MÉTODO CIENTÍFICO EM ARISTÓTELES

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "MÉTODO CIENTÍFICO EM ARISTÓTELES"

Transcrição

1 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência I Osvaldo Pessoa Jr Capítulo III MÉTODO CIENTÍFICO EM ARISTÓTELES 1. Hilemorfismo Aristóteles de Estagira ( AEC) deixou uma vasta obra e exerceu uma influência incomparável até o séc. XVII. Sua doutrina do hilemorfismo defendia que todas as coisas consistem de matéria (hile) e forma (morfe). Por matéria entende-se um substrato (matéria prima) que só existe potencialmente; sua existência em ato pressupõe também uma forma. A mudança das coisas é explicada por quatro tipos de causas: o fator material, a forma, a causa eficiente e a causa final (ou propósito). Por exemplo, uma mesa: sua forma é sua figura geométrica, sua matéria é a madeira, sua causa eficiente foi a ação de um carpinteiro, e sua causa final é servir para refeições. Outro exemplo, tirado da biologia aristotélica: a reprodução de uma espécie animal. A matéria seria fornecida pela mãe, a forma seria a característica definidora da espécie (no caso do homem, um bípede racional), a causa eficiente seria fornecida pelo pai, e a causa final seria o adulto perfeito para o qual cresce a criança. Na natureza, a causa final não consistiria de uma finalidade consciente, mas seria uma finalidade imanente, que pode ser impedida de acontecer devido à ação de outros fatores. A física aristotélica rejeitava a quantificação das qualidades empreendida pelos atomistas e por Platão. Partiu de dois pares de qualidades opostas: quente/frio, seco/úmido. Os corpos simples que compõem todas as substâncias são feitos de opostos: terra = frio e seco; água = frio e úmido; ar = quente e úmido; fogo = quente e seco. Os elementos tenderiam a se ordenar em torno do centro do mundo, cada qual em seu lugar natural. Se um elemento é removido de seu lugar natural, seu movimento natural é retornar de maneira retilínea: terra e água tendem a descer, ar e fogo tendem a subir. Voltaremos a discutir a Física aristotélica na seção VI Método Indutivo-Dedutivo de Aristóteles Fig. III.1: Processo de vai-evem da concepção aristotélica de explicação científica. Nos Analíticos Posteriores (ou Segundos Analíticos), Aristóteles desenvolveu sua concepção do método científico 16. Segundo ele, a investigação científica começa com o conhecimento de que certos acontecimentos ocorrem ou que certas propriedades coexistem. Através do processo de indução, tais observações levam a um princípio explicativo. Uma vez estabelecido, este princípio pode levar, por dedução, de volta às observações particulares de onde se partiu ou a outras afirmações a respeito dos acontecimentos ou propriedades. Há assim, na explicação científica, um processo de vai-e-vem, partindo do fato, ascendendo para os princípios explicativos, e descendendo novamente para o fato (Fig. III.1). O filósofo 16 ARISTÓTELES (2005), Analíticos Posteriores, in Órganon, trad. de E. Bini, Edipro, Bauru (orig. c. 350 AEC); ver Livro I, 34, p. 312 [89b10]. Usamos nesta seção: LOSEE, J. (1979), Introdução histórica à filosofia da ciência, Itatiaia/EDUSP, pp ; 2 a edição ampliada em inglês: Também foi consultado: CROMBIE, A.C. (1953), Robert Grosseteste and the origins of experimental science , Clarendon, Oxford, pp Um estudo aprofundado é: PORCHAT PEREIRA, O. (2001), Ciência e dialética em Aristóteles, Ed. Unesp, São Paulo. Ver também: HANKINSON, R.J. (2009 [1995]), Filosofia da ciência, in BARNES, J. (org.), Aristóteles, trad. R.H.P. Machado, Ideias & Letras, Aparecida (SP), pp

2 Cap. III Método Científico em Aristóteles da ciência David Oldroyd 17 chamou este vai-e-vem de o arco do conhecimento. Na Idade Média, este padrão indutivo-dedutivo seria chamado Método da Resolução (indução) e Composição (dedução), como veremos na seção XIII.1. Tomemos o exemplo do eclipse lunar. Primeiro, observa-se o escurecimento da lua durante o eclipse. Para explicá-lo, é preciso encontrar os princípios explicativos, que Aristóteles identifica com as causas do fenômeno. Para isso, procede-se por indução a partir da observação do eclipse e de outros fenômenos também. Por exemplo, inspecionando as sombras de objetos formadas a partir da luz solar, conclui-se por indução que os raios de luz propagam-se de maneira retilínea, e que são os corpos opacos que geram a sombra. Então, num ato de perspicácia, chega-se à noção de que o eclipse é causado pela interceptação da luz solar pelo corpo opaco da Terra, de maneira que é a sombra projetada pela Terra na Lua que a faz escurecer. Por dedução, posso confirmar que tal disposição dos astros de fato provoca um escurecimento da Lua, como também posso deduzir outros aspectos do fenômeno, como o fato de que a sombra deve ter uma forma circular, já que surge da interceptação por um objeto esférico (a Terra). 3. Indução e Abdução nos Contextos de Descoberta e Justificação Há dois tipos de indução em Aristóteles, que aparecem no exemplo dado. A indução por simples enumeração, ou indução enumerativa, leva a uma generalização a partir da observação de casos particulares semelhantes. Se se observa uma propriedade em vários indivíduos, presume-se que seja verdadeiro para a espécie a que pertencem os indivíduos. Se se observa algo para várias espécies, generaliza-se para o gênero a que pertencem as espécies. O segundo tipo, a indução intuitiva de Aristóteles (a referida perspicácia ), é hoje mais conhecido como abdução. Segundo exemplo dado por Aristóteles (Analíticos Posteriores, livro 1, 34), se o cientista observa várias vezes que o lado brilhante da Lua está voltado para o Sol, ele pode inferir que a explicação para o brilho da Lua provém da luz solar nela refletida. A abdução é uma inferência ampliativa (ou seja, se correta, aumenta o conteúdo de nosso conhecimento, ao contrário da dedução a indução enumerativa também é ampliativa) que está sujeita a erros. Por exemplo, observamos que a Lua descreve um movimento circular em torno do globo terrestre, sem sair voando e sem cair. Aristóteles explicou isso abduzindo que a Lua estaria presa a uma esfera cristalina. Desta explicação, pode-se deduzir que a Lua terá um movimento circular, mas tal explicação é errônea (não existe tal esfera cristalina). Às vezes uma abdução pode ser justificada, outras vezes ele deve ser abandonada. Notamos nessa discussão que a indução enumerativa e a abdução são dois procedimentos que levam à descoberta científica. A indução se baseia em nossa capacidade de associar percepções que se apresentam de maneira regular, ao passo que a abdução baseia-se numa capacidade de insight ou perspicácia que pode ocorrer numa observação única (a indução enumerativa também pode se dar a partir de uma observação única). Porém, uma vez que uma hipótese foi formulada, por meio da indução, abdução ou outro procedimento, como podemos justificá-la? Os empiristas da era moderna argumentariam que a indução não é só um método de descoberta, mas também de justificação. Uma indução bem feita, em que as regularidades são explicitamente observadas e anotadas, e na qual variações apropriadas de experimentos são feitas, serviria para justificar a aceitação de uma lei hipotética. Críticos do indutivismo, como 17 OLDROYD, DAVID R. (1986), The arch of knowledge: an introductory study of the history of the philosophy and methodology of science, Methuen, Nova Iorque. 12

