PERFIL METABÓLICO E ENDÓCRINO DE EQUÍDEOS

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1 PERFIL METABÓLICO E ENDÓCRINO DE EQUÍDEOS Autores: Thais de Oliveira Fortes (PIBIC/CNPq) 1, Francisco Armando de Azevedo Souza (Orientador) 2, Emília de Paiva Porto 2, Marcia Fornasieri Domingos 3 Acadêmica da Universidade Estadual do Norte do Paraná/Campus Luiz Meneghel 1 Docente da Universidade Estadual do Norte do Paraná 2 Docente da Universidade do Norte Paranaense 3 Medicina Veterinária, Medicina Veterinária Preventiva. Palavras-chave: Hiperlipêmia, Jumentos Pêga, Doenças Metabólicas. Resumo Foram coletadas amostras de sangue de 131 jumentos da raça Pêga, hígidos de ambos os sexos, com o objetivo de dosar os valores séricos de triglicerídeos e colesterol, e avaliar a influência da idade, sexo e estado reprodutivo das jumentas. Do total de animais, 96 eram fêmeas e 35 eram machos e foram divididos em grupos de acordo com a faixa etária: animais abaixo de um ano; de 1 a 3 anos; de 4 a 6 anos; de 7 a 9 anos e maiores de 9 anos. O estado reprodutivo das jumentas foi separado em categorias: 39 gestantes, 10 gestantes/paridas, 2 paridas, 29 vazias (não prenhes), 11 cobertas e 5 paridas/cobertas. Os resultados foram analisados estatisticamente pelo teste de Tukey 5% e os valores obtidos foram comparados entre os grupos. Os valores séricos de triglicerídeos apresentaram diferenças em relação ao sexo e ao estado reprodutivo das jumentas, sendo significativos para os machos e para as gestantes. Enquanto para os valores séricos de colesterol não houve diferenças nos grupos estudados. Introdução O Brasil possui o maior rebanho de equinos na América latina e ocupa o terceiro lugar mundial (MAPA, 2015), com 8,4 milhões de equídeos, sendo 5,9 milhões de equinos, 1,3 milhões de muares e 1,2 milhões de asininos. O agronegócio dos equídeos gera em torno de 642,5 mil empregos (CNA, 2006). A região nordeste possui o maior número de registro de asininos e muares (MAPA, 2015). Entretanto as pesquisas com os jumentos da raça Pêga, ainda são escassas no Brasil. Tem-se observado na literatura que os valores de referência utilizados para esses animais são valores clínicos de cavalos (DUGAT et al. 2010), o que não é válido (DE ALUJA et al. 2001). É importante ter um padrão de referência específico para raça em estudo para que se possa de forma correta e eficaz diagnosticar doenças e aplicar tratamentos de acordo com as características do organismo animal. Apesar da falta de material de referência nesse assunto, especificamente do jumento da raça Pêga, o intuito desse trabalho foi avaliar os níveis séricos de triglicerídeos e colesterol desses animais, comparando com outros valores pesquisados na literatura de equídeos, a fim de estimar valores padrões para essa raça.

2 Material e métodos Foi coletado sangue por punção da veia jugular de 131 jumentos da raça Pêga, hígidos, de ambos os sexos, que estavam em jejum de no mínimo de 7 horas. Os animais foram divididos de acordo com o sexo, faixa etária e estado reprodutivos das jumentas. Após a coleta o material foi processado por centrifugação até a obtenção do soro sobrenadante que então foi dosado a partir dos kits comercias de colesterol e triglicerídeos. Os dados passaram por análises estatísticas pelo teste de Tukey com nível de significância de 5%. Resultados e Discussão A influência do sexo foi significativa para os valores de triglicerídeos (Tabela 1), no entanto não houve diferença nos valores séricos do colesterol (Tabela 2). Tabela 1: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de animais trabalhados (n) do triglicerídeo de TRIGLICERÍDEOS Sexo Média(mg/dL) Desvio Máximo Mínimo CV (%) n Macho 62,97 b 30, ,03 35 Fêmea 97,85 a 121, ,5 124,01 96 a e b na mesma coluna indicam valores significativamente diferentes (p<0,05) Tabela 2: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de animais trabalhados (n) do colesterol de COLESTEROL Sexo Média(mg/dL) Desvio Máximo Mínimo CV (%) n Macho 70,91 a 16, ,83 35 Fêmea 69,64 a 17, ,66 96 Entretanto ALVES et al. (2008) quando trabalharam com jumentos brasileiros obtiveram resultados diferentes tanto para triglicerídeos quanto para colesterol, que pode ser justificado pela utilização de animais mestiços. Quanto a influência da faixa etária de machos e fêmeas, não se observou diferenças nos valores de triglicerídeos (Tabela 3) e de colesterol (Tabela 4). Tabela 3: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de IDADE (MACHO + FÊMEA) TRIGLICERÍDEOS I (abaixo de 1ano) 88,91 a 21,54 124, ,22 6 II (1 a 3 anos) 92,82 a 125, ,46 50 III (4 a 6 anos) 75,80 a 52, ,5 69,16 38 IV (7 a 9 anos) 69,30 a 65, ,5 94,34 18 V (10 a 12 anos) 120,81 a 162, ,84 19

