Aspectos políticos e econômicos da África SUMÁRIO DE AULA. Objetivos

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1 CLUBE MILITAR DEP. CULTURAL DIV. DE CURSOS SERAPREP / CM UNIDADE ÁFRICA ASSUNTO ASPECTOS POLÍTICOS E ECONÔMICOS DA ÁFRICA OBJETIVOS II. 07 à II. 13 ORIENTADOR Cel Benedito da Silva SERRA Junior SUMÁRIO DE AULA Objetivos Caracterizar o espaço africano, em especial posição, orografia, hidrografia, litoral, vegetação e clima, destacando as grandes regiões africanas e a organização e ocupação desse espaço; Identificar os principais países africanos que mantém relações internacionais com o Brasil; Caracterizar a estrutura política dos principais países africanos que mantém relações internacionais com o Brasil; Explicar a estrutura econômica dos principais países africanos que mantém relações internacionais com o Brasil; Caracterizar a participação dos principais países africanos que mantém relações internacionais com o Brasil nos organismos de segurança mundial e regionais; Apresentar tendências e atitudes dos principais países africanos que mantém relações internacionais com o Brasil, com relação à política externa brasileira; Analisar as possibilidades atuais e futuras de comércio exterior entre os países africanos e o Brasil. a. África A África encontra-se à margem da globalização. Não por opção política, mas por causa defasagem econômica. A cada ano, o continente vê aumentar o abismo que o separa do mundo desenvolvido. Por quê? Não existe uma explicação única. Mas, paradoxalmente, o principal motivo da atual exclusão africana foi sua inclusão forçada no circuito global do passado. Até a Segunda metade do século xx, o continente esteve sob o domínio das potências colonialistas européias. Imensas riquezas naturais foram-lhe subtraídas (inclusive seres humanos transformados em escravos e trazidos para a América entre os séculos XVI e XIX). Seus grupos étnicos foram divididos e separados em colônias ou agrupados contra a vontade em Territórios comuns. O trauma desses processos ainda não foi superado. Por esse e outros fatores, a África responde por menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, tem Quase metade da população vivendo abaixo da linha da pobreza (com renda inferior a 1 dólar por dia) e está sendo devastada por uma epidemia de AIDS. Disputas por recursos minerais e rivalidades étnicas provocaram, nos últimos 40 anos dezenas de conflitos armados, que mataram milhões de pessoas e causaram migrações 38 E.H.

2 maciças. Para reverter esse quadro desolador, os países do continente criaram, em julho 2002, a União Africana, inspirada na União Européia. Ela prevê a implementação programas de desenvolvimento. E acena com a futura eliminação das fronteiras. Porém enorme carga de problemas torna esse objetivo difícil de ser alcançado. b. As duas Áfricas. O continente africano, com cerca de 30 milhões de km 2, tem duas sub-regiões claramente delimitadas: a África Branca ou Setentrional e a África Negra, ou Subsaariana. O limite natural entre ambas é o deserto do Saara. Os cinco países da África Branca têm características físicas e humanas semelhantes às do Oriente Médio. Seu clima é desértico e a região é ocupada desde o século VII por povos árabes, responsáveis pela difusão do islamismo e da língua e da cultura árabes. A porção mais ocidental, conhecida como Magreb ( poente em árabe), a África Branca compreende o Marrocos, a Argélia, a Tunísia, a Líbia e o Egito. A África Subsaariana, bem mais extensa, reúne a maioria da população, predominantemente negra. Nessa região concentram-se alguns dos principais problemas econômicos e sociais do planeta. Índices alarmantes de desnutrição são registrados na Somália (75%), Burundi (66%) e República Democrática do Congo (64%). Lá também vivem 28,5 dos 40 milhões de portadores do vírus HIV no mundo em no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), feito pela ONU, as 27 últimas colocações, de um total de 173, pertencem a nações africanas situadas, na maioria, ao sul do Saara. Outro flagelo da região são as guerras civis que opõem diferentes grupos étnicos e os ciclos aparentemente intermináveis de golpes e contragolpes de Estado. c. População Enquanto os desertos são praticamente despovoados, o vale do rio Nilo, por exemplo, apresenta densidade média superior a 800 hab / km 2. E há centros urbanos intensamente povoados como Cairo, Argel e Cidade do Cabo. Verifica-se o predomínio das religiões nativas (aparentadas com o candomblé do Brasil) nos países ao sul do Saara e do islamismo nas nações do norte. Existem também importantes enclaves cristãos como os da Etiópia (um dos países de cristianização mais antigos do mundo) e outros decorrentes da colonização européia. Há enorme diversidade lingüística: as línguas e os dialetos locais, do tronco africano, convivem com idiomas introduzidos pelos europeus, em especial o inglês, o francês e o africâner (uma corruptela do holandês falado no século XVII). d. Economia A África é o continente menos desenvolvido do mundo. Os poucos pólos de desenvolvimento se devem à exploração mineral (África do Sul, Líbia, Nigéria e Argélia) e, em menor escala, à industrialização (África do Sul). A África do Sul é a maior extratora de minérios do continente e detém, sozinha, quase um quarto do PIB africano. O continente continua a ser essencialmente agrícola. Monoculturas de exportação (café, cacau, algodão, amendoim etc) alternam-se com lavouras de subsistência. Por isso, cerca de 90% da receita de exportação da África provém da mineração. Na extração de petróleo e gás natural destacam-se a Líbia, a Nigéria e a Argélia. A África registrou decréscimo da renda per capita (de -0,8% a -1,2%) entre 1970 e 1995 (dados do Banco mundial). 1. OCUPAÇÃO E ORGANIZAÇÃO A história africana consigna a presença de diversas civilizações nativas, desde a egípcia até os reinos negros de Gana, Mali, Shongai e outros. 39 E.H.