3 Cap. III Método Científico em Aristóteles Karl Popper 18, argumentam porém que tal justificação não se sustenta; a indução pode servir como procedimento de descoberta, mas não de justificação. O procedimento correto de justificação, segundo Popper, é o método hipotético-dedutivo, que já se encontra em Aristóteles, ao partir do princípio explicativo (hipótese) e deduzir conseqüências observacionais. Empiristas indutivistas, como Bacon ou Mill, em geral não negam a importância do método hipotético-dedutivo, pois é esta a maneira de justificar uma abdução. Mas também defendem que a indução enumerativa seja um procedimento de justificação (ao contrário de Popper). 4. O Estágio Dedutivo em Aristóteles O estágio dedutivo parte dos princípios explicativos (generalizações), obtidas por meio da indução (enumerativa e abdutiva), e esses princípios servem como premissas para que se deduzam outras afirmações a respeito dos fatos. Esse processo de explicação dedutiva, segundo a lógica aristotélica, envolveria apenas quatro tipos de proposições, mostradas na Tabela III.1. Um exemplo de dedução envolvendo apenas afirmações do tipo A (apelidado Barbara) é o seguinte: Todos os planetas são corpos que não cintilam. Todo C é B Todos os corpos que não cintilam estão próximos da Terra. Todo B é A Todos os planetas são corpos que estão próximos da Terra. Todo C é A Tipo Proposição Notação moderna Diagrama de Venn A Todos os S são P x (Sx Px) E Nenhum S é P x (Sx Px) I Algum S é P x (Sx Px) O Algum S não é P x (Sx Px) Tabela III.1: Quatro tipos de proposições. O sujeito da conclusão (C) é chamado termo menor, e o predicado da conclusão (A) é o termo maior (o que coincide com os tamanhos dos conjuntos desenhados na linha A da Tabela IV.1). O termo que aparece apenas nas premissas (B) é o termo médio. Este é um 18 POPPER, KARL R. (1934), Logik der Forschung, Springer, Viena; The logic of scientific discovery, Hutchinson, Londres, 1959; A lógica da pesquisa científica, trad. L. Hegenberg & O.S. da Motta, Cultrix/Edusp, São Paulo, Tradução abreviada: A lógica da investigação científica, trad. P.R. Mariconda, in Os Pensadores, Abril Cultural, São Paulo, 1979, pp

4 Cap. III Método Científico em Aristóteles silogismo válido, ou seja, se as premissas foram verdadeiras, a conclusão será necessariamente verdadeira. Porém, é possível que uma das premissas seja falsa. Neste caso, não há garantia de que a conclusão seja verdadeira e, segundo Aristóteles, a explicação não é satisfatória. O silogismo acima é válido, mas há algo de errado: estamos dizendo que todos os planetas estão próximos da Terra (a conclusão) porque cintilam (o termo médio). Mas a cintiliação não é causa da proximidade, e sim o contrário. A cintilação é aquele fenômeno em que as estrelas que observamos ficam piscando intermitentemente. Hoje sabemos que sua origem são flutuações na atmosfera. A luz de um planeta não cintila significativamente porque ela é mais intensa do que a luz de uma estrela. Dadas essas evidências, é razoável supor (por abdução) que a causa da cintilação (ou uma das causas) está relacionada com a proximidade em relação à Terra. Ou seja, a causa (a explicação) da não-cintilação é a proximidade com a Terra, e não o contrário, conforme sugerido pelo silogismo acima. 19 Aristóteles impôs cinco requisitos extra-lógicos para as premissas de uma explicação científica. 1) As premissas devem ser verdadeiras. 2) As premissas devem ser primárias e indemonstráveis, ou, pelo menos, deve haver alguns princípios da ciência que são indemonstráveis, para que se evite uma regressão ao infinito. 3) As premissas devem ser melhor conhecidas do que a conclusão, ou seja, algumas leis gerais da ciência devem ser evidentes, por meio da faculdade da intuição. Esta posição de que as leis científicas afirmam verdades acessíveis à intuição ou à razão, e que estas teriam um caráter necessário, teria uma longa influência na filosofia da ciência. 4) As premissas devem ser anteriores em um sentido absoluto ou ontológico (mas não num sentido epistemológico, ligado ao ser humano, pois para este o que é anterior é o que é observável pelos sentidos). 5) As premissas devem ser as causas da atribuição feita na conclusão. Ora, como já vimos, o silogismo acima viola o quarto requisito. Para que tenhamos uma explicação científica, a causa deve constar como termo médio das premissas (letra A abaixo), e o efeito como termo maior (letra B) (em sua notação, em 78b1, Aristóteles inverte essas letras): Todos os planetas são corpos que estão próximos da Terra. Todo C é A Todos os corpos que estão próximos da Terra não cintilam. Todo A é B Todos os planetas são corpos que não cintilam. Todo C é B Aristóteles sugeriu que a ciência tem uma certa estrutura explicativa, baseada nos níveis de generalidade de suas proposições, que se concatenam dedutivamente. No nível mais alto acham-se os princípios de identidade, não contradição e terceiro excluído, aplicáveis a todos os argumentos dedutivos 20. No nível seguinte se encontram os princípios e definições da ciência particular em questão. E mais abaixo, estão os outros enunciados da ciência em questão. Qualquer explicação, para Aristóteles, deve envolver os quatro aspectos da causação mencionados anteriormente, a saber, a causa formal, a causa material, a causa eficiente e a causa final. Destaca-se aqui sua insistência na causa final, o que equivale a uma explicação 19 ARISTÓTELES (2005), op. cit. (nota 16), Livro I, 2, pp [71b8-72a5]; 13, pp [78a22-78b31]. 20 Em termos proposicionais (onde é a conjunção, a disjunção, e a bi-implicação), o princípio de identidade afirma que da verdade de P se segue a verdade de P: P P; o princípio de não contradição afirma que dados P e sua negação P, no máximo um deles é verdadeiro: (P P); e o princípio do terceiro excluído afirma que dados P e P, pelo menos um deles é verdadeiro: P P. 14

5 Cap. III Método Científico em Aristóteles teleológica. A causa final do processo de camuflagem de um camaleão é escapar de seus predadores. A causa final do movimento do fogo é atingir seu lugar natural, que se encontra para cima de nós. Aristóteles criticava os atomistas por sua tentativa de explicar a mudança em termos apenas de causas materiais e eficientes. Ele criticava a ênfase dos pitagóricos com a matemática dizendo que eles teriam uma preocupação exclusiva com as causas formais. 15

