9 SISTEMA DE CONTROLE INTERNO
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- Nathan Tomé Santarém
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1 9 SISTEMA DE CONTROLE INTERNO Ao sistema de controle interno, consoante o previsto nos arts. 70 e 74 da Constituição Federal, incumbe a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, o acompanhamento da gestão e a avaliação da execução de projetos e atividades do Governo quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas. Com o advento da Lei Complementar nº 101/00 LRF, o Sistema de Controle Interno local ganhou novas atribuições no sentido de auxiliar a fiscalização da gestão fiscal. Tornou-se um dos signatários, juntamente com os chefes dos Poderes Executivo e Legislativo e os responsáveis pela administração financeira, do Relatório de Gestão Fiscal, exigido no art. 54 dessa Lei. A Lei Orgânica do Distrito Federal LODF, em consonância com a Carta Magna, determinou, em seu art. 80, a manutenção de Sistema de Controle Interno pelos Poderes Legislativo e Executivo com a finalidade de, entre outras, apreciar a execução dos programas de governo e dos orçamentos; comprovar a legalidade e avaliar os resultados quanto à eficácia e eficiência da gestão orçamentária, financeira, contábil e patrimonial nos órgãos e entidades da administração; e apoiar o controle externo no exercício de sua missão institucional. Ademais, esse mesmo artigo exige que, na prestação de contas anual, haja relatório circunstanciado do órgão de controle interno acerca das atividades de sua competência. O Regimento Interno deste Tribunal, nos incisos XVII, XVIII e XIX do art. 138, detalha a apresentação desse relatório, que deve versar sobre: os controles e avaliações previstos no art. 80 da LODF; o cumprimento das diretrizes, objetivos e metas do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e dos orçamentos, com avaliação dos resultados quanto à eficiência e eficácia da gestão governamental, por função; a situação organizacional do Sistema de Controle Interno, informando os recursos humanos e financeiros, os propósitos e as ações para seu permanente aprimoramento. Na Prestação de Contas em exame, de forma inédita, foram encaminhados três documentos com vistas ao atendimento desses incisos, respectivamente: Relatório de Avaliação das Renúncias de Receitas, Relatório de Avaliação dos Resultados quanto à Eficiência e Eficácia da Gestão Governamental, por Função e Relatório da Situação Organizacional do Sistema de Controle Interno da Corregedoria-Geral do Distrito Federal no ano de O primeiro, também abordado no item 3.3 Renúncia de Receita, que atenderia especificamente ao inciso V do citado artigo da LODF, registra que, dos 321
2 demonstrativos apresentados pela área responsável, constavam apenas dados quantitativos financeiros, não existindo informações acerca da avaliação da relação custo/benefício da renúncia de receita, exigida pela norma. Conclui, ainda, que a tarefa não seria possível de ser feita vez que a Subsecretaria de Receita não dispõe de dados necessários e suficientes para realização de tal avaliação. O relatório seguinte apresentou análise das funções Assistência Social, Transporte, Educação, Saúde, Segurança, Direitos da Cidadania e da área de Infraestrutura, concluindo que os instrumentos de planejamento, orçamentação e programação financeira devem ser aperfeiçoados, no que se refere a metas, indicadores de desempenho e outros dados estatísticos, buscando propiciar ao controle interno melhor avaliação da eficácia e eficiência das gestões orçamentária, financeira, contábil e patrimonial. Acerca da situação organizacional do Sistema de Controle Interno, o documento apresentado, semelhante ao Relatório de Gestão da Corregedoria-Geral do Distrito Federal no ano de 2003, disponível em seu endereço na Internet, apresentava estrutura organizacional e principais realizações do órgão. A Corregedoria-Geral, instituída pela Lei nº 3.105/02, alterada pela Lei nº 3.163/03, tem como finalidade assistir direta e imediatamente o Governador, nos assuntos e providências relativas à defesa do patrimônio público, auditoria e ouvidoria e foi alçada a órgão central do Sistema de Correição, Auditoria e Ouvidoria do Poder Executivo do Distrito Federal. Entre suas competências, nessas áreas, estão: dar andamento às representações e denúncias recebidas relacionadas à lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio público; determinar aos órgãos e entidades do Poder Executivo a instauração de sindicâncias, processos administrativos disciplinares e tomadas de contas especiais; requisitar informações ou avocar processos em andamento em quaisquer outros órgãos e entidades integrantes da administração direta e indireta do DF; adotar as providências necessárias aos casos que configurem improbidade administrativa. Para atendimento dessas e de outras atribuições, a Corregedoria- Geral, órgão integrante do Gabinete do Governador, tinha, em 2003, sua estrutura administrativa dividida em três unidades executivas: Ouvidoria: que recebe, examina, encaminha e resolve reclamações, elogios e sugestões, identificando soluções e recomendando-as aos gestores; 322
