DECLARAÇÃO CONJUNTA DA COESS E DA UNI-EUROPA SOBRE A HARMONIZAÇÃO EUROPEIA DAS LEGISLAÇÕES QUE REGULAM O SECTOR DA SEGURANÇA PRIVADA

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1 DECLARAÇÃO CONJUNTA DA COESS E DA UNI-EUROPA SOBRE A HARMONIZAÇÃO EUROPEIA DAS LEGISLAÇÕES QUE REGULAM O SECTOR DA SEGURANÇA PRIVADA INTRODUÇÃO O sector da segurança privada, na União Europeia, está em pleno desenvolvimento. Trabalham mais de pessoas em cerca de empresas especializadas na vigilância de locais industriais, escritórios, edifícios públicos, no transporte de fundos, na protecção de pessoas e domicílios, na televigilância, no controlo dos aeroportos, na prevenção de furtos... O mercado, tanto público como privado, tem exigências de qualidade cada vez mais elevadas. Os desenvolvimentos tecnológicos são cada vez mais sofisticados. A segurança dos trabalhadores que podem estar expostos a viver situações perigosas exclui qualquer forma de amadorismo. A segurança exige cada dia mais profissionalismo. A procura crescente de segurança e protecção dos bens e das pessoas deve conjugar-se com o estrito respeito das regras democráticas e da protecção jurídica dos cidadãos. O sector contribui para o desenvolvimento de uma sociedade mais segura para que as liberdades públicas e privadas possam ser exercidas sem restrições. DECLARAÇÃO DA UNI-EUROPA E DA COESS A CoESS e a Uni-Europa registaram alguns problemas que impedem o desenvolvimento harmonioso do sector a nível europeu. As regulamentações nacionais são por vezes inadequadas e não permitem assegurar o profissionalismo que o sector necessita. As regulamentações nacionais são diferentes e impedem que o sector beneficie completamente dos efeitos da integração europeia. As práticas de mercado são tais que se atribui frequentemente a prioridade ao preço do serviço não considerando pouco ou nada os aspectos da qualidade. As condições de trabalho frequentemente ainda pouco atractivas que afectam a maioria dos trabalhadores do sector, o meio de trabalho altamente competitivo do sector e a percepção dos serviços de segurança como bens de consumo têm um efeito negativo sobre o atractivo do sector, sobre a qualidade dos serviços e mais geralmente sobre a imagem do sector.

2 INICIATIVAS DA COESS E DA UNI-EUROPA A fim de examinar mais de cerca estes problemas, medir os riscos inerentes e iniciar todas as acções susceptíveis de contribuir para promover, a nível europeu, a profissionalização do sector da segurança privada, a CoESS e Uni-Europa envolveram-se num diálogo social europeu. O objectivo principal deste diálogo social é o desenvolvimento de normas e quadros de referência europeus que permitam, segundo uma aplicação numa base voluntária nos países e nas empresas, aspirar a uma harmonização das situações nacionais. Este diálogo social, formalmente instituído no âmbito do Comité sectorial do diálogo social, tem igualmente por base uma declaração de reconhecimento mútuo entre a CoESS e a Uni-Europa, assinada em Junho de Esta declaração salienta também o papel importante que os parceiros sociais devem desempenhar na regulamentação económica e social do sector, a todos os níveis (europeu, nacional, empresa). Iniciado em 1992, este diálogo social já obteve vários resultados importantes: Foram recentemente adoptadas pela CoESS e Uni-Europa recomendações europeias relativas às regulamentações e às autorizações, à formação profissional, às adjudicações, ao alargamento da União Europeia e à organização do trabalho. Foram realizados estudos e análises relativas à comparação das regulamentações nacionais que regem o sector, aos sistemas e às práticas de formação profissional em vigor nos países da União Europeia, à identificação de perfis profissionais europeus da segurança privada. Em 1999 foi adoptado um manual europeu destinado aos clientes (públicos ou privados) do sector e que lhes permite seleccionar as propostas de serviços de segurança numa base da melhor relação "qualidade-preço". Traduzido para todas as línguas da União, foi divulgado junto dos agentes interessados dos Estados-Membros. Na sequência desta divulgação, um elevado número dos clientes do sector e das autoridades públicas manifestaram a sua decisão de utilizar este manual nas próximas adjudicações e selecções de propostas. Em Abril de 2001 foi adoptado e publicado um manual europeu de formação profissional em segurança e vigilância (nível de base) no âmbito do programa Leonardo da Vinci. Este manual precisa o tronco comum de formação de que todos os trabalhadores do sector deveriam beneficiar na altura do seu recrutamento no sector. Foi divulgado junto dos parceiros sociais nacionais, das empresas e dos institutos de formação do sector responsáveis pela sua aplicação concreta. Foram organizadas conferências europeias: a primeira em Londres em 1996, a segunda em Berlim em Estas conferências tiveram por objectivo divulgar os resultados do diálogo social europeu junto de um largo público composto por parceiros sociais, empresas, institutos sectoriais de investigação e de formação e de autoridades públicas nacionais e europeias. No futuro, a CoESS e a Uni-Europa continuarão a desenvolver a sua acção conjunta a nível europeu. Serão levadas a efeito acções concretas designadamente sobre os temas do alargamento da União Europeia, sobre a modernização da organização do trabalho, a saúde e segurança, etc. Serão igualmente realizados trabalhos relativos à elaboração de um código europeu de ética profissional. AVALIAÇÃO DO DIÁLOGO SOCIAL EUROPEU A CoESS e Uni-Europa congratulam-se pelo clima aberto e franco em que se desenvolve o seu diálogo social europeu. A confiança mútua que reina entre as duas organizações permite não só o 2

