3.2 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
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- Gilberto de Almeida Carvalhal
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1 109.2 Com base em imagens de satélite tomadas em agosto de 1996 e agosto de 1998, foram identificados e mapeados, no Setor Norte do litoral pernambucano, nove tipos de áreas representativas dos padrões de uso e ocupação do solo, ali, predominantes. De acordo com os elementos que as constituem, as referidas áreas foram agrupadas em três categorias, a saber: áreas com predominância de atividades agropecuárias; áreas com predominância de uso urbano, industrial ou urbano industrial; e ecossistemas naturais. As três categorias de áreas correspondem a, respectivamente, 61,2%, 8,4% e 0,4% da superfície do Litoral Norte (tabela 16). Na primeira categoria áreas com predominância de atividades agropecuárias incluem-se as áreas correspondentes aos seguintes padrões de uso do solo: cana-de-açúcar (40,1%); granjas, fazendas e chácaras (9,%); policultura (6,%); coco-da-baía (2,8%); silvicultura (1,5%); aqüicultura (1,0%); e cana-policultura (0,2%). Na segunda categoria - áreas com predominância de uso urbano, industrial ou urbano industrial figuram: áreas urbanas consolidadas (4,7%); áreas de expansão urbana planejada e espontânea (1,7%); bairros rurais e vila industrial (0,2%); distritos e zonas industriais (0,6%); e áreas degradadas por mineração que, juntamente com manchas de solo exposto, totalizam 1,2%. Na terceira categoria ecossistemas naturais estão incluídos: remanescentes da Mata Atlântica (12,8%); áreas com cobertura vegetal em recomposição (6,%); manguezais, áreas alagadas e mananciais de superfície (11,%). Tomando como base as informações contidas nas tabelas 16 e17, no mapa 02, em fontes bibliográficas e em dados levantados através de pesquisa de campo, foi elaborada a caracterização das áreas supracitadas, a seguir apresentada.
2 110 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE TABELA 16 - PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DA ÁREA DOS PADRÕES DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO DO LITORAL NORTE NA SUPERFÍCIE DOS MUNICÍPIOS
3 CANA-DE-AÇÚCAR Recobrindo expressiva parcela do Litoral Norte (40,1%), a cana-de-açúcar é o padrão de uso do solo predominante nos municípios de Araçoiaba, Itaquitinga, Goiana, Igarassu e Itapissuma, onde ocupa, respectivamente, 77,1%, 75,7%, 52,6%, 5,6% e 4,% da superfície municipal (quadro 07). No que se refere à distribuição, pelos municípios, da área total ocupada com cana-de-açúcar no Litoral Norte (TABELA 17), verifica-se que a parcela maior da área representativa desse padrão de uso do solo encontra-se no município de Goiana (47,5%), seguido, de longe, pelos municípios de Igarassu (19,%), Itaquitinga (14,%) e Araçoiaba (12,8%). Espacialmente, a lavoura canavieira está concentrada na porção ocidental dos municípios acima mencionados, ora envolvendo ecossistemas naturais (remanescentes da Mata Atlântica e cobertura vegetal em recomposição) e áreas de silvicultura, ora circundando núcleos urbanos, áreas de policultura e áreas de granjas, fazendas e chácaras. Em alguns trechos dos municípios de Goiana e Itapissuma a área canavieira projeta-se para leste, confinando com o manguezal e com as áreas de predominância de coco-da-baía (mapa 02). Cultivada em todas as formas de relevo, a lavoura canavieira ocupa topos e encostas de morros e tabuleiros, além de várzeas e terraços fluviais e de áreas com modelado suave (foto 19), recobrindo, portanto, desde superfícies planas ou com baixas declividades até encostas com declividade superior a 0%, onde ocorrem, com freqüência, concentrações de nascentes (mapa 01). Monopolizadora da ocupação do solo, a cana, em sua expansão, tem motivado a destruição de grande parte da cobertura florestal das várzeas e das encostas com altas declividades, apesar das restrições dessa última categoria de área ao uso agrícola, especialmente a culturas temporárias. Em conseqüência, a cobertura florestal, no subespaço canavieiro do Litoral Norte, restringe-se a alguns vales da porção central ou oriental dos municípios de Igarassu, Itaquitinga e Goiana, onde os remanescentes da Mata Atlântica apresentam-se, na maior parte, degradados ou substituídos por bambu (Bambusa vulgaris), sobretudo em Goiana e Itaquitinga (mapa 02).
4 112 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE TABELA 17 - ÁREA DOS PADRÕES DE DO LITORAL NORTE, SEGUNDO OS MUNICÍPIOS
5 11 O cultivo de bambu nas encostas com alta declividade (foto 20) vem sendo a alternativa utilizada pela Usina Santa Tereza com o duplo objetivo de substituir a cana nos terrenos onde essa cultura não pode ser mecanizada e de obter matéria-prima para produção de celulose destinada à unidade de produção de papel (Fábrica Portela) que o Grupo João Santos possui no município de Jaboatão dos Guararapes. A previsão da empresa, em junho de 1999, era atingir, até o ano 2002, quinze mil hectares de área cultivada com essa gramínea, em Goiana e Itaquitinga (Tavares, 1999). Além de envolver custos mais baixos com mão-de-obra que a cana-de-açúcar, o bambu pode viver mais de 10 anos e seu primeiro corte ocorre quando ele chega aos três anos. (...) Sua produtividade fica entre 18 e 25 toneladas por hectare ano (Ferraz apud Tavares, 1999). FOTO 19 Canavial ocupando a várzea e as encostas suaves dos tabuleiros adjacentes. No centro, à direita, a sede do Engenho Pedregulho (Rio Capibaribe Mirim, Goiana).
6 114 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE FOTO 20 Cultivo de bambu em encostas com alta declividade e, de cana-de-açúcar, na várzea. Tradicionalmente praticado em sistema de monocultura, o cultivo da cana-de-açúcar, na área, é realizado em grandes propriedades, a maior parte das quais pertencentes a quatro empresas a Companhia Agroindustrial de Goiana (Usina Santa Tereza) e a Usina Nossa Senhora das Maravilhas (no município de Goiana), a Usina São José (no município de Igarassu) e a Usina Matary (no município de Nazaré da Mata), a segunda temporariamente paralisada e a última desativada, em conseqüência da crise que, desde o final dos anos oitenta, vem atingindo o setor sucroalcooleiro do Estado. Praticado em solos predominantemente arenosos, nos tabuleiros e nos terraços litorâneos e em solos rasos e com afloramentos rochosos, nos terrenos cristalinos da extremidade ocidental da área, o cultivo da cana envolve o uso de correção do solo, adubação química, aplicação de herbicida, mecanização (nas áreas com topografia plana ou suave-ondulada) e irrigação (na fundação da cultura). A produtividade média da cana é de toneladas por hectare, nos solos melhores, caindo para 40 t/hectare, nos solos mais fracos e em época de estiagem prolongada (seca). Para efeito de comparação, cabe lembrar que, em 1995, a produtividade média da cana, no Estado de Pernambuco e na Mata Setentrional Pernambucana, era da ordem de, respectivamente, 49,5 e 5,1 toneladas por hectare (IBGE, 1995). A cana produzida no Litoral Norte destina-se ao fabrico de açúcar (refinado, cristal e demerara) e álcool (anidro e hidratado) pelas agroindústrias em funcionamento na área. A exemplo das demais áreas canavieiras do litoral pernambucano, o período de colheita e moagem da cana estende-se de agosto a fevereiro, época seca do ano. A mão-de-obra utilizada no setor agrícola provém dos núcleos urbanos (cidades de Itaquitinga, Araçoiaba, Itapissuma, Goiana, Igarassu e Três Ladeiras), dos povoados e bairros rurais (Sapé, vila Botafogo, Alto do Céu, Sumaré e Vila Rural), das agrovilas (Engenho Campinas e outras) e das áreas de policultura (sítios de Carobé de Cima e assentamentos rurais Engenhos Novo, Caiana, Gutiúba e Pituaçu, entre outros), localizados no interior e nas proximidades do segmento canavieiro em pauta.
7 115 O principal problema da área em questão está relacionado com a crise econômica do setor que, ao provocar o fechamento ou paralisação temporária de algumas usinas e a redução da produção de outras, agrava problemas sociais crônicos da atividade. Dentre os problemas da área, sobressaem: a) o crescente desemprego da força de trabalho dos núcleos urbanos e aglomerados rurais que têm na cana-de-açúcar a principal, se não a única, alternativa de emprego de sua população ativa; b) a elevada concentração fundiária aliada ao monopólio da terra pela cana, motivando a falta de área para cultivo de lavouras de subsistência e para expansão dos núcleos urbanos e dos aglomerados rurais cercados por canaviais; c) a baixa produtividade da cana; d) a devastação/degradação dos remanescentes da Mata Atlântica e a destruição da fauna característica desse ecossistema; e) a poluição do solo e dos recursos hídricos superficiais por herbicida e outros produtos químicos utilizados no cultivo da cana e por resíduos da agoindústria. Em face dos problemas que vem atravessando, o padrão de uso e ocupação do solo em apreço, apresenta tendências a: a) diversificação da atividade agrícola dominante a cana-de-açúcar com pecuária de corte (foto 21) e inhame, em alguns engenhos particulares; com silvicultura (especialmente bambu), nos engenhos da Usina Santa Tereza; e com soja (foto 22), árvores frutíferas (caju, goiaba, banana e cajá) e espécies madeireiras, nos engenhos da Usina São José (Jornal do Commércio, 16/07/2000); b) restrição do cultivo de cana às áreas planas (várzeas e tabuleiros) e com baixa declividade, que permitam o uso de mecanização e irrigação; c) investimento em pesquisa, visando a obtenção de variedades de cana mais produtivas e resistentes; d) modernização contínua do processo industrial com vistas à automatização total. FOTO 21 Pecuária de corte em área, antes ocupada com cana-de-açúcar (Engenho Itapirema de Cima, Itaquitinga).
8 116 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE FOTO 22 Cultivo de soja pertencente à Usina São José (Três Ladeiras, Igarassu)..2.2 POLICULTURA As áreas acima indicadas abrangem 6,% da superfície do Litoral Norte (tabela 16) e apresentam-se como ocorrências esparsas, situadas tanto no interior como na periferia das áreas de cana-de-açúcar e de granjas, fazendas e chácaras bem como no entorno de aglomerados urbanos, sobretudo daqueles localizados na porção sul-oriental do espaço em estudo (mapa 02). No que se refere à distribuição espacial, a maior parte das áreas de policultura localiza-se no município de Abreu e Lima (28,2%) seguido, de perto, por Goiana (24,%) e Igarassu (21,8%), concentrando os três municípios 74,% das áreas policultoras do Litoral Norte (tabela 17). Entretanto, quando se considera a participação desse padrão de uso do solo na superfície dos municípios (tabela 16), a expressão das áreas de policultura reduz-se, significativamente, frente a outras formas de uso e ocupação do solo, caindo para 17,5% em Abreu e Lima, onde a cobertura florestal lidera a ocupação do solo e para 4,2% em Goiana e 6,% em Igarassu, onde a cana-deaçúcar monopoliza, respectivamente, 52,6 e 5,6% da superfície municipal. Ocupando posição secundária na economia rural dos municípios do Litoral Norte, a policultura é uma atividade praticada em pequenas propriedades originárias, sobretudo, de assentamentos rurais que abrangem quase setenta e cinco por cento das áreas policultoras do setor litorâneo em causa. O restante dessas áreas está constituído por sítios, em geral, resultantes do parcelamento (por herança) de sítios maiores e de fazendas de coco ou do loteamento de partes de engenhos. Os primeiros assentamentos rurais da área datam dos anos setenta e foram implantados em terras dos Engenhos Novo e Caiana (197) e Itapirema do Meio (1978) os dois primeiros localizados no município de Abreu e Lima e o terceiro, no município de Goiana. No entanto, somente na segunda metade dos anos oitenta e ao longo dos anos noventa, intensifica-se a implantação de assentamentos rurais no Litoral Norte (quadro 05).