3 A partir do século XV, teve início a colonização européia que compreendeu três fases: a primeira, de caráter meramente mercantilista entre os séculos XV e XVIII, consistiu na ocupação de pontos do litoral onde se instalavam entrepostos e feitorias de apoio ao comércio; a segunda fase, a partir do século XVIII, foi marcada pela ocupação territorial de forma desordenada e visando apenas à exploração de recursos naturais. o choque de interesses dos colonizadores levaria à Conferência de Berlim (Dez Fev. 1885) que redundou na partilha da África, feita de forma despótica, sem considerar a organização e a situação dos povos nativos. Essa partilha (3ª fase) prevaleceu até a independência dos países africanos, ocorrida, em sua maioria, após a Segunda Guerra Mundial, e foi responsável, em boa parte, pelos inúmeros conflitos que ainda afligem o continente. A partir de então, as jovens nacionalidades africanas vêm lutando para superar o subdesenvolvimento econômico e os antagonismos políticos que deterioram, ainda mais, o já fragilizado tecido social herdado da colonização. 2. PAÍSES Total: 53 - África do Sul, Angola, Argélia, Benin, Botsuana, Burkina Fasso, Burundi, Cabo Verde, Camarões, Chade, Comores, Congo, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Eritréia, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Lesoto, Libéria, Líbia, Madagáscar, Malauí, Mali, Marrocos, Maurício, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Quênia, República Centro-Africana República Democrática do Congo, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Seicheles, Somália, Suazilandia, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia, Zimbábue. 3. ASPECTOS SOCIAIS a. Etnias, línguas e religiões: Na África do Norte, predominam os árabes, egípcios e berberes. A língua principal é o árabe e a religião, o islamismo. Na África Subsaariana, a maioria da população está classificada em dois grupos etnolingüísticos: os bantos (regiões central e meridional) e os sudaneses (região ocidental). A estes dois grandes conjuntos, somam-se minorias negras, além de brancos e asiáticos. Existe, aí, uma grande variedade de línguas e dialetos nativos convivendo com idiomas europeus. No campo religioso, o islamismo e o cristianismo dividem as preferências com os cultos animistas praticados por boa parte da população nativa. O islamismo, que é predominante na África do Norte, avança através do Saara e do litoral do Índico, alcançando maioria em vários países subsaarianos, inclusive na Nigéria, o mais populoso da África. O islamismo político, cujos seguidores são denominados fundamentalistas, é o movimento que apresentou nos últimos 15 anos, o maior crescimento no continente africano. Iniciado com a Revolução Islâmica no Irã no final dos anos 70, esse movimento pretende implantar, nos países cuja população é muçulmana, regimes islâmicos de governo. Nesse regime, a ação governamental fica subordinada aos códigos morais e religiosos estabelecidos no Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. b. Demografia: O contingente populacional africano atinge 750 milhões de habitantes e apresenta um crescimento médio de 2,6 a 3,0 %, as mais altas taxas do mundo. Sua distribuição é irregular, 40 E.H.