3 intercâmbio frutuoso de informações mas também a constituição de quadros de cooperação transnacionais entre empregadores e sindicatos do sector da segurança privada. A CoESS e Uni-Europa consideram que o seu diálogo social europeu já permitiu trabalhar sobre determinados aspectos-chave do sector (regulamentações, licenças, formação profissional, adjudicações, qualidade dos serviços) e consideram que os resultados obtidos sobre estes diferentes temas são exemplares pelo seu carácter voluntarioso e inovador e pela sua qualidade. Outros projectos particularmente importantes (alargamento da UE, organização do trabalho) foram também recentemente lançados. Estes resultados serviram e servem de base à prossecução de discussões e do diálogo a outros níveis e designadamente ao nível nacional. O importante trabalho de divulgação dos resultados deste diálogo permitiu sensibilizar todos os agentes em causa. Além disso, foram organizadas várias mesas redondas nacionais reunindo os parceiros sociais, peritos e autoridades públicas que permitiram prolongar os resultados obtidos a nível europeu. Por este meio, os quadros de referência definidos a nível europeu pela CoESS e Uni-Europa são discutidos, modificados e transpostos voluntariamente a nível nacional pelos agentes em causa. No âmbito das suas competências, a CoESS e Uni-Europa tencionam prosseguir e desenvolver o seu diálogo social para melhorar a sua qualidade, pertinência e eficácia e para que possa influenciar mais os responsáveis pela tomada de decisões no âmbito de uma maior harmonização das situações nacionais. Nesta perspectiva, a CoESS e Uni-Europa tentarão elaborar a nível europeu um código de conduta destinado às empresas do sector. Além disso, a CoESS e Uni-Europa declaram-se dispostos a utilizar todos os meios à sua disposição incluindo os procedimentos previstos pelo Tratado da União Europeia que lhes permita negociar e celebrar acordos a nível europeu. APELO ÀS AUTORIDADES PÚBLICAS Embora a CoESS e a Uni-Europa desenvolvam todos os esforços no sentido de conseguir uma maior harmonização das regulamentações aplicáveis no sector, convém salientar um limite importante da sua acção. Com efeito, muitos dos temas abordados no âmbito do diálogo social europeu ultrapassam o âmbito de competências da CoESS, de Uni-Europa e das suas respectivas filiais. Vários temas abrangidos no âmbito do diálogo social europeu dependem igualmente da competência do Conselho de Ministros europeus e dos governos nacionais. Além disso, não podendo actuar sozinhos sobre estes diferentes temas, a CoESS e Uni-Europa instam os ministros europeus competentes a tomar as medidas necessárias para que, em todos os países da União Europeia, o sector da segurança privada seja regulado por legislações destinadas a assegurar normas de qualidade elevadas e um elevado grau de profissionalismo e para que se possa desenvolver uma harmonização europeia sobre os seguintes aspectos: AUTORIZAÇÕES DE EXERCER (TRABALHADORES) A fim de garantir um elevado nível de profissionalismo do sector na União Europeia, conviria assegurar que as pessoas empregadas tenham todas as aptidões morais e profissionais exigidas para trabalhar neste sector. Particularmente, estas autorizações deveriam ser concedidas pelas autoridades após um exame do registo criminal do candidato. A fim de tornar possível a mobilidade dos trabalhadores e dos serviços no âmbito do mercado interno, conviria assegurar que as exigências nacionais para a concessão destas autorizações sejam comparáveis entre países europeus. Além disso, estas autorizações concedidas deveriam ser mutuamente 3

