EFEITO DO SUBSTRATO NA DETERMINAÇÃO DO CRESCIMENTO DE MUDAS DE MAMONA DAS VARIEDADES BRS 149 NORDESTINA E BRS 188 PARAGUAÇU.

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1 EFEITO DO SUBSTRATO NA DETERMINAÇÃO DO CRESCIMENTO DE MUDAS DE MAMONA DAS VARIEDADES BRS 149 NORDESTINA E BRS 188 PARAGUAÇU Djair Felix da Silva 1, Roseane Cristina Prédes Trindade 2, Mauro Wagner de Oliveira 3, José Harlisson de Araujo Ferro 4, Sihélio Júlio Silva Cruz 5, Silvia Sanielle costa de Oliveira 6 Universidade Federal de Alagoas, RESUMO - A produção de mudas de mamona é uma prática que não dispõe de informações técnico cientificas, porém sua produção não difere de outras culturas vegetais. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito de diferentes substratos na determinação do crescimento da mamoneira semeadas em sacos plásticos de 20 x 30 cm, em condições de casa-de-vegetação. Utilizou-se delineamento em blocos casualizados com quatro tratamentos e cinco repetições. Os tratamentos foram constituídos pela combinação dos níveis dos fatores substratos: solo sem substrato, torta de filtro de cana-de-açúcar, esterco bovino e húmus de minhoca, e duas variedades: Nordestina e Paraguaçu. Os sacos foram preenchidos com uma mistura de solo mais o composto orgânico, na proporção de 1:1 (m/m). Semearam-se três sementes em cada recipiente, ficando após o desbaste apenas uma planta. Registraram-se, os valores de altura e diâmetro caulinar, durante 30 dias após o plantio e no fim das avaliações mediu-se a área foliar e o acúmulo de matéria seca. Houve efeito dos substratos no diâmetro, na altura das plantas, na área foliar e no acúmulo de matéria seca, sendo o esterco bovino e húmus de minhoca os mais recomendados. A variedade Paraguaçu apresentou melhor desenvolvimento que a Nordestina. INTRODUÇÃO A produção de mudas de mamona é uma prática que não dispõe de informações técnico cientificas, sendo que sua produção é semelhante à de outras culturas vegetais, entretanto, deve-se tomar os mesmos cuidados, como: escolha do melhor substrato, do tamanho e da forma ideal do recipiente e do viveiro que abrigarão as mudas. Como a região do semi-árido apresenta uma estação chuvosa curta e irregular, as mudas de mamona serão beneficiadas, por que, quando plantadas no local definitivo aproveitarão melhor a disponibilidade hídrica do solo. Além disso, outra vantagem dessa prática é de diminuir o período de convivência com as plantas daninhas implicando assim, em um melhor aproveitamento de água e nutrientes do solo, garantindo assim, a implantação da cultura no campo e aprimorando o estande. Os melhores substratos devem apresentar, entre outras importantes características, fácil disponibilidade de aquisição e transporte, ausência de patógenos, riqueza em nutrientes essenciais, ph

2 adequado, boa textura e estrutura (SILVA et al., 2001). Vários são os materiais que podem ser usados para a composição do substrato. Os adubos orgânicos são as fontes mais comuns de macro e micronutrientes, devendo-se levar em consideração, também, o seu efeito sobre o solo ou substrato nos processos microbianos, na aeração, na estrutura, na capacidade de retenção de água e na regulação de temperatura do meio (PONS, 1983). Segundo Weiss (1983), a mamoneira desenvolve-se e produz bem em qualquer tipo de solo, com exceção daqueles de textura argilosa, que apresentam deficiência de drenagem, devido à sua sensibilidade ao excesso de água no solo, ocasionado a morte das plantas submetidos a quatro dias de encharcamento do solo, como foi observado por Severino et al. (2005). O cultivo da mamoneira em solos com alta fertilidade favorece o crescimento vegetativo excessivamente, prolongando o período de maturidade e expandindo o período de floração (FORNAZIER JUNIOR, 1986; AZEVEDO et al., 1997; BELTRÃO et al., 2003). O trabalho teve como objetivo avaliar o efeito dos substratos na altura e no diâmetro do caule, na área foliar e no acúmulo de matéria seca em mamoneira das variedades Nordestina e Paraguaçu, semeadas em sacos de polietileno no volume de 20 x 30 cm. MATERIAL DE MÉTODOS O experimento foi conduzido entre os meses de outubro e novembro de 2005, no Centro de Ciências Agrárias (CECA), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em condições de casa-devegetação. Durante a execução do experimento foram registrados os dados médios de temperatura e umidade relativa do ar, tendo-se obtido os valores de 34 ± 2 C e 40 ± 15 %, respectivamente. Adotou-se o delineamento experimental em blocos casualizados com quatro tratamentos e cinco repetições. A parcela experimental foi constituída de cinco sacos plásticos, contendo apenas uma planta em cada. Os tratamentos foram constituídos pela combinação dos níveis dos fatores substratos: solo sem substrato (S0), torta de filtro de cana-de-açúcar (S1), esterco bovino curtido (S2) e húmus de minhoca (S3) e duas variedades de mamona: BRS 149 Nordestina e BRS 188 Paraguaçu, desenvolvidas pela a Embrapa Algodão Utilizaram-se sacos plásticos com dimensão de 20 cm de largura e 30 cm de comprimento. Os sacos de polietileno foram preenchidos com uma mistura de solo inerte adicionados a três fontes orgânicas, utilizando uma testemunha contendo apenas de solo, sendo esse material coletado de Mata Atlântica, aos 20 cm. A proporção foi de 1:1 (m/m), sendo que, em seguida retirou-se amostra de cada um dos substratos para análise química (Tab. 1).

