4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA 4.1 Uso e Ocupação do Solo

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1 4. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA 4. Uso e Ocupação do Solo Nos últimos 30 anos a pressão antrópica sobre a área reduziu a cobertura vegetal de forma preocupante. As fotos aéreas do projeto FAB/SUDENE (GERAN-970) e do projeto FIDEM (983), provenientes do aero-levantamento do º/6º GAV da Base Aérea do Recife, vem comprovar que a área do entorno da reserva, na década de 70, apresentava cobertura vegetal quase contígua. As fotos da década de 80 demonstravam que a UC estando inserida em área insularizada e quase nenhuma ocorrência de vegetação nativa no entorno tendo conseguido manter parcialmente sua integridade. Porém, preocupa atualmente o avanço dos cultivos sobre as matas e quanto ainda será derrubado pelos agricultores. Talvez a área não suporte mais 0 anos de pressão antrópica. Foram identificadas duas unidades de conservação próximas a Gurjaú. A Reserva Ecológica da Mata do Contra Açude, pertencente a duas propriedades privadas, localizadas a Nordeste da Usina Bom Jesus, no município do Cabo de Santo Agostinho, com 4,56 hectares, defendida pela mesma Lei Estadual que criou Gurjaú (Nº 9989 de 987). A área apresentava-se, em 988, em bom estado de Conservação, com monocultura da cana-de-açúcar no entorno (PERNAMBUCO, 00:3). E Reserva Ecológica da Mata do Bom Jardim, inserida em única propriedade privada próxima ao Engenho Monte, localizada no mesmo município, com 45,8 hectares definida pela mesma lei estadual. Apresentava-se, em 988, sem alteração, com monocultura de cana-de-açúcar no entorno (PERNAMBUCO, 00:33). Essas Unidades de Conservação e áreas protegidas que foram criadas e não pertenciam às categorias previstas no SNUC, serão reavaliadas no prazo de até dois anos (SNUC, 000:9). As atividades desenvolvidas em toda a bacia do Gurjaú interferem direta ou indiretamente na dinâmica do manancial hídrico. As massas de água não são sistemas fechados; antes precisam ser consideradas como parte de maiores bacias de drenagem ou sistemas hidrográficos (ODUM, 983:). Os principais problemas que afetam os

2 mananciais hídricos são decorrentes do manejo inadequado do solo e também da utilização incorreta de agrotóxicos, realizada por moradores que praticam agricultura de subsistência e cultivo de cana de açúcar no entorno da reserva pela Usina Bom Jesus e seus engenhos. Essa atitude causa poluição, assoreamentos, contaminações dos cursos d água e margens dos açudes e rio. Nos açudes de Gurjaú, Secupema e São Salvador observou-se margens assoreadas e cultivadas com lavouras de subsistência. O açude de Gurjaú foi construído sob o leito inundável do rio de mesmo nome, localizado na porção Sul da Reserva, em terras do antigo Engenho São João. As margens encontram-se bem protegidas, salvo em alguns pontos onde se avista cultivo. No trecho do açude de Gurjaú pelo rio, até o Engenho São Bráz observam-se alguns sítios de bananas (Musa sp), macaxeira (manihot sp), e mamão (Carica sp), alternados, onde deveria estar a mata ciliar. Em alguns braços do rio morto, incrustam-se sítios de bananeiras (Musa sp) dentro da mata ciliar, competindo com pioneiras em regeneração, formando um disclímax antropogênico. Esses sistemas de culturas não são estáveis da forma como são gerenciados, pois estão sujeitos à erosão e lixiviação. Nas margens do açude encontramos algumas gramíneas e vegetação aquática no leito como: Eichhornia e Nymphaea. Não há moradores nessas localidades, mas avistam-se cais para atracamento de barcos e jangadas. O açude de Secupema apresenta características distintas: foi construído posteriormente ao Açude de Gurjaú, sob o leito do Riacho São Salvador, localizado na região central da reserva, em terras do antigo Engenho Secupema. Em área de relevo ondulado, possui suas margens com algumas encostas íngremes, por vezes desprovidas de vegetação ciliar. Alguns moradores vivem no local há mais de 35 anos e relataram que o açude era limpo periodicamente pela SANER (atual COMPESA). Há pelo menos dez anos, eles roçavam até cinco metros da margem para fazer manutenção nos açudes. Hoje os moradores afirmam que tem muito lixo no açude, proveniente das residências próximas. As pessoas não têm como se "livrar" do lixo então jogam dentro do açude. Não há coleta de lixo nem saneamento básico, os dejetos humanos são lançados diretamente ao ar livre, sujeito a lixiviamento. Os moradores confirmam que usam o açude para banhos, lavar roupas e

3 pescarias nas quais já capturaram: Traíra, Cará, Piaba, Gundelo e alguns já viram Capivara. Avistam-se nas margens locais de criação de Caprinos, Suínos, Eqüinos, Patos, etc. e pontos de armadilhas para Capivara. As encostas desmatadas do açude contrastam com a vegetação ciliar. O açude de São Salvador foi construído sob o leito inundável do riacho de mesmo nome, localizado na porção Norte da Reserva, em terras do antigo Engenho São Salvador. É o açude com presença de maior ação antrópica dentro da reserva. Sua lâmina d água apresenta-se bastante reduzida. As margens não se encontram protegidas, em toda a borda observa-se a prática da cultura de subsistência, especialmente a macaxeira. Há vários pontos onde são avistados cultivos de posseiros e moradores das margens usam bombas para puxar água. Também se observam alguns sítios de bananas (Musa sp), macaxeira (manihot sp), onde deveria estar a mata ciliar. Da mata ciliar que margeava o açude, pouco resta. Na área que foi assoreada, próxima ao açude, é fácil identificar processos de competição com capins, espécies pioneiras como a embaúba (Cecropia sp.), formando um disclímax antropogênico. Numa das margens existe um córrego chamado Córrego do Abacaxi, que foi parcialmente destituído de vegetação para cultivos diversos. Os moradores são antigos, provavelmente, estão no local há cerca de 30 anos. Nos últimos meses, foi intensificada a construção de moradias nas redondezas do açude e em toda a Reserva. Os posseiros visam a resultados econômicos a curto prazo e devastam as florestas para plantio de cana-de-açúcar, por ser uma cultura de fácil manutenção, ter mercado certo (a Usina Bom Jesus compra toda a produção), e por utilizarem veículos da própria usina para escoar o produto. Os poucos gêneros alimentícios produzidos pelos posseiros são levados de ônibus a feiras livres de Jaboatão ou Cabo. Há características que dão certo grau de homogeneidade à área estudada: a pobreza, a falta de informação e os poucos recursos. Reproduzida nesses aspectos fica a situação geral da problemática ambiental, com todas as dificuldades para encontrar soluções. Talvez apenas medidas de pequeno alcance, quase paliativas, possam ser tomadas em nível regional ou local.

4 Sabe-se do desprestígio de certos órgãos de planejamento junto à comunidade, seja das mais diferentes esferas. Levantamentos, Diagnósticos, Relatórios, Recomendações, Planos e Projetos existem em quantidade, mas faltam medidas concretas na solução dos problemas fundamentais. A regularização do uso do solo implicaria no disciplinamento deste e recuperação das áreas desflorestadas e matas ciliares prevendo a manutenção dos açudes e nascentes. Porém a ausência desta faz da existência de atividades agrícolas com expansão desenfreada e "loteamentos" de chácaras um perigo para a manutenção do ecossistema. 4. Meio Biótico 4.. Levantamento de anfíbios Introdução A Mata Atlântica tem papel de destaque entre os ecossistemas do mundo. Apresenta alto número de espécies e elevado grau de endemismo. Todavia, trata-se de um dos habitats mais ameaçados do planeta - razão pela qual foi recentemente incluída na lista de hotspots globais (Myers et al. 000). Ações antrópicas, cuja implementação remonta aos idos de 500, reduziram este patrimônio biológico e genético a um conjunto de pequenos remanescentes florestais (Fundação SOS Mata Atlântica 99, Lima 998). No Nordeste do Brasil, os fragmentos que ainda restam da Mata Atlântica totalizam apenas cerca de 3% de sua extensão original (Câmara 99). Tal redução de áreas florestadas representa um perigo iminente à fauna e flora brasileiras, em especial às espécies endêmicas do Nordeste, podendo causar alterações na abundância das populações naturais e eventualmente provocar a extinção de espécies locais (Laurance e Bierregaard 997). Em cenários como o acima descrito, populações naturais de anfíbios merecem especial atenção dada sua vulnerabilidade a mudanças ambientais. A maioria das espécies de anfíbios (cujo nome vem do grego amphi = duas, bios = vida) possui dois modos de vida distintos: de seus ovos eclodem larvas aquáticas, ou girinos, que se metamorfoseiam em jovens com modo de vida terrestre. A pele permeável destes animais torna-os particularmente expostos a alterações físicas e químicas da água, do solo, e do ar, fazendo deste grupo um excelente bio-indicador. Adicionalmente, anfíbios constituem elementos-chave na cadeia

5 alimentar dos ecossistemas naturais (Stebbins e Cohen 997, Pounds et al. 999). A despeito de sua importância ecológica e como patrimônio genético, pouco sabemos sobre os anfíbios do Nordeste do Brasil (dos Santos e Carnaval 00). Ironicamente, é possível que o desaparecimento da Mata Atlântica nesta região esteja levando à extinção espécies ainda desconhecidas da comunidade científica. Frente ao supracitado, foi com satisfação que participamos dos levantamentos das espécies de anfíbios da Reserva de Gurjaú, numa iniciativa com vistas à conservação deste remanescente florestal situado na Zona da Mata Sul do Estado de Pernambuco. A Reserva de Gurjaú constitui um dos fragmentos de mata que compõem o Complexo Catende, área amplamente reconhecida como prioritária para conservação e estudos aprofundados da fauna e flora no Nordeste do Brasil. São dignas de nota as recomendações referentes a esta micro-região encontradas nos documentos gerados pelo workshop Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade da Mata Atlântica no Nordeste, realizado no ano de 993 em Itamaracá, PE, e no workshop Avaliação e Ações Prioritárias para a Conservação dos Biomas Floresta Atlântica e Campos Sulinos, realizado em Atibaia, SP, em 999. Atualmente, a área consta como prioritária para pesquisa e conservação no Estado de Pernambuco (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco 00). O presente relatório apresenta e discute os resultados obtidos durante o levantamento quantitativo e qualitativo das espécies de anfíbios da Reserva de Gurjaú, efetuado no período de Agosto de 00 a Abril de 003. Ao fim do presente, são feitas algumas recomendações conservacionistas com base nas informações levantadas. METODOLOGIA Esforço de Coleta e Áreas Amostradas De modo a gerar dados qualitativos sobre a anurofauna da Reserva de Gurjaú, efetuaram-se 33 horas-homens de busca ativa de anfíbios em diferentes partes da Reserva, entre Agosto de 00 e Abril de 003. Durante os meses de Agosto, Setembro, Novembro, Dezembro, Fevereiro, Março e Abril, os

6 trabalhos de busca foram executados por dois membros da equipe, variando entre 6 e 6 horas-homem por mês. Nos meses de Outubro e Janeiro, três membros participaram das buscas em campo, as quais corresponderam a 46 e 4 horas-homem, respectivamente (Figura 3). Horas-homem de busca ativa Ago. 00 Set. 00 Out. 00 Nov. 00 Dez. 00 Jan. 003 Fev. 003 Mar. 003 Abr. 003 Figura 3 - Esforço mensal de captura de anfíbios na Reserva de Gurjaú através de busca ativa durante os meses de Agosto de 00 a Abril de 003. Para os trabalhos de busca ativa, percorreram-se a pé aproximadamente km de trilhas em áreas florestadas e áreas abertas dentro da área da Reserva de Gurjaú, amostrando-se os seguintes ambientes: Trilha A Aproximadamente,,4 Km de borda de mata ao longo da estrada de terra paralela à represa e que conecta a Barragem de Gurjaú à Barragem de Sucupema, incluindo poças laterais, poças temporárias, ambientes inundados pela água da barragem e vegetação adjacente. A trilha corresponde ao trecho inicial da estrada de terra, estendendo-se da Barragem de Gurjaú até a área de cultura de cana; Trilha B - Aproximadamente,3 Km de borda de mata ao longo da estrada de terra que conecta a Barragem de Gurjaú à Barragem de Secupema, incluindo poças laterais, poças temporárias, ambientes inundados pela barragem e vegetação adjacente. A trilha estende-se da cultura de cana até a Barragem de Secupema; Trilhas C, D e E Margem leste do riacho formado pela Barragem de Gurjaú e entorno da mata a oeste da Barragem de Gurjaú; Trilha F - Area de lavoura e cultivo de frutas nas proximidades da Trilha A; Trilha G - Trilha na Mata da Porteira Preta;

7 Trilha H - Trilha na Mata do Sítio do Pica-Pau, passando pela Barragem de Secupema, dirigindo-se para oeste até a cultura de cana; Trilha I - Trilha na Mata do Bonde; Trilha J - Trilha na Mata do Enxofre (alcançada com auxílio de bote); Trilha K - Arredores dos tanques de decantação e alojamento, junto à sede da COMPESA. Com vistas a complementar os dados gerados por procura ativa, registraram-se também os exemplares eventualmente capturados em 39 armadilhas tipo pitfall montadas pela Equipe de Répteis, sendo cada armadilha composta por quatro baldes (Heyer et al. 994). Ao longo dos meses de Agosto a Abril, 30 armadilhas foram mantidas abertas na mata adjacente à trilha principal que conecta a Barragem de Gurjaú à Barragem de Secupema (Trilha I), sendo conferidas a cada três dias. Entre os meses de Novembro a Abril, nove armadilhas adicionais foram colocadas na Mata do Enxofre (Trilha J), seguindo-se a mesma metodologia. PROCEDIMENTOS DE BUSCA ATIVA Durante todos os dias de visita à Reserva, foi efetuada uma saída a campo no período noturno para busca ativa de indivíduos. Saídas a campo também foram executadas durante o dia, para coleta de indivíduos com atividade diurna, coleta de larvas e desovas. A cada saída noturna percorreu-se ao menos uma das trilhas selecionadas para amostragem. Indivíduos adultos foram localizados visualmente, com o auxílio de lanternas, ou através de suas vocalizações. O tempo de permanência na trilha variou conforme o número de indivíduos presentes, oscilando entre duas e quatro horas. Saídas diurnas também oscilaram em duração, variando de meia hora a cinco horas. Para cada saída de campo foi preenchida uma ficha (Anexo I), em que se anotaram dados a respeito da data de coleta, equipe de trabalho, horário de início dos trabalhos de campo, horário de término dos trabalhos de campo, temperatura, condições do tempo, espécies encontradas, número de indivíduos avistados para cada espécie, ambiente utilizado por cada espécie

8 (mata, reservatório, poça temporária, água corrente, etc.), e micro-ambiente utilizado (folhas sobre poça, galhos de árvores, chão da mata, etc.). Representantes adultos das espécies encontradas foram manualmente coletados e posteriormente sacrificados e preservados em meio líquido, de modo a constituirem testemunhos da identificação taxonômica. Girinos também foram coletados com auxílio de peneiras durante excursões diurnas, e mantidos em lotes individuais. LEVANTAMENTO QUANTITATIVO Com vistas a permitir uma comparação quantitativa a respeito da freqüência de encontro das diferentes espécies de anfíbios da Reserva de Gurjaú, compilaram-se todos os registros visuais efetuados nas trilhas A, B, C, D, E, e H, bem como nas áreas das trilhas G, I, e J onde a borda da mata se aproxima da água da barragem, totalizando 0 noites de observação. O levantamento quantitativo se restringiu às áreas acima mencionadas uma vez que as mesmas se assemelham quanto aos micro-ambientes que apresentam, sendo aparentemente ocupadas pelo mesmo conjunto de espécies. De modo a manter a amostragem uniforme, os dados compilados para fins de análise quantitativa foram coletados por dois componentes da equipe (G. Moura e M. Silva). Visando a uniformizar os dados, o número de indivíduos observados por espécie foi dividido pelo número total de homens-hora de amostragem efetuado na noite do registro. Para fins de comparação, os resultados foram plotados por espécie. PROCEDIMENTOS EM LABORATÓRIO Os exemplares coletados para fins de identificação foram trasportados em sacos plásticos para o alojamento. Antes de serem sacrificados, os indivíduos foram fotografados e observados quanto à sua coloração em vida. Seguindo recomendações e metodologias discutidas na literatura (Heyer et al. 994), os indivíduos foram anestesiados em solução de clorobutanona ou etanol e fixados em solução de formaldeído a 0%. Após uma semana de fixação, todas as carcaças foram transferidas para solução de etanol a 70%. Girinos coletados em estágios iniciais de desenvolvimento foram mantidos em aquários, para que se desenvolvessem, permitindo assim sua identificação.

9 Girinos em estágios mais avançados tiveram seu padrão de colorido descrito e foram fixados e mantidos em solução de formaldeído a 5% (Heyer et al. 994). Os exemplares coletados foram adicionados à Coleção Herpetológica do Laboratório de Vertebrados da Universidade Federal de Pernambuco. Resultados Componentes da Biodiversidade Vinte e seis (6) espécies de anfíbios, todas pertencentes à Ordem Anura, foram registradas em Gurjaú. Quatro famílias encontram-se representadas na Reserva, a saber: Bufonidae (04 espécies), Hylidae ( espécies), Leptodactylidae (09 espécies) e Ranidae (0 espécie) (Tabela I, Figura 4). 4% 5% Bufonidae 35% Hylidae Leptodactylidae Ranidae 46% Figura 4 - Representatividade das famílias de Anuros na Reserva de Gurjaú. A acumulação de registros de espécies não se deu de forma homogênea ao longo dos trabalhos de levantamento. Vinte anfíbios foram registrados durante a primeira metade dos trabalhos de campo (de Agosto a Novembro de 00), enquanto seis táxons adicionais foram registrados entre Dezembro de 00 e Abril de 003 (Figura 5) Ago. 3 Ago Ag. 8 o. 5 Set. 7 Set. 9 Ou t. Ou t O. 3 u t. N 6 ov D e z. D. 6 ez. 9 Jan. Jan J. 9 an. 3 Fev F. 8 ev. M 30 a M r. 0 ar. 7 Abr. Ab r. 0

10 Figura 5 - Total acumulado do número de espécies de anfíbios registradas na Reserva de Gurjaú entre os meses de Agosto de 00 e Abril de 003. Tabela 6 - Lista dos anfíbios anuros da Reserva de Gurjaú. Nomes populares, quando existentes, são fornecidos na coluna à direita. ORDEM ANURA Família Bufonidae Bufo crucifer Wied-Neuwied, 8 Bufo granulosus Spix, 84 Bufo jimi Stevaux, 00 Frostius pernambucensis (Bokermann, 96) Família Hylidae Hyla albomarginata Spix, 84 Hyla atlantica Caramaschi and Velosa, 996 Hyla branneri Cochran, 948 Hyla decipiens Lutz, 95 Hyla aff. nana Boulenger, 889 Hyla raniceps (Cope, 86) Hyla semilineata Spix, 84 Phyllodytes luteolus (Wied-Neuwied, 84) Phyllomedusa hypochondrialis (Daudin, 800) Scinax auratus (Wied-Neuwied, 8) Scinax nebulosus (Spix, 84) Scinax x-signatus (Spix, 84) Família Leptodactylidae Adenomera cf. marmorata Steindachner, 867 Eleutherodactylus sp. Leptodactylus labyrinthicus (Spix, 84) Leptodactylus natalensis Lutz, 930 Leptodactylus ocellatus (Linnaeus, 758) Leptodactylus troglodytes Lutz, 96 Physalaemus cuvieri Fitzinger, 86 Proceratophrys boiei (Wied-Neuwied, 84) Pseudopaludicola sp. Família Ranidae Rana palmipes Spix, 84 DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL sapo cururu cururuzinho sapo cururu grande, sapo boi perereca verde pererequinha amarela rã rã de listra sapinho amarelo perereca de banheiro, raspa côco sapinho da mata gia pimenta, rã pimenta, gia boi caçote marrom, caçote rã manteiga caçote da barreira sapinho do oi, foi-não-foi sapo boi, sapo de chifre caçote verde, caçote

11 Os anfíbios de Gurjaú diferiram no tocante à utilização do espaço físico da Reserva (Tabela 7). Tabela 7 - Sítios de encontro das espécies de anuros da Reserva de Gurjau. Espécie Adenomera cf. marmorata Bufo crucifer Bufo granulosus Bufo jmi Eleutherodactylus sp. Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla decipiens Hyla aff. nana Hyla raniceps Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactlys natalensis Leptodactylus ocellatus Leptodactlus troglodytes Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Proceratophrys boiei Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus Entorno da Represa X X X X X X X X X X X X X X X X Interior da Mata X X X X X X X X X X X X X X X X X X A maioria das espécies (58% do total) foi encontrada nas proximidades da água represada pelas barragens da COMPESA. São elas: Bufo jimi, Frostius pernambucensis, Hyla atlantica, H. albomarginata (Figura 6), H. branneri, H. decipiens, H. aff. nana, H. raniceps, Leptodactylus natalensis, L. ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis, Pseudopaludicola sp., Scinax auratus, S. nebulosus e S. x-signatus. A existência de discos adesivos nos dedos das espécies pertencentes à família Hylidae (H. atlantica, H. albomarginata, H. branneri, H. decipiens, H. aff. nana, H. raniceps, P. hypochondrialis, S. auratus, S. nebulosus e S. x-signatus) permitem às mesmas ocupar a vegetação semiaquática, arbustiva, ou arbórea junto à água. Já as espécies pertecentes às

12 famílias Bufonidae e Leptodactylidae (como B. jimi, L. natalensis, L. ocellatus e Pseudopaludicola sp., por exemplo), desprovidas de discos adesivos, se restringem ao chão das trilhas, matas, e áreas alagadas no entorno da represa. Figura 6 - Hyla albomarginata, Gurjau, janeiro de 003. Oito espécies (3% do total) foram registradas tanto nas imediações da represa, quanto no interior da mata. São elas: Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, B. granulosus, Eleutherodactylus sp., Hyla semilineata, Leptodactlys labyrinthicus, Physalaemus cuvieri e Rana palmipes. Dentre essas, Eleutherodactylus sp. e H. semilineata são capazes de utilizar a vegetação local como abrigo e área de vocalização. As demais se limitam a ocupar o chão da mata. Três espécies Leptodactylus troglodytes, Phylodytes luteolus e Proceratophrys boiei (Figura 7) foram registradas exclusivamente em áreas de mata. Novamente se observaram diferenças no tocante ao micro-habitat utilizado pelas espécies: enquanto P. luteolus foi capaz de utilizar a vegetação local como sítio de abrigo, os leptodactylideos L. troglodytes e P. boiei se restringiram ao chão da mata, tendo sido capturados em armadilhas do tipo pitfall.

13 Figura 7 - Proceratophrys boiei (Fotografia de S.A. Roda). SÍTIOS DE VOCALIZAÇÃO E SÍTIOS REPRODUTIVOS Através da observação de desovas, girinos, e atividades de vocalização, foi possível registrar os ambientes utilizados para fins reprodutivos por 8 das 6 espécies locais (Tabela 8). Oito espécies Hyla atlantica (Figura 7), H. albomarginata, H. semilineata, H. raniceps, Phyllomedusa hypochondrialis, Scinax auratus, S. nebulosus e S. x-signatus vocalizaram sobre vegetação arbustiva ou arbórea próxima à represa. Três espécies H. branneri, Hyla aff. nana (Figura 8) e Hyla decipiens vocalizaram unicamente sobre as gramíneas parcialmente submersas pela água da represa e/ou sobre a vegetação subaquática. Figura 8 - Hyla atlântica Gurjaú, janeiro de 003. No tocante às espécies de chão, quatro espécies Bufo jimi, Leptodactylus labyrinthicus, Pseudopaludicola sp. e Rana palmipes utilizaram as margens

14 da represa como sítio de vocalização. Pseudopaludicola sp. diferenciou-se das demais por vocalizar unicamente em áreas encharcadas e elameadas, geralmente por entre gramíneas parcialmente inundadas. Figura 9 - Hyla aff. nana Gurjaú, janeiro de 003. Hyla semilineata e Rana palmipes foram capazes de utilizar, como sítio de desova, a água corrente por entre as rochas abaixo da Barragem de Gurjaú. Pseudopaludicola sp. e Scinax x-signatus também utilizaram este ambiente como sítio de vocalização. Leptodactylus natalensis e Physalaemus cuvieri destacaram-se das demais espécies da Reserva por reproduzirem-se em poças temporárias, às vezes utilizando ambientes aquáticos de curta duração. Em várias ocasiões, indivíduos reprodutivamente ativos foram encontrados na água acumulada em depressões rasas formadas pelos pneus dos carros que circulavam nas trilhas A e B. As atividades de vocalização de Eleutherodactylus sp. Diferenciaram-se das demais por ocorrerem na borda e no interior da mata, muitas vezes em locais afastados da água. No tocante à utilização de diferentes tipos de corpos d água como sítio de reprodução, observamos que o entorno da represa foi a área em que se registrou o maior número de espécies com atividade de vocalização, desovas e/ou girinos (4 táxons). Todavia, poças temporárias e áreas de gramíneas inundadas não diferiram muito quanto ao número de anfíbios aí registrados, tendo sido utilizadas por e 0 espécies, respectivamente (Tabela 8). Tabela 8 - Sítios de vocalização, desova, e/ou desenvolvimento de girinos pelas espécies de anuros da Reserva de Gurjau. Espécie Represa Poças Temporárias Alagados Água Corrente Mata

15 Bufo jmi Eleutherodactylus sp. Hyla albomarginata Hyla atlantica Hyla branneri Hyla decipiens Hyla aff. nana Hyla raniceps Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactlys natalensis Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X TOLERÂNCIA À AÇÃO HUMANA As espécies de anuros da Reserva de Gurjaú diferiram no que diz respeito ao grau de tolerância a modificações ambientais causadas pelo Homem (Tabela 9). Indivíduos de Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, B. jimi, Eleutherodactylus sp., Hyla semilineata, Phyllodytes luteolus, Rana palmipes e Scinax x-signatus foram registrados em locais onde a vegetação local encontra-se em contato com, ou é parcialmente substituída por, áreas de cultivo e lavoura. Representantes de Bufo granulous, B. jimi, Leptodactlylus labyrinthicus e S. x-signatus foram encontrados em imediações de construções humanas, tal como a sede da COMPESA. Nenhuma das demais 6 espécies (i.e., 6% do total) foi registrada em áreas intensamente modificadas por ação humana. Tabela 9 - Ocorrência das espécies de anfíbios em ambientes modificados pelo Homem.

16 Espécies Adenomera cf. marmorata Bufo crucifer Bufo granulosus Bufo jmi Eleutherodactylus sp. Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla decipiens Hyla aff. nana Hyla raniceps Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactlys natalensis Leptodactylus ocellatus Leptodactlus troglodytes Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Proceratophrys boiei Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus Áreas de Cultivo e Lavoura X X X X X X - Imediações de Construções X X X - X X X DADOS QUANTITATIVOS Dezoito espécies foram registradas visualmente durante os levantamentos quantitativos: Bufo crucifer, B. granulosus, B. jimi, Eleutherodactylus sp., Frostius pernambucensis, Hyla albomarginata, H. atlantica, H. branneri, H. raniceps, H. semilineata, Leptodactylus labyrinthicus, L. natalensis, L. ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis, Physalaemus cuvieri, Rana palmipes, Scinax auratus e S. x-signatus. O número de indivíduos avistados variou entre táxons (Figura 9). Hyla semilineata e Rana palmipes foram as espécies registradas com mais freqüência, sendo encontradas em relativa abundância. Enquanto as observações de indivíduos de H. semilineata deram-se de forma homogênea ao longo dos trabalhos de campo, um maior número de indivíduos de R. palmipes foi registrado nos primeiros meses de amostragem do que nos meses seguintes.

17 Bufo jimi Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla raniceps 0 Ag A o. 07 go. 07 Se t. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov De. 7 z De. D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v 3 Ma. r. 30 Ma r. 3 Ma r. A 0 br. 6 Ab A r. br. 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 e S t. et. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. M 3 a r. 0 Abr. A 6 br Ab. r Ago A. 07 go. 07 Se t. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov D. 7 ez De. D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. M 3 a r. 0 Abr. A 6 br A. br. 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov D. 7 e z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. M 3 a r. 0 Abr. 6 Abr Ab. r. 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v 3 Ma. r. 30 Ma M r. 3 ar. 0 Abr. 6 Abr Ab. r. 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v 3 Ma. r. 30 Ma r. M 3 a r. 0 Abr. A 6 br A. br Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et Se. t. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. 3 Ma r. A 0 br. 6 Abr Ab. r. 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov D. 7 e z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. M 3 ar. A 0 br. A 6 br Ab. r. Bufo jimi, Eleutherodactylus sp. e Leptodactylus labyrinthicus apresentaram razoável número de registros visuais, sendo encontrados na maioria dos meses. Uma das noites de levantamento (7 de Dezembro) apresentou condições apropriadas à reprodução de B. jimi, acarretando em um grande número de encontros de indivíduos da espécie, todos em atividade reprodutiva. Bufo crucifer, Hyla albomarginata, H. atlantica, H. branneri, Leptodactylus natalensis e Physalaemus cuvieri foram avistados em menores números, porém ao menos em três ocasiões. Bufo granulosus, Frostius pernambucensis, Hyla raniceps, Leptodactylus ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis, Scinax auratus e S. x-signatus apresentaram as mais reduzidas taxas de encontros visuais, sendo avistadas uma ou duas vezes dentre as 0 noites de amostragem. Bufo crucifer Bufo granulosus Eleutherodactylus sp. Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla semilineata

18 Figura89 - Número de indivíduos de amostragem para cada espécie Leptodactylus labyrinthicus avistados por horas.homem 8 7 Leptodactylus natalensis 7 Metodologia 86 de anfíbio em trilhas da Reserva de Gurjaú (detalhes em ). 6 7 Scinax auratus Abr A. 0 br. 0 0 AAgog A.o 070 Agog. 7.o 07 SeSt. 0 e. t 5 7SS e. 5S te. t est.. 5 No et. NNv. 65 ovo v. DeN. 76 zo. v 7DD ee. DDz. z. eze FD. z. 9 eve.z 6 FeFv. e. 3 9FeFv v. 6F e.v e 8 Fv.. 33Ma ev. Fr. 30 8Ma ev Mr.. M 33 a ar r.. 300AM bra. r. 6 AM 3Abra. r. 0 Abrb. r. AMOSTRAGEM EM PITFALL Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et Se. t. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. 3 Ma r. A 0 br. A 6 br Ab. r Um pequeno número de indivíduos foi capturado em armadilhas do tipo pitfall 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et Se. t. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. M 3 a r. A 0 br. 6 Abr Ab. r Phyllomedusa hypochondrialis 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. 3 Ma r. A 0 br. A 6 br Ab. r. 8 (Tabela0). 7 Leptodactylus ocellatus Adenomera cf. marmorata Bufo crucifer Bufo granulosus Bufo jmi Eleutherodactylus sp. Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla decipiens Hyla aff. nana Hyla raniceps Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactlys natalensis Leptodactylus ocellatus Leptodactlus troglodytes Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Proceratophrys boiei Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et S. et. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. 3 Mar. A 0 br. 6 Abr A. br. Espécie de 00 a Número de Indivíduos Trilha I Número de Indivíduos Trilha J Scinax x-signatus 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et Se. t. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma M r. 3 ar. 0 Abr. A 6 br Ab. r. 0 Ago A. 07 go. 07 Set. S 5 et Se. t. 5 No N v. 6 ov De. 7 z. De D z. ez. F 9 ev. 6 Fev. 3 Fev Fe. 8 v. 3 Ma r. 30 Ma r. 3 Ma r. 0 Abr. A 6 br Ab. r. Rana palmipes Physalaemus cuvieri Número de indivíduos capturados em 30 armadilhas Tabela na Trilha I (Agosto Abril de de 00 a Abril de 003). 003) e em 9 armadilhas na Trilha J (Novembro 0 0

19 Dentre as 6 espécies registradas na Reserva, apenas nove (35% do número total) foram capturadas em pitfall. São elas: Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, B. granulosus, Eleutherodactylus sp., Hyla semilineata, Leptodactylus troglodytes, Physalaemus cuvieri, Proceratophrys boiei e Rana palmipes. O número de indivíduos coletados oscilou ligeiramente entre as espécies, pertencendo todos à mesma ordem de grandeza e variando entre e 6. DISCUSSÃO A Classe Amphibia é composta por três ordens: Anura (incluindo os sapos, rãs e pererecas), Caudata (salamandras) e Gymnophiona (cecílias) (Stebbins e Cohen 997). Os levantamentos da Reserva de Gurjaú registraram apenas a ocorrência de anuros. Tal ausência de representantes das ordens Caudata e Gymnophiona não surpreende. No que se refere à Ordem Caudata, apenas uma espécie ocorre no Brasil. Trata-se de Bolitoglossa altamazonica (Cope), cuja distribuição no território nacional é restrita à Amazônia (Frost 00). No que se refere à Ordem Gymnophiona, o número de representantes no país também é baixo quando comparado ao número de anuros (Duellman 999). Adicionalmente, o hábito fossorial das cecílias torna sua amostragem difícil. A maior parte dos registros para este grupo é feita graças a encontros casuais, geralmente após fortes chuvas (Heyer et al. 994). Dado que os trabalhos de levantamento biológico em Gurjaú foram executados em meses de pouca pluviosidade, não é de se estranhar a ausência de representantes dessa Ordem nas amostragens. No tocante aos anuros registrados em Gurjaú, nota-se a grande representatividade das Famílias Hylidae e Leptodactylidae as quais corresponderam, respectivamente, a 46% e 35% das espécies amostradas (Figura 4). Uma vez que essas constituem as famílias mais ricas em espécies na região Neotropical (Duellman e Trueb 994), não causa surpresa que o mesmo padrão seja observado a nível local. No que se refere a questões taxonômicas, anfíbios anuros de Gurjaú puderam ser identificados ao nível de espécie. Todavia, somente através de