6 Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência I Osvaldo Pessoa Jr Capítulo IV EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA: TRÊS TRADIÇÕES 1. Explicando a Explicação A análise da explicação científica feita por Aristóteles foi retomada no séc. XX, de forma mais moderna, por Hempel & Oppenheim. Vale a pena fazer um resumo de como, atualmente, se procura explicar o que é explicar, e faremos isso baseado no filósofo da ciência Wesley Salmon 21. Em primeiro lugar, é preciso distinguir entre explicação e confirmação (ou verificação). Considere a questão: Por que o cacauzeiro está morrendo?. Uma explicação seria: Porque ele foi atacado por um fungo, a vassoura-de-bruxa. No entanto, poderíamos tentar responder: Porque suas folhas estão ficando amarelas. Isto porém não é uma explicação. Na verdade, o amarelamento das folhas é evidência de que o cacauzeiro está morrendo: é uma maneira de verificar (confirmar) este fato. Esta última resposta dada só seria correta se ela respondesse à seguinte questão: Como você sabe que o cacauzeiro está morrendo? A resposta seria uma confirmação do fato, não uma explicação. Em segundo lugar, é interessante perceber que há diferentes tipos de explicação. O que interessa mais à filosofia da ciência são as perguntas do tipo por quê...? Mas há também explicações do tipo como...? : Explique-me como montar este brinquedo Explique-me como chegar na feira de livros. Tais perguntas são importantes em ciência, especialmente na implementação de métodos. Há também explicações do tipo o que...? Por exemplo: Explique-me o que significa antiperistasis. Explique-me o que está errado no motor de meu carro. Este segundo caso pode ser transformado numa pergunta por quê...?, ao passo que o primeiro é simplesmente o pedido de uma definição. Concentrando-nos nas explicações do tipo por quê...?, o terceiro ponto a ser salientado é a relação entre explicar e entender (compreender). Quando qualquer tipo de explicação nos é dada, temos (em geral) a sensação psicológica de que entendemos. Por que Suzana quebrou seu vaso de flores? Que estranho! Por que será? Quando a resposta nos é dada, sentimos um certo alívio, pois passamos a entender: Porque Suzana queria sensibilizar seu namorado, que a estava visitando, para que ele lhe comprasse um vaso mais caro e bonito. Entendeu? Sim! Identificamo-nos com este motivo, temos empatia, passamos a entender os motivos ocultos de Suzana. Este exemplo serve como um protótipo de explicação: estamos familiarizados com as motivações dos seres humanos. No entanto, nas ciências naturais geralmente buscamos explicações que não são antropomórficas. Por que caem raios? Não tentamos explicar falando de um Deus antropomórfico (como na mitologia grega), mas tentamos reduzir o fenômeno a uma teoria com a qual estejamos familiarizados, por exemplo a física dos fenômenos elétricos e magnéticos. Assim, parece que as explicações envolvem uma redução ao familiar, ao que nos é familiar, seja ele a psicologia humana, seja ele uma teoria que conhecemos bem. Notamos assim que há dois termos em uma explicação: há o estranho que queremos explicar cujo termo técnico é explanandum e há o familiar que usamos para explicar o explanans. Por fim, devemos considerar o contexto (pragmático) em que uma pergunta por quê...? é feita. Por que Sócrates morreu? Poderíamos responder várias coisas. Para tornar 21 Seguimos, com algumas modificações: SALMON, W.C. (1992), Scientific explanation, in SALMON, M.H. et al. (orgs.), Introduction to the philosophy of science. Englewood Cliffs: Prentice Hall, pp

7 Cap. IV Explicação Científica: Três Tradições nossas perguntas mais precisas, é sempre bom salientar qual é a classe de contraste da pergunta. Por exemplo: Por que Sócrates morreu, e não Platão? Resposta possível: Porque foi ele quem foi acusado de corromper a juventude Usemos agora outra classe de contraste: Por que Sócrates morreu, e não fugiu? Resposta: Porque ele não queria desrespeitar as leis. Por que Sócrates morreu, e não continuou vivendo na prisão? Porque ele foi obrigado a tomar cicuta. Nas ciências naturais existem três grandes tradições de explicações: o delineamento de causas e mecanismos; a unificação a partir de leis gerais; a teleologia. 2. Delineamento de Causas e Mecanismos Consideremos algumas perguntas: Por que o Brasil está racionando energia? Resposta: Porque em tal data aconteceu x, depois y, depois faltou z, não houve preparo, venderam-se as empresas estatais, o nível das águas caiu, e o país precisa racionar. Outra pergunta: Por que Cordélia tem uma mancha de tinta na camisa? Resposta: Porque ela achou uma caneta no chão, colocou no bolso de sua camisa, mesmo sem tampa, aí a caneta esquentou e vazou, manchando sua camisa nova. Outra: Por que Jair pegou dengue? Resposta: Foi pegar onda no Rio de Janeiro, dormiu na casa de um amigo, e um pernilongo contaminado com o vírus da dengue lhe picou. O que estas explicações têm em comum é que elas contam uma história, apontando causas (eficientes) ou mecanismos que levaram ao explanandum. 3. Unificação a partir de Leis Gerais Compare com o segundo tipo de explicação, exemplificados pelas seguintes perguntas. Por que o céu é azul?. Resposta: Por que a luz do sol sofre um espalhamento ao se chocar com as moléculas do ar, e pela lei de Rayleigh a taxa de espalhamento é proporcional a λ 4 (ou seja, ao inverso da quarta potência do comprimento de onda), de forma que a luzes violeta e azul se espalham muito mais do que as outras cores. Nesta explicação, invocou-se uma lei da Física, uma lei geral que explica vários fenômenos diferentes, e portanto unifica-os. Por exemplo, esta mesma lei se aplica a fenômenos que ocorrem em fibras ópticas e em certos materiais porosos. Outro exemplo de unificação: Por que uma lata de milho fechada que foi aquecida no fogo por um escoteiro acabou explodindo?. Esmiucemos a estrutura lógica desta explicação. Ela envolverá uma lei geral, algumas condições antecedentes e a conclusão, que é o explanandum. Lei geral: Sempre que um gás, mantido em um recipiente fechado a volume constante, é aquecido, a pressão que ele exerce aumenta proporcionalmente: pv = nrt. Condições antecedentes: (1) A água da lata de milho se transforma em vapor (gás) ao ser fervida no fogo. (2) A lata só pode suportar uma pressão de até 10 atmosferas. (3) O calor transferido para o vapor aumentou sua pressão para acima de 10 atm. Conclusão (explanandum): A lata explodiu. 17

8 Cap. IV Explicação Científica: Três Tradições Os filósofos da ciência Carl Hempel & Paul Oppenheim 22 chamaram atenção para a estrutura lógica deste tipo de explicação, que passou a ser chamado Modelo de Lei de Cobertura da Explicação, ou então Modelo Dedutivo-Nomológico. Um exemplo famoso de unificação foi dado pela lei da gravitação universal de Newton (1687), que explicou a queda dos corpos na Terra, o movimento dos corpos celestes e as marés de uma única maneira. 4. Explicações Teleológicas A terceira grande tradição de explicação são as explicações teleológicas. Nas ciências biológicas há dois grandes grupos de explicações teleológicas, aquelas envolvendo a adaptação de seres vivos ao seu ambiente e aquelas envolvendo a intencionalidade. Por que a andorinha constrói seu ninho? Resposta teleológica: Para proteger seus filhotes. Ou então: Por que o pato tem seus dedos ligados por uma membrana? Resposta: Para nadar melhor. Explicações teleológicas envolvendo intencionalidade aplicam-se bem para o comportamento humano: Por que Suzana construiu um vaso de barro? Para colocar algumas flores de seu jardim. Uma questão bastante debatida atualmente é se explicações teleológicas podem sempre ser substituídas por explicações envolvendo mecanismos causais (e história) ou por explicações envolvendo unificação através de leis gerais. Voltaremos a essa questão mais para frente. 22 HEMPEL, C.G. & OPPENHEIM, P. (1948), Studies in the logic of explanation, Philosophy of Science 15, Em português há uma tradução de um livrinho de Hempel que trata deste assunto: HEMPEL, C.G. (1981), Filosofia da ciência natural, Zahar, Rio de Janeiro. 18

MÉTODO CIENTÍFICO EM ARISTÓTELES

MÉTODO CIENTÍFICO EM ARISTÓTELES Teoria do Conhecimento e Filosofia da Ciência I Osvaldo Pessoa Jr. 2010 Capítulo IV MÉTODO CIENTÍFICO EM ARISTÓTELES 1. Hilemorfismo Aristóteles de Estagira (384-322 a.c.) deixou uma vasta obra e exerceu

Leia mais

Departamento de Geografia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo. Iniciação à Pesquisa em Geografia I

Departamento de Geografia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo. Iniciação à Pesquisa em Geografia I Departamento de Geografia Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas Universidade de São Paulo Iniciação à Pesquisa em Geografia I Método e Hipótese Prof. Dr. Fernando Nadal Junqueira Villela Método

Leia mais

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE. O que é Ciência?

CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE. O que é Ciência? CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE O que é Ciência? O QUE É CIÊNCIA? 1 Conhecimento sistematizado como campo de estudo. 2 Observação e classificação dos fatos inerentes a um determinado grupo de fenômenos

Leia mais

I g o r H e r o s o M a t h e u s P i c u s s a

I g o r H e r o s o M a t h e u s P i c u s s a Filosofia da Ciência Realidade Axioma Empirismo Realismo cientifico Instrumentalismo I g o r H e r o s o M a t h e u s P i c u s s a Definição Filosofia da ciência é a área que estuda os fundamentos e

Leia mais

CURSO: MEDICINA VETERINÁRIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA

CURSO: MEDICINA VETERINÁRIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA CURSO: MEDICINA VETERINÁRIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA Prof. Dra. Renata Cristina da Penha França E-mail: [email protected] -Recife- 2015 MÉTODO Método, palavra que vem do

Leia mais

Explanans Explanandum

Explanans Explanandum MODELO NOMOLÒGICO-DEDUTIVO O que é uma explicação científica? Estrutura básica de uma explicação QUESTÃO Explanans Explanandum São as razões/justificações explicativas do facto O facto a seu explicado

Leia mais

Empirismo Indutivismo Positivismo

Empirismo Indutivismo Positivismo Empirismo Indutivismo Positivismo Texto L Visão Tradicional das Ciências Método empirista-indutivo, que parte de observações à formulação de teorias Conhecimento científico como seguro, por ser baseado

Leia mais

Método e Metodologia Conceitos de método e seus princípios

Método e Metodologia Conceitos de método e seus princípios Conceitos de método e seus princípios Caminho pelo qual se chega a determinado resultado... É fator de segurança. Seleção de técnicas para uma ação científica... Forma de proceder ao longo de um caminho

Leia mais

MÉTODO CIENTÍFICO. Profº M.Sc. Alexandre Nojoza Amorim

MÉTODO CIENTÍFICO. Profº M.Sc. Alexandre Nojoza Amorim MÉTODO CIENTÍFICO Profº M.Sc. Alexandre Nojoza Amorim NÃO HÁ CIÊNCIA SEM O EMPREGO DE MÉTODOS CIENTÍFICOS. Conceitos É o caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho não tenha

Leia mais

Aula 4 Métodos de Pesquisa

Aula 4 Métodos de Pesquisa Metodologia Científica Aula 4 Métodos de Pesquisa Profa. Ms. Daniela Cartoni [email protected] A CONSTRUÇÃO DO MÉTODO CIENTÍFICO Principais métodos científicos Aplicações do método MÉTODO DE

Leia mais

Empirismo Indutivismo Positivismo

Empirismo Indutivismo Positivismo Empirismo Indutivismo Positivismo Profª Tathiane Milaré Texto L Visão Tradicional das Ciências Método empirista-indutivo, que parte de observações à formulação de teorias Conhecimento científico como seguro,

Leia mais

Fundamentos de Lógica e Algoritmos. Aula 1.2 Introdução a Lógica Booleana. Prof. Dr. Bruno Moreno

Fundamentos de Lógica e Algoritmos. Aula 1.2 Introdução a Lógica Booleana. Prof. Dr. Bruno Moreno Fundamentos de Lógica e Algoritmos Aula 1.2 Introdução a Lógica Booleana Prof. Dr. Bruno Moreno [email protected] Você está viajando e o pneu do seu carro fura! 2 Quais são os passos para se trocar

Leia mais

O que é o conhecimento?

O que é o conhecimento? Disciplina: Filosofia Ano: 11º Ano letivo: 2012/2013 O que é o conhecimento? Texto de Apoio 1. Tipos de Conhecimento No quotidiano falamos de conhecimento, de crenças que estão fortemente apoiadas por

Leia mais

Disciplina: Biologia

Disciplina: Biologia E.E. José Mamede de Aquino 1º ano do Ensino Médio 1º Bimestre - 2018 Disciplina: Biologia Prof. Me. Antonio Fernandes dos Santos Introdução a biologia: - O que é ciência - Método científico - O que é biologia

Leia mais

Indução e filosofia da ciência 1

Indução e filosofia da ciência 1 O equilíbrio dos indícios Indução e filosofia da ciência 1 Stephen Law Algumas das questões mais centrais e importantes colocadas por filósofos da ciência dizem respeito ao problema da confirmação. Os

Leia mais

Professor conteudista: Ricardo Holderegger

Professor conteudista: Ricardo Holderegger Lógica Professor conteudista: Ricardo Holderegger Sumário Lógica Unidade I 1 SISTEMAS DICOTÔMICOS...3 1.1 Proposições...3 1.1.1 Proposições lógicas...3 1.1.2 Símbolos da lógica matemática...4 1.1.3 A negação...4

Leia mais

Parte da disciplina a cargo de Alberto Oliva

Parte da disciplina a cargo de Alberto Oliva Disciplina: Lógica I (FCM 700 /FCM 800) Docentes: Guido Imaguire /Alberto Oliva Horário: terça-feira, das 14:00h às 17:00h Tema: Lógica Parte da disciplina a cargo de Alberto Oliva 1) Programa Conhecimento:

Leia mais

PARTE 2 do curso Ptolomeu, Copérnico e Galileu

PARTE 2 do curso Ptolomeu, Copérnico e Galileu PARTE 2 do curso Ptolomeu, Copérnico e Galileu O que será abordado neste curso: O Caminho até a Teoria da Gravitação de Newton: Parte 1 (4 aulas) Conceitos básicos de Astronomia: Movimento do Sol e dos

Leia mais

PARTE 2 do curso Ptolomeu, Copérnico e Galileu

PARTE 2 do curso Ptolomeu, Copérnico e Galileu PARTE 2 do curso Ptolomeu, Copérnico e Galileu O que será abordado neste curso: O Caminho até a Teoria da Gravitação de Newton: Parte 1 (4 aulas) Conceitos básicos de Astronomia: Movimento do Sol e dos

Leia mais

Método Científico. Prof. a Dra. Carolina Davanzzo Gomes dos Santos. Disciplina: Metodologia do Trabalho Academico

Método Científico. Prof. a Dra. Carolina Davanzzo Gomes dos Santos. Disciplina: Metodologia do Trabalho Academico Disciplina: Metodologia do Trabalho Academico Método Científico Prof. a Dra. Carolina Davanzzo Gomes dos Santos Email: [email protected] Página: profcarolinadgs.webnode.com.br Ciência Pode-se afirmar

Leia mais

Versão 1. Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta.

