MANUAL PARA OS GESTORES DE CONTRATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL

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1 ESTADO DE GOIÁS SECRETARIA DA FAZENDA SUPERINTENDÊNCIA DE CONTROLE INTERNO MANUAL PARA OS GESTORES DE CONTRATOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL GOIÂNIA, OUTUBRO DE ª EDIÇÃO

2 ESTADO DE GOIÁS SECRETARIA DA FAZENDA SUPERINTENDÊNCIA DE CONTROLE INTERNO Alcides Rodrigues Filho Governador do Estado Célio Campos de Freitas Júnior Secretário de Estado da Fazenda Sinomil Soares da Rocha Superintendente de Controle Interno André da Silva Goes Gerente de Ação Preventiva Gilson Geraldo Valério do Amaral Coordenador de Orientação Preventiva e Procedimentos Administrativos Antônio Fábio Jubé Ribeiro Gestor de Finanças e Controle Thalyssa Braga Ribeiro Gestora Jurídica Sérgio Gomes de Carvalho Coordenador de Convênios e Contratos Altair Lopes Gomes de Almeida Analista Ladyanne Vieira do Carmo Lopes Gestora de Planejamento e Orçamento

3 ESTADO DE GOIÁS SECRETARIA DA FAZENDA SUPERINTENDÊNCIA DE CONTROLE INTERNO Elaboração Thalyssa Braga Ribeiro Gestora Jurídica

4 APRESENTAÇÃO A Superintendência de Controle Interno da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás SCI tem como missão proporcionar economicidade, eficiência, eficácia, efetividade e eqüidade à gestão governamental, avaliando o cumprimento das metas, comprovando a legalidade e a legitimidade dos atos, pautada pela ética e transparência, com o objetivo de garantir a otimização dos gastos públicos e, assim, alcançar o desenvolvimento econômico e social. Partindo dessa premissa e considerando que a agilidade dos procedimentos de análise, fiscalização, controle e avaliação proporcionam aos gestores públicos uma melhor aplicação do dinheiro público, torna-se imprescindível uma maior atenção e cumprimento aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Instituído constitucionalmente, o Sistema de Controle Interno objetiva fiscalizar, acompanhar, orientar e auxiliar os órgãos e entidades da Administração Pública do Estado de Goiás, bem como disponibilizar elementos suficientes para que as execuções orçamentária, financeira, contábil e patrimonial sejam desenvolvidas segundo os mencionados princípios. Para consecução desses objetivos a SCI pauta suas ações em três vertentes: PREVENÇÃO por meio de orientações preventivas e expedições de atos normativos referentes a procedimentos administrativos de planejamento, programação, execução, fiscalização, controle e avaliação. FISCALIZAÇÃO através de inspeções contínuas efetuadas nos órgãos e entidades da Administração Pública utilizando-se das técnicas de acompanhamento e verificação de procedimentos administrativos, com expedição de despachos e manifestações de caráter detectivo e corretivo. AUDITORIA por meio de ações de auditoria devidamente planejadas com intuito de verificação da legalidade e regularidade dos atos administrativos em 4

5 relação ao planejamento, programação, execução, fiscalização, controle e avaliação da gestão pública. Nesse contexto, foi desenvolvido o presente Manual para os Gestores de Contratos da Administração Pública Estadual, voltado para a utilização pelos servidores especialmente designados para acompanhar a execução dos contratos administrativos no âmbito dos diversos órgãos e entidades da Administração Pública estadual, bem assim por todos os agentes que atuam no âmbito do Controle Interno do Poder Executivo estadual, em suas ações específicas, e pelos demais agentes da Administração Pública estadual. 5