20 uma ampla revisão das espécies brasileiras dos gêneros Adenomera, Eleutherodactylus e Pseudopaludicola, incluindo exemplares provenientes de outras regiões do país, será possível esclarecer a taxonomia dos exemplares de Adenomera cf. marmorata, Eleutherodactylus sp. e Pseudopaludicola sp. coletados na Reserva. Esses três gêneros de leptodactilídeos são notoriamente conhecidos por sua complexidade taxonômica e pelo número de questões ainda pendentes no que se refere à sua sistemática. Hyla aff. nana também merece especial atenção, podendo tratar-se de uma espécie ainda não descrita. De modo a confirmar a sua identificação, será necessário coletar uma série maior de exemplares em Gurjaú, comparando-a a espécimes de H. nana obtidos em diversas áreas do país e fora dele. Atualmente, H. nana é tida como espécie amplamente distribuída na América do Sul, existindo registros do Nordeste do Brasil ao Paraguai, incluindo o norte da Argentina, leste da Bolívia, Uruguai e Bacia do Prata (Frost 00). É provável que uma revisão desses exemplares revele que os mesmos representem um conjunto de espécies distintas, fazendo de H. nana um complexo de espécies. A anurofauna de Gurjaú contém elementos e representantes de diversos ecossistemas brasileiros. Onze espécies encontradas em Gurjaú (ou seja, 4% do total) são endêmicas da Mata Atlântica. Trata-se de Adenomera cf. marmorata, Bufo crucifer, Eleutherodactylus sp, Frostius pernambucensis, Hyla atlantica, H. branneri, H. decipiens, H. semilineata, Phyllodytes luteolus, Proceratophrys boiei e Scinax auratus. Cinco táxons ocorrem na Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga: Bufo jimi, Leptodactylus labyrinthicus, L. natalensis, L. troglodytes e Physalaemus cuvieri. Cinco espécies são encontradas na Mata Atlântica, Amazônia/Guianas, Cerrado e Caatinga: Bufo granulosus, Hyla raniceps, Leptodactylus ocellatus, Phyllomedusa hypochondrialis e Scinax x-signatus. Três espécies ocorrem na Mata Atlântica e Amazônia - Hyla albomarginata, Scinax nebulosus e Rana palmipes (Duellman 999). Nenhuma das espécies registradas até o momento encontrase na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, recentemente atualizada pelo Ministério do Meio Ambiente e disponível em seu website, /port/sbf/index.cfm. A ocorrência de Frostius pernambucensis na Reserva de Gurjaú merece destaque. Trata-se de uma espécie endêmica da Mata Atlântica Nordestina,

21 cuja distribuição conhecida limitava-se, até o momento, ao Horto Florestal Dois Irmãos (PE) e à Reserva de Murici (AL) (Bokermann 96, Peixoto e Freire 998). O registro de F. pernambucensis em Gurjaú amplia sua área de ocorrência dentro do Estado de Pernambuco, e faz da Reserva área prioritária para conservação da espécie. À excessão de Hyla aff. nana, todas as demais espécies de anuros encontradas em Gurjaú (Tabela 6) possuem registro de ocorrência em Pernambuco. Compilações recentes indicam que 65 espécies de anfíbios anuros encontram-se registradas para o Estado (dos Santos e Carnaval 00, O. L. Peixoto, comunicação pessoal). A anurofauna representada na Reserva de Gurjaú inclui 40% desse número. Táxons habitat-específicos, avistados em outras áreas de mata do Estado, não foram, até o momento, registrados em Gurjaú. É o caso, por exemplo, de Hylomantis granulosa (Cruz), espécie endêmica de Pernambuco e listada pelo Ministério do Meio Ambiente como criticamente em perigo, e Scinax gr. catharinae, registrada em Jaqueira. Fato semelhante ocorre com alguns táxons que utilizam bromeliáceas como abrigo ou sítio de reprodução, tal como Gastrotheca fissipes (Boulenger), registrada no Horto Dois Irmãos, Caetés e Jaqueira, e Scinax pachycrus (MirandaRibeiro), encontrada em Tapacurá, Jaqueira, Brejo dos Cavalos, e na Reserva Biológica de Serra Negra. Também não foram registradas em Gurjaú algumas espécies tolerantes a ambientes de borda de mata e áreas abertas, normalmente encontradas em diversas altitudes no Estado de Pernambuco. É o caso, por exemplo, de Hyla crepitans Wied-Neuwied, H. elegans WiedNeuwied, H. minuta Peters e Scinax eurydice (Bokermann) (dos Santos e Carnaval 00). A ausência de tais registros pode se dever ao fato da anurofauna de Gurjaú ainda estar subestimada. Apesar da curva de acumulação de espécies ter alcançado um platô, estabilizando-se ao fim dos trabalhos de campo (Figura 4), é importante ter em mente que o período do ano em que o presente levantamento foi efetuado não constitui o mais apropriado para amostragens de anfíbios. Anfíbios são facilmente observados durante sua época de reprodução, a qual, no Nordeste do Brasil, está intimamente relacionada ao período de chuvas (Arzabe 998). Uma vez que o presente levantamento iniciou-se ao fim da estação chuvosa, tendo que ser concluído antes do início

22 das fortes chuvas na região da Zona da Mata Sul de Pernambuco, é possível que o número real de espécies de anfíbios existentes na Reserva de Gurjaú exceda os 6 táxons registrados até o momento. Futuros trabalhos de campo na Reserva deverão contribuir com novos registros para a localidade. A ausência de determinadas espécies na Reserva pode estar também associada às características topográficas locais. Por estar localizada em área de mata de baixada e próxima ao mar, é natural que a anurofauna de Gurjaú apresente diferenças em relação às observadas nos brejos, florestas de altitude, e/ou áreas de caatinga do Estado de Pernambuco. Observações sobre os ambientes ocupados pelas diferentes espécies de anfíbios em Gurjaú mostraram que as mesmas são capazes de partilhar os sítios de abrigo e reprodução existente na Reserva através da utilização diferenciada dos vários micro-habitats disponíveis (Tabelas 3 e 4). O estabelecimento de mecanismos de partilha de recursos entre espécies de anfíbios através de diferenças temporais e espaciais no que se refere aos seus sítios de reprodução e vocalização, por exemplo é um tema amplamente reconhecido na literatura (Duellman e Trueb 994, Heyer et al. 994). Todavia, uma vez que a maioria das espécies de Gurjaú depende de corpos d água para se reproduzir, é importante ressaltar que a manutenção de poças permanentes, poças temporárias, alagados e riachos na mata é crucial à permanência das populações locais. Quatro espécies registradas na Reserva são reconhecidamente restritas a ambientes florestados. Trata-se de Adenomera cf. marmorata, Eleutherodactylus sp., Frostius pernambucensis e Proceratophrys boiei. Adenomera marmorata e espécies do gênero Eleutherodactylus depositam seus ovos no chão úmido da mata ao invés de utilizarem o meio aquático como sítio de desova e conseqüentemente dependem da existência de florestas úmidas (Lutz 949, Heyer 973). De modo a garantir a manutenção dessas populações em Gurjaú, é imprescindível proteger os remanescentes de Mata Atlântica incluída na área da Reserva, se possível reflorestando as áreas antropicamente impactadas que hoje existem na propriedade e conectando os fragmentos de mata ainda existentes. A baixa taxa de captura de indivíduos de P. boiei em armadilhas (Tabela 0) pode ser interpretada como um alerta para o perigo de extinção de algumas populações locais. Ademais, as observações de campo sugerem que apenas uma pequena parte do conjunto das espécies

23 locais é capaz de ocupar as áreas da Reserva mais intensamente alteradas pelo Homem, tais como zonas de cultivo, lavoura, e habitações. Duas espécies registradas em Gurjaú são reconhecidamente associadas à bromélias, utilizando-as como sítio de abrigo e/ou reprodução. Trata-se de Phyllodytes luteolus e Frostius pernambucensis (Peixoto 995, Peixoto e Freire 998). Uma vez que bromeliáceas consistem em grande foco de atenção por sua exploração comercial e uso ornamental, é importante que se estabeleça um mecanismo de fiscalização sobre a retirada dessas plantas na área da Reserva. No que se refere às freqüências de encontro de anuros em Gurjaú (Figura 9), o fato de algumas espécies terem sido registradas uma única vez não deve ser visto como alarmante. Em verdade, é extremamente difícil avaliar o tamanho de uma população de anfíbios sem se amostrar uma imensa quantidade de dias. Como exemplo, podemos citar o caso das espécies com reprodução explosiva, cujos machos e fêmeas vêm à água para se reproduzir durante poucas noites ao ano, escondendo-se sob folhas, em troncos de árvores, ou permanecendo enterrados pelo restante do tempo (Duellman e Trueb 994). Todavia, foi surpreendente, em Gurjaú, a baixa taxa de encontros de espécimens de Hyla raniceps, espécie geralmente abundante em ambientes de borda de mata e áreas abertas no Nordeste do Brasil (dos Santos e Carnaval 00, Frost 00). Resultados obtidos com armadilhas do tipo pitfall (Tabela 0) foram consistentes com as informações geradas por busca ativa. Representantes das famílias Bufonidae, Hylidae, Leptodactylidae e Ranidae foram registrados através da técnica. É interessante observar que uma espécie da família Hylidae (a saber, Hyla semilineata) tenha sido amostrada nos pitfalls. Representantes dessa família possuem discos adesivos nas pontas dos dedos dos pés e das mãos, permitindo-lhes escalar os tubos de PVC que compõem as armadilhas, e assim escapar com relativa facilidade. Os repetidos encontros de indivíduos de H. semilineata no interior dos tubos de PVC dos pitfalls sugerem que a espécie esteja utilizando-os como local de abrigo. CONCLUSÕES

24 Dado o presente estado de conservação da Floresta Atlântica Nordestina, é essencial o estabelecimento de reservas e áreas de proteção ambiental que efetivamente protejam e restaurem o ambiente natural outrora presente nesta região. Neste contexto, a Reserva de Gurjaú tem condições de exercer um importante papel na conservação dos recursos florestais brasileiros. Com vistas à manutenção das populações naturais ainda existentes na Reserva, é imprescindível que se restaurem os ambientes florestados aí existentes. Futuramente, é desejável que se promovam corredores de mata para comunicação entre a Reserva e outros remanescentes da Zona da Mata Sul de Pernambuco. Vinte e seis espécies de anfíbios anuros foram registradas na área da Reserva, das quais onze são endêmicas da Mata Atlântica. A ocorrência de Frostius pernambucensis faz de Gurjáu a terceira área para a qual essa espécie, endêmica da Mata Atlântica Nordestina, é conhecida. No que se refere especificamente à comunidade de anfíbios de Gurjaú, é importante não somente preservar e conectar os remanescentes de mata ainda existentes na área da Reserva, mas também garantir a manutenção de diferentes sistemas de água doce como forma de se maximizar a gama de sítios reprodutivos disponíveis às espécies. Adicionalmente, a fiscalização sobre retirada de bromélias é crucial para manutenção de algumas populações locais. AGRADECIMENTOS Dr. Sergio P. C. Silva, Dr. Oswaldo L. Peixoto, Dr. Ulisses Caramaschi, Dr. José Pombal Jr. e Ednilza M. Santos permitiram o acesso às coleções herpetológicas ZUFRJ, EI-UFRRJ, MNRJ, e Coleção Herpetológica-UFPE para fins de comparação de material, auxiliando na identificação de alguns exemplares. Joca e Bibiu auxiliaram nos trabalhos de campo. ANEXO I

25 Resultado dos levantamentos da anurofauna de Gurjaú obtidos via busca ativa Data Trilha * Horário Homens.hora Adenomera cf. marmorata Bufo crucifer Bufo granulosus Bufo jimi Eleutherodactylus sp. Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla decipiens Hyla raniceps Hyla aff. nana Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactylus natalensis Leptodactylus ocellatus Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus 0 Ago. A N 6 Data Trilha * Horário Homens.hora Adenomera cf. marmorata Bufo crucifer Bufo granulosus Bufo jimi Eleutherodactylus sp. Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla decipiens Hyla raniceps Hyla aff. nana Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactylus natalensis Leptodactylus ocellatus Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus Out. Out. Nov. 3 Nov. 5 Nov. 6 Dez. 7 Dez. Dez. G G A, B, I C G H J C, D, E N N N N N N N N Ago. 30 B N 4 Ago. 3 C N 4 Ago. 07 Set 08 Set 4 Set 5 Set 7 Out. 7 Out. 8 Out. 8 Out. 9 Out. 9Out. 9 Out. 9 Out. 0 Out. 0 Out. D E F G H A C H I K J J A G C N N N N N N N D N D N N N D N ,5 0,5 6 0,5,5 6 3,5 4, Dez. 6 Jan. 6 Jan. 7 Jan. 8 Jan. 8 C C A H, B,A J D N N N n Jan. 8. Jan.8 J A N N 7 Jan. 8 Jan. 9 Jan. C H,B,A C N D D girinos girinos girinos 7 girinos

26 Data Trilha * Horário Homens.hora Adenomera cf. marmorata Bufo crucifer Bufo granulosus Bufo jimi Eleutherodactylus sp. Frostius pernambucensis Hyla atlantica Hyla albomarginata Hyla branneri Hyla decipiens Hyla raniceps Hyla aff. nana Hyla semilineata Leptodactylus labyrinthicus Leptodactylus natalensis Leptodactylus ocellatus Phyllodytes luteolus Phyllomedusa hypochondrialis Physalaemus cuvieri Pseudopaludicola sp. Rana palmipes Scinax auratus Scinax nebulosus Scinax x-signatus 9 Jan. 9 Jan. 0 Jan. 0 Jan. I A G G N N N N 3 4 Jan. Fev. 9 Fev. 9 Fev. 6 Fev. 3 Fev. 8 Mar. 3 Mar. 30 Mar. 30 Mar. 3 Abr. 0 Abr. 6 Abr. 7 Abr. F A G G A,B C,D J A G G J B, I D,E C D girinos Levantamento de Répteis Introdução Dentre as espécies de vertebrados, existem no mundo 7866 espécies de répteis assim distribuídas: 4470 lacertílios (57%), 90 serpentes (37%), 9 quelônios (4%), 56 anfisbenídeos (%), 3 crocodilianos (0,3%) e tuataras (0,05%) (Uetz 000). De todos os representantes vertebrados da fauna brasileira, o répteis são os menos estudados, principalmente no litoral da região Nordeste (Morais e Morais 987; Borges 99). Os poucos trabalhos existentes consideram, basicamente, descrições de espécies e algumas poucas informações de sua biologia, havendo por isso muita carência de dados para realização de estudos mais aprofundados. Em Pernambuco, o conhecimento desse grupo animal está restrito a poucas informações sobre algumas espécies de diferentes regiões do estado, principalmente, da caatinga (Ramos 94; Cordeiro e Hoge 973; Vanzolini et al. 980; Morais e Morais 987; Silva 00). Nas décadas passadas, muitos trabalhos demográficos foram realizados com répteis, embora quase que sua totalidade realizada na América do Norte e África (Pianka 967; Pianka 973; Huey e Pianka 977). No Brasil, são poucos os estudos que enfocam os répteis em áreas de grande empreendimento e que supostamente sofrem forte influência da ação 4

27 antrópica. Apenas recentemente tenta-se fazer tais estudos, entretanto, quase todos realizados nas regiões central e sudeste (Pinto 999; Sluys 000). A tentativa de monitorar populações oferece a oportunidade de estimar seus tamanhos e a distribuição de seus representantes no ambiente. Com essas informações pode-se, com maior precisão, fazer afirmações quanto ao seu nível atual de conservação. O presente estudo tem como objetivo disponibilizar uma listagem das espécies de répteis encontradas na Reserva Ecológica de Gurjaú, determinar os níveis de conservação e oferecer informações que subsidiem um plano de manejo sustentável considerando as atividades realizadas na estação de tratamento de água e as populações humanas residentes na área. METODOLOGIA Área de Estudo A área de estudo está contida na Reserva Ecológica de Gurjaú, município do Cabo de Santo Agostinho (34o W; 8o 30 S). A temperatura e a pluviosidade para o município apresentam valores anuais médios, respectivamente, de 5o C e 80 mm, enquanto a altitude varia de 30 a 50 m. A reserva possui 600 ha, divididos em 5 matas, além de três rios e três represas utilizadas no abastecimento de grande parte do Recife. Foram escolhidos os maiores fragmentos de Mata para o estudo: Mata Secupema e Mata Cuxio, cujas dimensões são, aproximada e respectivamente,,0 km x 0,8 km e 0,8 km x 0,6 km. COLETA DE DADOS As atividades de campo foram realizadas no período de agosto de 00 a maio de 003. A metodologia utilizada para avaliar a biodiversidade de répteis consistiu no uso de três técnicas: procura ativa, uso de armadilhas de interceptação e queda (pit-fall) segundo a técnica de Gibbons e Semlitsch (98) e captura por terceiros. A técnica de procura ativa consistiu na realização de caminhadas lentas, em diferentes horários, desde o amanhecer até à noite, em abrigos que os lagartos e serpentes poderiam usar como refúgio. A procura de quelônios foi realizada, durante o período diurno, em trilhas e poças temporárias. A procura de crocodilianos foi realizada com embarcação, à noite, com a utilização de lanternas e laços de captura apropriados.

28 Foram instaladas 40 armadilhas de interceptação e queda, formadas por quatro recipientes (canos de PVC) com 0,4 m de profundidade por 0,5 m de largura, enterrados até a borda do solo e interligados por cercas-guia (drift-fences) de lona plástica de 5 m de comprimento por 0,4 m de altura, formando um Y (Figuras 0 e ). Lona plástica com 5 m de comprimento 0,4 m 0,4 m B C M 0,5 m m A Figura 0: Esquema gráfico da armadilha de interceptação e queda. As letras A, B, C e M representam os recipientes enterrados até a margem superior do solo.

29 Figura - Armadilha de interceptação e queda utilizada no levantamento dos répteis da Reserva Ecológica de Gurjaú, no período de agosto de 00 a maio de 003. (Foto: Maria Eduarda Larrázabal, 00). As armadilhas foram instaladas a cada 5 m, ao longo de um transecto de 775m na Mata Secupema (30 armadilhas) e em um transecto de 50 m na Mata Cuxio (0 armadilhas) (Figura ).

30 Figura - Área de instalação das armadilhas de queda para levantamento dos répteis da Reserva Ecológica de Gurjaú. (Fonte: FIDEM, 987). Embora a captura por terceiros não tenha sido incentivada, alguns exemplares mortos foram obtidos por doação da comunidade local. Esse material foi preservado em formol 0% até o momento da identificação e tombado na Coleção Didática de Répteis da Universidade Federal de Pernambuco. A maioria dos répteis foi capturada, identificada e devolvida ao mesmo local da captura. Alguns animais foram levados ao Laboratório de Animais Peçonhentos e Toxinas da UFPE para identificação ao nível de espécie, sendo posteriormente soltos no mesmo ponto de captura. Alguns lagartos foram fotografados e as fotos enviadas para o Dr. Miguel Trefault Rodrigues, Diretor do Museu de Zoologia da USP, que gentilmente procedeu à identificação.

31 ESFORÇO DE CAPTURA A equipe empreendeu, aproximadamente, 75 horas para instalação das armadilhas e 40 horas para coleta dos animais. A instalação das armadilhas foi realizada utilizando períodos contínuos de quatro dias ao mês, com exceção do mês de agosto de 00 quando foram utilizados oito dias. A verificação das armadilhas e a procura ativa dos répteis foram realizadas a cada três dias no período de setembro de 00 a maio de 003. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram capturados e avistados um total de 46 espécimes de répteis (0 capturas e 6 avistamentos), sendo a maioria da subordem Sauria (8 spp., 75 capturas e 6 avistamentos), seguido de Serpentes (4 spp., 40 capturas e avistamentos), Crocodylia (4 spp., 5 capturas e 9 avistamentos) e Quelonia (0 spp., capturas e 8 avistamentos) (Figura 3). Crocodilianos 5,7% Quelônios 4,0% Serpentes 7,0% Lagartos 73,3% Figura 3 - Distribuição proporcional entre número de capturas e avistamentos de répteis na Reserva de Gurjaú, de Agosto de 00 a Maio de 003. O número de capturas e avistamentos de serpentes e lagartos variaram significativamente nos meses estudados. As serpentes foram mais abundantes nos períodos de agosto a outubro de 00 e abril a maio de

32 003, enquanto os lagartos foram mais abundantes exatamente no período complementar a estes meses: novembro de 00 a abril de 003. Os quelônios foram avistados durante todo período de estudo e os crocodilianos a partir de outubro de 003 (Figura4). Lagartos Serpentes Crocodilianos Quelônios ai /0 3 m r/ 03 ab 03 m ar / fe v/ 03 /0 3 ja n ez /0 d /0 ov n ut /0 o 0 se t/ ag o /0 0 Figura 4 - Distribuição mensal de capturas e/ou avistamentos dos grupos de répteis na Reserva de Gurjaú, de Agosto de 00 a Maio de 003. As barras representam o número de animais coletados e avistados. Dentre os répteis capturados e avistados, os lacertílios foram os mais abundantes. A espécies Kentropyx calcarata (Figura 5) foi capturada 60 vezes nas armadilhas de interceptação e queda durante o período de estudo, seguida de Anotosaura sp n. (39) e Mabuya heathi (), porém a maioria dos animais apresentou um número reduzido de capturas e avistamentos (Figura 6).

33 Figura 5 - Kentropyx calcarata (calango) capturado na Mata do Secupema, na Reserva de Gurjaú (Fotografia Maria Eduarda Larrázabal, 00) A. punctatus Lagartos Quelônios P.geoffranus Serpentes Typhops sp na A K.c al c to ar M. n sa ata u ig ro r a pu sp nc C.l at tat a ir E. oss c a t is t S. e na tu to s r A qu. p at u u s P. nct ge at o f us Ty fr a ph nu op s T. s s p te gu. ix A. a im m e G. d iva ar E. wii c e ni nc hr I. c en ia O.t r i cho ge m a in us 0

34 Figura 6 - Número de capturas e avistamentos das espécies de répteis mais abundantes da Reserva de Gurjaú, durante o período de agosto de 00 a maio de 003. Dentre todas as serpentes capturadas, a serpente fossorial Typhops sp. foi encontrada em maior número (Figura 7). Com certeza esse resultado não reflete a abundância relativa dessa espécie, provavelmente, deve-se ao tipo de armadilha utilizada, que privilegia a captura de animais terrícolas e fossoriais. O encontro dessa serpente foi fortemente relacionado com o aumento da pluviosidade. Esse comportamento também foi encontrado na distribuição relativa de serpentes da Amazônia. Figura 7 - Typhops sp capturada na Mata do Sucupema, na Reserva de Gurjaú (Fotografia Maria Eduarda Larrázabal, 00). A única espécie de quelônio identificada na Reserva de Gurjaú, Phrynops geoffroanus, pertence à família Chelidae (Figura 8, Tabela ). Essa espécie já havia sido descrita para o estado de Pernambuco, sendo também encontrada na caatinga (Vanzolini et al 980; Rodrigues 000).

35 A B Figura 8 - Vista dorsal (A) e ventral (B) de Phrynops geoffroanus (cágado de barbicha) capturado na Mata do Secupema, na Reserva de Gurjaú. (Foto: Cláudio Cazal, 003). Iguanidae 7% Gymnophtalmi dae 7% Scincidae 4% Polychrotidae 4% Teiidae % Tropiduridae 4% Gekkonidae % Figura 9 - Representatividade das famílias de Lagartos na Reserva de Gurjaú, durante o período de agosto de 00 a maio de 003. Os lagartos foram distribuídos em 5 espécies e sete famílias, que não variaram significativamente em representatividade: Polychrotidae (03 sp.), Gekkonidae (03 sp), Teiidae (03 sp), Tropiduridae ( sp.), Scincidae (0 sp) e Gymnophaltidae (0 sp) (Figura 9, Tabela I.). Esse resultado apresenta certa discrepância com o padrão esperado (em que as famílias Teiidae, Iguanidae e Gekkonidae, seriam as mais abundantes em termos de espécies capturadas). As serpentes representaram o maior número de espécies encontradas (5 espécies), distribuídas em apenas quatro famílias, apresentando significativa representatividade na família Colubridae (8 sp), e menor número de espécies nas famílias Boidae (03 sp),

36 Viperidae (0 sp) e Typhlopidae (0 sp) (Figura 0, Tabela ). Esse resultado está compatível com o esperado, uma vez que a família Colubridae compreende 63% das espécies de serpentes conhecidas (Uetz 000). Vipe ridae 8% Boidae % Typhlopidae 8% Colubridae 7% Figura 0 - Representatividade das famílias de Serpentes na Reserva de Gurjaú, durante o período de agosto de 00 a maio de 003. Apenas uma espécie de crocodiliano, pertencente à família Alligatoridae foi registrada na Reserva de Gurjaú (Figura, Tabela ). Figura. Caiman latirostris (jacaré-do-papo-amarelo) capturado na Barragem, na Reserva de Gurjaú. (Fotografia Cláudio Cazal, 00).

37 Tabela - Lista de espécies identificadas na Reserva de Gurjaú Classificação ORDEM TESTUDINATA Nomenclatura científica Espécie Nome popular Phrynops geoffroanus Schweigger, 8 Cágado de barbicha Iguana iguana Linnaeus, 748 Camaleão Strobilurus torquatus Wiegmann, Lagartixa Tropidurus hispidus Spix 85 Lagartixa Anolis punctatus Daudin, 80 Enyalius catenatus Wied 8 Polychrus acutirostris Spix, 85 Coleodactylus meridionalis SUBORDEM PLEUDIRA FAMÍLIA CHELIDAE ORDEM SQUAMATA SUBORDEM SAURIA FAMÍLIA IGUANIDAE FAMÍLIA 3 TROPIDURIDAE FAMÍLIA POLYCHROTIDAE FAMÍLIA GEKKONIDAE FAMÍLIA TEIIDAE Boulenger Gymnodactylus darwinii Gray Hemidactylus mabouia Moreau de Jones 88 Ameiva ameiva Linnaeus, 758 Kentropyx calcarata Spix, 85 3 Tupinambis teguixim Linnaeus, 758 FAMÍLIA GYMNOPHTALMIDAE FAMÍLIA SCINCIDAE Anotosaura spn. 5 Mabuya macrorhyncha Hoge, Mabuya heathi Spix, 85 Papa-vento Papa-vento Camaleão Víbora Calango Calango Teju

38 Tabela - Continuação da lista de espécies identificadas na Reserva de Gurjaú. Classificação Nomenclatura científica - Espécie Nome popular Typhlops sp Typhlops sp Boa constrictor Linnaeus, 758 Corallus hortulanus Linnaeus, 758 Epicrates cenchria Linnaeus, 758 Cobra cega Cobra cega Jibóia Apostolepis sp.cope 86 Atractus potschi Fernandes 995 Clelia clelia Daudin, 803 Clelia plumbea Wield, 80 Dendrophidion dendrophis Schlegel, 837 Drymarchon corais Boie 87 Helicops leopardinus Schlegel, 837 Imantodes cenchoa Linnaeus, 758 Leptodeira annulata Linnaeus, 758 Liophis cobellus Linnaeus 758 Oxybelys aeneus Wagler, 84 Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron e Duméril, 854 Oxyrhopus petola Linnaeus, 758 Philodryas olfersii Lichternstein, 83 Pseudoboa nigra Duméril, Bibron e Duméril, 854 Siphlophis compressus Daudin 803 Spilotes pullatus Linnaeus, 748 Linnaeus, 748 SUBORDEM SERPENTES FAMÍLIA TYPHLOPIDAE FAMÍLIA BOIDAE FAMÍLIA COLUBRIDAE FAMÍLIA VIPERIDAE 40 4 Cobra siri-de-fogo Mussurana Cobra-d água Dormideira Jararaquinha Cobra-cipó Falsa-coral Falsa-coral Cobra-verde Mussurana Caninana Bothrops sp. Crotalus durissus cascavella Wagler, 84 Jararaca Cascavel Caiman latirostris Daudin 80 Jacaré-do-papoamarelo ORDEM CROCODYLIA FAMÍLIA ALLIGATORIDAE 4 Vinte espécies de serpentes foram identificadas através da captura dos animais e duas através de avistamento (Spilottes pulatus e Drymarchon

39 corais). A última foi avistada junto da lona de uma das armadilhas na Mata desecupema o que permitiu a estimativa de seu comprimento (,6m), apresentando cor negra uniforme e comportamento agressivo característico dessa espécie, ao avistar a equipe (levantou a região anterior do corpo, inflando a região gular avermelhada) (Coborn 99; Wolfgang Wüster, comunicação pessoal). A maioria das espécies de serpentes encontradas na reserva de Gurjaú foi encontrada em ambientes alterados como Liophis cobella (Martins 994) ou tolerantes a ambientes abertos (campos ou caatinga) e fechados (matas) tais como Boa constrictor, Clélia clelia, Corallus hortulanus, Crotalus durisus cascavella, Epicrates cenchria, Dendrophidion dendrophis, Helicops leopardinus, Leptodeira annulata, Oxybelis aeneus,oxyrhopus trigeminus, Philodryas olfersii, Psedoboa nigra, Spilotes pullatus e Crotalus durissus cascavella (Vanzolini 948; Cordeiro e Hoge 973; Rodrigues 986; Nascimento et al 987; Cunha e Nascimento 993; Martins 994; Rodrigues 000; Marques 00; Silva 00; Pinho 00). O que sugere que as Matas estudadas na Reserva de Gurjaú, escolhidas por estarem em melhor estado de conservação, apresentam áreas abertas, que possibilitam a presença de animais não exclusivos às regiões de Mata Atlântica. Da mesma forma, algumas espécies de lagartos estão relacionadas a áreas mais ensolaradas, sendo facilmente encontradas tanto em borda quanto no interior das matas, estando associadas a grandes clareiras no interior destas (Pough et al 998; Zug et al 00). Na reserva de Gurjaú foram relatados Ameiva ameiva, Kentropyx calcarata, Tropidurus hispidus, Tupinambis teguixin e Mabuya heathi, espécies que apresentam pouca exigência quanto ao nível de preservação de áreas florestais. A espécie Strobilurus torquatus destaca-se por ser um lagarto heliófilo relativamente raro, encontrado no solo somente em áreas degradadas, pois originalmente preferem copas de grandes árvores (Rodrigues et al. 989). Por outro lado, Gymnodactylus darwinii e Anotosaura sp. n. são espécies fortemente associadas a áreas sombreadas e folhiço de mata representadas em fragmentos bem preservados. Espécies como Anolis puncatatus, Enyalius catenatus e Polychrus acutirostris apresentaram baixo nível de captura, provavelmente devido à natureza arborícola dessas espécies (Zamprogno et al 00). Com relação à distribuição geográfica, apenas duas espécies de serpentes são exclusivas de Mata Atlântica (Clelia plumbea e Siphophis compressus) (Nascimento et al 987;

40 Marques 00), cinco espécies são encontradas na Mata Atlântica e na Amazônia (Atractus potschi, Dendrophidion dendrophis, Imantodes cenchoa, Liophis cobellus e Oxyrhopus petolai) (Cordeiro e Hoge 973; Vanzolini 986; Nascimento et al 987; Nascimento e Lima Verde 989; Cunha e Nascimento 993; Martins 994; Marques 00), quatro espécies são encontradas na caatinga e Mata Atlântica (Corallus hortulanus, Helicops leopardinus, Pseudoboa nigra e Crotalus durissus cascavella) (Cordeiro e Hoge 973; Rodrigues 000; Silva 00; Pinho 00) e oito espécies são encontradas na caatinga, Amazônia e Mata Atlântica (Boa constrictor, Epicrates cenchria, Clelia clelia, Leptodeira annulata, Oxybelys aeneus, Oxyrhopus trigeminus, Philodryas olfersii e Spilotes pullatus) (Vanzolini 948; Cordeiro e Hoge 973; Vanzolini 986; Nascimento et al 987; Nascimento e Lima Verde 989; Cunha e Nascimento 993; Martins 994; Rodrigues 000; Silva 00; Marques 00). Embora não tenham sido registrados endemismos dentre as 5 espécies de serpentes amostradas em Gurjaú, sete representam novas descrições para o estado de Pernambuco (Corallus hortulannus, Atractus potschi, Clelia plumbea, Dendrophidion dendrophis, Drymarchon corais, Imantodes cenchoa e Oxyrhopus petola). Portanto, dentre as 57 espécies de serpentes registradas para o Estado de Pernambuco, incluindo-se as sete espécies identificadas nesse estudo, a fauna herpetológica da Reserva de Gurjaú inclui 43,86% do total de espécies do estado de Pernambuco (Cordeiro e Hoge, 973; Silva 00; Pinto 00). Dentre as 5 espécies de lagartos capturadas em Gurjaú, quatro espécies (Enyalius catenatus, Gymnodactylus darwinii, Strobilurus torquatus e Anotosaura sp.n.) são endêmicas de Mata Atlântica, apresentando raríssimos relatos em outros ambientes. Anotosaura sp. n. é uma espécie ainda não descrita, capturada apenas na Paraíba, portanto, constitui o primeiro relato para Pernambuco (Rodrigues 990). As demais espécies são também encontradas em outros biomas: cinco espécies são encontradas na caatinga, cerrado, Amazônia e Mata Atlântica (Ameiva ameiva, Hemidactylus mabouia, Mabuya heathi, Mabuya macrorhyncha, Tropidurus hispidus) (Vanzolini 97, 974, 976, Vanzolini et al 980, Rodrigues 987, 990 e 000), duas espécies em caatinga, Amazônia e Mata Atlântica (Iguana iguana, Tupinambis teguixin) (Cunha 96; Vanzolini 97, 974, 976; Vanzolini et al 980; Cunha 98; Rodrigues 987, 990; Silva Jr e Site Jr 995; Rodrigues 000), uma espécie em caatinga, cerrado e Mata Atlântica (Polychrus acutirostris) (Vanzolini 97, 974,

41 976, Vanzolini et al 980, Rodrigues 987, 990; Vitt 99, Araujo e Colli 998; Rodrigues 000) e uma espécie em caatinga e Mata Atlântica (Coleodactylus meridionalis) (Vanzolini 97, 974, 976; Vanzolini et al 980; Rodrigues 987, 990 e 000). Embora tenhamos que considerar o vício de amostragem devido ao uso de armadilhas de interceptação e queda, a grande maioria das serpentes identificadas foi terrícola e fossorial ( espécies terrícolas e fossoriais e três arborícolas e subarborícolas), o que indica que um percentual alto da ofiofauna tem condições mínimas de nicho estrutural para resistir a perturbações na floresta (Vanzolini 986). As armadilhas utilizadas oferecem grande sucesso de captura para quase todos os tipos de lagartos encontrados na reserva, com exceção dos grandes lagartos (Tupinambis teguixin) e aqueles com hábitos extremamente arborícolas (Iguana iguana, Anoles puincatatus e Polychrus acutirostris) ou fortemente associados a outros habitats/microhabitats. A curva de espécies, representando o total acumulado de táxons durante o período de estudo, sugere que não tenha sido alcançado o plateau de saturação de espécies para serpentes. Por outro lado, os demais grupos foram eficientemente amostrados (Figura ). 5 Serpentes Lagartos Quelônios Crocodilianos AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR MAI Figura - Curva de acumulação de espécies de serpentes e lagartos na Reserva de Gurjaú, com base em resultados de busca ativa, captura em armadilhas de interceptação e queda e captura por terceiros, entre os meses de agosto de 00 e maio de 003.