4 reconhecidas entre os Estados-Membros da União Europeia a fim de permitir a livre circulação dos trabalhadores. LICENÇAS (EMPRESAS) A fim de garantir a livre circulação dos serviços e a liberdade de estabelecimento para as empresas do sector mas também com vista a garantir a moralidade dos dirigentes da empresa, conviria instaurar em todos os países da União Europeia um sistema europeu de licenças. Estas licenças constituiriam uma pré-condição para o respeito das regras comerciais, financeiras, sociais, morais e éticas que se impõem à empresa. Todas as empresas activas e os seus dirigentes no sector deveriam ser titulares de uma licença. A avaliação prévia da concessão desta licença deveria efectuar-se em bases independentes do sector e segundo processos europeus considerados leais e transparentes. É fundamental que os Estados-Membros apliquem exigências precisas às sociedades para obter uma autorização no território europeu, em referência a um quadro mínimo europeu. AVALIAÇÃO E CONTROLO PELOS PODERES PÚBLICOS As autorizações de exercício de que devem dispor os trabalhadores e as empresas não são concedidas indefinitivamente. Os Estados-Membros deveriam implantar sistemas de reavaliação dos critérios que permitiram estas concessões. Com vista a permitir a continuidade do reconhecimento mútuo entre Estados-Membros das autorizações de exercer, os sistemas de controlo e de avaliação implantados nos diferentes Estados deveriam funcionar com base em normas mínimas definidas a nível europeu. FORMAÇÃO PROFISSIONAL Os parceiros sociais europeus CoESS e Uni-Europa salientaram em diversas ocasiões que a qualidade dos serviços de segurança se baseia principalmente no nível de formação profissional adquirido pelo pessoal. Admitiu igualmente que a segurança do trabalhador e da empresa utilizadora bem como a capacidade das empresas de segurança privada para garantir a qualidade dos serviços depende em boa parte do nível de formação do pessoal. Assim, é evidente para a CoESS e Uni-Europa que as pessoas que pretendam ser recrutadas no sector devem seguir com êxito uma formação profissional de base. Este nível mínimo de formação deveria ser definido a nível europeu. Isso permitiria evitar determinadas distorções de concorrência com base em legislações nacionais demasiado diferentes em matéria de formação de base. A CoESS e Uni-Europa já definiram este nível mínimo no manual de formação e consideram que uma acção legislativa europeia deveria ter por base este manual. SAÚDE E SEGURANÇA Os riscos profissionais são importantes na segurança privada e são específicos do sector. São numerosos os trabalhadores que sofrem situações de stress permanente ou que vivem quotidianamente na angústia de uma agressão. Deveriam ser definidas a nível europeu normas mínimas em matéria de saúde e segurança para o pessoal de segurança privado. Uma harmonização europeia nesta matéria deveria garantir um nível óptimo de prevenção dos riscos profissionais próprios ao sector da segurança privada. Graças a uma acção desse tipo, a União Europeia permitiria evitar que a concorrência entre empresas tenha um efeito negativo sobre as condições em matéria de saúde e segurança. 4

