Histórias do arco da velha
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- Elisa Ximenes Sampaio
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1 Histórias do arco da velha Adérito Araújo Departamento de Matemática Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugal Abstract Seguindo [1], usaremos o pricípio do tempo mínimo de Fermat para o caminho percorrido pela luz para derivar as leis da reflexão e da refracção Posteriormente analisaremos a passagem da luz por uma gota de água para explicar qualitativamente o fenómeno do arcoíris 1 O problema Depois de chover algumas horas ou mesmo durante 40 dias e 40 noites, se o sol aparecer e as gotas de água permanecerem no ar, poderemos presenciar um dos fenómenos metereológicos mais espectaculares: o arco-íris Depois de passar o espanto provocado pela beleza do espectáculo, a nossa curiosidade produz várias questões Porque é que o arco-íris é um arco circular? Como determinar a sua altura no céu? O porquê das cores e da sua ordenação? Porque é que certas vezes aparece um segundo arco? Vamos responder a algumas destas questões no decorrer deste trabalho 2 Breve referência histórica As primeiras explicações do fenómeno do arco-íris (AI) foram necessária e compreensivelmente mitológicas Os gregos diziam que a deusa Íris usava o arco (que passou, entre nós, a ser designado com o seu nome) para enviar um sinal de esperança mas também de aviso Na mitologia africana, o AI representava uma cobra enorme que aparecia nos dias de tempestade para comer Diziam também que a cobra comia as criancinhas que se aproximavam de uma das extremidades do arco O facto do arco aparentar tocar o chão levou muitos a procurar os tesouros que aí se escondiam Numa perspectiva menos capitalista, os índios americanos viam o arco como uma ponte ancorada neste mundo e que nos conduzia ao próximo Em Portugal o povo chama ao AI o arco da velha; o arco bebe água nos rios e pode secá-los; a velha cose ou penteia-se onde o arco poisa (ver [2]) Um provérbio popular diz: Arco da Velha Por água espera As superstições portugueses são análogas às da Nova Zelândia, Birmânia, Escócia, Bretanha e às de muitos outros locais do globo 1
2 No ano de 578 ac, o filósofo grego Anaximenes notou a relação entre o AI e o sol Em vez de atribuir ao fenómeno uma explicação mitológica, ele sugeriu que seriam as nuvens que moldavam a luz do sol produzindo um arco colorido Aristóteles usou a geometria de forma correcta, mas as leis da reflexão de forma deficiente, para concluir a estrutura circular do AI Gradualmente, os estudiosos começaram a notar que tanto a reflexão como a refracção da luz tinham algo a ver com o fenómeno do AI No séc XIV, Theodoric de Freiburg e o estudioso persa Kamal al-din al Farisi, independentemente, concluiram que as gotas de água eram a chave do problema Este facto foi constactado pela análise cuidada da luz ao atravessar um globo cheio de água O séc XVI foi muito profícuo na produção de livros sobre o assunto, mas poucos de grande importância No séc XVII, como seria de esperar, apareceram contribuições muito importantes sobretudo devido aos trabalhos de Kepler, Descartes, Newton, Fermat, entre outros Actualmente, os físicos continuam a limar arestas na teoria do AI Notemos que, a compreensão deste fenómeno está tão intimamente ligada ao conhecimento da natureza da luz que, até que as teorias da luz estejam completas, não cessam de aparecer questões novas sobre o AI 3 Reflexão É a luz do sol que origina o AI; por isso a primeira coisa a fazer, se desejarmos explicar o fenómeno, é compreender como é que a luz se comporta ao encontrar um obstáculo Em 1657, o famoso matemático Pierre Fermat dedicou a sua atenção ao estudo da inclinação da luz e estabeleceu o seguinte princípio, simples mas fundamental Princípio de Fermat: A luz percorre o caminho que minimiza o tempo total de viagem