A forma da abertura de sindicância e processo administrativo para apurar denúncia contra os membros do Conselho Tutelar; A proporção mínima de

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1 Sugestões para modificação da lei municipal que cria o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Conselho Tutelar e o Fundo da Infância e Adolescência Os municípios brasileiros precisam alterar a lei municipal que cria o Conselho Tutelar, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Fundo da Infância e Adolescência (FIA). As mudanças nos marcos regulatórios nacionais (recomendações, resoluções e leis), que disciplina os referidos órgãos e o fundo, trás a necessidade de alterar a lei municipal. O processo de mobilização, articulação e discussão deve ser de iniciativa do Conselho Municipal, com a participação da sociedade civil organizada, Conselho Tutelar e do poder público local. Caso não haja iniciativa do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, qualquer cidadão do município, Conselho Tutelar ou Poder executivo municipal poderá iniciar o processo de discussão da proposta de lei municipal ou provocar o Ministério Público. O encaminhamento do projeto de lei à Câmara Municipal é de competência do poder executivo local, por ser tratar de matéria que geram despesas ao erário público. Sobre o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), A legislação municipal deverá prever: O custeio ou reembolso das despesas decorrentes de transporte, alimentação e hospedagem dos membros titulares ou suplentes, para que se façam presentes às reuniões ordinárias e extraordinárias; Fornecimento pelo poder executivo municipal dos recursos humanos e estrutura técnica, administrativa e institucional necessários ao seu funcionamento; A viabilização do espaço físico adequado para o seu funcionamento; Prazo para o poder executivo municipal nomear e dar posse aos seus representantes de acordo com a sua estrutura administrativa; A participação da sociedade civil, bem como prazos de atuação da organização das referidas entidades no município, que poderão concorrer ao CMDCA. O processo de escolha dos representantes da sociedade civil; Prazo para convocação do processo de escolha das entidades da sociedade civil; Previsão de criação de uma comissão eleitoral composta por conselheiros representantes da sociedade civil, para organizar e realizar o processo eleitoral das entidades não governamentais; A quem pertence o mandato dos representantes no Conselho Municipal bem como as substituições caso ocorra; A fiscalização pelo Ministério Público e pelas organizações da sociedade civil organizada;

2 O tempo de mandato das organizações da sociedade civil junto ao Conselho bem como critérios para a reeleição das mesmas; Quais as instituições, órgãos, e entidades que não deverão compor o Conselho Municipal; As situações em que os representantes do governo e das organizações da sociedade civil poderão ter seus mandatos suspensos ou cassados, O procedimento para instauração do processo administrativo; O quórum para decisão da abertura do processo administrativo; A elaboração do regimento Interno onde constem os instrumentos normativos para o bom funcionamento do órgão; Critérios necessários para o registro das organizações da sociedade civil, bem como a inscrição dos programas de atendimento a crianças, adolescentes e suas respectivas famílias; Período de recadastramento das organizações da sociedade civil, e os programas de atendimento a crianças e adolescentes e suas respectivas famílias; As competências do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em relação ao Fundo Municipal da Infância e da Adolescência, prevendo: A realização periódica de diagnósticos relativos à situação da infância e da adolescência; A divulgação do total dos recursos recebidos e a respectiva destinação, por projeto / programa atendido; A elaboração dos planos de ação e aplicação dos recursos do Fundo; A elaboração dos editais, com os requisitos e critérios para a apresentação de projetos a serem beneficiados com recurso do Fundo; A publicização dos projetos aprovados em cada ano e o valor dos recursos previstos para implementação das ações; O monitoramento e fiscalização da aplicação dos recursos do Fundo; O monitoramento, fiscalização e a avaliação dos programas, projetos e ações financiadas com os recursos do Fundo; Atividades relacionadas a campanhas de captação de recursos para o Fundo; A mobilização da sociedade para participar no processo de elaboração e implementação da política de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente. A publicização do calendário de suas reuniões; Em relação ao Conselho Tutelar a legislação municipal deverá prever: O período do mandato, os direitos trabalhistas e a remuneração dos seus membros; As penalidades administrativas de seus membros;

