REPRESENTAÇÃO ELEITORAL

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1 MINISTÉRIO PÚBLICO DA 3ª ZONA ELEITORAL NATAL ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE EXCELENTÍSSIMA SENHORA JUÍZA DA 3ª ZONA ELEITORAL DE NATAL, ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE: O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL, por intermédio do órgão de execução que oficia perante essa 3ª Zona Eleitoral, no exercício das atribuições conferidas pelos artigos 24, incisos VI e VII; 35, inciso V e 245, 3º, todos da Lei nº 4.737/65 (Código Eleitoral); 129, inciso IX da Constituição Federal de 1988; 96, inciso I da Lei nº 9.504/97; 78 e 79 da Lei Complementar nº 75/93 e 64 da Lei Complementar Estadual nº 141/96, vem, à presença de Vossa Excelência, propor a presente REPRESENTAÇÃO ELEITORAL em desfavor de JOÃO MARIA DE SOUZA IRMÃO, conhecido por JOÃO DA SAÚDE, brasileiro, nascido em , filho de Afonso José de Souza e Francisca Araújo de Souza, portador do Título de Eleitor nº , com endereços na rua Panamá, 21, Cidade Praia, ou rua Royal Cinema, 2983, ambos em Natal/RN, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. 1 DOS FATOS Emerge da inclusa documentação que o Representado, na condição de filiado ao PHS, vem fazendo propaganda eleitoral antecipada, mediante a distribuição e colocação de adesivos em carros e imóveis contendo a mensagem JOÃO DA SAÚDE. Trata-se, pois, de manifestação com evidente escopo de promoção pessoal e captação de eleitorado perfectibilizada muito antes do prazo permitido por lei para a divulgação de propagandas de cunho eleitoral, fato que merece imediata reprimenda desse Juízo, no exercício de seu poder de polícia de propaganda política.

2 2 DO DIREITO Num Estado Democrático de Direito como a República Federativa do Brasil, o princípio de liberdade informa a vida de todos os cidadãos, inclusive dos que exercem a cidadania passiva, isto é, dos que pretendem ocupar cargos públicos, sejam eles eletivos ou não. Em razão da amplitude que alcança o princípio da liberdade no atual contexto histórico, o Estado só pode formular limitações a tal princípio quando se mostrarem razoáveis. Dessa maneira, a lei eleitoral brasileira prega a liberdade de propaganda política, mas estabelece limites a esta, exatamente para garantir a igualdade entre os competidores do pleito eleitoral, bem como para evitar o abuso do poder nas eleições. Ribeiro 1 : Discorrendo sobre o conceito de propaganda, aduz Flávila A propaganda é um conjunto de técnicas empregadas para sugestionar pessoas na tomada de decisão. Despreza a propaganda a argumentação racional, prescindindo do esforço persuasivo para demonstração lógica da procedência de um tema. Procura, isto sim, desencadear, ostensiva ou veladamente, estados emocionais que possam exercer influência sobre as pessoas. Por isso mesmo, com a propaganda não se coaduna a análise crítica de diferentes proposições, desde que procura induzir por recursos que atuam diretamente no subconsciente individual. Em respeito a esses princípios constitucionais (igualdade e liberdade), foram editadas no Brasil diversas normas que regulam a propaganda política. Investida desse mister, a Lei nº 9.504/97, em seu artigo 36, estabelece: Art. 36. A propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição. 1º Ao postulante a candidatura a cargo eletivo é permitida a realização, na quinzena anterior à escolha pelo partido, de propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu nome, vedado o uso de rádio, televisão e outdoor. 2º No segundo semestre do ano da eleição, não será veiculada a propaganda partidária gratuita prevista em lei nem permitido qualquer tipo de propaganda política paga no rádio e na televisão. 3º A violação do disposto neste artigo sujeitará o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário, à multa no valor de vinte mil a cinqüenta mil UFIR ou equivalente ao custo da propaganda, se este for maior. Grifos acrescidos. A Resolução nº do Tribunal Superior Eleitoral, datada de 13 de dezembro de 2011, estatui o calendário para as eleições de 2012 e dispõe, em seu artigo 1º, 1 Apud Vera Maria Nunes Michels. Direito eleitoral. 2 ed. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2002, p. 71.

