DIREITO PROCESSUAL PENAL ESPECIAL

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1 DIREITO PROCESSUAL PENAL ESPECIAL Código: MM125. Créditos: 6. Horas semanais: 4,5 Objectivos, métodos de trabalho, programa e bibliografia Ano lectivo de (2.º Ciclo, 2.º Semestre) Regente: Frederico de Lacerda da Costa Pinto Objectivos 1. Domínio da legislação processual penal relativa às matérias que integram o curso. 2. Aprofundamento da compreensão de problemas teórico-práticos, dos valores em causa e dos interesses envolvidos, em especial a tensão evidenciada no processo penal entre a garantia dos direitos fundamentais, as necessidades da realização eficiente da justiça penal e a protecção dos interesses das vítimas. 3. Aquisição de conhecimentos e competências básicas para o futuro desempenho de funções jurídicas em processo penal (profissões jurídicas) ou para elevar o nível de conhecimentos científicos sobre processo penal e direitos fundamentais envolvidos no processo. 4. Aprofundamento da capacidade de análise e crítica fundamentada, de construção de soluções e de resolução de problemas dentro do quadro legal aplicável. 5. Desenvolvimento da capacidade de investigar, de expor matérias e de construir textos organizados sobre problemas jurídicos relativos a matérias do curso. 1

2 MÉTODOS DE TRABALHO E AVALIAÇÃO 1. Exposição da matéria pelo docente e resposta a dúvidas e problemas suscitados pelos alunos. 2. Resolução de casos práticos pelos alunos, construídos para debater pontos específicos da matéria, em aulas práticas, orientadas pelo docente. 3. Análise, comentário e debate de jurisprudência nacional sobre os temas leccionados (v.g. acórdãos de tribunais superiores e do Tribunal Constitucional) 4. Investigação orientada: será estimulada a capacidade de investigação dos alunos com um projecto, já realizado em anos anteriores, de relatório ou comentários escritos a acórdãos dos tribunais portugueses sobre temas leccionados. Os trabalhos são orientados pelo docente, são facultativos e não contam para a avaliação. Uma vez concluídos são divulgados na página da disciplina na Internet e, alguns deles, publicados em revistas da especialidade (ver textos já publicados na Revista Portuguesa de Ciência Criminal n.ºs 12, 13, 14 e 20, e, depois, os trabalhos reunidos na obra Prova Criminal e Direito de Defesa, Almedina, Coimbra, 2010). 5. Avaliação: exame escrito final (3 horas). 2

3 Programa Introdução 1. Objecto da disciplina de Direito Processual Penal Especial. 2. Articulação com a disciplina de Direito Processual Penal. 3. Métodos de trabalho e objectivos. 4. Projectos de investigação e sistema de avaliação. 5. A revisão de 2013 do Código de Processo Penal. I MEDIDAS DE COACÇÃO E DE GARANTIA PATRIMONIAL 1. Conceito e função das medidas de coacção e das medidas de garantia patrimonial. 2. Referentes constitucionais e legais: os princípios da liberdade, da presunção de inocência, da legalidade e da proporcionalidade. 3. Detenção e prisão preventiva: conceitos, finalidades e regimes. 4. Regime geral das medidas de coacção e de garantia patrimonial. Natureza e finalidades das diversas medidas. Legalidade, proporcionalidade e subsidiariedade. Legitimidade para a promoção e legitimidade para a decisão. A fundamentação do despacho judicial de aplicação das medidas: técnicas aceites e recusadas pela jurisprudência. Valoração dos indícios e presunção de inocência. 5. As medidas de coacção em especial: o termo de identidade e de residência. A caução. A obrigação de apresentação periódica. A suspensão 3

4 do exercício de funções, de profissão e de direitos. A proibição de permanência, de ausência e de contactos. A obrigação de permanência da habitação. O sistema de vigilância electrónica (Lei n.º 122/99, de 20 de Agosto). A prisão preventiva. 6. Legislação especial e medidas de coacção. 7. As medidas de garantia patrimonial: a caução económica e o arresto preventivo de bens. Conteúdo e articulação. 8. O regime da revogação, alteração e extinção das medidas de coacção. 9. Os modos de impugnação das medidas: o recurso e o habeas corpus. 10. Indemnização por privação ilegal ou injustificada da liberdade. TEORIA DA PROVA 1. Conceito e função da prova em processo penal. 2. Meios de prova, meios de obtenção da prova, regras de produção da prova e valoração da prova produzida. 3. A verdade ontológica e a verdade judicial. 4. Prova, contraditório e fundamentação. 5. Objecto da prova, facto probando, facto probatório e valoração. 6. A actividade probatória da acusação, da defesa e do assistente. O Tribunal e a prova num sistema acusatório mitigado. Ónus da prova e ónus da argumentação. 7. A prova de pressupostos positivos e negativos da responsabilidade penal. 8. A prova de factos previstos em normas penais favoráveis. II 4