6 SUMÁRIO I. GESTÃO DE CONTRATOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Gestão de Contratos da Administração Pública O Gestor de Contrato Deveres do Profissional ou Empresa Contratada pela Administração Atribuições do Gestor de Contrato Responsabilidades do Gestor de Contrato...18 II. CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS Formalização Dos elementos necessários aos contratos administrativos Publicação Termo aditivo Termo de apostilamento Das Garantias Das Modalidades de Garantia Garantia de Natureza Técnica Duração dos Contratos Prorrogação Renovação Contratual Cláusulas Exorbitantes Alterações Contratuais Equilíbrio Econômico-Financeiro Reajuste Contratual Atualização Monetária Revisão para Recomposição de Preços (ou realinhamento) Repactuação

7 2.8. Recebimento do Objeto Ilícitos Penais e Administrativos Sanções Administrativas Contratuais Advertência Multa Suspensão Temporária de Participação em Licitação e Impedimento de Contratar com a Administração e a Declaração de Inidoneidade Extinção do contrato Conclusão do objeto Término do prazo Rescisão Rescisão Administrativa Rescisão Consensual Rescisão de Pleno Direito Rescisão Judicial Anulação...62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

8 PREFÁCIO Este manual trata das atribuições dos gestores de contratos da Administração Pública estadual e contém importantes aspectos relacionados à formalização e execução dos contratos administrativos. Os temas abordados foram conduzidos nos termos da Lei nº 8.666/1993 que instituiu normas gerais de licitações e contratos para a Administração Pública da Lei Estadual nº , de 08 de fevereiro de 2010 que dispôs sobre licitações, contratos, convênios e outros atos administrativos pertinentes a obras, serviços, compras, alienações, locações e utilização de bens públicos por terceiros, no âmbito do Estado de Goiás além de lições da doutrina e jurisprudência pátrias sobre os temas, embora não substitua o conhecimento da legislação afeta à matéria. Registramos, nos termos dos artigos 83 e 89 da Lei Estadual nº que, respeitada a independência dos Poderes e sem prejuízo da autonomia e atribuições dos órgãos constitucionais e das entidades, compete precipuamente à unidade central de aquisições e contratações expedir instruções técnicas quanto às atividades de aquisições, contratações e outros ajustes que impliquem execução orçamentário-financeira, bem como padronização dos procedimentos licitatórios em geral e das dispensas e inexigibilidades. Segundo disposição do 2º do art. 83 da Lei Estadual, a unidade central de aquisições e contratações funcionará, no âmbito do Poder Executivo estadual, como unidade central do Sistema de Gestão de Aquisições e Contratações Governamentais, sendo vinculada à Secretaria da Fazenda, e as funções de licitação, bem como as de estruturação e padronização das regras de negócio dos ajustes e seus aditivos, sempre que estes implicarem em programação, reprogramação ou execução orçamentáriofinanceira, serão de competência de suas unidades básica, complementares e auxiliares, com a denominação de Central de Aquisições e Contratações CENTRAC. Não pretendemos esgotar os assuntos aqui abordados, mas estar abertos a uma 8

9 manutenção constante do manual, em parceria com nossos leitores, com vistas a uma melhoria contínua e atualização em face da legislação que rege os temas. Espera-se que a experiência decorrente da aplicação deste manual possa promover importantes ajustes, sobretudo na necessidade de desenvolvimento de instrumentos para a modernização da gestão dos contratos da Administração Pública estadual. A versão atualizada deste manual estará disponibilizada no sítio: no menu Controle Interno, submenu Biblioteca, em seguida Manuais. As críticas e sugestões ao manual poderão ser encaminhadas ao GECONI - As críticas e sugestões ao manual poderão ser encaminhadas, também, por meio do referido site. 9