9 117 QUADRO 05 - LITORAL NORTE DE PERNAMBUCO - ASSENTAMENTOS RURAIS IMPLANTADOS PELO INCRA E PELO FUNTEPE, NO PERÍODO
10 118 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Alguns desses imóveis localizam-se em áreas de relevo bastante acidentado, solos rasos com afloramentos rochosos e predominância de altas declividades, a exemplo dos Engenhos Novo, Caiana, Santo Antônio do Norte (foto 2) e Gutiúba, todos na extremidade ocidental da área, onde as formações sedimentares cedem lugar aos terrenos cristalinos. Os demais assentamentos têm a maior parte de suas terras em tabuleiros (foto 24) e relevos suave-ondulados das Formações Barreiras, Beberibe e Gramame, cujos solos, embora espessos, são originários dos depósitos arenosos que recobrem, freqüentemente, as duas primeiras formações. Com exceção dos assentamentos Santo Antônio do Norte, Pituaçu, Fazenda Boa Vista, Engenho Ubu e Sítio Inhamã, onde existe relativa abundância de água durante todo o ano, nos demais, a falta desse recurso, sobretudo na estação seca, constitui forte limitação à atividade agropecuária. Atividade característica de pequenas propriedades, a policultura é praticada em imóveis cuja área total raramente ultrapassa dez hectares e cuja área média situa-se entre,5 e 8,5 hectares, nos assentamentos rurais implantados pelo INCRA e entre 0,5 e 4,2 hectares nos do FUNTEPE (quadro 05), sendo inferior a cinco hectares na maior parte dos sítios. Alguns desses imóveis, no entanto, chegam a medir até três contas (0,15 ha), em assentamentos do FUNTEPE e a reduzir-se ao chão da casa e a um pequeno quintal, em alguns sítios, a exemplo dos localizados ao sul de Tejucopapo. Tendo como marca principal a diversificação agrícola, a policultura da área envolve uma gama variada de cultivos (foto 25) e o criatório de animais de pequeno porte. Dentre as culturas praticadas no conjunto das áreas policultoras em apreço, sobressaem: macaxeira (foto 24), inhame, banana, mandioca e maracujá, secundadas por milho, feijão, batata-doce, amendoim, frutas (coco, mamão, graviola, acerola, manga, jaca, caju, goiaba, abacate, limão e abacaxi) e hortaliças (coentro, cebolinha, tomate, alface, chuchu, pimentão, couve, repolho, quiabo, maxixe, melão e melancia). A horticultura localiza-se nas várzeas que têm disponibilidade de água o ano inteiro e é praticada com irrigação manual. A adubação orgânica é utilizada nas hortaliças, enquanto a adubação com produto químico e com torta de usina são as mais usadas nos outros cultivos comerciais. FOTO 2 Policultura em encosta com declive acentuado (Assentamento Rural Engenho Santo Antônio do Norte, Itaquitinga).
11 119 FOTO 24 Policultura em topo plano de tabuleiro da Formação Barreiras. Cultura de macaxeira no primeiro plano e fruteiras no segundo plano (Assentamento Rural Pitanga I Área 2, Abreu e Lima) O beneficiamento da produção resume-se à atividade das casas de farinha existentes, em maior número, nas áreas onde o cultivo de mandioca ou de macaxeira figuram entre os mais expressivos dentre os praticados nos estabelecimentos agrícolas, a exemplo dos assentamentos rurais Engenho Regalado onde existem 4 casas de farinha, Pitanga 1 (foto 26) que possui unidades do gênero, Inhamã e sítios de Carobé de Cima, entre outros, cada um com 2 casas de farinha. A atividade pecuária das áreas de policultura abrange a criação de galinha de capoeira, para consumo da família, secundada por animais de médio porte (porco, cabra) e umas poucas cabeças de gado bovino (mestiço), principalmente nos imóveis maiores. A apicultura é pouco praticada nas áreas em análise, ocorrendo com maior expressão apenas em dois assentamentos (Engenho Ubu e Pitanga 1). A produtividade das culturas das áreas em questão é, em geral, muito baixa, em conseqüência do baixo potencial natural dos solos, associado à ausência de práticas de correção/recuperação desse recurso (correção do ph, adubação, rotação de culturas, combate à erosão), de uso de sementes selecionadas, de irrigação fora das várzeas etc. Quando os produtores utilizam algumas dessas práticas, as culturas beneficiadas apresentam produtividade superior à média do Estado e da região, a exemplo da macaxeira que alcançou, em 1999, 15 a 20 toneladas/ha (média atual da Zona da Mata, 10 a 12 toneladas/ha) e do inhame que varia de 7 t/ha (cultivado sem irrigação) a t/ha (quando irrigado), não dispondo-se, para essa cultura, de dados relativos à produtividade no Estado nem na região. Esses dados mostram que a produtividade agrícola média das áreas policultoras reflete não só as condições naturais das mesmas mas, sobretudo, o apoio técnico e financeiro à atividade. No tocante a essas áreas, os programas de apoio ao pequeno produtor priorizam os novos assentamentos rurais mas, dispõem de poucos recursos para atender à demanda desse segmento da policultura, que se ressente, ainda, do atraso na liberação dos recursos obtidos.
12 120 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE FOTO 25 Diversidade de cultivos em parcelas do Assentamento Rural Engenho Pituaçu (Itaquitinga). FOTO 26 Casa de Farinha no Assentamento Rural Engenho Regalado (Abreu e Lima).
13 121 Em termos concretos, os novos assentados têm recebido assistência técnica do Projeto LUMIAR (no momento, suspenso) e da EBAPE (Empresa de Abastecimento e Extensão Rural de Pernambuco, ex-emater/pe) e apoio financeiro de Programas do Governo Federal, tais como o Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (PROCERA) e o Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) que, através do BNB, disponibilizam recursos para investimento e para custeio da produção. Além do apoio dos programas acima mencionados, os produtores dos assentamentos rurais contam com apoio do PRORURAL/BNB que está-se propondo a financiar projetos para avicultura de corte, piscicultura, instalação de casa de farinha comunitária e melhoria das barracas de comercialização da produção à margem da BR-101 (no assentamento Engenho UBU) e para perfuração de poço comunitário (nos assentamentos Pitanga 1 e Inhamã). O excedente do consumo familiar, juntamente com o produto das culturas comerciais (nem sempre existente), compõe a produção comercializável das áreas policultoras que é vendida ao atravessador agente responsável pela comercialização de cerca de 70 a 80% do produto agrícola das citadas áreas. A venda ao atravessador é efetuada tanto nas feiras e na CEASA (Centrais de Abastecimento de Pernambuco) como nos locais de produção, onde o preço pago ao produtor é, em geral, muito baixo. A falta de transporte, a distância do mercado e o estado precário das rodovias, principalmente durante a estação chuvosa, leva a que a venda do produto no próprio estabelecimento agrícola seja a alternativa utilizada pela grande maioria dos pequenos produtores das áreas em apreço, com grandes perdas para os mesmos. Em Abreu e Lima, no entanto, o deslocamento da produção dos assentamentos até a feira tem sido facilitado pela Prefeitura que envia, todo sábado, uma caçamba para apanhar a produção dos parceleiros. Uma outra forma de comercialização utilizada por alguns produtores, embora em menor escala, é a venda na pedra (venda direta ao consumidor) nas feiras de Goiana, Tejucopapo, Araçoiaba, Itaquitinga, Igarassu, Cruz de Rebouças, Abreu e Lima e Camaragibe e, no caso específico dos produtores do Engenho Ubu, a venda em barracas improvisadas por ditos produtores à margem da BR-101, no trecho em que essa rodovia corta o assentamento. Essas formas de comercialização, embora corrijam distorções inerentes à venda ao atravessador, ainda são pouco utilizadas pelos pequenos agricultores, visto somente serem acessíveis a um pequeno número de produtores e viáveis para a comercialização de uma parte reduzida da produção. A mão-de-obra utilizada nas áreas de policultura é, basicamente, a da família que, quando não é a única de que lança mão o agricultor, chega a representar, em média, 80% da força de trabalho requerida pela atividade. Disso resulta que a utilização do trabalho assalariado nessas áreas tem caráter eventual e se restringe aos estabelecimentos maiores que, em geral, recorrem à própria comunidade para atender suas necessidades de mão-de-obra assalariada. No que concerne à organização rural, verifica-se existir essa prática quase que apenas entre os produtores dos assentamentos rurais, visto ser a mesma incentivada pelo INCRA e exigida pelas instituições financiadoras dos projetos agrícolas. Tal prática, no entanto, enfrenta, na maior parte dos assentamentos, dificuldades para se consolidar ou fortalecer, por tratar-se de experiência nova para a totalidade dos pequenos agricultores. Dentre os assentamentos do Litoral Norte, apenas no Engenho Ubu a associação de produtores conta com uma boa participação dos filiados, embora nem todos estejam com a contribuição de associado atualizada. Nesse assentamento, a boa participação dos produtores na associação tem como motivação as lutas e conquistas da entidade em benefício de seus integrantes. Por outro lado, a falta de participação e a inadimplência da grande maioria dos associados, nos demais assentamentos, têm como conseqüência o enfraquecimento (político e material) desse importante instrumento de defesa dos interesses dos pequenos produtores rurais.
14 122 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Diante do exposto, as áreas de policultura do Litoral Norte apresentam uma gama variada de problemas, dentre os quais sobressaem: a) a baixa fertilidade do solo (em todas as áreas); b) a falta de água, na superfície e na subsuperfície, impossibilitando a prática de irrigação, em várias áreas; c) predomínio de altas declividades, em algumas áreas; d) inexistência de cobertura vegetal adequada à proteção dos recursos hídricos, do relevo e do solo, em áreas críticas; e) falta de apoio financeiro para os produtores dos sítios e dos assentamentos antigos (totalmente emancipados); f) falta de capacitação técnica da totalidade dos pequenos produtores; g) baixa produtividade das culturas; h) inexistência de unidades de beneficiamento dos produtos da fruticultura; i) dificuldade de transporte para deslocamento da produção até o mercado: j) falta de infra-estrutura de comercialização (locais para armazenamento, conservação e venda) da produção; k) falta de conservação das rodovias secundárias que se tornam intransitáveis no período chuvoso; l) forte presença do atravessador na comercialização dos produtos; m) inexistência/incipiência de organização dos produtores na maior parte das comunidades analisadas; n) forte adensamento populacional em algumas áreas policultoras, associado a intensa fragmentação da terra, sobretudo na periferia de núcleos urbanos; o) falta de equipamentos e serviços básicos (posto médico, ambulância, posto telefônico, escola, esgotamento sanitário, coleta de lixo etc), nas comunidades integrantes das áreas de policultura. Como tendências dessas áreas, sobressaem: a) a de crescimento da produção, sobretudo da fruticultura, nas áreas onde as condições naturais e/ou técnicas apresentam-se menos restritivas; b) a de persistência da migração da força de trabalho jovem, especialmente nas áreas onde o adensamento populacional inviabiliza a sobrevivência da família ampliada; c) a de aumento do número de assentamentos rurais, sobretudo em áreas onde a produção de cana-de-açúcar vem sendo mais atingida pela crise do setor sucroalcooleiro; e d) a de crescente urbanização das áreas policultoras contíguas aos núcleos urbanos mais dinâmicos CANA-POLICULTURA Compreende o segmento espacial localizado na porção sul-ocidental do município de Goiana, correspondente ao Assentamento Rural Engenho Itapirema do Meio (mapa 02). Criado pelo INCRA, em 1978, o referido assentamento abrangia uma área de 750 hectares, desmembrada do engenho homônimo, e dividida em 16 parcelas com área média de 46,8 ha. Da área original, restam apenas dois terços e, dos primeiros parceleiros, tão somente cinco (cerca de um terço). A área apresenta topografia predominantemente plana cerca de 80% está em tabuleiro -, solo arenoso, recursos hídricos (superficiais e sub-superficiais) escassos e cobertura florestal bastante degradada, restrita a pequenos trechos de algumas encostas. Dos onze proprietários atuais, a maior parte tem a cana como cultura principal, secundada por coco anão, mamão, maracujá, macaxeira, inhame, graviola, acerola, mandioca, feijão e milho, cultivados sem irrigação. O criatório se resume a umas poucas galinhas de capoeira. No cultivo da cana, os produtores utilizam correção do solo, gradagem e sulcagem (com auxílio de trator), herbicida e adubação química. Nas demais culturas, utilizam apenas adubação orgânica e fazem aplicação de pesticida. Com exceção da cana que é cultivada com mão-de-obra familiar e assalariada (proveniente de Itaquitinga, de Sapé e do próprio assentamento), os demais cultivos são realizados com a força de trabalho da família. Sem apoio financeiro e orientação técnica, a agricultura da área em análise conta com recursos escassos (dos próprios agricultores) resultando em baixa produtividade agrícola, inclusive da cana cuja média é 50 t/ha, caindo para 25-0 t/ha, com a seca. A do coco anão é 0 frutos/pé, colhidos a cada 45 dias, sem irrigação. Com irrigação, a produtividade média da cultura é 50 frutos/pé.
