EQUOTERAPIA: PARCERIA EASA E UNICRUZ
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- Kléber Pinho Gomes
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1 EQUOTERAPIA: PARCERIA EASA E UNICRUZ PERANZONI, Vaneza Cauduro 1 ; COSTA, Lia da Porciuncula Dias da 2 ; VIEIRA, Flávia Rodrigues 3 ; ANTUNES, Vera Soares 3 RESUMO Neste artigo, propomos discutir a importância da equoterapia como método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo a partir de uma abordagem interdisciplinar entre as áreas da saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento global de pessoas com necessidades especiais atendidas pelo Centro de Equoterapia da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas/UNICRUZ, no município de Cruz Alta- RS. PALAVRAS-CHAVE: Inclusão. Estimulação. Terapia. INTRODUÇÃO Segundo a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE- BRASIL), mundialmente existem divergências conceituais e semânticas a respeito do nome dado a esta atividade, a qual é nomeada de diversos modos, tais como: hipoterapia, equitação terapêutica, reeducação equestre, equitação para deficientes, reabilitação equestre. Uzun (2005) indica que a ANDE-BRASIL adotou o termo Equoterapia, registrando-o no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), do Ministério de Desenvolvimento da Indústria e do Comércio, em 06 de julho de O conceito vem do radical latino equus associado ao grego therapeia - em homenagem a Hipócrates de Loo ( A.C), pai da medicina ocidental, que recomendava a prática da equitação para a regeneração da saúde. 1 Doutora em Educação Prof. da Universidade de Cruz Alta UNICRUZ ([email protected]) 2 Fisioterapeuta Mestre em Educação Prof. da Universidade de Cruz Alta UNICRUZ ([email protected]) 3 Pedagogas formada na Universidade de Cruz Alta UNICRUZ ([email protected]) CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
2 A equoterapia é descrita em vários estudos como meio para inclusão e desenvolvimento humano e biopsicossocial de pessoas com necessidades especiais, de forma mediadora e complementar ao tratamento proposto pela medicina convencional. Walter e Vendramini apud Uzun (2005) enfatizam que essa atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo assim, para o desenvolvimento do tônus e da força muscular, do relaxamento, da conscientização do próprio corpo, do equilíbrio, do aperfeiçoamento da coordenação motora, da atenção e da autoestima. O termo equoterapia denomina todas as práticas que utilizam o cavalo, técnicas de equitação e atividades equestres, visando o desenvolvimento global, a reabilitação ou a educação do praticante. Nesta esfera, o termo praticante de equoterapia se refere à pessoa portadora de deficiência física e/ou com necessidades especiais quando em atividades equoterápicas (ANDE-BRASIL, 2004, p. 16). Ainda de acordo com a ANDE- BRASIL (2004), a equoterapia atua como um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo a partir de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas da saúde, da educação e da equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais. Neste artigo, propõe-se discutir a importância da equoterapia a partir da experiência agregada desde o ano de 2011 no Centro de Equoterapia da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas instituição conveniada com a Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ), o qual atende pessoas com necessidades especiais e com dificuldades de aprendizagem no município de Cruz Alta- RS. DESENVOLVIMENTO Andaduras do cavalo CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
3 Na equoterapia o cavalo surge como instrumento cinesioterapêutico, agente pedagógico e de inserção social. O cavalo possui três andaduras naturais passo, trote e galope, as demais são adquiridas com o adestramento. Na equoterapia, as sessões de terapia são desenvolvidas com o cavalo ao passo. O trote e o galope são utilizados em programas mais avançados, quando os objetivos terapêuticos passam a não ser prioritários, conforme a ANDE-BRASIL (2004). Uzun (2005, p. 21) esclarece que: Nos andamentos do cavalo devemos considerar os membros em apoio, os membros em elevação e os tempos de suspensão. Os membros em apoio são os que repousam no solo, em elevação em caso