Termodinâmica de Sistemas Biológicos
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- Rui Pereira Weber
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1 Aula de Bioquímica I Tema: Termodinâmica de Sistemas Biológicos Prof. Dr. Júlio César Borges Depto. de Química e Física Molecular DQFM Instituto de Química de São Carlos IQSC Universidade de São Paulo USP [email protected]
2 Como a energia move a vida?
3 É necessária para os organismos vivos executarem diversas funções biológicas 1) Movimento 2) Transporte ativo 3) Síntese MAS, qual é a fonte de energia? como obter energia? como utilizar energia?
4 A vida demanda de Energia Mesmo em repouso, a maquinaria bioquímica está permanentemente extraindo e utilizando energia. TERMODINÂMICA Área da ciência que se dedica ao estudo da ENERGIAe seus efeitos A vida traz desafios, mas obedece as Leis da Termodinâmica 1º Lei da Termodinâmica a Energia é conservada, não pode ser criada ou destruída, apenas transformada. 2º Lei da Termodinâmica um processo será espontâneo se o CAOS do Universo aumentar. Sistema + Vizinhança Universo A Vida e Ordem Como a Vida pode acontecer num sistema ordenado, considerando a 2º lei da Termodinâmica? Como criar ordem a partir do caos???
5 Termodinâmica: é o conjunto de princípios que regem as transformações de energia. A energia não pode ser criada nem destruída, a quantidade de energia no universo é constante. Pode, somente, mudar a forma ou o local em que ela se apresenta. Nos processos espontâneos existe uma tendência a aumentar o grau de desordem. O universo sempre tende para a desordem crescente: em todos os processos naturais a entropia do universo aumenta.
6 1º Lei da Termodinâmica A energia total do sistema e sua vizinhança é constante E VariaçãoEn ergia E Final E Inicial Q CalorLiber ado w Trabalho w + P V Pr essão Volume ) -Q reflexo do movimento aleatório ( Trabalho - w força vezes deslocamento movimento organizado A força pode ser gravidade, expansão de gases, tensão de molas, etc. w i Ext A 1º LEI diz que a mudança de E de um sistema depende do Estado Final e Inicial e não do caminho da transformação Os processos biológicos ocorrem a PRESSÃO CONSTANTE de modo que o Q pode ser interpretado como entalpia H, que representa o Qp por mol H E + P V( Trabalho Pressão Volume ) H E + P V Q p w + P V Q p w i Se P é Constante w i 0 H E + P V H Q p ~ E H é umafunçãode Estado!!! A 1º LEI NÃO DIZ NADA SOBRE A ESPONTANEIDADE DE UM PROCESSO Um processo espontâneo pode ocorrer mesmo com o aumento da H, absorvendo calor da vizinhança ou aumentando a S do sistema.
7 2º Lei da Termodinâmica Entropia está relacionada com a desordem de um sistema Tudo tende ao caos A desordem pode ser relacionada à uma função probabilística de número de modos energeticamente equivalentes, W, são possíveis para arranjar um sistema Ex: bulbo de volumes iguais, com um deles com um gás ideal S Entropia k B LnW k B Constante de Boltzmann Abertura da torneira Número de moléculas de gás é igual nos dois balões probabilidade de outro arranjo ser muito pequeno
8 2º Lei da Termodinâmica Processos espontâneos convertem ordem em desordem A Sdo Universo sempre tende a aumentar. A Sde um Sistema pode diminuir com o aumento da Sdo Universo 2H 2 + O2 2H 2O Sistema com alta ENERGIA POTENCIAL Situação 1 abertura da comporta S System A mistura espontânea é dirigida pelo aumento da Entropia > 0 Situação2 Centelha( G # ) S System + S Surroundin gs S Universo > 0 T const. A combinação do H 2 com o O 2 reduz a Entropia do sistema, entretanto o Calor dissipado pelo Sistema aumenta a S da vizinhança.