10 I. GESTÃO DE CONTRATOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 1.1. Gestão de Contratos da Administração Pública A gestão de contratos na Administração Pública compreende o gerenciamento, o acompanhamento e fiscalização da execução dos ajustes, desde a concepção do edital da licitação até a entrega e o recebimento do objeto contratado. Nesse sentido, a gestão de contratos, por envolver o acompanhamento e o controle sobre atividades diversas, tais como prazos de vigência; execução do objeto; pagamentos efetuados; é exercida, no âmbito da Administração Pública, por agentes em inter-relação com várias unidades, inclusive por meio dos sistemas informatizados desenvolvidos para proporcionar o registro das informações e auxiliar nas atividades de gerenciamento, fiscalização e controle. A Lei nº 8.666/1993, que estabeleceu normas gerais sobre licitações e contratos da Administração Pública no âmbito dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, dispôs, em seu art. 67 que a execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração especialmente designado, permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição. No mesmo sentido previu a Lei Estadual nº /2010, que dispôs sobre licitações, contratos, convênios e outros ajustes administrativos no âmbito do Estado de Goiás, em seu art

11 1.2. O Gestor de Contrato O gestor de contrato é o representante da Administração designado para a- companhar a execução do ajuste. Como o objetivo de promover a continuidade na atividade de acompanhamento da execução do contrato, deve ser designado como gestor preferencialmente servidor público efetivo, o qual deve apresentar conhecimentos técnicos relacionados com o objeto do contrato; conhecimento das responsabilidades inerentes à atribuição; gozar de boa reputação ético-profissional e disposição para atuar em inter-relação com superiores, colegas e subordinados, prestando contas de sua atuação e avaliando os meios para obtenção da ótima execução do objeto contratado. A designação do gestor de contrato deve dar-se por portaria do dirigente do órgão ou entidade, por ocasião do início do procedimento licitatório, para que o gestor possa acompanhar a elaboração do edital no qual serão estabelecidos os critérios de execução, fiscalização e avaliação do cumprimento do contrato. Por outro lado, constitui obrigação da contratada manter, no local da obra ou serviço, preposto, aceito pela Administração, para representá-la na execução do contrato, devendo substituí-lo sempre que for exigido. É o que prevê os artigos 68 da Lei nº /1993 e 167 da Lei Estadual nº /2010. Deve o gestor do contrato reportar-se ao preposto da contratada quando necessitar proceder orientações a respeito da execução do objeto contratado Deveres do Profissional ou Empresa Contratada pela Administração Estabelece o art. 66 da Lei nº /1993 e art. 162 da Lei Estadual nº. 11

12 16.920/2010 que o contrato deverá ser executado fielmente pelas partes, de acordo com as cláusulas avençadas e as normas das respectivas leis, respondendo cada parte pelas conseqüências de sua inexecução, total ou parcial. Prevê o art. 69 da Lei nº e art. 168 da Lei Estadual que o contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, a suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato quando se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados. O parágrafo único do art. 168 da Lei Estadual, por sua vez, prevê que em caso de descumprimento de obrigação prevista no artigo, poderá a Administração executar, direta ou indiretamente, o objeto do contrato, cobrando as despesas correspondentes, devidamente corrigidas, permitida a retenção de créditos do contratado. O art. 169 da Lei Estadual, nos termos disciplinados no art. 70 da Lei nº , dispõe que o contratado é responsável pelos danos causados diretamente à Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização ou o acompanhamento pelo órgão ou entidade interessada. Quanto aos encargos legais da execução do contrato, estabelece o art. 170 da Lei Estadual, à semelhança do conteúdo do art. 71 da Lei nº , que o contratado é responsável pelo cumprimento das exigências previstas na legislação profissional específica e pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Nos termos do 1º do art. 170 da Lei Estadual, em semelhança com a disposição do 1º do art. 71 da Lei Geral, a inadimplência do contratado em relação às exigências profissionais e aos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais não transfere à Administração a responsabilidade pelo seu pagamento, 12