Consideremos primeiro a reflexão da luz Para facilitar o estudo geométrico do problema consideremos que a luz viaja na forma de raios Suponhamos que temos uma fonte de luz no ponto P na Figura 1 Suponhamos que um observador colocado no ponto Q observa a luz reflectida pelo espelho Figura 1: Reflexão da luz Questão 1 Em que ponto R do espelho a luz é reflectida? Resolução: O princípio de Fermat diz-nos que a luz segue um caminho que minimiza o tempo do percurso percorrido de P a Q passando pelo espelho Assumindo que, no nosso exemplo, a velocidade da luz é constante, o ponto R deve estar posicionado por forma a que o caminho 2
3 P RQ tenha comprimento mínimo Considerando os triângulos da Figura 1, obtemos a seguinte expressão para o comprimento do caminho, dada como função de x [0, d]: C(x) = p 2 + x 2 + q 2 + (d x) 2 Para determinar o comprimento mínimo, temos que calcular a derivada C (x) Assim, C (x) = Fazendo esta expressão igual a zero, obtemos Ora, uma vez que, na Figura 1, cos α = x p 2 + x d x 2 q 2 + (d x) 2 x p 2 + x 2 = d x q 2 + (d x) 2 x p 2 + x 2 e cos β = d x q 2 + (d x) 2, temos que C (x) = 0 implica cos α = cos β Como ambos os ângulos variam entre 0 o e 90 o, (ângulos agudos) concluimos que α = β Por conveniência, chamamos a α ângulo de incidência e a β ângulo de reflexão Para concluir a resposta à questão colocada temos ainda que resolver os seguintes exercícios Exercício 1 Verifique, calculando a segunda derivada, que encontrámos um mínimo de C(x) Exercício 2 Determine a distância x que minimiza o comprimento C(x) Note-se que assumimos como verdadeiro o princípio de Fermat Poderemos enunciar a conclusão do nosso raciocínio da forma seguinte Lei da reflexão: Para a reflexão, o ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão 4 Refracção Para resolver as questões relacionadas com o AI temos que compreender o que acontece quando a luz atravessa a água Suponhamos agora a seguinte situação: o ponto P continua a ser a fonte de luz no ar mas o ponto Q está agora na água Estamos interessados em conhecer o caminho percorrido pelo raio que sai de P e passa por Q Figura 2: Refracção da luz 3
4 Questão 2 Em que ponto R da superfície da água a luz é refractada? Resolução: que Seja c 1 a velocidade da luz no ar e c 2 a velocidade da luz na água Atendendo a tempo = espaço velocidade, temos que o tempo gasto pela luz do ponto P até ao ponto Q, como função de x [0, d], é dado por p T (x) = 2 + x 2 q (d x) 2 c 1 c 2 Para calcular o tempo mínimo calculemos a derivada T (x) = 1 c 1 x p 2 + x 1 d x 2 c 2 q 2 + (d x) 2 Fazendo T (x) = 0, obtemos ou seja sin α c 1 = sin β c 2, sin α sin β = c 1 c 2 Por outras palavras a razão entre o seno do ângulo de incidência α e o seno do ângulo de refração β é constante Exercício 3 Verifique, calculando a segunda derivada, que encontrámos um mínimo de T (x) Exercício 4 Determine a distância x que minimiza o comprimento Esta constante k = c 1 /c 2 é a razão entre a velocidade da luz no ar e na água O índice de refracção de um determinado meio é a razão entre a velocidade da luz no vácuo e a velocidade da luz nesse meio meio índice água 133 ar 1 Table 1: Alguns índices de refracção Atendendo à Tabela 1 temos que k = c 1 /c Poderemos enunciar a conclusão do nosso raciocínio da forma seguinte 4
5 Lei da refracção: A razão entre o seno do ângulo de incidência com o seno do ângulo de refracção é constante Note-se que: 1 Este resultado não depende da direcção de incidência da luz 2 Constatámos que se a luz viajar de um meio para outro com índice de refracção maior, o raio de luz inclina-se no sentido da perpendicular à superfície que separa os dois meios (chamada normal) Quando a luz viaja para um meio de índice de refracção menor, o raio afasta-se da normal 3 Foi Fermat (1657) quem enunciou o princípio que permitiu a dedução matemática da lei da refracção No entanto, alguns anos antes, o