A tábua de esmeraldas

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1 A tábua de esmeraldas LENDAS E MITOS DOS ANTIGOS MESTRES ALQUIMISTAS Adaptação HELOISA PRIETO Apresentação RAISSA PALA VERAS Coordenação PAULO BLOISE PROJETO DE LEITURA Coordenação: Maria José Nóbrega Elaboração: Luísa Nóbrega

2 Árvores e tempo de leitura MARIA JOSÉ NÓBREGA O que é, o que é, Uma árvore bem frondosa Doze galhos, simplesmente Cada galho, trinta frutas Com vinte e quatro sementes? 1 Enigmas e adivinhas convidam à decifração: trouxeste a chave?. Encaremos o desafio: trata-se de uma árvore bem frondosa, que tem doze galhos, que têm trinta frutas, que têm vinte e quatro sementes: cada verso introduz uma nova informação que se encaixa na anterior. Quantos galhos tem a árvore frondosa? Quantas frutas tem cada galho? Quantas sementes tem cada fruta? A resposta a cada uma dessas questões não revela o enigma. Se for familiarizado com charadas, o leitor sabe que nem sempre uma árvore é uma árvore, um galho é um galho, uma fruta é uma fruta, uma semente é uma semente Traiçoeira, a árvore frondosa agita seus galhos, entorpecenos com o aroma das frutas, intriga-nos com as possibilidades ocultas nas sementes. O que é, o que é? Apegar-se apenas às palavras, às vezes, é deixar escapar o sentido que se insinua nas ramagens, mas que não está ali. Que árvore é essa? Símbolo da vida, ao mesmo tempo que se alonga num percurso vertical rumo ao céu, mergulha suas raízes na terra. Cíclica, despe-se das folhas, abre-se em flores, que escondem frutos, que protegem sementes, que ocultam coisas futuras. Decifra-me ou te devoro. Qual a resposta? Vamos a ela: os anos, que se desdobram em meses, que se aceleram em dias, que escorrem em horas. Alegórica árvore do tempo A adivinha que lemos, como todo e qualquer texto, inscreve-se, necessariamente, em um gênero socialmente construído e tem, portanto, uma relação com a exterioridade que determina as leituras possíveis. O espaço da interpretação é regulado tanto pela organização do próprio texto quanto pela memória interdiscursiva, que é social, histórica e cultural. Em lugar de pensar que a cada texto corresponde uma única leitura, é preferível pensar que há tensão entre uma leitura unívoca e outra dialógica. Um texto sempre se relaciona com outros produzidos antes ou depois dele: não há como ler fora de uma perspectiva interdiscursiva. Retornemos à sombra da frondosa árvore a árvore do tempo e contemplemos outras árvores: Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas de ver e boas de comer, e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. ( ) E Deus deu ao homem este mandamento: Podes comer de todas as árvores do jardim. Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás, porque no dia em que dela comeres terás de morrer. 2 Ah, essas árvores e esses frutos, o desejo de conhecer, tão caro ao ser humano 2

3 Há o tempo das escrituras e o tempo da memória, e a leitura está no meio, no intervalo, no diálogo. Prática enraizada na experiência humana com a linguagem, a leitura é uma arte a ser compartilhada. A compreensão de um texto resulta do resgate de muitos outros discursos por meio da memória. É preciso que os acontecimentos ou os saberes saiam do limbo e interajam com as palavras. Mas a memória não funciona como o disco rígido de um computador em que se salvam arquivos; é um espaço movediço, cheio de conflitos e deslocamentos. Empregar estratégias de leitura e descobrir quais são as mais adequadas para uma determinada situação constituem um processo que, inicialmente, se produz como atividade externa. Depois, no plano das relações interpessoais e, progressivamente, como resultado de uma série de experiências, se transforma em um processo interno. Somente com uma rica convivência com objetos culturais em ações socioculturalmente determinadas e abertas à multiplicidade dos modos de ler, presentes nas diversas situações comunicativas é que a leitura se converte em uma experiência significativa para os alunos. Porque ser leitor é inscrever-se em uma comunidade de leitores que discute os textos lidos, troca impressões e apresenta sugestões para novas leituras. Trilhar novas veredas é o desafio; transformar a escola numa comunidade de leitores é o horizonte que vislumbramos. Depende de nós. 1 In Meu livro de folclore, Ricardo Azevedo, Editora Ática. 2 A Bíblia de Jerusalém, Gênesis, capítulo 2, versículos 9 e 10, 16 e 17. DESCRIÇÃO DO PROJETO DE LEITURA UM POUCO SOBRE O AUTOR Procuramos contextualizar o autor e sua obra no panorama da literatura brasileira para jovens e adultos. RESENHA Apresentamos uma síntese da obra para que o professor, antecipando a temática, o enredo e seu desenvolvimento, possa avaliar a pertinência da adoção, levando em conta as possibilidades e necessidades de seus alunos. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA Apontamos alguns aspectos da obra, considerando as características do gênero a que pertence, analisando a temática, a perspectiva com que é abordada, sua organização estrutural e certos recursos expressivos empregados pelo autor. Com esses elementos, o professor irá identificar os conteúdos das diferentes áreas do conhecimento que poderão ser abordados, os temas que poderão ser discutidos e os recursos lingüísticos que poderão ser explorados para ampliar a competência leitora e escritora dos alunos. QUADRO-SÍNTESE O quadro-síntese permite uma visualização rápida de alguns dados a respeito da obra e de seu tratamento didático: a indicação do gênero, das palavras-chave, das áreas e temas transversais envolvidos nas atividades propostas; sugestão de leitor presumido para a obra em questão. 3

