INICIAÇÃO AO IMPROVISO: GUITARRA
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1 INICIAÇÃO AO IMPROVISO: GUITARRA AUTOR: ALEXANDRE ORESTES ALVES Uberlândia, Fevereiro de 2007
2 2 INICIAÇÃO AO IMPROVISO: GUITARRA
3 3 SUMÁRIO Introdução Licão Licão Licão Licão Licão Licão Licão Licão Licão Licão Repertório As rosas não falam Azul da cor do mar Gente humilde Nada além A paz Conclusão e referências
4 4 INTRODUÇÃO Este relatório é o resultado final em virtude do projeto Iniciação ao improviso na guitarra, vinculado à disciplina Metodologia do ensino e aprendizagem musical, através do Projeto Integrado de Prática Educativa 02 (PIPE 02) que tinha por finalidade estabelecer o plano geral para a execução do trabalho de criação de material pedagógico vinculado à temática Metodologia de ensino musical. Ele visa dar ao iniciante em guitarra os elementos básicos para começar a desenvolver-se nesta área. Elaborei este trabalho especialmente para utilizá-lo com os meus alunos e otimizar o tempo durante as aulas. Grande parte do material é de criação própria extraída da minha própria experiência no ensino musical ao longo de 15 anos. Além disso, fiz uso de um único livro sobre o assunto e alguns sites da internet. O relatório está dividido em 10 lições práticas que levará o aluno gradativamente a desenvolver seu lado criativo no improviso. Faz-se obrigatório o acompanhamento de um professor qualificado e o uso de pelo menos duas guitarras ou um violão e uma guitarra para o uso deste método durante as aulas. No estudo individual o aluno poderá contar com a ajuda de um CD PLAYBACK que acompanha o método. A parte final contém um repertório de cinco músicas para colocar em prática as teorias estudadas. Estas também estão no CD.
5 Licão 1 Objetivo específico: Aprender a tocar as escalas pentatônicas para improvisar e desenvolver agilidade. Nesta primeira aula iremos aprender a tocar no braço da guitarra as escalas pentatônicas maiores e menores. Teremos dois modelos de digitação para cada uma delas. Como esta escala é formada por apenas cinco notas, julgo por mim, que facilitará o nosso início no improviso. Isso ocorre por ser relativamente fácil digitá-la no braço da guitarra devido à ausência dos intervalos de quarta justa e sétima maior na pentatônica maior, e também devido à ausência dos intervalos de segunda maior e sexta menor na pentatônica menor, em relação à escala maior e menor naturais. Deve-se tocá-la subindo e descendo de forma lenta, até que esteja decorada. Para isso tente fazer três seqüências de cinco repetições em cada uma delas, trocando de casa em cada repetição. Assim você estará mudando a tonalidade a medida em que for repetindo. E lembre-se de aumentar a velocidade gradativamente a medida em que for aquecendo. As escalas são: G A D E A C PENTA MAIOR 1 E G C D 5 C D G A D E PENTA MAIOR 2 A C E C G D G A D E A C PENTA MENOR 1 E G C D A A C E G C D PENTA MENOR 2 G A D E A C
6 Licão 2 Objetivo específico: Aprender a tocar as escalas maiores e menor natural e desenvolver agilidade com um exercício de seqüência em 3 por 3 e outros. Use as mesmas técnicas de treino da Licão um para estas escalas. As escalas são: 6 G A D E F A B C MAIOR 1 E F G C D G A B C D G A D E F MAIOR 2 A B C E F C D E F A B C MENOR 1 E F G B C D A G D A B C E F G B C D MENOR 2 G A D E F A B C O exercício 3 por 3 é o seguinte: (CDE / DEF / EFG / FGA / GAB / ABC ) DEVE-SE EXECUTAR ESTA SEQUENCIA ATÉ O FIM DA ESCALA E FAZER O CAMINHO REVERSO. Outras seqüências: 4 por 4 ( CDEF / DEFG / EFGA / FGAB / GABC ) 5 por 5 ( CDEFG / DEFGA / EFGAB / FGABC ) Em intervalos de teças: ( CE / DF / EG / FA / GB / AC )
7 Licão 3 Cd faixa 1 Objetivo específico: Iniciar o improviso com motivos. O motivo é a menor estrutura rítmica de uma frase. Assim como na língua temos frases e palavras, também as temos na música. O motivo seria então, por analogia, as palavras de uma frase. Exemplo: 7 FRASE /4 Motivo (palavras) Motivo Motivo Motivo Com o acompanhamento abaixo em ritmo de bossa nova, vamos executar a escala pentatônica menor na tonalidade de Am. Utilize o mesmo motivo e a mesma nota da escala em cada compasso. De preferência a fundamental de cada acorde. 2/4 Am G F E7 2/4 Motivo Obs: o professor deve executar a base e o aluno os motivos.