4 mercê da fisiografia do continente e do processo de ocupação. O continente vive um processo de urbanização acelerado, devido ao êxodo rural, que agrava o desemprego e as condições de vida nas cidades. As maiores cidades africanas são: Cidade do Cabo, Johanesburgo, Durhan e Pretória (na África do Sul), Luanda (em Angola), Argel (na Argélia), Douala (em Camarões), Abidjan (na Costa do Marfim), Cairo, El Giza e Alexandria (no Egito), Adis-Abeba (na Etiópia), Conocri (na Guiné), Antanarivo (em Madagáscar), Casa Blanca e Rabat (em Marrocos) Lagos e Ibadan (na Nigéria), Nairobi (no Quênia), Kinshasa (na República Democrática do Congo), Dacar (no Senegal), Omdurman (no Sudão), Dar Es Salaam (na Tanzânia), Harare (no Zimbábue) c. Educação: A África Subsaariana apresenta o maior índice de analfabetismo do mundo aliado ao menor índice de educação superior. d. Subnutrição: A África Subsaariana apresenta o maior índice de subnutrição do mundo. e. Saúde: A África Subsaariana apresenta o maior índice de mortalidade infantil do mundo. f. Qualidade de vida: Os menores índices de IDH do mundo registram-se na África, em Serra Leoa, Níger, Burundi e Moçambique. g. Condições de vida: Em geral, são precárias as condições de vida no continente. O quadro é um pouco melhor na África do Norte mas, mesmo lá, existem bolsões de extrema pobreza, particularmente no Egito. Na África Subsaariana, há sérias deficiências nos setores alimentar, educacional, sanitário e habitacional. Grandes contingentes populacionais vivem em condições sub-humanas e são vítimas da forme, do analfabetismo e das doenças. 4. ASPECTOS POLÍTICOS África do Sul - É o país com maior número de portadores do HIV com conseqüência direta na condição política e econômica do país. A África Subsaariana detém 70% de todos os aidéticos do planeta. - Apartheid Angola - Em paz após a morte de Jonas Savimbi em abril de MPLA X UNITA firmam um cessar fogo após 30 anos de guerra civil (1 milhão de mortes). Argélia Fundamentalismo islâmico de responsabilidade do Grupo Islâmico Armado (GIA). Marrocos Problema com o Saara Ocidental (região ao sul do Marrocos) disputado entre o Marrocos (pretende anexar esse território) e a Frente Polisário (pretende a independência da região). 41 E.H.