contrário e a suspensão é quando nenhum membro estiver em apoio. O passo, segundo Uzun (2005), é uma andadura simétrica, marchada, ritmada a quatro tempos. É simétrico porque todos os movimentos produzidos de um lado da coluna vertebral ocorrem de forma igual no outro lado. É marchado pelo fato de não haver suspensão, ou seja, um ou mais membros estão sempre em contato com o solo. É ritmado a quatro tempos, pois se ouvem quatro batidas distintas que correspondem ao pousar dos membros do animal no solo. Ainda, de acordo com o mesmo autor: A característica mais importante para equoterapia é o que o passo produz no cavalo e transmite ao cavaleiro uma série de movimentos sequenciados e simultâneos, que têm como resultado um movimento tridimensional, que se traduz no plano vertical em um movimento para cima e para baixo e, no plano horizontal, em um movimento para a direita e para a esquerda, segundo o eixo transversal do cavalo, e segundo o eixo longitudinal, um movimento para frente e para trás. Esse movimento é completado com uma pequena torção de pelve do cavaleiro que é provocada pelas inflexões laterais do dorso do animal (UZUN, 2005, p.22). Portanto, o trote é simétrico, saltado, ritmado a dois tempos e fixado. É saltado pelo fato de que cada diagonal bípede (composta por um membro anterior e CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
4 o seu posterior contralateral) se eleva e pousa simultaneamente, com um tempo de suspensão. É ritmado a dois tempos porque se ouvem duas batidas no solo, que correspondem ao pousar de cada diagonal bípede, e fixado porque os movimentos cervicais do cavalo são quase imperceptíveis. Já o galope é descrito como andadura assimétrica, saltada, muito basculante e ritmada há três tempos. Muito basculante por serem movimentos cervicais amplos. Na andadura ritmada a três tempos percebemos três batidas. O cavalo ideal para equoterapia Para a ANDE-BRASIL (2004), não existe uma raça específica para prática da equoterapia, porém, devem ser observadas algumas características, tais como possuir as três andaduras regulares, ser macho, castrado, com idade acima de dez anos, ter altura mediana (aproximadamente 1,50m) do chão até a cernelha e possuir aprumos simétricos, isto é, não possuir deformidades. Segundo os estudos de Medeiros e Dias (2008) o cavalo deve ser treinado para ser montado pela direita e pela esquerda, bem como para o uso de brinquedos e objetos, de modo a não se assustar com eles. O animal não deverá ser gordo, mas, precisa ter força suficiente para carregar duas pessoas, ou seja, a escolha do animal para a equoterapia é de fundamental importância já que o mesmo representa o veículo responsável pelo sucesso e desenvolvimento terapêutico (MEDEIROS; DIAS, 2008, p. 37). Programas de equoterapia A Equoterapia dispõe de quatro programas básicos, classificados pela ANDE-BRASIL de acordo com os propósitos a serem alcançados e com as capacidades física e mental do praticante, sendo eles: hipoterapia, educação/reeducação, pré-esportivo e prática esportiva paraequestre. CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
5 O programa de hipoterapia é indicado para reabilitação, voltado para pessoas com deficiência física ou mental. De acordo com Medeiros e Dias (2008), o cavalo torna-se um instrumento cinesioterapêutico, pois, não possuindo o paciente autonomia física e/ou mental para se manter sozinho sobre o animal (MEDEIROS; DIAS, 2008, p. 42), há necessidade de um auxiliar-guia para conduzir o cavalo e um auxiliar-lateral para mantê-lo montado, dando- lhe segurança na execução das atividades propostas. O programa de educação/reeducação pode ser aplicado tanto na área de reabilitação quanto na educação. A ação dos profissionais de equitação tem mais intensidade e as atividades devem nortear os objetivos que se pretendem alcançar. A ANDE-BRASIL considera o cavalo como facilitador do processo ensinoaprendizagem, atuando como instrumento pedagógico. Neste caso o praticante tem condições de exercer alguma atuação sobre o cavalo e conduzi-lo, dependendo em menor grau do auxiliar-guia e do auxiliar-lateral (ANDE-BRASIL, 2004, p. 20). O programa pré-esportivo também pode ser aplicado nas áreas de reabilitação ou educação, porém nesta modalidade