15 12 No que se refere à comercialização da produção, a cana é vendida à usina, que cobra do fornecedor o frete do produto, ao passo que a maior parte dos demais produtos é vendida ao atravessador da CEASA, no próprio estabelecimento agrícola e nas feiras próximas. Num como noutro caso, os principais problemas da comercialização são a falta de transporte para deslocamento da produção até o mercado e o baixo preço dos produtos imposto pelo atravessador. Aos problemas acima mencionados, acrescem-se: a) a falta de água para irrigação; b) a baixa fertilidade do solo; c) a falta de recursos para os produtores investirem na produção e na comercialização; d) fraca organização dos produtores; e) adensamento da população residente nas parcelas, resultando em sobreutilização agrícola do solo; f) falta de equipamentos básicos (posto médico, posto telefônico, ambulância, escola de 1 o grau maior) na comunidade que, à época da pesquisa (julho/1999), possuía trezentas pessoas. Como tendências da área, destacam-se: a) a de redução da cana-de-açúcar e de aumento das demais culturas; b) a de migração da força de trabalho jovem COCO-DA-BAÍA Atividade tradicional dos terrenos arenosos da faixa costeira do Estado, a cultura do coqueiro tem sido a atividade mais afetada pela expansão urbana e urbano-industrial no Litoral Norte. A urbanização iniciada na década de setenta e intensificada nas décadas subseqüentes estimulou o loteamento das fazendas e sítios de coco já, em parte, reduzidos em suas dimensões como resultado do processo de divisão dos imóveis por herança. Em conseqüência dessa dinâmica, a área atual de predominância da cultura do coqueiro no segmento litorâneo em estudo corresponde a 2,8% da superfície desse segmento (tabela 16) e apresenta-se descontínua, constituindo manchas esparsas localizadas na porção centro-oriental dos municípios de Goiana e Itapissuma, na porção oriental do município de Igarassu e nos setores sul e norte-ocidental do município de Itamaracá (mapa 02). Expulso dos terraços marinhos que bordejam as praias, em conseqüência da valorização imobiliária dos terrenos, ali, situados, o coqueiro ocupa, atualmente, trechos de terraços fluviais, algumas encostas e topos de tabuleiros da Formação Barreiras ou de relevos modelados em sedimentos das formações Gramame e Beberibe, no momento, pouco atrativos para outras formas de uso do solo (fotos 27 e 28). FOTO 27 Coqueiral sem trato, ocupando encosta de tabuleiro, em Carrapicho (Goiana).
16 124 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE FOTO 28 Expansão urbana em área, antes, pertencente a Fazenda de coco (Praia de Carne de Vaca, Goiana) Embora os municípios de Goiana, Igarassu, Itapissuma e Itamaracá, juntos, detenham 99,6% da área total ocupada com a cultura do coqueiro no Litoral Norte, a participação dessa área na superfície daqueles municípios, não passa de 2,5%,,8%, 10,8% e 9,8%, respectivamente (tabelas 16 e 17). Fora das áreas acima indicadas, a cultura do coqueiro acha-se pulverizada em granjas e sítios onde se mistura a outras culturas e, em geral, carece de expressão econômica. As maiores fazendas de coco do Litoral Norte (com 00 a 500 ha plantados com coqueiro) localizam-se no entorno da cidade de Itapissuma (Fazenda Mulata e Fazenda da Cobra), entre Carrapicho e São Lourenço (no município de Goiana) e no município de Igarassu (Fazendas Santa Rita e Ramalho) (foto 29). Nas fazendas e sítios, predomina o coqueiro gigante ou da praia, ao passo que, nas granjas, a variedade mais cultivada é o coqueiro anão. Enquanto as fazendas de coco cultivam o coqueiro isolado ou em consórcio com pecuária bovina, os sítios cultivam-no consorciado com outras fruteiras (manga, caju, acerola, banana, abacate) e com lavoura de ciclo curto (macaxeira, inhame, batata-doce etc). Realizado em moldes tradicionais, tanto nas grandes como nas pequenas unidades de produção, o cultivo do coqueiro na área raramente é realizado com a utilização de técnicas e insumos modernos (irrigação, sementes e mudas selecionadas, espaçamento correto, adubação, limpas periódicas e mecanizadas, aplicação de defensivos, polinização facilitada e renovação dos coqueirais). Poucos produtores adquirem mudas da planta na Estação Experimental de Itapirema ou irrigam o coqueiral, incluindo-se, entre os que cultivam coco irrigado, a Fazenda Mulata, no município de Itapissuma. A ausência de tais práticas tem resultado, por sua vez, na baixíssima produtividade da cultura cuja média atual é de 4 a 5 frutos por coqueiro, a cada colheita ou cerca de 2000 frutos/ha/ano (contra frutos/ha/ano em cultura irrigada). Dentre as doenças que atacam o coqueiro, sobressai a lixa - micose que, nos últimos cinco anos, atingiu grande parte dos coqueirais litorâneos, motivando uma queda acentuada da produção. A esses fatores, acrescemse a falta de apoio técnico e de incentivo financeiro à atividade bem como de medidas capazes de viabilizarem a capitalização do setor, tornando-o competitivo.
17 125 FOTO 29 Coqueiral da Fazenda Ramalho (Nova Cruz, Igarassu). A mão-de-obra utilizada na manutenção e na colheita do coqueiral varia com o tamanho da propriedade e, portanto, com a extensão da área cultivada (Vasconcelos, 2000, p. 72), sendo constituída por trabalhadores assalariados, no caso das fazendas e pela força de trabalho da família, nos sítios menores. A colheita é realizada a cada dois meses, para o coco verde e a cada três ou quatro meses, para o coco seco. Na realização dessa tarefa são utilizados, via de regra, trabalhadores especializados tiradores, ajuntadores e descascadores residentes nas vilas e povoados próximos aos coqueirais. A preparação do coco seco para venda consiste na retirada da casca do fruto, da qual pode ser extraída a fibra utilizada como matéria-prima pelas fábricas de capacho e de estofados de carro, às quais os grandes produtores de coco em geral doam o resíduo da descasca, em troca do pó que utilizam na adubação do coqueiral. Considerando que os custos de transporte da casca até a fábrica e de retorno do pó até a fazenda correm por conta do proprietário da fábrica, a distância entre a fazenda de coco e a unidade de beneficiamento, muitas vezes inviabiliza a utilização da casca pela indústria e o conseqüente reaproveitamento do pó pelo produtor de coco (idem, p. 76). Os produtores da área vendem o coco verde ao atravessador que repassa o produto aos barraqueiros das praias. Alguns, dentre os de maior porte, vendem o produto diretamente para São Paulo. O coco seco (descascado) também é vendido ao atravessador que comercializa o produto na CEASA ou nas feiras e ao intermediário da indústria de leite de coco ou de polpa, que compra a matéria-prima aos grandes produtores. A presença do atravessador na comercialização do coco (verde ou seco) e, mais recentemente, a concorrência do produto importado, têm constituído as causas principais do rebaixamento do preço desse produto, tornando-se, portanto, fatores de desestímulo ao seu cultivo.
18 126 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Mergulhada em profunda crise, a cultura do coqueiro tende a continuar sofrendo redução da área ocupada e do volume produzido. Com o loteamento das fazendas onde é cultivado, o coco vai, aos poucos, transformando-se em cultura de granja para, em futuro próximo, sofrer nova retração, com a urbanização (iminente) dessas áreas. Dentre os problemas da atividade, no Litoral Norte, sobressaem: a) o caráter rudimentar das técnicas utilizadas no cultivo do coco e no beneficiamento de seu primeiro subproduto (a casca); b) a baixa fertilidade do solo das áreas onde predomina a cultura; c) a falta de água para irrigação dos coqueirais; d) a falta de apoio técnico e creditício à atividade; e) a incidência de pragas e doenças sem a adoção de medidas capazes de impedir a propagação das mesmas e de promover a recuperação dos coqueirais atingidos; f) o baixo preço do produto, agravado pela forte presença do atravessador na comercialização; g) a concorrência do produto importado, provocando retração da demanda do coco seco pela indústria; h) a inexistência de associação de produtores, a nível municipal e estadual..2.5 GRANJAS, FAZENDAS E CHÁCARAS Segundo padrão de uso e ocupação do solo, em extensão, do Litoral Norte, as granjas, fazendas e chácaras ocupam 9,% da área e têm maior expressão nos municípios de Igarassu (22,5%) e Itamaracá (19,5%), seguidos de Paulista, Itapissuma e Abreu e Lima com, respectivamente, 9,%, 8,4% e 7,4% da superfície municipal ocupada por esse padrão de uso do solo (tabela 16 e fotos 0 e 1). No que se refere à distribuição da área total de granjas, fazendas e chácaras pelos municípios do setor litorâneo em causa, cabe ressaltar a posição de Igarassu que detém 52,9% da mencionada área, seguido, de longe, pelos demais municípios (tabela 17). No que tange à distribuição espacial, as granjas, fazendas e chácaras concentram-se nas porções oriental e centro-sul da área, circundando núcleos urbanos ou acompanhando eixos viários principais tais como a PE-018, PE- 014, PE-049 e trechos da BR-101 Norte (mapa 02). Situam-se tanto em áreas de alta declividade como em topos planos e áreas de baixa declividade, ocupando terrenos de natureza calcária (Formação Gramame), arenítica (Formação Beberibe) e argilo-arenosa (Formação Barreiras). As unidades integrantes do padrão de uso e ocupação do solo em apreço resultam, em sua maior parte, do parcelamento de fazendas e sítios produtores de coco ou de engenhos e medem 1 a 12 hectares (no caso das granjas), 0,1 a 1 hectare (nas chácaras) e 100 a 700 hectares (no caso das fazendas de gado). Pertencem, na maior parte, a empresários e profissionais liberais residentes em Recife. As granjas e chácaras têm como função principal o lazer de segunda residência e, como atividade comum, o cultivo de fruteiras. Nas granjas, a atividade agrícola envolve o cultivo de coqueiro anão, laranja, mamão, banana, limão, abacate, acerola, caju, jaca, mangaba, sapoti, graviola, cana, macaxeira, milho verde, inhame, capim e, em menor escala, a produção de mudas de coco e outras fruteiras bem como de plantas ornamentais. Algumas praticam apicultura e piscicultura ou criam umas poucas cabeças de bovino.
19 127 FOTO 0 Granjas em Igarassu, à retaguarda do Canal de Santa Cruz, próximo à divisa Igarassu/Itapissuma. FOTO 1 Granjas à margem direita do rio Jaguaribe (Itamaracá). No primeiro plano, Reserva Ecológica do Jaguaribe e, ao fundo, ocupação urbana da Praia do Pilar.