5 República Democrática do Congo Em paz. As tropas de Ruanda e Uganda retiraram-se em outubro de 2002 da RDC (2,5 milhões de mortos). Ruanda Guerra civil entre hutus e tutsis em 1994; massacre dos hutus com mortes. Os responsáveis por esse genocídio estão sendo julgados por tribunais internacionais. Egito Fundamentalismo islâmico de responsabilidade da Irmandade Muçulmana do Egito. 5. ECONOMIA AFRICANA a. Recursos naturais: ricas florestas, já em adiantado processo de devastação; fauna diversificada, que dinamiza o turismo, importante fonte de renda no continente; extraordinário potencial em recursos minerais, já, em parte, objeto de aproveitamento. b. Produção mineral: 1) Energéticos: Carvão: África do Sul, Malani, Marrocos, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Suazilândia Petróleo: Angola, Argélia (um dos maiores produtores mundiais), Benin, Camarões (principal produto), Congo, Costa do Marfim, Egito, Gabão, Guiné Equatorial, Líbia (base da economia), Nigéria (responde por 90% das exportações), República Democrática do Congo, Tunísia Gás natural: Argélia, Congo, Costa do Marfim, Egito, Guiné Equatorial, Líbia, Nigéria 2) Metais preciosos: Ouro: África do Sul, (maior produtor mundial), Burkina Fasso, Burundi, Costa do Marfim, Etiópia, Gana (produção entre os dez mais importantes do mundo), Guiné, Libéria, Mali, Mauritânia, Namíbia, Quênia, Serra Leoa, Sudão, Tanzânia, Uganda, Zimbábue; Prata: Mali, Zimbábue; Platina: África do Sul; Diamantes: África do Sul, Angola, Botsuana, Costa do Marfim, Gana, Guiné, Lesoto, Libéria, Moçambique, Namíbia, República Centro Africana, República Democrática do Congo (líder mundial na produção), Serra Leoa (principal atividade econômica), Suazilândia, Tanzânia Pedras semi-preciosas: Madagáscar Pedras preciosas: Madagáscar Rubi: Quênia Safira: Quênia Esmeralda: Zimbábue 3) Ferrosos: Ferro: África do Sul, Angola, Argélia, Egito, Libéria, Mali, Mauritânia (uma das maiores reservas do mundo) Moçambique, Namíbia, Nigéria, Zimbábue; Manganês: Angola, Egito, Gabão, Gana, Guiné, Namíbia; 42 E.H.

6 4) Não-ferrosos: Cobre: Angola, Botsuana, Namíbia, República Democrática do Congo, Zâmbia, Zimbábue; Níquel: Botsuana, Zimbábue; Bauxita: Gana Guiné, Moçambique, Serra Leoa; Chumbo: Namíbia (2º produtor mundial), Zâmbia, África do Sul; Cobalto: República Democrática do Congo, Zâmbia; Zinco: Namíbia, Zâmbia; Manganês: África do Sul Cromo: África do Sul, Zimbábue Titânio: África do Sul Antimônio: África do Sul Mercúrio: Argélia Estanho: Burundi, Nigéria Urânio: Lesoto, Namíbia, Níger (base da economia) Cromita: Madagáscar, Sudão Grafite: Madagáscar c. Produção não mineral Mármore Benin Calcário Benim, Camarões, Djibuti, Eritréia, Etiópia, Malani, Quênia, Somália, Uganda. Natrão Botsuana, Chade Pozolana Cabo Verde Areia Camores, Djibuti, Etiópia Cascalho Camores, Djibuti Pedra Camores, Djibuti, Eritreia, Etiópia Sal Djibuti, Moçambique, Quênia, Senegal, Somália, Sudão, Tanzânia Fosfato Egito, Mali, Marrocos (uma das principais do mundo), Togo, Tunísia. Gipsita Etiópia, Mauritânia, Níger Fosfato de Cálcio Senegal Guano - Scicheles d. Mineração: Ocupa um lugar importante na economia africana. É controlada, em grande parte, por empresas estrangeiras. e. Agropecuária: Na África do Norte, a maior produção agropecuária ocorre no vale do rio Nilo e na costa mediterrânea. Na África do Subsaariana, destacamos dois tipos de exploração agrícola: a de subsistência, praticada pelos nativos de forma ainda rudimentar, com pouco uso de tecnologia, baixo índice de mecanização e ocupando as terras menos férteis. Como resultado, o rendimento é baixo; a de exportação, com melhor rendimento, praticada por empresas, em sua maioria estrangeiras, usando as melhores terras e com elevado índice de tecnologia e mecanização. Esse quadro e mais a irregularidade das chuvas explicam a baixa produtividade na agropecuária de subsistência e a conseqüente incapacidade para atender a demanda de alimentos. 43 E.H.