9 2º Lei da Termodinâmica O processo será espontâneo se o somatório das entropias do sistema aumentar logo S System + S Surroundin gs S Universo > 0 A formação de um SISTEMA ORGANIZADO pode ocorrer em um local do universo pelo aumento da DESORGANIZAÇÃO do sistema em outro local do universo. A S system pode diminuir com o aumento do calor da vizinhança. - para Temperatura e Pressão constante S Surroundin gs H System T -Portanto S System H T System S Universo -Multiplicado por T H System T S System T S Universo
10 Energia Livre de Gibbs Aumento da S total do universo. Combinando a 1º e a 2º Leis da Termodinâmica J. Willard Gibbs ( ) H System T S System T S Universo T S Universo G Variação Energia Livre H T S H E + P V P V é desprezível a pressão constante 0 G H T System S System Sem participação direta da vizinhança na equação Gindepende do caminho da reação depende do estado final e inicial Glicose a CO 2 e H 2 O; Ginforma sobre a espontaneidade do processo e não sobre a sua velocidade; Quando houver um decréscimo da Ga temperatura e pressão constante, o processo será espontâneo.
11 Expressa a quantidade de energia capaz de realizar trabalho durante uma reação a temperatura e pressão constantes G H -T S
12 Entendendo os componentes de G G: variação na energia livre * Energia livre para realizar trabalho * Aproxima-se de 0 assim que uma reação atinge o equilíbrio * Prevê se uma reação é favorável ou espontânea H: variação na entalpia * Calor liberado ou absorvido durante a reação * NÃO prevê se uma reação é favorável S: variação na entropia * Aumento ou diminuição do grau de desordem * NÃO prevê se uma reação é favorável Ocorre perda líquida de energia. A reação ocorre espontaneamente. Reação exergônica Reação em equilíbrio NÃO OCORRE NOS ORGANISMOS VIVOS Desequilíbrio existe a custa de energia(retirada do meio) Ocorre ganho líquido de energia. A reação NÃO ocorre espontaneamente. Reação endergônica
13 Energia Livre e Espontaneidade Se G< 0 Espontâneo Liberação de Gpara o meio Se G> 0 Não espontâneo Necessita de Gdo meio G H T S Se G 0 Equilíbrio Reação Exergônica Reação endergônica G < 0 G > 0 Se H< 0 e S> 0 G< 0 Espontâneo Dissolução de EtOHem H 2 O Um processo pode ser espontâneo com H> 0, que se opõe ao processo, se a S> 0 for suficiente Dissolução de NaClem H 2 O Um processo pode ser espontâneo com S< 0, que se opõe ao processo, se a H< 0 for suficiente Oxidação de H 2
14 Energia Livre Influência da temperatura ABSOLUTA na espontaneidade de uma reação
15 Equilíbrio químico e Estado-Padrão A Entropiado sistema é maximizada com o volume ocupado pela substância no sistema A S> 0 com a diluição Diluição do NaClna Água. A Entropiaé uma função da concentração de uma substância no sistema. Se a Entropiavaria com a concentração, a G também o faz. A G varia com a variação da concentração de reagentes e produtos em uma reação química. G A Relação entre concentração e Energia Livre G 0 A G A RT ln[ A] Onde representa a Gparcial molar ou potencial químico de A 0 G A Representa a condição-padrão T 25 o C 298,3 K P 1 atm Atividade dos reagentes e produtos 1 concentração molar corrigida em função do comportamento não-ideal
16 Equilíbrio químico e Estado-Padrão aa + bb cc + dd G somatória do Potencial-químico ou Gparcial molar dos produtos menos a dos G G 0 + RT ln K eq reagentes Onde G 0 Gequivalente à condição de equilíbrio na condição padrão K eq [ C [ A eq eq ] ] c a [ D [ B eq eq ] ] d b Segundo a equação, a G depende da concentração dos reagentes Se G 0 no equilíbrio 0 G RT ln K eq H T S Onde ln K eq H R 1 T + S R y ax + b Gráfico de van' t Hoff O critério de espontaneidade é o Ge não o G 0