3 A forma da abertura de sindicância e processo administrativo para apurar denúncia contra os membros do Conselho Tutelar; A proporção mínima de habitantes para a criação de novos Conselhos Tutelares, de acordo com a realidade do município; Os critérios para distribuí-los conforme a configuração geográfica e administrativa da localidade, a população de crianças e adolescentes e a incidência de violações a seus direitos; Dotação orçamentária estabelecendo rubrica específica para implantação, manutenção, formação continuada, funcionamento do Conselho Tutelar e o custeio de suas atividades. O órgão / secretaria do poder executivo municipal no qual o Conselho Tutelar deverá ser vinculado administrativamente; O fornecimento pelo poder executivo municipal da equipe administrativa e de apoio necessário ao funcionamento do órgão; Critérios para a realização do processo de escolha dos seus membros; A criação de uma comissão eleitoral composta por Conselheiros Municipais do Direito, paritária, para a realização do processo de escolha; A fiscalização do processo de escolha pelo Ministério Público; A forma de convocação do suplente, caso ocorra vacância ou afastamento de quaisquer dos membros titulares; A carga horária dos seus membros; O período do funcionamento do Órgão; A forma de fiscalização do cumprimento da jornada de trabalho; Meios de sistematização das informações relativas às demandas e deficiências na estrutura de atendimento à população de crianças e adolescentes; O período para a apresentação do relatório, a sociedade e aos órgãos, contendo a síntese dos dados referentes ao exercício de suas atribuições; Previsão de prova de conhecimento sobre o direito da criança e do adolescente, de caráter eliminatório; Previsão de impedimentos de parentes servir como membros no mesmo Conselho Tutelar; A comprovação da escolaridade; A elaboração do Regimento Interno; A resolução regulamentadora do processo de escolha, com as seguintes normativas: O custeio, pelo município, de todas as despesas decorrentes do processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, A responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, dar ampla publicidade ao processo de escolha dos membros para o Conselho Tutelar;

4 Critérios para a candidatura a membro do Conselho Tutelar respeitando as resoluções do CONANDA, e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Previsão de formação específica sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente aos candidatos e aos eleitos; Data e horário da eleição; Indicação do dia, hora e local do resultado, nomeação e posse dos membros do Conselho Tutelar; Quem serão os eleitores; Prazos para recorrer das decisões da comissão eleitoral e do Pleno do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Em relação à Criação e execução do Fundo da Infância e Adolescência FIA, a legislação municipal deverá prever: A constituição do Fundo especial, criado e mantido por lei, com recursos do Poder Público e de outras fontes; As fontes de receitas, seus objetivos e finalidades; A vinculação ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; A regulamentação por parte do poder executivo; A execução orçamentária do Fundo, segundo as normas gerais que regem a lei orçamentária; Os critérios para alocação dos recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, para o financiamento ou co-financiamento dos programas de atendimento, executados por entidades públicas e privadas; A previsão por parte do Poder Executivo de designar servidores públicos que atuarão como gestor e/ou ordenador de despesas do Fundo; Qual órgão / secretaria ficará vinculado o Fundo da Infância e Adolescência; A criação de registro próprio, de modo que a disponibilidade de caixa, receita e despesa, fique identificada de forma individualizada e transparente. Em relação às Fontes de Receitas e Normas a legislação municipal deverá prever: Recursos públicos que lhes forem destinados, consignados no orçamento do Município; As doações de pessoas físicas e jurídicas; As destinações de receitas dedutíveis do Imposto de Renda; As contribuições de governos estrangeiros e de organismos internacionais multilaterais; O resultado de aplicações no mercado financeiro; Os recursos provenientes de multas e concursos de prognósticos; Os recursos consignados no orçamento do município;