7 f. Indústria e Tecnologia: Atividades ainda incipientes na África. O país mais industrializado é a África do Sul, seguida do Egito e dos grandes produtores de petróleo. Nos demais, a industrialização restringe-se, praticamente, à mineração e a setores de pequena exigência tecnológica, como o têxtil e o alimentício. Há projetos em andamento nos setores químico, metalúrgico e mecânico, alguns já em produção, mas têm pouco peso no quadro geral da economia africana. g. Energia: A África tem elevado potencial energético, graças às reservas de hidrocarbonetos, carvão e urânio e às possibilidades de aproveitamento hidrelétrico. A demanda vem crescendo devido à urbanização e a algumas iniciativas industriais. O grande problema é a carência de investimentos. Apesar disso, um grande projeto hidrelétrico foi implantado em Moçambique, a Usina de Cabora Bassa, nas corredeiras do rio Zambeze, atendendo a uma vasta região da África Austral. h. Transportes: A rede africana é deficiente, por razões fisiográficas, históricas e financeiras: relevo acidentado; rios de leitos sinuosos, irregulares e interrompidos; litoral desfavorável; desinteresse do colonizador na implantação de vias terrestres interiores e de integração; por fim, a pequena capacidade de investimento local e o aporte insuficiente de capitais estrangeiros. i. Comunicações: O setor apresenta um desempenho melhor que o de transportes, talvez por ser de mais fácil implantação. Há, porém, ainda muito o que melhorar. As áreas de radiodifusão e telefonia são as que têm recebido maiores investimentos. Um grande obstáculo ao crescimento do setor é a absoluta dependência de importação de equipamento e tecnologia. j. Força de trabalho: Predomina a mão-de-obra desqualificada e de baixo rendimento, motivado pelas precárias condições sociais de grande parte da população. O problema é mais sério na África Subsaariana, particularmente naqueles países em que a desorganização política e sócio-econômica atinge níveis mais elevados (Angola, Moçambique, Libéria, R D Congo etc). A África do Sul pode ser considerada exceção, devido às melhores condições de saúde e educação, embora apresente, também, graves problemas sociais. k. Comércio: O comércio africano é pouco desenvolvido, representando uma parcela insignificante do comércio mundial. O intercâmbio interno é dificultado pela carência de vias de transporte e pelas más condições financeiras, além da produção concorrente, particularmente no setor agropecuário. O comércio com outras áreas consiste na exportação de produtos primários e na importação de alimentos, bens industriais e serviços. É particularmente direcionado para a Europa. 44 E.H.

8 l. Características gerais da economia africana: amplo domínio do setor primário; neocolonialismo (forte ligação econômica com as ex-metrópoles); baixa renda per capita ; desigual distribuição de riqueza; déficits comerciais crônicos; dívida externa crescente. m. Comércio com o Brasil: 1) Aspectos favoráveis: posição relativa; antecedentes históricos; identidades culturais; recursos minerais africanos; estágios de desenvolvimento diferentes 2) Aspectos desfavoráveis: 1º. instabilidade política (em determinados países); 2º. fortes vínculos com as ex-metrópoles; 3º. estagnação econômica; 4º. dificuldades creditícias; 5º. recursos vegetais concorrentes. 6. ATUAÇÃO EM ORGANISMOS INTERNACIONAIS a. Na ONU: limitada aos interesses africanos; ainda muito influenciada pelos ex-colonizadores; dissociada, em face das diferenças políticas e econômicas que separam os países africanos; considerável importância numérica (53 países). b. Na OUA: luta pela unidade africana (ainda sem resultados); criação de uma consciência negra; busca do desenvolvimento econômico e social (também, sem resultados práticos); Apesar dos modestos resultados obtidos, a Organização para a Unidade Africana tem significativa importância como foro de discussão dos problemas africanos. 7. ATITUDE EM RELAÇÃO AO BRASIL muito variável, não havendo, porém, antagonismos insuperáveis; O intercâmbio comercial e de serviços e a presença de empresas brasileiras em solo africano constituem fator de aproximação; A presença brasileira nas forças de paz da ONU atua, também, como fator favorável a um maior entendimento entre os dois lados; A Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, embora sem apresentar resultados práticos, pode ser o início de uma cooperação maior com os países da África Atlântica; A Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa, ainda pouco efetiva, pode ser, futuramente, uma ponte Brasil-África; a concorrência na exportação de produtos tropicais pode gerar pontos de fricção. 45 E.H.