17 Equilíbrio químico e Estado-Padrão Estado Padrão G 0 O Estado padrão considera condições predefinidas para se determinar as quantidades G 0 e outras e considera-se temperatura constante de 25 o C Pressão constante de 1 atm Atividade do soluto 1 concentração corrigida pela não-idealidade Estado Padrão em Bioquímica G 0 Para sistemas Bioquímicos, devido às peculiaridades do sistema, considera-se G 0 como: Atividade da água como sendo 1, mesmo sua concentração sendo 55,5 mol/l Atividade do íon hidrogênio igual a 1, mesmo em ph 7.0 [H+] 10-7 mol/l Múltiplas espécies em reações ácido-base atividade 1 em ph 7.0
18 Vida versus 2º Lei da Termodinâmica -A vida ocorre com a S < 0local a custas da S > 0do meio externo - A quebra de nutrientes ajuda a reduzir localmente a entropia Os organismos vivos são SISTEMAS ABERTOS EM EQUILÍBRIO ESTACIONÁRIO COM O MEIO. Termodinâmica clássica sistemas ISOLADOS troca ENERGIA com o MEIO atinge, INEXORAVELMENTE, o EQUILÍBRIO com a vizinhança -VIDA SISTEMA ABERTO troca MATERIA E ENERGIA com o MEIO Não atinge o EQUILÍBRIO com o MEIO Se atingir MORTE
19 Vida versus 2º Lei da Termodinâmica Os organismos vivos ingerem substância com ALTAENTALPIA e BAIXAENTROPIA e os convertem em compostos com BAIXA ENTALPIA e ALTA ENTROPIA O conteúdo ENTRÓPICO dos alimentos é tão importante como o ENTÁLPICO. A energia é transformada (1º Lei da Termodinâmica) - Sistema organizado Baixa Entropia é mantido Estado estacionário Fluxo constante mantido pelo gradiente de concentração ou pelo gasto de G; O gasto de Gocorre de modo morro abaixo através do acoplamento de processos endergônicos e exergônicos O sistema é dissipativo Rendimento é baixo
20 Vida versus 2º Lei da Termodinâmica a) Organismos vivos extraem energia da sua vizinhança Envolvem Reações de Óxido-Redução b) Parte da Energia é convertida em trabalho c) Parte da Energia é convertida em Calor > S davizinhaça d) Liberação de produtos na forma de moléculas simples > S davizinhaça e) Parte da energia é utilizada para síntese de moléculas complexas < S local ordenamento
21 Vida versus 2º Lei da Termodinâmica O fluxo de moléculas e energia ocorrem em vias Catabolismo: -Extração de energia -Simplificação das moléculas a compostos comuns Anabolismo: - Utilização de energia na forma de Trabalho - Síntese de moléculas complexas -Multiplicação
22 O Papel das Enzimas As enzimas são agentes catalíticos aceleram as reações para atingirem o equilíbrio em ambas os sentidos; -Reações não-catalizadas não ocorrem em tempos mensuráveis sem as Enzimas. Reações cujos G são próximos a zero são facilmente reversíveis pelo: 1) Aumento da quantidade de reagentes 2) Retirada de produtos -Ex. Triose-fosfato Isomerase Glicólise -Gliceraldeído 3-Pi dihidroxiacetona-pi
23 O Papel das Enzimas São pontos importantes para regulação das vias reacionais - ligam e desligam vias reacionais Retroalimentação Negativa Produto da via reacional inibe uma enzima anterior na via O Acoplamento de reações O Gde uma reação depende dos reagentes (expresso na forma do G 0 ) e das suas concentrações -Reações cujos Gsão muito positivos são virtualmente irreversíveis, porém podem ser revertidas por outras rotas que considerem o gasto de energia livre, ou seja, pelo acoplamento de reações. A B + C G kcal/mol B D G 0-8 kcal/mol A C + D G 0-3 kcal/mol
24 O Acoplamento de reações Uma reação termodinamicamente não-favorável pode ser transformada em uma favorável através do acoplamento de uma reação termodinamicamente favorável. Ativação de reagentes Conformação ativada da proteína Gradiente de íons
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