5 9. Princípio da investigação e verdade material: sentido e limites. 10. O princípio da livre apreciação da prova, a imediação e a vinculação do Tribunal à prova realizada. 11. O princípio in dubio pro reo: conteúdo, fundamento e alcance. 12. Perspectiva geral dos meios de prova em processo penal. Liberdade e legalidade. Meios «atípicos» de prova. Prova estática e prova dinâmica. A prova testemunhal e a prova por declarações de interessados. A prova pericial. Prova documental. Os autos e o valor probatório do auto de notícia. 13. Meios de prova: análise na especialidade. A prova testemunhal; a lei de protecção de testemunhas (Lei n.º 190/2003, de 22 de Agosto); os impedimentos, recusas e regimes de segredo; os regimes de segredo e a Lei n.º 5/2002, de 11 de Janeiro (medidas de combate à criminalidade organizada e económico-financeira); as declarações do arguido, do assistente e das partes civis; a acareação; a prova por reconhecimento; a reconstituição do facto; a prova documental; as perícias e o regime jurídico das perícias médico-legais e forenses (Lei n.º 45/2004, de 18 de Agosto). As conversas informais: conceito e admissibilidade de uso. Direito ao silêncio e privilégio contra a auto-incriminação: origem, fundamento e conteúdo. A revisão de 2013: o novo regime de prestação e uso de declarações prévias do arguido. 14. Meios de obtenção da prova: exames, revistas e buscas; as apreensões; gravações, intercepção de correspondência e escutas telefónicas. Dados de tráfego, dados de base e conteúdo das telecomunicações. A jurisprudência nacional sobre a obtenção de dados de tráfego e o seu regime depois de A delimitação de regimes decorrente da entrada em vigor da Lei do Cibercrime (Lei n.º 109/2009, de 15 de Setembro). As 5

6 provas obtidas por agentes infiltrados e agentes provocadores - a Lei n.º 101/2001, de 25 de Agosto (acções encobertas para fins de prevenção e investigação criminal). Os conhecimentos fortuitos: validade jurídica e admissibilidade de uso (processual e extra processual). 15. Os princípios relativos à produção de prova (ou princípios relativos à forma): conteúdo, sentido e limites. A publicidade, a imediação e a concentração temporal. A sujeição dos meios de prova ao contraditório. O registo de declarações para memória futura. 16. Valoração das provas: o sistema da prova livre e a livre apreciação da prova origem, evolução histórica, vantagens e debilidades. A regra da imediação e a proibição de valoração das provas. As variantes judiciais relativas à imediação. Valoração das provas periciais e documentais. Ausência de prova no julgamento e direito do arguido ao silêncio. Valoração das provas obtidas por colaboração de arguidos e arrependidos. Valoração da prova obtida em «acções encobertas»: o relatório da acção e o depoimento do agente encoberto. Valoração da prova e fundamentação da decisão (remissão para o n.º 19). 17. Proibições de prova e Constituição material. O artigo 32.º, n.º 8 CRP e o artigo 126.º CPP. A cláusula de «abusiva intromissão» (artigo 32.º, n.º 8, CRP). Temas proibidos de prova. Proibição de obtenção e proibição de valoração da prova. Proibições absolutas e relativas. A legalidade, a necessidade, a proporcionalidade, a protecção do núcleo essencial do Direito. Casos especiais de proibição de prova. 18. O regime jurídico das provas proibidas: prova ilegal e prova proibida. Meios ilícitos de prova, nulidade e inadmissibilidade das provas. Regime das nulidades. A nulidade prevista no artigo 126.º do CPP. O efeito consequencial das nulidades: o efeito-à-distância e a teoria da árvore 6

7 envenenada. Interrupção do efeito consequencial das provas proibidas: critérios legais, doutrinários e a jurisprudência do Tribunal Constitucional. Consequências no Direito Penal substantivo. Utilidade remanescente das provas nulas: responsabilização criminal de autoridades judiciárias ou agentes policiais. Prova proibida e notícia do crime. 19. A produção da prova na audiência de julgamento. Os limites decorrentes da estrutura acusatória e o alcance do princípio da imediação. A leitura de autos. A leitura do auto de notícia em audiência e o depoimento de quem o lavrou. A documentação da audiência e o registo da prova. Os requisitos da sentença, a crítica da prova e dever de fundamentação da decisão. III OS ACTOS PROCESSUAIS E O SISTEMA LEGAL DE DESVALOR DOS ACTOS 1. Os actos processuais: modalidades e regimes. 2. A forma dos actos e o dever de fundamentação. 3. Publicidade, limites à publicidade e segredo de justiça. 4. A comunicação dos actos e o regime de notificações. 5. Os prazos processuais. 6. O regime de aceleração do processo. 7. O sistema legal do desvalor dos actos processuais: nulidades e irregularidades. O problema da inexistência. A inadmissibilidade das provas proibidas e das provas ilegais. A ineficácia. 7