o paciente possui total domínio sobre o animal, podendo participar de exercícios específicos de hipismo. Para Medeiros e Dias (2008) a ação do profissional de equitação é mais efetiva ainda que a orientação e o acompanhamento de profissionais da área da saúde e educação continuam necessários (MEDEIROS; DIAS, 2008, p. 43). E, no programa de prática esportiva paraequestre as atividades de equoterapia voltam-se para o preparo a competições na modalidade. Neste sentido, o praticante deve estar com boas condições de montaria, podendo ter acesso a vários esportes equestres e participar de provas adaptadas. A ação do profissional de equitação é mais intensa, mas, assim como nos outros tipo de programa, é essencial a supervisão de profissionais da área da saúde e educação. Indicações e contraindicações da equoterapia CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
6 A ANDE-BRASIL considera que, dentre outras formas patológicas, a equoterapia é indicada nas patologias ortopédicas (alterações posturais, malformações congênitas, amputações, espondiliteanquilosante, artrose), nas síndromes neurológicas e patologias neuromusculares (síndrome de Down, síndrome de West, síndrome de Rett, poliomielite, encefalopatia crônica da infância, sequelas de acidente vascular encefálico e traumatismo crânioencefálico, doença de Parkinson, disrafismo espinhal). Também há indicação nos casos de patologias cardiovasculares e respiratórias e, nos distúrbios de aprendizagem, comportamentais, alterações no desenvolvimento motor e hiperatividade. Existem algumas contraindicações absolutas ou relativas para a prática da equoterapia que, conforme avaliam Medeiros e Dias (2008), são os quadros inflamatórios e infecciosos, cifoses e escolioses acima de 30º, luxação e sub-luxação de quadril, instabilidade atlantoaxial, osteoporose, osteogênese, espondilólise, hérnia de disco intervertebral, epilepsia, obesidade, alergia ao pelo do cavalo, medo excessivo, Doença de Schuerman, cardiopatia grave, hemofilia, bem como problemas comportamentais do praticante que coloquem em risco sua segurança ou a da equipe. Segundo Uzun (2005), cada caso deve ser avaliado por toda a equipe responsável pelo desenvolvimento da equoterapia, pois o que descarta a hipótese da terapia, não são patologias específicas e sim o estado e a fase em que o praticante se encontra (UZUN, 2005, p.36). Buchene e Savini apud Motti (2007) destacam os benefícios e efeitos terapêuticos da equoterapia: - melhora o equilíbrio e a postura; - promove a consciência do corpo (imagem e esquema corporal); - aumenta a capacidade de decisão e previsão de situação (iniciativa própria); - desenvolve a coordenação motora fina; - motiva o aprendizado encorajando a leitura e fala; - desenvolve a coordenação entre mãos e olhos (óculo-manual); - ajuda a ensinar sequencias de ações (planejamento motor); CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
7 - estimula os cinco sentidos através das atividades e do meio; - ajuda a superar fobias, como a da água, a de altura, a de animais; - aumenta a autoconfiança e auto-estima, facilitando a integração sensorial; - melhora os aspectos cognitivos: atenção, concentração, memória, raciocínio lógico; - desenvolve a linguagem e a comunicação; - ensina a importância de regras como segurança e disciplina; - ensina o praticante a encarar situações de risco controlado (como dirigir); - promove sensação geral de bem estar (BUCHENE; SAVINI apud MOTTI, 2007, p.45). Considerando todos os benefícios acima citados pode-se afirmar que a equoterapia contribui para o desenvolvimento global do praticante, uma vez que exige a participação do corpo inteiro e também de sua cognição, da mesma forma que promove a inserção social e pedagógica. Segundo Garrigue apud Motti (2007), os efeitos terapêuticos que podem ser alcançados com a equoterapia abrangem quatro dimensões: - melhoramento da relação: considerando os aspectos da comunicação, do autocontrole, da autoconfiança, da vigilância da relação, da atenção e do tempo de atenção; - melhoramento da psicomotricidade: nos aspectos do tônus, da mobilidade das articulações da coluna e da bacia, do equilíbrio e da postura do tronco ereto, da obtenção da lateralidade, da percepção do esquema