de forças sociais, econômicas e políticas, que determinam suas condições e características de desenvolvimento (conceito abstrato) e O da cidade como espaço físico em que se habita, vivifica e transforma (conceito concreto)

21 Seaside FL (1978, EUA) Nascia assim o desenhista urbano, que é um arquiteto mais preocupado com as soluções projetuais para os espaços da cidade. Denomina-se DESENHO URBANO ou Urban Design o conjunto de atividades de interpretação, descrição e representação, através da linguagem arquitetônica, de um espaço específico, visando tanto objetivos estéticoformais como sociofuncionais

22 O que é Política Urbana? Trata-se do conjunto das normas de Legislação de Desenvolvimento Urbano que visa ordenar as funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. No Brasil, ela foi garantida através da Constituição Federal de 1988 que estabeleceu a obrigatoriedade de planos diretores e foi consolidada com o ESTATUTO DAS CIDADES (2001).

23 A aprovação desse Estatuto fez com que a questão do planejamento socioambiental passasse a ser incorporada às preocupações de gestão urbana no país, enfatizando a qualidade de vida e a preservação ecológica. Hoje em dia, a CIDADE passou a ser concebida como um organismo vivo, o qual interage com o meio ambiente e cujo crescimento deve ser acompanhado. São Paulo SP

24 Com base em parâmetros federais e leis estaduais, todos Municípios brasileiros incluíram artigos referentes à política urbana em suas LEIS ORGÂNICAS, ou seja, aquelas que regem e organizam as instituições de Direito público ou privado na cidade. Vistas de Curitiba PR

25 Zoneamento Urbano Curitiba PR A associação do Planejamento e do Desenho Urbano ao Poder Público na definição dos problemas da cidade e na proposição de soluções para estes se dá justamente devido ao intuito da sua aplicabilidade através da intervenção na realidade, ou seja, da sua IMPLEMENTAÇÃO.

26 Campos de Atuação 1. Planejamento Territorial: É responsável pela delimitação de territórios e Estados, considerando o país como um sistema de zonas integradas (aspecto físico- cultural) e segundo áreas de interesses (zonas geoeducacionais; regiões fisiográficas) 2. Planejamento de Desenvolvimento Regional: É responsável pela definição de regiões a serem preservadas, revitalizadas ou desenvolvidas, a partir de programas especialmente previstos (Litoral paranaense, Região Pantaneira ou Amazônica, áreas específicas do Nordeste, etc.)

27 3. Planejamento de Parques Regionais: É responsável pela proposta de reservas ecológicas (áreas florestais, matas litorâneas, etc.) ou sistemas de parques recreacionais ao redor de áreas metropolitanas. 4. Planejamento de Áreas Metropolitanas: Estuda a forma e caracterização dessas áreas em termos de sua configuração natural e cultural (artificial), propondo planos de estruturação de espaços para lazer, sistemas de transporte, zonas comerciais e industriais, eixos turísticos, atividades culturais, etc. Parque Regional do Iguaçu Curitiba PR RMC (Comec)

28 Favela 5. Desenho de Áreas Periféricas: Preocupa-se com o crescimento acelerado das cidades, o que leva a uma ocupação desordenada das áreas periféricas e compromete a qualidade de vida urbana, propondo planos de construção de conjuntos habitacionais, de reurbanização de favelas e de melhoria de serviços (saneamento, limpeza, transporte, etc.) 6. Desenho dos Acessos à Cidade: É responsável pelos portões da cidade, que são seus pontos de entrada e saída; ou ainda de transição para quem chega por terra, ar e mar (previsão de rodovias, ferrovias, hidrovias, canais, pontes e viadutos, etc.) Aeroporto

29 Cruzamento da Av. Paulista com a Rua da Consolação (São Paulo SP) 7. Desenho da Estrutura da Cidade: Visando um programa de identidade e legibilidade das partes da cidade (percepção ambiental), com base na estrutura dos movimentos, atividades e espaços, volta-se para o projeto de marcos, nós e limites, além de áreas de lazer, equipamentos comunitários e sistemas de comunicação, etc.) 8. Desenho das Partes da Cidade: É responsável pelo projeto de bairros, ruas e praças, o que envolve também calçadões (ruas de pedestres), ciclovias, fundos de vale, jardins zoológicos e botânicos e outras áreas paisagísticas Jardim Botânico (Curitiba PR)

30 9. Desenho de Mobiliário e Equipamento Urbano: É responsável pelo design do mobiliário público (bancos e mesas, floreiras, bebedouros, cabines telefônicas, etc.) e equipamentos de uso coletivo (bancas, quiosques, sanitários, pontos de ônibus e táxi, postos policiais e de saúde, etc.), além da sinalização e programação visual urbanas

31 Hoje em dia, o campo profissional do urbanista é o que mais cresce no Brasil e no mundo, principalmente devido ao desafio do desenvolvimento urbano sustentável.

32 Leitura Complementar APOSTILA. Capítulo 5. BENEVOLO, L. História da cidade. São Paulo: Perspectiva, FRANCO, M. A. R. Planejamento ambiental para a cidade sustentável. 2. ed. São Paulo: Annablume: Fapesp, PRINZ, D. Urbanismo I: Projeto urbano. Lisboa: Presença, LEWIS, M. A cidade na história, suas origens, transformações e perspectivas. São Paulo: Martins Fontes, MARX, M. Cidade brasileira. São Paulo: Melhoramentos: EdUSP, 1980.

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