Versão 1. Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta. Teste Intermédio de Filosofia Versão 1 Teste Intermédio Filosofia Versão 1 Duração do Teste: 90 minutos 20.04.2012 11.º Ano de Escolaridade Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de março Na folha de respostas,

Leia mais

Aristóteles. (384 a.c 347 a.c)

Aristóteles. (384 a.c 347 a.c) Aristóteles (384 a.c 347 a.c) Trajetória histórica Nasce em Estagira império macedônio Encontro com Platão academia aos 17 anos (fica 20 anos) Preceptor de Alexandre Muito estudo biblioteca e investigação

Leia mais

Prova Escrita de Filosofia VERSÃO º Ano de Escolaridade. Prova 714/1.ª Fase. Entrelinha 1,5, sem figuras nem imagens, texto alinhado à esquerda

Prova Escrita de Filosofia VERSÃO º Ano de Escolaridade. Prova 714/1.ª Fase. Entrelinha 1,5, sem figuras nem imagens, texto alinhado à esquerda EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova Escrita de Filosofia 11.º Ano de Escolaridade Prova 714/1.ª Fase 14 Páginas Entrelinha 1,5, sem figuras nem imagens, texto

Leia mais

Introdução ao Curso. Área de Teoria DCC/UFMG 2019/01. Introdução à Lógica Computacional Introdução ao Curso Área de Teoria DCC/UFMG /01 1 / 22

Introdução ao Curso. Área de Teoria DCC/UFMG 2019/01. Introdução à Lógica Computacional Introdução ao Curso Área de Teoria DCC/UFMG /01 1 / 22 Introdução ao Curso Área de Teoria DCC/UFMG Introdução à Lógica Computacional 2019/01 Introdução à Lógica Computacional Introdução ao Curso Área de Teoria DCC/UFMG - 2019/01 1 / 22 Introdução: O que é

Leia mais

MÉTODOS DE PESQUISA. Pesquisa como conhecimento científico. Prof. Dr. Evandro Prestes Guerreiro. Santos-SP, 2016

MÉTODOS DE PESQUISA. Pesquisa como conhecimento científico. Prof. Dr. Evandro Prestes Guerreiro. Santos-SP, 2016 MÉTODOS DE PESQUISA Pesquisa como conhecimento científico Prof. Dr. Evandro Prestes Guerreiro Santos-SP, 2016 1. O Conhecimento Teórico A teoria consiste de um conjunto de constructos unidos por afirmações

Leia mais

A METAFÍSICA E A TEORIA DAS QUATRO CAUSAS

A METAFÍSICA E A TEORIA DAS QUATRO CAUSAS A METAFÍSICA E A TEORIA DAS QUATRO CAUSAS O que é a metafísica? É a investigação das causas primeiras de todas as coisas existentes e estuda o ser enquanto ser. É a ciência que serve de fundamento para

Leia mais

CEA427 - METODOLOGIA DE PESQUISA APLICADA À COMPUTAÇÃO

CEA427 - METODOLOGIA DE PESQUISA APLICADA À COMPUTAÇÃO Métodos Científicos CEA427 - METODOLOGIA DE PESQUISA APLICADA À COMPUTAÇÃO Universidade Federal de Ouro Preto Profa. Msc. Helen de DECEA Cássia / S. João da Monlevade Costa Lima Universidade

Leia mais

Lógica Proposicional Parte 2

Lógica Proposicional Parte 2 Lógica Proposicional Parte 2 Como vimos na aula passada, podemos usar os operadores lógicos para combinar afirmações criando, assim, novas afirmações. Com o que vimos, já podemos combinar afirmações conhecidas

Leia mais

Lógica Computacional. Métodos de Inferência. Passos de Inferência. Raciocínio por Casos. Raciocínio por Absurdo. 1 Outubro 2015 Lógica Computacional 1

Lógica Computacional. Métodos de Inferência. Passos de Inferência. Raciocínio por Casos. Raciocínio por Absurdo. 1 Outubro 2015 Lógica Computacional 1 Lógica Computacional Métodos de Inferência Passos de Inferência Raciocínio por Casos Raciocínio por Absurdo 1 Outubro 2015 Lógica Computacional 1 Inferência e Passos de Inferência - A partir de um conjunto

Leia mais

Unidade: Proposições Logicamente Equivalentes. Unidade I:

Unidade: Proposições Logicamente Equivalentes. Unidade I: Unidade: Proposições Logicamente Equivalentes Unidade I: 0 Unidade: Proposições Logicamente Equivalentes Nesta unidade, veremos a partir de nossos estudos em tabelas-verdade as proposições logicamente

Leia mais

EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO. Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO. Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Prova Escrita de Filosofia 11.º Ano de Escolaridade Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova 714/2.ª Fase 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO. Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO. Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Prova Escrita de Filosofia 11.º Ano de Escolaridade Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova 714/2.ª Fase 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

3.4 Fundamentos de lógica paraconsistente

3.4 Fundamentos de lógica paraconsistente 86 3.4 Fundamentos de lógica paraconsistente A base desta tese é um tipo de lógica denominada lógica paraconsistente anotada, da qual serão apresentadas algumas noções gerais. Como já foi dito neste trabalho,

Leia mais

METODOLGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA

METODOLGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação METODOLGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA Prof. José Geraldo Mill Diretor de Pós-Graduação A origem do conhecimento Conhecer: É buscar explicações para os fatos que podem

Leia mais

Cálculo proposicional

Cálculo proposicional O estudo da lógica é a análise de métodos de raciocínio. No estudo desses métodos, a lógica esta interessada principalmente na forma e não no conteúdo dos argumentos. Lógica: conhecimento das formas gerais

Leia mais

INFORMAÇÃO-PROVA PROVA DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS E CAPACIDADES Componente Específica Filosofia. Código da Prova /2015

INFORMAÇÃO-PROVA PROVA DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS E CAPACIDADES Componente Específica Filosofia. Código da Prova /2015 INFORMAÇÃO-PROVA PROVA DE AVALIAÇÃO DE CONHECIMENTOS E CAPACIDADES Componente Específica Filosofia Código da Prova 6100 2014/2015 O presente documento divulga informação relativa à Prova de Avaliação de

Leia mais

INTRODUÇÃO À NATUREZA DA CIÊNCIA. O conhecimento científico é uma forma específica de conhecer e perceber o mundo!!! 2. A PRINCIPAL QUESTÃO: Modelos

INTRODUÇÃO À NATUREZA DA CIÊNCIA. O conhecimento científico é uma forma específica de conhecer e perceber o mundo!!! 2. A PRINCIPAL QUESTÃO: Modelos INTRODUÇÃO À NATUREZA DA CIÊNCIA 2. A PRINCIPAL QUESTÃO: 1. INTRODUZINDO A QUESTÃO: O QUE É CIÊNCIA, AFINAL????? Modelos Leis Por que estudar natureza da ciência???? Qual a importância desses conhecimentos

Leia mais

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho Prova Escrita de Filosofia 11.º Ano de Escolaridade Prova 714/1.ª Fase 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30

Leia mais

FILOSOFIA DA CIÊNCIA. Prof. Adriano R. 2º Anos

FILOSOFIA DA CIÊNCIA. Prof. Adriano R. 2º Anos FILOSOFIA DA CIÊNCIA Prof. Adriano R. 2º Anos CÍRCULO DE VIENA - Os filósofos do Círculo de Viena representam o movimento filosófico do positivismo lógico ou empirismo lógico, segundo o qual o saber científico

Leia mais

Afirmação verdadeira: frase, falada ou escrita, que declara um facto que é aceite no momento em que é ouvido ou lido.

Afirmação verdadeira: frase, falada ou escrita, que declara um facto que é aceite no momento em que é ouvido ou lido. Matemática Discreta ESTiG\IPB 2011.12 Cap1 Lógica pg 1 I- Lógica Informal Afirmação verdadeira: frase, falada ou escrita, que declara um facto que é aceite no momento em que é ouvido ou lido. Afirmação

Leia mais

Prof. Aparecido Carlos Duarte

Prof. Aparecido Carlos Duarte Unidade I METODOLOGIA CIENTÍFICA Prof. Aparecido Carlos Duarte Conteúdo: o que é ciência; classificação e divisão da ciência; o que é método; o que é metodologia científica; o que é um paradigma; movimentos

Leia mais

FILOSOFIA - ENADE 2005 PADRÃO DE RESPOSTAS QUESTÕES DISCURSIVAS

FILOSOFIA - ENADE 2005 PADRÃO DE RESPOSTAS QUESTÕES DISCURSIVAS FILOSOFIA - ENADE 2005 PADRÃO DE RESPOSTAS QUESTÕES DISCURSIVAS QUESTÃO - 36 Esperava-se que o estudante estabelecesse a distinção entre verdade e validade e descrevesse suas respectivas aplicações. Item