3 Tabela 4: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de IDADE (MACHO + FÊMEA) COLESTEROL I (abaixo de 1ano) 72,33 a 14, ,66 6 II (1 a 3 anos) 74,26 a 20, ,92 50 III (4 a 6 anos) 75,80 a 52, ,16 38 IV (7 a 9 anos) 69,30 a 65, ,34 18 V (10 a 12 anos) 120,81 a 162, ,84 19 Quanto a influência da faixa etária no grupo de fêmeas nos valores séricos de triglicerídeos (Tabela 5) e colesterol (Tabela 6) de jumentos da raça Pêga, não houve diferenças nos valores estudados. Tabela 5: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de jumentas da raça Pêga. IDADE (FÊMEA) TRIGLICERÍDEOS I (abaixo de 1 ano) 1 II (1 a 3 anos) 116,04 a 152, ,29 32 III (4 a 6 anos) 76,03 a 52, ,5 68,90 33 IV (7 a 9 anos) 69,28 a 73, ,5 105,83 14 V (10 a 12 anos) 131,34 a 176, ,19 16 Tabela 6: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de animais trabalhados (n) do colesterol nos diferentes grupos de acordo com a faixa etária de jumentas da raça Pêga. IDADE (FÊMEA) COLESTEROL I (abaixo de 1 ano) 1 II (1 a 3 anos) 75,15 a 23, ,33 32 III (4 a 6 anos) 66,54 a 13, ,01 33 IV (7 a 9 anos) 69,92 a 10, ,52 14 V (10 a 12 anos) 65,43 a 16, ,72 16 Em relação ao grupo de machos não foi encontrado diferenças nos valores séricos de triglicerídeos (Tabela 7) e colesterol (Tabela 8) analisados.

4 Tabela 7: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de jumentos machos da raça Pêga. IDADE (MACHO) TRIGLICERÍDEOS I (abaixo de 1 ano) 86,70 a 23,30 124, ,88 5 II (1 a 3 anos) 51,52 a 20,43 95, ,65 18 III (4 a 6 anos) 74,30 a 58, ,24 5 IV (7 a 9 anos) 69,37 a 30,42 111, ,01 4 V (10 a 12 anos) 64,66 a 16, ,75 3 Tabela 8: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de animais trabalhados (n) do colesterol nos diferentes grupos de acordo com a faixa etária de IDADE (MACHO) COLESTEROL I (abaixo de 1 ano) 75,00 a 15, ,04 5 II (1 a 3 anos) 72,66 a 14, ,58 18 III (4 a 6 anos) 65,60 a 18, ,64 5 IV (7 a 9 anos) 68,00 a 25, ,56 4 V (10 a 12 anos) 66,33 a 26, ,20 3 Os valores de triglicerídeos (Tabela 9) em jumentas de acordo com o estado reprodutivo apresentaram diferenças. Por sua vez para os valores séricos para o colesterol (Tabela 10) não houve diferença entre os grupos de jumentas em diferentes estágios reprodutivos. Tabela 9: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de animais trabalhados (n) do triglicerídeo de jumentas em diferentes estágios reprodutivos. TRIGLICERÍDEOS Gestante 137,75 a 175, ,30 39 Coberta 92,72 ab 38,35 155,5 34,5 41,36 11 Vazia 83,94 ab 43, ,69 29 Gestante/Parida 36,00 b 48, ,5 134,08 10 Parida/Coberta 29,57 b 22,44 64,5 9,5 75,88 7 a, b e ab na mesma coluna indicam valores significativamente diferentes (p<0,05) Tabela 10: Valores médios, mínimos e máximos, desvio padrão, grau de variância e número de animais trabalhados (n) do colesterol de jumentas em diferentes estágios reprodutivos. COLESTEROL Gestante 65,56 a 12, ,81 39 Coberta 78,45 a 21, ,96 11 Vazia 73,13 a 22, ,79 29 Gestante/Parida 63,80 a 12, ,05 10 Parida/ Coberta 72,42 a 18, ,96 7

5 GIRARDI (2012) encontrou diferenças em jumentas da raça Pêga adultas com prenhez e não prenhes, sendo os valores de triglicerídeos maiores nas com prenhez. Entretanto não encontrou diferenças nos valores séricos de colesterol. Conclusões Considerando os objetivos propostos, os resultados obtidos neste experimento, permitem concluir que: 1-O sexo exerce influência sobre os valores de triglicerídeos. 2- A idade, independentemente do sexo, não exerce influência nos valores séricos dos triglicerídeos e do colesterol. 3- o estado reprodutivo exerce influência nos valores de triglicerídeos. 4- Os valores de triglicerídeos e colesterol observados no trabalho tiveram variações ao se comparar com a literatura pesquisada, que podem estar relacionadas aos diferentes manejos, ambientes, espécies e raças trabalhadas. Referências ALVES, Lorenna Marques Dias. INFLUÊNCIA DA IDADE E SEXO SOBRE O PERFIL BIOQUÍMICO SÉRICO DE JUMENTOS DA RAÇA BRASILEIRA; Dissertação (Mestrado em Genética e Bioquímica), Universidade Federal de Uberlândia. Instituto de genética e bioquímica. Pós Graduação em genética e bioquímica, Uberlândia, CNA. Estudo do complexo do agronegócio cavalo no Brasil: Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada ESALQ-USP/Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil, 70p, Coletânea Estudos Gleba, 40, DE ALUJA, A. S.; BOUDA, J.; LÓPEZ, A.C.; CHAVIRA, H. H. Valores bioquímicos em sangue de burros antes y después del trabajo. Veterinaria Mexico, Ciudad de Mexico, v. 32, n. 4, p , DUGAT S. L., TAYLOR T.S., MATTHEWS, N.S.; GOLD, J. Values for Triglycerides, Insulin, Cortisol, and ACTH in a Herd of Normal Donkeys. Journal of Equine Veterinary Science v. 30, n. 3, GIRARDI, Annita Morais. Parâmetros hematológicos e bioquímicos séricos de jumentos (Equus asinus) da raça pêga; Dissertação (Mestrado) Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária, Jaboticabal- SP, MINISTÉRIO DA AGRICULTURA. Equídeos. Acesso em 20 de maio de 2015.

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