8 8. Regime das nulidades: conteúdo, sanação e efeitos. As nulidades absolutas e as nulidades mistas. Nulidades especiais. 9. Regime de arguição e efeitos das irregularidades processuais. 10. O sistema de invalidade e o recurso à analogia. IV IMPUGNAÇÃO DOS ACTOS JUDICIAIS E O REGIME DOS RECURSOS 1. Noções básicas: conceitos, modalidades e funções dos recursos. 2. Aspectos gerais: recorribilidade e legitimidade. 3. Momento, forma e efeitos da interposição do recurso. Reparação e recurso. 4. Âmbito, fundamento, efeitos e limites dos recursos. 5. A tramitação do recurso. Recursos para a Relação e para o Supremo Tribunal de Justiça. 6. Os recursos extraordinários: conceito, função e espécies. O recurso para fixação de jurisprudência e o recurso de revisão. 7. O recurso para o Tribunal Constitucional. 8

9 BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 1 AAVV- A Reforma do Direito Processual Penal Português em perspectiva teóricoprática, in RPCC 18 (2008) AAVV Que futuro para o Direito Processual Penal? Simpósio de Homenagem a Jorge de Figueiredo Dias, por ocasião dos 20 anos do Código de Processo Penal Português, Coimbra: Coimbra Editora, 2009 ALBUQUERQUE, Paulo Pinto de Comentário do Código de Processo Penal, 4.ª edição actualizada, Lisboa: UCP, 2011 ANDRADE, Manuel da COSTA - Sobre as proibições de prova em Processo Penal, Coimbra: Coimbra Editora, 1992 (ou reimpressão posterior) --- «Sobre o regime processual penal das escutas telefónicas», in RPCC 1 (1991) --- «Escutas telefónicas, conhecimentos fortuitos e Primeiro Ministro» in RLJ n.º 3962, ano 139 (2010), pp «O regime dos conhecimentos da investigação em processo penal. Reflexões a partir das escutas telefónicas», in RLJ n.º 3981, ano 142 (2013), pp BELEZA, Teresa Pizarro - Apontamentos de Processo Penal, com a colaboração de outros autores, 3 volumes, Lisboa: AAFDL, 1992, 1993 e 1995 BELEZA, Teresa Pizarro/Pinto, Frederico de L. da Costa (org.) Prova criminal e direito de defesa, Coimbra: Almedina, 2010 (2.ª reimpressão, 2013) CORREIA, João Conde - Contributo para a análise da inexistência e das nulidades processuais penais, Coimbra: Coimbra Editora, 1999 CEJ (org.) Jornadas sobre a revisão do Código de Processo Penal, Revista do CEJ 9 (2008), número especial --- As alterações de 2010 ao Código Penal e ao Código de Processo Penal, coordenação de Rui do Carmo e Helena Leitão, Coimbra: Coimbra Editora/CEJ, 2011 DIAS, J. FIGUEIREDO/ANDRADE, M. COSTA/PINTO, FREDERICO COSTA - Supervisão, direito ao silêncio e legalidade da prova, Coimbra: Almedina, 2009 FDUL/OA (org.) Jornadas de Direito Processual Penal e Direitos Fundamentais, coord. científica de Maria Fernanda Palma, Coimbra: Almedina, As obras referidas nesta listagem são elementos relevantes de estudo que, em conjunto, cobrem todos os pontos do programa. Além destas, serão indicadas outras obras ao longo do semestre para aprofundar pontos específicos da matéria, sem prejuízo da investigação bibliográfica autónoma que cada aluno/a deve realizar. 9

10 GASPAR, António Henriques et al. - Código de Processo Penal Comentado, Coimbra: Almedina, 2014 LEITE, André Lamas (org.) As Alterações de 2013 aos Código Penal e de Processo Penal: uma Reforma «cirúrgica»?, Coimbra: Coimbra Editora, 2014 MENDES, Paulo de SOUSA - «A prova penal e as regras da experiência» in Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor Jorge de Figueiredo Dias, Volume III, Coimbra: Coimbra Editora, 2010, pp. 997 e ss. --- Lições de Direito Processual Penal, Coimbra: Almedina, 2013 PINTO, Frederico de Lacerda da COSTA «Publicidade e segredo na revisão do Código de Processo Penal» in Revista do CEJ 9 (2008), pp «Depoimento indirecto, legalidade da prova e direito de defesa», Estudos em Homenagem ao Prof. Doutor Jorge de Figueiredo Dias, Volume III, Coimbra: Coimbra Editora, 2010, pp e ss. --- «Razão e finalidade na revisão de 2013 do Código de Processo Penal», Themis ano XIII, n.º 24/25 (2013), p SANTOS, Manuel Simas/LEAL-HENRIQUES, Manuel - Recursos Penais, 8.ª ed., Lisboa: Rei dos Livros, 2011 (ou edição posterior) SILVA, Germano MARQUES DA Curso de Direito Processual Penal, vol. II (5ª ed.) Verbo,

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