42 CONCLUSÕES Os resultados obtidos sugerem que os fragmentos avaliados na Reserva de Gurjaú apresentam relevante diversidade de répteis principalmente de serpentes e lagartos, que apresentam oito novos registros para o estado de Pernambuco, quatro espécies endêmicas e uma rara. Por outro lado, os mesmos fragmentos estão submetidos a forte impacto pela ação antrópica. Esta pode ser comprovada pela presença de várias espécies adaptáveis a ambientes degradados, pelo pequeno número de animais registrados de cada espécie, bem como pela constante destruição de armadilhas durante o estudo e pela presença de trilhas, armadilhas de caçadores e cães domésticos no interior das matas examinadas. Cabe ressaltar que se faz necessário um trabalho intenso de educação ambiental, uma vez que as serpentes são consideradas animais perigosos e por isso são sacrificadas indiscriminadamente pela população humana local, apesar de apenas duas espécies dentre as registradas oferecerem risco. Além dessa atividade predatória, os lagartos Iguana iguana e Tupinambis teguixin, o quelônio Phrynops geoffroanus e o crocodiliano Caiman latirostris são espécies de potencial sinergético, sendo consumidas de forma não sustentável pela população humana local. Diante do exposto, sugere-se que há forte necessidade de execução de medidas mitigadoras dos impactos ambientais para manutenção e recuperação da importante fauna herpetológica evidenciada na Reserva. Deve-se lembrar que quanto maior a área protegida, tanto maior será a diversidade e a resistência dos animais ao desgaste causado pela proximidade e inserção das populações humanas (Vanzolini 986). Com certeza, medidas que visem reconstituir os fragmentos originais trarão grandes benefícios para fauna de répteis, tão significante e ainda tão pouco conhecida, da Reserva Ecológica de Gurjaú Levantamento de Aves Introdução

43 A Mata Atlântica é considerada o bioma de maior diversidade biológica do planeta, no entanto, é pouco conservada. Segundo Almeida (000), baseado nos níveis atuais de degradação, esta floresta encontra-se com a biodiversidade comprometida, onde muitas espécies já foram extintas, sem mesmo serem descritas. A Floresta Atlântica colabora de forma expressiva para que o Brasil seja considerado o país da megabiodiversidade, possuindo um alto nível de endemismo em todos os grupos taxonômicos, incluindo aves, primatas, borboletas e plantas (Aleixo 997, Silva e Tabarelli 000). É considerada, pela UNESCO, Reserva da Biosfera, sendo uma das três maiores prioridades de conservação do mundo (Consórcio Mata Atlântica UNICAMP, 99; Meyrs et al. 000) Dos 36,8% de área original da Floresta Atlântica Nordestina, restam apenas cerca de 3% (Willis e Oniki 99). Para o estado de Pernambuco esta área apresentava 34,4% do original, restando atualmente 4,6% (Gonzaga de Campos 9, SNE 994). Segundo Sick (997), o Brasil possui 677 espécies de aves, entre residentes e visitantes, das quais são endêmicas e de distribuição restrita nos limites da Mata Atlântica. As observações realizadas sobre aves em Pernambuco ocorreram principalmente na mata Atlântica (Forbes 88, Pinto 940, Berla 946, Coelho 979, Azevedo Júnior 990 e Azevedo Júnior et al. 998, Telino Júnior et al. 000). Segundo Roda (00), foram registradas 498 espécies de aves para Pernambuco, das quais 46 estão listadas como ameaçadas (IBAMA 003). A avifauna pode funcionar como bioindicadora das condições ambientais constituindo um dos grupos que melhor responde a impactos causados ao meio ambiente, uma vez que desaparecem rapidamente quando este é alterado, atingindo níveis insuportáveis (Regalado e Silva 997). O levantamento avifaunístico contribui não só para a caracterização de um ambiente, como também para um melhor conhecimento da distribuição geográfica das espécies, além de funcionar como subsídios para trabalhos de monitoramento e manejo (Almeida 000, Regalado et al. 000). Dessa forma, fornece dados relevantes para a conservação da diversidade biológica, extremamente ameaçada no Brasil.

44 A conservação consiste em uma premissa básica para a manutenção da biodiversidade. Dentre os diversos fatores que acarretam na perda da diversidade biológica, destaca-se a redução das áreas naturais e a caça de comercialização, sobretudo nas proximidades dos centros urbanos (Azevedo Júnior et al. 998). Desta forma, pretende-se com este estudo conhecer a composição avifaunística da Reserva Ecológica de Gurjaú, bem como fornecer subsídios para projetos conservacionistas, principalmente no que tange ao manejo sustentado da Unidade. MATERIAL E MÉTODOS Área de Estudo Inserida em uma única propriedade, pertencente à Companhia Pernambucana de Abastecimento de Água (COMPESA), onde existe uma Estação de Tratamento de Água (ETA), a Reserva de Gurjaú possui uma área de.077,0 ha definida pela Lei Estadual Nº de 987. Apresenta-se como uma área típica de uma mata, ainda bem conservada, com vegetação de grande porte associada à vegetação de médio e pequeno porte. O local encontra-se bastante ameaçado, não só em decorrência da exploração canavieira, como do uso indiscriminado pelos posseiros para pecuária, fruticulltura e agricultura de subsistência. O trabalho foi realizado nas matas do Mané do Doce, Cuxio e de Secupema. MÉTODOS DE AMOSTRAGEM DA AVIFAUNA Amostragem Quantitativa. O levantamento quantitativo foi realizado no horário compreendido entre 5h e 30 min às 9h e 30min, durante cinco dias consecutivos. As observações foram realizadas em uma trilha pré-existente na Reserva, com cerca de metros, abrangendo o interior e a borda da mata. Além das espécies já registradas no levantamento da trilha, foram realizadas caminhadas pelo interior e pela borda dos fragmentos com pontos de escuta e observação (Almeida et al. 999), durante cinco dias, das 5h às 7h e 30min. Os ambientes adjacentes aos fragmentos foram considerados nesta amostragem. Foram anotadas as

45 espécies com o tipo de registro (visual ou escuta), estrato ocupado (dossel, sub-bosque ou solo), local do registro (interior, borda ou áreas adjacentes), observações gerais sobre o comportamento dos indivíduos e algumas condições ambientais relevantes. As observações foram realizadas com binóculos 8mm x 30mm e as vocalizações registradas através de gravador AIWA modelo TP560 com microfone externo para casos dúbios. CAPTURAS Foram utilizadas 0 redes de neblina de 36mm de malha, m de comprimento e,5m de altura. Essas redes foram dispostas em linhas de rede, em uma seqüência única, segundo a metodologia adotada por Bierregaard Jr. e Lovejoy (989). Foram armadas desde o interior da mata até atingir a borda e área adjacente, amostrando os ambientes da área (Figura 3). A captura ocorreu em cinco dias consecutivos a cada mês amostrado, permanecendo as redes abertas das 5h às 0h, e das 5h às 7h, horários que concentram maior número de indivíduos ativos (Figura 4). A Identificação das espécies foi realizada através de referências básicas e guias de campo ilustrados (Dunning 987, Ridgely & Tudor 994a, b e Sick 997) e as vocalizações gravadas foram comparadas às existentes no arquivo sonoro dos pesquisadores. A separação de indivíduos machos e fêmeas foi realizada através da análise da plumagem. AMOSTRAGEM QUALITATIVA Foram consideradas para a elaboração da listagem específica as espécies registradas nos levantamentos quantitativos, nas capturas e os registros visuais e auditivos de aves através de caminhadas realizadas pelos diversos fragmentos de mata de Gurjaú.

46 Figura 3 - Mata da Reserva de Gurjaú evidenciando as Matas do Cuxió e Secupema, locais de captura e de levantamento quantitativo para o grupo aves. Figura 4 -: Rede de captura (rede de neblina) armada na Mata do Cuxió na Reserva de Gurjaú, detalhando um indivíduo de Leptopogon amaurocephalus no momento da captura em de outubro de 00.

47 RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram relacionadas 5 espécies de aves para a reserva de Gurjaú, com um total de 4 ameaçadas, de acordo com a listagem apresentada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em 003. As espécies ameaçadas relacionadas para Gurjaú foram: Thalurania watertonii, Momotus momota macgraviana, Picumnus exilis pernambucensis, Conopophaga liineata cearae, Conopophaga melanops nigrifons, Curaeus forbesi, Tangara cyanocephala corallina, Tangara fastuosa, Xenops minutus alagoanus, Myrmeciza ruficauda, Pyriglena leuconota pernambucensis, Thamnophilus aethiops distans, Thamnophilus caerulesces, Platyrinchus mystaceus niveigularis (Figuras de 5 a 8). No que se refere ao censo, foram registradas 77 espécies, correspondendo a 78,67% do total de espécies catalogadas para a área. A freqüência de ocorrência variou de 0,09% a 8,36% para os não Passeriformes; de 0,03% a 9,46% para os Passeriformes Suboscines e de 0,04% a 4,55% para os Passeriformes Oscines (Tabela ). As espécies mais abundantes dos não Passeriformes foram: Laterallus viridis, Porphyrula martinica, Jacana jacana, Pionus maximiliani, Piayia cayana, Crotophaga ani, Glaucis hirsuta, Phaethornis ruber e Galbula ruficauda. (Figura 9). Para os Passeriformes Suboscines os mais abundantes foram: Herpsilochmus rufimarginatus, Formicivora grisea, Sittasomus griseicapillus, Zimmerius gracilipes, Elaenia flavogaster, Hemitriccus zosterops, Todirostrum cinereum, Tolmomyias flaviventris, Pitangus sulphuratus, Myiozetetes similis, Legatus leucophaius, Tyrannus melancholicus, Chiroxiphia pareola e Manacus manacus (Figura 30). Os Passeriformes Oscines mais abundantes foram: Thryothorus genibarbis, Troglodytes musculus, Ramphocaenus melanurus, Turdus leucomelas, Cyclarhis gujanensis, Vireo chivi, Coereba flaveola, Thraupis palmarum, Euphonia violacea, Arremon taciturnus e Saltator maximus (Figura 3) Foi registrada a presença da placa de incubação em algumas aves capturadas na reserva de Gurjaú. Segundo Sick (997), a placa incubatória costuma ser restrita às fêmeas, entretanto, Davis (945) registrou a presença da placa de choco em machos de tiranídeos. A tabela 3 relaciona as aves, sexo, e os

48 períodos que foram observados o sinal de choco. Os exemplares da tabela 3, sem dimorfimo sexual aparecem com o sexo indeterminado. Foram registrados Camptostoma obsoletum, Coereba flaveola, transportando material para construção do ninho em um arbusto em 3 de setembro de 00. Estas observações sugerem o mês de setembro como parte do período reprodutivo destas espécies. Trabalhos desenvolvidos nas matas da Estação Ecológica de Tapacurá detectaram o período de maio a outubro para a reprodução de algumas aves de mata (Azevedo Júnior e Serrano 987 e Azevedo Júnior 990). Em Gurjaú, o período reprodutivo foi de setembro a fevereiro com registro em março e outro em junho. Foram observados na beira da Mata Mané do Doce, um bando com cinco Tangara fastuosa e um Tangara cyanocephala corallina, em 8 de agosto de 00. Em 4 de setembro, dois indivíduos de Tangara fastuosa foram vistos comendo frutos de bananeira na borda da mata acima citada. Comumente essas aves são observadas em beira de mata e são muito apreciadas por passarinheiros (Sick, 997). Os beija-flores: Glucis hirsuta, Phaethornis ruber, Eupetomena macroura, Amazilia vesicolor e Heliothrix aurita foram observados visitando o mangará das bananeiras na mata do Mané do Doce. Na mesma localidade, Euphonia violacea, Tangara fastuosa, Tangara cyanocephala, Dacnis cayana, Cyanerpes cyaneus e Saltator maximus, alimentavam-se de bananas cultivadas entre os fragmentos de mata da reserva de Gurjaú. A riqueza da avifauna de Gurjaú constituída por 5 espécies, com representantes ameaçados e endêmicos reforça a necessidade da implantação de uma unidade de conservação que proteja esses recursos, considerando, sobretudo, a pressão antrópica do desmatamento, da implantação de culturas agrícolas e da caça de comercialização. As Matas do Mané do Doce, Cuxio e do Secupema, em função da ocorrência de exemplares ameaçados e endêmicos, deveriam ser interligadas por corredores, acelerando o processo de restauração.

49 34 77 Laterallus viridis 76 Porphyrula martinica Jacana jacana Pionus maximiliani 88 Piaya cayana 64 Crotophaga ani Glaucis hirsuta Phaethornis ruber Galbula ruficauda Figura 5 - Freqüência de ocorrência das espécies de aves mais abundantes (Não Passeriformes), quantificadas entre agosto de 00 a abril de 003 na Reserva de Gurjaú, Pernambuco Herpsilochmus rufimarginatus Formicivora grisea Sittasomus griseicapillus Zimmerius gracilipes Elaenia flavogaster Hemitriccus zosterops Todirostrum cinereum Tolmomyias flaviventris Pitangus sulphuratus Myiozetetes similis Legatus leucophaius Tyrannus melancholicus Chiroxiphia pareola Figura 6 - Freqüência de ocorrência das espécies de aves mais manacus abundantes (Passeriformes: Manacus Suboscines), quantificadas entre agosto de 00 a abril de 003 na Reserva de Gurjaú, Pernambuco.

50 73 6 Thryothorus genibarbis Troglodytes aedon Ramphocaenus melanurus Turdus leucomelas Cyclarhis gujanensis 9 34 Vireo chivii Coereba flaveola Thraupis palmarum Euphonia violacea Arremon taciturnus Saltator maximus Figura 7 - Freqüência de ocorrência das espécies de aves mais abundantes (Passeriformes: Oscines), quantificadas entre agosto de 00 a abril de 003 na Reserva de Gurjaú, Pernambuco. Figura 8 - Tangara fastuosa capturado na Mata do Mané do Doce, Reserva de Gurjaú em 3 de setembro de 00 (espécie ameaçada)

51 Figura 9 - Conopophaga melanops (macho) capturado na Mata do Secupema, Reserva de Gurjaú em de outubro de 00 (espécie ameaçada). Figura 30 - Conopophaga melanops (fêmea) capturado na Mata do Secupema, Reserva de Gurjaú em 3 de outubro de 00 (espécie ameaçada).

52 Figura 3 Platyrhynchos mystaceus capturado na Mata do Sucupema, Reserva de Gurjaú em 3 de outubro de 00 (espécie ameaçada). Tabela Listagem das aves da reserva de Gurjaú apresentando a freqüência de ocorrência (FO) das espécies relacionadas ORDEM/FAMÍLIA/ESPÉCIE ORDEM TINAMIFORMES FAMÍLIA TINAMIDAE Crypturellus soui Crypturellus parvirostris Crypturellus tataupa Nothura boraquira NOME POPULAR FO nhambu-mata-cachorro nhambu-espanta-boiada nhambu-de-pé-roxo codorna-de-cabeça-preta 0,47 0,8 0,9 ORDEM PODICIPEDIFORMES FAMÍLIA PODICIPEDIDAE 005 Tachybaptus dominicus 006 Podilymbus podiceps ORDEM CICONIIFORMES FAMÍLIA ARDEIDAE Casmerodius albus Egretta thula Bulbucus ibis Butorides striatus Tigrisoma lineatum mergulhão-pequeno mergulhão-caçador 0,9 garça-branca-grande garça-branca-pequena garça-vaqueira socozinho socó-boi 0,09 0,85 0,09 0,47

53 0 Ixobrychus exilis 03 Botaurus pinatus socoí-vermelho socó-boi-marron FAMÍLIA CATHARTIDAE 04 Coragyps atratus 05 Cathartes aura 06 Cathartes burrovianus urubú-de-cabeça-preta urubú-de-cabeça-vermelha urubú-de-cabeça-amarela ORDEM ANSERIFORMES FAMÍLIA ANATIDAE 07 Dendrocygna viduata 08 Amazonetta brasiliensis 09 Nomonyx dominicus irerê patarrona bico-roxo ORDEM FALCONIFORMES FAMÍLIA ACCIPITRIDAE Elanus leucurus Gampsonyx swainsonii Leptodon cayanensis Buteo albicaudatus Asturina nitida Buteo brachyurus Rupornis magnirostris Buteogallus urubutinga Spizaetus tyrannus gavião-peneira gavião-pombo gavião-de-cabeça-cinza gavião-de-cauda-branca gavião-pedrez gavião-de-cauda-curta gavião-carijó gavião-preto gavião-pega-macaco FAMÍLIA FALCONIDAE Herpetotheres cachinnans Micrastur semitorquatus Micrastur gilvicollis Milvago chimachima Caracara plancus acauã gavião-relógio gavião-mateiro carrapateiro carcará ORDEM GALLIFORMES FAMÍLIA CRACIDAE 034 Ortalis araucuan ORDEM GRUIFORMES FAMÍLIA ARAMIDAE 035 Aramus guarauna Continuação da Tabela Ordem/Família/Espécie Fo FAMÍLIA RALLIDAE 036 Aramides cajanea 0,09,7,8,04 0,9 0,8,37 0,09 0,8 0,47 0,09 0,8 0,9 0,8 aracuã carão 0,9 Nome Popular três-potes 0,8

54 Porzana albicollis Laterallus viridis Gallinula chloropus Porphyrula martinica sanã-carijó saracura-marron frango-d'água-preta frango-d'água-azul 3,3 7, ORDEM CHARADRIIFORMES FAMÍLIA JACANIDAE 04 Jacana jacana jaçanã 6,08 FAMÍLIA CHARADRIIDAE 04 Vanellus chilensis tetéu 0, ORDEM COLUMBIFORMES FAMÍLIA COLUMBIDAE Columbina passerina Columbina minuta Columbina talpacoti Leptotila rufaxilla Geotrygon montana rolinha-cinzenta rolinha-cafofa rolinha-caudo-de-feijão juriti parari 0,85 0,76 7,5, ORDEM PSITTACIFORMES FAMÍLIA PSITTACIDAE Aratinga leucophthalmus Aratinga cactorum Forpus xanthopterygius Touit surda Pionus maximiliani maritaca gangarra tuim apuim-de-cauda-amarela maitaca-de-maximiliano 0,09 0,9 0,95,6 3, ORDEM CUCULIFORMES FAMÍLIA CUCULIDAE Piaya cayana Crotophaga ani Guira guira Tapera naevia alma-de-gato anu-preto anu-branco peitica 4,56 4,08 ORDEM STRIGIFORMES FAMÍLIA STRIGIDAE 057 Otus choliba 058 Pulsatrix perspicillata 059 Glaucidium brasilianum corujinha-do-mato murucututu caburé ORDEM CAPRIMULGIFORMES FAMÍLIA NYCTIBIIDAE 060 Nyctibius griseus FAMÍLIA CAPRIMULGIDAE mãe-da-lua 0,9 0,09

55 06 Nictidromus albicollis 06 Hydropsalis brasiliana bacurau bacurau-rabo-de-tesoura 0,09 ORDEM APODIFORMES FAMÍLIA APODIDAE 063 Reinarda squamata tesourinha 0,57 5,3 0,47 8,36 0,66 Melanotrochilus fuscus 069 Anthracothorax nigricollis 070 Chrysolampis mosquitus 07 Chlorestes notatus 07 Chlorostilbon aureoventris 073 Thalurania watertonii * 074 Hylocharis cyanus 075 Amazilia versicolor 076 Amazilia fimbriata 077 Amazilia leucogaster 078 Heliothryx aurita 079 Heliactin cornuta balança-rabo-de-bico-torto rabo-branco-de-sobre-amarelo besourinho-da-mata beija-flor-rabo-de-tesoura beija-flor-de-rabo-preto-ebranco beija-flor-de-veste-preta beija-flor-vermelho beija-flor-safira-de-gargantaazul besourinho-de-bico-vermelho beija-flor-das-costas-violeta beija-flor-roxo beija-flor-de-banda-branca beija-flor-de-garganta-branca beija-flor-de-barriga-branca beija-flor-de-bochecha-azul chifre-de-ouro ORDEM TROGONIFORMES FAMÍLIA TROGONIDAE 080 Trogon viridis 08 Trogon curucui surucuá-de-barriga-amarela surucuá-de-coroa-azul 0,8 0,76 martin-pescador-grande martin-pescador-verde martin-pescador-pequeno martin-pescador-anão 0,9,5 0, FAMÍLIA TROCHILIDAE Glaucis hirsuta Phaethornis pretrei Phaethornis ruber Eupetomena macroura ORDEM CORACIFORMES FAMÍLIA ALCEDINIDAE Ceryle torquata Chloroceryle amazona Chloroceryle americana Chloroceryle aenea FAMÍLIA MOMOTIDAE 086 Momotus momota * udu-de-coroa-azul ORDEM PICIFORMES FAMÍLIA GALBULIDAE 087 Galbula ruficauda bico-de-agulha FAMÍLIA BUCCONIDAE,3,5,47 0,8,4 0,47 0,09 0,9 0,9 0,38 7,3

56 088 Nystalus maculatus joão-bobo FAMÍLIA RAMPHASTIDAE 089 Pteroglossus aracari 090 Pteroglossus inscriptus araçari-de-bico-branco,75 araçari-miúdo-de-bico-riscado 0, FAMÍLIA PICIDAE Picumnus cirratus Picumnus exilis * Picumnus fulvescens Dryocopus lineatus Veniliornis passerinus Veniliornis affinis pica-pau-anão-barrado pica-pau-anão-dourado pica-pau-anão-de-pernambuco pica-pau-de-banda-branca pica-pau-pequeno pica-pau-de-asa-vermelha ORDEM PASSERIFORMES FAMÍLIA FORMICARIIDAE Taraba major Thamnophilus doliatus Thamnophilus palliatus Thamnophilus caerulescens * Thamnophilus aethiops * Dysithamnus mentalis Thamnomanes caesius Myrmotherula axillaris Herpsilochmus rufimarginatus Herpsilochmus atricapillus Formicivora grisea Pyriglena leuconota * Myrmeciza ruficauda * Conopophaga melanops * Conopophaga lineata * cancão-de-fogo choca-barrada choca-listrada espanta-raposa choca-lisa choquinha-lisa ipecuá choquinha-de-flancos-brancos chorozinho-de-asa-ruiva chorozinho-de-chapéu-preto papa-formiga-pardo papa-taoca papa-formiga-de-cauda-ruiva chupa-dente-de-máscara-preta chupa-dente FAMÍLIA FURNARIIDAE Furnarius leucopus Synallaxis frontalis Poecilurus scutatus Certhiaxis cinnamomea Phacellodomus rufifrons Xenops minutus * Xenops rutilans amassa-barro tio-antônio estrelinha-preta casaca-de-couro ferreiro bico-virado-miúdo bico-virado-carijó FAMÍLIA DENDROCOLAPTIDAE 9 Sittasomus griseicapillus arapaçu-verde 0 Xiphorhynchus picus arapaçu-de-bico-branco Lepdocolaptes angustirostris arapaçu-do-cerrado 0,38 0,76,56,09 0,09 0,76,6 0,36 0,4 0,8 0,39 0,39,6 3,36 0,49 3,6 0,36 0,36 0,3 0,33 0,88 0,4 0, 3,5,4 0,03

57 Lepdocolaptes fuscus FAMÍLIA TYRANNIDAE Zimmerius gracilipes Camptostoma obsoletum Phaeomyias murina Myiopagis viridicata Myiopagis gaimardii Elaenia flavogaster Elaenia spectabilis Elaenia mesoleuca Elaenia cristata Mionectes oleagineus Leptopogon amaurocephalus Capsiempis flaveola Hemitriccus zosterops Hemitriccus margaritaceiventer Todirostrum cinereum Poecilotriccus fumifrons Ryncocyclus olivaceus Tolmomyias sulphurescens Tolmomyias poliocephalus Tolmomyias flaviventris Platyrinchus mystaceus Myiobius barbatus Myiophobus fasciatus Lathrotriccus euleri Cnemotriccus fuscatus Fluvicola nengeta Arundinicola leucoephala Machetornis rixosus Rhytipterna simplex Myiarchus ferox Miyarchus tyrannulus Myiarchus swainsoni Myiarchus tuberculifer Pitangus sulphuratus Megarhynchus pitangua Myiozetetes similis Myiodynastes maculatus Legatus leucophaius Empidonomus varius Tyrannus melancholicus Pachyramphus viridis Pachyramphus polichopterus arapaçu-rajado 0,55 poairo-de-sobrancelha risadinha bagageiro guaracava-esverdiada maria-pechim maria-já-é-dia guaracava-grande gordinho papa-enxeico abre-asas cabeçudo marianinha sebinho-olho-branco sebinho-olho-de-ouro relojinho ferreirinho bico-chato-olivaceo bico-chato-de-orelha-preta bico-chato-de-cabeça-cinza bico-chato-amarelo patinho assadinho-de-peito-dourado felipe-de-peito-riscado enferrujado guaracavuçu lavadeira viuvinha bem-te-vi-do-gado planadeira mané-besta mané-besta irrê maria-cavaleira-pequena bem-te-vi bem-te-vi-de-bico-de-gamela bem-te-vizinho-de-coroavermelha bem-te-vi-rajado bem-te-vi-pirata peitica suiriri caneleiro-verde caneleiro-preto 3,88, 0,49 8,8 0, 0,06 0,03 0,3,09, 5,8 0,4 4,43 0,07 0,68 0, 0,78 5, 0,03 0,3 0, 0,03,0 0,3 0,6 0,5 0,6 0,6,4 9,46,04 5,58 0,03 3,88 0,03 4, 0,03,4

58 65 Pachyramphus validus caneleiro-de-chapéu-preto 0, FAMÍLIA PIPRIDAE Pipra rubrocapilla Chiroxiphia pareola Manacus manacus Neopelma pallescens Schiffornis turdinus cabeça-encarnada tangará rendeira fruxu flautin-marron,8 6,9 3,8 0,6 0, FAMÍLIA HYRUNDINIDAE Tachycineta albiventer Progne chalybea Alopochelidon fucata Stelgidopteryx ruficollis Hirundo rustica andorinha-do-rio andorinha-doméstica-grande andorinha-morena andorinha-serrador andorinha-de-bando,05 chauá garrinchão-pai-avô cambaxirra,83 6,9 5,38 balança-rabo-de-bico-curvo balança-rabo-de-chapéu-preto sabiá-laranjeira sabiá-branca sabiá-poca sabiá-da-mata 6,06 0,77,37 8,9 0,04 0,09 pitiguari juruviara verdinho-coroado 6,7 0,5 0,04 canário-do-mato pula-pula sebito pêga saíra-canário saíra-de-chapéu-preto tiê-galo joão-moleque sangue-de-boi sanhaçu-de-bananeira sanhaçu-de-coqueiro vem-vem 0,64 FAMÍLIA TROGLODYTIDAE 76 Donacobius atricapillus 77 Thryothorus genibarbis 78 Troglodytes musculus FAMÍLIA MUSCICAPIDAE Ramphocaenus melanurus Polioptila plumbea Turdus rufiventris Turdus leucomelas Turdus amaurochalinus Turdus fumigatus FAMÍLIA VIREONIDAE 85 Cyclarhis gujanensis 86 Vireo chivi 87 Hylophilus poicilotis FAMÍLIA EMBEREZIDAE 88 Basileuterus flaveolus 89 Basileuterus culicivorus 90 Coereba flaveola 9 Cissopis leveriana 9 Thlypopsis sordida 93 Nemosia pileata 94 Tachyphonus cristatus 95 Tachyphonus rufus 96 Ramphocelus bresilius 97 Thraupis sayaca 98 Thraupis palmarum 99 Euphonia chlorotica 0,04,0 0,3 9,5 0,04 0,38 0,68 0,3 0,43 4,5 0,64

59 Euphonia violacea Tangara fastuosa * Tangara cyanocephala * Tangara cayana Tangara velia Dacnis cayana Cyanerpes cyaneus Sicalis luteola Volatinia jacarina Sporophila lineola Sporophila nigricollis Sporophila albogularis Sporophilla leucoptera Sporophila bouvreuil Tiaris fuliginosa Arremon taciturnus Paroaria dominicana Saltator maximus Cacicus solitarius Icterus cayanensis Icterus jamacaii Leistes superciliaris Curaeus forbesi * Molothrus bonariensis guriatã pintor verdelin frei-vicente saíra-diamante saí-azul saíra-beija-flor mané-mago tiziu bigode papa-capim ou cabeça-preta golado patativa-chorona caboclinho cigarra-de-coqueiro tico-tico-da-mata galo-de-campina trinca-ferro bauá xexéu concriz espanta-boiada papa-arroz chopim, galdério 4, FAMILIA PASSERIDAE 4 Passer domesticus pardal 0,64 FAMÍLIA ESTRILDIDAE 5 Estrilda astrild bico-de-lacre 0,3,96 0,8 0,55 0,34 0,04 0,09 4,39 7,38 0,3 0,09 0,3 *Espécies ameaçadas de acordo com IBAMA (003) Tabela 3 Presença de placa de incubação em aves capturadas no centro da mata de Secupema ( ,3 S, , W), na Reserva de Gurjaú, Pernambuco. Espécie Turdus leucomela Manacus manacus \\Chiroxiphia pareola Gluacis hirsuta Turdus rufiventris Leptopogon Conopophaga cearae amaurocephalus Myrmotherula axilaris Manacus manacus Hemitriccus zosterops Pipra rubrocapilla Quantidade 5 Sexo Indeterminado Fêmeas sfêmeas Indeterminado Indeterminado s Indeterminado Indeterminado Macho Fêmea Indeterminado Fêmea Período

60 Rhynchocyclus olivaceus Myrmotherula axillaris Myrmotherula axillaris Chiroxiphia pareola Platyrinchus mystaceus Glaucis hirsuta Manacus manacus Conopophaga cearae Manacus manacus Pipra rubrocapilla Manacus manacus Mionectes oleagineus Tolmomyias flaviventris Veniliornis affinis Chiroxiphia pareola Saltator maximus Neopelma pallescens Pipra rubrocapilla Chiroxiphia pareola Glaucis hirsuta Manacus manacus Myiobius barbatus Rhynchocyclus olivaceus Thamnophilus aethiops Neopelma pallescens *Rhynchocyclus olivaceus Indeterminado Macho Fêmea Fêmea Fêmea Indeterminado Fêmea Indeterminado Fêmeas Fêmeas Fêmea Indeterminado Indeterminado Indeterminado Fêmeas Indeterminado Fêmea Fêmea Fêmea Indeterminado Fêmeas Indeterminado Indeterminado Fêmea Fêmea Indeterminado * Foram capturados ao mesmo tempo na mesma rede. Esta informação sugere que seja um casal com o macho também apresentando a placa de incubação. Davis (945) relata a observação de placa em macho de alguns tiranídeos Levantamento de Mamíferos Introdução De acordo com Meyrs et al. (000) a Mata Atlântica apresenta 50 espécies de mamíferos, das quais 55 são endêmicas. A fragmentação tem produzido graves conseqüências para este grupo, em particular para as espécies de maior porte, verificando-se o desaparecimento total de algumas delas em certas regiões e localidades. A conjunção desses fatores levou a inclusão de 69 dessas na lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção (MMA, 003). Poucas Unidades de Conservação (UC) localizadas em áreas de Mata Atlântica, particularmente no Nordeste brasileiro, foram inventariadas de modo satisfatório, havendo consideráveis lacunas no conhecimento taxonômico e