3 A semeadura foi realizada colocando-se três sementes em cada recipiente, desbastando-se 15 dias após, deixando-se apenas uma planta por recipiente. Diariamente era realizada a irrigação através de regadores, adicionando-se, aproximadamente, 25 mm dia -1 de água. Registraram-se semanalmente os valores de altura e diâmetro caulinares, durante 30 dias após o plantio e no fim das avaliações mediu-se a área foliar e o acúmulo de matéria seca da parte aérea, do sistema radicular e de toda planta. Os valores de altura, diâmetro e acúmulo de matéria seca foram obtidos através da medias de duas mudas por repetição. Para a determinação da área foliar utilizou-se a equação S = 0,6119 x C x L, desenvolvida por Severino et al. (2005), onde C é a medida de comprimento da nervura principal da folha em cm e L é a largura foliar em cm, medindo-se duas plantas por repetição. RESULTADOS E DISCUSSÃO Aplicando-se o teste F a 5 % de probabilidade, verificou-se pela a análise de variância (Tab. 2), que os blocos foram semelhantes, e os substratos apresentaram diferenças significativas para todas as variáveis avaliadas. As variedades apresentaram semelhança apenas na matéria seca do sistema radicular. Por fim, a interação substrato x variedade foi significativa para as variáveis área foliar e matéria seca de toda a planta. Pelo teste de Tukey, verificou-se o efeito dos substratos no diâmetro e na altura das plantas, onde por sua vez, mudas cultivadas no solo + esterco bovino e solo + húmus de minhoca, apresentaram os maiores valores (Fig. 1). Esses compostos apresentaram maior disponibilidade nutricional e ph menos ácido (Tab. 1), condição favorável para a mamoneira crescer e se desenvolver segundo relatos de Azevedo et. al. (1997). Ao comparar as duas variedades, observou-se que a BRS 188 Paraguaçu produziu plantas de maior tamanho e diâmetro caulinar (Tab. 3). A área foliar e o peso seco do sistema radicular e da parte aérea, também foram influenciados pelo substrato. As mudas semeadas no substrato composto da mistura solo e húmus de minhoca produziram plantas de maior área foliar, para ambas as variedades de mamona (Tab. 4). Comparando as variedades, verifica-se que a Nordestina apresentou maior área foliar para as mudas semeadas no substrato composto de solo + húmus de minhoca (Tab. 4). O maior peso seco do sistema radicular foi observado nas mudas semeadas na mistura solo + esterco bovino e solo + húmus de minhoca (Fig. 2). Para o peso seco da raiz, as variedades não apresentaram diferença estatística.

4 O peso seco da parte aérea das duas variedades obteve os maiores valores nas mudas semeadas no solo + húmus de minhoca (Tab. 5). A superioridade desse composto pode ser explicada pela disponibilidade de nutrientes minerais, pois, o húmus apresenta 70% a mais do que os substratos convencionais, segundo Longo (1987). Como pode ser verificado na análise química contida na Tabela 1, esse composto apresentou maior quantidade de P, o qual estimula o crescimento da parte aérea (SIMÃO, 1998). Ao comparar as variedades, observou-se a superioridade da Paraguaçu somente nas plantas semeadas no substrato solo + esterco bovino (Tab. 5). CONCLUSÕES Os substratos solo + esterco bovino e solo + húmus de minhoca proporcionam mudas de maior crescimento vegetativo. A variedade BRS 188 Paraguaçu apresentou um melhor desenvolvimento do que a BRS 149 Nordestina. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, D.M.P.; LIMA, E.F.; BATISTA, F.A.S.; BELTRÃO, N.E.M.; SOARES, J.J.; VIEIRA, R.M. & MOREIRA, J.A.N. Recomendações técnicas para o cultivo da mamoneira (Ricinus communis L.) no Nordeste do Brasil. Campina Grande: Embrapa CNPA, p. (Circular Técnica, 25). BELTRÃO, N.E.M.; CARDOSO, G.D. & SEVERINO, L.S. Sistemas de produção para a cultura da mamona na agricultura familiar no semi-árido nordestino. Campina Grande PB: Embrapa Algodão, FORNAZIER JUNIOR, A. Mamona: uma rica fonte de óleo e de divisas. São Paulo: Ícone, p. LONGO, A.D. Minhoca de fertilizadora do solo a fonte alimentar. São Paulo: Ícone, p. PONS, A.L. Fontes e usos da matéria orgânica. IPAGRO Informa, Porto Alegre, v.26, p , SEVERINO, L.S.; LIMA, C, L, D.; L.S.; BELTRÃO, N.E.M.; CARDOSO, G.D.; FARIAS, V, A.; Comportamento da mamoneira sob encharcamento do solo. Campina Grande PB: Embrapa CNPA, p. (Boletim de Pesquisa e desenvolvimento, 57). SEVERINO, L.S.; VALE, L.S.; CARDOSO, G.D.; BELTRÃO, N.E.M.; SANTOS, J.W. Método para determinação da área foliar da mamoneira. Campina Grande PB: Embrapa CNPA, p. (Boletim de Pesquisa e desenvolvimento, 55).

