unesp UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
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- Luiz Henrique Morais Barroso
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1 unesp UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA CÂMPUS DE JABOTICABAL FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS DEPARTAMENTO DE FITOSSANIDADE Ecotoxicologia dos Agrotóxicos e Saúde Ocupacional 7a. Aula - Modo de ação dos agrotóxicos: mecanismo de intoxicação, antídotos, antagonistas e tratamento Dr. Joaquim Gonçalves Machado Neto Prof. Titular - Responsável pela Disciplina Set/2016
2 7a. Aula - Modo de ação dos agrotóxicos: mecanismo de intoxicação, antídotos, antagonistas e tratamento 1 Introdução 2 Antídotos e tratamentos 3 - Sistema nervoso 4 - Mecanismo de intoxicação dos agrotóxicos e tratamento de intoxicações. Prática: Leitura de rótulos e bulas de agrotóxicos.
3 TOXICOCINÉTICA: Estuda a absorção, distribuição, metabolização, armazenamento e eliminação dos agentes tóxicos no organismo. TOXICODINÂMICA: Estuda a ação dos agentes tóxicos sobre os diferentes órgãos e funções do organismo. Estuda os mecanismos pelos quais os tóxicos desenvolvem a ação tóxica, a qual o caracteriza e classifica.
4 ANTÍDOTO: É toda substância que tem a capacidade de impedir ou inibir a ação de uma substância tóxica. ANTÍDOTO FÍSICO: Óleos adsorventes, mucilagens, carvão vegetal, argilas, etc.
5 ANTÍDOTO QUÍMICO: Reagem quimicamente com o toxicante, transformando-o em substância inócua, ou de fácil eliminação. SUPERFICIAL: Atuam antes da absorção do toxicante. Ácidos diluídos para neutralizar bases. PROFUNDO: Atuam depois a absorção do toxicante. Contration e Toxigonin p/ fosforados. FISIOLÓGICOS: São as substâncias capazes de provocar reações famacologicamente opostas à do toxicante. São os ANTAGONISTAS. Ex. Sulfato de atropina p/ fosforados
6 TRATAMENTO SINTOMÁTICO HIPERTERMIA: Medidas físicas: Gelo, banho. Medicamentos:Dipirona (EV, IM, VO). Aspirina, Acetaminofeno (VO) CONVULÇÕES: Diazepam (EV) Adultos: 5 10 mg/kg. Crianças:0,25 0,3. Repetir, se necessário, por 2 x, 10 ou 15 min. VÔMITOS: Dimenidrinato. CRISE ALÉRGICA: Anti-histamínico: difenidramina DOR: Analgésicos menores: dipirona, aspirina, acetaminofeno Analgésicos narcóticos: morfina, codeína.
7 ELEMENTOS BÁSICOS DA INTOXICAÇÃO AGENTE TÓXICO - SISTEMA BIOLÓGICO INDENTIFICADO - PRESENÇA DE EFEITO TÓXICO PRINCIPAIS GRUPO QUÍMICOS DE AGROTÓXICOS ENVOLVIDOS EM CASOS DE INTOXICAÇÃO Inseticidas - Fosforados e clorofosforados Carbamatos / Piretróides Raticidas - Anticoagulantes Fungicidas - Tio e Ditiocarbamatos / Dinitrofenóis Herbicidas - Clorofenóis / Dipiridílicos
8 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS MODO DE AÇÃO - Refere-se ao processo bioquímico pelo qual uma molécula inseticida interage com o organismo vivo, causando alterações em processos fisiológicos normais que se expressam na forma de toxicidade e na inabilidade de sobrevivência.
9 NEUROTÓXICOS MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS 1.NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.1. Inibidores da enzima acetilcolinesterase Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Inseticidas que atuam nos receptores de gaba. 2. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO AXÔNICA 2.1. Moduladores de canais de sódio (DDT e Piretróides.) 2.2. Bloqueadores de canais de sódio (oxadiazinas). 3.REGULADORES DO CRESCIMENTO DE INSETOS 3.1. Inibidores da síntese de quitina (benzoilfeniluréias, triazinas, thiodiazinas) Agonistas (análogos) do hormônio juvenil ("Juvenóides") Agonistas da ecdisona ou ecdisteróides (diacilhidrazinas). 4.INIBIDORES DO METABOLISMO ENERGÉTICO 4.1. Inibidores da síntese de ATP Inibidores do transporte de elétrons Inibidores da ATPase.
10 MODO DE AÇÃO DOS ORGANOFOSFORADOS E CARBAMATOS INIBIDORES DA ENZIMA ACETILCOLINESTERASE: Sistema nervoso central, glóbulos vermelhos, plasma e outros órgaos
11 SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO SISTEMA NEUROVEGETATIVO OU SISTEMA NERVOSO VISCERAL É a parte do sistema nervoso que está relacionada ao controle da vida vegetativa, ou seja, controla funções como a respiração, circulação do sangue, controle de temperatura e digestão. visceral, vegetativo Os principais transmissores do SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO são: Sistema Nervoso Parassimpático ACETILCOLINA. Sistema Nervoso Simpático NORADRENALINA.