cientista holandês Willebrord Snell descobriu experimentalmente este resultado Por isso, esta lei é também conhecida por lei de Snell 5 O ângulo de arco-íris O AI forma-se pela interacção da luz do sol com as gotas de chuva Quando a luz viaja no ar e colide com uma gota, alguma luz é reflectida para o ar e outra é refractada ao entrar na gota Por sua vez, parte da luz dentro da gota é reflectida quando colide com o outro lado da gota e parte é refractada ao passar de novo para o ar Para percebermos como se forma o AI temos que perceber e não perder o rasto a estas reflexões e refracções provocadas na gota de chuva A forma da gota de chuva depende de muitos factores; no entanto, como uma boa aproximação podemos considera-la esférica Na Figura 3 está esquematizado um corte numa gota de chuva quando um raio de luz entra nela num ponto A Figura 3: Passagem da luz solar por uma gota de chuva A luz também é reflectida no ponto A mas no esquema da Figura 3 temos representado apenas a parte que entra na gota Uma vez que o índice de refracção da água é maior que o do ar, a lei da refracção diz-nos que o raio se inclina na direcção da normal Da geometria sabemos que a tangente à circunferência no ponto A é perpendicular ao raio do círculo no mesmo ponto Assim, a recta que contêm o raio do círculo que passa por A é a normal em A Na Figura 3, α é o ângulo de incidência e β o ângulo de refracção O raio de luz continua o seu percurso pela gota e atinge o ponto B Aqui, mais uma vez, parte da luz é reflectida e outra parte passa de novo para o ar Na figura seguimos a parte que é reflectida Em B a luz é reflectida e como tal o ângulo de incidência é igual ao ângulo de 5
6 reflexão Aqui o ângulo de incidência é o ângulo entre o raio e a tangente à circunferência em B Note-se que isto implica que ABO = OBC Quando o raio encontra de novo a superfície da gota em C, parte dele é reflectido e outra parte sofre refracção Se considerarmos a parte do raio que sai da gota (refracção) temos que o raio se desloca para um meio com índice de refracção menor e, como tal, afasta-se da normal A Figura 3 mostra-nos um caso de interacção entre um raio de luz e uma gota de água Em cada superfície da gota, uma parte do raio é reflectida e outra é refractada; e assim existem muitos percursos possíveis no interior da gota Percurso 1 O raio entra na gota e é repetidamente reflectido no seu interior Visto que em cada superfície parte do raio também é refractada para o ar, quando escolhemos seguir apenas uma parte estamos a seguir um raio que vai perdendo rapidamente luminosidade Queremos assim raios que colidam poucas vezes com a superície das gotas Percurso 2 O raio não chega a entrar na gota sendo imediatamente reflectido Este raio é muito luminoso mas não há interacção com a água e, como tal, o AI não é formado Percurso 3 O raio entra na gota em A e deixa a gota em B Este raio também tem uma intensidade luminosa grande mas, neste caso, teriamos que estar no lado direito da gota para ver a luz Ora, o AI é formado quando o sol está por trás do observador e a luz que ele emana é reflectida e refractada pela gota da chuva Assim, o raio traçado na Figura 3 é o raio mais simples que contribui para a formação do AI Note-se que o ponto A pode estar em qualquer parte do lado esquerdo da circunferência Se estiver na parte superior esquerda, o raio sai pela parte inferior Questão 3 Qual o ângulo de deflexão do raio quando sai da gota? Resolução: Consideremos o caso em que o raio atinge a gota ao longo do diâmetro da circunferência O ângulo de incidência é zero e o ângulo refracção também é zero uma vez que sin β = sin α k e, como β é um ângulo agudo, α = 0 implica β = 0 Assim, o raio volta a sair pelo mesmo local por onde entrou e então o ângulo de deflexão é de 180 o (no sentido dos ponteiros do relógio) O raio traçado na Figura 3 tem um ângulo de deflexão inferior a 180 o Note-se que à medida que o ponto A se move na circunferência, o ângulo de deflexão varia Assim o ângulo de deflexão é função do ângulo de incidência α Seja D(α) o ângulo de deflexão Atendendo à simetria existente entre a parte superior e inferior da circunferência, podemos considerar os pontos A apenas na parte superior esquerda Para esses pontos, α varia de 0 o 6