5 SILVA, R. P. da.; PEIXOTO, J. R.; JUNQUEIRA, N. T. V. Influência de diversos substratos no desenvolvimento de mudas de maracujazeiro-azedo, (Passiflora edulis Sims f. flavicarpa DEG). Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal-SP, v.23, n.2, p , agosto SIMÃO, S. Tratado de fruticultura. Piracicaba: FEALQ, p. WEISS, E. A. Oil seed crops. London: Logman, p. Tabela 1. Análise química dos substratos, amostrado antes da instalação do experimento. Determinações Unidades Solo (testemunha) (S0) torta de filtro (S1) esterco bovino (S2) húmus de minhoca (S3) ph 4,31 5,64 5,70 5,82 P mg/dm 3 5,8 128,2 100,0 134,5 K mg/dm Ca + Mg Cmol c /dm 3 1,90 11,80 11,20 11,70 Al Cmol c /dm 3 0,60 0,30 0,20 0,10 H + AL Cmol c /dm 3 6,00 1,29 1,35 1,50 S Cmol c /dm 3 2,02 12,70 12,40 11,96 T Cmol c /dm 3 8,02 13,99 13,75 13,96 V % 25,14 90,78 90,18 88,85 M % 22,94 2,31 1,59 0,83 Tabela 2: Quadrado médio da análise de variância do diâmetro caulinar (cm), da altura de plantas (cm), da área foliar (cm 2 ) e da matéria seca do sistema radicular e da parte aérea (g). F.V. G.L. Q.M. Diâmetro Altura Área foliar M. S. sistema M. S. parte radicular aérea Bloco 4 0,0891 ns 9,3281 ns 1037,2195 ns 0, ns 0,3537 ns SUBSTRATO (S) 3 23,6990 * 505,3613 * ,8913 * 12, * 314,062 * VARIEDADE (V) 1 4,3164 * 85,2932 * 44306,3296 * 0, ns 20,0505 * S x V 3 0,4326 ns 16,4481 ns 35361,5924 * 0, ns 4,8029 * Resíduo 28 0,3808 5, ,8472 0, ,3527 CV (%) 9,48 10,53 12,40 9,63 10,05 * Significativo pelo teste F, a 5% de probabilidade; ns - não significativo.

6 Tabela 3: Valores médios do diâmetro e da altura de duas variedades de mamona. Rio Largo, AL, Variedades Diâmetro Altura cm 2 cm BRS 149 Nordestina 6,18 a 20,96 a BRS 188 Paraguaçu 6,84 b 23,88 b Médias seguidas de letras diferentes na coluna diferem estatisticamente entre si pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Tabela 4: Medidas do índice de área foliar de mudas de mamona influenciadas pela interação, substrato e variedade. Rio Largo Substratos Variedades Nordestina Paraguaçu cm 2 S0 239,750 aa 312,258 aa S1 300,402 aa 221,468 aa S2 756,538 ba 712,978 ba S3 1073,272 cb 857,006 ca Médias seguidas de letras maiúsculas e minúsculas, diferentes na linha e na coluna, respectivamente, diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Tabela 5: Medidas do acúmulo de matéria seca da parte aérea de mudas de mamona influenciadas pela interação, 35 substrato e variedade. Rio Largo, AL 2005 Variedades 30 ALTURA 25 torta de Solo (testemunha) esterco 20 cana-de-açúcar 15 (S0) bovino (S1) (S2) cm húmus de minhoca (S3) 10 5 g DIÂMETRO 0 S0 S1 S2 S3 BRS 149 Nordestina 6,68 aa 6,05 aa 13,73 ab 16,99 ac BRS 188 Paraguaçu 7,42 aa 6,91 aa 17,22 bb 17,57 ab Médias seguidas de letras maiúsculas e minúsculas, diferentes na SUBSTRATOS linha e na coluna, respectivamente, diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Figura 1: Efeito do substratono diâmetro e na altura de mudas de mamona. Rio Largo b b Peso seco (g) a a S0 S1 S2 S3 SUBSTRATOS Figura 2: Efeito do substrato no acúmulo de materia seca do sistema radicular em mudas de mamona. Rio Largo

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