3 que a propaganda eleitoral é permitida a partir de 6 de julho de 2012 (Lei nº 9.504/97, art. 36, caput e 2º). Art. 1º A propaganda eleitoral é permitida a partir de 6 de julho de 2012 (Lei nº 9.504/97, art. 36, caput e 2º). 1º Ao postulante a candidatura a cargo eletivo, é permitida a realização, na quinzena anterior à escolha pelo partido político, de propaganda intrapartidária com vista à indicação de seu nome, inclusive mediante a fixação de faixas e cartazes em local próximo da convenção, com mensagem aos convencionais, vedado o uso de rádio, televisão e outdoor (Lei nº 9.504/97, art. 36, 1º). 2º A propaganda de que trata o parágrafo anterior deverá ser imediatamente retirada após a respectiva convenção Art. 71. Todo cidadão que tiver conhecimento de infração penal prevista na legislação eleitoral deverá comunicá-la ao Juiz da Zona Eleitoral onde ela se verificou (Código Eleitoral, art. 356, caput). 1º Quando a comunicação for verbal, mandará a autoridade judicial reduzi-la a termo, assinado pelo comunicante e por duas testemunhas, e remeterá ao órgão do Ministério Público local, que procederá na forma do Código Eleitoral (Código Eleitoral, art. 356, 1º). 2º Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e documentos complementares ou outros elementos de convicção, deverá requisitá-los diretamente de quaisquer autoridades ou funcionários que possam fornecê-los (Código Eleitoral, art. 356, 2º). Art. 72. Para os efeitos da Lei nº 9.504/97, respondem penalmente pelos partidos políticos e pelas coligações os seus representantes legais (Lei nº 9.504/97, art. 90, 1º). Art. 73. Nos casos de reincidência no descumprimento dos arts. 54 e 55 desta resolução, as penas pecuniárias serão aplicadas em dobro (Lei nº 9.504/97, art. 90, 2º). Art. 78. Ninguém poderá impedir a propaganda eleitoral nem inutilizar, alterar ou perturbar os meios lícitos nela empregados, bem como realizar propaganda eleitoral vedada por lei ou por esta resolução (Código Eleitoral, art. 248). Art. 74. A representação relativa à propaganda irregular deve ser instruída com prova da autoria ou do prévio conhecimento do beneficiário, caso este não seja por ela responsável (Lei nº 9.504/97, art. 40-B). 1º A responsabilidade do candidato estará demonstrada se este, intimado da existência da propaganda irregular, não providenciar, no prazo de 48 horas, sua retirada ou regularização e, ainda, se as circunstâncias e as peculiaridades do caso específico revelarem a impossibilidade de o beneficiário não ter tido conhecimento da propaganda (Lei nº 9.504/97, art. 40-B, parágrafo único). 2º A intimação de que trata o parágrafo anterior poderá ser realizada por candidato, partido político, coligação ou pelo Ministério Público, por meio de comunicação feita diretamente ao responsável ou beneficiário da propaganda, com prova de recebimento, devendo dela constar a precisa identificação da propaganda apontada como irregular.