20 128 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Até 1990, a avicultura era a atividade predominante no setor, sobretudo em Igarassu. Hoje, apenas algumas dessas unidades produzem frango de corte e ovos, em integração com empresas do setor avícola (abatedouros e fábricas de rações). Além dessas atividades, as granjas mais produtivas, a exemplo das localizadas no Tabuleiro de Monjope, têm projeto para diversificar a produção, com ranicultura (criação e beneficiamento), industrialização de água de coco, produção de derivados de mel, polpa de frutas e macaxeira pré-cozida. A produção das granjas é vendida ao atravessador, na própria granja ou na CEASA, quando o produtor dispõe de transporte para deslocar o produto até Recife. Alguns produtores de coco vendem o produto aos barraqueiros da orla marítima de Boa Viagem. O associativismo, no setor, encontra-se ainda em fase de consolidação, sobretudo onde os proprietários desenvolvem atividades produtivas e inexiste ou funciona precariamente, onde predomina o lazer de segunda residência. As fazendas existentes na área são em pequeno número - duas em Abreu e Lima e duas em Itapissuma - e de pequeno porte. Praticam pecuária bovina de corte (gado nelore e guzerat), criação de cavalo de raça e, em menor escala, criação de algumas cabeças de búfalo, atividades que, em geral, associam com cultivo de coqueiro. Fazem criatório semi-intensivo, utilizando pastagem artificial, na maior parte, cultivada sem irrigação. Como principais tendências do padrão de uso do solo em apreço, figuram: a) permanência da queda da avicultura; b) o aumento da produção de milho verde e coco verde, da horticultura (nas propriedades maiores e com disponibilidade de água), da apicultura e da criação de peixes ornamentais; c) o loteamento das granjas localizadas, sobretudo em torno dos núcleos urbanos mais dinâmicos (Abreu e Lima, Igarassu e Itamaracá); d) expansão da área de granjas e chácaras, pelo parcelamento de fazendas de coco e de áreas ainda ocupadas com mata e cobertura vegetal em recomposição. Dentre os problemas do segmento em análise, sobressaem: a) falta de água para irrigação; b) dificuldade de escoamento da produção, em conseqüência da falta de pavimentação e de conservação das rodovias de acesso à maior parte das áreas; c) falta de incentivo à capitalização das atividades desenvolvidas, de sorte a possibilitar a utilização do potencial produtivo do setor; d) organização incipiente dos produtores, retardando conquistas importantes para o setor tais como melhoria da infra-estrutura e dos serviços básicos, apoio técnico, financiamento e acesso direto do produtor ao mercado, entre outras; e) falta de equipamentos e serviços básicos (escola de 1 o grau maior, posto médico, posto telefônico, serviço de segurança e coleta de lixo) para atender às comunidades situadas no interior ou na periferia das áreas mais afastadas dos centros de prestação desses serviços..2.6 AQÜICULTURA Praticada em alguns estuários do Litoral Norte, a aqüicultura é uma atividade em expansão, na área, envolvendo tanto o cultivo artesanal de peixe, camarão e ostra como a produção, em larga escala e com tecnologia avançada, de camarão marinho. Atualmente, as duas modalidades ocupam uma área total de 1 60,67 hectares distribuídos nos municípios de Goiana (70,0%), Itapissuma (2,2%) e Itamaracá (6,8%) (tabela 17 e mapa 02). No primeiro caso (aqüicultura artesanal), incluem-se os pequenos viveiros localizados no estuário do rio Jaguaribe (foto 2), totalizando 77,61 ha, no rio Arataca e no Canal de Santa Cruz, sendo 15,18 ha no município de Itamaracá e 19,04 ha no município de Itapissuma, perfazendo, juntos, 111,8 ha ou o correspondente a 8,2% da área ocupada com aqüicultura no Litoral Norte. A estes acrescem-se os cultivos de ostra-de-mangue recém-implantados no estuário dos rios Arataca e Itapessoca. No segundo caso (produção, em larga escala, de camarão marinho), situam-se os projetos de carcinicultura implantados ou em implantação nos estuários dos rios Goiana e Megaó (Atlantis Aqüacultura) e Botafogo (Atapuz Aqüicultura, no município de Goiana e Maricultura Netuno, no município de Itapissuma) bem como na Fazenda Tabatinga, à retaguarda da praia homônima, em Ponta de Pedras (mapa 02), totalizando 1 248,84 hectares ou 91,8% da área total da atividade no Litoral Norte.
21 129 FOTO 2 Viveiros artesanais de peixe e camarão no estuário do rio Jaguaribe (Itamaracá), em em áreas de antigas salinas. A criação artesanal de peixe ou camarão é, em geral, praticada por pescadores, pequenos agricultores e trabalhadores rurais e urbanos que têm, nessa atividade, uma alternativa para complementar a renda obtida nas demais atividades. Exceções a esses casos, são os viveiros que o Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco mantém na Ilha de Itamaracá, com o objetivo de apoiar as atividades de ensino e pesquisa do citado instituto e os viveiros da Secretaria de Agricultura do Estado também, ali localizados e administrados pela Penitenciária Agrícola de Itamaracá (foto ). Praticada com poucos recursos técnicos e financeiros, a aqüicultura artesanal envolve a criação de peixe (sauna, tainha, camurim, curimã, bicudo e carapeba), em geral apanhados no próprio estuário, e de camarão vilafranca cuja larva é produzida no laboratório existente em Porto de Galinhas. Tanto o peixe como o camarão são cultivados em tanques pequenos com paredes de barro, cuja água é trocada a intervalos que variam de cada maré a cada quinze dias. O peixe é criado sem fornecimento de ração, ao passo que o camarão é alimentado com ração e uréia, sem que o produtor receba orientação segura acerca da quantidade de ração a ser ministrada e da relação entre a quantidade de larva e a capacidade dos tanques. Em ambos os casos, a atividade é realizada com mão-deobra familiar e sem combate a predadores. A despesca do peixe é anual ou a cada dois anos, enquanto a do camarão é feita a cada três meses. Em ambos os casos, a produtividade é muito baixa. Uma parte do produto destina-se ao autoconsumo e o restante é vendido ao atravessador. Quando o viveiro é arrendado, metade do produto da despesca vai para o proprietário do viveiro, como pagamento pela utilização deste. Apesar do investimento requerido e dos riscos inerentes à criação de camarão, nos moldes em que a atividade é praticada, a tendência observada é a de substituição da criação de peixe pela de camarão ou a venda dos tanques a produtores maiores como vem ocorrendo no estuário do rio Jaguaribe, onde evidencia-se a tendência de substituição progressiva da atividade artesanal pela empresarial.
22 10 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE FOTO Viveiros mantidos pelo Instituto de Oceanografia da UFPE e pela Penitenciária Agrícola de Itamaracá, no Canal de Santa Cruz. O cultivo artesanal de ostra (ostreicultura) teve início, em 1999, com a implantação de algumas unidades familiares, no estuário do rio Arataca, a jusante do Assentamento Engenho Ubu, com apoio do Centro Josué de Castro e do Programa Capacitação Solidária. A atividade teve prosseguimento com a implantação, em fins do ano 2000/ início de 2001, de unidades similares, em duas áreas do estuário do rio Itapessoca, sendo uma localizada ao lado do Morro do Celeiro, vizinho de Barra de Catuama, e outra, próximo do bairro Malvinas, ambas com apoio do PRORENDA RURAL-PE e do IBAMA. A ostreicultura envolve três etapas, a saber: a) montagem da estrutura composta de caixas para berçário, travesseiros e mesas de cultivo; b) manejo, compreendendo o conjunto de práticas utilizadas na atividade, desde a captura das sementes no ambiente natural ou sua aquisição em laboratórios de produção artificial até os cuidados dispensados nos períodos de aclimatação das sementes e engorda das ostras; c) colheita, após seis a oito meses de manejo, a depender do tamanho inicial das sementes e da produtividade natural do local de cultivo. (PRORENDA RURAL-PE, maio de 2000). O produto da atividade destina-se, em princípio, à venda em bares, restaurantes e hotéis. Os principais problemas enfrentados pelos aqüicultores artesanais são: a) falta de recursos financeiros e de conhecimentos técnicos para a prática correta da atividade; b) baixo grau de instrução dos produtores, na maior parte, analfabetos; c) dependência do atravessador, para comercialização do produto; d) alteração das características ambientais dos estuários, em conseqüência dos despejos industriais e da utilização de explosivos e substâncias tóxicas pela pesca predatória; e) corte do mangue para construção dos viveiros (foto 4), sem recuperação da vegetação, após a desativação dos mesmos; f) freqüentes roubo do produto; g) falta de organização dos produtores. Produzindo em grande escala e em condições técnicas bem diversas da aqüicultura artesanal, os grandes projetos de carcinicultura mobilizam extensas áreas dos estuários constituídas, na maior parte, por ilhas,ali localizadas.
23 11 FOTO 4 Mangue degradado para instalação de viveiro de camarão, na localidade denominada Xié (Itamaracá). O maior projeto do gênero, no Litoral Norte o Atlantis Aquacultura situa-se na Ilha de Tiriri, localizada entre os rios Goiana e Megaó (mapa 02). A implantação do projeto teve início em 1997, sendo o mais antigo dentre os quatro existentes na área. Ocupando 770,8 ha, o referido projeto tem cerca de setenta viveiros de oito hectares em média (quarenta e cinco dos quais em operação e vinte cinco em fase de instalação, à época da pesquisa novembro/1999), destinados a engorda e a reprodução. O restante da área do projeto é ocupado com canais, berçário para pós-larva, planta de processamento, unidade de apoio à produção e unidade de apoio administrativo. A espécie de camarão cultivada é a Litopenaeus vannamei cujas larvas são produzidas pelas empresas Aqualider e Tecmares, ambas localizadas no litoral do município de Ipojuca. O processo de produção utilizado pela Atlantis abrange seis fases: 1) recepção das larvas; 2) contagem estatística; ) aclimatação; 4) berçário; 5) engorda; 6) despesca. As práticas utilizadas na atividade incluem: alimentação com ração balanceada, fertilização da água, troca diária de parte da água dos tanques e controle de predadores, com telagem das comportas do canal que interliga os tanques aos rios Megaó e Goiana. Produzindo com tecnologia avançada, o empreendimento vem apresentando produtividade média elevada cerca de quinze toneladas por tanque de oito hectares, por despesca realizada a cada ciclo de noventa dias. A atividade emprega três tipos de mão-de-obra: mão-de-obra especializada, com formação de nível superior, utilizada em supervisão e gerenciamento; mão-de-obra semi-especializada, com formação técnica de nível médio (técnico agrícola, técnico em aquacultura) ou com experiência em fazendas de camarão; e mão-de-obra não especializada, recrutada na região (em Tejucopapo, Carne de Vaca e São Lourenço), na maior parte constituída por ex-trabalhadores da cana. O projeto conta com apoio financeiro do FINOR/SUDENE e produz para o mercado interno (supermercados Carrefour e Bompreço). À época da pesquisa de campo (novembro/1999), a empresa estava procedendo a ampliação da área de produção (de 45 para 70 viveiros) e a instalação da unidade de beneficiamento (lavagem e limpeza, classificação por tamanho, descabeçamento, filtragem e congelamento), com vistas ao fornecimento do produto ao mercado internacional (Espanha e Estados Unidos).
24 12 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE O segundo empreendimento do gênero, em extensão, no Litoral Norte a Maricultura Netuno situa-se no estuário do rio Botafogo, no local denominado Engenho Porto e Salina e acha-se, ainda, em fase de instalação (foto 5). Abrange uma área total de 676,5 ha, dos quais cerca de 270 ha correspondem à área destinada a tanques-berçários e viveiros (de engorda e reprodução). O restante da área da fazenda deverá ser ocupada pelas unidades industrial e de apoio à produção, por diques e estradas, canais de abastecimento e descarga de água e pela reserva florestal, prevista em 299,5 hectares de mangue (cf. Plano de Controle Ambiental da Maricultura Netuno, encaminhado à CPRH, em 1999). O projeto tem como meta principal a produção de camarões marinhos (adultos) para os mercados interno e externo bem como de náuplios e pós-larvas para consumo próprio e venda do excedente no mercado regional. O terceiro e o quarto projetos de carcinicultura em instalação no Litoral Norte Atapuz Aquacultura (foto 5) e Fazenda Tabatinga medem, respectivamente, 155,52 e 26,16 hectares, sendo, portanto, de dimensão inferior à dos dois projetos acima descritos. FOTO 5 Vista aérea das áreas de instalação dos Projetos de Carcinicultura Maricultura Netuno (à esquerda) e Atapuz Aquacultura (à direita), próximo à desembocadura do rio Botafogo no Canal de Santa Cruz (divisa Itapissuma/Goiana). À diferença das unidades artesanais de aqüicultura, os empreendimentos em apreço estão estruturados para produzirem em sistema semi-intensivo, com tecnologia avançada, alta produtividade e em condições de competir nos mercados interno e externo. Incentivada pela expansão de tais mercados, a tendência da atividade é de ocupar novas áreas, seja pela aquisição de viveiros artesanais seja pela compra/ utilização de áreas ainda não exploradas, o que tem ocorrido à custa da destruição de parte da vegetação de mangue.