4 Gênero: Palavras-chave: Áreas envolvidas: Temas transversais: Público-alvo: PROPOSTAS DE ATIVIDADES a) antes da leitura Os sentidos que atribuímos ao que se lê dependem, e muito, de nossas experiências anteriores em relação à temática explorada pelo texto, bem como de nossa familiaridade com a prática leitora. As atividades sugeridas neste item favorecem a ativação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão e interpretação do escrito. Explicitação dos conhecimentos prévios necessários à compreensão do texto. Antecipação de conteúdos tratados no texto a partir da observação de indicadores como título da obra ou dos capítulos, capa, ilustração, informações presentes na quarta capa, etc. Explicitação dos conteúdos da obra a partir dos indicadores observados. b) durante a leitura São apresentados alguns objetivos orientadores para a leitura, focalizando aspectos que auxiliem a construção dos sentidos do texto pelo leitor. Leitura global do texto. Caracterização da estrutura do texto. Identificação das articulações temporais e lógicas responsáveis pela coesão textual. Apreciação de recursos expressivos empregados pelo autor. c) depois da leitura São propostas atividades para permitir melhor compreensão e interpretação da obra, indicando, quando for o caso, a pesquisa de assuntos relacionados aos conteúdos das diversas áreas curriculares, bem como a reflexão a respeito de temas que permitam a inserção do aluno no debate de questões contemporâneas. nas tramas do texto Compreensão global do texto a partir de reprodução oral ou escrita do que foi lido ou de respostas a questões formuladas pelo professor em situação de leitura compartilhada. Apreciação dos recursos expressivos empregados na obra. Identificação e avaliação dos pontos de vista sustentados pelo autor. Discussão de diferentes pontos de vista e opiniões diante de questões polêmicas. Produção de outros textos verbais ou ainda de trabalhos que contemplem as diferentes linguagens artísticas: teatro, música, artes plásticas, etc. nas telas do cinema Indicação de filmes, disponíveis em VHS ou DVD, que tenham alguma articulação com a obra analisada, tanto em relação à temática como à estrutura composicional. nas ondas do som Indicação de obras musicais que tenham alguma relação com a temática ou estrutura da obra analisada. nos enredos do real Ampliação do trabalho para a pesquisa de informações complementares numa dimensão interdisciplinar. DICAS DE LEITURA Sugestões de outros livros relacionados de alguma maneira ao que está sendo lido, estimulando o desejo de enredar-se nas veredas literárias e ler mais: do mesmo autor; sobre o mesmo assunto e gênero; leitura de desafio. Indicação de título que se imagina além do grau de autonomia do leitor virtual da obra analisada, com a finalidade de ampliar o horizonte de expectativas do aluno-leitor, encaminhando-o para a literatura adulta. 4