13 nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o registro de imóveis. Cumpre registrar, entretanto, a disposição constante do 2º do art. 71 da Lei nº , segundo a qual a Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº /1991. O art. 31 da Lei nº /1991, por sua vez, trata do dever de retenção, pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos serviços, correspondente à contribuição devida à seguridade social, a qual deve ser recolhida em nome da empresa contratada cedente da mão-de-obra. Quanto à responsabilidade pelos encargos trabalhistas, a despeito da disciplina do 1º do art. 71 da Lei nº e 1º do art. 170 da Lei Estadual nº , a orientação da jurisprudência tem sido no sentido de estender à Administração Pública o entendimento adotado no âmbito das relações privadas de trabalho, segundo o qual os débitos trabalhistas do particular contratado podem conduzir à responsabilização da Administração. Entende-se que tal responsabilização é de natureza subsidiária, eis que somente é possível pretender a responsabilização da Administração Pública se e quando o pagamento não tiver ocorrido devidamente por parte do contratado 1. Em sentido similar é o entendimento da jurisprudência quanto à responsabilidade da Administração pelas obrigações previdenciárias decorrentes da 1 Tal entendimento encontra-se consolidado no inciso IV da Súmula nº. 331 do Tribunal Superior do Trabalho. 13

14 execução do contrato, sendo possível responsabilizar-se a Administração Pública na hipótese de inadimplemento da obrigação por parte do devedor contratado 2. Assim, cumpre à Administração adotar medidas preventivas para evitar possível responsabilização ulterior, tais como: na fase licitatória, desclassificar propostas que não comportem o cumprimento adequado dos encargos trabalhistas; na fase da execução do contrato, fiscalizar o devido cumprimento pelo contratado das obrigações laborais para com o pessoal empregado, inclusive a utilização de equipamentos de segurança quando assim exigidos. Em caso de não cumprimento das obrigações por parte do contratado, cumpre à Administração apurar os fatos e, se for o caso, aplicar sanções ou mesmo promover a rescisão do contrato, com fundamento na infração à legislação trabalhista e nos riscos de responsabilização consequentes Atribuições do Gestor de Contrato A regular execução de um contrato relaciona-se diretamente com o acompanhamento de sua execução. Assim, cumpre ao gestor do contrato verificar o fiel cumprimento pelo contratado das condições pactuadas com a Administração, bem como registrar todas as circunstâncias que influenciem na execução do objeto. No exercício de suas atribuições, deve o gestor do contrato proceder às orientações necessárias para correção da falhas observadas na execução do contrato. As providências que ultrapassem a competência do gestor deverão ser reportadas ao seu superior hierárquico, em tempo hábil, para adoção das medidas oportunas cabíveis. 2 Nesse sentido, Marçal Justen Filho, in Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 13. ed., São Paulo: Dialética, 2009, p No mesmo sentido, jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça referida na obra. 3 Idem, p

15 O art. 165 da Lei Estadual nº /2010 elenca, em seus incisos I a VII, atribuições incumbidas, primordialmente, ao gestor de contrato, sob pena de responsabilidade. Relacionamos, a seguir, tais atribuições, dentre outras atividades correlatas a serem observadas para o acompanhamento da regular execução dos contratos administrativos: I - tomar conhecimento do conteúdo do edital da licitação, especialmente dos termos do contrato onde devem ser estabelecidos os critérios de execução, acompanhamento e fiscalização do objeto contratado; II - verificar se a entrega de materiais, execução da obra ou a prestação do serviço está sendo executada em conformidade com o pactuado, no tocante a prazo, especificações, preço e quantidade; III - anotar, em registro próprio, as ocorrências relativas à execução do contrato, determinado as providências necessárias à correção das falhas ou defeitos observados e adotando, junto a terceiros, as providências para a regularidade da execução do contrato (incisos I e IV do art. 165); IV - encaminhar à unidade competente da Administração pedido de alteração em projeto de obra ou serviço contratado, acompanhado das justificativas, observadas as disposições do art. 65 da Lei nº /1993 e art. 154 da Lei Estadual nº /2010; V - receber e atestar as notas fiscais ou faturas, promovendo, com a presença do contratado, mediante termo circunstanciado, as medições das obras e a verificação dos serviços e fornecimentos já efetuados, emitindo a competente habilitação para o recebimento de pagamentos (inciso V do art. 165); VI - rejeitar bens e serviços que estejam em desacordo com as especificações do objeto contratado; 15

