Balanço 2016 Perspectivas Cana-de-açúcar

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2 86 Balanço 2016 Perspectivas 2017

3 Perspectivas 2017 DÉFICIT NA PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇÚCAR, AUMENTO DA DEMANDA E QUEDA NOS ESTOQUES MANTERÃO TENDÊNCIA DE PREÇOS ALTOS A perspectiva é de um cenário mais favorável ao setor. Os preços dos produtos deverão se manter em patamares mais elevados, principalmente o açúcar. A boa notícia está na previsão de queda no crescimento dos custos de produção. A previsão de moagem para a safra 2016/2017 é de 684,7 milhões de toneladas, aumento de 2,9% em comparação à safra 2015/2016. Desse total, 631,9 milhões de toneladas devem ser moídos na região Centro-Sul e 52,8 milhões de toneladas nas regiões Norte e Nordeste. A estimativa é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na região Centro-Sul, a produtividade será afetada pela instabilidade climática, que ocasionou geadas, excesso de calor e estiagem em importantes estados produtores. Com isso, o término da safra 2016/2017 poderá ser antecipado. A produção de açúcar está estimada em 39,9 milhões de toneladas, crescimento de 19,3% na comparação com os números da safra anterior. A região Centro-Sul contribuirá com 36,5 milhões de toneladas e as regiões Norte e Nordeste com outros 3,4 milhões de toneladas. A liderança será da região Sudeste que deverá produzir 60% de todo o açúcar brasileiro. O consumo interno de açúcar vai continuar ao redor de 11 milhões de toneladas por ano. Os fundamentos para a manutenção de preços elevados do açúcar são: a expectativa de mais um déficit no balanço do mercado global (demanda maior do que a produção); a queda nos estoques mundiais; e o crescimento sustentado do consumo (gráfico 1). Gráfico 1. Evolução e perspectiva do superávit/déficit do balanço do mercado global de Açúcar (em milhões de toneladas) 15,0 190,0 180,0 Superavit/Deficit (milhões toneladas) 10,0 05,0 0,0-5,0-10,0 170,0 160,0 150,0 140,0 130,0 120,0 110,0 100,0 Produção / Consumo (milhões toneladas) -15,0 2005/ / / / / / / / / / / /17 90,0 Superavit/Deficit Produção Consumo Fonte: USDA. 87

4 A volatilidade do mercado de açúcar poderá aumentar o viés de baixa com a possibilidade de liquidação de grande volume das posições compradas pelos fundos de investimentos nas bolsas de valores. Isso devido ao fato de terem obtidos lucros elevados com a alta do preço da commoditie. Outros componentes de baixa levam em conta questões da União Europeia, tais como: a extinção das cotas de produção de açúcar e xarope de frutose; a do preço mínimo da beterraba; e a do teto de exportação de açúcar, a partir de outubro de O viés de alta pode vir dos problemas climáticos esperados para o Brasil e de importantes produtores e exportadores, como a Tailândia e a Índia. A nova política de precificação de combustíveis adotada pela Petrobras acompanhará as variações dos preços internacionais do petróleo, podendo trazer previsibilidade e transparência exigida há anos pelo setor. O fato é que, no curto prazo, o etanol perderá competitividade devido à queda no preço da gasolina. A redução do risco regulatório produzirá resultados positivos, no longo prazo. Quanto ao etanol, a produção total poderá atingir 27,9 bilhões de litros, queda de 8,5% em relação à safra 2015/2016. A previsão de queda na produção é baseada no direcionamento maior da cana para a produção de açúcar e no menor crescimento do consumo de etanol hidratado em relação à gasolina. Nesse caso, o aumento do consumo de etanol anidro, misturado na gasolina, não compensará o arrefecimento no consumo do etanol hidratado. Caberá à cadeia produtiva sucroenergética aproveitar essas oportunidades para focar em uma gestão mais profissional da atividade, que possibilite a recuperação das margens e a equalização do fluxo de caixa e dos passivos. 88

5 Balanço 2016 RECUPERAÇÃO DO PREÇO DO AÇÚCAR MUDA MIX DE PRODUÇÃO DAS USINAS. MENOR OFERTA DE ETANOL HIDRATADO AUMENTA PREÇO E REDUZ CONSUMO O fechamento da safra 2015/2016 apresentou produção de 665,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 4,9% em comparação com a safra 2014/2015, segundo dados da Conab. Esse resultado foi sustentado pela produtividade da região Centro-Sul. Houve queda na produção das regiões Norte e Nordeste em consequência da forte estiagem. A produção de açúcar atingiu 33,5 milhões de toneladas, 5,8% inferior à safra anterior, como reflexo de preços baixos e estoques altos. Houve recuperação dos preços em dólar com a confirmação do déficit de produção em relação ao consumo de açúcar no mercado mundial. Por essa razão, e somando-se as vantagens cambiais, priorizou-se a produção de açúcar. As exportações brasileiras de açúcar, até o mês de setembro, foram de 21,5 milhões de toneladas, 32,7% superior em comparação com o mesmo período de 2015 (gráfico 2). Os principais importadores, em volume, foram Índia, China e Argélia. Gráfico 2. Volume exportado acumulado de açúcar (em milhões de toneladas) 30,00 25,00 Milhões de Toneladas 20,00 15,00 10,00 5,00 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Mês A produção de etanol alcançou 30,5 bilhões de litros, aumento de 6,3% no mesmo período. Já a produção de etanol anidro foi de 11,2 bilhões de litros, redução de 4,4%. A produção de etanol hidratado foi de 19,3 bilhões de litros, aumento de 13,7% frente ao ano anterior. O consumo acumulado de combustíveis do Ciclo Otto no Brasil teve redução em De janeiro a setembro, foram consumidos 39,4 bilhões de litros contra 39,8 bilhões de litros no mesmo período de

6 A demanda por etanol recuou 14%, com consumo de 11,23 bilhões de litros se comparado aos 13,15 bilhões de Uma das razões para essa diferença foi o aumento do preço relativo do etanol hidratado/gasolina nas bombas dos postos de combustíveis. A opção econômica pelo aumento da produção de açúcar nas usinas reduziu a oferta de etanol, pressionando os preços. As vendas externas de etanol cresceram 44,1% de janeiro a setembro de 2016: 1,616 bilhão de litros. Os principais destinos foram os Estados Unidos e a Coreia do Sul. O elevado endividamento do setor ainda retrai os investimentos em tecnologia e não permitiu uma renovação adequada dos canaviais. Isso resultou na continuidade da baixa produtividade média das lavouras. 90

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