25 1 Com base no exposto, identifica-se como principais problemas da atividade: a) devastação do mangue para implantação/ampliação da infra-estrutura de produção e das vias de acesso aos projetos; b) degradação do mangue em conseqüência do bloqueio do fluxo de água salgada, nos trechos isolados com a construção das vias de acesso; c) falta de mão-de-obra qualificada tanto de nível superior como de nível médio; d) redução da área de pesca estuarina, sem a criação, em escala equivalente, de alternativas de geração de renda para a população que vivia daquela atividade, nas áreas, hoje, ocupadas com os grandes projetos de carcinicultura; d) a perspectiva de instalação, até o ano 200, de trinta mil hectares de viveiros na Região Nordeste, na medida em que parte desses empreendimentos estará localizada no Litoral Norte, agravando, assim, os problemas acima mencionados USO INDUSTRIAL A atividade industrial, no Litoral Norte, inclui tanto indústrias modernas de grande, médio e pequeno porte como indústrias tradicionais de micro e pequeno porte e caráter artesanal. As indústrias integrantes do setor moderno concentram-se nos municípios de Paulista, Abreu e Lima e Igarassu, sendo praticamente inexistentes nos municípios de Itaquitinga, Araçoiaba e Itamaracá e pouco expressiva nos municípios de Goiana e Itapissuma. No tocante aos três primeiros municípios, as indústrias de médio e grande porte encontram-se no Distrito Industrial Arthur Lundgren localizado em Paulista e Abreu e Lima ou distribuem-se ao longo da BR-101, no trecho compreendido entre as rodovias PE-015 e PE-041, esta última abrigando em seus doze quilômetros iniciais, algumas das principais indústrias de Igarassu (mapa 02). Em Itapissuma, as indústrias de maior porte concentram-se junto à PE-05 onde também está localizado o distrito industrial do município, exceção apenas da NAVESUL que, por sua especificidade (estaleiro), foi instalada no encontro do rio das Pacas com o Canal de Santa Cruz. Em Goiana, as indústrias de maior porte situam-se na zona rural, exceção apenas da indústria mais antiga do município a FITEG (desativada) que está encravada na malha urbana. O segmento industrial em apreço é, na maior parte, constituído por unidades de médio porte e, em menor escala, por unidades de grande e pequeno porte. Muitas dessas indústrias têm a matriz no Centro Sul do país ou pertencem a grupos, ali, sediados. Não obstante tais características, as unidades integrantes de dito segmento têm apresentado reduzido poder de permanência na área, sendo significativo o número de empresas que, nos últimos dez anos, fecharam ou entraram em crise, transferindo para o setor informal da economia um contingente crescente da força de trabalho urbana. Quanto à distribuição dessas indústrias segundo o gênero, observa-se a tendência de concentração de determinados gêneros em alguns municípios, a saber: Paulista, com,% de suas indústrias classificadas nos gêneros Têxtil e Vestuário e 29,2%, nos gêneros Química e Produtos de Matérias Plásticas; Igarassu, com 4,6% das unidades industriais integrantes dos gêneros Química e Produtos de Matérias Plásticas e 2,7% nos gêneros Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico/Eletrônico e de Comunicações; Abreu e Lima, com 25,0% das indústrias nos gêneros Química e Produtos de Matérias Plásticas, 21,4% no gênero Têxtil e Vestuário e 21,4% nos gêneros Metalúrgica, Mecânica e Material Elétrico/Eletrônico e de Comunicações; e Goiana, com 50,0% de sua atividade industrial centrada no gênero Extração de Minerais (mineração de areia). O restante das indústrias do setor, integrantes dos diferentes gêneros, está distribuído, em idênticas proporções, em Itapissuma e nos municípios supracitados. A distribuição das indústrias por bacia hidrográfica revela uma elevada concentração industrial no trecho inferior das bacias dos rios Barro Branco-Timbó, Igarassu, Paratibe e, em menor escala, no trecho médio da bacia do rio Botafogo. Pouco concentrada, mas incluindo indústrias de grande porte, apresenta-se a atividade industrial nas sub-bacias dos rios Tracunhaém e Capibaribe Mirim, no trecho contido no município de Goiana. Tais concentrações, associadas ao elevado potencial degradador de muitas dessas indústrias e à inexistência de rede de esgoto nas áreas onde estão localizadas, têm como resultado a poluição dos rios e estuários integrantes das bacias acima mencionadas e a provável degradação dos respectivos ecossistemas.
26 14 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE O outro segmento da atividade em questão é constituído por um grande número de micro e pequenas unidades de produção que ocorrem dispersas na malha urbana dos municípios da área. Integram tal segmento a maior parte das padarias e serrarias, os fabricos de móveis e produtos alimentares, confecções, gráficas, serralharias etc. que utilizam, quase sempre, a mão-de-obra da família e, eventualmente, um a três assalariados, em geral sem vínculo empregatício. Descapitalizadas e com baixo nível tecnológico, a quase totalidade dessas indústrias apresenta baixa produtividade e grande potencial degradador, contribuindo, freqüentemente, para a poluição do solo, do ar e dos recursos hídricos das áreas onde estão localizadas. Ao contrário do segmento moderno, a atividade artesanal tende a continuar expandindo-se e a manter o baixo nível tecnológico e de produtividade vigente no setor USO URBANO E URBANO-INDUSTRIAL As áreas urbanas do Litoral Norte concentram-se nas porções sul-oriental e oriental desse segmento litorâneo, avançando para o norte ao longo da BR-101 (até o limite entre os municípios de Igarassu e Itapissuma) e da PE- 05 (até a cidade de Itapissuma). Pelo litoral, a ocupação urbana estende-se ao longo da orla marítima, desde a Praia do Janga (em Paulista) até a Praia de Carne de Vaca, com uma breve interrupção no trecho compreendido entre essa última praia e a de Ponta de Pedras (ambas, no município de Goiana). Integram essas concentrações as áreas urbanas dos municípios de Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Itapissuma e Itamaracá e do distrito de Ponta de Pedras, no município de Goiana (mapa 02). Fora das citadas concentrações, constituindo áreas urbanas isoladas, encontram-se as cidades de Goiana, Itaquitinga e Araçoiaba e as vilas de Tejucopapo (município de Goiana) e Três Ladeiras (município de Igarassu). Com exceção da vila de Tejucopapo, que localiza-se na porção norte-oriental do Litoral Norte, os demais núcleos urbanos estão localizados na porção ocidental desse segmento do Litoral Pernambucano (mapa 02). Os dois conjuntos de áreas urbanas acima mencionados o das porções oriental e sul-oriental e o da extremidade ocidental do Litoral Norte ocupam, em geral, superfícies planas dos terraços marinhos e fluviais e, em menor escala, áreas de relevo ondulado modelado em depósitos das formações Barreiras, Beberibe e Gramame. O primeiro dos conjuntos supracitados teve sua origem vinculada a três fatores propulsores de urbanização indústria, função administrativa e pesca/lazer e, como ponto de partida, os primeiros núcleos a abrigarem essas funções, na área, quais sejam: o núcleo urbano-industrial de Paulista, o núcleo administrativo de Igarassu e as povoações de pescadores que surgiram ao longo da orla marítima e constituíram pontos de atração para veranistas e turistas. Posteriormente, os eixos viários que cortam o Litoral Norte BR-101 Norte, PE-015, PE-018, PE- 05, PE-022 e vias litorâneas funcionaram como catalizadores do processo de expansão dos núcleos originais e como motivadores da conurbação entre os núcleos urbanos em apreço e destes com Olinda e Recife.
27 A AGLOMERAÇÃO URBANO-INDUSTRIAL DA PORÇÃO SUL-ORIENTAL DO LITORAL NORTE A vocação urbano-industrial de Paulista nasceu no final do século XIX, com a instalação, em 1891, no município de Paulista, da Companhia de Tecidos Paulista (Lima, 2000, p. 6) e, posteriormente, da Fábrica Aurora, também do gênero Têxtil. Junto a cada uma dessas indústrias surgiram, no início do século XX, as respectivas vilas operárias (FIDEM, 1978, p. 81), ao mesmo tempo que, entre ambas, foi-se constituindo o centro comercial e administrativo do núcleo urbano em formação. Com a implantação, em 1966, do Distrito Industrial Arthur Lundgren, em Paulista e Abreu e Lima, à margem da BR-101 Norte, teve início a expansão do núcleo urbano-industrial de Paulista, fenômeno que recebeu grande impulso, a partir dos anos setenta, com a construção, pela COHAB, dos conjuntos habitacionais Arthur Lundgren I e II (entre a PE-015 e a BR-101 Norte), Jardim Paulista (a oeste do núcleo urbano-industrial), Maranguape I e II e Engenho Maranguape (à margem da PE-022) (mapa 02). A construção de conjuntos habitacionais ao longo da PE-022 transforma essa rodovia em eixo direcionador da expansão urbana de Paulista para nordeste, motivando o surgimento, nas décadas seguintes (oitenta e noventa), tanto de loteamentos populares (Nossa Senhora da Conceição, Riacho da Prata, Alameda Paulista) como de invasões (Chega Mais, Lagoa Azul e outras), em áreas alagadas e manguezais, à retaguarda da citada rodovia. A expansão da cidade para o sul e para sudoeste, no ritmo em que vem-se processando, em breve interligará o núcleo urbano de Navarro e a Vila Torres Galvão, em Paulista, com a mancha urbana norte-ocidental de Olinda, completando, assim, a conurbação dos dois centros urbanos. A expansão do núcleo urbano-industrial de Paulista, através do surgimento de novos bairros, deu lugar à constituição de subcentros comerciais e de prestação serviços, tanto no interior desses bairros como ao longo das principais vias de ligação dos mesmos com os núcleos urbanos mais antigos Paulista-sede, Navarro, Paratibe e Fragoso -, ampliando a diferenciação funcional da cidade e fortalecendo sua centralidade no sistema urbano metropolitano. A elevada taxa de crescimento demográfico aliada à valorização crescente do solo urbano em Paulista, tem motivado a ocupação irregular das áreas livres (praças, jardins, vias de circulação e espaços entre as moradias) tanto dos conjuntos habitacionais supracitados como de outros setores do tecido urbano, inclusive de áreas protegidas (alagados, manguezais) e áreas de risco (várzeas fluviais e encostas com alta declividade). A ocupação dessas áreas com moradias e instalações para comércio e serviços informais, tem contribuído para a degradação do solo e dos recursos hídricos, na medida em que provoca a sobreutilização do sistema de esgotamento sanitário e o escoamento dos dejetos diretamente para os canais, rios e estuários. Além da expansão do núcleo urbano-industrial de Paulista, a implantação do Distrito Industrial Arthur Lundgren, em 1966, impulsionou a ocupação urbano-industrial ao longo da PE-015 e da BR-101 Norte, a ponto de... vêse a área composta por Paulista, Paratibe e Abreu e Lima, formar quase uma conurbação que se estende em direção a Igarassu. (Costa, 1982, p. 84). A exemplo de Paulista, a expansão do núcleo urbano de Abreu e Lima intensificou-se a partir dos anos setenta, com a construção pela COHAB, do Núcleo Habitacional de Abreu e Lima (1974) e, posteriormente, dos conjuntos habitacionais Caetés I, II e III (mapa 02). A instalação de várias indústrias isoladas, ao longo da BR-101 e a constituição de um importante eixo de comércio e serviços, no trecho em que essa rodovia corta a cidade de Abreu e Lima, foi outro fator decisivo para a expansão acelerada desse núcleo urbano. A implantação, nas décadas de 80 e 90, de vários loteamentos (Jardim Planalto, Arco-iris, Boa Sorte, Parque Alvorada, Santo Antônio e São José) atesta o intenso ritmo de crescimento da cidade, nesse período.