9 Quaisquer que sejam as dificuldades atuais, a África segue sendo uma importante prioridade diplomática para o Brasil. 8. A IMPORTÂNCIA DA ÁFRICA PARA O BRASIL A proximidade do continente africano e o condomínio do Atlântico Sul. A posição estratégica da África em relação aos demais continentes e às rotas marítimas entre Atlântico e o Índico. A importância política desse continente caracterizada pela presença de 53 países. O contingente humano de, aproximadamente, 750 milhões de habitantes. O Grande potencial em recursos naturais. Hoje, os países com maior aproximação com o Brasil são: Angola, África do Sul, Nigéria Moçambique. 9. O MERCOSUL E A ÁFRICA Existem interesses iniciais entre o MERCOSUL e o continente africano os países do sul da África: África do Sul, Namíbia, Botsuana e Lesoto. PAÍSES QUE FALAM PORTUGUÊS Angola Cabo verde Guine Bissau Moçambique São Tomé e Príncipe PAÍSES DA COSTA ATLÂNTICA Marrocos Mauritânia Senegal Gâmbia Guiné Bissau Guiné Serra Leoa Libéria Costa do Marfim Gana Togo Benin Nigéria Camarões Guiné Equatorial Gabão Congo R D C Angola Namíbia África do Sul São Tomé e Príncipe Cabo Verde DESTAQUES EM ECONOMIA Camarões petróleo Líbia petróleo é a base da economia Argélia um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Gana um dos maiores produtores de ouro do mundo RDC líder na produção mundial de diamantes Serra Leoa produção de diamantes é a principal atividade econômica Mauritânia uma das maiores reser-vas de ferro do mundo Namíbia segundo produtor mundial de diamantes, jazidas de cobre e níquel. Níger urânio é a base da economia Marrocos uma das principais reser-vas do mundo de fosfato Angola - 60% do PIB é da exploração do petróleo África do Sul maior PIB do continente; principal produtor de ouro BIBLIOGRAFIA DE APOIO (1) Nota de aula do Cel Francisco da Ressurreição de CASTRO (2) Almanaque Abril de 2002 (3) Geografia dos Continentes (ÁFRICA) de Hélio Carlos Garcia e Tito Márcio Garavello editora Scipione 1997 EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO 46 E.H.

10 ÁFRICA A África é uma região prioritária para o Brasil por razões estratégicas e pelos objetivos comuns nos campos político, econômico e social, além da identidade histórica e cultural. Existe um potencial de interesses, ainda pouco explorado, no relacionamento de nosso país com os países africanos, particularmente com os que se situam na vertente atlântica daquele continente. Do estudo das realidades brasileira e africana, identificar as possibilidades de incremento das relações do Brasil com os países da África e, em conclusão, citar os benefícios que, a longo prazo, esse relacionamento poderá trazer para o nosso país. IDÉIAS PERTINENTES AO ASSUNTO (PEDIDOS) LAMPEJO INICIAL 1. REALIDADE BRASILEIRA (Estudo mental) a. Aspectos Psicossociais longo período de colonização predatória; presença de três raças distintas que se miscigenaram e aculturaram; criação de uma mentalidade tolerante e pacífica; unidade lingüística; sincretismo religioso; graves problemas sociais, particularmente nos setores de saúde, educação e habitação; grandes desigualdades sociais. b. Aspectos Políticos regime democrático consolidado; política externa caracterizada pelo universalismo, a cooperação internacional e a defesa da paz. c. Aspectos Econômicos relativa abundância de recursos naturais, em que pese a carência de alguns insumos do reino mineral (petróleo, carvão e metais não-ferrosos); agropecuária, em geral, pujante, embora apresentando desequilíbrios resultantes de problemas climáticos, má distribuição fundiária e níveis diferenciados de modernização; tradição extrativista, nos reinos vegetal e mineral; parque industrial bem estruturado, complexo e de elevada capacitação, podendo ser considerado o mais importante entre os países em desenvolvimento; carência de alta tecnologia em alguns setores; setor de serviços bastante desenvolvido; mercado interno proporcionalmente pequeno, em virtude da má distribuição de renda; comércio exterior dinâmico, diversificado e geograficamente abrangente; carência de capitais para investimentos e financiamentos. 47 E.H.

