AÇÃO DA DESINFESTAÇÃO DE SUBSTRATOS COMERCIAIS SOBRE A EMERGÊNCIA E DESENVOLVIMENTO DE PORTA-ENXERTOS CÍTRICOS INTRODUÇÃO

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1 1 AÇÃO DA DESINFESTAÇÃO DE SUBSTRATOS COMERCIAIS SOBRE A EMERGÊNCIA E DESENVOLVIMENTO DE PORTA-ENXERTOS CÍTRICOS SANDRA RIETH 1, WAGNER SOARES², MARINA BACK 3, GIL VICENTE LOUROSA 3, PAULO VITOR DUTRA DE SOUZA 4 INTRODUÇÃO O uso de diferentes substratos, puros ou em misturas, tem mostrado grande variação nos efeitos sobre o crescimento de plantas cítricas na fase de produção de mudas (Metzner, 2009). Um problema recorrente dos substratos tem sido a presença de propágulos, principalmente de plantas daninhas, que podem causar prejuízo às plantas nele cultivadas. Segundo a legislação vigente [Instrução Normativa número 14 (Brasil, 2004)], é vetada também a presença de microorganismos patogênicos no substrato, devido à competição por recursos. Estudos vêm sendo realizados lançando-se mão de desinfestação de substratos com intuito de impedir a interferência de qualquer microorganismo patogênico ou planta daninha no desenvolvimento de mudas (Ghini, 2004; Souza et al., 2005). OBJETIVOS Objetivou-se avaliar o efeito da desinfestação de substratos sobre o desenvolvimento dos porta-enxertos cítricos (tangerineira Sunki e citrangeiro Fepagro C 37 ). MÉTODOS O experimento foi instalado em junho de 2010 e foram testados tais fatores: porta-enxertos cítricos [tangerineira Sunki (C. sunki hort. ex Tan.) e citrangeiro Fepagro C 37 (P. trifoliata x C. sinensis (L.) Osbeck]; dois substratos comerciais (Comercial 1 e Comercial 1 Eng. Agrônomo, Msc., Doutoranda PPG Fitotecnia/UFRGS, 2 Eng. Agrônomo, Mestrando PPG Fitotecnia/UFRGS. 3 Graduando da Faculdade de Agronomia,bolsista PIBIC/CNPq e PROBIC/FAPERGS, UFRGS. 4 Eng. Agrônomo, Doutor em Agronomia, Professor Associado do Departamento de Horticultura e Silvicultura, PPG Fitotecnia, Faculdade de Agronomia/UFRGS, Bolsista CNPq.

2 2 2) e desinfestação ou não dos substratos. Realizou-se a desinfestação dos substratos no Laboratório de Horticultura do Departamento de Horticultura e Silvicultura em autoclave vertical mantendo-se o substrato a 105 C por 1 hora (repetido 24 horas após a primeira operação). Analisou-se em laboratório das características dos substratos antes e após autoclavagem. Os dois substratos comerciais utilizados foram: o Carolina Soil composto por turfa, cascas de arroz carbonizada e vermiculita (substrato Comercial 1) e o substrato Beifiur caracterizado pela presença de turfa, cascas de arroz queimadas e carbonizadas, composto orgânico constituído de cama de aviário e engaço de uva (substrato Comercial 2). Para a semeadura, utilizou-se bandejas de isopor com 72 células, colocando-se duas sementes por célula para posterior seleção. A irrigação foi realizada de forma manual, duas vezes por semana. O experimento foi avaliado em duas épocas: fase de sementeira e fase de viveiro. A fase de sementeira ocorreu da semeadura até o momento da repicagem (realizado em dezembro de 2010) onde procedeu-se as avaliações de emergência. Considerou-se a fase de viveiro o desenvolvimento das plantas após a realização da repicagem para recipientes de 5 litros preenchidos com substrato de Casca de Eucalipto ES (fabricado pela empresa Vida Produtos e Serviços em Desenvolvimento Ecológico - composto de casca de eucalipto compostada) até um tratamento atingir o ponto de enxertia, considerado 7 mm de diâmetro do caule). Nessa fase (setembro de 2011), avaliou-se altura da parte aérea (cm) e diâmetro do caule (mm) das plantas. O delineamento experimental utilizado foi de blocos casualizados em esquema de parcelas subdivididas em esquema fatorial 2x2x2 (substratos x porta-enxertos x desinfestação), com quatro repetições com quatro plantas por parcela. Os resultados foram submetidos à análise de variância, sendo as médias diferenciadas estatisticamente pelo teste de Tukey (p < 0,05).