4 Art. 79. As reclamações, as representações e os recursos sobre a matéria disciplinada nesta Instrução são considerados de natureza urgente, devendo seu julgamento preferir aos demais. Art. 76 Omissis 1º O poder de polícia sobre a propaganda eleitoral será exercido pelos Juízes Eleitorais e pelos Juízes designados pelos Tribunais Regionais Eleitorais (Lei nº 9.504/97, art. 41, 1º) Grifos acrescidos. Interpretando as normas acima referidas, conclui-se constituir propaganda eleitoral antecipada e, portanto, ilegal, toda manifestação, direta ou subreptícia, na qual o postulante a cargo eletivo tenta cooptar o voto dos eleitores, por meio de divulgação de suas qualidades e propostas antes do dia 06/07/12. A respeito da propaganda irregular escreve Joel J. Cândido 2 que são exemplos de propaganda irregular (ordinária): a propaganda eleitoral extemporânea, assim considerada a que descumprir o disposto no art. 36, caput, da Lei das Eleições. Compartilhando desse entendimento, salienta Vera Lúcia Nunes Michels 3 que a propaganda extemporânea, a que é feita fora da época permitida, ou seja, propaganda realizada antes do dia 5 de julho do ano da eleição, pode ser: direta ou explícita e indireta, disfarçada ou sugerida. questão da seguinte forma: O Tribunal Superior Eleitoral, por seu turno, já decidiu sobre a Agravo de instrumento. Recurso especial. Negativa de seguimento. Representação. Propaganda eleitoral antecipada. Pré-candidato. Entrevista. Televisão. Divulgação. Programa de governo. Aplicação. Multa. Ausência. Violação. Lei. Reexame. Inexistência. Dissídio. Jurisprudencial. Reiteração. Argumentos. Recurso. Fundamentos não atacados. Agravo regimental desprovido. - Agravo regimental que não infirma os fundamentos da decisão impugnada. Reiteração de argumentos do recurso. - Entende-se como ato de propaganda eleitoral aquele que leva ao conhecimento geral, ainda que de forma dissimulada, a candidatura, mesmo que apenas postulada, e a ação política que se pretende desenvolver ou razões que induzam a concluir que o beneficiário é o mais apto ao exercício de função pública. Precedentes. - Não cabe reexame de provas em sede de recurso especial (Súmulas nos 279/STF e 7/STJ). - Dissídio jurisprudencial não caracterizado. - Agravo regimental a que se nega provimento. Tribunal Superior Eleitoral. Acórdão n.º 8.144, de , DJU de , rel. Min. Gerardo Grossi, Agravo Regimental no Agravo de Instrumento, Classe 2ª, MARANHÃO (São Luís). Diante disso, considerando o princípio do controle judicial da propaganda, bem como o fato de à Justiça Eleitoral caber o poder de polícia sobre ela, ingressa o 2 Direito eleitoral brasileiro. 12 ed. Bauru: Edipro, 2006, p Direito eleitoral. 2 ed. Porto Alegre: Livraria do advogado, 2002, p. 81.

5 Ministério Público com esta representação, com o escopo de ver punido o responsável pelo ilícito e de ser determinada a cessação da propaganda irregular em questão. 3 DOS PEDIDOS: douto Juízo Eleitoral: Diante do exposto, o Ministério Público Eleitoral requer a esse 1) seja determinado ao Representado, liminarmente, o imediato recolhimento de todos os adesivos colocados em carros E imóveis contendo a mensagem JOÃO DA SAÚDE, sob pena de fixação de multa pessoal no valor de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia de descumprimento; 2) seja determinada a citação do Representado para responder à representação e ser ouvido em Juízo, se necessário; 3) seja determinado ao Chefe de Cartório da 3ª Zona Eleitoral para que certifique, nos autos, se tem conhecimento de qualquer outra propaganda antecipada nessa Zona referente ao citado Representado, indicando a sua localização; 4) seja, por fim, o Representado condenado: 4.1) ao adimplemento de obrigação de fazer consistente no recolhimento de todos os adesivos colocados em carros e imóveis contendo a mensagem JOÃO DA SAÚDE, sob pena de fixação de multa pessoal no valor de R$ 100,00 (cem reais) por cada adesivo não recolhido; 4.2) ao adimplemento de obrigação de não fazer propaganda eleitoral extemporânea, consubstanciada na tutela específica inibitória de abstenção de distribuir adesivos contendo a mensagem JOÃO DA SAÚDE, sob pena de fixação de multa pessoal no valor de R$ 100,00 (cem reais) por cada adesivo distribuído; 4.3) ao pagamento da multa prevista no parágrafo 3º do artigo 36 da Lei Federal nº 9.504/97 (Art. 36. A propaganda eleitoral somente é permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição. ( ) 3 A violação do disposto neste artigo sujeitará o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado o seu prévio conhecimento, o beneficiário à multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ ,00 (vinte e cinco mil reais), ou ao equivalente ao custo da propaganda, se este for maior). Protesta provar o alegado por meio do rol de documentos juntados a essa representação, bem como por todas as formas de prova admitidos no ordenamento jurídico.

6 Deixa-se de atribuir valor à causa, haja vista a inexistência de custas ou condenação em honorários sucumbenciais nos feitos eleitorais. Natal (RN), 03 de maio de Giovanni Rosado Diógenes Paiva Promotor Eleitoral

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