5 CONDIÇÕES DE TRABALHO As condições de trabalho por vezes difíceis que se verificam no sector da segurança têm sobre um grande número de empresas as seguintes consequências: taxa de rotação importante do pessoal, partida de trabalhadores qualificados, dificuldade de renovação do pessoal, insatisfação do pessoal. Esta situação constitui por vezes o reflexo de uma forte concorrência baseada unicamente no critério do preço mais baixo a que se dedicam ainda demasiado empresas, por vezes sob a pressão de clientes que pretendem ignorar as exigências da profissão. Com vista a melhorar o atractivo do sector, a estabilidade do pessoal e a qualidade do serviço, a CoESS e Uni-Europa consideram que seria necessário que, no âmbito das suas respectivas competências, as autoridades públicas e os parceiros sociais, definam, num quadro europeu, as condições mínimas de trabalho que garantam um nível correcto de bem-estar no trabalho. PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS TRANSFRONTEIRIÇOS As prestações de serviços transfronteiriços de segurança privada são por vezes dificultadas por regulamentações nacionais demasiado diferentes entre elas. Daí resulta que as empresas de segurança, os trabalhadores do sector bem como os clientes do sector não possam aproveitar os potenciais do mercado interno. Embora respeitando o Tratado da União Europeia e as suas restrições nacionais relativas à ordem pública e segurança pública, a CoESS e Uni-Europa consideram que convém harmonizar as legislações nacionais com vista a permitir a livre circulação dos serviços de segurança privada na União Europeia sem degradação das condições de trabalho e/ou das outras normas nacionais existentes. Essa harmonização deveria ser prevista no âmbito de um reforço europeu das regras relativas à ordem pública, a segurança pública e ao direito social. A CoESS e Uni-Europa consideram, por outro lado, que no âmbito do quadro do futuro alargamento da União Europeia, conviria dispor de um quadro regulamentar harmonizado a nível europeu para o sector da segurança privada. Esse quadro seria com efeito particularmente útil para os países candidatos com vista à sua preparação à adesão. A CoESS e Uni-Europa consideram igualmente que qualquer processo de harmonização deveria ser feito respeitando as modalidades de cooperação entre as autoridades públicas e os parceiros sociais do sector prevalecente a nível nacional. Contudo, a fim de garantir uma melhor eficácia da harmonização das regulamentações que regem o sector, as autoridades responsáveis deveriam fazer esforços no sentido de instaurar ou de desenvolver modalidades de cooperação tais que todas as partes interessadas, e em primeiro lugar a sociedade no seu conjunto, possam beneficiar da melhor segurança proposta. Finalmente a CoESS e Uni-Europa e os seus respectivos membros consideram que dado o seu papel de legítimo representante das empresas e dos trabalhadores deveriam ser envolvidas no processo e nos trabalhos que deveriam conduzir a uma melhor harmonização das regulamentações nacionais aplicáveis à segurança privada. Nesse sentido, a CoESS e Uni-Europa declaram-se dispostas a cooperar estreitamente com o Conselho de Ministros Europeus, os ministros nacionais competentes, a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu. Assinado em Bruxelas, 13 de Dezembro de 2001 Pela CoESS Pela Uni-Europa 5

6 Marco Pissens Presidente Bernadette Tesch-Ségol Secretária regional Lista dos textos comuns adoptados pela CoESS e Uni-Europa no âmbito do seu diálogo social: A formação profissional no sector europeu da segurança privada (25 de Setembro de 1996) Parecer comum dos parceiros sociais europeus do sector dos serviços de segurança privada sobre a regulamentação e concessão de licenças (25 de Setembro de 1996) Acordo entre a CoESS e EuroFiet 1 com vista a criar um Comité de diálogo sectorial (15 de Dezembro de 1998) Memorando da CoESS e da EuroFiet sobre a adjudicação de contratos celebrados com as empresas de segurança privada no sector público (10 de Junho de 1999) Declaração conjunta sobre o reconhecimento mútuo entre a CoESS e a EuroFiet sobre o diálogo social (10 de Junho de 1999) Declaração comum da CoESS e da EuroFiet sobre o futuro alargamento da União Europeia nos países da Europa Central e Oriental (11 de Junho de 1999) Declaração conjunta da CoESS e Uni-Europa sobre a modernização da organização do trabalho no sector da segurança privada (11 de Julho de 2000) 1 Uni-Europa desde 1 de Janeiro de

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