11 2. REALIDADE AFRICANA (Estudo mental) a. Aspectos Psicossociais colonização predatória; separação profunda entre o elemento colonizador branco e o nativo, negro; grande diversidade lingüística; grande diversidade religiosa; ressentimentos profundos em relação ao elemento colonizador; fronteiras nacionais herdadas do período colonial, estabelecidas arbitrariamente, resultando na criação de países com sérios problemas de coesão e identidade; graves carências nos setores alimentar, habitacional, sanitário e educacional; sérios desequilíbrios sociais. b. Aspectos Políticos fronteiras nacionais herdadas do período colonial, estabelecidas arbitrariamente, resultando na criação de países com sérios problemas de coesão e identidade; tendência atual de democratização, com a convocação de assembléias constituintes, eleições livres e aperfeiçoamento das instituições; não obstante, permanência de instabilidade em alguns países (Libéria, Serra Leoa, Nigéria, Zaire, Angola, Moçambique, Sudão); Conseqüentemente, o continente vive uma etapa de transformações e incertezas. c. Aspectos Econômicos notável potencial de recursos naturais, particularmente no setor mineral (Gana, Guiné, Gabão, Nigéria, Zaire, Angola, Namíbia e África do Sul, só para citar países africanos da vertente atlântica); prevalência de monoculturas de exportação, com razoável grau de modernização; agricultura de subsistência praticada, ainda, de forma rudimentar; insuficiente produção de alimentos; má distribuição de terras; grande extensão de solos pobres e de climas impróprios para a atividade agrícola; na África do Sul, diferentemente, a agropecuária atingiu elevado grau de modernização e produtividade (particularmente devido ao clima mais favorável e ao modelo de colonização diferente); baixos níveis de industrialização, com exceção da África do Sul; carência geral de tecnologia industrial, mesmo daquelas mais simples; mercado interno proporcionalmente pequeno, em virtude da má distribuição de renda; baixa capacidade no setor de serviços, inclusive no de construção civil; carência de capitais para investimentos e financiamentos; fraco desempenho no comércio internacional; presença permanente de déficits comerciais, agravando o endividamento externo. 3. POSSIBILIDADES DE INCREMENTO DAS RELAÇÕES BRASIL X ÁFRICA a. Campo Psicossocial intensificação do intercâmbio cultural, particularmente com os países africanos de língua oficial portuguesa; treinamento de recursos humanos; cooperação técnica, particularmente em programas nas áreas de educação e saúde (Ex: programas de educação à distância, campanhas de erradicação de endemias); programas de melhoria da administração pública. 48 E.H.

12 b. Campo Político intensificação das relações bilaterais, partindo daqueles países com que temos maiores afinidades; dinamização da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, com vistas à intensificação de esforços conjuntos destinados a fazer, do oceano comum, uma área de cooperação efetiva propícia ao desenvolvimento e à segurança dos países ribeirinhos; criação de mecanismos de defesa dos interesses comuns nos foros internacionais; concretização da criação da Comunidade dos Povos de Língua Oficial Portuguesa. c. Campo Econômico cooperação técnica e prestação de serviços nos setores de agropecuária, energia, transporte, comunicações, construção civil, prospecção de petróleo, exploração de diamantes e outros; exportação de alimentos; exportação de produtos industrializados; exportação de material militar; importação de insumos do setor mineral, particularmente petróleo e metais nãoferrosos. d. Campo Militar cooperação e troca de experiências (como já ocorre, no setor naval, com a Namíbia e Cabo Verde), inclusive, aproveitando a participação de contingentes militares brasileiros nas forças de paz da ONU em território africano (Angola, Moçambique). 4. BENEFÍCIOS A LONGO PRAZO a África poderá se constituir, de fato, numa via de expansão da política externa brasileira; garantia de estabilidade no Atlântico Sul; estreitamento dos laços culturais, políticos e econômicos com os países africanos; apoio à defesa dos interesses brasileiros nos foros internacionais; ampliação das opções internacionais da economia brasileira, através do comércio e de projetos conjuntos com países africanos; fortalecimento da projeção internacional do Brasil. 49 E.H.

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