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13 SISTEMA NERVOSO
14 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS Em termos de produção e vendas, a grande maioria dos inseticidas se enquadra na categoria dos neurotóxicos. 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 2. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO AXÔNICA 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.1. Inibidores da enzima acetilcolinesterase (fosforados e carbamatos) Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Inseticidas que atuam nos receptores de GABA.
15 1.1. Inibidores da enzima acetilcolinesterase (fosforados e carbamatos).
16 1.1. Inibidores da enzima acetilcolinesterase (fosforados e carbamatos). INSETICIDAS FOSFORDOS E CARBAMATOS Organofosforados: Clorpirifós, metamidofós, profenofós, paration metílico. Carbamatos: Metomyl, benfuracarb, carbosulfan.
17 MODO DE AÇÃO DOS ORGANOFOSFORADOS E CARBAMATOS
18 MODO DE AÇÃO DOS ORGANOFOSFORADOS E CARBAMATOS INIBIDORES DA ENZIMA ACETILCOLINESTERASE: No sistema nervoso central No plasma (butirilcolinesterase) - Nos glóbulos vermelho - Em outros órgaos -Não se acumulam no organismo, mas é possível o acúmulo de efeitos. - Ocorrem efeitos neurotóxicos retardados com certos organofosforados
19 SINAPSE COM NEUROTRANSMISSÃO COLINÉRGICA INSETICIDAS FOSFORDOS E CARBAMATOS
20 SINTOMAS DE INTOXICAÇÃO AGUDA COM ORGANOFOSFORADOS E CARBAMATOS FOLIDOL (parathion- methyl) INICIAIS Suor abundante Salivação intensa Lacrimejamento Fraquesa Tontura Dores e cólicas abdominais Visão turva ou embaçada TARDIOS Pupilas contraídas (miose) Vômitos Dificuldade respiratória Colapso Tremores musculares Convulsões
21 TRATAMENTO DA INTOXICAÇÃO Antídoto Fisiológico Antagonista Sulfato de atropina destrói a acetilcolina Antídoto químico Oximas regeneram a colinesterase Fosforilada Contration / Toxigonin Obs: AS OXIMAS NÃO CONSEGUEM REGENERAR A COLINESTERASE COMBINADA COM OS CARBAMATOS
22 NÍVEIS DE COLINESTERASE NO SANGUE 15% da população tem colinesterase sanguínea naturalmente baixa A variação do nível de colinesterase obedece a ritmo circadiano Nível Normal OMS - 3 determinações Pré-Exposição Baseline Serviço Médico da Califórnia considera 2 determ. Pré-Exposição - Baseline < 50% baseline afastar do serviço > 70% baseline Retorna
23 CARBAMATOS / FOSFORADOS COLINESTERASE ACETILCOLINA
24 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.2. Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis) Os neonicotinóides IMITAM A ACETILCOLINA, o neurotransmissor excitatório. Competem com a acetilcolina pelos seus receptores nicotinérgicos embebidos na membrana pós-sináptica. A ligação dos neonicotinóides com o receptor nicotinérgico é persistente, ao contrário da ligação da acetilcolina. Os neonicotinódes são insensíveis à ação da enzima acetilcolinesterase
25 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis) Os neonicotinóides IMITAM A ACETILCOLINA, o neurotransmissor excitatório. RECEPTOR NICOTÍNICO DE ACETILCOLINA - Os receptores nicotínicos estão nos canais - iônicos, são dependentes de ligantes que, - igual aos outros membros do grupo dos - canais iônicos. - São composto por cinco subunidades - protéicas dispostas simetricamente - como as pautas em torno de um barril.
26 - MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.2. Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis)
27 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.2. Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis) Os neonicotinóides imitam o neurotransmissor excitatório, a acetilcolina. - Os neonicotinóides, também chamados de cloronicotinóis, um novo grupo de inseticidas descobertos a partir da molécula de nicotina. - O Imidacloprid foi o primeiro inseticida deste grupo a ser comercializado. Imidacloprid Bula - Hoje existem hoje diversos outros: Acetamiprid, Thiacloprid, Thiamethoxam.
28 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.2. Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis) A ativação dos receptores de acetilcolina é prolongada de modo anormal, causando HIPEREXCITABILIDADE do sistema nervoso central devido à transmissão contínua e descontrolada de impulsos nervosos. Embora os neonicotinóides atuem de modo totalmente distinto dos organofosforados e carbamatos, os SINTOMAS resultantes da intoxicação são semelhantes e incluem TREMORES, CONVULSÕES E, EVENTUALMENTE, COLAPSO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E MORTE.