7 (no equador) a 90 o (no polo) Para determinar a deflexão total consideremos primeiramente a deflexão em A Figura 4: Deflexão em A Atendendo à Figura 4, observamos um desvio em A de α β graus no sentido dos ponteiros do relógio Vejamos agora em B Figura 5: Deflexão em B O desvio neste ponto foi de 180 2β graus no sentido dos ponteiros do relógio Finalmente, em C a deflexão é igual à de A, ou seja, α β graus no sentido dos ponteios do relógio (confirmar!) Concluimos então que sendo β uma função que depende de α D(α) = α β β + α β = α 4β, Questão 4 Será que D(α) admite um mínimo? Se sim qual é esse valor? Note-se que: 1 Se D(α) admitir um mínimo, então existe um ângulo α para o qual a derivada D (α ) = 0 Por outras palavras, a variação do ângulo de deflexão D(α) a dividir pela variação do ângulo de incidência é praticamente zero para ângulos α próximos de α, uma vez que D (α D(α) D(α ) ) = lim α α α α = 0 7
8 Assim, para α α temos D(α) D(α ), ou seja, muitos raios de luz com ângulos de incidência próximos α têm ângulos de deflexão aproximadamente iguais 2 Os raios com ângulos de incidência afastados do ponto crítico α terão ângulos de deflexão mais afastados entre si Note-se que se D D(α) D(ᾱ) (ᾱ) = lim = c 0, α ᾱ α ᾱ então para α ᾱ temos D(α) D(ᾱ) + c Assim, se olharmos para a luz que vem deflectida pela gota, os raios que vêm na direcção do ângulo de deflecção mínimo devem aparecer mais luminosos visto que estão mais concentrados Resolução: Vamos então resolver a questão 4 Como foi visto D(0) = 180 e, à medida que α aumenta, D(α), pelo menos de início, decresce Será que volta a crescer? Consideremos o caso em que α ]0, 90[ Como temos que D(α) = α 4β D (α) = 2 4 dβ dα, uma vez que β é função de α Atendendo a que sin α sin β concluimos, derivando esta expressão, = k sin α = k sin β cos α = k cos β dβ dα dβ dα = cos α k cos β Substituindo temos D (α) = 2 4 cos α k cos β Fazendo a derivada igual a zero sai que No entanto, como temos k 2 4 = cos2 α 1 1 sin2 α 4 = cos2 α k 2 sin 2 α 1 4 = k 2 cos α cos β = k 2 cos2 α cos 2 β = k2 4 cos2 α 1 sin 2 β = k2 4 sin β = sin α k cos 2 α k 2 (1 cos 2 α) k2 1 + cos 2 α = 4 cos 2 α Concluimos então que a derivada se anula para um ângulo de incidência α tal que k cos α = Temos assim a expressão do coseno do ângulo que tem deflexão mínima Atendendo a que a gota de chuva é essencialmente constituida por água, k 133 e assim cos α 05063, ou seja, α 596 o Para este ângulo temos um ângulo de deflexão D(596 o ) = 1375 o 8
9 Exercício 5 Verifique, calculando a segunda derivada, que encontrámos um mínimo de D(α) Atendendo à explicação dada temos que os raios que incidem com um ângulo α 599 o são vistos, depois de deflectidos por acção da chuva, com uma luminosidade maior É aqui que aparece o AI O raio cujo ângulo de incidência é α 599 o é chamado raio de arco-íris e 425 o (= 180 o 1375 o ) é chamado ângulo de arco-íris Note-se que: Figura 6: O ângulo de arco-íris 1 As gotas inclinadas 425 o do observador aparecem mais brilhantes que as que tiverem menor inclinação Para as gotas mais altas o ângulo de deflexão é inferior a 1375 o Como vimos que esse ângulo é mínimo, nenhum raio de arco-íris vem de gotas mais elevadas Qualquer raio que venha dessas gotas deverá ter mais do que uma ou nenhuma reflexões internas 2 No séc XVII Descartes descobriu o ângulo de arco-íris sem recorrer às técnicas do cálculo Assim teve que usar o processo exaustivo de tentativa-erro não conseguindo obter uma expressão bonita para o ângulo de