5 A tábua de esmeraldas LENDAS E MITOS DOS ANTIGOS MESTRES ALQUIMISTAS Adaptação HELOISA PRIETO Apresentação RAISSA PALA VERAS Coordenação PAULO BLOISE UM POUCO SOBRE A ADAPTADORA E O COORDENADOR As lendas e mitos que compõem esse livro foram adaptados pela escritora Heloisa Prieto, autora de inúmeros livros infantojuvenis, como Lá vem história, Divinas aventuras, Mata, terra e mil fantasmas, Dragões negros e A guerra dos gatos contra a bruxa da rua. Mestre em semiótica pela PUC, Heloisa é atualmente doutora formada pela Universidade de São Paulo, onde pesquisa o processo de criação literária, sob orientação do professor-doutor Philippe Willemart. Premiada com o Jabuti e pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Heloisa realizou esse trabalho sob orientação do analista junguiano Paulo Vicente Bloise, filiado à Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica e pesquisador de filosofia, com quem já havia trabalhado em antologias como Da primeira viagem (obra finalista do prêmio Jabuti e incluída no PNLD de incentivo à leitura), Vida crônica e O Imperador Amarelo. Ex-cronista do Jornal da Tarde, é atualmente coordenador do Anthropos, núcleo de integração mente e corpo da Unifesp. Participou também dessa obra, como autora da apresentação, a psiquiatra Raissa Pala Veras, estudiosa de alquimia. Mais informações sobre a vida e a obra dos adaptadores e organizadores podem ser encontradas no final do livro, na seção Biografias. RESENHA Esse livro nos oferece uma possibilidade de aproximação das imagens e narrativas oriundas de uma sabedoria antiga, hoje quase inacessível: a tradição dos mestres alquimistas. Tal aproximação, porém, não se dá por meio de preceitos místicos impalpáveis, mas da concretude e da riqueza das imagens de mitos e lendas que, supõe-se, compunham o 5

6 acervo da lendária biblioteca de Alexandria, cujo incêndio teria destruído registros preciosos do conhecimento hermético de muitos e diferentes povos da Antiguidade. Esse incêndio, ocasionado por ordem de um imperador árabe, foi conseqüência manifesta do repúdio da nascente cultura muçulmana por conhecimentos de magia e astrologia, que, pelo que se acreditava, confeririam ao homem um poder indevido, tentando-o perigosamente a aproximar-se do princípio divino. A despeito desse ataque, porém, parte dos conhecimentos dessa biblioteca de algum modo teria sido preservado por meio da tradição dos alquimistas, que posteriormente seriam perseguidos e condenados pela Inquisição católica. A alquimia nos apresenta um mundo menos fragmentado, no qual a separação, tão óbvia para nós, entre misticismo e ciência não fazia sentido algum. De fato, embora os estudos dos alquimistas estejam na origem da química moderna e tenham-nos fornecido as bases para o desenvolvimento daquilo que seria, mais tarde, o método científico, não podemos entendê-los simplesmente como um estágio mais rudimentar e ingênuo daquilo que mais tarde se configuraria a ciência tal como a conhecemos: a obsessão dos alquimistas com a transformação dos metais era inseparável de uma profunda busca espiritual. O que para a arrogância do cientificismo atual soa como superstição pode ser entendido como uma maneira inteiramente diversa de se conceber o que seja o conhecimento. COMENTÁRIOS SOBRE A OBRA Segundo Carl Gustav Jung, os estudos dos alquimistas, bem como boa parte dos mitos e lendas tradicionais, mais do que meros registros de tentativas de transformar metais em ouro ou fornecer explicações místicas para fenômenos naturais, retratam o percurso de uma trajetória mística e espiritual. Espiritualidade, aqui, relaciona-se menos com religiões e tradições específicas do que com imagens que, a despeito de suas diferentes origens, nos soam familiares, uma vez que acessam conteúdos arquetípicos, presentes no inconsciente coletivo da humanidade. As diferentes etapas do processo de transmutação alquímica calcinatio, solutio, coagulatio, sublimatio, mortificatio, separatio, coniunctio representam uma trajetória de purificação e amadurecimento, trajetória sintetizada por Jung em seu conceito de individuação. Esse conceito-chave da psicologia analítica afasta-a da psicanálise freudiana na medida em que se recusa a conceber a trajetória do indivíduo simplesmente como um embate constante entre pulsões e resistências. Para Jung, para além do Ego individual, existe o conceito de Self, ou Eu Superior, ligado ao inconsciente coletivo da humanidade, que a partir do seu inconsciente pessoal guiaria o indivíduo através de um percurso constante de auto-aperfeiçoamento e auto-realização. Segundo essa perspectiva, entrar em contato com esses mitos e lendas, mais do que satisfazer uma curiosidade exótica ou um deleite momentâneo, nos permitiria entrar em contato com imagens coletivas que nos esclareceriam sobre nosso percurso individual, ajudando-nos a compreender como traçar nossos rumos em um mundo sobre o qual, a despeito de todos os avanços da ciência, sabemos tão pouco. QUADRO-SÍNTESE Gênero: contos tradicionais Palavras-chave: alquimia, simbolismo, magia, sabedoria tradicional Áreas envolvidas: Língua Portuguesa Temas transversais: Pluralidade cultural Público-alvo: alunos da 7 a e 8 a séries do Ensino Fundamental e Ensino Médio PROPOSTAS DE ATIVIDADES Antes da leitura 1. Pergunte aos alunos o que sabem sobre alquimia. Provavelmente, eles já devem ter adquirido alguma noção a respeito, por meio de livros e filmes de entretenimento, como os do famoso Harry Potter, ou mesmo de 6