corporal, da coordenação e dissociação de movimentos, da precisão de gestos e integração do gesto para compreensão de uma ordem recebida ou por imitação; - melhoramento de natureza técnica: facilitando as diversas aprendizagens referentes aos cuidados com os cavalos e o aprendizado das técnicas de equitação; - melhoramento da socialização: facilitando a integração de indivíduos com danos cognitivos ou corporais com os demais praticantes e com a equipe multidisciplinar (GARRIGUE apud MOTTI, 2007, p.46). Desta forma, considera-se a equoterapia como uma prática que proporciona à pessoa com necessidade especial o desenvolvimento de suas potencialidades, CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
8 respeitando seus limites, visando sua integração na sociedade, proporcionando benefícios físicos, psicológicos, educativos e sociais. Equipe interdisciplinar A prática da equoterapia é realizada por equipes de profissionais que atuam de forma interdisciplinar. Para dar início ao atendimento se faz necessário diagnóstico e indicação médica, bem como avaliações dos profissionais das áreas envolvidas, com o objetivo de planejar os atendimentos de maneira individualizada. Essa equipe de profissionais deve ser a mais ampla possível, abrangendo as áreas de saúde, equitação, especialistas em reabilitação e educação de pessoas com necessidades especiais, sendo eles fisioterapeutas, psicólogos, pedagogos, terapeutas ocupacionais, professores de educação física, fonoaudiólogos, assistentes sociais, entre outros. A composição mínima e obrigatória é de três profissionais, um de cada área: saúde, educação e equitação, podendo ser um fisioterapeuta, um psicólogo e um instrutor de equitação. Em um projeto interdisciplinar no qual intenção e causa coincidam, consegue-se captar a profundidade das relações conscientes entre pessoas e entre pessoas e coisas. É importante que os profissionais estejam entrosados, sabendo a hora certa de atuar, com cuidado para não invadir o espaço um do outro e priorizando sempre as necessidades do praticante. Neste sentido, Uzun (2005, p.45) alerta que: Antes de iniciar a montaria é de extrema importância à adaptação do praticante a essa nova situação. Os profissionais envolvidos no atendimento devem ter cautela para saber a hora certa de montar o praticante no cavalo, a fim de que este relacione essa atividade a um ato de prazer e descontração. Conforme a ANDE-BRASIL (2004), o praticante de equoterapia é a pessoa que participa ativamente da construção do processo terapêutico, ou seja, o sujeito que interage direto com o cavalo. CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
9 O auxiliar lateral é a pessoa que acompanha o praticante, posicionando-se ao lado do cavalo. Este deverá observar se as indicações e comandos do terapeuta estão sendo seguidas e, em alguns casos, terá de manter uma das mãos agarrando a cintura do praticante e a outra na sua perna, joelho ou coxa, para propiciar maior apoio. O auxiliar guia é quem conduz o cavalo e tem o papel de controlá-lo e mantê-lo andando de forma ritmada. Para tanto, tem de estar permanentemente ligado com o cavalo e o praticante, pois é comum o cavalo se afastar sem razão aparente e desequilibrar e até mesmo derrubar o praticante. O auxiliar-guia pode evitar que isso aconteça, antecipando-se ao inesperado, de modo que o cavalo se mantenha seguro e, se for o caso, auxiliar o praticante a recobrar o equilíbrio. O instrutor de equitação é a alma da equipe interdisciplinar na condução dos programas de equoterapia. A ANDE-BRASIL considera professor o equitador que possui o título instrutor de equitação, bem como os cavaleiros que se dedicam à instrução de equitação e que, após o curso, irão integrar-se a equipe interdisciplinar na prática da equoterapia. O fisioterapeuta na equoterapia deverá prestar assistência, participando da promoção, do tratamento e da recuperação da saúde do praticante, utilizando todos os conhecimentos técnicos e científicos a seu alcance. O fisioterapeuta tem a função de avaliar detalhadamente o praticante, interpretar os dados registrados para, então, traçar o diagnóstico fisioterapêutico e seus objetivos, esclarecendo-os à equipe para em conjunto eleger as condutas mais adequadas às necessidades do praticante. É atividade do fisioterapeuta da equoterapia executar métodos e técnicas fisioterápicas com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente, como descreve Uzun (2005, p.42): Cabe ao fisioterapeuta, o posicionamento do praticante no cavalo, de acordo com os objetivos de estimulação, bem como a escolha de acessórios para auxiliar na montaria e nos cuidados com transporte do praticante para o cavalo e para o solo. CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