61 biogeográfico da maioria dos gêneros e espécies, de forma que novas espécies e novas localidades de ocorrência são freqüentemente registradas a cada novo estudo. As listas de espécies ameaçadas constituem-se nas ferramentas mais apropriadas para guiar as ações governamentais e políticas públicas com vistas à preservação. O controle do tráfico e comércio ilegal de animais, também não pode prescindir dessas listas (MMA/SBF, 00b). Daí a importância da realização do inventário da biodiversidade das matas do Sistema Gurjaú que servirá de subsídio para a recategorização e embasará o plano de manejo desta UC. Assim, o presente estudo objetivou inventariar a mastofauna terrestre existente em Gurjaú. Esse trabalho inicial deverá também dar origem a futuros estudos de monitoramento, que possibilitem o acompanhamento da dinâmica das populações de mamíferos da área (Monteiro da Cruz, 998), principalmente daquelas espécies cuja instabilidade populacional possa comprometer a sobrevivência das mesmas nos fragmentos desta UC. METODOLOGIA Área de Estudo Preparaçãoda Área O presente estudo foi desenvolvido em vários fragmentos da RESG (Figura 3). As capturas dos animais foram antecedidas pela abertura de novas trilhas e mapeamento das trilhas já existentes, com o uso de GPS (para georreferenciamento das localidades de amostragem), e bússola e trenas para a definição dos pontos de coleta, devidamente identificados através de fitas plásticas, e distantes 50m um do outro. Para cada área de amostragem selecionada foi utilizada de uma a duas trilhas cuja extensão variou entre 300m e 000m. Inventário Para o levantamento da mastofauna foram utilizadas quatro metodologias: ) captura com armadilhas metálicas (do tipo Tomahawk); ) visualização em campo; 3) identificação através de vestígios; 4) entrevistas com a comunidade local (Wilson et al., 996). Foram realizadas excursões mensais com duração de 04 a 06 dias consecutivos cada, entre agosto de 00 e abril de 003. A

62 classificação taxonômica adotada neste estudo foi a de Wilson e Reeder (99). Captura e Processamento Nas capturas, foram utilizadas armadilhas de dois tamanhos (45X5X5cm e 75X30X30cm), dispostas em cada ponto de coleta, em número de 0 a 03, procurando-se, quando possível, colocar ao menos uma no solo e outra suspensa (a cerca de,5m -,0m do solo). Como iscas, foram utilizados frutos (banana e abacaxi) e paçoca de amendoim, sendo as armadilhas iscadas e revisadas a cada 4 horas. O esforço de captura, no presente estudo, foi calculado adotando-se a fórmula: EF = NA X NC, onde EF= esforço de captura, NA= número de armadilhas utilizadas e NC= número de dias de captura. As armadilhas foram colocadas em 03 fragmentos: Mata da Zabé (0 trilha), Mata do Cuxio (0 trilhas) e Mata Gurjaú-Secupema (0 trilhas), como pode ser visto na Figura 3. Além disso, em apenas uma ocasião, fez-se uma amostragem na região próxima à Estação de Tratamento de Água (ETA) da Compesa. Os animais capturados foram levados a uma sala de processamento onde foram anestesiados com Cloridrato de Quetamina (50mg/ml), para em seguida serem processados. A dosagem do anestésico (0 a 30mg/Kg de peso) variou de acordo com a espécie e a classe etária de cada animal. Os dados de morfometria, peso, estado clínico e reprodução foram coletados e anotados em fichas individuais. Além disso, todos os indivíduos foram marcados através de tatuagem na cauda. Os animais cuja identificação não foi possível foram sacrificados, após anestesia, e adequadamente conservados para posterior identificação, através de chaves taxonômicas específicas para cada grupo, ou por comparação com material depositado nas coleções da UFPE e UFRPE. Os espécimens assim coletados encontram-se depositados na coleção de mamíferos do Departamento de Biologia, Área de Zoologia, da UFRPE. Visualizações em Campo As visualizações em campo dos mamíferos (avistamentos), foram feitas durante os percursos realizados no transecto Gúrjaú/Secupema (a pé ou de

63 carro) e nas trilhas de diversos fragmentos de mata (a pé), em diferentes horários (Figura 3). Para os animais avistados foram anotados os nomes da espécie, o horário e o local da observação, além do número de indivíduos. Aqui foram consideradas não apenas as visualizações feitas pela equipe de mastofauna, mas também àquelas realizadas pelos componentes das demais equipes de levantamento de fauna. Identificação Através de Vestígios Durante os percursos, também foram realizadas observações de vestígios dos animais: pegadas, restos alimentares, fezes, pêlos e carcaças. Além dos fragmentos de mata onde foram realizadas as capturas, a busca de vestígios também foi realizada em outros fragmentos da região percorridos pela equipe de mastofauna e no transecto Gurjaú/Secupema de 4Km de extensão (Figura 3). As pegadas e carcaças encontradas foram fotografadas e identificadas com o auxílio de guias específicos (Becker e Dalponte 99; Emmons e Feer, 999). Entrevistas com a Comunidade Local Foi utilizado um questionário para as entrevistas com a comunidade local, dividido em três partes: identificação, grau de conhecimento/consciência sobre a situação da flora e fauna locais e informação sobre as prováveis espécies que existem ou já existiram na área (sob foco qualitativo e quantitativo). Para esta última parte, foram utilizados desenhos e pranchas coloridas (Emmons e Feer, 999; Eisenberg e Redford, 999) para orientar os entrevistados quanto à identificação dos animais. Deu-se prioridade às pessoas que moram na área há muitos anos, e àquelas que já praticaram ou ainda praticam a caça. A segunda parte do questionário inclui a coleta de informações sobre o estado de conservação do bioma e da biota atual e remota da UC, e buscou indícios sobre a pressão de caça a que está submetida à mastofauna local. Para inclusão de espécies citadas nas entrevistas na lista de mamíferos das matas do Sistema Gurjaú, levou-se em consideração a confiabilidade nas respostas

64 dos entrevistados e a porcentagem de citações (a partir de 70% de concordância). Figura 3 Matas do Sistema Gurjaú Resultados Durante o período do estudo foram inventariadas 3 espécies de mamíferos para as matas do Sistema Gurjaú, pertencentes às ordens Didelphimorphia (04 gêneros, 06 espécies), Xenarthra (05 gêneros, 05 espécies), Rodentia ( gêneros, espécies), Lagomorpha (0 gênero e 0 espécie), Carnivora (08 gêneros, 08 espécies) e Primates (0 gênero, 0 espécie), como pode ser constatado na Tabela 5. Dentre estas, o gato-do-mato (Leopardus tigrinus) encontra-se na lista oficial da fauna brasileira ameaçada de extinção, na categoria vulnerável (MMA, 003). Além disso, vale ressaltar, a existência de uma espécie endêmica do Nordeste brasileiro, Callithrix jacchus (sagüi), e de um pequeno marsupial, Monodelphis americana (Figura 33), endêmico da Mata

65 Atlântica. Os resultados obtidos através de cada uma das metodologias adotadas se encontram pormenorizados a seguir. Capturas Ao longo do estudo, através da utilização das armadilhas metálicas, ocorreram 44 capturas e 04 recapturas de mamíferos de pequeno porte (Tabela 4). Além disso, 04 marsupiais caíram nas armadilhas montadas para répteis, do tipo pitfall, e 0 tamanduá-mirim, Tamandua tetradactyla (Figura 34), foi capturado manualmente por uma pessoa da comunidade, e encaminhado à equipe de pesquisadores. As espécies mais capturadas foram Didelphis albiventris e Marmosa murina (Figura 35), com 0 e 9 indivíduos, respectivamente. Durante o processamento dos espécimens capturados, constatatou-se que 0 de Didelphis albiventris e 03 fêmeas de Didelphis marsupialis tinham filhotes no marsúpio (Figura 36). Figura 33 Monodelphis americana capturado na Mata Secupema em novembro de 00

66 Figura 34 Tamandua tetradactyla encontrado na Mata Secupema em março de 003. Figura 35 Marmosa murina capturada na Mata da Zabé em setembro de 00.

67 Figura 36 Didelphis marsupialis com filhote capturado na Mata do Cuxiu em dezembro de 00. Visualizações em Campo Através das visualizações em campo, pôde-se observar 07 espécies de mamíferos, das quais 0 também foram capturadas. Assim, os avistamentos permitiram a inclusão de 05 espécies diferentes na lista (Tabela 5), das ordens Xenarthra (0), Rodentia (0), Lagomorpha (0) e Carnivora (0). Identificação Através de Vestígios A maioria dos vestígios encontrados constitui-se de pegadas. Quatro espécies (03 roedores e 0 carnívoro) puderam ser identificadas e acrescentadas à lista através dos rastros. Além disso, duas carcaças de Bradypus variegatus foram encontradas flutuando no Lago Gurjaú (Tabela 5). Durante o trabalho de campo, também foi possível constatar a existência da atividade de caça nos vários fragmentos de mata percorridos, através da presença de esperas, fojos, armadilhas para tatus, cápsulas de balas de espingarda, tiros de arma de fogo, presença e latido de cães e perfuração à bala na mandíbula de uma das carcaças de preguiça. Além disso, observou-se

68 a existência de grandes canis de cães de caça (da raça Fox Hunter) em várias propriedades e posses da área. Foram também identificados indícios de caça associada à venda de animais, especificamente a capivara Hydrochaeris hydrochaeris a maior espécie vivente de roedor do planeta. Em uma ilhota (com menos de 0ha), no açude de Secupema, um tipo de armadilha grande foi construída para a captura de capivaras, em local escondido da visão de quem faz o percurso de carro ou a pé na margem do açude. Cultivou-se um milharal, cercado com arame e estacas resistentes, limitado por apenas dois acessos em forma de fojo um tipo de armadilha artesanal para captura de animais vivos, semelhante a um alçapão que, no caso específico, correspondia a valas de,0m X,0m X,5m, cobertas por uma base estrutural de gravetos, forrada por materiais da serrapilheira local. Pelo alto investimento do empreendimento, questionou-se sobre a possibilidade de que esta captura não se limitasse à caça para alimentação ou criação do animal como pet (animal de estimação) pela comunidade local, mas pudesse estar associada ao comércio ilegal da espécie. Entrevistas com a Comunidade Local No total, foram realizadas 3 entrevistas. A partir das informações contidas nos questionários, foi possível listar mais espécies de mamíferos (06 carnívoros, 0 roedores e 03 tatus), como pode ser observado na Tabela 5. Constatou-se ainda que, há cerca de 30 anos atrás, existiam macacos-prego (Cebus apella), veados (Mazama gouazoupira) e porcos-do-mato (Tayassu tajacu), que hoje se encontram extintos na região. Também através das entrevistas foi possível tomar conhecimento de quão grande é a pressão de caça local, que não se limita aos caçadores da própria comunidade mais inclui também os provenientes dos municípios do entorno. Os mamíferos mais caçados são, sobretudo, cutias, tatus e pacas, secundados por quatis, raposas e capivaras. O método tradicional de se caçar na região é através do uso de espingardas, cães de caça e construção de esperas, seguido do uso de armadilhas artesanais. A caça geralmente serve para ser comida como petisco, acompanhada por bebidas alcoólicas (principalmente a

69 cachaça), e mais raramente para servir de animal de estimação (cutia, papamel, quati, tatu, coelho, paca, capivara). Foi unânime e enfaticamente negada, a caça comercial de animais vivos, apesar dos indícios levantados nesta pesquisa. Foram freqüentes os relatos de que a caça à raposa vem sendo praticada há muitos anos como esporte, utilizando-se inclusive, afora cães farejadores e espingardas, de cavalos de montaria. Segundo os entrevistados, esta modalidade de esporte tem sido praticada, quase que exclusivamente, pelas classes mais abastadas da população. Tabela 4 Áreas de amostragem, esforço de captura, número de animais capturados com respectivas ordens, da mastofauna inventariada nas matas do Sistema Gurjaú. EXCURSÃO ETA, Mata da Zabé 30 X = 60 NÚMERO DE ANIMAIS CAPTURADOS 7 60 X 3 = 80 3 Mata da Zabé, Mata Gurjaú/Secopema Mata Gurjaú/Secopema 60 X 3 = Mata Gurjaú/Secopema Mata Gurjaú/Secopema 73 X = X 6 = Mata Gurjaú/Secopema 73 X 6 = Mata Gurjaú/Secopema, Mata do Cuxiu Mata Gurjaú/Secopema, Mata do Cuxiu 54 X 3 = X 4 = Mata Gurjaú/Secopema, Mata do Cuxiu 74 X 4 = 96 4 TOTAL ETA, Mata da Zabé, Mata Gurjaú/Secopema, Mata do Cuxiu ÁREAS ESFORÇO DE CAPTURA ORDENS Rodentia e Didelphimorphia Didelphimorphia Didelphimorphia e Primates Didelphimorphia Rodentia e Didelphimorphia Rodentia e Didelphimorphia Rodentia e Didelphimorphia Rodentia, Didelphimorphia e Primates Rodentia, Didelphimorphia e Primates Rodentia, Didelphimorphia e Primates Tabela 5 Lista da mastofauna inventariada nas matas do Sistema Gurjaú ORDEM FAMÍLIA ESPÉCIE NOME VULGAR MÉTODO DE AMOSTRAGEM

70 Didelphimorph Didelphidae ia Xenarthra Bradypodidae Dasypodidae Rodentia Didelphis albiventris (Lund, 840) Timbú C, E D. marsupialis (Linnaeus, 758) Marmosa murina (Linnaeus, 758) Monodephis domestica (Wagner, 84) M. americana (Müller, 776) Micoureus demerarae (Thomas, 905) Bradypus variegatus (Schinz, 85) Dasypus novemcinctus (Linnaeus, 758) Euphractus sexcinctus (Linnaeus, 758) Cabassous unicinctus (Linnaeus, 758) Cachorro do mato Cuíca C, E Myrmecophagida Tamandua tetradactyla (Linnaeus, 758) e Muridae Rattus sp. (Fisher, 803) Mus musculus (Linnaeus, 758) Agoutidae Cavidae Erethizontidae Sciuridae Hydrochaeridae Lagomorpha Leporidae C C C Rato fidalgo Preguiça C, E VC, A, E Tatu verdadeiro Tatu peba E Tatu rabo de couro Tamanduá mirim Ratazana, rato Catita E E C, VP, E C, E C, E Nectomys sp. (Peters, 86) Akodon sp. (Meyen, 833) Rato d água Holochilus sp. (Brandt, 835) Agouti paca (Linnaeus, 766) Rato de cana E Paca E Dasyprocta prymnolopha (Wagler, 83) Cavia aperea (Erxleben, 777) Coendu prehensilis (Linnaeus, 758) Sciurus aestuans (Linnaeus, 766) Hydrochaeris hydrochaeris (Linnaeus, 766) Sylvilagus brasiliensis (Linnaeus, 758) Cutia VP, E Preá A, E Coendu VP, E Paracatota A, E Capivara VP, E Coelho do mato A, E Rato C C, A

71 Carnivora Canidae Felidae Mustelidae Procyonidae Primates Callitrichidae Cerdocyon thous (Linnaeus, 766) Leopardus tigrinus (Schreber, 775) Felis yagouarondi (Lacépède, 809) Eira barbara (Linnaeus, 758) Galictis vittata (Schreber, 776) Lontra longicaudis (Olfers, 88) Procyon cancrivorus (G. Cuvier, 798) Nasua nasua (Linnaeus, 766) Raposa Callithrix jacchus (Linnaeus, 758) Sagüi A, E Gato maracajá Raposa de gato Papa mel E Furão E Lontra E Guará de cana Quati E E VP, E E C, A, E Legenda: C = Captura; VC = Vestígio/carcaça; VP = Vestígio/pegadas; A = Avistamento; E = Entrevista DISCUSSÃO A diversidade da mastofauna terrestre encontrada nas matas do Sistema Gurjaú assemelha-se às de outros estudos realizados em remanescentes de Mata Atlântica no estado de Pernambuco como, por exemplo, o Parque Estadual Dois Irmãos, a Estação Ecológica de Tapacurá, a Estação Ecológica de Caetés e a Área Piloto RBMA-Complexo Igarassu/Itapissuma/Itamaracá (Monteiro da Cruz et al., 00); também é bastante similar àquela do inventário de mamíferos realizado por Fernandes (003) em fragmentos de mata no estado de Alagoas. Apesar da quantidade de espécies registradas (3) ter sido razoável, o número de capturas (48, ocorrendo 04 recapturas) foi pequeno em relação ao esforço de captura realizado (96). Vale salientar que apenas espécies foram capturadas em armadilhas; 09 foram adicionadas à lista através de vestígios e/ou avistamentos e outras, através das entrevistas com a comunidade. Provavelmente o uso de outros tipos de armadilhas, como as de Sherman (para animais bem pequenos), ou laços e grades pit-fall (para animais de médio e grande porte) (Wilson et al., 996), possibilitaria o aumento do número de indivíduos capturados, mas não necessariamente o de espécies. O fato da maioria dos mamíferos encontrados constituir-se de animais de pequeno porte era um resultado já esperado para a região estudada. Isto se deve, provavelmente, ao alto grau de fragmentação da área, que encontra-se

72 próxima a centros urbanos, apresentando uma grande pressão antrópica e conseqüente uso dos recursos naturais, de maneira desordenada. A presença de assentamentos humanos pode agir como meio de introdução de espécies exóticas e domésticas que passam a competir, ou até mesmo predar, as espécies nativas de plantas e animais (Miller e Hobbs, 00). No caso específico dos mamíferos, a caça e o desmatamento exacerbados são os prováveis agentes responsáveis pelo seu desaparecimento gradual nas matas de Gurjaú, pois estes, segundo How e Dell (000), são os vertebrados em maior desvantagem nos remanescentes de mata urbanos. De acordo com Miller e Hobbs (00), os assentamentos humanos representam inúmeras barreiras para o deslocamento dos vertebrados terrestres, especialmente no caso das espécies de mamíferos que possuem uma grande área de uso e que acabam confrontando com pessoas. Pimentel (000), em estudo realizado na Costa Rica, também aponta os fatores caça e desmatamento como causas da diminuição da mastofauna terrestre da região. Observou-se também que a maioria das espécies inventariadas estão bem adaptadas a áreas perturbadas, sobretudo àquelas próximas a cursos d`água, plantações e pastagens (Emmons e Feer, 999; Eisenberg e Redford, 999), o que é comum de se encontrar em Gurjaú. De acordo com Terborgh (984 apud Pimentel, 000), em florestas perturbadas, observa-se o desaparecimento de mamíferos de grande porte e o estabelecimento de espécies generalistas e de menor tamanho, sem muito valor de caça. Assim, espécies como Leopardus tigrinus e Felis yagouarondi, essencialmente carnívoras e bastante caçadas, terão poucas chances de continuar existindo na região. Um fato preocupante em relação à atividade de caça local de mamíferos, é que esta não é de subsistência, servindo como uma forma de lazer para a comunidade, além de haver indícios do comércio ilegal de algumas espécies. A falta de fiscalização é resultado, inequivocamente, do descaso do proprietário da área, o próprio governo. Espirito Santo (00) fala sobre um consenso, amplamente aceito hoje, de que áreas protegidas não podem ser administradas isoladas do que ocorre no seu entorno. Ele propõe vários modos de abordagem para que a comunidade do entorno passe a se responsabilizar pela preservação da área, pois, de acordo com Shutkin (000, apud Miller e Hobbs, 00), os esforços para proteção de habitats obtêm melhores resultados quando a comunidade local se mantém

73 informada e envolvidos no processo, do que quando as ordens e regulamentações vêm de um órgão superior. Pelo potencial que as matas do Sistema Gurjaú demonstram ter, nesta rápida avaliação ecológica, e pelo nível de ameaça que parte considerável de sua mastofauna vem sofrendo, sugerimos que sejam contemplados no seu Plano de Manejo a implantação de corredores ecológicos, em curto prazo, concebidos a partir de novos cenários para a conservação de sua biodiversidade Levantamento da vegetação Introdução As florestas tropicais são ecossistemas que abrigam alta biodiversidade, englobando cerca de dois terços do total de espécies existentes no planeta. O Brasil graças as suas duas grandes florestas a amazônica e a atlântica se destaca como um dos países possuidores da maior biodiversidade do mundo, possuindo cerca de 357 milhões de hectares de florestas, 30% de todas as florestas tropicais do planeta, mais que o dobro da área de quem ocupa o segundo lugar, a Indonésia (Almeida, 000). Sendo o Brasil detentor da maior biodiversidade que se conhece, dos cerca de,4 milhão de organismos conhecidos pela ciência, 0% vivem em território brasileiro (Mittermeier et al, 99), é imperativo que a população nordestina se conscientize sobre o valor ambiental e sócio-econômico da biodiversidade. Entretanto este bioma vem sendo destruído pela ação antrópica onde grande parte de sua diversidade está sendo extinta antes mesmo que se conheça o potencial ecológico, genético e a importância econômica das espécies. Alguns grandes fragmentos ainda estão conservados, como é o caso da reserva ora em estudo que é a de Gurjaú, que apresenta uma biodiversidade incomparável à de outras reservas faltando apenas que o governo do estado de Pernambuco defina urgentemente uma forma de preservar e conservar aquela unidade. METODOLOGIA Localização

74 A área em estudo localiza-se no litoral sul de Pernambuco entre os municípios do Jaboatão dos Guararapes e Cabo de St Agostinho, ditando 40 Km do centro de Recife entre a latitude e longitude oeste de Greenwich e XXX ocupando uma área de 070 hectares. Clima Os municípios de Jaboatão dos Guararapes e Cabo de St Agostinho apresentam na classificação de Köeppen clima do tipo Am s que pode ser definido como clima tropical chuvoso de monção com verão seco e menos de 60mm no mês mais seco, com precipitação pluviométrica anual total muito elevada (SUDENE, 973). No litoral sul, o domínio absoluto da massa equatorial atlântica caracterizada pelos ventos alísios do hemisfério sul que sofrem reforço com as invasões das massas polares ocasionam as chuvas de inverno. Os meses mais chuvosos são junho e julho, enquanto os meses mais secos são outubro, novembro e dezembro. A precipitação anual total atinge valores acima de 000mm (SUDENE 973). PROCEDIMENTO DE CAMPO E LABORATÓRIO Flora Conforme metodologia apresentada, as visitas a campo foram realizadas duas vezes ao mês seguindo a sistemática das trilhas existentes. Como também novas trilhas implantadas para observações e coletas. O período de coleta ainda se estendera por 5 a 6 meses devido a maioria das espécies arbóreas e arbustivas não se encontrarem na fase reprodutiva. As espécies botânicas foram classificadas seguindo o sistema de Cronquist (998). Cada indivíduo que foi coletado recebe um único número de coleta cujo respectivo registro constará na caderneta de campo. Nestas cadernetas foram anotadas todas as observações relativas ao hábito de crescimento e

75 características específicas (cor da flor, odor, presença de látex ou resina no caule e algumas características no fruto), isto é, características florais e vegetativas que possam ser modificadas e processo de secagem das amostras. O número de duplicatas coletadas foram sempre três. Observaramse também os nomes vulgares dados pelo mateiro, que foram anotados e comparados com os já existentes na literatura. O material foi processado segundo o método de Mori et al (989) e incorporados aos acervos dos herbários IPA e UFRPE. No laboratório, o material foi secado em estufa a 60 C e identificado usando-se como auxílio, microscópio esterioscópico binocular tipo lupa, comparando-se com espécies do acervo do herbário e usando literatura especificada. Resultados Os resultados encontrados estão além do esperado, principalmente com relação à quantidade e qualidade das espécies, de importância da preservação da flora, interesse econômico para a região tais sejam: formação de bancos de sementes de espécies madeireiras a serem usadas para produção de mudas no reflorestamento com espécies nativas, plantas alimentícias, ornamentais, extração de cipós para uso em artesanato (Figuras 36 a 39). Lista das Espécies As espécies foram coletadas nos diversos fragmentos existentes na área em estudo, onde foram separadas nas diversas matas que possuem nomes locais denominados pelo mateiro que nos acompanha e população local (Tabela 6 e 7).

76 Família Nome Científico Annonaceae Cymbopetalum brasiliense (Vell.) Benth ex Baill Siparuna guianensis Aubl. Cinnamomum chana Vatt Ocotea opifera Mart. Virola gardineri (DC.) Warb. Ardisia sp. Piper marginatum Aristolochia trilobata L. Nymphea ampla Trema micranta (L.) Blume Clarisia racemosa Ruiz. Et Pavon Ficus gameleira Brosimum discolor Sorotea ilicifolia Miq. Helicostylis tomentosa (Poepp. et Endl.) Macbr. Boehmeria cylindrica (L.) Siv. Laportea aestuans (L.) Cav. Pilea hyalina Fenzl. Pilea microphilla (L.) Lielm. Guapira opposita Nees. Pisonia subcordata Sw. Gomphrena sp. Rhipsalis cassuta Coccoloba cf. alnifolia Casar Ouratea fieldingiana (Gardn.) Engl. Sourabia guianensis Quiina pernambucensis Tovomita brasiliensis (Mart.) Walp. Clusia nemorosa Mey Caraipa densifolia Monnimiaceae Lauraceae Myristicaceae Myrsinaceae Piperaceae Aristolochiaceae Nymphaeaceae Ulmaceae Moraceae Urticaceae Nyctaginaceae Amaranthaceae Cactaceae Polygonaceae Ochnaceae Marcgraviaceae Quiinaceae Clusiaceae Família Eleocarpaceae Bombacaceae Tiliaceae Lecythidaceae Flacourtiaceae Lacistemataceae Violaceae Sapotaceae Myrtaceae Nome Vulgar louro louro urucuba Madeireira Madeireira Madeireira pimenta de macaco papo de perú água pé Ornamental Ornamental orticica da mata gameleira quiri Madeireira Madeireira Madeireira amora urtiga urtiga língua de sapo brilhantina rabo de calango cabaçú batiputá Mangue da mata mata paú camaçarí Nome Científico Nome Vulgar Symphonia globulifera L. bulandí camaçarí mamajuda munguba da mata pau de jangada sapucaia embiriba Caraipa densiflora Mart. Sloanea obtusifolia (Moric) Schum. Eriotheca crenulaticalyx A. Robyns Apeiba albiflora Ducke Lecythes pizonis Cambess. Eschweilera luschnatii Miers. Gustavia augusta Casearia aff. commersoniana Cambess Casearia cf. javitensis H. B. K. Lacistema sp. Rinorea sp. Chrysophyllum splendens Spreng. Chrysophyllum rufum Mart Lucuma grandiflora DC. Pradosia latescens (Vell.) Radlk Micropholis gardneriana (DC) Warb. Manilkara salzmanii (A. DC.) Hit. Lam. Calyptrantes sp. Campomanesia dichotoma Berg. Importância Econômica Inseticida Medicinal Ornamental Ornamental Madeireira Importância Econômica Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira cafezinho do mato cocão branco asa de morcego caimito oiti trubá cabraiba branca prejuí maçaranduba Madeireira Madeireira Madeireira

77 Família Importância Econômica Nome Científico Nome Vulgar Gomidesiana martiana DC. Cleome spinosa Virola gardineri (DC.) Warb. mussambê urucuba Medicinal Madeireira Couepia rufa Ducke Hirtella cf. birconis Mart. et Zucc. oiti coró faxineiro Comestível Mourera fluviatilis Aublet. Inga bahiensis Benth Inga cf. disantha Inga thibaudiana DC. I. blanchetiana Benth muraré ingá ingá de cabelo ingá táboa ingá Nome Científico Nome Vulgar I. fagifolia (L.) Willd Macrosamanea pedicellare (DC.) Kleinh. Pithecellobium avaremotemo Mart. P. saman (Jacq.) Benth ingá jaguarana barbatimão bordão de velho Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira malícia favinha amarelo visgueiro pau d'óleo jatobá barabu mororó Madeireira Madeireira Madeireira Oleaginosa Madeireira Madeireira Madeireira pau ferro ingá porco Madeireira Madeireira jacarandá branco Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira Olacaceae Lolanthaceae Schranckia leptocarpa DC. Stryphinodendron pulcherrimum (Wild.) Hochr. Plathymenia reticulata Benth Parkia pendula Benth Copaifera nitida Mart. Hymenaea martiana Hayne. Peltogyne recifensis Ducke Bauhinia rubiginosa Bong. Bauhinia sp. Dialium guianensis (Aubl.) Sandw.et. Barneby Sclerolobium densiflorum Benth Senna occidentalis L. Swartzia pickelii Killip ex Ducke Lonchocarpus guillerminianus Ormosia bahiensis Pterocarpus violaceus Derris neuroscapha Benth. Zollernia paraensis Hub. Bowdichia virgilioides H. B. K. Bauhinia sp. Pterocarpus cf. violaceus Vog. Clidemia hirta (L.) D. Don. Miconia albicans Buchenavia capitata Eichl. Schoepfia brasiliensis A. DC. Psittacanthus dichrous Mart. Família Nome Científico Nome Vulgar Celastraceae Euphorbiaceae Maytenus sp. Actinostemom megalophylla Aparisthemium cordatum Croton glanduloso Croton hirtus L. Maprounea sp. pinga orvalho Capparaceae Myristicaceae Chrysobalanacea e Podostemonacea e Fabacea Mimos. Família Fabacea Mimos. (cont.) Fabacea Caes. Fabacea Fab. Melastomataceae Combretaceae olho de cabra pau sangue piaca pau santo sucupira mirim Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira Importância Econômica Madeireira Madeireira pau sangue Madeireira esparrada cabelinho erva de passarinho Madeireira Importância Econômica Madeireira

78 Família Euphorbiaceae (cont.) Nome Científico Nome Vulgar Importância Econômica Malpighiaceae Mabea sp. Pera ferruginea Muell. Arg. Pogonophora schomburkiana Miers Richeria grandis Vahl. Cnidoscolus urens Croton lobatus Allophylus edulis (St. Hil.) Radlk. Cupania racemosa (Vell.) Radlk. Serjania cf. glabrata Kunth Serjania salzmanniana Schlecht. Talisia sp. Protium aracouchini Marchand Protium cf. giganteum Engl. Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand Tapirira guianensis Aubl. Simarouba amara Aubl. Picramnia glazioviana subsp. Hortia arborea Engler. Trichilia lepdota Mart Saccoglottis guianensis Benth Erythroxylum cf. grandifolium Mart. Erythroxylum squamatum Sw. Biyrsonima sericea DC. Polygalaceae Polygala paniculata L. barba de são pedro Família Nome Científico Nome Vulgar Araliaceae Loganiaceae Apocynaceae Schefflera morototoni Spigelia flemmingiana Aspidosperma discolor Himatanthus bracteatus Physalis neesiana Picramnia glazioviana subsp. Solanum sp. Merremia umbellata (L.) Urb. Aegiphila vetellinifolia Citharaexylum pernambucensis Leonotis nepetaefolia (L.) R. Br. Marsypianthes chamaedrys (Vahl.) Kuntz. Cordia alliodora Cham. Cordia tokeve Cordia verbenacea Aphelandra nuda Ruellia bahiensis Cephalostigma bahiensis A. DC. Centropoghon cornutus (L.) Druce morototó Madeireira Pau falha Angélica camapu freijó da mata Madeireira Madeireira Medicinal Sapindaceae Burseraceae Anacardiaceae Simaroubaceae Rutaceae Meliaceae Humiriaceae Erythroxylaceae Solanaceae Convolvulaceae Verbenaceae Lamiaceae Heretiaceae Acanthaceae Campanulaceae Rubiaceae Coccocypselum cordifolium Faramea salicifolia Gonzalagunia dicodea Psychotria bahiensis DC. Psychotria racemosa (Aubl.) Rauesh. sete cascos cocão jaqueira d'água cansanção feijão de rolinha Madeireira Madeireira Madeireira caboatã pitomba de macaco amesclinha amesclão amescla de resina cupiuba praiba freijó da mata laranjinha caboatã lisa Oití de morcego jaqueira da mata Madeireira Madeireira Madeireira Madeireira Muricí da mata Importância Econômica gitirana salgueiro cordão de frade Ornamental Ornamental gargáuba gargáuba maria preta Ornamental Melífera erva de rato Tóxica erva de rato Tóxica

79 Família Asteraceae Nome Científico Nome Vulgar Importância Econômica Psychotria manipouroides DC. erva de rato Tóxica Salzmania nitida DC. Acanthospermum hispidum DC. Elephantopus angustifolius federação Medicinal Vernonia scorpioides (Lam.) Pers. Commelinaceae Dichorisandra albomarginata Linden Família Cyperaceae Cyperaceae Poaceae Poaceae (cont.) Heliconiaceae Costaceae Marantaceae Família Marantaceae (cont.) Marantaceae Arecaceae Pontederiaceae Smilacaceae Dioscoriaceae Nome Científico Dichorisandra thyrsiflora Calyptrocarya glomerulata (Brongn) Urb. Cyperus larcus Lam. Cyperus lascum Lam. Cyperus luzulae (L.) Retz Cyperus sphacelatus Rollb Hypolytrum bullatum C. B. Clarke Scleria pterota Presl. Chloris barbata (L.) Sw. Chloris inflata Link. Digitaria horizontalis Wild. Digitaria insularis Mez ex Ekman Echinolaena inflexa (Poir) Chase Eragrostis articulata (Schr.) Nees Homolepis alturensis (H. B. K.) Chase Ichnanthus tenuis (Presl.) Ichnanthus sp. Olyra latifolia L. Paspalum varginatum Swartz. Panicum lascum Siv. Setaria setosa (Swartz) P. Beauv. Sporobolus tenuissimus (Schrank.) Kuntz. Heliconia psittacorum L. Costus sp. Calathea cf. pernambucensis Loes Calathea sp. Ctenanthe pernambucensis Arns et Mayo Ischinosiphon gracilis (Rudge) Koern. Maranta arundinacea L. Maranta andersoniana Arns et Mayo Nome Científico Maranta sp. Monotagma plurispicatum (Koern.) Saranthe klotzschiana (Koern.) Eichl. Stromanthe porteana Gris. Stromanthe tonkat (Aubl.) Eichl. Bactris pickelii Burret Pontederia cordata L. Smilax campestris Griseb. Dioscoria trifida Nome Vulgar Importância Econômica Ornamental Ornamental capim estrela tiririca pé de galinha paquevira araruta Nome Vulgar Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Comestível Ornamental Importância Econômica Ornamental coquinho Comestível Ornamental cará nambu Comestível

80 Família Nome Científico Nome Vulgar Araceae Anthurium pentaphyllum (Aubl.) G. Don. Monstera andansonii Scott. Philodendrum imbe Schott Philodendrum fragantissimum (Hook.) Aechmea aquilega (Salisb.) Griseb. Aechmea cf. fulgens Brongn. Aechmea ligulata (L.) Baker. Aechmea mulfordii L. B. Smith Canistrum aurantiacum E. Moren Cyrtopodium cff. Andersonii R. Br. Epidendrum cff. cinnabarinum Salm. Vanilla chamissonis Kl. Vanilla palmarum Lindl. anturio jibóia da mata imbé imbé gravatá gravatá gravatá gravatá Araceae (cont.) Bromeliaceae Orchidaceae Importância Econômica rabo de tatu epidendro baunilha baunilha Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Ornamental Tabela 7 Lista de espécies ameaçadas da Mata Atlântica Importânci a Econômica Família Nome Científico Nome Vulgar Moraceae Lecythidaceae Clarisia racemosa Ruiz. Et Pavon Gustavia augusta Micropholis gardneriana (DC) Warb. Virola gardineri (DC.) Warb. orticica da mata Madeireira prejuí urucuba Madeireira Madeireira Couepia rufa Ducke oiti coró Comestível Sapotaceae Myristicaceae Chrysobalanacea e Discussão e Conclusão Dos grandes fragmentos de Mata Atlântica existentes em Pernambuco, a reserva de Gurjaú ainda está entre as mais conservadas em relação à vegetação e flora pernambucana. É grande o número de áreas com beleza sênica do conjunto água, vegetação, flora e fauna, que precisam ser conservadas para as gerações futuras. A proteção da flora existente na área requer urgência, já que existe uma comunidade habitando a área e retirando para o sustento os materiais da floresta para uso na alimentação, construção de moradias, artesanato, etc. O que concorre para a degradação do ecossistema ali existente. Devido aos endemismos a alta ocorrência de espécies raras de árvores (Micropholis gardneriana (DC) Warb, prejuí), arbustos (Psychotria sp. possivelmente espécie nova) ervas ornamentais de grande porte (Costus sp.) e

81 ervas de valor medicinal incontestável precisam ser estudadas antes que se acabem. Por essas evidências, salienta-se a importância da preservação da área pela biodiversidade sugerindo a criação de uma Unidade de Conservação para as Matas de Gurjaú. Figura 37 - Heliconia psittacorum Sw.(paquevira) espécie abundante nas matas de Gurjaú. Abril de 003.