7 aulas de ciências, que podem ter introduzido o tema no contexto da história da ciência. Deixe que eles troquem informações. 2. Antes de ler a apresentação, proponha aos estudantes a pergunta feita pela apresentadora no início do seu texto: se um jovem anos adiante no futuro encontrasse outro jovem de anos atrás, sobre o que eles conversariam? Estimule uma discussão a respeito. 3. Leia então com eles a apresentação e a seguir converse um pouco sobre o modo como os mitos e as lendas retratam temas de caráter universal, que fazem parte da experiência humana desde tempos imemoriais. 4. Proponha que realizem uma pesquisa sobre a biblioteca de Alexandria, para que possam se situar melhor no universo temático do livro. Qual teria sido seu papel na Antiguidade? Em que circunstâncias teria se dado sua destruição? 5. Observe com eles as imagens de Janaina Tokitaka que retratam cada uma das etapas de transformação alquímica: calcinatio, solutio, coagulatio, sublimatio, mortificatio, separatio, coniunctio. Deixe que tentem, com a ajuda das imagens, se lembrar das características de cada uma delas. Durante a leitura 1. Proponha aos alunos que leiam as narrativas do livro do modo indicado pela apresentadora: diga a eles que procurem ler os contos atentando para a riqueza das imagens sem a preocupação de decodificálas. Alguns dos textos presentes no livro possuem um caráter enigmático, uma vez que trabalham com uma simbologia que hoje não nos é acessível. Diga aos alunos que não se preocupem com o significado original do texto, buscando apenas perceber o sentido que as imagens possuem para cada um deles. 2. A apresentadora comenta que é possível encontrar, nas lendas dos alquimistas, muitas imagens simbólicas das sete etapas de transformação alquímica abordadas na apresentação. Estimule os alunos a perceberem as imagens de fogo, terra, água e ar presentes no texto, bem como passagens que retratam momentos de mortificação, separação e união (um casamento, por exemplo, pode perfeitamente simbolizar a etapa final, coniunctio). Depois da leitura nas tramas do texto 1. Divida a turma em pequenos grupos e peça que cada um escolha a história do livro que mais os impressionou para recontar para a classe, sem o apoio do livro, com suas próprias palavras. Cada vez que alguém conta uma história oralmente, ela é transformada. Para pensar um pouco mais nessa questão, seria interessante, após a apresentação das histórias, voltar ao livro: quais as diferenças entre as histórias recontadas e as histórias como estão escritas? Se dois grupos escolheram contar a mesma história, quais aspectos da narrativa cada um privilegiou? 2. Estimule os alunos a resgatarem os momentos em que imaginam que as lendas fazem referência às sete etapas de transformação alquímica, em especial àquelas que mencionam os quatro elementos, e procurar, a partir desses momentos, verificar se agora compreendem melhor o significado de cada uma delas. Veja se eles percebem que muitas das narrativas do livro descrevem um percurso de amadurecimento das personagens no qual, antes de tudo, eles devem se despojar de sua arrogância: a imprudência poucas vezes é recompensada. Uma vez que se trata de textos fortemente simbólicos, sem uma leitura óbvia, o objetivo dessa discussão não é fechar uma interpretação única, mas vislumbrar leituras possíveis. 3. Os quatro elementos fogo, terra, água e ar desempenharam um papel muito importante na ciência antiga, ao menos até o Renascimento. Ao mesmo tempo que eram compreendidos como os elementos fundamentais que davam origem a toda a matéria, também possuíam uma dimensão espiritual: na medicina antiga, por exemplo, do mesmo modo que o equilíbrio ou desequilíbrio dos elementos num indivíduo eram responsáveis por sua saúde ou doença, interferiam também nos seus aspectos pessoais e emocionais. Proponha que os estudantes realizem, em grupos, uma pequena pesquisa sobre o papel dos quatro elementos no pensamento antigo. Um dos grupos pode ficar encarregado 7