10 Já o trabalho do psicólogo em um centro de equoterapia é extremamente amplo. A atuação é conjunta ao praticante e sua família, às avaliações da dinâmica emocional, das funções cognitivas e de aspectos neurológicos, como destaca novamente Uzun (2005, p.42): o uso do cavalo propõe atividades e brincadeiras com o intuito de que o praticante pegue em suas mãos a rédea de sua própria vida, trabalhando conflitos, traumas e desorganizações comportamentais por meio da conscientização de suas potencialidades, resgate da auto-estima e autoconfiança. Na sua atuação o psicólogo deve também promover dinâmicas entre a equipe interdisciplinar, facilitar o diálogo entre os seus integrantes, levantar dados sobre os praticantes e suas famílias, a fim de planejar os atendimentos de maneira que os objetivos individuais de cada área de atuação sejam respeitados, levando em consideração a unidade do indivíduo. O pedagogo e/ou psicopedagogo atuam como forma de auxílio nas questões de dificuldades de aprendizagem. A atuação dos profissionais não é substituir o professor de sala de aula, mas ser um facilitador no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem como um todo. Através da equoterapia é possível solucionar dificuldades quanto à assimilação, a memorização ou processo cognitivo do praticante tais como: a autoestima, segurança, afetividade, psicomotricidade, ludicidade, disciplina, raciocínio lógico e perspectivas motoras sensoriais. A pedagogia e/ou psicopedagogia se ocupará da aprendizagem, da observação, dos relatórios diários, das filmagens e das fotos dos atendimentos de cada praticante, que servirão de parâmetros no momento das avaliações. Esses dados reais revelam as exatas noções de várias questões do praticante, tais como a forma de brincar, se segue regras, se respeita os limites de espaço, como é sua linguagem verbal e gestual, como se comunica, como CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
11 compreende e expressa seus sentimentos e como se comporta na presença do cavalo. De acordo com Uzun (2005), o fonoaudiólogo deverá realizar um trabalho que vise o desenvolvimento da linguagem, assim como o adequamento de funções neurovegetativas (mastigação, deglutição, sucção, respiração e fala) e também dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, dentes, palato), propondo melhora da qualidade da comunicação, podendo utilizar recursos do ambiente natural, do próprio corpo do animal e músicas que, conjuntamente com o ritmo do cavalo, estimularão a sonorização (UZUN, 2005, p.43). O médico é de grande importância no centro de equoterapia, porém não se faz necessária a sua atuação permanente. Deverá atuar inicialmente com o objetivo de indicar ou contraindicar a prática de equoterapia e de dar apoio à equipe interdisciplinar em todos os aspectos clínicos, principalmente na alta do praticante. CENTRO DE EQUOTERAPIA DA ESCOLA DE APERFEIÇOAMENTO DE SARGENTOS DAS ARMAS/ UNICRUZ O Centro de Equoterapia da Escola de Aperfeiçoamento de Sargentos das Armas/UNICRUZ (CEEASA) localiza-se no município de Cruz Alta-RS e surgiu a partir de um projeto de extensão da Universidade de Cruz Alta em parceria com a iniciativa social da Escola de Sargento das Armas (EASA), no ano de O CEEASA/UNICRUZ tem por objetivo oferecer a prática de equoterapia à comunidade, identificando pacientes/praticantes que se adaptem a este tipo de tratamento, buscando conhecer os benefícios individuais de cada um. Da mesma forma, propicia também aos acadêmicos das áreas da saúde e educação uma formação diferenciada através de atividades que primam pela integralidade do indivíduo. O Centro possui voluntários membros da EASA, psicóloga, professores e acadêmicos da UNICRUZ dos cursos de Fisioterapia, Educação Física, Veterinária, e Pedagogia. Os atendimentos são realizados uma vez por semana, nos turnos CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