16 VII - manter controle dos pagamentos efetuados, atentando para que o valor pactuado não seja ultrapassado; VIII - controlar o prazo de vigência do contrato, comunicando à contratada e à unidade competente da Administração eventuais atrasos e encaminhando, em tempo hábil, expediente para a prorrogação do contrato ou para a abertura de nova licitação, se for o caso; IX esclarecer dúvidas e transmitir instruções ao contratado, comunicando alterações de prazos, cronogramas de execução e especificações do projeto, inclusive solicitando ao setor competente da Administração, quando necessário, parecer de especialistas (incisos II e VI do art. 165); X dar imediata ciência a seus superiores e ao órgão central de controle, acompanhamento e avaliação financeira de contratos e convênios dos incidentes e ocorrências da execução do contrato que possam acarretar a imposição de sanções ou a rescisão contratual (inciso III do art. 165); XI - fiscalizar a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação, bem como o regular cumprimento das obrigações trabalhistas e previdenciárias (inciso VII do art. 165 da Lei Estadual); XII - comunicar a seu superior hierárquico as providências que ultrapassem suas atribuições e sua esfera de competência. No que tange à atribuição incumbida ao gestor de contrato prevista no inciso VII do art. 165 da Lei Estadual nº , a saber: fiscalizar a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações assumidas, as condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação, bem como o regular cumprimento das obrigações trabalhistas e 16

17 previdenciárias, cumpre registrar o dever do gestor de verificar, por ocasião dos acompanhamentos à execução do contrato, a manutenção, pela contratada, de condições de qualificação técnica como instalações e aparelhamento; pessoal técnico habilitado para a execução do objeto contratado; não existência, na equipe de trabalhadores da empresa, de menores de dezoito anos realizando trabalho noturno, perigoso ou insalubre, ou de qualquer trabalho sendo realizado por menores de dezesseis de anos, salvo na condição de aprendizes, a partir dos quatorze anos (art. 27, V da Lei nº e art. 118, V da Lei Estadual nº ). No tocante à regularidade fiscal, referente à regularidade das obrigações tributárias perante as Fazendas Federal, Estadual e Municipal do domicílio ou sede do contratante, bem assim a regularidade perante o Instituto Nacional de Seguridade Social INSS e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, registre-se que a comprovação de tais situações, efetuada mediante apresentação de certidões, deverá ser realizada especialmente perante as unidades de controle da execução orçamentária e financeira da Administração, por ocasião dos pagamentos a serem efetuados à empresa contratada. A esse respeito, prevê o 2º do art. 170 da Lei Estadual que a Administração, quando do pagamento das faturas aos contratados, procederá à retenção dos tributos, na forma prevista na legislação específica. A condição da regularidade perante a seguridade social decorre de vedação constitucional a que o Poder Público contrate com pessoa jurídica em débito com aquela (art. 195, 3º CF), devendo tal condição, vale reforçar, ser mantida ao longo da execução do contrato. Quanto à regularidade fiscal, segundo renomada doutrina, não se trata de comprovar que o sujeito não tenha dívidas em face da Fazenda (em qualquer nível) ou quanto a qualquer débito possível e imaginável. O que se demanda é que o 17