Leia mais

Introdução à Lógica Matemática

Introdução à Lógica Matemática Introdução à Lógica Matemática Disciplina fundamental sobre a qual se fundamenta a Matemática Uma linguagem matemática Paradoxos 1) Paradoxo do mentiroso (A) Esta frase é falsa. A sentença (A) é verdadeira

Leia mais

PLANO DE AULA DOCENTE CIÊNCIAS NATURAIS 4º ANO. Terrestre: Produção do Ecossistema

PLANO DE AULA DOCENTE CIÊNCIAS NATURAIS 4º ANO. Terrestre: Produção do Ecossistema PLANO DE AULA DOCENTE CIÊNCIAS NATURAIS 4º ANO Professora: Mariangela Morais Miguel Celeste: Produção do Universo 1.3. Sol Terra: Movimentos da Terra: - Rotação: dias e noites diferenças na duração dos

Leia mais

A Matéria Escura. Samuel Jorge Carvalho Ximenes & Carlos Eduardo Aguiar

A Matéria Escura. Samuel Jorge Carvalho Ximenes & Carlos Eduardo Aguiar UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO Instituto de Física Programa de Pós-Graduação em Ensino de Física Mestrado Prossional em Ensino de Física A Matéria Escura Samuel Jorge Carvalho Ximenes & Carlos

Leia mais

ARISTÓTELES: BASES DO PENSAMENTO LÓGICO E CIENTÍFICO

ARISTÓTELES: BASES DO PENSAMENTO LÓGICO E CIENTÍFICO ARISTÓTELES: BASES DO PENSAMENTO LÓGICO E CIENTÍFICO Nasceu por volta de 384 a.c e faleceu por volta de 322 a.c). Natural de Estagira, na Macedônia, era filho de Nicômaco, médico do rei da Macedônia. Aos

Leia mais

Para uma análise do livro didático de química proposto pela SEED, por meio de processos cognitivistas, primeiro faremos um pequeno exercício.

Para uma análise do livro didático de química proposto pela SEED, por meio de processos cognitivistas, primeiro faremos um pequeno exercício. Para uma análise do livro didático de química proposto pela SEED, por meio de processos cognitivistas, primeiro faremos um pequeno exercício. A CLASSIFICAÇÃO DOS OBJETIVOS EDUCACIONAIS Seu estudo é de

Leia mais

Física Material desenvolvido pela Editora do Brasil, não avaliado pelo MEC.

Física Material desenvolvido pela Editora do Brasil, não avaliado pelo MEC. Currículo Estadual Rio de Janeiro Física Material desenvolvido pela Editora do Brasil, não avaliado pelo MEC. Cosmologia - Movimento - Compreender o conhecimento científico como resultado de uma construção

Leia mais

MÉTODOS EM PESQUISA 01/07/ INTRODUÇÃO TÓPICOS A SEREM ABORDADOS 1.1 CONCEITO DE MÉTODO. 1. Introdução. 2. Método Indutivo

MÉTODOS EM PESQUISA 01/07/ INTRODUÇÃO TÓPICOS A SEREM ABORDADOS 1.1 CONCEITO DE MÉTODO. 1. Introdução. 2. Método Indutivo DISCIPLINA: METODOLOGIA CIENTÍFICA CURSO: ENGENHARIA AMBIENTAL PROF. ALEXANDRE PAIVA DA SILVA MÉTODOS EM PESQUISA TÓPICOS A SEREM ABORDADOS 1. Introdução 2. Método Indutivo 3. Leis, regras e fases do método

Leia mais

física e astronomia aristotélica

física e astronomia aristotélica física e astronomia aristotélica andrea bettanin 183178 astronomia fundamental aristóteles (384 a.c - 322 a.c.) Aristóteles nasceu em Estágira, em 384 a.c., próxima da Macedônia. Seus pais morreram durante

Leia mais

MÉTODO CIENTÍFICO. Patrícia Ruiz Spyere

MÉTODO CIENTÍFICO. Patrícia Ruiz Spyere MÉTODO CIENTÍFICO Introdução Método científico Modelos de método científico INTRODUÇÃO Mitos Explicação da realidade e dos fenômenos naturais de forma simbólica, por meio de deuses, semi-deuses e heróis

Leia mais

Exercícios de lógica -sensibilização

Exercícios de lógica -sensibilização Exercícios de lógica -sensibilização 1. Lógica matemática: Qual a lógica da seqüência dos números e quem é x? 2,4,4,6,5,4,4,4,4,x? 2. Charadas: lógica filosófica. Um homem olhava uma foto, e alguém lhe

Leia mais

INDUÇÃO ULTRAFORTE: EPISTEMOLOGIA DO SUBJETIVO

INDUÇÃO ULTRAFORTE: EPISTEMOLOGIA DO SUBJETIVO INDUÇÃO ULTRAFORTE: EPISTEMOLOGIA DO SUBJETIVO Felipe Sobreira Abrahão Doutorando, HCTE UFRJ E-mail: [email protected] 1. INTRODUÇÃO A problemática do raciocínio indutivo é abordada pelos pensadores

Leia mais

FILOSOFIA E OS PRÉ-SOCRÁTICOS TERCEIRÃO COLÉGIO DRUMMOND 2017 PROF. DOUGLAS PHILIP

FILOSOFIA E OS PRÉ-SOCRÁTICOS TERCEIRÃO COLÉGIO DRUMMOND 2017 PROF. DOUGLAS PHILIP FILOSOFIA E OS PRÉ-SOCRÁTICOS TERCEIRÃO COLÉGIO DRUMMOND 2017 PROF. DOUGLAS PHILIP O CONCEITO E A ORIGEM DA FILOSOFIA A ruptura com o pensamento mítico não se dá de forma imediata, mas de forma progressiva,

Leia mais

PESQUISAR: PERGUNTAR, INQUIRIR, INDAGAR, INVESTIGAR.

PESQUISAR: PERGUNTAR, INQUIRIR, INDAGAR, INVESTIGAR. O MÉTODO CIENTIFICO PESQUISAR: PERGUNTAR, INQUIRIR, INDAGAR, INVESTIGAR. MÉTODO CIENTIFICO O Método Científico é o modo sistemático de explicar um grande número de ocorrências semelhantes. Todas as Ciências

Leia mais

Apresentação da noção de argumento válido como aquele em que a conclusão é uma consequência lógica das premissas tomadas em conjunto.

Apresentação da noção de argumento válido como aquele em que a conclusão é uma consequência lógica das premissas tomadas em conjunto. FILOSOFIA Ano Letivo 2017/2018 PLANIFICAÇÃO ANUAL - 11.º Ano COMPETÊNCIAS/OBJETIVOS CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS RECURSOS TEMPO AVALIAÇÃO Problematização, conceptualização e argumentação. Análise metódica de

Leia mais

AULA 6 GALILEU E O MÉTODO CIENTÍFICO 3C13 FILOSOFIA

AULA 6 GALILEU E O MÉTODO CIENTÍFICO 3C13 FILOSOFIA AULA 6 GALILEU E O MÉTODO CIENTÍFICO 3C13 FILOSOFIA Prof. Gilmar Dantas I-INTRODUÇÃO Contexto histórico Para tentar explicar a natureza, Aristóteles (384-322 a.c.) criou uma filosofia cujos conteúdos,

Leia mais

TC I e a LEIC. O que é um Engenheiro da LEIC FEUP? Objectivos da LEIC FEUP: Requisitos de Conhecimentos: Que desafios presentes e futuros?