3 Corregedoria: cujos objetivos eram a apuração de irregularidades e adoção de providências para saná-las, além de desenvolver ferramentas e rotinas capazes de evitar o cometimento de infrações ; Controladoria: à qual estava vinculada a competência de realizar auditoria pública e controle interno no âmbito do GDF, tendo sempre em vista a boa e regular aplicação dos recursos públicos. ESTRUTURA ADMINISTRATIVA DA CORREGEDORIA-GERAL DO DISTRITO FEDERAL Corregedoria-Geral do Distrito Federal Corregedoria-geral Adjunta Assessoria Especial Gabinete Assessoria de Comunicação Social Assessoria Técnico-legislativa Apoio Operacional Sistemas Operacionais Controladoria Corregedoria Ouvidoria Auditoria da Administração Indireta Auditoria da Administração Direta Análise de Atos de Recursos Humanos Instrução Execução e Acompanhamento Planejamento e Articulação Atendimento Processamento de Ocorrências Fonte: Corregedoria-Geral do DF. Dentro dessa estrutura, a Lei nº 3.163/03 instituiu quatro cargos de Assessor Especial de Controle Interno para atuarem junto às Secretarias que integram as áreas de Infra-Estrutura, Econômica, Social e de Governo. E, ainda, permitiu ao Poder Executivo, "à medida de suas necessidades", a criação de cargos equivalentes para serem inseridos nas próprias Secretarias. Para fazer frente às tarefas de sua competência, a Corregedoria-Geral contava, em 2003, com 115 servidores, 25 contratados do Instituto Candango de Solidariedade e doze estagiários. O quadro apresentado no Relatório da Situação Organizacional do Sistema de Controle Interno apresentava cinco servidores como estando cedidos a outros órgãos. O demonstrativo também revelava que boa parte dos funcionários 42,8% estava alocada na Controladoria e que, entre os servidores do quadro permanente, afora os cedidos, todos estavam nessa unidade. 323
4 Com vistas a seu aprimoramento, informou-se que ações têm sido realizadas nas áreas de treinamento e capacitação, com destaque para o Curso de Formação de Auditores da Controladoria. Relativamente à estrutura física, o mesmo relatório informou que, dada a precariedade do espaço disponível para instalação de todas as unidades da Corregedoria-Geral, teve início sua mudança para novo local e que foram adicionados 144 equipamentos de informática, durante o exercício de 2003, ao núcleo já existente. Quanto aos recursos financeiros empregados em investimentos e manutenção do Sistema de Controle Interno do DF, nada foi informado nesses relatórios. Não obstante as dificuldades operacionais encontradas, a Controladoria, que responde efetivamente pela condução dos trabalhos de Controle Interno propriamente ditos, procedeu a diversas realizações durante o exercício de 2003, segundo o Relatório de Atividades, entre elas: realização de diversos procedimentos de auditoria e inspeção em todos os órgãos do Governo do Distrito Federal; conclusão de 76 tomadas de contas de ordenadores de despesas e de agentes de material e dezenove prestações de contas; análise de 157 processos de tomada de contas especial; acompanhamento de decisões deste Tribunal; manutenção do cadastro de responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração indireta. Deu-se conhecimento, ainda, de que, em 2003, foram realizados trabalhos de campo em órgãos e entidades da administração direta e indireta do DF por doze equipes de auditores. Para a análise de processos de tomada de contas especial, foram destacados três analistas e um técnico e, relativamente à avaliação de atos de concessão de aposentadorias e pensões de servidores, atuaram nove analistas e quatro técnicos. 324
5 PROCESSOS ANALISADOS MOVIMENTAÇÃO DE PROCESSOS DILIGÊNCIAS REALIZADAS MESES DENÚNCIAS E REPRESENTAÇÕES AUTUADAS APURAÇÕES EM ANDAMENTO PROCESSOS CONCLUÍDOS E ARQUIVADOS ANÁLISE E COLETA DE INFORMAÇÕES INICIAIS INDICAÇÃO DE PROCEDIMENTOS E PROVIDÊNCIAS Jan/Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez TOTAL * Fonte: Relatório de Gestão da Corregedoria-Geral do Distrito Federal no ano de * o dado não é cumulativo, informa a posição no último dia de cada mês. O incremento do número de apurações em andamento, demonstrado na tabela anterior, pode ser indicativo da insuficiência de recursos para dar tratamento a esses processos. Foi apresentado nos relatórios, o diagnóstico de que havia necessidade de aperfeiçoamento no acompanhamento e controle de processos administrativos disciplinares, sindicâncias e tomadas de contas especiais. As medidas adotadas com o intuito de sanar o problema foram a delegação à Corregedoria de atribuições investigatórias e a agilização de providências visando antecipar a implantação de banco de dados. A instituição da Corregedoria-Geral do Distrito Federal e os esforços realizados para sua estruturação, constatados na análise da documentação enviada a esta Corte, representam importante passo na implementação de um eficiente Sistema de Controle Interno no âmbito do Governo do Distrito Federal, embora os dados apresentados revelaram-se ainda insuficientes frente à relevância, dimensão e complexidade das tarefas que devem ser levadas a efeito. 325
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