18 particular, no ramo de atividade pertinente ao objeto licitado, encontre-se em situação fiscal regular 4. Na hipótese de empresa que possua matriz e filiais em diversas unidades da federação, deve ser comprovada a regularidade fiscal do estabelecimento que realizar a contratação e for executar a prestação contratual. Tais condições devem vir expressas no instrumento convocatório. 5 No caso de o particular, no curso da execução do contrato, deixar de atender os requisitos de qualificação e habilitação exigidos, o contrato deverá ser rescindido. Todavia, cumpre à Administração, previamente, avaliar a possibilidade de recomposição da situação pelo contratado, devendo a decisão sobre a rescisão ser definida em face do princípio da proporcionalidade, ponderando-se a providência menos onerosa ao interesse estatal e os preceitos jurídicos que orientam a atuação da Administração Responsabilidades do Gestor de Contrato O gestor de contrato, como os demais servidores públicos, em razão de seus deveres, encontra-se sujeito, pelo exercício irregular de suas atribuições, à responsabilização civil, penal e administrativa. Dispõe o art. 166 da Lei Estadual nº /2010 que o gestor do contrato responderá aos órgãos de controle, em caso de omissão ou inexatidão na execução das tarefas que lhe são atribuídas no art. 165 da Lei Estadual e, em especial, nos casos de: 4 JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. 13. ed., São Paulo: Dialética, 2009, p Idem, p. 408/ Ibidem, p

19 I - falta de constatação da ocorrência de mora na execução; II - falta de caracterização da inexecução ou do cumprimento irregular de cláusulas contratuais, especificações, projetos e prazos; III - falta de comunicação às autoridades superiores, em tempo hábil, de fatos cuja solução ultrapasse a sua competência, para adoção das medidas cabíveis; IV - recebimento provisório ou emissão de parecer circunstanciado pelo recebimento definitivo do objeto contratual pela Administração, sem a comunicação de falhas ou incorreções; V - emissão indevida da competente autorização para o recebimento, pela contratada, do pagamento. O Estatuto dos Servidores Públicos Civis do Estado de Goiás, Lei Estadual nº /1988, prevê, em seu art. 311, as penas disciplinares aplicáveis aos servidores públicos em razão do exercício irregular de suas atribuições, sendo elas: a) repreensão; b) suspensão; c) multa; d) destituição de mandato; e) demissão; f) cassação de aposentadoria ou disponibilidade. No mesmo sentido, estará o servidor público celetista sujeito às previsões disciplinares estabelecidas na Consolidação das Leis Trabalhistas, em lei específica, como a Lei nº /1976, que trata das sociedades por ações, aplicável às sociedades de economia mista integrantes da Administração Pública indireta, ou em regulamento próprio que discipline a atuação do servidor. A aplicação dessas penalidades só poderá ocorrer após regular processo administrativo em que seja assegurado ao servidor o contraditório e a ampla defesa, no qual serão consideradas: a natureza e a gravidade da infração; a circunstância 19

20 em que foi praticada; os danos dela decorrentes para o serviço público e os antecedentes do servidor. As sanções disciplinares poderão cumular-se com sanções civis e penais, sendo independentes entre si. Nos termos do art. 306 da Lei Estadual nº /1988, a responsabilidade civil decorre de procedimento omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que importe em prejuízo para a fazenda pública estadual ou terceiros. A responsabilidade penal abrange os crimes e as contravenções imputadas ao servidor nessa qualidade, como, por exemplo, os atos de improbidade administrativa previstos na Lei nº /1992 e as infrações penais descritas na Lei nº /1993. No caso de comissão de sindicância ou de processo administrativo disciplinar concluir pela ocorrência de infração penal, os autos deverão ser encaminhados ao Ministério Público para as providências competentes a esse. Nesse sentido, prevê a Lei nº /1993, a saber: Art Quando em autos ou documentos de que conhecerem, os magistrados, os membros dos Tribunais ou Conselhos de Contas ou os titulares dos órgãos integrantes do sistema de controle interno de qualquer dos Poderes verificarem a existência dos crimes definidos nessa Lei, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia. Não obstante, a prática de infração administrativa por parte de servidor deverá objeto de apuração e, em sendo o caso, aplicação de sanção disciplinar por atuação da própria Administração Pública. A Constituição Estadual, por sua vez, estabelece o dever de os responsáveis pelo controle interno, ao tomarem conhecimento da ocorrência de qualquer irregularidade ou ilegalidade, dela darem ciência ao Tribunal de Contas do Estado, sob pena de responsabilidade solidária ( 1º do art. 29). 20