8 Licão 4 Cd faixa 1 e 2 Objetivo específico: iniciar o improviso com motivos Com o mesmo acompanhamento da Licão anterior, e com a mesma escala, vamos tocar o motivo com duas notas para cada compasso.e depois tentar acrescentar três notas. Agora vamos montar um pequeno planejamento de improviso.em três repetições toque assim: Am G F E7 Uma nota por compasso 8 Am G F E7 Duas notas por compasso Am G F E7 Três notas por compasso Faça o mesmo com o motivo e o acompanhamento abaixo, mas agora em ritmo de blues e no tom de C : Motivo: 4/4 4/4 C Am Dm G7 Uma nota por compasso C Am Dm G7 Duas notas por compasso C Am Dm G7 Cinco notas por compasso
9 Licão 5 Cd faixa 3 Objetivo específico: Improvisar com motivos e expandir o uso do braço da guitarra. 9 Utilize o seguinte motivo e base abaixo com as escalas pentatônicas maiores em ritmo de pop rock. Motivo: 4/4 4/4 C Am Dm G7 Obs: O primeiro compasso do motivo ficará para o acorde de C, e o segundo compasso para o acorde de Dm. No exercício abaixo use uma escala para cada seqüência junto com o ritmo e motivo acima: 4/4 C Am Dm G7 penta maior1 C Am Dm G7 penta maior2 Am C Dm E7 penta menor1 Am C Dm E7 penta menor2
10 Licão 6 Cd faixa 4 Objetivo específico: Improvisar com motivos e expandir o uso do braço da guitarra com as escalas maior menor natural e pentatônicas maior e menor. Utilize o seguinte motivo e base abaixo com as escalas maiores em ritmo de pop rock. Motivo: 4/4 4/4 C Am Dm G7 Maior 1 4/4 C Am Dm G7 Maior 2 4/4 Am C Dm E7 Menor 1 4/4 Am C Dm E7 Menor 2 4/4 C Am Dm G7 penta maior1 4/4 C Am Dm G7 Maior 2 4/4 Am C Dm E7 penta menor1 10
11 Licão 7 Cd faixa 5 Objetivo específico: Improvisar com motivos, acrescentando técnicas guitarrísticas para variar o motivo. Podemos fazer uso de varias técnicas de efeitos no improviso. São elas: - [b]: Bend s - Consiste em "esticar" uma ou mais cordas, de forma a subir o tom da nota tocada. Esta "subida" pode ser de 1/4 de tom, 1/2 tom (uma casa), 1 tom inteiro (2 casas-chamado de "full-bending") ou até de 1 1/2 tom (3 casas).os dedos utilizados para fazer bends são os 1, 2 e 3 - dificilmente utiliza-se o 4 para isso - e existe uma "cooperação" entre eles. por exemplo, se você vai fazer um bend com o dedo 2, utilize o dedo 1 na mesma corda, para auxiliá-lo no bend. Se o dedo for o 3, você pode usar 1 e 2 para esticar a corda junto com ele. Isto dá mais firmeza e divide a força usada entre todos os dedos, causando menos cansaço - e um efeito mais preciso. - [h]: hammer-on (tocar a nota colocando dedo da mão esquerda, sem palhetar) - [p]: pull-off (tocar a nota tirando o dedo da ME, s/ palhetar) - [/]: slide up ("escorregar" o dedo escala acima) - [\]: slide down ("escorregar" o dedo escala abaixo) - [~]: vibrato ( toque a nota e vibre a mão esquerda de um lado para o outro ) - [~w/bar]: vibrato com alavanca Nas improvisações a seguir iremos aplicar estas técnicas sobre os motivos que já foram vistos. Tom: G - Ritmo blues 4/4 G7+ Bm7 Am7 D7 Use: hammer-on e pull-of 11 4/4 G7+ Bm7 Am7 D7 Use: slides up e down 4/4 G7+ Bm7 Am7 D7 Use: vibratos com alavanca e com a mão 4/4 G7+ Bm7 Am7 D7 Use: todas as técnicas guitarrísticas Referencias
12 Licão 8 Cd faixa 6 Objetivo específico: Entender e usar seqüências nas improvisações. Uma seqüência pode ser definida como encadeamento de notas sobre um motivo, uma escala ou um arpejo. Por exemplo: tocam-se as notas C D E, em seguida D E F, E F G, F G A e assim por diante. 12 Observe que a primeira nota do motivo segue a seqüência da escala maior natural. Poderia ainda ser outra escala ou até mesmo um arpejo. Veja outro exemplo sobre um arpejo de Am: A G E D C A G E E C G A Podemos mudar o motivo a escala ou o arpejo e criar infinitas possibilidades com esta aplicação. No acompanhamento abaixo use o seguinte motivo e aplique a idéia de seqüências. 2/4 ) 2/4 E7+ G#m7 A7+ B7/9 2/4 E7+ G#m7 A7+ B7/9