82 Figura 38 Centropogon cornutus (L) Druce observado na borda da Mata do Cuxió, Gurjaú, em abril de 003. Figura 39 Cayaponia tayuya Cogn. (Cucurbitaceae) observada na Mata do Mané do Doce, Gurjaú, em abril de 003.

83 Figura 40 Calathaea sp (Marantaceae) observada na borda da Mata do Mané do Doce, Gurjaú, em abril de Ecologia da vegetação arbórea Introdução Por ser um ecossistema complexo, a floresta tropical sempre é um desafio para a ciência florestal. O conhecimento desse recurso é uma necessidade, visto que, a cada momento, intervenções sucessivas acontecem, sem a mínima preocupação com a conservação desse recurso natural. O entendimento da complexa dinâmica que envolve as florestas tropicais inicia-se pelo levantamento da florística e fitossociologia. A identidade das espécies e o comportamento das mesmas em comunidades florestais são o começo de todo processo para a compreensão deste ecossistema. Com o conhecimento de parâmetros básicos da vegetação, as técnicas de manejo surgem como uma forma de conservação e preservação da diversidade das espécies e, até mesmo de subsidiar a recuperação de fragmentos florestais, em processo de degradação Marangon (999).

84 Os trabalhos em florestas nativas, embora de importância crescente, sofrem grandes limitações, motivadas pela falta de informações das espécies. Além do desconhecimento das espécies existentes, se desconhece também os fenômenos que ocorrem nas florestas ou em espécies isoladas, mesmo os mais simples como floração, mudança foliar e frutificação. Por outro lado, atualmente, uma má utilização do solo e da água e a forma de utilização dos recursos florestais têm proporcionado sérios danos a esses recursos, comprometendo seriamente a biodiversidade. No momento, a cobertura vegetal da região Nordeste se apresenta muito fragmentada e em mal estado de conservação, principalmente, as áreas, anteriormente ocupadas por contínuos florestais. Esses remanescentes necessitam urgentemente de pesquisas básicas, no sentido de subsidiar ações de conservação, preservação e recuperação dessas áreas. Desde o início da colonização do Estado de Pernambuco, a vegetação da mata atlântica vem sendo explorada para diversos fins, o que causou a descaracterização da paisagem natural e do clima regional, gerando perdas de biodiversidade local e alterações da dinâmica das populações e comunidades vegetais e animais. Somente na última década tem crescido o interesse em resgatar as informações sobre a vegetação de mata atlântica no Estado, especialmente a florística e a fitossociologia (Ferraz et al. 00). Desta forma, a compreensão da dinâmica de sucessão e crescimento das florestas tendem a contribuir para a utilização racional desses recursos, por meio de técnicas adequadas de manejo. Segundo Rolim (997), a discussão em torno da sustentabilidade das florestas tropicais é de extrema importância para a aplicação de técnicas de manejo. Nesse sentido, Jardim et al. (993) afirmam que os vários sistemas silviculturais aplicáveis ao manejo da floresta, objetivando o rendimento sustentável, ainda exigem conhecimentos básicos sobre a dinâmica de crescimento e recomposição da floresta nativa original, para que possam ser aplicados com sucesso, sem comprometer a estabilidade, a renovabilidade e a sustentabilidade desse recurso. Lamprecht (964), afirma que o estudo da estrutura da floresta secundária produz análises importantes sobre a dinâmica e as tendências do desenvolvimento futuro da

85 floresta. Nesse sentido, os estudos fitossociológicos se tornam imprescindíveis, pois estabelecem as bases para a dinâmica de florestas naturais. A fitossociologia envolve o estudo das interrelações de espécies vegetais dentro de uma dada comunidade vegetal, no caso em questão, comunidades vegetais arbóreas. Tal estudo se refere ao conhecimento quantitativo da composição, estrutura, funcionamento, dinâmica, história, distribuição e relações ambientais da comunidade vegetal. A taxonomia vegetal, fitogeografia e as ciências florestais servem de base para a fitossociologia que se apóia nessas áreas e possui estreitas relações com as mesmas. Sendo assim pretende-se analisar o estado atual de conservação da vegetação arbórea da reserva de Gurjaú. MATERIAL E METODOS Levantamento Fitossociológico Nas matas Mané do Doce, Cuxio, Passarinho e Prejuí foram lançadas um total de 40 parcelas de 0 x 5 m (50 m), distanciadas entre si 5 m. Em cada mata, instalaram-se 0 parcelas sistematizadas no sentido do maior comprimento da área de estudo. Nas parcelas foi mensurado e identificado todo vegetal arbóreo, com circunferência à altura do peito (CAP) maior ou igual a 5,0 cm, a,30 m do solo, conforme Marangon (999). PARÂMETROS FITOSSOCIOLÓGICOS Na análise fitossociológica foram usadas estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal que envolve a freqüência, a densidade e a dominância. Tais parâmetros, quando reunidos em uma única expressão, determinam o valor de importância e o valor de cobertura que proporcionará o conhecimento da importância de cada espécie na comunidade florestal estudada. A distribuição diamétrica foi analisada por meio da distribuição do número de árvores por classes de diâmetro com intervalos de 5,0 cm, a partir de um CAP

86 (circunferência à altura do peito) mínimo de 5,0 cm, que equivale a um DAP (diâmetro a altura do peito) de 4,77 cm. Diversidade Florística Para a análise da heterogeneidade, calcularam-se os índices de diversidade de Shannon (H3), conforme Mueller-Dombois & EllenberG (974). Regeneração Natural A regeneração natural das espécies será baseada na metodologia empregada por Finol (97) e modificada por Volpato (994). Nas unidades amostrais implantadas para o estudo fitossociológico foram locadas subunidades de 5 m x 5 m (5 m²). A classe contemplou indivíduos com altura mínima de,0 a,0 m; a classe, com indivíduos de,0 m a 3,0 m e a classe 3, com indivíduos superiores a 3,0 m e CAP (circunferência à altura do peito) menor que 5,0 cm. Para cada espécie foram estimados os parâmetros: freqüência e densidade absoluta e relativa em cada classe de altura pré estabelecida. RESULTADOS Mata Mané Do Doce FITOSSOCIOLOGIA Em uma área amostrada de 500 m (0,5 ha), equivalente a 0 parcelas de 0 m x 5 m, foram encontrados 96 indivíduos arbóreos, com 8 indivíduos mortos. A maior altura foi detectada em um indivíduo de Simarouba amara (Simarubaceae) com 35 m e o maior diâmetro encontrado foi em um segundo indivíduo da mesma espécie com 70,03 cm. Nesta mata foram amostradas 3 famílias, 49 gêneros, 55 espécies e um índice de diversidade de SHANNON e WEAVER (H') 3,5 nats/espécies. Quando se estima o número de indivíduos por hectare, que é de 80 indivíduos, é um número baixo para Floresta Atlântica. Ferraz (00), em estudo realizado na zona da Mata Norte, município de São Vicente Férrer, Pernambuco, encontrou 5 indivíduos por hectare.

87 Fica evidente, e os dados irão mostrar isto, que a mata Mane do Doce sofreu um corte seletivo bastante intenso nos últimos anos. Os parâmetros fitossociológicos (Tabela 8) mostram a estrutura da mata com as espécies mais presentes na área com ênfase em Densidade Relativa, Freqüência Relativa e Dominância Relativa. Tabela 8 Parâmetros fitossociológicos da Mata Mané do Doce, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância Nome científico Simarouba amara Annona glabra Brosimum discolor Caraipa densifolia Diplotropis purpurea var. brasiliensis Pogonophora schomburkiana Eschweilera ovata Mabea occidentalis Tapirira guianensis Schefflera morototoni Thyrsodium schomburgkianum Brosimum conduru Euphorbiaceae Protium giganteum Ocotea opifera Dialium guianensis Manilkara salzmanii Maprounea guianensis Guatteria schlechtendaliana Pera ferruginea Pourouma guianensis Sttyphnodendron pulcherrimum Psychotria sessilis Macrosamanea pedicellaris Aspidosperma discolor Cupania racemosa Bowdichia virgilioides Lecythes pisonis Himatanthus bracteatus Myrcia fallax Cecropia glaziovi Trichilia silvatica Psychotria cartaginensis Rheedia gardineriana Miconia albicans Nectandra cuspidata Pouteria grandiflora DR(%) 3,7 9,46 0,8 3,38 FR(%) 3,3 6,6 4,64 3,97 DOR(%) 6,68 4,84 4,54 8,90 VI 3,70 0,9 9,99 6,5,36 4,73 4,73 4,39 3,7,03,36,70,35,70,70,69,69,36,70 0,68,69 0,68,69 0,68,0,35 0,68 0,68,35,0,35,0,35,0 0,68 0,68 0,68,99 3,97 3,3 3,3,65,65 3,3,65,99,65,99,65,99,99,99,3,99 0,66,99,3,99,99,3,3,3,99 0,66,3 0,66,3,3,3,3, 6,07 3,54 3,5 3,86 3,93,36,37,95 0,87 0,90,05,39 0,6 0,7,5 0,6,87 0,33,84 0,66 0,30,57,34 0,5 0, 0,80 0,9 0,49 0,5 0,34 0,7 0,7 5,48 4,78,58 0,85 0, 8,6 8,04 7,7 6,9 6,3 5,59 5,39 5,06 4,96 4,96 4,5 4,8 4,0 4,0 3,84 3,66 3,64 3,57 3,34 3,9 3,,8,5,5,49,34,7,7

88 Ocotea glomerata Helicostylis tomentosa Byrsonima sericea Inga thibaudiana bucho de viado Virola gardneri Casearia arborea Peltophorum dubium Sorocea hilarii Amaioua guianensis Guapira oposita 0,68 0,68 0,34 0,34 0,34 0,34 0,34 0,34 0,34 0,34 0,34 0,34 Psychotria martiana,3,3 0,66 0,66 0,66 0,66 0,66 0,66 0,66 0,66 0,66 0,66 0,4 0, 0,35 0,4 0, 0,04 0,03 0,03 0,03 0,0 0,0 0,0,4,,35,4,,04,03,03,03,0,0,0 As espécies de maior VI (Valor de Importância) foram: Simarouba amara, Annona glabra, Brosimum discolor, Caraipa densifolia, Diplotropis purpurea var. brasiliensis, Pogonophora schomburkiana, Eschweilera ovata, Mabea occidentalis, Tapirira guianensis e Schefflera morototoni. Em relação ao total de espécies amostradas, as famílias mais presentes foram Euphorbiaceae e Moraceae, com 9,09 % cada. Leguminosae Mimosoideae, com 7,7 %, Lauraceae e Rubiaceae, com 5,45 % cada. Anacardiaceae, Annonaceae, Apocynaceae, Lecythidaceae, Leguminosae Caesalpinioideae e Leguminosae Papilionoideae, com 3,63 % cada. DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA Quando se analisa a distribuição diamétrica (Figura 40) na Mata Mané do Doce, verifica-se, na primeira classe de diâmetro (0,0 5,0 cm) 3 indivíduos. Na segunda classe (5, 0, 0 cm) há um aumento expressivo no número de indivíduos que sobe para 5. Nas classes subseqüentes ocorre uma queda gradativa até a ultima Classe, que é a décima quinta (5). No caso das primeiras classes, devido ao fato de existir um corte seletivo na área, há uma regeneração natural nas clareiras, provocada pelas derrubadas, que vem recompondo a mata. Esta dinâmica ocorre em função da ação antrópica na área que induz a distribuição diamétrica na forma de J invertido, o que é esperado para uma floresta ineqüiânea secundária.

89 0 5 Mata Mané do Doce 0 Número de indivíduos Classes de diâmetro Figura 4 Distribuição diamétrica dos indivíduos arbóreos da Mata Mané do Doce em Classes de diâmetros com intervalo entre classes de 5,0 cm. Da quarta classe (5, 0,0 cm) até a oitava (35, 40,0 cm) há uma tendência das espécies se distribuírem de forma mais balanceada na comunidade florestal ali instalada. Nestas classes, as espécies predominantes são as secundárias iniciais e tardias, apesar da distribuição diamétrica caracterizar um estágio de sucessão ainda inicial. Este comportamento prova mais uma vez que o corte seletivo vem provocando este comportamento na comunidade. As demais classes apresentam indivíduos remanescentes que sobreviveram aos cortes seletivos e se destacam em relação à comunidade como um todo (Figura 4). Indivíduos de Diplotropis purpúrea var.brasiliensia 60,80 cm de DAP, Caraipa densifolia, com 64,94 cm de DAP e Simaruba amara com 70,03 cm de DAP caracterizam bem estes remanescentes na Mata Mané do Doce. A presença de espécies com declínio no número de indivíduos nas classes diamétricas de valores intermediários e mais altos pode estar comprometida na evolução dos estágios sucessionais, visto que, nesse caso, pode não estar sendo eficiente o seu processo de regeneração ou, até mesmo, por se tratarem de espécies pioneiras, que em condições normais não toleram competição e à medida que os diâmetros vão aumentando essas espécies vão desaparecendo.

90 Por outro lado, a presença de espécie em várias classes de diâmetros, apresentando uma distribuição mais uniforme, tendendo a um balanceamento, neste caso indica um estágio sucessional mais avançado com estratos melhores definidos. A presença das espécies que compõem estes estratos, nas três classes de alturas em regeneração indica a garantia das mesmas na tipologia florestal da área estudada. REGENERAÇÃO NATURAL Nas dez sub-parcelas amostradas encontraram-se 05 indivíduos, pertencentes a 7 famílias, e 38 espécies no levantamento da regeneração natural da Mata Mané do Doce. As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da regeneração natural encontram-se na Tabela 9 a seguir. Tabela 9 Parâmetros fitossociológicos de regeneração natural da Mata Mané do Doce, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de.importância. Nome científico Annona glabra Protium giganteum Pogonophora schomburkiana Nectandra cuspidata DR(%) 8,4 8,8 4,4 8,8 FR(%) 8,60 6,45 5,38 4,30 DOR(%) 3,79 3,8,96 6,49 VI 40,53 39,0 3,75 9,6 Eschweilera ovata Siparuna guianensis Gratteria schlechtendaliana Brosimum discolor Brosimum conduru Myrcia rostrata Miconia albicans Maprounea guianensis Caraipa densifolia Pouteria grandiflora Psychotria sessilis Cordia nodosa Campomanesia xanthocarpa Mabea occidentalis Sorocea hilarii Rheedia gardneriana Ficus gomeleira Simarouba amara Dialium guianensis Indeterminada Eugenia sp Cestrum megalophyllum Manilkara salzmanii 5,88 4,4 5,88 3,9 4,4,94,96,45,45,47,45,47,47,96,47,47,96 0,98 0,98 0,98 0,98,47 0,49 5,38 3,3,5 4,30 5,38 5,38 4,30,5,5 3,3,5 3,3 3,3,5,5,5,08,5,08,5,5,08,08 4,36 3,80,78,57 0,76 0,6,0,85, 0,86 0,9 0,6 0,3 0,50 0,66 0,5,08 0,86,7 0,33 0,8 0,34,9 5,6,44 0,8 0,79 0,55 8,93 8,7 6,45 5,83 5,56 5,5 4,96 4,93 4,6 4,8 4,4 4, 3,99 3,78 3,46 3,3,89,76

91 Pourouma guianensis Trichilia silvatica Pera ferruginea Thyrsodium schomburgkianum Ocotea opifera Allophylus sericeus Agonandra sp Casearia arbórea Erythroxylum squamatum Swartza pickelii Aspidosperma discolor 0,49 0,98 0,49,08,08,08,9 0,66 0,53,76,7,0 0,49 0,49 0,49 0,49 0,49 0,49 0,49 0,49,08,08,08,08,08,08,08,08 0,38 0,3 0,3 0,08 0,06 0,06 0,05 0,03,95,70,70,65,63,63,6,60 As dez espécies mais presentes na regeneração natural que mais se destacaram em todos os parâmetros fitossociológicos estudados foram: Annona glabra, Protium giganteum, Pogonophora schomburkiana, Eschweilera ovata, Siparuna guianensis, Gratteria schlechtendaliana, Brosimum discolor, Brosimum conduru, Myrcia rostrata e Miconia albicans. Ao se comparar com as adultas, verifica-se que a maioria encontrada na regeneração possui representantes desenvolvendo-se normalmente na Mata Mané do Doce. Analisando a composição da vegetação arbórea da Mata Mané do Doce verifica-se que as espécies com grande número de indivíduos nas classes menores de diâmetro tendem a estar presentes na floresta futura daquele local. Essa afirmativa é constatada quando se observam na regeneração os resultados e se verifica a presença dessas espécies em destaque no povoamento. Fica evidente, no entanto, que a Mata Mané do Doce está desenvolvendo seu processo sucessional de forma eficiente e garantindo a fitofisionomia da região, ou seja, a Floresta Ombrófila Densa de Encosta. Citiadini-Zanette (995), afirma que as espécies que ocorrem em todas as classes de altura teoricamente possuiriam maior potencial para participar da composição futura da floresta, ou seja, são as que melhor conseguem estabelecer-se na floresta futura. O destaque fica para Annona glabra, com 38 indivíduos. É uma espécie secundária inicial, que normalmente possui altura média de m e diâmetro em torno de no máximo 5,0 cm. Essa espécie é seguida por Protim giganteum com 8 indivíduos amostrados. É também uma espécie secundária inicial cujas dimensões estão próximas da Annona glabra. Mata do Cuxio

92 FITOSSOCIOLOGIA Em uma área amostrada de 500 m (0,5 ha), equivalente a 0 parcelas de 0 m x 5 m, foram encontrados 74 indivíduos arbóreos, com 3 indivíduos mortos. A maior altura foi detectada em indivíduos de Esclerolobium densifolium e Parkia pendula, ambas com 35 m, os maiores diâmetros encontrados foram das espécies citadas, com respectivamente 7,75 cm e 80,85 cm. Foram amostradas famílias, 44 gêneros, 50 espécies e um índice de diversidade de SHANNON e WEAVER (H') 3,50 nats/espécies. O número de indivíduos estimado por hectare é de 096. Resultado muito próximo da Mata do Mané do Doce com 80 indivíduos. Os parâmetros fitossociológicos (Tabela 0) mostram a estrutura da mata com as espécies mais presentes na área com ênfase em Densidade Relativa, Freqüência Relativa e Dominância Relativa. As espécies de maior VI (Valor de Importância) foram: Caraipa densifolia, Manilkara salzmanii, Diplotropis purpurea var. brasiliensis, Euphorbiaceae, Brosimum discolor, Annona salzmanii, Protium heptaphyllum, Thyrsodium schomburgkianum, Pogonophora schomburkiana e Parkia pendula estas espécies são as de maior destaque na Mata do Cuxio. Em relação ao total de espécies amostradas, as famílias mais presentes foram Euphorbiaceae com 9,09 %, Lauraceae e Myrtaceae com 5,45 % cada, Anacardiaceae, Apocynaceae, Burseraceae, Lecythidaceae, Leguminosae Caesalpinioideae, Moraceae, Rubiaceae e Sapotaceae com 3,63 % cada. Tabela 0 Parâmetros fitossociológicos da Mata do Cuxio, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância. Nome científico Caraipa densifolia Manilkara salzmanii Diplotropis purpurea var. brasiliensis Euphorbiaceae Brosimum discolor Annona salzmanii Protium heptaphyllum Thyrsodium schomburgkianum Pogonophora schomburkiana DR(%) 4,03 9,89 FR(%),58 6,45 DoR(%) 6,88 4, VI 3,49 0,56,56 4,40 6,96 5,49 5,49 5,49 4,03 3,3 3,3 3,87 3,87 5,6 3,87 5,6 0,6 6,66,59 3,50,0 3,4,5 5,95 4,8 3,4,87,86,60,70

93 Parkia pendula Sclerolobium densiflorum Protium giganteum Guatteria schlechtendaliana Brosimum conduru Nectandra cuspidata Pouteria grandiflora Aspidosperma discolor Eschweilera apiculata indeterminada Eugenia sp Himathantus bracteatus Tapirira miriantha Eschweilera ovata Dialium guianensis Pourouma guianensis Schefflera morototoni Rheedia gardneriana Cecropia glaziovi Virola gardineri Psychotria sessilis Bowdichia virgilioides Mabea occidentalis Calipthrantes sp Pera ferruginea Miconia calvescens Simarouba amara Ocotea opifera Zanthoxyllum rhoifolium Lonchocarpus guilleminianus Bucho de veado Hyeronima alchorneoides Cupania racemosa Annona glabra Maytenus ilicifolia Psychotria cartaginensis Trichilia silvatica Mapronea guianesis Myrcia rostrata Ocotea odorifera Vismia guianesis,47,0,93 4,40 3,30 3,30,56,93,83,47,0,47 0,73,47,47,47,47,47,47,0,47 0,37,0,47 0,73 0,37 0,73 0,73 0,37 0,73 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37 0,37,58,9 3,87 3,87,58 3,3,58,94,58,94,58,58,9,94,94,94,94,94,9,94,94 0,65,9 0,65,9 0,65 0,65,9 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 0,65 6,58 8,05,97,06,36 0,46,79,86,98,3 0,4,0 3,0,37,6,4 0,64 0,4,03 0,7 0,8,45 0,66 0,48 0,47,8 0,7 0,05 0,5 0,08 0,39 0,09 0,08 0,07 0,06 0,06 0,04 0,04 0,04 0,0 0,0 0,63 0,44 9,78 9,33 8,4 6,98 6,93 6,7 6,39 5,53 5,9 5,06 5,03 4,77 4,66 4,64 4,04 3,8 3,79 3,76 3,58 3,46 3,05,59,50,9,09,08,53,45,4,0,09,08,07,07,06,05,05,04,03 DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA A distribuição diamétrica (Figura 4) na Mata do Cuxio é bastante semelhante à Mata do Mane do Doce. Verifica-se na primeira classe de diâmetro (0,0 5,0 cm) 9. Na segunda classe (5, 0, 0 cm) há um aumento expressivo no número de indivíduos que sobe para 4 indivíduos. Nas classes

94 subseqüentes ocorre uma queda gradativa até a ultima Classe que é a décima sexta (6). No caso das primeiras classes, a situação é semelhante à Mata Mane do Doce, existe corte seletivo na área, há uma regeneração natural nas clareiras, provocadas pelas derrubadas, que vêm recompondo a mata. Esta dinâmica ocorre em função da ação antrópica na área o que provoca, com mais intensidade, uma distribuição diamétrica na forma de J invertido o que, normalmente, é esperado para uma floresta ineqüiânea secundária. Da terceira classe (0,0-5, cm) até a oitava (60, - 65 cm) há uma tendência das espécies se distribuírem de forma decrescente e gradativa na comunidade florestal ali instalada. Quando se compara com a Mata Mané do Doce, o que se verifica é a presença de um corte seletivo ainda mais intenso. Nestas classes as espécies predominantes são as secundárias iniciais e tardias. As demais classes apresentam indivíduos remanescentes que sobreviveram aos cortes seletivos e se destacam em relação à comunidade como um todo. Indivíduos de Esclerolobim densiflorum com 7,75 cm de DAP, e Parkia pendula com 80, 85 cm de DAP são os representantes destes Número de Indivíduos remanescentes Mata do Cuxio Classess de Diâmetro Figura 4 Distribuição diamétrica dos indivíduos arbóreos da Mata do Cuxio em Classes de diâmetros com intervalo entre classes de 5,0 cm. REGENERAÇÃO NATURAL

95 Nas dez sub-parcelas amostradas encontraram-se 8 indivíduos pertencentes a 0 famílias e 34 espécies no levantamento da regeneração natural da Mata do Cuxio. As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da regeneração natural encontram-se na Tabela a seguir. Tabela Parâmetros fitossociológicos de regeneração natural da Mata do Cuxio, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância. Nome científico Myrcia rostrata Manilkara salzmanii Protium giganteum Mabea occidentalis Pouteria scytalophora Euphorbiaceae Miconia calvescens Rheedia gardneriana Ingá tibaudiana Brosimum conduru Siparuna guianensis Psychotria sessilis Annona glabra Nectandra cuspidata Miconia albicans Thyrsodium schomburgkianum Eschweilera apiculata Pogonophora schomburkiana Brosimum discolor Ixora sp Swartza pickelii Rheedia sp Cupania racemosa Parkia pendula Eschweilera ovata Simaruba amara Campomanesia xanthocarpa Protium heptaphyllum Cordia nodosa Pouteria grandiflora Schefflera morototoni Miconia sp Zanthoxylum roifolium Diplotropis purpurea var. brasiliensis DR(%),49 4,8,75 0,53 7,89 5,70,9 3,95 3,5,63,3 4,8 0,88,9 3,5,63,9,75 0,44,63 3,07,75,3 0,88 0,44,75 0,44 0,88 0,44 0,44 0,44 0,44 0,44 FR(%) 6,80 5,83,9 3,88 7,77 5,83 3,88 4,85 6,80 3,88,9,9 0,97 3,88 3,88,9 3,88,9 0,97,9,94,9,94 0,97 0,97,94 0,97,94 0,97 0,97 0,97 0,97 0,97 DoR(%) 7,37 7,0 8,09 3,8 0,7,50 5,05,30 0,40 3,47 5,69,9 7,06,8 0,7,03,6,7 4,97 0,40 0,7 0,4,3,40,83 0,30,40 0,68,7,03 0,0 0,5 0,0 VI 35,66 7,67,76 8, 5,93 3,03,3,0 0,7 9,99 9,9 9,66 8,9 7,88 7,66 7,57 7,33 6,39 6,38 5,95 5,8 4,8 4,58 4,5 4,4 4,00 3,8 3,50 3,3,44,6,56,5 0,44 0,97 0,04,45 As dez espécies mais presentes na regeneração natural que mais se destacaram em todos os parâmetros fitossociológicos estudados foram: Myrcia

96 rostrata, Manilkara salzmanii, Protium giganteum, Mabea occidentalis, Pouteria scytalophora, Euphorbiaceae, Rheedia gardneriana, Inga tibaudiana e Brosimum conduru. Quando se compara com as adultas, verifica-se que a maioria encontrada em regeneração possui representantes desenvolvendo-se normalmente na Mata do Cuxio. A situação da comunidade é a mesma da Mata Mané do Doce, ou seja, a composição da vegetação arbórea da Mata do Cuxio apresenta as espécies com grande número de indivíduos nas classes menores de diâmetro tendendo a estarem presentes na floresta futura desta comunidade. O destaque fica para Myrcia rostrata que apresenta características de secundária inicial, também em destaque Manilkara salzmanii e Protium giganteum. São espécies que possuem características de tardia e secundária inicial, respectivamente. Muito provavelmente estarão na floresta futura. Mata do Piriquito FITOSSOCIOLOGIA Em uma área amostrada de 500 m (0,5 ha ), equivalente a 0 parcelas de 0 m x 5 m, foram encontrados 5 indivíduos arbóreos, com 7 indivíduos mortos. A maior altura foi detectada em indivíduos de Taprira guianensis e Boudichia virgilioides. A primeira, com 66,53 cm de diâmetro e 35 m de altura. A segunda, com 6,7 cm de diâmetro e 38 m de altura. Foram amostrados 9 famílias, 43 gêneros, 48 espécies e um índice de diversidade de SHANNON e WEAVER (H') 3,47 nats/espécies. O número de indivíduos estimado por hectare é de 004, muito próximo da Mata do Cuxio, que foi de 096, e menor da Mata Mané do Doce, com 80 indivíduos. Os parâmetros fitossociológicos (Tabela ) mostram a estrutura da mata com as espécies mais presentes na área, com ênfase em Densidade Relativa, Freqüência Relativa e Dominância Relativa. As espécies de maior VI (Valor de Importância) foram: Pera ferruginea, Thyrsodium schomburgkianum, Eugenia sp, Protium heptaphyllum, Helicostylis tomentosa, Nectandra cuspidata, Annona glabra, Ocotea opifera, Bowdichia virgilioides e Eschweilera ovata. Em relação ao total de espécies amostradas as famílias mais

97 presentes foram Moraceae 8,33 %, Euphorbiaceae, Leguminosae papilionoideae e Sapotaceae com 6,5 % cada e. Anacardiaceae, Burseraceae, Lauraceae, Lecythidaceae, Leguminosae Mimosoideae com 4,6 % cada. Tabela Parâmetros fitossociológicos da Mata do Periquito, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância. Nome científico DR(%) FR(%) DOR(%) VI Pera ferruginea Thyrsodium schomburgkianum Eugenia sp Protium heptaphyllum Helicostylis tomentosa Nectandra cuspidata Annona glabra Ocotea opifera Bowdichia virgilioides Eschweilera ovata Casearia arborea,7,,8 8, 7,6 5,98 0,43,56 4,7 4,7 0,85,4 4,96,4 4,96 4,96 4,96 4,96 3,55 3,55 4,6,4 0,0 0,0,40 0,53 0,56,5 6,06 5,05,04 0,44 5,97 3,5 6,0 5,0 3,6,79,46,45,6 9,86 8,97 8,4 Erythroxylum squamatum 0,85,4 5,74 8,0 Euphorbiaceae Myrcia fallax Tapirira guianensis Schefflera morototoni Pogonophora schomburkiana Lonchocarpus guilleminianus Parkia pendula Aspidosperma sp Maclura sp Miconia bentaniana Himathantus bracteatus Simarouba amara Caraipa densifolia Trichilia silvatica Myrcia rostrata Prunus sellowii Eschweilera apiculata Siparuna guianensis Mapronea guianensis Inga thibaudiana Miconia albicans Diplotropis purpurea var. brasiliensis Protium giganteum Manilkara salzmanii Ideterminada Artocarpus integrifólia Pouteria grandiflora Chrysophyllum gonocarpum Sloanea obtusifolia Sebastiana sp Couepia rufa,56 4,70,99,56 0,43,7,4 3,85,99,99,8,99,8 0,85,8,7,8,4 0,85,7,8,3,84 4,6 3,55 0,7,3,84,3,84,84,3,84,4,4,4,3,3,3 0,7,3,3 3,0 0,8 0,03,4 5,64,8,54 0, 0,3 0,4,60 0,7 3,3 3,3,43 0,60,0 0,04,50 0,6 0,50 7,89 7,7 7,8 7,5 6,78 6,65 6,5 6,0 6,3 6,07 6,0 6,00 5,83 5,59 5,3 4,44 4,4 4,3 4,07 4,00 3,90 0,43 0,85,8 0,43 0,43 0,43 0,43 0,43 0,85 0,43 0,7,4 0,7 0,7,4 0,7 0,7 0,7 0,7 0,7,55 0,47 0,74,04 0, 0,8 0,65 0,58 0,0 0,35 3,68,75,73,8,97,96,78,7,59,48

