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1 Universidade Federal do Rio Grande do Sul Faculdade de Ciências Econômicas Departamento de Ciências Econômicas ECO Contabilidade Social Agregados econômicos e identidades contábeis Setor externo e Contabilidade Social. Renda Interna, Renda Nacional e Renda Disponível Introdução Os Agregados Econômicos e as identidades contábeis correspondentes ao Produto, ao Dispêndio e à Renda de uma economia devem computar, ainda, as operações correntes com bens, serviços e fatores e as transferências unilaterais entre a economia nacional e o Resto do Mundo. Ao final, temos um conjunto dos principais Agregados e identidades de um sistema de contas correspondente ao modelo de uma economia aberta e com governo. Prof. Carlos Henrique Horn 2 Neste ponto, abordamos: Tópicos deste ponto 1. A origem e o destino dos bens e serviços, ou os componentes da oferta e da demanda agregadas. A absorção dos recursos reais. 2. O cálculo do produto pela ótica do dispêndio 3. Os agregados de renda. 4. O uso da renda disponível e a identidade entre investimento e poupança. 3 Transações internacionais com bens e serviços Transação Venda de bens ao RM Compra de bens do RM Diferença em valor Venda de serviços não-fatores ao RM Compra de serviços não-fatores do RM Diferença em valor Resultado Final Agregado Econômico Exportação de bens (Xb) Importação de bens (Mb) Saldo da Balança Comercial Exportação de serviços nãofatores (Xnf) Importação de serviços nãofatores (Mnf) Saldo da Balança de Serviços Soma dos saldos das Balanças Comercial e de Serviços 4 Transações internacionais com bens e serviços Podemos definir dois Agregados Econômicos: Exportação de produtos (bens e serviços): X = Xb + Xnf Importação de produtos (bens e serviços): M = Mb + Mnf Um dos Agregados compõe a origem dos bens e serviços à disposição da economia nacional (recurso real); o outro é parte do destino dado aos bens e serviços à disposição da economia nacional (uso). Que Agregado é recurso real e que Agregado é uso? 5 Oferta da economia nacional Os bens e serviços que compõem os recursos reais de uma economia nacional incluem agora o resultado da produção interna e a Importação de bens e serviços. Portanto: (1) OT = VBP + M (2) OF = PIB + M Onde: OT = Oferta Total de bens e serviços; OF = Oferta Final de bens e serviços; VBP = Valor Bruto da Produção; PIB = Produto Interno Bruto; M = Importação de bens e serviços O resultado da produção interna inclui a produção mercantil e não-mercantil de todos os Setores Institucionais. 6 Carlos Henrique Horn 1

2 Demanda da economia nacional Os usos dos bens e serviços não mais se circunscrevem apenas ao Consumo e ao Investimento dos Setores Institucionais, mas incluem também uma parcela que é destinada ao exterior na forma de Exportação de bens e serviços (X). Portanto: (1) DT = CI + C + G + I + X (2) DF = C + G + I + X Onde: DT = Demanda Agregada Total; DF = Demanda Agregada Final; CI = Consumo Intermediário; C = Consumo das Famílias; G = Consumo do Governo; I = Investimento; X = Exportações 7 Demanda da economia nacional Nas equações dos componentes da Demanda Agregada, identificam-se as parcelas da Absorção Interna (AI) e da Absorção Externa (AE) dos bens e serviços disponíveis à economia nacional: (1) Com base na DT, AI = CI + C + G + I (2) Com base na DF, AI = C + G + I e AE = X A Absorção Total equivale aos usos dos bens e serviços à disposição da economia nacional ou Demanda: AT = AI + AE 8 Identidade entre Oferta e Demanda A identidade básica da CS entre Oferta e Demanda (recursos reais e usos) pode ser expressa de duas maneiras: (1) OT DT VBP + M CI + C + G + I + X (2) OF DF PIB + M C + G + I + X Equação do PIB pela ótica do Dispêndio Dada a expressão (2) da identidade entre Oferta e Demanda, encontramos uma expressão do PIB com base nos componentes da Demanda Agregada: PIB C + G + I + ( X M ) A diferença entre Exportação e Importação ( X M ) é chamada de Exportação Líquida Exemplo numérico com base nos componentes da DF (dados em $) Agregados Caso A Caso B Caso C Componentes da Oferta Final PIB M Oferta (recursos) Componentes da Demanda Final C G I X Demanda (usos) Absorção do PIB No caso A, a AI = PIB e a Exportação Líquida é nula. No caso B, temos: AI ($950 = ) > PIB ($900) Uma desigualdade que é compensada por (X M) = $50 A Importação ($100) é maior do que a Exportação ($50), o que complementa os recursos reais necessários para satisfazer a AI. A economia vive além dos seus meios. 12 Carlos Henrique Horn 2