21 II CONSIDERAÇÕES SOBRE OS CONTRATOS ADMINISTRATIVOS 2.1. Formalização A Administração Pública, em obediência ao princípio da publicidade e com vistas a assegurar o controle e a transparência sobre sua atuação, deve manter registro sistemático dos atos referentes às suas contratações. Prevê a Lei nº. 8666/1993 em seu art. 60, parágrafo único, que é nulo o contrato verbal com a Administração, salvo o de pequenas compras de pronto pagamento feitas em regime de adiantamento. No mesmo sentido dispõe o 4º do art. 142 da Lei Estadual nº /2010, definidas como pequenas compras as de valor não superior a 5% (cinco por cento) do limite estabelecido para compras e serviços que não sejam de engenharia, na modalidade convite. Dispõe, por sua vez, o art. 143, caput e 1º da Lei Estadual nº , semelhantemente à disposição do art. 62 da Lei nº. 8666, que o instrumento de contrato é obrigatório nos casos de concorrência, tomada de preços, bem como nas dispensas, inexigibilidades e pregão cujos preços estejam compreendidos nos limites daquelas duas modalidades de licitação, sendo facultativo para os demais casos em que puder ser substituído por outros instrumentos hábeis como carta-contrato, nota de empenho da despesa, autorização de compra ou ordem de execução de serviço. Essa substituição será possível nos casos de aquisições com entrega imediata e integral dos bens e serviços adquiridos, das quais não resultem obrigações futuras, inclusive assistência técnica, ressalvadas as obrigações decorrentes de garantia, legalmente prevista, dos bens ou serviços adquiridos ( 2º do art. 143 da Lei Estadual). 21

22 As minutas dos contratos, assim como as dos editais, devem ser previamente examinadas e aprovadas por assessoria jurídica do órgão ou entidade (parágrafo único do art. 38 da Lei nº e art. 94 da Lei Estadual nº ). Nos termos do art. 144 da Lei Estadual, os instrumentos contratuais, quando for o caso, obedecerão à minuta-padrão elaborada pelo órgão central de aquisição e contratação e aprovada pela Procuradoria-Geral do Estado. São competentes para celebrar contratos, convênios e ajustes de qualquer natureza, ao teor do 2º do art. 133 da Lei Estadual nº , com redação dada pela Lei Estadual nº /2010, os Chefes de Poder, os Presidentes dos Tribunais de Contas, o Procurador-Geral de Justiça, o Defensor Público-Geral, os Presidentes de autarquias e fundações ou quem deles receber delegação. Quanto aos órgãos da administração direta, dispõe o art. 47 da Lei Complementar Estadual nº 58/2006 que a celebração de contratos, convênios e ajustes de qualquer natureza pelos órgãos da administração direta do Poder Executivo dependerá de prévia autorização do Governador do Estado ressalvadas as delegações de competência ou autorizações para prática de atos porventura concedidas pelo Chefe do Executivo a determinados Secretários de Estado além da audiência e outorga da Procuradoria-Geral do Estado. O parágrafo único do mesmo art. 47 acima mencionado, por sua vez, estabelece que nos ajustes cujas licitações são dispensadas em razão do valor a audiência e a representação previstas no caput do artigo poderão ser dispensadas por ato da autoridade ali referida. Com efeito, o Decreto Estadual nº /2008, que instituiu o Sistema de Gestão de Aquisições e Contratações Governamentais no âmbito da administração direta do Poder Executivo, estabeleceu, no 5º, inciso I, de seu art. 6º, com redação dada pelo Decreto Estadual nº /2010, que ficam dispensadas a audiência e outorga da Procuradoria-Geral do Estado nos ajustes 22

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