98 Tapirira miriantha Ficus gomeleira Sorocea hilarii Pourouma guianensis 0,43 0,43 0,43 0,43 0,7 0,7 0,7 0,7 0,9 0,8 0,3 0,04,33,3,7,8 DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA A distribuição diamétrica (Figura 4) na Mata do Periquito é bastante semelhante à Mata do Cuxio. Verificam-se, na primeira classe de diâmetro (0,0 5,0 cm), 6 indivíduos. Na segunda classe (5, 0, 0 cm) há um aumento expressivo no número de indivíduos, que sobe para 09. Nas classes subseqüentes ocorre uma queda gradativa até a ultima Classe que é a décima quarta (4). No caso das primeiras classes, a situação é semelhante à Mata do Cuxio. Há corte seletivo na área, o que promove uma regeneração natural nas clareiras, provocadas pelas derrubadas, e conseqüentemente um número grande de indivíduos jovens no local. Esta dinâmica ocorre em função da ação antrópica na área onde a distribuição diamétrica apresenta-se na forma de J invertido, o Número de indivíduos esperado para uma floresta ineqüiânea secundária Mata do Piriquito Classes de diâmetro Figura 43 Distribuição diamétrica dos indivíduos arbóreos da Mata do Piriquito em Classes de diâmetros com intervalo entre classes de 5,0 cm. Da terceira classe (0, - 5,0 cm) até a oitava (60, - 65 cm) há uma tendência das espécies se distribuírem de forma decrescente e gradativa na comunidade florestal do local. Situação muito semelhante à Mata do Cuxio,

99 descrita anteriormente. As demais classes apresentam indivíduos remanescentes que sobreviveram aos cortes seletivos e se destacam em relação à comunidade como um todo. Indivíduos de Taprira guianensis e Boudichia virgilioides são, sem dúvidas, representantes autênticos destes remanescentes com, respectivamente, 66,53 cm de diâmetro e 35 m de altura e 6,7 cm de diâmetro e 38 m de altura. REGENERAÇÃO NATURAL Das dez sub-parcelas amostradas encontraram-se 93 indivíduos pertencentes a 8 famílias e 35 espécies no levantamento da regeneração natural da Mata do Piriquito. As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da regeneração natural encontram-se na Tabela, a seguir. Tabela Parâmetros fitossociológicos da regeneração natural da Mata do Piriquito, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância. Nome científico DR(%) FR(%) DoR(%) VI Siparuna guianensis 6,06 7,79 4,37 38,3 Helicostylis tomentosa Eschweilera ovata Protium giganteum Annona glabra Cordia nodosa Protium heptaphyllum Thyrsodium schomburgkianum Inga blancheitiana Sorocea hilarii Brosimum discolor Pouteria grandiflora Myrcia rostrata Brosimum conduru Miconia albicans Nectandra cuspidata Eschweilera apiculata Psychotria sessilis 0,88,9 4,66 6, 8,9 6,74 6,49 5,9 9,09 7,79 5,9 5,9 4,8 0,79 9,03 5,66 3,04,70 3,9 7,90,78 9,67 6,5 4,64 4,5 3, 3,63,04,59,07,07,59 0,5,55,55 3,90,30 6,49,60,60,30,60,60,30,60,60 5,84 9,3 0,7 3,93,4 3,7,85 0,98 3,80 0,69 0,3 3,88 3,64 0,83 7,56 6,59 6,54 6,5 6,7 5,6 4,84 4,38

100 Myrcia fallax Parkia pendula Cestrum megalophyllum Macrosamanea pedicellaris Ocotea opifera Cupania racemosa Aspidosperma sp Eugenea sp Miconia bentaniana Caraipa densifolia Maclura sp Campomanesia xanthocarpa Pogonophora schomburkiana Casearia arborea Cecropia glaziovi Snethlage Inga thibaudiana Manilkara salzmanii,04 0,5,04,04 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5 0,5,60,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30,30 0,37,03 0,64 0,56 0,95 0,68 0,46 0,36 0,36 0,8 0,8 0,0 0,0 0,4 0,09 0,09 0,09 4,00 3,85,97,90,77,50,7,8,8,09,09,0,0,96,9,9,9 As dez espécies mais presentes na regeneração com destaque em todos os parâmetros fitossociológicos estudados foram: Siparuna guianensis, Helicostylis tomentosa, Eschweilera ovata, Protium giganteum, Annona glabra, Cordia nodosa, Protium heptaphyllum, Thyrsodium schomburgkianum, Inga blancheitiana e Sorocea hilarii. Comparadas com as adultas, verifica-se que a maioria encontrada em regeneração possui representantes desenvolvendo-se normalmente na Mata do Periquito. A situação da comunidade é a mesma das Matas até então estudadas, ou seja, a composição da vegetação arbórea da Mata do Periquito apresenta as espécies com grande número de indivíduos nas classes menores de diâmetro tendendo a estarem presentes na floresta futura desta comunidade. O destaque fica para Siparuna guianensis, uma espécie secundária bem característica das florestas Estacionais Semidecíduas e das Florestas Ombrófilas Densas. Também se destaca Helicostylis tomentosa e Eschweilera ovata. Possuem características de secundária inicial e tardia, respectivamente. São espécies garantidas na fitofisionomia futura. Mata do Prejuí FITOSSOCIOLOGIA

101 Na área de amostral de 500 m (0,5 ha ), equivalente a 0 parcelas de 0 m x 5 m, foram encontrados 56 indivíduos arbóreos, com 0 indivíduos mortos. A maior altura foi detectada em um indivíduo de Pera ferruginea com 35 m e o maior diâmetro em um indivíduo de Parkia pendula com 89,45 cm. Foram amostrados 4 famílias, 53 gêneros, 58 espécies e um índice de diversidade de SHANNON e WEAVER (H'),59 nats/espécies. Quando se estima o número de indivíduos por hectare, é de 04. Número próximo da Mata do Piriquito, que foi de 004, difere um pouco da Mata do Cuxio, de 096, e menor que a Mata Mané do Doce, com 80 indivíduos. Os parâmetros fitossociológicos (Tabela 3) mostram a estrutura da mata com as espécies mais presentes na área com ênfase em Densidade Relativa, Freqüência Relativa e Dominância Relativa. Tabela 3 Parâmetros fitossociológicos da Mata do Prejuí, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância. Nome científico Pera ferruginea Annona glabra Guatteria schelchtendaliana Thyrsodium schomburgkianum Nectandra cupidata Parkia pendula Brosimum discolor Euphorbiaceae Diplotropis purpurea var. brasiliensis Eschweilera ovata DR(%),95,7 8,0 5,47 3,9,56 3,5 3,9 FR(%),4 7,04,8 4,93 4,93, 3,5,8 DoR 77,96,04 0,67 0,66,3 4,9 0,5 0,78 VI 8,33 0,80,69,06 0,5 7,97 7,55 7,5 3,3 3,9,,8,7 0,55 7,50 7,7 Helicostylis tomentosa Protium heptaphyllum Tapirira guianensi Pouteria grandiflora Protium giganteum Miconia albicans Dialium guianensis Myrcia rostrata Mabea occidentalis Simaruba amara Rheedia gardneriana Ezembeckia sp Pogonophora schomburgkiana Pourouma guianensis Schefflera morototoni Pouteria scytalophora Bowdichia virgilioides 3,3 3,3,73 3,3,34,95,95,56,34,56,56,73,95,7,7,56,7,8,8,,8 3,5,8,8,8,4,, 0,70,4,,,4,4 0,35 0,3,40 0, 0, 0,63 0,5 0,04 0,39 0,4 0,08 0,3 0,7 0, 0,06 0,30 0,59 6,9 6,6 6,5 6,6 5,97 5,40 5,8 4,4 4,4 3,9 3,76 3,75 3,64 3,40 3,35 3,7 3,7

102 Clusia nemorosa Byrsonia sericea Rubiaceae Erythoxilum scamatum Indeterminada Croton gladulosum Virola gardneri Cordia selloriana Ocotea odorifera Cupania racemosa Ocotea opifera Sttyphnodendron pulcherrimum Maclura sp Piptocarpa sp Annona glabra Manilkara salzmanii Hirtella racemosa Caraipa densifolia Rudgea erythrocarpa Aspidosperma sp Brosimum conduru Sloanea obtusifolia Gomidesia blanchetiana Sebastiana sp Psyconthria cartaginensis Sorocea hilarii,7 0,78,7,7 0,78 0,78 0,78 0,78 0,78,7 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39,4,4,4,4,4,4,4,4,4 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,0 0,53 0,08 0,04 0,0 0,9 0,08 0,06 0,03 0,0 0,34 0,8 0,8 0,6 0,3 0,08 0,08 0,07 0,06 0,06 0,05 0,03 0,0 0,0 0,0 0,0,78,7,66,6,39,38,7,5,,90,43,37,7,6,,8,7,6,6,6,5,,,,0,0 Ouratea castanaefolia Swartza pickelii Eschwelera apiculata Lonchocarpus guilleminianus Symphonia globulifera 0,39 0,39 0,39 0,39 0,39 0,70 0,70 0,70 0,70 0,70 0,0 0,0 0,00 0,00 0,00,0,0,0,0,0 As espécies de maior VI (Valor de Importância) foram: Pera ferruginea, Annona glabra Guatteria schlchtendaliana, Thyrsodium schomburgkianum, Nectandra cuspidata, Parkia pendula, Brosimum discolor, Euphorbiaceae, Diplotropis purpurea var. brasiliensis e Eschweilera ovata., as de maior destaque na Mata do Prejuí. Em relação ao total de espécies amostradas, as famílias mais presentes foram Euphorbiaceae 0,34 %, Moraceae 6,89 %, Annonaceae e Sapotaceae 5,7 % cada, Anacardiaceae, burseraceae, Guttiferae, Lauraceae, Lecythidaceae, Leguminosae Leguminosae Papilionoideae e Myrtaceae 3,44 % cada. Mimosoideae,

103 DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA A distribuição diamétrica (Figura 43) na Mata do Prejuí é semelhante à Mata do Cuxio e do Piriquito. Verifica-se na primeira classe de diâmetro (0,0 5,0 cm) 9 indivíduos. Na segunda classe (5, 0, 0 cm) há um aumento expressivo no número de indivíduos que sobe para 97. Nas classes subseqüentes ocorre uma queda gradativa até a sétima classe (30, 35,0). No caso das primeiras classes, a situação é semelhante às Matas até aqui analisadas. Há corte seletivo na área, promovendo uma regeneração natural nas clareiras provocadas pelas derrubadas, e conseqüentemente, um número grande de indivíduos jovens no local, recompondo a mata. Esta dinâmica ocorre em função da ação antrópica na área que induz ainda mais a distribuição diamétrica na forma de J invertido, o esperado para uma floresta ineqüiânea secundária. Da terceira classe (0, - 5,0 cm) até a sétima (35, 40,0 cm) há uma tendência das espécies se distribuírem de forma decrescente e gradativa na comunidade florestal ali instalada. Situação muito semelhante ás matas anteriormente descritas. As demais classes apresentam indivíduos remanescentes que sobreviveram aos cortes seletivos e se destacam em relação à comunidade como um todo. Indivíduos de Parkia pendula e Pera ferruginea são representantes autênticos destes remanescentes com, respectivamente, 89,45 cm de diâmetro e 5 m de altura e 35,33 cm de diâmetro e 35 m de altura.

104 Número de Indivíduos 80 Mata do Prejuí Classes de Diâmetro Figura 44 Distribuição diamétrica dos indivíduos arbóreos da Mata do Prejuí em Classes de diâmetros com intervalo entre classes de 5,0 cm. REGENERAÇÃO NATURAL Nas dez sub-parcelas amostradas encontraram-se 7 indivíduos pertencentes a 3 famílias e 43 espécies no levantamento da regeneração natural da Mata do Prejuí. As estimativas dos parâmetros fitossociológicos da regeneração natural encontram-se na Tabela 4 a seguir. Tabela 4 Parâmetros fitossociológicos da regeneração natural da Mata do Prejui, onde DR = Densidade Relativa, FR = Freqüência Relativa, DOR = Dominância Relativa e VI = Valor de Importância. Nome científico Annona glabra Guatteria schlechtendaliana Pouteria grandiflora Brosimum discolor Protium giganteum Brosimum conduru Siparuna guianensis Protium heptaphyllum Eschweilera ovata Helicostylis tomentosa Mabea occidentalis DoR 0,37 6,08 0,0 6,84 8,87 5,8 5,5 8,30 0,9 6,85 7,80 DR,44 3,36 5,53 6,45 4,5 4,6 5,07,84 5,07 3,69,84 FR 8,65 3,85 4,8 5,77 5,77 4,8 3,85,88 6,73,9 0,96 VI 3,46 3,9 0,35 9,06 8,79 4,69 4,6 3,03,7,46 0,6

105 Rheedia gardineriana Myrcia sylvática Psychotria sessilis Miconia albicans Nectandra cuspidata Eugenia sp Thyrsodium schomburgkianum Pouteria scythalophora Licania rigida Cassia ferruginea Eschweilera apiculata Simaruba amara Erythroxyllum scamatum Campomanesia Xanthocarpa Sorocea hilarii Cordia nodosa Swatza pickelii Allophyllus edulis Psychotria carthaginensis Allophyllus sericeus Cordia sellowiana Erythroxyllum squamatum Macrosamanea pedicellaris Ocotea glomerata Pogonophora schomburgkiana Pouruma guianensis Symphonia globulifera Casearia arborea Inga thibaudiana Prunus selowii Dialiuim guianensis Inga thibaudiana Psychotria sessilis indeterminada 3,7,55,0,,46,34,30,38,84,30,84,84 3,85,88,88,88,88,88 9,87 6,8 6,74 6,30 6,9 6,07,03,09,57 3,05 0,7 0,5 0,70,84,30,30 0,46,38,38,38,88,9 0,96 0,96,9,9 0,96 5,76 5,3 4,83 4,47 4,03 3,56 3,04 0,0 0,6 0,4 0,38 0,8 0,53 0,08 0,08 0,08 0,08 0,08,84,38 0,9 0,9 0,9 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96,90,60,3,6,6,95,5,5,5,5,5 0,08 0,08 0,08 0,05 0,05 0,04 0,0 0,0 0,0 0,0 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,46 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96 0,96,5,5,5,47,47,46,44,44,44,43 As dez espécies mais presentes na regeneração natural que se destacaram em todos os parâmetros fitossociológicos estudados foram: Annona glabra, Guatteria schlechtendaliana, Pouteria grandiflora, Brosimum discolor, Protium giganteum, Brosimum conduru Protium heptaphyllum, Siparuna guianensis Protium heptaphyllum, Eschweilera ovata, e Helicostylis tomentosa.

106 Se comparadas com as adultas, verifica-se que a maioria encontrada em regeneração possui representantes desenvolvendo-se normalmente na Mata do Prejuí. A comunidade encontra-se com a mesma tendência, em termos de estrutura, das matas até então estudadas, ou seja, a composição da vegetação arbórea da Mata do Prejuí apresenta espécies com grande número de indivíduos nas classes menores de diâmetro tendendo a estarem presentes na floresta futura da comunidade arbórea estudada. O destaque fica para Annona glabra., espécie secundária característica da Floresta Ombrófila Densa. Destaca-se ainda Guatteria schlechtendaliana e Pouteria grandiflora, espécies que possuem características de secundária inicial, sendo que as mesmas estariam garantidas na floresta futura. Análise da Reserva de Gurjaú FITOSSOCIOLOGIA Na área amostrada de,0 hectare, equivalente a 40 parcelas de 0 m x 5 m (50 m), correspondendo às quatro matas estudadas, foram encontrados 075 indivíduos arbóreos, com 48 indivíduos mortos. A maior altura foi detectada em um indivíduo de Pera ferruginea com 35 m e o maior diâmetro em um indivíduo de Parkia pendula (Figura 44) com 89,45 cm. Foram amostrados 36 famílias, 8 gêneros, 04 espécies e um índice de diversidade de SHANNON e WEAVER (H') 3,97 nats/espécies. Ferraz (00) encontrou 5 indivíduos arbóreos em,0 ha, pertencentes a 58 famílias, 96 gêneros e 5 espécies arbóreas em estudo realizado no município de São Vicente Férrer PE.

107 Figura 45 Exemplar de Parquia pendula com 89,45 cm de diâmetro e 5,0 m de altura, mostrando a exuberância de remanescentes presentes nas matas da Reserva de Gurjaú. Segundo Martins (99), o índice de diversidade de SHANNON é influenciado pela amostragem, oferecendo uma boa indicação da diversidade específica e possibilitando comparar florestas em locais distintos. Estudos em Mata Atlântica realizados por Melo & Matovani (994), na ilha do Cardoso-SP apresentaram valor de 3,64; Citadini-Zanette (995), em Orleans-SC e Negrelle (995), em Itapoá-SC, mostram, respectivamente, valores de 3,8 e 3,6. Nota-se uma grande variação nos valores de índice de diversidade apresentados mesmo dentro de uma mesma região fitogeográfica. Isso se deve, principalmente, às diferenças nos estágios de sucessão somados às discrepâncias das metodologias diferenciadas de amostragem, níveis de inclusão, esforços de identificações taxonômicas além, obviamente, das dissimilaridades florísticas que as diferentes comunidades apresentam. O número de indivíduos (075) para Mata Atlântica não é dos melhores. Isto se deve tão somente ao corte seletivo na área, ocorrendo em tempos passados com mais intensidade que nos dias atuais, porém, ainda continua nas matas da Reserva de Gurjaú. Espécies com maiores valores de VI das Matas da Reserva de Gurjaú: Simarouba amara, Annona glabra, Brosimum discolor, Caraipa densifolia, Diplotropis purpurea var. brasiliensis, Pogonophora schomburkiana,

108 Eschweilera ovata, Mabea occidentalis, Tapirira guianensis, Schefflera morototoni, Manilkara salzmannii,, Euphorbiacea, Annona salzmannii, Protium heptaphyllum, Thyrsodium schomburgkianum, Parkia pendula, Pera ferruginea, Eugenia sp, Helicostylis tomentosa, Nectandra cuspidata, Ocotea opifera, Bowdichia virgilioides e Guatteria schlechtendaliana. Famílias mais presentes nas matas da Reserva de Gurjaú: Anacardiaceae, Annonaceae, Lauraceae, Apocynaceae Lecythidaceae, Burseraceae, Leguminosae Euphorbiaceae, Caesalpinioideae, Guttiferae, Leguminosae Mimosoideae, Leguminosae Papilionoideae, Moraceae, Myrtaceae, Sapotaceae e Rubiaceae. DISTRIBUIÇÃO DIAMÉTRICA Quando se analisa a área como um todo, verifica-se que, nas três primeiras classes de diâmetro (0,0 5,0 cm de 5, 0,0 cm e 0, 5,0 cm), encontra-se o maior número de indivíduos da comunidade em questão, ou seja, 697 (Figura 46). As demais apresentam uma diminuição no número de indivíduos à medida que o diâmetro aumenta. Isso é esperado para uma floresta inequiânea secundária em estágio inicial de sucessão, que apresenta uma curva em forma de J invertido na sua distribuição diamétrica. As matas que constituem a Reserva de Gurjaú possuem características de floresta natural inequiânea, (Figura 45) conforme conceito dado por François De Lioucourt, em 898, segundo Meyer et al. (95), citados por Mariscal Flores (993).

109 Figura 46 Detalhe da distribuição diamétrica de indivíduos das espécies arbóreas na Reserva de Gurjaú. O número muito grande de indivíduos nas classes iniciais mostra que esta comunidade é jovem. Essa característica em classes de diâmetro menores significa que a regeneração está eficiente, garantindo a formação da tipologia florestal da região. Para Silva-Júnior (984), um maior número de indivíduos nas classes mais baixas mostra que a comunidade está em fase inicial de desenvolvimento. Afirmação semelhante faz Martins (99) ao estudar a Mata da Capetinga, no Estado de São Paulo. Segundo o referido autor, o excesso de classes baixas, em detrimento das médias, indica que a população arbórea dessa mata ainda está em crescimento, sendo constituída na maioria por jovens (Figura 46).

110 Reserva de Gurjaú 400 Número de indivíduos Classes de diâmetro Figura 47 Distribuição diamétrica de indivíduos arbóreos da Reserva de Gurjaú, por classes diamétricas, cujo intervalo entre classes é de 5,0 cm. Na realidade, a reserva de Gurjaú sofre corte seletivo em toda a sua extensão. Tais cortes, clandestinos, geram grandes clareiras e o processo de sucessão naquele local se reinicia. Por serem várias em toda área, as predominâncias de indivíduos jovens na mata é sempre incrementado, o que sugere um estágio sucessional ainda inicial, mesmo com indivíduos remanescentes que escapam do corte seletivo, e são, na maioria das vezes, de porte considerável. Isto ficou bem claro quando destacamos por mata as espécies de maior porte para cada área específica. REGENERAÇÃO NATURAL

111 Nas 40 subparcelas, de 5,0 x 5,0 m, lançadas para estudo de regeneração, foram amostrados 843 indivíduos, evidenciando uma excelente capacidade de regeneração das espécies arbóreas na área de estudo. Ao se comparar com as adultas, verifica-se que a maioria das espécies encontradas em regeneração possui indivíduos adultos desenvolvendo normalmente na área de estudo. Analisando a composição da vegetação arbórea do local, verifica-se que as espécies com grande número de indivíduos nas classes menores de diâmetro tendem a estar presentes na floresta futura do local. Essa afirmativa é constatada quando se observa na regeneração os resultados e se verifica a presença dessas espécies em destaque no povoamento. Fica evidente, no entanto, que a vegetação arbórea estudada vem desenvolvendo seu processo sucessional de forma eficiente, garantindo a fitofisionomia da região. CitadiniZanette (995) afirma que as espécies que ocorrem em todas as classes de altura da regeneração teoricamente possuíriam maior potencial para participar da composição futura da floresta, ou seja, são as que melhor conseguem estabelecer-se na floresta futura. Na Figura 47 pode se verificar o desempenho da regeneração na área estudada, que apresenta em sua dinâmica tendências diferenciadas, principalmente quanto ao número de indivíduos por parcela. Para cada local, ao longo da amostragem, ficaram claras as mudanças neste sentido, em função basicamente do dossel mais fechado (Figura 48) ou mais aberto e ambiente com mais umidade ou com menos. Espécies que mais se destacaram na regeneração em termos de parâmetros fitossociológicos das matas da Reserva de Gurjaú são: Annona glabra, Guatteria schlechtendaliana, Pouteria grandiflora, Brosimum discolor, Protium giganteum, Brosimum conduru, Protium heptaphyllum, Siparuna guianensis, Eschweilera ovata, Helicostylis tomentosa, Cordia nodosa, Thyrsodium schomburgkianum, Inga blancheitiana, Sorocea hilarii, Myrcia rostrata, Manilkara salzmannii, Euphorbiaceae, Rheedia Mabea occidentalis, gardneriana, Inga Pouteria scytalophora, tibaudiana, Pogonophora schomburkiana e Miconia albicans. Estas espécies, além de possuírem representantes adultos, aparecem nas três classes de altura de regeneração. Neste caso as mesmas estarão garantidas na floresta futura e, sem dúvidas, farão parte da fitofisionomia da região.

112 Figura 48 Detalhe da regeneração nas matas da Reserva de Gurjaú, em local de dossel mais aberto, apresentando uma grande densidade. Figura 49 - Detalhe do dossel mais fechado da área de estudo, com tronco de Macrosamanea pedicellaris, em primeiro plano Biologia da Conservação Introdução O fim do século XX e a passagem do segundo para o terceiro milênio trouxeram algumas preocupações e novos desafios. O ano 000 tem sido

113 ligado com freqüência à denominação de iniciativas internacionais que consideram um planejamento a longo prazo para as atividades de natureza global. São exemplos: a Agenda, Educação 000+, Botânica 000, espécies 000, Agenda Sistemática 000. Entretanto, novos paradigmas sobre a mudança global, diversidade e sustentabilidade emergem como resultado de um aumento crescente na escala de percepção e de compreensão do mundo. Eles refletem também uma maior consciência do poder da humanidade para influenciar seu ambiente de forma dramática, chegando a modificar o curso de sua própria evolução. Além disso, as questões que emanam da diversidade biológica, mudança global e desenvolvimento sustentável constituem a tríade sobre a qual se baseou a Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 99, no Rio de Janeiro (ECO 9). A Convenção sobre a Diversidade Biológica, assinada nessa época por mais de 6 países, foi ratificada. Esta Convenção representa uma importante conquista, visando frear a destruição das espécies, habitats e ecossistemas, considerando a biodiversidade um recurso para a construção do desenvolvimento. A biodiversidade pode ser entendida de duas formas: pode ser vista como um recurso e/ou como uma propriedade da vida. A percepção pública da biodiversidade evoluiu rapidamente de um estágio dominado pelo medo da perda de certas espécies carismáticas da fauna e flora, para aquele da Convenção, no qual a biodiversidade é percebida como um recurso precioso que devemos conservar e manejar para benefício de gerações humanas presentes e futuras. Há pouco mais de dez anos, pouca importância era dada ao conceito de diversidade biológica, surgindo o termo biodiversidade aproximadamente em 986. Geralmente os taxonomistas tratam os grupos florísticos e faunísticos como organizações em mosaicos de espécies. A descrição e os índices de diversidade biológica tratam apenas do número de espécies que integram as comunidades, ecossistemas e paisagens. Por outro lado, os biólogos moleculares, os geneticistas e os biólogos do desenvolvimento se centram, sobretudo, em demonstrar a unidade da vida, mais que explicar qual o significado da biodiversidade (Dobson 995; Younès 00).

114 A biologia da conservação é uma ciência multidisciplinar que foi desenvolvida como resposta à crise com a qual a diversidade biológica se confronta atualmente (Soulé 985). A biologia da conservação tem dois objetivos: primeiro, entender os efeitos da atividade humana nas espécies, comunidades e ecossistemas, e, segundo, desenvolver abordagens práticas para prevenir a extinção de espécies e, se possível, reintegrar as espécies ameaçadas ao seu ecossistema funcional (Primack e Rodrigues 00). Diante da necessidade de tratar as sérias ameaças à diversidade biológica, não solucionada pelas disciplinas tradicionais aplicadas, é que surgiu a biologia da conservação. A biologia da agricultura, silvicultura, do gerenciamento da vida silvestre e da piscicultura ocupam-se basicamente com o desenvolvimento de métodos para gerenciar umas poucas espécies para fins mercadológicos e de recreação. Geralmente estas disciplinas não tratam da proteção de todas as espécies existentes nas comunidades, e caso as tratem, o fazem como um assunto secundário (Primack e Rodrigues op cit). A biologia da conservação complementa as disciplinas aplicadas fornecendo uma abordagem mais teórica e geral para a proteção da diversidade biológica; ela se difere das demais disciplinas porque leva em consideração, em primeiro lugar, a preservação a longo prazo de todas as comunidades biológicas, e coloca os fatores econômicos em segundo plano (Primack e Rodrigues op cit). As disciplinas de biologia populacional, taxonomia, ecologia e genética constituem o centro da biologia da conservação e muitos profissionais procedem dessas áreas. Uma vez que grande parte da crise da biodiversidade tem origem na pressão exercida pelo homem, a biologia da conservação também incorpora idéias e especificidade de várias outras áreas, além da biologia. Por exemplo, a legislação e a política ambiental dão sustentação à proteção governamental de espécies raras e ameaçadas e de habitats em situação crítica. A ética ambiental oferece fundamento lógico para a preservação das espécies. As ciências sociais, tais como antropologia, sociologia e geografia fornecem a percepção de como as pessoas podem ser encorajadas e educadas para proteger as espécies encontradas em seu ambiente imediato. Os economistas ambientais analisam o valor econômico da diversidade biológica para sustentar

115 argumentos em favor da preservação. Ecologistas e climatologistas de ecossistemas monitoram as características físicas e biológicas do meio ambiente e desenvolvem modelos para prever as respostas para os distúrbios. Sob vários aspectos a biologia da conservação é uma disciplina de crise. As decisões sobre assuntos relativos à conservação são tomadas diariamente, muitas vezes com informação limitada, e com forte pressão do tempo. A biologia da conservação tenta fornecer respostas a questões específicas aplicáveis a situações reais. Tais questões são levantadas no intuito de determinar as melhores estratégias para proteger as espécies raras, conceber reservas naturais, iniciar programas de reprodução para manter a variação genética de pequenas populações e harmonizar as preocupações conservacionistas com as necessidades do povo e governo locais. As funções ambientais de regulação, suporte, produção e informação são atribuídas, sobretudo, às áreas naturais. A Biologia da Conservação tem por finalidade proteger essas áreas naturais, promover a qualidade de vida, e conseqüentemente viabilizar o desenvolvimento sustentado. Dessa forma, a Biologia da Conservação busca assegurar que as populações possam continuar a responder as variações ambientais de uma forma adaptativa. A Reserva de Gurjaú constitui uma dessas áreas naturais de Pernambuco. A Reserva de Gurjaú encontra-se inserida na porção Sul da região metropolitana do Recife, precisamente na divisa dos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho e Moreno. Está situada a Noroeste da usina Bom Jesus, entre os engenhos São Salvador, São Brás e São João Rochas Velhas, com cerca de 744,47 ha inserida no município do Cabo de Santo Agostinho, 57,44 ha em Jaboatão dos Guararapes e 57,9 ha em Moreno, totalizando.077,0 ha. A reserva foi criada através do Decreto Estadual no de 3 de janeiro de 987. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) criado pela Lei Federal no de 8 de junho de 00 não contempla a categoria de Reserva Ecológica, daí a necessidade da recategorização em área de proteção integral ou de uso sustentado, no entanto, a legislação estabeleceu cerca de dois anos para enquadramento sem que o Estado tomasse qualquer decisão sobre suas reservas, dentre elas a Reserva Ecológica de Gurjaú. Por outro lado, Gurjaú, que apresenta mais de 000 ha, enquadra-se em um tamanho mínimo necessário para torna-se viável como unidade de

116 conservação segundo alguns autores. Dessa forma, pretende-se caracterizar os moradores da Reserva de Gurjaú, quanto ao uso do solo, relação com o meio ambiente e percepção ambiental. Associando essa diagnose os resultados dos levantamentos da biodiversidade, para elaboração de um zoneamento da área e proposição de uma unidade, segundo critérios estabelecidos pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação. METODOLOGIA Foi realizado um reconhecimento de toda a área da Reserva, servindo-se de mapas, evidenciando-se os marcos topográficos, assim como com a ajuda de um morador de Gurjaú. Para um melhor aproveitamento das visitas de campo e a título de metodologia de trabalho, a Reserva Gurjaú foi dividida em dois subconjuntos, sendo o primeiro (Área ) compreendido por: Rua da Capela, Rua da Cachoeira, Rua dos Ventos, Porteira Preta, Sítio Porteira Preta, Jaqueira e Sítio dos Periquitos e o segundo (Área ), por São Salvador. Primeiramente os trabalhos de Biologia da Conservação foram aqueles relacionados à área. A segunda etapa foi a área, localizada em São Salvador, onde foi encontrado o maior adensamento populacional de posseiros com atividades agrícolas de subsistência e comercial, assim como pecuária. Assim, a Área foi aquela que constituiu a primeira etapa dos levantamentos. Dando-se continuidade a de São Salvador, a Área, foi trabalhada por um período mais longo por tratar-se de uma área onde foi observado um maior adensamento populacional de posseiros com atividades agrícolas de subsistência e comercial e também de pecuária de pequeno porte (Fig. 49). Para um melhor reconhecimento das áreas recenseadas, foram confeccionados croquis dividindo a reserva em setores em São Salvador, setores de A a L - tendo-se o cuidado de georeferenciar cada casa. Questionários foram aplicados entre os posseiros/moradores da reserva de Gurjaú com o objetivo de aferir a forma de uso do solo, conflitos, relação com o meio ambiente e percepção ambiental na área da reserva, avaliar o tipo de atividade agrícola, relação do posseiro com a reserva (forma de uso),

117 perspectivas com a implantação de uma unidade de conservação, dentre outras, conforme modelo em anexo. Os questionários sócio-econômico-ambientais foram aplicados durante seis dias por mês no período do levantamento. Por ocasião da diagnose, foram anotadas as coordenadas geográficas de todas as posses. Ao final do levantamento foram associados os resultados obtidos na diagnose sócio-econômica-ambiental com aqueles da biodiversidade resultando na proposta de zoneamento da unidade, assim como a sugestão da sua forma de uso. Resultados Uma vez conhecida a área da Reserva Gurjaú, foi dado início o levantamento para o estudo da Biologia da Conservação. Ao total, foram aplicados 84 questionários entre os posseiros da reserva de Gurjaú. Menos de 5% desse total não foram entrevistados, uma vez que as casas encontravam-se fechadas ou desocupadas. Nestes casos foram feitas outras tentativas no intuito de encontrar os moradores, mas não houve sucesso. Mesmo assim, as casas foram georeferenciadas. Este percentual foi encontrado em São Salvador. Foram evidenciadas 3 casas de farinha, sendo 0 em São Salvador (área ) e 3 entre Porteira Preta e Cuxio (área ). Diversas religiões e crenças estão presentes entre os posseiros, encontrando-se desde a religião católica, à evangélica e os cultos afro-brasileiros, como expressões da religiosidade. Para uma melhor compreensão das diversas situações encontradas ao longo do trabalho estão apresentados a seguir resumo de cada rua e localidade, como também figuras (Figs. 50 a 66 para a área e Figs. 67 a 85 para a área ) que ilustram as respostas obtidas durante o levantamento.