28 16 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Menos industrializada do que Paulista e apresentando porte funcional bem mais modesto do que aquele centro urbano, Abreu e Lima desempenha a função de cidade dormitório com elevado contingente de população de baixa renda. A inserção desse contingente populacional no espaço urbano em análise tem-se dado tanto pela ocupação irregular das áreas livres dos loteamentos regularizados como através de invasões em áreas de morros, a exemplo do Morro do Fosfato (Alto José Bonifácio) a maior invasão de Abreu e Lima e, mais recentemente, na periferia dos conjuntos habitacionais da COHAB, incluindo-se, nesse caso, a Invasão Frei Damião localizada na periferia norte do Conjunto Habitacional Caetés I e a ocupação das encostas com alta declividade situadas entre os conjuntos habitacionais Caetés I e II. Essas formas de ocupação desordenada do solo, além de contribuírem para a desestabilização das encostas e o aumento das áreas de risco, em conseqüência da devastação da cobertura vegetal dessas áreas, degradam o solo e os cursos de água pelo lançamento, nos mesmos, dos resíduos (excedentes ou totais) de origem doméstica e industrial. A falta de saneamento ou a precariedade desse sistema na maior parte dos bairros, agrava, em muito, o problema ambiental do núcleo urbano em apreço. O segundo núcleo gerador da aglomeração urbana sul-oriental do Litoral Norte o núcleo urbano de Igarassu surgiu no século XVII, constituindo, juntamente com Olinda e Conceição (em Itamaracá), as primeiras vilas fundadas no Nordeste (Andrade, 1977, p. 24). Guardando as características originais, em conseqüência do fraco dinamismo apresentado ao longo de sua evolução, Igarassu, com suas igrejas, seu convento, seu recolhimento de mulheres virtuosas, seu suntuoso edifício da Cadeia e da Câmara era [no século XVIII] um pequeno centro urbano, onde funcionavam dois curtumes. Na sua área de influência situavam-se as povoações de Tracunhaém e Bom Jardim (Idem, p.4). Como outras cidades nordestinas desprovidas de indústrias e dependentes da área rural que as cerca, Igarassu possuía, em 1950, habitantes, enquanto a cidade de Paulista (a sede + a vila de Navarro) e as vilas de Paratibe e Abreu e Lima possuíam, naquele ano, respectivamente 21 24, e habitantes (IBGE, 1960). Embora conte, hoje, com um parque industrial formado por 0 grandes indústrias, Igarassu apresenta níveis elevados de desemprego chegando a 40% da população [total] e taxa de analfabetismo da ordem de 6% da população adulta (Melo, 2001, p.5), a par de um crescimento urbano médio de 4,5% ao ano, no período (IBGE, 2001). Crescimento esse que, no caso específico da sede municipal, foi da ordem de 6,0% ao ano, no período e de 5,8% ao ano, no período Funcionando como zona de amortecimento dos fluxos migratórios que se dirigem da Mata Setentrional para o Núcleo Metropolitano, a cidade de Igarassu vê crescer, a cada ano, o cinturão de miséria de sua periferia. Dentre os fatores que contribuem para as elevadas taxas de crescimento do núcleo urbano de Igarassu, figuram: a) sua proximidade do mercado de trabalho metropolitano; b) o valor relativamente baixo do solo na periferia desse núcleo urbano (sobretudo se comparado àquele das áreas correlatas de Recife, Olinda e Paulista); c) a presença de granjas e sítios em torno da cidade, gerando oportunidade de emprego para uma parcela da força de trabalho não qualificada; d) a proximidade do estuário, de onde a população de baixa renda, mormente a desempregada, retira parte de seu sustento. O dinamismo demográfico de Igarassu se reflete no grande número de loteamentos implantados em seu perímetro urbano, nas décadas de oitenta e noventa (Loteamentos Encanto Igarassu ; Projeto Verde Teto e Centro Igarassu, em 1987; Condomínio Santa Cruz - 199; Padre Cícero, Frei Damião, Santa Bárbara, Rumo Leste e Privê Vila Harmonia, em 1994; Cortegada 1996; Parque Igarassu e Nova Holanda, em 1997; Bairro Novo de Monjope 1998, entre outros).
29 17 Até 1970, a área urbana do distrito-sede de Igarassu compunha-se do pequeno núcleo formado em torno do centro histórico localizado à margem da PE-05 (ao sul do ponto em que essa rodovia corta o rio Igarassu) e distava quatro quilômetros de Cruz de Rebouças, seu bairro mais importante cortado pela BR-101. O crescimento urbano pós-setenta não só preencheu os espaços vazios entre aqueles núcleos, interligando-os, como projetou a ocupação urbana para o norte ao longo da BR-101 e da PE-05, até a divisa de Igarassu com Itapissuma, para oeste e para leste desses eixos viários, agregando, ao tecido urbano, áreas até então integrantes de granjas e sítios de coco. Paralelamente, concentram-se em torno dos citados eixos viários a função comercial e os principais equipamentos de prestação de serviços. Concomitante à ocupação planejada do solo urbano, proliferaram, em Igarassu, as ocupações irregulares efetuadas tanto através de invasões em áreas de antigos e novos loteamentos (Recanto Igarassu, Cortegada, São Vicente e outros) como em áreas alagadas, margens de rios e estuários. Combinam-se, assim, no mesmo espaço, crescimento urbano, surgimento de bolsões de pobreza e ocupação desordenada do solo, como fatores de degradação sobretudo dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos com o agravante de encontrar-se esse núcleo urbano inteiramente situado sobre a superfície de afloramento da Formação Beberibe (aqüífera) e conter apenas uma comunidade com esgotamento sanitário a Vila Saramandaia, construída pela COHAB, provavelmente na década de setenta. Também sobre a Formação Beberibe, encontra-se localizado o núcleo urbano de Itapissuma, interligado a Igarassu e a Itamaracá pela PE-05 e separado do primeiro desses aglomerados apenas pelo Distrito Industrial José Ermírio de Moraes que se estende do limite sul do município de Itapissuma até a periferia da sede municipal. Tendo como origem um pequeno porto, à margem do Canal de Santa Cruz, junto ao qual se formou uma aldeia de pescadores, a povoação de Itapissuma teve sua evolução vinculada à atividade pesqueira. Mais tarde, a PE- 05, que liga Igarassu à Ilha de Itamaracá (...) vem interferir na configuração da trama urbana, atravessando o núcleo de Itapissuma. (FIDEM, 1978, p. 121). A construção, em 1940, da Ponte sobre o Canal de Santa Cruz deve ter impulsionado a expansão do aglomerado ao longo da PE-05 e da Estrada do Pasmado rodovia secundária que interliga Itapissuma à BR-101, na altura da igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem do Pasmado. Cidade de pequeno porte, Itapissuma caracteriza-se como um núcleo residencial com um setor terciário (comércio e serviços) de reduzida expressão, concentrado ao longo da PE-05 (ruas João Pessoa, Frei Serafim e Praça Agamenon Magalhães) e do cais em cujo entorno (Bairro São Gonçalo) reside o segmento social de renda mais alta, predominando, no restante do espaço urbano, a população de renda baixa (pescadores e subempregados) e os desempregados. Ocupando terras do Patrimônio (da Igreja) e cercada por Fazendas de coco Fazenda Mulata (ao norte e a oeste) e Fazenda da Cobra (ao sul) a cidade tem formato alongado no sentido leste-oeste (mapa 02) e não dispõe de espaço para crescer, embora tenha apresentado crescimento anual moderado (2,8%), no período A partir de 1970, a expansão urbana de Itapissuma tem-se dado, sobretudo, através de invasões, sendo essa a origem de vários bairros, a exemplo de Cajueiro, Várzea, Nossa Senhora da Conceição, Grêmio, São Pedro e Barreiro. O único loteamento existente no perímetro urbano de Itapissuma o Cidade Criança surgiu na década de oitenta e já tem uma invasão em sua periferia sul e sudoeste, junto do manguezal do riacho dos Paus, afluente do rio das Pacas. Impedida de expandir-se em áreas contíguas, a cidade tem parte de seu crescimento direcionado para o Bairro Mangabeira, localizado na porção centro-sul do município, a cerca de três quilômetros do núcleo urbano, ao lado do distrito industrial. Situado na zona rural do município, em área loteada para granjas e chácaras, o bairro em apreço não tem calçamento e dispõe de poucos equipamentos e serviços para atender à população constituída, na maior parte, de desempregados, pescadores e trabalhadores rurais.
30 18 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Com apenas 15% da área da sede (ou cerca de 500 domicílios) atendidos com esgotamento sanitário (rede de coleta e tratamento do esgoto) à época da pesquisa (outubro de 1999), Itapissuma apresenta como principal problema ambiental o alto risco de contaminação do Aqüífero Beberibe, sobre o qual estão assentados a cidade e o Bairro Mangabeira, bem como do Canal de Santa Cruz, em cuja margem situam-se áreas urbanas (inclusive, invasões) desprovidas de esgotamento sanitário e, mesmo, de fossa séptica, utilizada apenas por 5,2% dos domicílios, em A URBANIZAÇÃO DA ORLA MARÍTIMA Disposta ao longo do litoral, a área que abriga a concentração urbana da porção oriental do Litoral Norte teve sua ocupação inicial definida pela presença, ali, de três elementos característicos do litoral nordestino o mar, os terraços marinhos e restingas e os manguezais. Esses três elementos deram origem às formas de ocupação que, por muito tempo, marcaram a paisagem da área em apreço, quais sejam: sítios de coqueiro, lavouras de subsistência e algumas fruteiras, assinalando a presença de habitações rústicas e dispersas. (Costa, 1982, p.21). Essa paisagem que predominou, em toda orla marítima norte, até o início dos anos setenta, sofreria, a partir de então, profundas modificações impulsionadas pela intensificação do processo de expansão urbana de Recife. Esse processo, que teve como um de seus eixos a faixa de praia norte da RMR, atingiu a área na década de cinqüenta, com a implantação, na orla marítima de Paulista, em 195, do primeiro loteamento... localizado no início do Janga (...) estendendo-se desde a beira-mar até próximo à Lagoa Tururu. Idem, p. 110). Com esse loteamento, iniciou-se também a expulsão dos antigos moradores da área próxima ao mar muitos dos quais, não tendo para onde ir, fixaram-se em local próximo à lagoa (...) resultando a formação no local de um pequeno aglomerado que recebeu a denominação de Tururu. O surgimento de outros loteamentos e a expulsão dos moradores que ocupavam as áreas loteadas fizeram surgir, mais adiante, um outro aglomerado denominado Ilha dos Macacos (p. 110) que, junto com Tururu, constituíram as primeiras favelas do espaço em questão. Ao longo da década de setenta, intensificou-se a ocupação da faixa litorânea, próxima à praia e à rodovia PE-001, atingindo Pau Amarelo (ao norte) e provocando o recuo, para o interior, das populações nativas forçadas a abandonarem as áreas loteadas. Nas décadas de oitenta e noventa, o processo de expansão urbana, iniciado em Paulista na década de cinqüenta, alcança as praias de Conceição e Maria Farinha e avança para o norte (fotos 6 e 7), envolvendo núcleos urbanos e povoados antigos do litoral de Igarassu, Itamaracá e Goiana, reproduzindo, na orla marítima desses municípios, a dinâmica que, nas décadas anteriores, presidiu a urbanização da orla de Paulista. Tanto em Paulista, como nos demais municípios, paralelamente ao adensamento da ocupação da faixa próxima do mar - mais valorizada e apropriada pelo segmento social de renda média e média alta efetuou-se a ocupação das áreas afastadas da orla por moradias de padrões construtivos progressivamente baixos (foto 8), evoluindo para padrões subnormais, nas áreas de mangues e alagados e nas encostas das colinas e tabuleiros que limitam, em alguns trechos, os terraços litorâneos. Não só no tocante ao padrão construtivo, mas também quanto à infraestrutura, a faixa próxima do mar diferencia-se daquelas mais interiorizadas que se apresentam progressivamente desprovidas de áreas livres, vias de circulação largas e pavimentadas, esgoto etc. Uma outra característica da concentração urbana litorânea é a existência, ali, de dois setores distintos quanto ao período de ocupação das moradias e à utilização dos serviços que atendem à população: os setores de ocupação permanente e os de veraneio. No primeiro caso, incluem-se os setores urbanos ocupados pela população nativa (residente nos núcleos antigos) ou pelo contingente de renda média e média-alta que, aos poucos, foi transferindo sua residência de Recife e Olinda para a orla litorânea dos municípios próximos dessas cidades, onde já eram veranistas. No segundo caso, situam-se as áreas cuja ocupação das moradias ocorre apenas nos meses de verão ou de alta estação (dezembro a fevereiro) bem como em feriados prolongados.