13 Licão 9 Cd faixa 7 Objetivo específico: Aplicar dinâmica, e outros parâmetros do som nas frases criadas na improvisação. 13 A música é a linguagem das emoções. E as emoções estão associadas à dinâmica musical. A dinâmica é definida como Graduação dos níveis de intensidade dos sons, durante a execução de um trecho musical, por meio de nuanças que vão do fortíssimo ao pianíssimo, quer em progressão mais ou menos lenta, quer em oposição brusca. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0 Os parâmetros que iremos usar agora envolverão a execução da seguinte forma: FORTE - SUAVE (PIANO) AGUDO - GRAVE CURTO - LONGO RÁPIDO - LENTO ( Agitada ) ( Dramática ) ( Romântica ) Para que uma música seja romântica ela deve conter notas suaves, graves e agudas, longas e lentas. Para ser agitada como um rock, por exemplo ela deverá conter notas fortes, agudas e graves, curtas e rápidas. Observe que a textura do som é fixa. As musicas líricas de DEBUSSY e MOUSSORGSKY exemplificam bem este estilo. Agora em última análise, para que uma música seja dramática, ela deve conter notas que oscilam entre os dois extremos. Que sejam contrastantes na sua textura. A titulo de exemplo temos as musicas de BETHOVEM. Vamos aplicar essas idéias na base abaixo agora use todas as técnicas estudadas até agora com a orientação ao lado. 4/4 G7+ Em7 C7+ Am7 D7 Use romantismo 4/4 G7+ Em7 C7+ Am7 D7 Use agitação 4/4 G7+ Em7 C7+ Am7 D7 Use o drama Referências: Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0 MURRAY, Schafer.O ouvido pensante. Editora: Atlética. São Paulo, Trad. Marisa T. O. F.
14 Licão 10 Objetivo específico: Criar uma música usando a paisagem sonora. 14 Chamamos de paisagem sonora a combinação de todas as potencialidades expressivas do som que são: - Ritmo: Envolve os motivos, frases seqüências, formulas de compasso. - Melodia: Sucessão de notas, ascendente ou descendente, a intervalos diferentes, e que encerram certo sentido musical. - Amplitude: Extensão entre o grave e o agudo. - Timbre: Efeito acústico. Qualidade distintiva de sons da mesma altura e intensidade, e que resulta da quantidade de harmônicos existentes com o som fundamental. - Silencio: Ausência de som. - Textura: Quantidade de sons executados ao mesmo tempo. Pode ser densa quando com muitas notas, ou leve quando com poucas notas. - Ruído: som indesejado. Toda música é uma paisagem sonora. E toda paisagem da natureza ou do cotidiano pode ser interpretada pelos parâmetros do som acima citados. Para ilustrar vamos tentar improvisar uma melodia para uma paisagem da natureza. Imagine um por do sol avermelhado sobre as águas serenas de uma praia. Ouça o som das águas alisando as rochas e o canto dos pássaros. Crie uma base e uma melodia para esta cena usando tudo que você aprendeu! Depois utilize outros exemplos de paisagens e crie suas próprias músicas.
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24 24 CONCLUSÃO Foi muito agradável desenvolver este método. Tive que fazer uma pequena modificação no titulo do relatório para adaptar melhor ao que eu queria desenvolver, mas acho que não fugiu do objetivo geral. Espero poder usar este material com meus alunos de guitarra durante muito tempo. Quanto ao conteúdo abordado, procurei abranger de forma reduzida todos os tópicos citados no projeto, mas ainda ficou faltando o assunto sobre forma musical, aumentação, diminuição, retrogrado e nota alvo. Terei que abordar estes assuntos nas lições individuais com meus alunos ou no desenvolvimento de outro m projeto como esse. Como já citei anteriormente, este método deverá ser usado com o auxílio de um professor qualificado. REFERÊNCIAS MURRAY, Schafer.O ouvido pensante. Editora: Atlética. São Paulo, Trad. Marisa T. O. F. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0.Editora: Positivo Informática Ltda. São Paulo, acessado em 25/01/2006, as 13hs30. CHEDIAK, Almir. Song book As 101 melhores canções do século XX. Editora: Chappell Edições Musicais LDTA. Rio de Janeiro, 1970.
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