12 manhã e tarde, com avaliação específica através da ficha de avaliação para a equoterapia, para a fisioterapia, a pedagogia e a psicologia. Busca-se através deste projeto, obter resultados positivos no tratamento dos praticantes, uma vez que este tipo de terapia proporciona uma variedade de estímulos: visuais, auditivos, olfativos, táteis, sinestésicos, interação social, melhora da autoestima e autoimagem. Durante todo o seu tempo de funcionamento já atendeu vinte e sete praticantes com as seguintes necessidades específicas: transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, síndrome de down, paralisia cerebral, autismo, baixa visão, insegurança, síndrome C e esclerose múltipla. Atualmente atende vinte praticantes com as mais diferentes necessidades especiais. Estes praticantes são oriundos de escolas municipais, estaduais e particulares de Cruz Alta-RS e encontram-se na faixa etária de um ano até trinta e cinco anos de idade. Os atendimentos não têm custos para os praticantes e o projeto se mantem com doações e a parceria das instituições EASA e UNICRUZ. Esta pesquisa encaixa-se no âmbito das ciências humanas numa perspectiva qualitativa. A metodologia qualitativa busca uma nova ordem da educação baseada na formação científica e tecnológica que não deixa de ser um dos componentes essenciais do humanismo científico o qual se opõe a toda e qualquer ideia pré-concebida, subjetiva e abstrata do homem. A pesquisa qualitativa, segundo Minayo (2001, p.21): trabalha com o universo de significados, motivos, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. É um tipo de pesquisa muito utilizado nas ciências humanas, em oposição às pesquisas que trabalham com estatísticas, ou seja, aquelas que trabalham os dados objetivamente sem nenhuma análise mais profunda. CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
13 Utilizamos o estudo de caso, pois como enfatiza Stake (apud ANDRE 2005, p. 16) O estudo de caso não é um método específico, mas um tipo de conhecimento: estudo de caso não é uma escolha metodológica, mas uma escolha do objeto a ser estudado. Conforme Ludke e Andre (1986) os estudos de caso visam à descoberta, enfatizam a interpretação dos fatos, buscam retratar a realidade de forma completa e profunda e usam uma variedade de fontes de informações. O estudo de caso lida com fatos e fenômenos isolados em muitas situações e isso faz com que o pesquisador tenha de ter e apresentar um grande equilíbrio mental e uma grande capacidade de observação para poder analisar os resultados. Esta pesquisa tem abordagem exploratória/descritiva, pois os sujeitos (acadêmicos e professores) interagem como um todo. Cervo e Bervian (1996, p. 49) dão suporte à definição de cada característica apresentada na pesquisa: a pesquisa exploratória realiza descrições precisas da situação e quer descobrir as relações existenciais entre os elementos componentes da mesma, enquanto na pesquisa descritiva, trata-se do estudo e da descrição das características, propriedades ou relações existentes na comunidade, grupo ou realidade pesquisada. E também procura descobrir, com a precisão possível, a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros, sua natureza e características. Rudio (2002, p.114), cita o questionário como um dos instrumentos mais empregados nas ciências comportamentais, já que é constituído de perguntas, entregues por escrito ao informante e às quais ele também responde por escrito. Como instrumento desta pesquisa utilizamos vários questionários que apresenta a vantagem da captação imediata e corrente da informação, o que para nós se torna de suma importância, pois estamos em contato direto com os praticantes e pais. O questionário proporciona uma relação de interação entre os sujeitos da pesquisa e o pesquisador, possibilitando o aprofundamento das respostas quando se fizer necessário. Ele é um dos instrumentos mais adequados a ser utilizado e é constituído de perguntas CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