118 Figura 50 Mapa da reserva Gurjaú, mostrando o adensamento populacional de posseiros. Área Rua da Capela: Rua principal de acesso à estação de tratamento de água da COMPESA. Nela localizam-se as casas mais antigas, construídas pelo então Departamento de Saneamento e Esgoto (DSE). Nessa rua foram contactadas oito famílias. A média de idade dos entrevistados foi de 45,8 anos. A maioria é nascida e criada em Gurjaú, apesar de alguns desenvolverem atividades em outras localidades. Nela encontra-se instalada uma escola que atende uma pequena parte das crianças do Ensino Fundamental do entorno. O Ensino Médio é assegurado pelas escolas da cidade do Cabo e de outras localidades. Existe uma capela católica que atualmente não exerce atividades religiosas, estando fechada. Rua da Cachoeira:

119 Rua de maior movimento de Gurjaú. Foram contactadas 5 famílias, cuja média de idade dos entrevistados foi de 4,4 anos. Todas as casas, em alvenaria, foram construídas pelo DSE, visando abrigar os seus funcionários. As moradias possuem em média dois quartos, duas salas, cozinha e banheiro. São abastecidas com água da COMPESA e possuem energia elétrica. Entretanto, atualmente não são saneadas. O sistema de esgoto implantado na gestão do DSE, não mais funciona. Consistia em sistema de tubulação conduzindo os esgotos domésticos a uma espécie de lagoa de decantação, situada próximo ao portão principal da ETA. Atualmente este sistema encontrase desativado, tendo a maioria das casas um sistema de fossa séptica ou até mesmo lançamento de seus dejetos diretamente no rio Gurjaú. Em todas as casas entrevistadas há presença de crianças em idade escolar. Foi evidenciada uma igreja evangélica. Nessa rua podem ser encontrados os moradores mais antigos de Gurjaú, dentre eles, D. Báia, com 03 anos de idade, nascida e criada em Gurjaú. Sua família constitui a maioria dos moradores da rua da Cachoeira, entre filhos, netos e bisnetos. No final dessa rua pode ser encontrada uma cachoeira, que, nos finais de semana, constitui a única forma de lazer para os moradores de Gurjaú, atraindo também turistas da região. Esse tipo de atividade favorece a economia local, onde alguns moradores montam barracas visando a venda de diversos produtos, a exemplo de bebidas alcoólicas e alimentos. Esse tipo de atividade, apesar de agradar a alguns, desagrada à maioria dos moradores que se queixa do aumento de pessoas estranhas transitando nas imediações, diminuindo a tranqüilidade. A totalidade dos moradores aprecia a moradia pela calma do local. Esse ponto é extremamente importante, já que a maior riqueza para eles é a tranqüilidade e calma de Gurjaú, motivo pelo qual não demonstram interesse em morar em outro lugar. Do total de entrevistados dessa rua, 68% foram mulheres, das quais 00% não possuem atividade fora do domicílio. Trinta e sete crianças foram registradas, sendo a maioria em idade escolar. Dessas, poucas estudam na escola situada na Rua da Capela. A maioria freqüenta escolas em São Salvador e outras na cidade do Cabo. Dos entrevistados do sexo masculino (3%) a maioria é aposentada do então DSE e COMPESA. Uma pequena quantidade possui roçado em pequenos latifúndios próximos à barragem de Gurjaú e outra tem plantação de subsistência no quintal de casa. Essas culturas são basicamente constituídas por roça, macaxeira e banana. Apenas

120 um morador negocia com frutos extraídos da mata. Do total de casas existentes nessa rua, 64% delas retiram lenha seca da mata para fogões à lenha, alegando a falta de condições financeiras para adquirirem botijões de gás que atualmente apresentam preço elevado. Quando indagados quanto às questões relacionadas ao Meio Ambiente, nota-se uma falta de informação muito grande e um despreparo, mesmo entre aqueles que possuem certa escolaridade. Entretanto, quando perguntados sobre o estado de conservação da Reserva Gurjaú, a grande maioria respondeu que a área não estava sendo bem cuidada e sempre se referem a períodos remotos em que a segurança da ETA era efetiva, atribuída ao maior número de pessoal de vigilância, os portões sempre fechados e um maior cuidado com o ambiente. Alguns consideram que a área está abandonada e que qualquer pessoa pode adentrar. Apesar do desconhecimento sobre conceitos que poderiam aferir o conhecimento ambiental da comunidade, algumas questões são ligadas ao bom senso de cada um e aparecem claramente. Um exemplo é a apreensão de animais silvestres. A maioria das casas possui animais silvestres em cativeiro, sem objetivar o comércio, visto a pouca quantidade encontrada. Culturalmente, as pessoas costumam ter esse tipo de atividade sem envolver tráfico. Foi observado que, ao serem abordados sobre a questão, muitos tentavam omitir tais informações, temendo que a equipe de entrevistadores pertencessem ao IBAMA ou CPRH, e levassem seus animais de estimação, o que segundo informações fornecidas por eles, aconteceu em algum momento. Após absorverem o verdadeiro objetivo da pesquisa, tratavam de informar o mais próximo à realidade, ajudando sobremaneira a melhor diagnose. Um dos problemas aqui detectado foi o lançamento de poluentes no rio Gurjaú. Apesar de não se identificarem temendo represálias, afirmam que constantemente é colocado carrapaticida no rio para facilitar a pesca do Pitú, camarão pertencente à espécie Machrobachium carcinus, comumente encontrada na região, apesar de seu declínio populacional. Para uns, são pessoas de fora da comunidade que realizam esse tipo de crime ambiental, para outros são antigos moradores de Gurjaú que atualmente residem em outras localidades, mas que têm conhecimento sobre esse recurso faunístico e que voltam para tal atividade. Para outros, existem moradores atuais que praticam tal ação. Na realidade, a totalidade dos entrevistados lamenta esse tipo de atividade. Outro problema apontado por eles é a falta de um posto médico. Uma questão

121 relevante foi levantada não só nessa rua como também nas demais levantadas foi a ausência completa de coleta de lixo. Todo o lixo produzido é lançado entre as bananeiras (atrás de casa) próximo à estrada, ou então à margem do rio. Esse tipo de problema é o mais preocupante, uma vez que a comunidade tende a aumentar e, conseqüentemente, produzir maior quantidade de lixo. Eles não têm idéia de reciclagem. Propõem para a futura uma ação mais efetiva no sentido de viabilizar oficinas que permitam minimizar esses impactos ao meio ambiente, capazes de comprometer sobremaneira a qualidade ambiental da Reserva Gurjaú. Rua dos Ventos: Rua situada nas proximidades da Sede da ETA Gurjaú, fazendo a ligação entre a rua da Capela e a rua da Cachoeira. Foram entrevistadas 5 famílias, com média de idade entre eles de 33,5 anos. O acesso a essa rua é assegurado pela rua da Capela. O conjunto de casas é bem heterogêneo, possuindo construções mais antigas, da época do DSE, como também outras em taipa. Quarenta e quatro crianças vivem entre os entrevistados, em sua maioria estudando em escolas da localidade ou de São Salvador. As casas possuem em sua maioria dois quartos, duas salas, banheiro e cozinha. Pelo relevo, os quintais das casas ficam localizados nas encostas dos morros, o que de certa forma representa um fator negativo às atividades de agricultura de subsistência. A criação de animais se restringe às aves (Passeriformes em cativeiro, como animais de estimação e poucas galinhas para o consumo). São raras outras criações, exceto alguns que possuem criação de suínos, atividade esta que incita controvérsias entre moradores, alegando mau cheiro, etc. Da mesma forma, na rua anterior a maioria dos entrevistados foi do sexo feminino, representando 64%. A grande maioria nasceu e foi criada em Gurjaú. As mulheres se ocupam do lar, não contribuindo em termos de remuneração para a renda familiar. As atividades exercidas pelos moradores da rua dos Ventos assemelham-se aquelas da rua da Cachoeira. Foram identificados funcionários da COMPESA e outros possuindo atividades externas a Gurjaú, como, por exemplo, funcionários de empresas de bebidas, localizadas na região, assim como zeladores e porteiros de prédios da Zona Sul da Região Metropolitana do Recife. O nível de escolaridade dos entrevistados vai desde o analfabetismo

122 até o primeiro grau menor, muitas vezes incompleto. Apesar dessa situação, todos acreditam na educação, e esforçam-se para que seus filhos freqüentem a escola. Da mesma forma que as demais ruas levantadas, são unânimes em reivindicarem um posto médico para a comunidade, pois alegam que é grande a distância que separa Gurjaú do posto médico mais próximo, agravada pela falta de transporte em caso de emergência. Não existe coleta de lixo nessa rua como também nas demais. Porteira Preta Área mais afastada da Sede da ETA Gurjaú. Essa área conhecida como Porteira Preta é distinta de outra localidade conhecida como Sítio Porteira Preta. Essa divisão deve-se ao fato da área ser muito grande e de difícil configuração para a localização. Os próprios moradores fazem essa diferença. A área levantada tem início na estrada que liga à Usina Bom Jesus a São Braz até a Fazenda de Sr. Manoel. As coordenadas de cada casa foram anotadas, com a intenção de, no futuro, apresentar um mapa com a localização, visando uma melhor compreensão. Nesse trecho são evidenciados desde conjuntos de casas construídas de taipa até granjas de pequeno, médio e grande porte, constituindo os maiores latifúndios dentro da área da reserva. Os moradores de baixa renda são originários de Gurjaú, tendo nascido nas imediações, mas há até os que já constituem a terceira geração de posseiros de Gurjaú. Outros têm suas propriedades utilizadas apenas em finais de semana. Outros possuem atividade pecuária envolvendo gado leiteiro e ovino. É nesse trecho que pode ser observada uma maior ação antrópica que vem diminuindo a área da reserva Gurjaú. As propriedades avançam em direção às matas, tornando mais e mais escasso este recurso. Foi observada uma grande quantidade de caçadores nesse trecho. Foram entrevistadas 5 famílias, cuja média de idade entre as pessoas entrevistadas foi de 45,8 anos. Existem poucas crianças. As atividades exercidas pela comunidade de baixa renda são variadas, indo desde o plantio de roça para a extração da farinha, até fruteiras (banana, graviola, acerola, mamão, etc:), como também o plantio de cana-de-açúcar para a Usina Bom Jesus. Entre os posseiros, poucos utilizam agrotóxicos, exceto aqueles que possuem uma maior área e que plantam cana-de-açúcar. Estes recorrem

123 à utilização de adubos químicos e defensivos agrícolas para a obtenção de melhores colheitas. Nesse trecho encontram-se instaladas duas casas-defarinha que, além de servirem aos proprietários (posseiros), são alugadas aos demais interessados pelo valor médio de R$ 5,00/dia (Cinco reais/dia). No local pode ser evidenciado no entorno a vegetação de Mata Atlântica, constantemente ameaçada pelo desmatamento. São duas matas importantes da região, a do Cuxio e a do Manoel do Doce, nomes esses bastante conhecidos dos moradores locais. Dos 38 moradores, 5 são crianças em idade escolar. Do total de entrevistados, 60% são do sexo feminino. As mulheres participam das atividades agrárias, trabalhando no plantio. Jaqueira Trecho localizado entre a Porteira Preta e o Sítio Porteira Preta. São poucas famílias de posseiros que ali vivem. A atividade exercida pela maioria é a agricultura. Foram entrevistadas sete famílias, cuja média de idade entre eles foi de 46,4 anos. Existem 6 adultos e 3 crianças em idade escolar morando nessa rua. Como nas demais localidades, o índice de analfabetismo é elevado e a percepção ambiental é limitada. Todas as atividades exercidas pelos posseiros não são por eles consideradas como prejudiciais ao meio ambiente. As construções são em sua maioria de alvenaria, possuindo fossa séptica. A coleta do lixo não é assegurada e quando perguntados sobre que destino se dá ao lixo gerado, a maioria afirmou que, quando em grande quantidade, queimam, mas normalmente jogam nas bananeiras como forma de adubo. Nota-se que, de forma geral, para essa e outras localidades os entrevistados não têm consciência do que seja reciclagem. Para eles, mesmo os sacos plásticos servem de adubo para as bananeiras que após essa ação tornam-se viçosas e produzem frutos de melhor sabor. Entretanto, já verificaram que garrafas tipo PET não são ideais e nesse caso, as queimam. Muitos dos posseiros não possuem empregos, exceto um deles que trabalha na COMPESA. Nessa área foi registrada uma casa de farinha que atende não somente ao proprietário, como também aos vizinhos que utilizam essas instalações no sistema de aluguel.

124 Sítio dos Periquitos/ Sítio Porteira Preta Encontra-se perfazendo o conjunto Porteira Preta, entretanto constitui-se de dois sítios de mais ou menos 0 hectares cada, pertencentes a duas famílias, originárias da região. Com a morte de um dos posseiros, um desses sítios foi dividido entre os herdeiros que possuem casas na localidade. Essas habitações são construídas em taipa e não possuem saneamento básico fazendo com que os posseiros utilizem a natureza para as suas necessidades fisiológicas. Não existe coleta de lixo, piorando ainda mais as condições sanitárias locais. Poucas casas possuem fossas, que atendem, muitas vezes, vários moradores que não tiveram condições de construírem as suas. O segundo sítio também em condições próximas ao primeiro possui atividade de agricultura, plantando cana-de-açúcar, roça e banana. Ao total têm posse no Sítio Porteira Preta 3 famílias, cuja média de idade entre os entrevistados é 40,3 anos. Foi observado um número elevado de desempregados e como nas demais localidades uma ociosidade acentuada por parte das mulheres. Localidade mais afastada das demais abriga apenas uma família que não é originária da região. A ocupação desse sítio foi decorrente de uma ação idenizatória por parte de Governo do Estado ao posseiro que vivia em outro sítio próximo à Barragem Pirapama. Há dois anos foi comprada a posse e atualmente é exercida a atividade de agricultura, com o plantio de milho, feijão, banana, maracujá, roça, macaxeira, tanto para o comércio, como para subsistência. 33% Adultos Crianças 67%

125 Figura 5 - Percentual de adultos e crianças residentes da Área, entre agosto e dezembro de 00. Grau de Instrução Analfabeto % 3% % Alfabetizado % º Grau Menor % º Grau Maior Ensino Médio 7% Magistério 33% Contabilidade Figura 5 - Grau de instrução dos posseiros na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00. 9% Alvenaria Taipa 7% Figura 53 Tipos de construção encontrados na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00.

126 Figura 54 Número de cômodos por casa encontrados na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00. 0% Sim Não 00% Figura 55 Situação do fornecimento de energia elétrica por casa na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00. 6% Cacimba 7% Poço Poço e cacimba 6% 5% Compesa

127 Rio Gurjaú 37% 36% Córrego Céu aberto 9% 8% Canalização comunitária Figura 56 Estado de saneamento na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00. 0% Sim Não 00% Figura 57 Coleta de lixo na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00.

128 36% Sim Não 64% 3% Sim 97% Não Figura 59 Situação da utilização de defensivos agrícolas na agricultura na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00.

129 0% Sim Não 90% Figura 60 Situação da utilização de fertilizantes na área da reserva Gurjáu, entre agosto e dezembro de 00. Sim 47% 53% Não Figura 6 Prática de atividade pecuária na área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00.

130 % Comércio 30% Subsistência 43% Comércio/Subsistência vazias 5% Figura 6 Objetivo das atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas pelos posseiros da área da reserva Gurjaú, entre agosto e dezembro de 00. 4% Sim Não 59% Figura 63 Retirada de lenha seca da mata pelos posseiros da área da reserva Gurjaú para os fogões de lenha, entre agosto e dezembro de 00.

131 Retira algum outro recurso vegetal? Casca de Árvores % Casca/Resina /Folha Casca/Folhas % % % % 7% Raiz Caibros e Linhas Não utiliza Figura 64 Utilização de recursos vegetais pelos posseiros da área da reserva Gurjaú, para fins medicinais, construção e subsistência, entre agosto e dezembro de 00. 5% Sim Não 75% Figura 65 Atividade de caça exercida pelos posseiros da área, entre agosto e dezembro de 00. Área São Salvador:

132 Esta área corresponde àquela de maior adensamento populacional da reserva Gurjaú. Ao total foram contabilizadas 77 moradias de posseiros, em sua maioria de taipa (89%), sendo detectada uma forte expansão de construção de novas casas. O trabalho de aplicação de questionários foi desenvolvido entre dezembro de 00 a abril de 003, apesar de terem sido realizadas visitas desde abril de 00. Existe no local uma atividade de subsistência indo desde pequenos lotes ao redor das casas até sítios de maior importância, onde se verifica uma diferença social entre os moradores. Foram evidenciadas cerca de 0 casas de farinha, atividade esta que requer uma maior vigilância pelo processo em si, desde a utilização de madeira para os fornos e fogões o resíduo que é lançado diretamente no ambiente sem qualquer tipo de tratamento. Desde que a área foi visitada pela primeira vez até a conclusão das entrevistas, houve um aumento considerável nas construções de novas casas. Acredita-se que o fato de estar por vir um novo direcionamento para a reserva fez com que os posseiros se interessassem em ampliar as suas posses para uma posterior indenização. Este crescimento é notado pelos posseiros quando são questionados sobre as novas construções. As posses também são ampliadas pelo crescimento da família. As crianças crescem e formam novas famílias próximas às casas dos pais. As atividades ali realizadas vão desde a cultura de subsistência até às atividades comerciais, a exemplo de cana-de-açúcar, banana, mamão, entre outras. São Salvador sofre fortemente o problema do desmatamento, seja por alguns moradores que aumentam suas posses avançando em direção às matas, com técnicas silenciosas (estrangulamento de árvores de grande porte, técnicas estas comuns na região), até pela utilização de equipamentos mais sofisticados por exploradores de madeiras de lei que não residem na localidade. Estes últimos realizam o corte da madeira, muitas vezes durante o dia, vindo buscar os toros caídos durante à noite. Os moradores têm ciência dessas atividades, entretanto, não comentam por temerem represálias contra a família. A situação financeira dos posseiros em sua maioria é bastante crítica, tendo sido encontradas algumas famílias vivendo em total miséria, sem ter condições mínimas de vida. Poucos são aqueles que se destacam dessa situação, tendo esses um trabalho digno, como agricultor, comerciante, ou então trabalham fora da reserva, mantendo, entretanto, suas casas na reserva. O desemprego é o maior problema enfrentado pelos posseiros. É geral a desocupação seja

133 pelas mulheres quanto pelos homens. As famílias são numerosas e a quantidade de crianças é muito grande. O índice de analfabetismo é considerável por parte dos adultos. As crianças vão à escola, apesar da distância entre as moradias e a mesma. Existe uma linha de ônibus que assegura o transporte dos moradores. Trata-se de uma empresa particular pertencente a um dos moradores da reserva. Durante a estação chuvosa, os deslocamentos ficam bastante prejudicados já que as condições das estradas de barro impossibilitam o acesso. Existem muitas igrejas nessa área, em sua maioria, evangélicas. Os posseiros que moram perto dos açudes utilizam a água para a irrigação de suas lavouras, para o consumo humano e de animais, assim como para a lavagem de roupa. Nos finais de semana, a área é visitada por parentes e amigos dos posseiros que, em busca de lazer, utilizam-se dos açudes da COMPESA para banho, esportes. As figuras 67 a 85 mostram a realidade de São Salvador a partir de informações obtidas durante a aplicação dos questionários sócio-econômico-ambientais.

134 % 3% 7% < 0 7% 0-9 % % % % % > 90 Figura 66 Faixa etária dos posseiros de São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de % Adultos Crianças 6% Figura 67 Percentual de adultos e crianças de São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

135 Analfabeto 5% 9% Alfabetizado 40% º Grau Menor º Grau Maior Ensino Médio 40% Magistério 6% Contabilidade Figura 68 Grau de instrução dos entrevistados em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003. % Alvenaria Taipa 89% Figura 69 Tipos de construção encontrados em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

136 % 4% 0% 7% 3 9% 4 5 % 8% % 6% 9 Figura 70 Número de cômodos por casa em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003. % Sim Não 99% Figura 7 Situação de fornecimento de energia elétrica entre os posseiros de São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

137 Fossa 45% 55% No mato Figura 7- Estado de saneamento das casas situadas em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de % Cacimba Poço Poço e cacimba Compesa 9% Figura 73 Formas de abastecimento d água das casas de São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

138 0% Sim Não 00% Figura 74 - Coleta de lixo em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de % Sim Não 8% Figura 75 Atividade agrícola em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

139 9% Si m Não 8% Figura 76 - Situação da utilização de defensivos agrícolas na agricultura em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de % Sim Não 8% Figura 77 - Situação da utilização de fertilizantes em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

140 Sim 45% 55% Não Figura 78 Prática de atividade pecuária em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003. % Sim Não 98% Figura 79 - Objetiva das atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas pelos posseiros em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003. Cultivo e Criação destinado a que? % Comércio 37% Subsistência

141 Comércio/Subsistência Figura 80 - Retirada de lenha seca da mata pelos posseiros em São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003. Utiliza outro recurso vegetal? 9% % % Casca de Árvores Casca/Resina/Folha Casca/Folhas Folha Caibros e Linhas 87% Não utiliza

142 4% Sim Não 86% Figura 8 Utilização de recursos vegetais pelos posseiros de São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003.

143 6% Sim Não 74% Figura 8 Retirada de frutos da mata para uso de subsistência pelos posseiros de São Salvador (área da reserva Gurjaú) entre dezembro de 00 e abril de 003. Conclusões Tanto a área quanto a não possuem nenhum tipo de saneamento básico ou coleta de lixo, fazendo com que os dejetos sejam lançados a céu aberto ou diretamente no rio. O lixo não sofre nenhum tipo de reciclagem, sendo queimado, lançado à beira da estrada ou simplesmente jogado entre as bananeiras. Não existe nenhum tipo de coleta de lixo, agravando os impactos ambientais; O índice de analfabetismo ultrapassa 70% dos entrevistados; A totalidade dos entrevistados preocupa-se com a qualidade da água, mesmo contribuindo para a poluição da mesma; As atividades exercidas nas proximidades das matas põem em risco a integridade da biodiversidade; A maioria dos entrevistados não tem conhecimento das questões relacionadas ao Meio Ambiente; Com relação à biodiversidade encontrada na reserva Gurjaú, assim como a forma de uso do solo entende-se que: Considerando, Os anfíbios endêmicos da Mata Atlântica (Bufo crucifer, Hyla atlantica, H. branneri, H. semilineata, Phyllodytes cf. luteolus, Scinax auratus, Adenomera sp., Eleutherodactylus sp. e Pseudopaludicola sp.);

144 Os répteis endêmicos da Mata Atlântica (Enyalius catenatus, Strobilurus torquatus, Mabuya macrorrhyncha e Anotosaura sp.); As aves ameaçadas: Thalurania watertonii, Momotus momota macgraviana, Picumnus exilis pernambucensis, Conopophaga liineata cearae, Conopophaga melanops nigrifons, Curaeus forbesi, Tangara cyanocephala corallina, Tangara fastuosa, Xenops minutus alagoanus, Myrmeciza ruficauda, Pyriglena leuconota pernambucensis, Thamnophilus aethiops distans, Thamnophilus caerulesces, Platyrinchus mystaceus niveigularis. Os mamíferos: Monodelphis americana, endêmico da Mata Atlântica, Callithix jachus, endêmico para o Nordeste e Leopordus tigrinus ameaçado de extinção; As espécies vegetais endêmicas para Pernambuco (Maprounea sp, Calathea cf. pernanbucensis, Ctenanthe pernambucensis Arns et Mayo e Maranta andersoniana Arns et Mayo); As espécies vegetais endêmicas da Mata Atlântica (Erythroxylum cf. grandifolium Mart. e Henriettea succosa DC.); Que a Mata Atlântica constitui um dos biomas mais ameaçados do Planeta sendo considerado um dos hotspots de biodiversidade; A baixa densidade da população humana, historicamente composta por funcionários de Gurjaú, próximos aos fragmentos onde foram relacionadas às espécies endêmicas/ameaçadas; Propõe-se uma unidade de conservação do tipo proteção integral, a exemplo de uma Estação Ecológica (ESEC). Considerando, O grande adensamento populacional em São Salvador, o uso e ocupação do solo (atividades de subsistência, agricultura de cana-deaçúcar, banana e pecuária) que vem ao longo dos anos ocasionando uma grande perda da cobertura vegetal original; Propõe-se então para esta área, uma unidade de conservação de uso sustentável, a exemplo de uma Área de Proteção Ambiental (APA).

145 Figura 83 Mapa proposto para a criação de duas unidades de conservação em Gurjaú, a em azul compreende a UC de uso sustentável e a de linha pontilhada vermelha a linha a UC de proteção integral.

146 Figura 84 - Cenas de uso dos recursos hídricos em São Salvador, onde são observadas famílias lavando roupas. Área sugerida de uso sustentável. Anexo I

147 QUESTIONÁRIO SOBRE DADOS SÓCIO-AMBIENTAIS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NA RESERVA ECOLÓGICA DE GURJAÚ, CABO DE SANTO AGOSTINHO, JABOATÃO DOS GUARARAPES E MORENO. PESQUISADOR: DATA: / / NOME: Sexo: M ( ) F ( ) Idade: Estado Civil: casado ( ) solteiro ( ) viúvo ( ) outros: Nº residentes: adultos ( ) crianças ( Instrução: analfabeto ( ) alfabetizado ( ) º grau menor ( ) ) º maior ( ) ensino médio ( ) outros: Quantas crianças estudam: Quantos trabalham: Em que: Ocupação pesquisado: Renda: R$ Renda da família: R$ Tempo de moradia na Reserva: Motivo: nascido ( ) trabalha ETA ( ) chegou criança ( Moradia construída pela COMPESA: Casamento ( ) outros: S N Outros: Tipo de construção: alvenaria ( ) taipa ( ) outros: Saneamento: S ( ) N ( ) Tipo: ) Nº cômodos: Eletricidade: S N Água: poço ( ) Compesa ( ) outros: Se for fossa, qual a localização: Coleta de lixo: Se não tiver saneamento nem coleta de lixo qual os tratamentos dados aos dejetos e aos resíduos: Atividade agrícola: S ( ) N ( ) Onde: Por quem: Tipo de cultivo: Pecuária: S ( ) N ( ) Tipo: Dentro da reserva: S ( ) N ( ) Local: várzea ( Localização:dentro da Reserva ( )fora ( ) ) Próximo ao açude ( ) Criação: confinado ( ) solto ( ) Criação e/ou cultivo destinado a que: comércio ( encosta ( ) clareiras ( ) outros: Tempo cultivo ( ) subsistência ( ) comércio e subsistência ( ) ) Tempo: pecuária ( Utilização de agrotóxicos: S ( ) N ( ) como é utilizado: Utilização de fertilizantes: S ( ) N ( ) Quais: Onde compra: Utiliza irrigação no cultivo: S ( ) N Como é feita: ( ) Tira lenha da Mata: S ( ) N ( ) Que outro tipo de recurso vegetal? ) Como é retirada: Como é retirado: Folhas ( ) casca de árvores ( ) outros Para que fim? ( ) Quais? Caça: S ( ) N ( ) Quais: cutia ( ) teju ( ) aracuã ( ) tatu ( ) quati ( ) capivara ( ) rolinha ( ( ) jacaré ( ) outros: Tipo: comércio ( ) subsistência ( ) lazer ( Captura animal silvestre: S ( ) N ( ) Quais: curiatã ( Outros: ) pinto( ) sabiá ( ) ) Retira frutos da mata? ingá( )inhame( Quais: Para que fins: criação( )comercialização ( ) Para que fins: Aspectos positivos de se morar dentro da Reserva: Aspectos negativos: Se tivesse opção de morar fora da Reserva, se mudaria? O que vem a ser meio ambiente? )jaca( )outros ( ) ) pomba

148 Acha que a Reserva está sendo bem protegida? Por que? A presença de pessoas morando na Reserva põe em risco sua conservação? Por que? As atividades exercidas dentro da Reserva comprometem sua conservação? Por que? Qual a importância da Reserva para a região? O que poderia ser feito para manter ou melhorar a Reserva? Como morador o que poderia fazer para conservar a Reserva? 4.3 Meio Antrópico 4.3. Característica da população da Reserva O perfil dos moradores da Reserva Ecológica de Gurjaú tem mudado desde o último cadastramento feito pela COMPESA em 988, no levantamento realizado próximo a ETA Gurjaú (CAMINHA 00), a área apresentou um significativo aumento populacional, com o crescimento familiar novas casas foram sendo construídas para absorver as novas famílias que iam sendo criadas, os chefes de família deixavam seus filhos recém-casados construírem nos quintais de suas casas aumentando o número de residências como caracterizado abaixo: 30,30% não apresentam nenhum vínculo com a COMPESA; 5,50% são parentes de funcionários da COMPESA; 4,00% são funcionários da COMPESA;,65% são ex-funcionários/aposentados da COMPESA;,60% são funcionários de firmas terceirizadas pela COMPESA; 6,95% são funcionários do Estado de Pernambuco.