incidência que conduz à deflexão mínima Imagine-se um observador no vértice de um cone com ângulo igual a duas vezes o ângulo de arco-íris Qualquer gota na superfície do cone forma um ângulo igual ao ângulo de arco-íris com o observador Assim o observador vê um arco circular brilhante no céu Isto é o arco-íris! Note-se que o arco pode estar mais alto ou mais baixo no céu consoante a altura do sol Um observador no solo vê, pelo menos, um semi-círculo enquanto que um observador num avião pode ver o arco todo Exercício 6 Trace a função D(α) para α entre 0 o e 90 o Exercício 7 Se o ponto mais alto do AI fizer um ângulo de 25 o com o observador, qual é o ângulo de inclinação do sol? Sugestão: Prove que o ângulo do ponto mais alto do arco somado com o ângulo do sol é igual ao ângulo de arco-íris (ie, 425 o ) 6 As cores A geometria dos raios de luz permitiu-nos concluir a natureza circular do AI Mas onde estão as cores? Com os conhecimentos actuais, a resposta pode ser dada de forma muito simples 9
10 A luz é uma onda electromagnética e assim sendo podemos falar da sua frequência e do seu comprimento de onda Existe um espectro contínuo de comprimentos de onda mas os nossos olhos são apenas sensíveis a vários intervalos, que tendemos a categorizar em intervalos, correspondentes a diferentes cores A luz com comprimento de onda entre 6470 e 7000 angströms (1 angström é igual a metros) é vista como vermelho e a luz com comprimento de onda entre 4000 e 4240 angströms como violeta Os comprimentos de onda das restantes cores estão em intervalos compreendidos entre estes dois Atendendo a que as características das diferentes cores são distintas, o índice de refracção da água depende da cor da luz que passa por ela Por exemplo, quando um raio de luz vermelho com um comprimento de onda de 6563 angströms passa do ar para a água, o índice de refracção é de aproximadamente Para a luz violeta com comprimento de onda de 4047 angströms, o índice aumenta para cerca de Quando a luz do sol colide com uma gota de chuva, os comprimentos de onda no intervalo do vermelho são refractados de forma diferente dos comprimentos de onda do violeta As restantes cores, como o azul, e o amarelo, situam-se estes dois intervalos e são refractadas em vários graus entre estes dois extremos Consequentemente a luz é dividida nas cores que a constituem Necessitamos assim de refazer as contas do ângulo de deflexão mínimo para as diferentes cores Assim, para a luz vermelha, a deflexão mínima é 1375 o e para a violeta é 1394 o Estes valores dão-nos um ângulo de arco-íris de 433 o e 406 o, respectivamente Por outras palavras, quando olhar para o céu, o observador vê um arco circular vermelho numa inclinação ligeiramente superior à do arco violeta Os outros comprimentos de onda que reconhecemos como cores situam-se entre estes dois A ordem é: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta; uma mnemónica possível é: VAAVAAV Newton foi o primeiro a elaborar estes cálculos com o devido rigor e a explicar o aparecimento e a ordenação das cores do AI 7 Considerações finais Muito mais haveria para dizer a propósito do AI Nomeadamente, ficou por explicar o porquê de por vezes aparecerem dois arcos em vez de um; qual a correcção a fazer se tivermos em conta que os raios não são paralelos e que as gotas não são esféricas, etc (ver [1]) Actualmente os estudos sobre a luz continuam bastante profícuos Por exemplo, a teoria de difracção, que considera a luz como sendo ondas em vez de raios, tem contribuido grandemente para uma melhor compreensão do AI (ver [1] e as referências aí contidas) References [1] Janke, Steven (1992) Somewhere within the rainbow, UMAP Modules in Undergraduate Mathematics and Applications: Module 724, Lexington: COMAP, Inc [2] Vasconcellos, Leite de (1882) Tradições Populares Portuguesas, Porto 10
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