TC I e a LEIC. O que é um Engenheiro da LEIC FEUP? Objectivos da LEIC FEUP: Requisitos de Conhecimentos: Que desafios presentes e futuros? TC I e a LEIC O que é um Engenheiro da LEIC FEUP? Que desafios presentes e futuros? Objectivos da LEIC FEUP: Conhecimentos, capacidades e atitudes para exercer a profissão? Componentes de "educação liberal

Leia mais

Para provar uma implicação se p, então q, é suficiente fazer o seguinte:

Para provar uma implicação se p, então q, é suficiente fazer o seguinte: Prova de Implicações Uma implicação é verdadeira quando a verdade do seu antecedente acarreta a verdade do seu consequente. Ex.: Considere a implicação: Se chove, então a rua está molhada. Observe que

Leia mais

Introdução à Óptica Geométrica

Introdução à Óptica Geométrica Introdução à Óptica Geométrica ÓPTICA GEOMÉTRICA: Parte da Física que descreve fenômenos luminosos a partir da noção de raio de luz, alguns princípios fundamentais e Geometria. LUZ: Dependendo do fenômeno

Leia mais

Já falamos que, na Matemática, tudo se baseia em axiomas. Já estudamos os números inteiros partindo dos seus axiomas.

Já falamos que, na Matemática, tudo se baseia em axiomas. Já estudamos os números inteiros partindo dos seus axiomas. Teoria dos Conjuntos Já falamos que, na Matemática, tudo se baseia em axiomas. Já estudamos os números inteiros partindo dos seus axiomas. Porém, não é nosso objetivo ver uma teoria axiomática dos conjuntos.

Leia mais

Introdu c ao ` a L ogica Matem atica Ricardo Bianconi

Introdu c ao ` a L ogica Matem atica Ricardo Bianconi Introdução à Lógica Matemática Ricardo Bianconi Capítulo 4 Dedução Informal Antes de embarcarmos em um estudo da lógica formal, ou seja, daquela para a qual introduziremos uma nova linguagem artificial

Leia mais

Introdução. O que é Ciência? O que chamamos de conhecimento científico? Como separar a Ciência da pseudo-ciência? Isaac Newton (sec XVI)

Introdução. O que é Ciência? O que chamamos de conhecimento científico? Como separar a Ciência da pseudo-ciência? Isaac Newton (sec XVI) O Método Científico Introdução Platão e Aristóteles (sec V ac) Isaac Newton (sec XVI) O que é Ciência? O que chamamos de conhecimento científico? Como separar a Ciência da pseudo-ciência? O desafio da

Leia mais

PENSAMENTO CRÍTICO. Aulas 7 e 8. Profa. Dra. Patrícia Del Nero Velasco Universidade Federal do ABC

PENSAMENTO CRÍTICO. Aulas 7 e 8. Profa. Dra. Patrícia Del Nero Velasco Universidade Federal do ABC PENSAMENTO CRÍTICO Aulas 7 e 8 Profa. Dra. Patrícia Del Nero Velasco Universidade Federal do ABC 2016-2 Avaliação lógica de argumentos: há, entre as premissas e a conclusão, uma conexão apropriada? As

Leia mais

Lista 2 - Bases Matemáticas

Lista 2 - Bases Matemáticas Lista 2 - Bases Matemáticas (Última versão: 14/6/2017-21:00) Elementos de Lógica e Linguagem Matemática Parte I 1 Atribua valores verdades as seguintes proposições: a) 5 é primo e 4 é ímpar. b) 5 é primo

Leia mais

Física Básica RESUMO. Física dos corpos celestes. Física 1

Física Básica RESUMO. Física dos corpos celestes. Física 1 Física dos corpos celestes RESUMO Estudar gravitação é tentar entender um pouco mais sobre o Universo que nos cerca. Desde que o Homem começou a pensar e a filosofar sobre a vida, começou também a pensar

Leia mais

O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo

O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo IF UFRJ Mariano G. David Mônica F. Corrêa 1 O conhecimento e a incerteza do ponto de vista do ceticismo Aula 1: O conhecimento é possível? O

Leia mais

FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA

FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA FUNDAMENTOS DA METODOLOGIA CIENTÍFICA Prof. Marcelo de Oliveira Passos Departamento de Economia Mestrado em Economia Aplicada - UFPel A Visão Adquirida Filosofia da ciência: uma análise puramente lógica

Leia mais

UNIDADE IV - LEITURA COMPLEMENTAR

UNIDADE IV - LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE IV - LEITURA COMPLEMENTAR Alunos (as), Para que vocês encontrem mais detalhes sobre o tema Métodos Científicos, sugerimos a leitura do seguinte texto complementar, desenvolvido pelos professores

Leia mais

Matemática discreta e Lógica Matemática

Matemática discreta e Lógica Matemática AULA 1 - Lógica Matemática Prof. Dr. Hércules A. Oliveira UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa Departamento Acadêmico de Matemática Ementa 1. Lógica proposicional: introdução,

Leia mais

Matemática discreta e Lógica Matemática

Matemática discreta e Lógica Matemática AULA 1 - Lógica Matemática Prof. Dr. Hércules A. Oliveira UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa Departamento Acadêmico de Matemática Ementa 1 Lógica Sentenças, representação

Leia mais

Lógica Dedutiva e Falácias

Lógica Dedutiva e Falácias Lógica Dedutiva e Falácias Aula 3 Prof. André Martins Lógica A Lógica é o ramo do conhecimento humano que estuda as formas pelas quais se pode construir um argumento correto. O que seria um raciocínio

Leia mais

Resumo de Filosofia. Preposição frase declarativa com um certo valor de verdade

Resumo de Filosofia. Preposição frase declarativa com um certo valor de verdade Resumo de Filosofia Capítulo I Argumentação e Lógica Formal Validade e Verdade O que é um argumento? Um argumento é um conjunto de proposições em que se pretende justificar ou defender uma delas, a conclusão,

Leia mais

RLM Material de Apoio Professor Jhoni Zini

RLM Material de Apoio Professor Jhoni Zini PRINCÍPIOS LÓGICOS 1. Segundo a lógica aristotélica, as proposições têm como uma de suas propriedades básicas poderem ser verdadeiras ou falsas, isto é, terem um valor de verdade. Assim sendo, a oração

Leia mais

a = 2, Física Questão 53 - Alternativa D Devido ao tempo de reação, o carro percorre uma distância , antes de

a = 2, Física Questão 53 - Alternativa D Devido ao tempo de reação, o carro percorre uma distância , antes de Física 53. No instante t =, o motorista de um carro que percorre uma estrada retilínea, com velocidade constante de m/s, avista um obstáculo m a sua frente. O motorista tem um tempo de reação t = s, após

Leia mais

Disciplina: SOCIOLOGIA. 1º semestre letivo de 2015

Disciplina: SOCIOLOGIA. 1º semestre letivo de 2015 Disciplina: SOCIOLOGIA 1º semestre letivo de 2015 Universidade Federal de Pelotas UFPel Instituto de Filosofia, Sociologia e Política IFISP Curso de Ciência da Computação Professor Francisco E. B. Vargas

Leia mais

MD Lógica de Proposições Quantificadas Cálculo de Predicados 1

MD Lógica de Proposições Quantificadas Cálculo de Predicados 1 Lógica de Proposições Quantificadas Cálculo de Predicados Antonio Alfredo Ferreira Loureiro [email protected] http://www.dcc.ufmg.br/~loureiro MD Lógica de Proposições Quantificadas Cálculo de Predicados

Leia mais

Raciocínio Lógico Matemático

Raciocínio Lógico Matemático Raciocínio Lógico Matemático Cap. 4 - Implicação Lógica Implicação Lógica Antes de iniciar a leitura deste capítulo, verifique se de fato os capítulos anteriores ficaram claros e retome os tópicos abordados