149 O número de pessoas sem vínculo com a COMPESA é quase um terço da população moradora no entorno da ETA, o que representa uma invasão da área. O número de parentes de funcionários também é expressivo, justificado pela construção de moradias nos quintais das casas dos pais, quando os filhos casam ou, como expressou uma entrevistada: - meu pai se aposentou, para não entregar a casa preferiu deixar eu morar aqui. Segundo Caminha (00), a religião de quase metade dos moradores é a Católica Apostólica Romana, com 48,84%, seguida da Evangélica, com 37,0%, distribuída entre Batista e Adventista. 3,96% dos entrevistados não têm religião. Os dados referentes à escolaridade do chefe de família mostram que 8,60% não têm escolaridade; 6,98% são alfabetizados; 30,4% possuem o º grau menor; 0,93% o º grau maior e 3,5% estão cursando ou cursaram o º grau, um percentual elevado de moradores não iniciaram o º grau. Dentre os chefes de família, 39,54% apresentam uma renda familiar mensal menor que dois salários-mínimos; 4,65% estão desempregados; 34,88% apresentam uma renda entre a 4 salários-mínimos e 9,30% recebem mais de 4 saláriosmínimos. Destes últimos, muitos são aposentados da COMPESA. No que diz respeito à relação homem /mulher entre os moradores da ETA de Gurjaú a proporção é de 48,65% de homens para 5,35% de mulheres (CAMINHA 00) Condições de Infra-estrutura As moradias são, em sua maioria, de alvenaria tendo ainda algumas casas construídas de taipa, o abastecimento de água é realizado pela COMPESA na grande maioria, havendo poucas casas com poço/cisterna onde consomem a água sem nenhum tratamento. Com relação às condições de manejo de resíduos sólidos o destino final do lixo representa um grande problema, já que não há coleta na Reserva e nenhuma das três Prefeituras dos municípios que a integram têm uma ação sistemática para coleta de lixo. Os moradores jogam seus resíduos diretamente na mata, fazem queimadas destes a céu aberto ou criam seus próprios pontos de lixo,

150 criando um grave impacto por conta da poluição tanto do solo quanto dos lençóis freáticos e proliferação de ratos. No que se refere ao saneamento básico, a maioria das casas possuem banheiro e fossa séptica, entretanto a grande maioria não possui nenhuma forma de tratamento do esgoto que é lançado no Rio Gurjaú causando a contaminação da rede hidrográfica que leva a morte de vários peixes e camarões. A situação tende a causar sérios problemas tanto para a população local que utiliza a água do rio para beber e cozinhar, como para a região metropolitana do Recife que utiliza a água tratada do mesmo rio. Apesar das condições precárias de saneamento e destino final do lixo, não há relatos de doenças infecto-contagiosas, sendo a gripe e a diarréia as mais comuns principalmente nas crianças. Outros responsáveis pela poluição hídrica e do solo são as populações flutuantes (sitiantes e veranistas), que após as estadias dos finais de semana e feriados deixam seus resíduos sólidos acumulados nas margens da cachoeira, barragens e mata. Dentro da Reserva existe a Escola Municipal Dr. Eudes Sobral de ª a 4ª séries e com turma de Alfabetização para Jovens e Adultos. A escola faz parte do Projeto Criança Cidadã que paga aos pais R$ 5,00 (vinte e cinco reais) para que as crianças permaneçam na escola e é mantida pela Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, contando com verbas do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério (FUNDEF), o tema Meio Ambiente é desenvolvido com os alunos através de uma proposta pedagógica da Secretaria de Educação Visão das Comunidades sobre a U.C. Nos últimos cem anos, o homem adquiriu o poder de influenciar decisivamente na constituição e equilíbrio dos ecossistemas, de alterar os padrões de distribuição geográfica dos animais, plantas, microorganismos e de acelerar o ritmo dos processos de evolução da crosta terrestre e da biosfera (ROCHA 997). Erosão, poluição e extinção das espécies animais e vegetais constituem eventos ou processos naturais, mas sua aceleração e desorganização como subprodutos das

151 atividades humanas descontroladas, comprometem a estabilidade dos sistemas ecológicos e dos ciclos naturais. A Reserva Ecológica de Gurjaú retrata a aceleração do esgotamento dos recursos naturais por possuir uma grande quantidade de moradores em seu interior, que tendo em vista a precariedade em que vivem sob diferentes aspectos sociais, como a falta de trabalho, infra-estrutura precária, crescimento desordenado da população e outros, vêm-se tendo que desmatar a área para cultivo da cana-de-açúcar e agricultura de subsistência, além de utilizarem a madeira para lenha e construção de casas. Partindo dessas problemáticas, faz-se necessária a caracterização de todos os moradores da Reserva, pois o envolvimento da comunidade é de total importância. Sem o entendimento, o apoio, a participação e a colaboração da população nenhum projeto tem sustentabilidade. Para Ellen (98, apud MORÁN, 990), as relações ambientais do Homo sapiens só podem ser compreendidas se incluírem o papel da cultura e das instituições sociais que intervêm entre o homem e o ambiente. Cada pessoa, psicologicamente, tem uma percepção do meio ambiente e de sua qualidade que é individual, incomunicável e irreversível. Conforme Morán (990, p. 89), a percepção influi no comportamento, tanto ou mais do que a realidade física do ambiente. Biologicamente, esta percepção encontra-se limitada às condições anatômicas e fisiológicas da espécie humana e se processa dentro dos padrões culturais, geográficos e históricos. Sendo, então, os mecanismos perceptivos e cognitivos para conhecer o meio ambiente próprios da espécie humana, a imagem mental que as pessoas constroem desse meio ambiente segue determinados padrões e o somatório destas imagens individuais representa a imagem pública, que determina a qualidade ambiental. Assim, como variam as percepções e as imagens mentais a respeito da qualidade ambiental, também variam as atitudes diante do meio ambiente e os valores a ele atribuídos. As respostas ao meio ambiente variam, então, de acordo com as escalas de percepção e de valor (OLIVEIRA, 983, apud MACHADO, 997). Partindo de todos esses pressupostos, é que foi iniciado um trabalho classificado como Etnoecológico, onde procura-se entender a percepção que o indivíduo tem do local a

152 partir de sua experiência de vida. Pois entende-se que a criação de uma verdadeira Unidade de Conservação não pode terminar com a publicação ou determinação do ato público. Dando continuidade ao trabalho etnoecológico iniciado com a população residente do entorno da ETA, partiu-se para outras duas áreas denominadas: Engenho São Salvador e Engenho Porteira Preta. O Engenho São Salvador localiza-se ao norte da ETA, onde as maiorias das atividades agrícolas são exercidas e possui duas associações (Associação dos Pequenos Produtores Rurais de São Salvador- ASPROSA e Associação dos Pequenos Moradores de São Salvador). Com uma população acima de 000 pessoas e mais de 550 famílias, segundo informação de Everaldo José da Silva, vice-presidente da última associação citada, a área apresentou um aumento populacional grande por conta de construções desordenadas, provenientes da especulação imobiliária realizada por alguns moradores do local, como cita um morador nem a COMPESA, nem a polícia podem me tirar daqui, pois a madeira que eu construí a minha casa eu comprei em uma madeireira, e o terreno eu comprei por R$.500,00, aqui nesse local há 0 anos havia uma casa, hoje tem 8 A maioria dos moradores do local demonstram nostalgia ao falar de como era a Reserva no passado é uma pena ver isso aqui sendo tomado pela cana, principalmente pela queimada que deixa a terra pobre, isso aqui era uma beleza, dava gosto, cada morador pagava para morar aqui e quando não podia trabalhar dava um dia de serviço para limpar ou fiscalizar, hoje tá tudo abandonado a mata acabou-se porque o pessoal foi fazer roça meu pai dizia, meu filho não entre no asseiro, antes o dono do sítio tinha o compromisso de deixar o asseiro quando havia vigilância, hoje todo mundo invade a mata para roçado. Quando questionados sobre qual seria a alternativa para que a mata voltasse a ser como antes, a grande maioria diz que se voltasse a vigilância, não tinha mais derrubada de madeira, aqui só tinha um vigia e dava conta da mata todinha, meu pai quando quiz fazer a casa dele teve que dar 0 viagens a Gurjau para conseguir autorização para

153 construir a sua casa, cada casa era construída assim o cabra tinha que batalhar muito para conseguir autorização para construir ou derrubar um pau se a comunidade for envolvida, isso aqui volta a ser mata, quando a estrada é ruim, não tem como passar carro pesado e não tem como tirar madeira. A população apesar de não entender os termos: Reserva Ecológica, Unidade de Conservação, Área protegida; demonstram conhecimento nativo com relação à importância de preservação da área ao fazer comentários do tipo esse Engenho é rico em água, tem pra mais de 00 olhos d água aqui, moça, sabe porque não tem bicho? por causa da caça e derrubada da madeira, daqui a pouco a gente não vai ter mais água, porque quase não tem mais planta aqui, era bom que a associação comprasse outro engenho e coloca-se algumas famílias lá, porque São Salvador tá lotado o bicho é ser vivo, tem direito de viver, a mata sem criação não é mata só o céu é melhor para morar do que São Salvador. Outro Engenho levantado foi o de Porteira Preta. Localizado a leste da ETA, possui os dois maiores fragmentos de mata da Reserva: Mata do Cuxio e Mata da Zabé. Possui o menor núcleo populacional de toda a Reserva, mas nem por isso os problemas são menores, como em toda a área há pequenos sítios com culturas de subsistência, plantio de cana-de-açúcar com conseqüente prática de queimada, falta de coleta de lixo e o mais agravante: grandes propriedades particulares, com pastos, viveiros, canis e cultivos que avançam subtraindo a mata. A visão da comunidade também não destoa das demais. Segundo moradores, a invasão e o desmatamento ocorrem por falta de vigilância, quando tinha vigia na mata, ninguém tirava um pau seco daqui a gente vê o desmatamento, mas não pode fazer nada, vem gente de fora desmatar, quando o governo tomava conta era muito diferente moça, aqui tem até canil, como é que numa terra do Governo, o cabra chega, faz a casa e cria até cachorro para caçar? Se tivesse vigilância isso não acontecia não. Desde que se iniciou o contato com os moradores, reforçou-se a idéia da Reserva só existirá enquanto Unidade de Conservação quando sua função sócio-cultural estiver assegurada, ninguém pode apreciar ou proteger uma coisa que não conhece ou julga ser inútil ou até mesmo perigosa ou nociva. É na educação que reside o principal problema a ser superado para despertar uma consciência geral do povo, da necessidade e importância da conservação dos ecossistemas (ROCHA 997).

154 4.4 Análise de risco ambiental 4.4. Fogo e energia A Reserva Ecológica de Gurjaú situa-se numa área considerada de risco de incêndios devido a uma prática secular implantada nos cultivos da monocultura cana-de-açucar que usa o fogo como auxiliar na limpeza de cana para o corte, além da queima do lixo doméstico praticado pela comunidade. O cultivo da cana-de-açucar, no entorno imediato da Reserva, nos engenhos pertencentes à Usina Bom Jesus, não contam com nenhuma faixa de proteção ou aceiro em todo o perímetro que possa impedir a disseminação do fogo, durante a época da colheita. Na Área de Gurjaú, não há coleta de lixo, motivo pelo qual os moradores armazenam e queimam os resíduos sólidos atrás de suas casas, podendo ocasionar incêndios na mata. A maioria das residências localizadas no interior da reserva possui energia elétrica, sendo este mais um fator de risco, visto que um curto circuito poderá provocar incêndios. Outra situação de risco é a presença de ligações clandestinas, com fios desencapados, atravessando as matas para energizar algumas residências mais afastadas Passivo ambiental Como passivo ambiental pode-se destacar as principais intervenções antropicas. A presença de estradas no interior da Reserva é potencialmente danosa para a conservação desta, pois favorece a exploração clandestina de madeira e o acesso de pessoas à procura de novas áreas para moradia e atividades agrícolas. Existem três estradas principais que cortam a reserva: Estrada de Secupema tem aproximadamente 3,7 km que margeia o açude de Gurjaú, desde a Barragem até o açude de Secupema. É uma estrada estreita cuja manutenção esporádica é feita pela COMPESA. Normalmente é interditada por troncos acidentalmente caídos durante o período de chuvas. É usada pela comunidade para retirada de lenha

155 seca, e transporte dos produtos agrícolas colhidos nas roças existentes dentro da mata, bem como para lazer e caça. Possui uma estrada secundária que leva ao Engenho Roças Velhas e várias trilhas estreitas que levam a roças existentes nas matas. Esta estrada corta as matas do Macaco Macuca, Limão e Periquito. Estrada do Cuxiu, com aproximadamente,8km se inicia atrás da casa de D. Maria Cabocla indo até à Mata de Cau, e termina no acesso ao perímetro de entorno da Reserva. Apresenta-se em estado razoável de conservação. Esta estrada corta as matas do Cuxiu e São Brás,

156 possui algumas trilhas secundárias que levam a cultivos nas margens do Açude de Gurjaú. Estrada de São Salvador corta toda a Reserva na sua porção Norte. É a mais extensa e com intenso fluxo de veículos dando acesso aos três municípios (Cabo, Moreno e Jaboatão), onde transitam os transportes coletivos. Apresenta diversas pontes de madeira que cobrem cursos d água e muitas estão em péssimo estado de conservação, ficando intransitáveis nos períodos de chuvas. A manutenção da mesma é feita pela Usina Bom Jesus no período que antecede a colheita da cana. Outro passivo ambiental é o gasoduto da Transpetro que corta a Reserva, tem uma extensão de 556m por m de largura. O duto está a,5m de profundidade do solo e transporta gás natural. Todo o percurso da tubulação dentro da Reserva é marcado com piquetes de 5m em 5m. A inspeção da área é realizada trimestralmente por helicóptero e semanalmente por andarilhos (funcionários que passam no local). O corte da vegetação é feito com freqüência, mensalmente no período chuvoso, o que mantém esta faixa sempre aberta impossibilitando a recuperação natural da vegetação. 4.5 PLANEJAMENTO 4.5. Proposta de Pré-Zoneamento da Reserva Ecológica de Gurjaú O zoneamento constitui um instrumento de ordenamento territorial usado como recurso para se atingir melhores resultados no manejo da Unidade, pois estabelece usos diferenciados para cada zona, segundo seus objetivos. Para obter, desta forma, maior proteção, pois cada zona será manejada seguindo normas para elas estabelecidas. O zoneamento é identificado pela Lei nº 9.985/000: definição de setores ou zonas em uma Unidade de Conservação com objetivos de manejo e normas específicas, com propósito de proporcionar os meios e as

157 condições para que todos os objetivos da Unidade possam ser alcançados de forma harmônica e eficaz. (Roteiros Metodológicos do IBAMA, 00). Com o objetivo de mostrar a aplicabilidade e necessidade do zoneamento para efetiva aplicação dos demais instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente foi proposto um Pré - Zoneamento da Reserva elaborado pela equipe da FADURPE e os Técnicos Nahum Tabatinich (CPRH) e Maria Catarina Cabral de Medeiros (IBAMA). Estes mapas temáticos que derão subsídio à primeira reunião técnica que tem como objetivo discutir a reclassificação e zoneamento da Reserva. A proposta de pré-zoneamento ambiental da Reserva Ecológica de Gurjaú foi elaborada com os seguintes objetivos: Conservar e recuperar os ecossistemas naturais de relevância ecológica; Proteger os mananciais hídricos, bem como riachos e açudes. Definir as áreas que terão manejo e normas específicas. A área foi dividida em cinco 5 zonas (Figura 88): Zona de uso Extensivo; Zona de uso Especial; Zona de Recuperação ; Zona de Recuperação ; Zona de Ocupação Temporária. Este zoneamento foi realizado levando-se em conta áreas onde existe o maior risco de ocorrência de erosão, uso e ocupação do solo e ausência ou fragmentação da vegetação nativa. Os corpos d água que atravessam a Reserva merecem maior atenção pois estão submetidos a maiores riscos e são

158 os principais pontos a serem visitados e monitorados, devido ao assoreamento e por serem mantenedores do sistema hídrico de abastecimento. Cabe destacar que o zoneamento pressupõe uma constante revisão e uma atualização periódica dos dados sociais, econômicos, culturais e ambientais. Figura 85 Proposta de Zoneamento da Reserva Ecológica de Gurjaú

159 4.5. Zona de Uso Extensivo É aquela constituída em sua maior parte por áreas naturais, podendo apresentar algumas alterações humanas. O objetivo do manejo é a manutenção de um ambiente natural com mínimo impacto humano, apesar de oferecer acesso aos públicos com facilidade para fins educativos e recreativos. Essa área abrangerá os fragmentos compreendidos entre os açudes de Gurjaú e Secupema. ALTERNATIVAS DE USO Educação Ambiental; Visitação disciplinada; Pesquisa científica de acordo com as normas do Plano de Manejo; Fiscalização; Monitoramento Ambiental; Trânsito de veículos a baixa velocidade, máximo de 40 km e proibição do uso de buzina; No caso de embarcações, não será permitido o uso de motores abertos e mal regulados ZONA DE USO ESPECIAL Visa criar oportunidades e facilitar a recreação educativa e a educação ambiental, concentrando os visitantes nessa zona fornecendo todas as informações sobre a importância da Unidade, de forma a minimizar os impactos sobre as zonas mais restritivas. Toda a infra-estrutura disponível dentro da UC como centro de visitantes, alojamentos, prédio da ETA (Estação de Tratamento de Água da Compesa), deverá estar inserida nessa zona, estando sua utilização condicionada à capacidade de suporte estabelecida para as mesmas, bem como deverão estar harmonicamente integradas com o meio ambiente, não sendo permitido

160 que o material usado para construção ou reforma seja retirado dos recursos naturais da UC, os resíduos sólidos gerados nas infra-estruturas previstas deverão ser acondicionados separadamente, recolhidos periodicamente e depositado em local destinado para tal. As atividades previstas devem levar o visitante a entender a filosofia e as práticas de conservação da natureza. O trânsito de veículos será feito a baixas velocidades (máximo de 40km), sendo proibido o uso de buzinas. A fiscalização será intensa nessa zona. ALTERNATIVAS DE USO Deverá conter sede da Unidade e centralização dos serviços da mesma; Estacionamento de veículos só será permitido para funcionários e prestadores de serviços; A fiscalização deverá ser permanente e intensiva; Proibido o uso de buzina; O centro de visitantes, museu e outros serviços oferecidos ao público, como lanchonetes e instalações para serviços de guias e condutores, somente poderão estar localizados nesta zona; Visitação com fins recreativos e educacionais; Essa zona poderá conter sinalização educativa, interpretativa ou indicativa Zona de Recuperação Essa zona tem por objetivo recuperar o ecossistema de forma natural, por meio de processos de sucessão ecológica, ou por ações de recuperação projetadas e acompanhadas.

161 Essa classificação contempla áreas alteradas pelo homem, sendo considerada provisória que, depois de restauradas deverão ser incorporadas a uma zona permanente. Está constituída por Áreas de Preservação Permanente desprovidas de cobertura florestal e áreas degradadas por agricultura anual e sazonal. As áreas deverão ser objeto de manejo específico e a restauração poderá ser natural ou induzida, somente sendo permitida a utilização de espécies nativas, devendo ser eliminadas as espécies exóticas porventura existentes. Os trabalhos de recuperação induzida poderão ser interpretados para o público no Centro de Visitantes, as pesquisas sobre os processos de regeneração natural deverão ser incentivadas. Não serão instaladas infra-estruturas, com exceção daquelas necessárias aos trabalhos de recuperação induzida, que serão provisórias e preferencialmente construídas de madeira. Os resíduos sólidos gerados nestas instalações terão o mesmo tratamento citado na zona de uso intensivo. O acesso a ela será restrito aos pesquisadores e pessoal técnico, ressalvada a situação de eventuais moradores. Devido às características dos fragmentos de matas e à situação atual da Reserva, a área de recuperação foi subdividida em duas outras. Zona de Recuperação I: Mata do Cuxiu e margens dos açudes São Salvador, Secupema e Gurjaú, bem como bordas de nascentes e riachos. Zona de Recuperação II: Fragmentos de matas na área sul do Engenho São Salvador, nas proximidades do açude de Secupema. ALTERNATIVAS DE USO Zona de Recuperação I Recuperação natural ou induzida das áreas degradadas, principalmente nas APP s (Áreas de Preservação Permanente);

162 Acesso restrito aos pesquisadores, pessoal técnico e eventuais moradores; Delimitação das áreas dos posseiros; Não será permitido o aumento das áreas de plantio pelos posseiros; As pesquisas sobre os processos de regeneração natural deverão ser incentivadas; A fiscalização será permanente nesta zona; Serão priorizadas tecnologias agrícolas com alternativas de baixo impacto. Zona de Recuperação II Disciplinamento da área com delimitação dos cultivos dos posseiros; Recuperação Induzida da vegetação de borda das nascentes e cursos d água; Educação Ambiental com a população residente (mata ciliar, nascentes, saúde e meio ambiente); Fiscalização permanente; Estudo específico para possível recuperação da mata nativa em consórcio com agrofloresta; Avaliar a possibilidade de Implementação de corredores ecológicos entre os fragmentos Zona de Ocupação Temporária Esta zona tem por objetivo utilizar sustentavelmente os recursos florestais e faunísticos, promover sistemas de produção sustentáveis que utilizam componentes arbóreos (floricultura, agroflorestas, fruticulturas) desenvolver pesquisa científica e apoiar as atividades de recreação, educação e interpretação ambiental.

163 Para esta zona será estabelecido um Termo de Compromisso com as populações residentes dentro da UC que definirá caso a caso as normas específicas (Roteiro Metodológico do IBAMA,00). ALTERNATIVAS DE USO Fiscalização permanente; Realizar cadastramento da população com o objetivo de evitar novas ocupações; Elaborar Termo de Compromisso com os moradores sobre o uso da terra (como recomenda o Roteiro Metodológico do IBAMA, 00); Delimitar a área de cultivo de cada morador; Iniciar a Educação Ambiental de base; Recuperação com reflorestamento induzido das APP s (Áreas de Preservação Permanente) e nascentes; Proceder estudos para implantação de fossas sépticas de baixo custo e impacto ambiental; Implantação de sistema de tratamento da água cinza oriunda da lavagem de roupas, louças e banho; Estimular o cultivo da agricultura sustentável (orgânica) com rotação de culturas; Avaliar a possibilidade de implantar sistemas de agrofloresta; Planejar o condicionamento das estradas localizadas nesta zona, utilizando como subsídio o mapa de restrições.

164 4.5.6 Locais de Interesse Histórico-Cultural Alguns resquícios de interesse histórico-cultural são encontrados tanto na Reserva como no entorno imediato. INTERIOR DA RESERVA Ruínas de São Salvador: Onde existia a casa grande do engenho São Salvador, fotografada por Gilberto Osório de Andrade, em 984, está restrito a um banheiro (denominado banheiro das princesas) e resquícios de uma casa de moenda. Banheiro das princesas: Local onde as sinhazinhas da antiga Casa Grande do Engenho São Salvador faziam seus banhos. Esse banheiro foi edificado dentro do riacho São Salvador. Foi construído em estrutura de alvenaria com piso de cerâmica provavelmente usando mão de obra escrava. Era usado para banhos e trocas de roupas. Até bem pouco tempo, permaneciam de pé as paredes do banheiro que serviam a moradores locais, estes disseram que a estrutura de pedra e telhas que cobriam o banheiro foi retirada por vândalos, e que havia uma porta no local. Restam o piso e o mecanismo de renovação de água que é muito engenhoso. Parecendo uma piscina estilo colonial. Casa da Moenda: No mesmo Engenho, acharam-se estruturas de uma antiga casa de moenda de pedras e um eixo de ferro. Há pouco tempo atrás tinha no local os mecanismos de moer a cana. Um morador explicou que a água descia pelo cano do açude de São Salvador e vinha para a moenda mover o eixo e os mecanismos. O antigo proprietário levou os mecanismos quando foi desapropriado. O local devia ser restaurado e incluído num roteiro de visitação pública e construído um museu onde se mostraria um antigo engenho de cana de açúcar.

165 Resquícios da estrada do troler: (Engenho Gurjaú) Com o objetivo de transportar todo o material necessário às obras de abastecimento de água da capital e transporte da cana-de-açúcar produzida nos engenhos da área, foram construídos, provavelmente em 94, alguns quilômetros de via férrea de bitola de largura, para uma locomotiva inglesa do tipo troler provavelmente de 870 (século XIX). Esta locomotiva, que pertenceu à Usina Dr. José Rufino, funcionou até cerca de trinta anos atrás. Os trilhos foram retirados pela Usina Bom Jesus, ficando a trilha de pedras. Na escritura lavrada em 93, o proprietário que vendeu a área para o Governo do Estado, se obrigou a construir a referida via, aproveitando o leito da estrada de rodagem que vai do Engenho São João até a cidade do Cabo. O percurso dos trilhos que atravessavam a Reserva ia do Pontilhão que existiu sobre o rio Gurjaú no Engenho São Brás, indo ao longo deste, atravessando o Tributário do riacho São Salvador seguindo ao Norte para as terras do Engenho Roças Velhas e Usina Bom Jesus. Esta trilha foi muito usada pelos moradores antigos, havendo relatos de que a área dos trilhos era limpa periodicamente. Na época em que a via era usada existia um ponto de abastecimento de água para o troler no local onde os trilhos deixavam o Açude de Gurjaú. Segundo funcionários PETROFLEX, na BR-0, o antigo troler que era usado para transportar cana-de-açúcar para a Usina Bom Jesus é o que está exposto na frente da mesma. Conjunto arquitetônico da ETA: importante por se tratar da primeira estação de tratamento de água do Estado de Pernambuco, construída entre 944/95. A citada ETA Gurjaú substituiu a implantada por Saturnino de Brito em 98 e constava de 04 baterias, cada uma com 08 filtros de pressão, alojadas em um prédio que foi paulatinamente ampliado à medida que se aumentava a capacidade do tratamento. Esta edificação foi objeto de recente restauração para preservação de suas características arquitetônicas originais, estando o patrimônio em perfeito estado (COMPESA - ACS

166 Assessoria de Comunicação Sócia l- Histórico do Saneamento e Dados Institucionais). ENTORNO IMEDIATO DA RESERVA A demarcação do perímetro da Reserva lançou dúvidas acerca dos limites da barragem de Gurjaú. É provável que a área onde está situada a sede do Engenho São Brás (conjunto edificado) pertença ao extinto DSE (Departamento de Saneamento do Estado), tendo sido desapropriado por ocasião da ampliação da barragem. Se os marcos encontrados forem levados em consideração e os documentos forem localizados, parte do engenho São Brás deverá ser incorporado aos limites da Reserva Ecológica de Gurjaú. Conjunto edificado do Engenho São Brás: Este Engenho foi indicado, entre outros, pela FIDEM (Fundação de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Recife) para ser preservado pelo Estado ou pelo Município, porém, nada foi feito para a sua preservação. Conforme esta indicação, deve-se fazer o tombamento e restauração a nível estadual do conjunto edificado, tombamento a nível federal (IPHAN- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) da Capela e da Casa Grande, demolição da construção recente situada entre a Capela e a Senzala e a integração a um roteiro turístico. Nos estudos de 978, feitos pela FIDEM, o Engenho foi fundado em data anterior a 630, por Antônio da Silva e tem uma capela consagrada a São Brás. Por ocasião da dominação holandesa em Pernambuco o Engenho São Brás pertenceu aos invasores que ali construíram benfeitorias. Com a restauração de Pernambuco, o Engenho, então de fogo morto passou a pertencer a Fazenda Real e foi entregue aos seus antigos moradores. Em meados do séc. XIX, o Engenho São Brás pertencia a João de Barros Accioly (FIDEM, 978). O engenho acha-se implantado em um sítio de relevo acidentado cuja topografia varia de cota de 60 m a 30m, com uma paisagem marcada pelas

167 reservas vegetais e grandes espelhos d águas, próximo aos açudes de Secupema e Gurjaú. A sede, em 978, achava-se composta de Capela e Casa Grande, com as características antigas preservadas. Sendo a Capela um exemplo excepcional da arquitetura religiosa, apresenta-se como a mas rica e valiosa dos engenhos da Região Metropolitana do Recife e também o elemento de maior importância do conjunto. Destacando-se os trabalhos de talha do altar mor dos altares colaterais, do púlpito e das sanefas. FIDEM, 978. O estado de conservação que em 978 era regular, hoje é péssimo. O imóvel deve ser considerado urgentemente por risco de perda do Patrimônio Histórico. Está sem uso e já foi saqueado por diversas vezes, sendo as ossadas e lápides de túmulos contidos em seu interior, remexidos e revirados, em busca de jóias e dentes de ouro, devido ao valor de nobreza que tais senhores tinham. A igreja está com risco de desmoronar e o altar-mor já tombou. A Casa Grande é de apenas um pavimento envolvido por alpendres, com cobertura em quatro águas, o estado de conservação é regular e o uso residencial. A Senzala assentada à esquerda da Capela, ainda possui a estrutura original embora o estado de conservação e as condições de habitabilidades sejam precárias. É utilizada como moradia de trabalhadores do engenho. Entre a Capela e a Senzala foi construída uma casa recente de pavimento único, prejudicando a qualidade do conjunto. 4.6 MAPEAMENTO TEMÁTICO Introdução A necessidade de conhecer a realidade física atual da área da Reserva de Gurjaú com a situação de Uso e Ocupação de Solos é a primeira atividade a ser realizada para se traçar planos necessários à definição do futuro da Reserva. A inexistência de material cartográfico recente reforçou a necessidade de se elaborar uma base cartográfica digital e um conjunto de mapas temáticos para servirem de fonte de informação e de base para as equipes multidisciplinares

168 que deverão trabalhar nas ações envolvidas na coleta de informações sobre o meio ambiente e da população que hoje ocupa a área da Reserva. A região foi inicialmente mapeada na Década de 70 pela então FIDEM, que produziu ortofotocartas em escala de : Buscando atualizar este material adquiriu-se um recorte com 64 km² de imagem do Satélite Quickbird. A partir desses dois produtos disponíveis foram elaborados ortofotocartas atuais, modelo digital de terreno e um conjunto de mapas temáticos (vegetação, casas, rede hídrica, uso do solo e malha viária). A importância do mapeamento é fornecer as bases para estudos ambientais compostos da: Modelagem do Terreno; Estudos Hídricos (redes, bacias, volumes de água, vazão); Cálculo Real de Áreas com Cobertura Vegetal; Base para levantamentos quantitativos e qualitativos de Biodiversidade; Ferramenta para Engenharias (Agronomia, Civil, Mecânica); Mapas geológicos e pedológicos; Estudos de Áreas Impactadas; Mapas de declividade; Elaborar Sistemas de Informações Geográficos. Todo o material produzido foi disponibilizado em formato digital para futuras referências nos grupos de pesquisa e para futura criação do Sistema de Informações Geográficas para manejo ambiental da Reserva Ecológica de Gurjaú Objetivo Principal Mapear a área da Reserva Ecológica de Gurjaú utilizando imagens de satélite de alta resolução Quickbird para produção de Ortofotocartas digitais e mapas temáticos para uso em estudos ambientais OBJETIVOS ESPECÍFICOS Processar imagem Quickbird, corrigindo-a em função de pontos de controle em campo;

169 Processar ortofotocartas FIDEM para elaboração de MDT; Elaborar mapas temáticos da Reserva Ecológica de Gurjaú; Elaborar Ortofotos Digitais em escala :000 da Reserva Ecológica de Gurjaú; Elaborar Sistema de Informação Geográfico. Materiais e Métodos Seqüência dos Trabalhos ORTOFOTOCARTAS IMAGEM QUICKBIRD RECORTE DA IMAGEM DIGITALIZAÇÃO PROCESSAMENTO: - Ortocorreção - Fusão Pancromática PROCESSAMENTO: - Equalização - Georreferenciamento - Mosaicagem VETORIZAÇÃO MDT MAPAS TEMÁTICOS 4.6. Processamento das Ortofotos Para se iniciar as atividades do mapeamento fez-se levantamento do material cartográfico existente. Foram utilizadas as Ortofotocartas FIDEM 78/50, 78/55, 79/00, 79/05, 79/50 e 79/55, em escala :0.000 do ano de 975. O objetivo do processamento é a conversão do material do formato analógico para o formato digital, extraindo-se a hipsometria para a elaboração de um Modelo Digital de Terreno para ser utilizado na ortorretificação da imagem de satélite Quickbird. As ortofotocartas foram digitalizadas utilizando-se metodologia desenvolvida no GEOLAB/DTR/UFRPE, capturando-se 5 imagens raster para cada carta, com área de km². As imagens finais possuem formato TIF, padrão RGB e resolução de 600 dpi. Após a digitalização, as imagens foram processadas para reduzir os efeitos da captura, retificação, realce, georreferenciamento e mosaicagem.

170 A retificação tem por finalidade alinhar as imagens em função da malha de coordenadas originais, assumindo-se que a mesma esteja no Sistema de Projeção Cartográfica UTM, datum SAD69 médio. Foram utilizados 9 pontos de controle considerando-se as linhas da grade existentes. O método de ajuste utilizado foi o polinomial de ª ordem por convolução cúbica. Esta mesma operação tende a reduzir o efeito das distorções da captura. Foi realizado o realce com a finalidade de melhorar a capacidade visual para a vetorização das isolinhas hipsométricas, tomando-se como base o histograma para o processamento do conjunto total de imagens. Após o realce procedeu-se a mosaicagem das imagens para o conjunto de quadrículas originais de cada ortofotocarta. Das ortofotos mosaicadas fez-se a vetorização de todas as isolinhas da hipsometria produzindo-se arquivos em formato tab. Elaboração do Modelo Digital de Terreno Modelar o terreno é representar as suas feições através de um modelo matemático que se aproxime da realidade em campo. Para este procedimento, utilizou-se o conjunto de isolinhas hipsométricas do terreno. As etapas e parâmetros da modelagem foram as seguintes: Conversão de isolinhas em pontos; Interpolação matemática usando método do Vizinho Próximo; O modelo de agregação de pontos foi de células quadradas; A distância de interpolação 0,65 com média em pontos coincidentes; O método de solução foi por declividade; Fator de assimetria:,00; Fator de suavização:,00 com exponencial 6ª ordem; Limites de borda por convexidade; Tamanho do pixel:,00 m; Triângulo máximo (lado):.98,30m Processamento da Imagem de Satélite A imagem adquirida foi um recorte de Imagem de Satélite Quickbird com as seguintes características:

171 A imagem foi entregue com os dados necessários a ortocorreção; Foram entregues duas imagens, uma contendo 4 bandas (R,G,B e NIR Pixel m) e outra com a banda PAN (0,6 m); Área total do recorte: 64 km²; Cobertura de nuvens: 3%. Foi realizada uma ortocorreção para corrigir o efeito da distorção radial da imagem utilizando-se pontos obtidos em campo por alvos facilmente identificáveis, utilizando o MDT obtido das ortofotos corrigidas e o coeficiente de correção disponibilizado pelo fornecedor. Após a ortocorreção fez-se uma fusão pancromática, que é a ampliação do pixel das bandas VNIR (RGB e NIR) em função da banda PAN Elaboração das Ortofotocartas Após a panfusão foram criadas 48 ortofotocartas com km² em formato vetorial tab para serem editadas no software MapInfo e em formato de impressão pdf Elaboração dos Mapas Temáticos Por classificação visual elaboraram-se vários mapas temáticos que refletem o uso e ocupação dos solos existentes no interior da área demarcada pela COMPESA como sendo da Reserva Ecológica de Gurjaú e das áreas adjacentes à mesma, compreendendo os seguintes temas: matas, rede hidrográfica, vias de acesso, habitações, áreas cultivadas Produtos Finais a) 48 Ortofotocartas em escala :. 000 editáveis no software MapInfo; b) 48 Ortofotocartas em formato de impressão pdf;

172 c) Conjunto de mapas temáticos editáveis no MapInfo correspondentes aos temas de cobertura vegetal, vias de acesso, rede hidrográfica, habitações no interior da reserva, áreas cultivadas. d) Modelo Digital de Terreno editável no MapInfo com módulo Vertical Mapper. 5. CARACTERIZAÇÃO DA ZONA DE AMORTECIMENTO 5. Avaliação dos impactos sobre o entorno. O critério utilizado para identificação da Zona de Amortecimento foi o da Resolução CONAMA 3/90, onde o limite de 0km ao redor da Unidade deverá ser o ponto de partida para a definição da Zona, a partir deste limite vai-se aplicando critérios para a inclusão, exclusão e ajuste de áreas da zona de amortecimento, aproximando-a ou afastando-a da Unidade. O Zoneamento constitui-se em um instrumento de manejo que apóia a administração na definição das atividades que podem ser desenvolvidas em cada setor, orienta as formas de uso das diversas áreas, ou mesmo proíbe determinadas atividades por falta de zonas apropriadas. A transição de zonas de proteção e pouca intervenção para aquelas com menor nível de proteção e com grande interferência humana, deve- se dar de forma harmônica e gradual, passando, de preferência, pelas categorias intermediárias de zonas. Como existe a necessidade de serem amortecidos os impactos das atividades de uma zona para outra, dentro de uma Unidade de Conservação, é preciso frear-se os efeitos das atividades externas às Unidades de Conservação sobre o interior desta. Muitas Unidades de Conservação tem seus limites caracterizados por mudanças drásticas entre a natureza e a agricultura, a produção madeireira ou o desenvolvimento urbano. Nesses casos é necessária a determinação de um gradiente de zonas, não sendo recomendável estabelecerem-se zonas de alto grau de proteção em áreas que farão limites com aglomerados urbanos ou com quaisquer outras atividades antrópicas (Miller 980). Para facilitar a identificação da Zona de Amortecimento, bem como áreas de significância utilizaram-se o georeferenciamento dos limites e de marcos no campo (como sedes dos engenhos, trechos do rio, barragens, cultivos, etc...).

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