14 Segundo Lakatos e Marconi (2003, p.201) o questionário apresenta inúmeras vantagens, entre elas: a) Economiza tempo, viagens e obtém grande número de dados. b) Atinge maior numero de pessoas simultaneamente. c) Abrange uma área geográfica mais ampla. d) Economiza pessoal, tanto em adestramento quanto em trabalho de amplo. e) Obtém respostas mais rápidas e mais precisas. f) Há maior liberdade nas respostas, em razão do anonimato. g) Há mais segurança pelo fato de as respostas não serem identificadas. h) Há menos risco de distorção, pela não influência do pesquisador. i) Há mais tempo para responder e em hora maus favorável. j) Há mais uniformidade na avaliação, em virtude da natureza impessoal do instrumento. k) Obtém respostas que materialmente seriam inacessíveis Depois de aplicado os questionários com os familiares ou responsáveis dos praticantes, a equipe multidisciplinar do Centro de Equoterapia se reúne para ver qual dos programas este deve fazer parte e quais profissionais devem trabalhar com o mesmo. Após cada sessão de equoterapia, fizemos a evolução e relato da mesma na pasta particular de cada praticante e assim verificamos as ações e intervenções necessárias para o desenvolvimento do mesmo. Percebemos assim a relação entre a teoria e a pratica, notando em sua grande maioria melhora no tônus, equilíbrio, coordenação motora, raciocínio lógico, da conscientização do próprio corpo, da atenção e da autoestima. CONSIDERAIS FINAIS A prática da equoterapia constitui-se em um tratamento complementar de apoio à reabilitação física e mental de pessoas com necessidades especiais, utilizando o cavalo como instrumento de trabalho em uma abordagem interdisciplinar. CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
15 O pleno contato com a natureza favorece a sociabilidade, integrando o praticante, o cavalo e a equipe envolvida, constituindo-se de um trabalho dinâmico, vasto em possibilidades, que inclui desde o vínculo afetivo com o animal, pois no momento da montaria estimula-se e desafia-se, levando ao aumento da autoconfiança, do autocontrole e da autoestima. Assim, pode-se pensar que a prática da equoterapia não é destinada apenas as pessoas com necessidades especiais, mas também como apoio às dificuldades escolares, bem como a todos que procuram novas oportunidades de crescimento, melhora no equilíbrio tanto físico como mental e na qualidade de vida. A busca de soluções e encaminhamentos de problemas é uma constante na vida do homem. A equoterapia, como uma alternativa de tratamento, apresenta-se hoje como uma possibilidade viável, próxima das comunidades e comprovadamente promotora de melhorias necessárias ao desenvolvimento saudável e equilibrado, considerando as potencialidades de cada indivíduo. REFERÊNCIAS ANDRE, Marli Eliza Dalmazo Afonso de. Estudo de caso em pesquisa em avaliação educacional. Brasília: Líber, ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EQUOTERAPIA. Curso básico de equoterapia. Brasília, DF, ALVES, Eveli Maluf. Prática em Equoterapia. São Paulo: Atheneu Editora, CERVO, Amado L.; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Científica. 4. Ed. São Paulo: Makron Books, LAKATOS, Eva Maria e MARCONI Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia. 5ªed. São Paulo: Atlas, LEMONTOV, Tatiana. A Psicomotricidade na Equoterapia. São Paulo: Idéias E Letras, LUDKE, Menga e ANDRÉ, Marli. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
16 MEDEIROS, Mylena; DIAS, Emília. Equoterapia: noções elementares e aspectos neurocientíficos. Rio de Janeiro: Revinter, MINAYO, Maria Cecília de Souza. (Org.) Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Temas Sociais. 7ª ed. Petrópolis: Vozes, MOTTI, Glauce Sandim. A prática da equoterapia como tratamento para pessoas com ansiedade. Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Mestrado em Psicologia. Campo Grande-MS, Disponível em: < Acesso em 19/ago./2012. RUDIO, Franz Victor. Introdução ao Projeto de Pesquisa Científica. Petrópolis: Vozes, SEVERO, José Equoterapia - Equitação, Saúde e Educação. São Paulo: SENAC, SORIANO, Raúl Rojas. Manual de pesquisa social. (Trad. Ricardo Rosenbusch). Petrópolis, RJ: Vozes, UZUN, Ana Luisa de Lara. Equoterapia: aplicação em distúrbios do equilíbrio. São Paulo: Vetor, CATAVENTOS ISSN: ANO 5, N. 01,
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