31 19 FOTO 6 Início da expansão urbana (1990), à retaguarda da Praia de Catuama (Ponta de Pedras, Goiana) FOTO 7 Loteamento Porto do Sol, em fase adiantada de ocupação (1999), em Catuama (Ponta de Pedras, Goiana)
32 140 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE FOTO 8 Invasão na encosta do tabuleiro, assinalando a expansão do bairro Malvinas (comunidade de pescadores), em Ponta de Pedras, Goiana. Dentre os setores urbanos litorâneos com predominância de ocupação permanente, encontram-se: a) o trecho do litoral de Paulista que se estende da Praia do Janga até a Praia de Nossa Senhora do Ó, abrangendo tanto a orla marítima como as áreas a sua retaguarda, limitadas, a oeste, pelo Parque do Janga e pelo estuário do rio Timbó; b) os núcleos urbanos de ocupação antiga constituídos pela vila de Nova Cruz (em Igarassu), pelo conjunto urbano de Pilar-Jaguaribe (em Itamaracá) e pelas povoações de Barra de Catuama, Ponta de Pedras e Carne de Vaca (em Goiana), onde reside a população vinculada à pesca, ao comércio e à prestação de serviços. Nos setores urbanos litorâneos com predominância de ocupação temporária para veraneio ou lazer de segunda residência, incluem-se: a) a orla marítima de Paulista, no trecho entre a Praia de Nossa Senhora do Ó e o Pontal de Maria Farinha; b) a orla marítima de Igarassu que se estende do entorno da vila de Nova Cruz até o limite norte da Praia de Mangue Seco; c) a orla marítima de Itamaracá, do Forte Orange até o limite do setor de ocupação permanente de Pilar e Jaguaribe bem como da Praia do Sossego até o Pontal da Ilha; d) a orla marítima de Goiana, no trecho entre a povoação de Barra de Catuama e o limite sul da vila de Ponta de Pedras (incluindo o núcleo antigo e a Vila Malvinas) e no trecho que circunda a povoação de Carne de Vaca. A diferenciação funcional das áreas em apreço segundo momento do processo de estruturação dos núcleos urbanos caracteriza-se pelo surgimento, nas mesmas, de centros e eixos de comércio e serviços, para atendimento tanto à população permanente como ao contingente que acorre a essas áreas com objetivo de turismo e lazer. Os centros de comércio e serviços que, em geral, ocorrem no interior dos núcleos antigos (cuja constituição precedeu a urbanização recente) surgiram, com freqüência, em torno de uma praça central, dali irradiandose para as ruas próximas, dando origem ao centro expandido.
33 141 Enquanto isso, nas áreas de ocupação recente, o comércio e os serviços tendem a concentrar-se ao longo dos eixos viários que cortam essas áreas, a exemplo das vias litorâneas PE-001 e PE-05 a primeira, em Paulista e no trecho sul do litoral de Itamaracá e a segunda, na porção centro-oriental desse último município. Em torno desses eixos, localiza-se a maior parte do comércio e dos serviços de apoio às atividades de turismo e lazer supermercados, padarias, casas de material de construção, restaurantes, bares, lanchonetes, hotéis, pousadas, marinas etc. Sendo a faixa litorânea área de rápida valorização do solo, o adensamento da ocupação urbana, no setor, traz consigo problemas relacionados à apropriação de áreas públicas (privatização da praia através da instalação de barracas e da construção de muros (foto 9) e rampas, motivando a erosão acelerada e o recuo da linha de costa; obstrução das vias de acesso à praia) e à degradação dos recursos naturais. Contribui também para a urbanização desordenada da orla marítima, a especulação imobiliária responsável pela manutenção de extensas glebas desocupadas, próximo à praia, enquanto ocorre o adensamento e a apropriação irregular de outras áreas. FOTO 9 Avanço de muro e de cercas na faixa de praia (Catuama, Goiana). A degradação ambiental da orla marítima urbanizada tem como causa principal a inexistência de esgotamento sanitário, na maior parte das áreas de ocupação recente, tendo como conseqüência inevitável a poluição do solo, dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos e da própria praia, onde deságuam pequenos rios (maceiós) que, transformados em esgotos, lançam na praia dejetos domésticos, sem qualquer tratamento (foto 40). Muitos desses cursos de água foram aterrados após o loteamento da área, o mesmo ocorrendo com mangues e alagados que separavam restingas e terraços marinhos antigos e recentes.
34 142 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE A DINÂMICA DOS NÚCLEOS URBANOS DA PORÇÃO OCIDENTAL DO LITORAL NORTE Separados espacialmente, os núcleos urbanos da porção ocidental da área refletem, em sua estrutura socioespacial, a dinâmica das áreas rurais onde estão inseridos. Dentre estes, apenas a cidade de Goiana sobressai em porte demográfico e funcional, apresentando, em 1991, uma população residente de 750 habitantes que, no ano 2000, deve situar-se abaixo de habitantes, considerando-se a taxa de crescimento anual da população urbana do município, no período - 0,8% - (IBGE, Resultados Preliminares do Censo Demográfico de 2000). FOTO 40 Maceió poluído por lixo e esgoto (Praia de Jaguaribe, Itamaracá). Na área de influência urbana de Goiana, situam-se Itaquitinga e Tejucopapo, cuja população, no ano 2000 totalizava, respectivamente, e habitantes, esta última estimada com base na taxa de variação anual da população urbana do município de Goiana ao qual vincula-se, administrativamente, a vila de Tejucopapo. Araçoiaba, situada na área de influência urbana de Igarassu, possuía, então, habitantes, tendo crescido à taxa de,6% ao ano, no período , enquanto Itaquitinga crescera, no mesmo período, 1,5% ao ano. Os quatro núcleos urbanos têm como traço comum a forte dependência da agroindústria açucareira cujo dinamismo econômico presidiu-lhes a evolução. A constituição do núcleo populacional, que daria origem à cidade de Goiana remonta ao século XVI. Surgiu com a exploração do pau-brasil e, posteriormente, da cana-de-açúcar no vale do rio Goiana, transformando-se em vila, no final do século XVII (IPECONSULT, 1999, p. 42). O vigor da economia da área reflete-se na expansão do núcleo urbano de Goiana e no expressivo patrimônio histórico-religioso, ali, existente no século XVIII, constituído pela Santa Casa de Misericórdia e pelas igrejas localizadas na área central da cidade e no seu entorno, testemunhando, nos dias atuais, o esplendor daquela época (p. 44).
35 14 Expandindo-se a partir dos monumentos religiosos construídos nos séculos XVII e XVIII, o tecido urbano de Goiana foi-se estruturando a custa do parcelamento das áreas de sítios localizadas em torno ou nas proximidades desses monumentos (p. 51). Elevada à categoria de cidade em 05 de maio de 1840, Goiana constituiu, no século XIX, importante centro comercial, exportador de produtos agrícolas e importador de artigos da Europa para consumo de sua elite. A inauguração, em 1870, do Canal de Goiana atesta esse fato, ao mesmo tempo que favorece a ampliação do comércio e o fortalecimento da cidade como centro comercial, ensejando a instalação, em 1882, da Associação Comercial de Goiana (IPECONSULT, 1999, p. 46). A pujança econômica da cidade, no século XIX, impulsiona a expansão da área urbanizada, reduzindo os vazios que separavam os núcleos iniciais de urbanização. Apesar das crises conjunturais que atingiram o setor açucareiro e abalaram a economia do município, no século XIX, Goiana mantém sua importância econômica e política a ponto de ser contemplada com a instalação, em 1894, de uma das cinco indústrias têxteis implantadas em Pernambuco, no período de a Fiação de Tecidos Goiana (FITEG) que impulsionará a expansão da malha urbana para o norte, para leste e nordeste, motivando a ocupação das áreas próximas do complexo urbano-têxtil (...) composto pela fábrica, casa do proprietário e pela vila operária [com 76 casas]. (Idem, p ). O dinamismo urbano-demográfico de Goiana prossegue nas duas primeiras décadas do século XX, motivando o adensamento das áreas ocupadas e dando início à formação do centro urbano atual (p. 54). Esse processo, no entanto, vê-se interrompido pela forte crise que atinge o setor açucareiro, no início dos anos 20 e continua nas décadas subseqüentes, repercutindo na economia regional e, por extensão, no crescimento da cidade, desacelerando-o e desarticulando a malha urbana que, a partir de então, terá sua estruturação marcada pela segregação socioespacial e pela ocupação desordenada do solo traços característicos da organização do espaço urbano de Goiana, nos dias atuais. Reflexo da estagnação da base econômica regional, o crescimento de Goiana, na segunda metade do século XX, terá como motivação principal a expulsão da força de trabalho do campo e sua inserção na malha urbana através da ocupação dos vazios periféricos e daqueles existentes no interior das áreas ocupadas, o que dar-se-á de forma não planejada, contribuindo para a proliferação de bolsões de ocupação irregular e para a desarticulação do tecido urbano. O padrão de ocupação do solo existente, em Goiana, no final da década de 70, diversifica-se com a implantação dos conjuntos habitacionais Castelo Branco e Vila Mutirão (na década de setenta) e do Conjunto da Caixa Econômica (na década de oitenta), ambos construídos com recursos do Sistema Financeiro de Habitação (SFH). A construção desses conjuntos a oeste da mancha urbana, então, existente, projeta o crescimento da cidade, naquela direção, ao mesmo tempo que cria novos vazios, reproduzindo o padrão de urbanização descontínua característico daquele núcleo urbano (IPECONSULT, 1999, p ). A expansão de Goiana para oeste se dá também através dos loteamentos populares Nova Goiana e Flexeiras, ambos implantados na década de 80, tendo como referência a PE-062 que interliga as cidades de Goiana e Condado. Na década de 90, os conjuntos habitacionais Castelo Branco e Mutirão interligam-se aos bairros de Nova Goiana e Flecheiras, formando um tecido urbano contínuo, ao mesmo tempo que a cidade projeta-se para noroeste com os loteamentos Boa Vista 01 e 02. A implantação, nos anos 80, da PE-075, ligando a BR-101 a Itambé, impulsionou a expansão de Goiana para o sul e para sudeste, com a ocupação de novas áreas e o surgimento dos bairros Nova Soledade, Nossa Senhora da Conceição e Cidade Nova um bairro de classe média, onde reside parte da elite urbana e do Loteamento Paraíso, este ainda em fase de ocupação. Para leste, o crescimento urbano tem-se dado em direção à BR-101, embora a cidade conte com poucos espaços para expandir-se nessa direção, em conseqüência da reduzida extensão do terreno situado acima das áreas alagáveis, tendo no loteamento Bom Tempo a projeção da área urbana mais a leste (Idem, p. 64).
36 144 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Como resultado da evolução acima descrita, a malha urbana de Goiana apresenta três tipos de textura representativos dos três padrões de ocupação do solo urbano: a do core ou centro urbano, compreendendo a área central restrita e o centro urbano expandido, onde concentram-se as atividades de comércio e prestação de serviços; a dos conjuntos habitacionais implantados pelo BNH; e a dos núcleos residenciais independentes. Bastante reduzida na década de setenta, a área comercial da cidade abrigava, então, um comércio de pequeno porte e alguns serviços, distribuídos nas ruas da Misericórdia, Trapiche do Meio e em parte das ruas das Porteiras, Silvino Macedo e Soledade, nas quais as atividades supracitadas conviviam com a função comercial. A saturação da área central, nas décadas posteriores, expandiu a ocupação comercial pelas ruas próximas, originando a área central expandida, ao mesmo tempo que a área central restrita foi-se tornando apenas comercial. A expansão da malha urbana nas diferentes direções motivou o surgimento de subcentros e eixos comerciais secundários ao longo da PE-075, nas proximidades da BR-101, no início da Rua Nunes Machado e adjacências bem como nas proximidades do acesso principal de Goiana (Idem, p. 68 e 11). As áreas residenciais diferenciam-se, sobretudo, em função do nível social de seus ocupantes, concentrando-se o padrão residencial médio e médio alto na Av. Marechal Deodoro da Fonseca, no bairro Cidade Nova e na Rua Duque de Caxias. O padrão residencial popular, típico das áreas ocupadas pela população de renda média baixa e baixa, tem sua melhor representação nos conjuntos residenciais do BNH bem como nos bairros Nova Goiana, Flexeiras, Bom Tempo e Nossa Senhora da Conceição, sendo encontrado em vários segmentos do espaço urbano (Idem, p. 10). Finalmente, vem ganhando expressão na periferia oeste da cidade, a ocupação por invasão, a exemplo da Invasão Frei Damião, que teve início há cerca de cinco anos, na área do distrito industrial (entre a PE- 062 e a PE-075), cuja população vive de biscate e do cultivo de roças na área contígua às habitações. Não obstante o porte médio a pequeno dos equipamentos comerciais e de prestação de serviços, a cidade possui um setor terciário diversificado que inclui serviços bancários (cinco agências, entre bancos públicos e privados), de saúde (dois hospitais, uma maternidade e três clínicas especializadas), educacionais (uma faculdade de formação de professores, dez escolas de segundo grau e um grande número de escolas de primeiro grau), jurídicos (forum e vários cartórios), de lazer (dois clubes grandes), escritório da CELPE e da COMPESA, posto do IPSEP e do INSS, agência dos correios, vários postos telefônicos, um expressivo comércio de alimentos (vários supermercados, cinco restaurantes grandes e vários pequenos), seis lojas de tecidos, várias confecções etc., além da feira livre (de grande porte) que tem lugar no sábado. Em termos de indústria, Goiana conta apenas com uma empresa de grande porte e cinco de porte médio, das quais somente uma localizada na área urbana a Fiação e Tecidos de Goiana (FITEG). As demais localizam-se na zona rural e desempenham importante papel na economia municipal. São elas: a Papelão Ondulado do Nordeste S/A (PONSA), localizada no km 4,5 da PE-075; a Companhia Agroindustrial de Goiana (Usina Santa Tereza), dois quilômetros ao sul da cidade e a Usina Nossa Senhora das Maravilhas, à margem da BR-101, próximo à várzea do rio Capibaribe Mirim, ambas produtoras de açúcar e álcool; a Indústria e Comércio Megaó Ltda., localizada na Fazenda Megaó de Cima, ao norte da vila de Tejucopapo (produz cal e pigmentos); e a Itapessoca Agroindustrial, indústria de grande porte localizada na Ilha de Itapessoca (produz cimento da marca Nassau). Esse perfil funcional confere a Goiana a posição de centro de zona (IBGE, 1987, p. 55), tendo em sua área de influência os municípios pernambucanos de Condado, Itaquitinga e Itambé e municípios paraibanos fronteiriços (Alhandra, Caaporã e Pitimbu). Em decorrência do fraco dinamismo econômico, Goiana vem perdendo parte de sua área de influência para as cidades de Timbaúba e Carpina, esta última consolidando-se como principal pólo urbano da Mata Setentrional Pernambucana.