5 O percentual de retenção dos recursos captados, em cada chancela; As condicionalidades para aplicação dos recursos do Fundo Municipal; Os programas e projetos de pesquisa, de estudos, elaboração de diagnósticos, sistemas de informações, monitoramento e avaliação das políticas públicas; Os programas e projetos de capacitação e formação profissional continuada dos operadores do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente; O desenvolvimento de programas e projetos de comunicação, campanhas educativas, publicações e divulgação; Em relação às vedações da utilização do recurso do Fundo da Infância e Adolescência, a legislação municipal deverá prever: Despesas que não se identifiquem diretamente com a realização de seus objetivos ou serviços determinados pela lei que o instituiu; Transferência sem a deliberação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Pagamento, manutenção e funcionamento do Conselho Tutelar; Manutenção e funcionamento do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Financiamento das políticas públicas sociais básicas, em caráter continuado, e que disponham de fundo específico; Investimento em aquisição, construção, reforma, manutenção e/ou aluguel de imóveis públicos; Em relação às Atribuições do Gestor do Fundo da Infância e Adolescência a legislação municipal deverá prever: A coordenação e a execução do plano anual de aplicação dos recursos do fundo; A execução e o acompanhamento do ingresso de receitas e o pagamento das despesas do fundo; A emissão de empenhos, cheques e ordens de pagamento das despesas do Fundo; O fornecimento do comprovante de doação/destinação ao contribuinte, contendo a identificação do órgão do Poder Executivo, endereço e número de inscrição no CNPJ no cabeçalho e, no corpo, o n de ordem, nome completo do doador/destinador, CPF/CNPJ, endereço, identidade, valor efetivamente recebido; O encaminhamento à Secretaria da Receita Federal a Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), por meio eletrônico; A comunicação obrigatória aos contribuintes até o último dia útil do mês de março;

6 Apresentação trimestralmente ou quando solicitada pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, a análise e avaliação da situação econômico-financeira do Fundo; A manutenção dos arquivos, pelo prazo previsto em lei, os documentos comprobatórios da movimentação das receitas e despesas do Fundo; A emissão de comprovante para cada doador; A abertura de conta bancária específica destinada exclusivamente a gerir os recursos do Fundo; Em relação ao controle e fiscalização, a legislação municipal deverá prever: A prestação de contas da gestão aos órgãos de controle interno do Poder Executivo e ao Conselho Municipal dos Direitos, bem como ao controle externo por parte do Poder Legislativo, do Tribunal de Contas e do Ministério Público; A representação ao Ministério Público caso tenha indícios de irregularidades, ilegalidades ou improbidades em relação ao Fundo ou suas dotações nas leis orçamentárias; Ampla divulgação das ações prioritárias das políticas de promoção, proteção, defesa e atendimento dos direitos da criança e do adolescente; Divulgação dos prazos e os requisitos para a apresentação de projetos a serem beneficiados com recursos do Fundo; A divulgação da relação dos projetos aprovados em cada edital, o valor dos recursos previstos e a execução orçamentária efetivada; A divulgação do total das receitas previstas no orçamento do Fundo para cada exercício; e os mecanismos de monitoramento, de avaliação e de fiscalização dos resultados dos projetos beneficiados com recursos do Fundo; A referência ao Conselho e ao Fundo Municipal como fonte pública de financiamento das ações, projetos e programas que tenham recebido financiamento do Fundo da Infância e Adolescência. As sugestões aqui apresentadas têm como referência as resoluções e recomendações do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e a lei federal nº 8.069/90. Ressalto que a legislação municipal, poderá acrescer outros critérios, desde que não fira a legislação vigente. Aguardo as contribuições dos leitores. Sérgio Borges Professor

7 Referências Bibliográficas: BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente, (1990). Lei n.8.069, de 13 de julho de 1990: Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Belém. CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Dispõe sobre os Parâmetros para Criação e Funcionamento dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Resolução n. 105 de 15 de junho de CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Altera dispositivos da Resolução Nº 105/2005 que dispõe sobre os Parâmetros para Criação e Funcionamento dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Resolução n. 106 de 17 de novembro de CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Altera dispositivos das Resoluções nº 105/2005 e 106/2006, que dispõe sobre os Parâmetros para Criação e Funcionamento dos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Resolução n. 116 /2006. CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Dispõe sobre os parâmetros para a criação e o funcionamento dos Fundos Nacional, Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Resolução n. 137, de 21 de janeiro de CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Dispõe sobre os parâmetros para a criação e funcionamento dos conselhos tutelares no Brasil, e dá outras providências. Resolução n. 139, de 17 de março de 2010.

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