3 Absorção do PIB No caso C, temos: AI ($850 = ) < PIB ($900) Uma desigualdade que é compensada por (X M) = + $50 A Importação ($100) é menor do que a Exportação ($150). Como a economia produz mais do que seus Setores Institucionais absorvem, a Exportação Líquida é positiva. A economia produz para uso do Resto do Mundo. O Produto Interno Bruto (PIB) equivale ao valor adicionado por todas as unidades de produção que operam numa economia nacional, independentemente da nacionalidade de seus proprietários. A Renda Interna Bruta (RIB) equivale ao valor das remunerações dos fatores de produção em virtude de sua contribuição ao processo produtivo, independentemente da nacionalidade dos proprietários dos fatores. Temos: PIB RIB Quando se considera, entretanto, a residência dos proprietários dos fatores de produção, temos: As transações internacionais com fatores de produção expressam-se nos Agregados de Renda Enviada ao Exterior e de Renda Recebida do Exterior: Uso de fatores de produção de não-residentes na economia nacional para produção nessa economia: uma parte da produção é obtida em virtude do uso de fatores de propriedade de não-residentes na economia. A renda gerada por este uso é Renda Interna (gerada internamente), mas não é Renda Nacional (é devida a não-residentes). Cessão de fatores de produção de residentes na economia nacional para produção no Resto do Mundo: uma parte dos fatores de propriedade de residentes na economia nacional pode ser utilizada para a produção no exterior. A renda gerada por este uso não é Renda Interna (gerada internamente), mas é Renda Nacional (é recebida por residentes). 15 Transações Uso de fatores de nãoresidentes na produção interna Cessão de fatores de residentes para o Resto do Mundo Saldos são Agregados Econômicos: Agregados de Renda Renda Enviada ao Exterior (REE) Pagamentos a não-residentes Renda Recebida do Exterior (RRE) Recebimentos de residentes Renda Líquida Enviada (RLE) RLE = REE RRE Renda Líquida Recebida (RLR) RLR = RRE REE 16 A consideração da REE e da RRE dá origem a uma dicotomia básica entre interno e nacional nos Agregados Econômicos. Assim: (1) RNB = RIB RLE (2) RNB = RIB + RLR Onde: RNB = Renda Nacional Bruta Exemplo numérico (dados em $) Caso A Caso B PIB RIB REE RRE RLE ou RLR RNB RLE > 0 RLR < 0 RLE < 0 RLR > 0 PIB > RNB PIB < RNB Carlos Henrique Horn 3