Leia mais

Expandindo o Vocabulário. Tópicos Adicionais. Autor: Prof. Francisco Bruno Holanda Revisor: Prof. Antônio Caminha Muniz Neto. 12 de junho de 2019

Expandindo o Vocabulário. Tópicos Adicionais. Autor: Prof. Francisco Bruno Holanda Revisor: Prof. Antônio Caminha Muniz Neto. 12 de junho de 2019 Material Teórico - Módulo de INTRODUÇÃO À LÓGICA MATEMÁTICA Expandindo o Vocabulário Tópicos Adicionais Autor: Prof. Francisco Bruno Holanda Revisor: Prof. Antônio Caminha Muniz Neto 12 de junho de 2019

Leia mais

Indiscernibilidade de Idênticos. Atitudes Proposicionais e indiscernibilidade de idênticos

Indiscernibilidade de Idênticos. Atitudes Proposicionais e indiscernibilidade de idênticos Indiscernibilidade de Idênticos Atitudes Proposicionais e indiscernibilidade de Consideremos agora o caso das atitudes proposicionais, das construções epistémicas e psicológicas, e perguntemo-nos se é

Leia mais

QUESTÕES P/ REFLEXÃO MÉTODO CIENTÍFICO

QUESTÕES P/ REFLEXÃO MÉTODO CIENTÍFICO QUESTÕES P/ REFLEXÃO MÉTODO CIENTÍFICO O que é método e metodologia? E procedimento ou técnica? Como esses elementos se relacionam no contexto da ciência? O que é método científico? Quais as vantagens

Leia mais

Lógica e Metodologia Jurídica

Lógica e Metodologia Jurídica Lógica e Metodologia Jurídica Argumentos e Lógica Proposicional Prof. Juliano Souza de Albuquerque Maranhão [email protected] Quais sentenças abaixo são argumentos? 1. Bruxas são feitas de madeira.

Leia mais

Capítulo O objeto deste livro

Capítulo O objeto deste livro Capítulo 1 Introdução 1.1 O objeto deste livro Podemos dizer que a Geometria, como ciência abstrata, surgiu na Antiguidade a partir das intuições acerca do espaço, principalmente do estudo da Astronomia.

Leia mais

2ª crítica- A indução é injustificável ( inferir do particular para o geral: ir do alguns, para o todos ) CRÍTICA DE HUME À INDUÇÃO

2ª crítica- A indução é injustificável ( inferir do particular para o geral: ir do alguns, para o todos ) CRÍTICA DE HUME À INDUÇÃO A observação precede sempre a hipótese/lei O raciocínio indutivo está na origem das leis científicas Uma hipótese torna-se lei científica apenas depois de verificada pela experimentação Novos casos observados

Leia mais

Lógica Formal. Matemática Discreta. Prof Marcelo Maraschin de Souza

Lógica Formal. Matemática Discreta. Prof Marcelo Maraschin de Souza Lógica Formal Matemática Discreta Prof Marcelo Maraschin de Souza Implicação As proposições podem ser combinadas na forma se proposição 1, então proposição 2 Essa proposição composta é denotada por Seja

Leia mais

PESQUISA E DIREITO MÉTODOS DE PESQUISA CIENTÍFICA. Artur Stamford da Silva Prof. Associado UFPE/CCJ/FDR/DTGDDP

PESQUISA E DIREITO MÉTODOS DE PESQUISA CIENTÍFICA. Artur Stamford da Silva Prof. Associado UFPE/CCJ/FDR/DTGDDP PESQUISA E DIREITO MÉTODOS DE PESQUISA CIENTÍFICA Artur Stamford da Silva Prof. Associado UFPE/CCJ/FDR/DTGDDP C I Ê N C I A Y X falar por dados MÉTODOS caminhos abstrato teórico e TÉCNICAS real /caso vivência

Leia mais

NHI Lógica Básica (Lógica Clássica de Primeira Ordem)

NHI Lógica Básica (Lógica Clássica de Primeira Ordem) NHI2049-13 (Lógica Clássica de Primeira Ordem) página da disciplina na web: http://professor.ufabc.edu.br/~jair.donadelli/logica O assunto O que é lógica? Disciplina que se ocupa do estudo sistemático

Leia mais

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. Na folha de respostas, indique de forma legível a versão da prova (Versão 1 ou Versão 2).

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. Na folha de respostas, indique de forma legível a versão da prova (Versão 1 ou Versão 2). EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO Decreto-Lei n.º 9/202, de de julho Prova Escrita de Filosofia.º Ano de Escolaridade Prova 74/2.ª Fase 8 Páginas Duração da Prova: 20 minutos. Tolerância: 0 minutos.

Leia mais

Filósofos Clássicos: Sócrates e o conceito de justiça

Filósofos Clássicos: Sócrates e o conceito de justiça Filósofos Clássicos: Sócrates e o conceito de justiça Sócrates Com o desenvolvimento das cidades (polis) gregas, a vida em sociedade passa a ser uma questão importante. Sócrates vive em Atenas, que é uma

Leia mais

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Instituto de Física Departamento de Astronomia Fundamentos de Astronomia e Astrofísica: FIS2001 Prof. Rogéri

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Instituto de Física Departamento de Astronomia Fundamentos de Astronomia e Astrofísica: FIS2001 Prof. Rogéri Universidade Federal do Rio Grande do Sul Instituto de Física Departamento de Astronomia Fundamentos de Astronomia e Astrofísica: FIS2001 Prof. Rogério Riffel Geometria da Sombra nos eclipses: Revisão:

Leia mais

INDUTIVISMO E O PROBLEMA DA INDUÇÃO

INDUTIVISMO E O PROBLEMA DA INDUÇÃO INDUTIVISMO E O PROBLEMA DA INDUÇÃO Prof. Thiago C. Almeida A. F. Chalmers, O que é ciência afinal? O que é ciência? O que é ciência? O que é conhecimento científico? O que é ciência? Conhecimento científico

Leia mais

Nascido em Estagira - Macedônia ( a.c.). Principal representante do período sistemático.

Nascido em Estagira - Macedônia ( a.c.). Principal representante do período sistemático. Aristóteles Nascido em Estagira - Macedônia (384-322 a.c.). Principal representante do período sistemático. Filho de Nicômaco, médico, herdou o interesse pelas ciências naturais Ingressa na Academia de

Leia mais

Estratégia. Avaliação de métodos de investigação Seleção de métodos de investigação Avaliação de fontes de informação Seleção de fontes de informação

Estratégia. Avaliação de métodos de investigação Seleção de métodos de investigação Avaliação de fontes de informação Seleção de fontes de informação Criação e Evolução Criação e Evolução Origem e comportamento ao longo do tempo Fontes de Informação Métodos de pesquisa Objetos de estudo Aplicação de métodos para avaliação de evidências Estratégia Avaliação

Leia mais

CONCEITOS GERAIS 01. LUZ. c = km/s. c = velocidade da luz no vácuo. Onda eletromagnética. Energia radiante

CONCEITOS GERAIS 01. LUZ. c = km/s. c = velocidade da luz no vácuo. Onda eletromagnética. Energia radiante CONCEITOS GERAIS 01. LUZ Onda eletromagnética Energia radiante c = 300.000 km/s c = velocidade da luz no vácuo (01) Um raio laser e um raio de luz possuem, no vácuo, a mesma velocidade OBSERVAÇÕES Todas

Leia mais

VERDADE E VALIDADE, PROPOSIÇÃO E ARGUMENTO

VERDADE E VALIDADE, PROPOSIÇÃO E ARGUMENTO ENADE 2005 e 2008 1 O que B. Russell afirma da matemática, em Misticismo e Lógica: "uma disciplina na qual não sabemos do que falamos, nem se o que dizemos é verdade", seria particularmente aplicável à

Leia mais