8 de investigar seu papel no pensamento dos filósofos gregos pré-socráticos, que acreditavam que esses elementos estavam na base do surgimento do mundo; outros, investigar seu papel na medicina grega, cujo principal nome é Hipócrates; e outros, ainda, investigar seu papel na astrologia antiga. 4. Divida a classe em dois grandes grupos, propondo que um deles se aprofunde um pouco mais na mitologia grega e outro na mitologia egípcia. Peça que eles pesquisem referências visuais do panteão de deuses de cada um dos dois povos, dando importância, em especial, aos deuses que aparecem nos contos do livro. 5. As narrativas que se debruçam sobre a vida dos alquimistas, ao final do livro, são bastante sintéticas, deixando muitos pontos em aberto e despertando a curiosidade do leitor. Proponha que cada um escolha, dos alquimistas, aquele cuja biografia mais o tenha interessado, e realize uma pesquisa cuidadosa a seu respeito. 6. Uma vez finalizada a pesquisa, proponha que cada aluno escreva uma narrativa fantasiosa sobre algum dos momentos da vida de seu alquimista favorito, descrevendo-o em detalhes, tal como o imagina, e esmiuçando as características pessoais da personagem. Estimule-os a tentar inserir na narrativa momentos em que o alquimista em questão atravesse uma ou mais das sete etapas de transformação alquímica. Deixe-os livres para utilizar ou não os dados factuais e lendários de que dispõem; esclareça que, embora estejam tomando como ponto de partida uma figura histórica, ela nesse momento passa a ser uma personagem de uma narrativa de sua autoria. 7. Uma vez prontas as histórias, proponha que os alunos que tiverem escolhido a trajetória do mesmo alquimista compartilhem suas narrativas entre si. Quais foram as abordagens privilegiadas pelos alunos? nas telas do cinema Para compreender um pouco mais sobre a importância dos contos e mitos para o ser humano, bem como a riqueza dos símbolos e a maneira como eles se fazem presentes mesmo no nosso mundo atual, tão esquecido das tradições, seria interessante assistir com os alunos a alguns episódios de O poder do mito, série de televisão que registra uma entrevista concedida por Joseph Campbell, um dos maiores estudiosos de mitologia, ao jornalista Bill Moyers. A entrevista foi recentemente lançada em DVD na íntegra pela Log On Editora Multimídia. DICAS DE LEITURA sobre o mesmo gênero Contos e lendas do Egito antigo Brigitte Evano, São Paulo, Companhia das Letras Contos e lendas da mitologia grega Claude Pouzadoux, São Paulo, Companhia das Letras Deuses e heróis da mitologia grega e latina Odile Gandon, São Paulo, Martins Fontes Alquimistas e químicos José Atílio Vanin, São Paulo, Moderna Divinas aventuras Heloisa Prieto, São Paulo, Companhia das Letras leitura de desafio Em tempos atuais, nos quais a leitura é relegada a um papel secundário, talvez seja difícil para os jovens alunos compreenderem a importância e a dimensão mística da lendária biblioteca de Alexandria. Por que o império árabe teria se preocupado em destruí-la como algo perigoso? Para que possamos compreender o fascínio e o temor que um lugar como esse pode oferecer, sugerimos a leitura do conto A biblioteca de Babel, de Jorge Luís Borges, que faz parte de seu livro Ficções, publicado pela Editora Globo, do Rio de Janeiro. Nesse conto, o narrador compartilha com o leitor os mistérios que envolvem uma imensa biblioteca, que muitos acreditam ser infinita. O autor explora uma analogia entre a metáfora da biblioteca e a imagem do universo, e a pequenez do homem diante de um conhecimento que ele se vê incapaz de apreender.

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