4 Renda Nacional e Renda Disponível Até este ponto, as transações internacionais consideradas nos Agregados Econômicos compõem-se de: Importação de bens e serviços: recurso real da economia nacional, componente da Oferta da economia. Exportação de bens e serviços: uso dos bens e serviços disponíveis à economia nacional, componente da Demanda da economia. Recebimentos e pagamento de rendas de fatores: modificam os Agregados de Renda. Renda Nacional e Renda Disponível Resta uma última modalidade de transação internacional corrente a computar: as Transferências Unilaterais Correntes (Trcbp): Trcbp = Trcbpr Trcbpe Onde: Trcbpr = Transferências recebidas; Trcbpe = Transferências enviadas. As Transferências Unilaterais Correntes dão origem à Renda Disponível Bruta (RDB) da economia nacional: RDB = RNB + Trcbp Renda Interna, Renda Nacional e Renda Disponível Exemplo numérico (dados em $) Caso A Caso B Caso C Caso D PIB RIB RLE RNB Trcbp RDB Comércio de bens e snf Cessão e uso de fatores Recebimentos e pagamentos de renda Transferências unilaterais correntes Setor externo e CS: síntese X M RLE ou RLR Trcbp Recursos Usos PIB+M C+G+I+X Equação do PIB PIB C+G+I+(X-M) PIB RLE = RNB PIB + RLR = RNB RNB + Trcbp = RDB Produto e Dispêndio Transformações da Renda 22 Setor externo e CS: síntese Definimos, por fim: TC = (X M) + RLR + Trcbp TC = Saldo externo em conta corrente (SCN) ou TC = Saldo em transações correntes do balanço de pagamentos (BP) Renda Disponível Bruta A RDB é o último Agregado de Renda de um SCN. Ele computa as transformações da RIB através do registro das transações de renda fatorial e das transferências unilaterais entre a economia nacional e o Resto do Mundo. A RDB é o agregado pertinente para os registros de distribuição da renda entre os Setores Institucionais e de uso da renda para gasto em consumo corrente ou para poupança Carlos Henrique Horn 4

5 Renda Disponível Bruta Divisão em Renda Privada e Renda do Governo Podemos dividir a RDB em: Renda Líquida do Governo RLG = T ( TrG + s ) Renda Privada (Famílias e Empresas) Disponível: RPD = RDB RLG Portanto: RDB = RPD + RLG Renda Disponível Bruta Uso da Renda O SCN registra o uso da RDB para as Despesas de Consumo Final e a diferença como Poupança Bruta (SB). Portanto: SB = RDB ( C + G ) Nos modelos de economia fechada e sem governo e de economia fechada e com governo, mostramos que: I S A identidade contábil entre foi obtida a partir da manipulação da identidade: PIB RIB A fim de mostrar a identidade entre I e S num modelo de economia aberta e com governo, devemos partir de suas equações de Renda Interna e de Produto Interno. 27 Equação da Renda Interna Bruta (RIB) Na passagem da RIB a RDB, fizemos: (a) RIB RLE = RNB (b) RNB + Trcbp = RDB e dividimos a RDB em RPD e RLG: (c) RDB = RPD + RLG Ao substituir (c) em (b), encontramos: RNB + Trcbp = RPD + RLG Isolamos RNB: RNB = RPD + RLG Trcbp Substituimos a expressão da RNB na equação (a): RIB RLE = RPD + RLG Trcbp Isolamos RIB, encontrando uma equação da Renda Interna: RIB = RPD + RLG + RLE Trcbp 28 Equação do Produto Interno Bruto (PIB) A equação do PIB com base nos componentes da Demanda Final é conhecida: PIB C + G + I + ( X M ) Portanto, temos: Demanda pelo Produto = C + G + I + (X M) Alocação da Renda = RPD + RLG + RLE Trcbp Com base na identidade entre Produto e Renda, escrevemos: C + G + I + (X M) RPD + RLG + RLE Trcbp Reordenamos os termos e isolamos I: I ( RPD C ) + ( RLG G ) + ( M X ) + RLE Trcbp Definimos: Poupança de Famílias e Empresas: S = RPD C Poupança do Governo: SG = RLG G Poupança Externa: SX = ( M X ) + RLE Trcbp Chegamos, portanto, à identidade entre : 29 I S + SG + SX 30 Carlos Henrique Horn 5

6 Exemplo para discutir o significado de SX (dados em $) Caso 1 Caso 2 M X RLE = REE RRE Trcbp = Tre Trr SX M > X 50 M < X 50 Não consumo no RM Não consumo na EN REE > RRE 30 REE < RRE 30 Não uso de fatores do RM na produção no RM Não uso de fatores da EN na produção na EN Trr > Tre 10 Trr < Tre Poupança externa Despoupança externa 31 Carlos Henrique Horn 6

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