3 3 RESULTADOS Após análise, verificou-se as seguintes características físicas e químicas dos substratos: o substrato Comercial 1 apresentou densidade úmida de 370 kg.m - ³; de densidade seca 118 kg.m - ³; ph de 5,75; teor total de sais solúveis (TTSS) de 1,31 g.l -1. O substrato Comercial 2 apresentou 625 e 272 kg.m -3 de densidade úmida e seca, respectivamente; ph de 4,92; 3,80 g.l -1 de TTSS. Os resultados estão de acordo com os citados por KÄMPF et al. (2000), à exceção do TTSS do substrato Comercial 2 devido ao excesso de sais. Embora tenha-se observado esse maior teor de sais no substrato Comercial 2, durante o andamento do estudo esse fator não foi prejudicial para as plantas. Somente houve interação entre os fatores para a variável diâmetro do caule, para os demais fatores avaliados verificou-se somente efeito simples entre fatores. Verificou-se que a emergência das plântulas da tangerineira Sunki foi superior ao citrangeiro Fepagro C 37, assim como a emergência foi superior quando semeou-se em substrato desinfestado (Figura 1). Já para a altura das plântulas, ao final do experimento nota-se que não houve diferença estatística entre variedades porta-enxerto, porém em relação à utilização de substrato desinfestado, esse proporcionou maior desenvolvimento em altura das plantas (Figura 1). Não se observou para as variáveis emergência e altura diferenças entre os substratos Comercial 1 e Comercial 2. Houve interação significativa entre os fatores testados para a variável diâmetro do caule (mm), sendo superior quando as plantas foram cultivadas em substrato desinfetado, não diferindo entre os substratos comerciais (Figura 2). Na interação entre porta-enxertos e desinfestação do substrato, foi maior o diâmetro do caule da variedade citrangeiro Fepagro C 37 cultivada em substrato desinfestado. Esse maior diâmetro observado no citrangeiro Fepagro C 37 quando comparado com a tangerineira Sunki é explicado também pelo fator genético, uma vez que cada variedade tem suas características

4 4 intrínsecas (Schäfer, 2004). CONCLUSÕES Os substratos Carolina Soil e Beifiur tem potencial para uso em citricultura, sendo fundamental sua desinfestação. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Instrução normativa nº 14 de 15 de dezembro de Disponível em: lacaofederal. Acesso em 26 de mar KÄMPF, A. N. Seleção de materiais para uso como substrato. In: KÄMPF,A.N.; FERMINO,M.H. (Ed.) Substratos para plantas. Porto Alegre: Gênesis, p , GHINI, R. Coletor solar para desinfestação de substratos para produção de plantas sadias. Jaguariúna, SP: Embrapa Meio Ambiente, p.Circular técnica. METZNER, A. F. M. Aplicação de cobre em substratos orgânicos para a produção de mudas de limoeiro Cravo associadas a fungo micorrízico arbuscular f. Dissertação (Mestrado) - Curso de pós-graduação em agricultura tropical e subtropical, Instituto Agronômico, Campinas, SCHÄFER, G. Produção de porta-enxertos cítricos em recipientes e ambiente protegido no Rio Grande do Sul f. Tese (Doutorado) - Programa de Pós- Graduação em Fitotecnia, Faculdade de Agronomia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, SOUZA, P. V. D. de, et al. Influência de substratos e fungos micorrízicos arbusculares no desenvolvimento vegetativo do porta-enxerto Flying gragon (Poncirus trifoliata, var montrosa Swing.). Revista Brasileira de Fruticultura, Jabuticabal, v. 27, n. 2, p , 2005.

5 5 *Indica diferença estatística pelo teste de Tuckey (p<0,05); ns=dados não diferem estatisticamente pelo teste de Tuckey. Figura 1. Emergência (%) e altura da parte aérea (cm) das plantas de porta-enxertos cítricos (tangerineira Sunki e citrumeleiro Fepagro C 37 ) cultivados em dois substratos (Comercial 1 e 2) sendo esses submetidos a desinfestação ou não. Porto Alegre, Letras minúsculas diferentes na mesma coluna e maiúsculas na linha indicam diferença significativa pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade de erro. Figura 2. Diâmetro do caule (mm) das plantas de porta-enxertos cítricos (tangerineira Sunki e citrumeleiro Fepagro C 37 ) cultivados em dois substratos (Comercial 1 e 2) sendo esses submetidos a desinfestação ou não. Porto Alegre, 2011.

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