37 145 Apresentando características similares às de outras cidades da região canavieira do Estado, Goiana tem como principais problemas: a) o crescimento de bolsões de pobreza em sua periferia, motivado pela estagnação da economia rural e pela incipiente base produtiva urbana; b) falta de espaço para expandir a área urbana, comprimida entre o rio e os canaviais, o que provoca a saturação do espaço nas áreas centrais e a ocupação desordenada do solo nas demais áreas, com riscos para a preservação do patrimônio histórico-cultural; c) falta de esgotamento sanitário em praticamente toda a área urbana; d) manutenção, no interior do espaço urbano, de formas de ocupação do solo pouco compatíveis com as funções desse espaço, tais como o matadouro e o cemitério. Apesar de tais problemas, a cidade conta com expressivo patrimônio histórico-cultural que, adequadamente utilizado como atração turística, pode dinamizar a economia urbana, desde que sejam removidos os obstáculos que inviabilizam tal utilização. O segundo núcleo urbano, em extensão, na porção ocidental do Litoral Norte, a cidade de Araçoiaba, localiza-se à margem da PE-041 a meio caminho das cidades de Igarassu e Carpina, no ponto de convergência daquela rodovia com a PE-027 que interliga a cidade em apreço às áreas urbanas de Camaragibe e Recife. Núcleo urbano de pequeno porte elevado à categoria de cidade em 1995, Araçoiaba teve sua origem e dinâmica associadas à agroindústria açucareira que continua a ser a principal fonte de emprego de sua população, secundada pelo pequeno comércio e pelo modesto setor de prestação de serviço constitutivos do setor terciário local. A organização espacial de Araçoiaba revela o papel da rodovia PE-041 na estruturação de sua malha urbana, concentrando ao longo desse eixo viário o comércio e os principais equipamentos de prestação de serviços, enquanto a ocupação residencial distribui-se paralelamente ao referido eixo, ocorrendo, nas ruas vizinhas, a ocupação de padrão médio. À medida que se afasta do centro, o padrão residencial evolui para o popular e, desse, para o padrão baixo e subnormal, na periferia urbana, sobretudo ao longo da PE-027, onde as invasões prolongam, para sudeste, esse tipo de ocupação. Cercada por terras das usinas São José e Santa Tereza ao norte, a leste, a oeste e a sudeste bem como pelo Campo de Instrução Mal. Newton Cavalcante (CIMNIC) ao sul, Araçoiaba carece de área para expandir-se. Dos habitantes do município no ano 2000, 84,4% vivem na área urbana cuja população crescera a uma taxa de,6% ao ano, no período , enquanto a população do município cresceu 5,8% ao ano, de 1996 a Desprovida de indústria, banco e serviços médicos especializados, a cidade conta, entre seus equipamentos mais importantes, uma escola de segundo grau, um hospital (municipal) com vinte e cinco leitos, agência de correios, um posto telefônico, delegacia de polícia, mercadinhos, mercearias, padarias, armarinhos, farmácias e armazéns de material de construção. Desempenhando as funções de centro local, Araçoiaba tem sua área de influência restrita aos engenhos e povoados do entorno (Canaã, Vinagre, Chã do Conselho e Aldeia), dividindo com Igarassu a polarização de Três Ladeiras e, com Camaragibe, a de Chã de Cruz. Tendendo a manter o ritmo de crescimento da última década, alimentado sobretudo pela migração da força de trabalho expulsa do campo, Araçoiaba tem como principais problemas: a) a falta de emprego para o segmento da população urbana que continua a depender da oferta de trabalho no setor canavieiro; b) a falta de área para expandir-se; c) a inexistência de esgotamento sanitário; d) a fraca receita do município, inviabilizando a ampliação da infra-estrutura e restringindo os investimentos na área social; e) a dependência de Igarassu para atendimento a grande parte da demanda da população por bens e serviços. Elevada à categoria de cidade em dezembro de 196, Itaquitinga contava, então, pouco mais de habitantes. Encravada em área canavieira e distante dos eixos viários principais, a cidade apresentou sua mais elevada taxa de crescimento no período (4,2% ao ano), caindo para 1,5% ao ano, no período , quando a população atingiu habitantes.
38 146 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Não dispondo de área para crescer, Itaquitinga vem-se expandindo pela encosta oeste do retalho de tabuleiro que abriga o sítio urbano original, ocupando áreas de alta declividade e o leito aterrado dos riachos que descem dessas encostas (foto 41). Cidade de pequeno porte, possui um comércio de reduzida expressão e alguns equipamentos de prestação de serviços básicos - que não incluem banco nem consultório médico - distribuídos ao longo da rua principal, sendo a maior parte da demanda local por bens e serviços atendida por Goiana. FOTO 41 Expansão urbana através da ocupação de encosta com alta declividade (Itaquitinga). A população urbana trabalha nas usinas, no comércio local e na Prefeitura. A paralisação da Usina Matari, no vizinho município de Nazaré da Mata, agravou o desemprego da força de trabalho vinculada ao setor canavieiro. A existência de três favelas na periferia urbana e o elevado contingente de população de baixa renda atestam o nível de pobreza da cidade. Esses problemas têm sido, em parte, atenuados pelos assentamentos rurais Engenhos Gutiúba, Santo Antônio do Norte e Pituaçu, localizados no município, cuja produção, vendida na feira livre de Itaquitinga, tem contribuído para baixar o preço dos gêneros agrícolas, ali, comercializados, além de reterem no campo e empregarem uma parcela (ainda que pequena) da população municipal. Dentre os problemas do núcleo urbano em apreço, sobressaem: a) o elevado desemprego da força de trabalho; b) crescimento das favelas; c) ocupação de encostas com alta declividade e aterro dos riachos que banham as áreas ocupadas; d) inexistência de esgotamento sanitário; e) degradação do solo e dos recursos hídricos por dejetos domésticos. Duas vilas integram os núcleos urbanos isolados da porção ocidental da área: Tejucopapo e Três Ladeiras a primeira, localizada no município de Goiana, à margem da PE-049, a meio caminho entre a BR-101 e a vila de Ponta de Pedras, no litoral; a segunda, localizada no município de Igarassu, à margem da rodovia vicinal que liga a Usina São José à cidade de Itaquitinga (mapa 02).
39 147 Situada entre os estuários dos rios Megaó e Itapessoca, Tejucopapo tem na pesca estuarina a ocupação principal de sua população, secundada pelo trabalho nas usinas (na cana-de-açúcar), nos sítios de coqueiro e nas granjas e chácaras. Com um contingente de 4 20 habitantes, em 1991, a vila apresentou crescimento lento de 1950 a 1970 e cresceu a uma taxa anual de,0%, no período 1970 a Como resultado desse crescimento populacional, Tejucopapo expandiu-se para oeste, leste, sul e, sobretudo, para o norte, alcançando atualmente os limites da Fábrica Megaó e da Mata de Megaó de Cima. Dotada de um comércio incipiente e de poucos equipamentos de prestação de serviços, distribuídos ao longo da rua principal, a vila caracteriza-se pelo predomínio de moradias simples tipo popular, na área central, passado a moradias de baixo padrão construtivo, na periferia ( pontas de rua ), onde a presença de favelas evidencia as precárias condições sociais de uma parcela expressiva da população. Ao contrário de Tejucopapo, que situa-se próximo ao litoral, em área de contato da cana-de-açúcar com as formas pré-litorâneas de uso do solo (monocultura do coqueiro, granjas e chácaras), Três Ladeiras, tal como os demais núcleos urbanos da porção ocidental do Litoral Norte, localiza-se em plena área açucareira, nos domínios fundiários da Usina São José. Tendo na cana-de-açúcar a única fonte de trabalho, a população de Três Ladeiras padece o fenômeno do desemprego sazonal, dependendo, na entressafra, dos programas assistenciais do Governo. Em 1991, a população da vila totalizava 1 7 habitantes, tendo crescido a taxa anual de 5,0%, no período Precariamente equipada em termos de comércio (reduzido a duas ou três barracas) e de infra-estrutura de prestação de serviços, Três Ladeiras tem porte e perfil funcional de povoado, sendo polarizada por Igarassu e Araçoiaba e ligada à principal vias de acesso àqueles centros urbanos (PE-041) por estrada sem pavimentação. Desprovidas de base produtiva e dependentes de atividades rurais pouco dinâmicas, Tejucopapo e Três Ladeiras apresentam problemas comuns, ainda que de intensidades diversas, quais sejam: a) falta de espaço para expansão da área ocupada, de sorte a absorver adequadamente o contingente que migra do campo para esses aglomerados; b) desemprego, alcoolismo e prostituição; c) falta de esgotamento sanitário e de serviço de coleta de lixo (em Três Ladeiras), ocasionando a poluição do solo e dos recursos hídricos; d) proliferação de doenças decorrentes da falta de saneamento e da desnutrição; e) deficiência dos equipamentos comerciais e de prestação de serviços básicos; inexistência de associações comunitárias; f) situação precária do matadouro de Tejucopapo, com risco de poluição do rio Guaribas que banha a vila, ao sul. Muitos desses problemas são comuns também aos inúmeros povoados existentes nos municípios do Litoral Norte. O quadro, a seguir, contém a síntese das principais características, bem como dos problemas e tendências atuais dos padrões de uso e ocupação do solo do Litoral Norte de Pernambuco.
40 148 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE QUADRO-SÍNTESE DO DO LITORAL NORTE DE PERNAMBUCO
41 149
42 150 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE
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44 152 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE
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46 154 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE
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48 156 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE
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50 158 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE
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52 160 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE
53 161
3.2.1 - CANA-DE-AÇÚCAR
111.2.1 - CANA-DE-AÇÚCAR Recobrindo expressiva parcela do Litoral Norte (40,1%), a cana-de-açúcar é o padrão de uso do solo predominante nos municípios de Araçoiaba, Itaquitinga, Goiana, Igarassu e Itapissuma,
3.2.6 AQÜICULTURA DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE O MEIO SOCIOECONÔMICO DO LITORAL NORTE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
128 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE Até 1990, a avicultura era a atividade predominante no setor, sobretudo em Igarassu. Hoje, apenas algumas dessas unidades produzem frango de corte e ovos,
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162 DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL - LITORAL NORTE 163 -.1 - Compondo uma rede hidrográfica relativamente densa e perene, as águas superficiais do Litoral Norte refletem, através de sua qualidade, o estado
2.2 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
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