29 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.2. Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis) Moduladores de Receptores de Acetilcolina (Naturalytes) Este é também um novo grupo de inseticidas, cujo único representante comercial é o Spinosad, um metabólito da fermentação de um fungo de solo (Saccharopolyspora spinosa). O spinosad liga-se ao receptor nicotinérgico de acetilcolina (em sítio distinto da ligação por neonicotinóides), provoca mudança na conformação do receptor e, consequentemente, CAUSANDO A ABERTURA DE CANAIS IÔNICOS E A CONDUÇÃO DO ESTÍMULO NERVOSO,
30 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.2. Inseticidas que atuam nos receptores de acetilcolina Agonistas (análogos) de Acetilcolina (neonicotinóides ou cloronicotinóis) Moduladores de Receptores de Acetilcolina (Naturalytes) O SPINOSAD liga-se ao receptor nicotinérgico, causa a abertura de canais iônicos e a condução do estímulo nervoso, O resultado é a ativação prolongada dos receptores de acetilcolina, causando hiperexcitabilidade do sistema nervoso central devido à transmissão contínua e descontrolada de impulsos nervosos. Os SINTOMAS de intoxicação incluem TREMORES, CONVULSÕES E, EVENTUALMENTE, COLAPSO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL E MORTE. Bula Spinosad
31 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1.NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.3. Inseticidas que atuam nos receptores de GABA. Este grupo de inseticidas inclui inseticidas já bem antigos no mercado (os ciclodienos, ex. endosulfan) e inseticidas novos (fipronil, do grupo químico dos fenil-pirezóis). O modo de ação destes inseticidas ainda não foi totalmente elucidado. Porém, sabe-se que os mesmos antagonizam a ação do neurotransmissor inibitório, GABA (Gamma-AminoButyric Acid).
32 - MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 1. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO SINÁPTICA 1.3. Inseticidas que atuam nos receptores de GABA. Já são conhecidos 3 tipos de receptores GABA: GABAA, GABAB e GABAC. Impedem que após a transmissão normal de um impulso nervoso, se desencadeie o processo normal de inibição que restabelece o estado de repouso do sistema nervoso central. Após a ligação normal de GABA ao seu receptor pós-sináptico, há um aumento na permeabilidade da membrana aos íons cloro (fluxo de Cl - para dentro da célula nervosa), a célula fique hiperpolarizada, dificulta a despolarização. Fipronil bula Assim, dá-se a diminuição da condução neuronal, provoca a inibição do SNC, e desencadeia o mecanismo inibitório do sistema nervoso.
33 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 2. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO AXÔNICA 2.1. Moduladores de canais de sódio (DDT e Piretróides.) 2.2. Bloqueadores de canais de sódio (oxadiazinas). -
34 MECANISMOS DE AÇÃO TÓXICA DOS AGROTÓXICOS NEUROTÓXICOS 2. NEUROTÓXICOS QUE ATUAM NA TRANSMISSÃO AXÔNICA 2.1. Moduladores de canais de sódio (DDT e Piretróides.) Os piretróides (tipo I permetrina e DDT; e II - esfenvalerate) interagem com os canais de sódio distribuídos ao longo do axônio (cauda do neurônio), prolongando ou impedindo o fechamento normal dos mesmos após a transmissão do impulso nervoso. Assim, permitem um fluxo excessivo de íons Na++ para o interior da célula nervosa A diferença entre os piretróides do tipo I e II com relação à interferência no funcionamento dos canais de sódio está na intensidade do efeito, mais pronunciado para os piretróides do tipo II.
35 INSETICIDAS PIRETRÓIDES
36 INSETICIDAS PIRETRÓIDES MODO DE AÇÃO Estimulante do sistema nervoso central Em doses altas podem produzir lesões duradouras ou permanentes no sistema nervoso periférico Capacidade de produzir alergias (Alergênicos) PIRETRÓIDES Tetrametrina Aletrina Resmetrina Permetrina Deltametrina Fenvalerato Ciflutrina Cipermetrina Bifentrina Fenpropatrina Flucitrinato NOME COMERCIAL NEOPYNAMIM PYNAMIM CHRYSON AMBUSH,TALCORD DECIS SUMICIDIN, BELMARK BAYTHROID CYMBUSH, RIPCORD TALSTAR MEOTHRIN PAY-OFF
37 INSETICIDAS PIRETRÓIDES Pouca absorção dérmica. Toxicidade Moderada e Baixa SINTOMAS DE INTOXICAÇÕES AGUDAS: PIRETRINA E PIRETRÓIDES INICIAIS: Formigamento nas pálpebras e nos lábios Dermatite de contato Irritação das conjuntivas e mucosas Espirros TARDIOS: Coceira intensa Mancha na pele Secreção e obstrução nasal Reação aguda de hipersensibilidade Excitação Convulção Dificuldade respiratória Asma Reação anafilática TRATAMENTO Sintomático e uso de Anti-histamínicos
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