Preparados para os jogos

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1 nº 49 Preparados para os jogos Bancos e fornecedores de tecnologia estão prontos para receber milhões de turistas com o que há de mais moderno e eficiente em serviços financeiros. Nesse campo, a Copa já começou Pagamentos móveis Governo Federal regulamenta e empresas já testam soluções de m-payment no Brasil Sucesso internacional Depois de passarem pelo Espaço Inovação, startups conquistam prêmios e visibilidade no exterior

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3 8 Índice 4 Editorial 5 Biometria e ATMs 8 Atendimento na Copa 13 Orçamento Capa Faltam poucos meses para a abertura da Copa de A expectativa é receber 3,7 milhões de turistas durante o período da competição. Para isso, bancos e fornecedores de tecnologia escalaram o que têm de melhor em soluções e serviços para atender à demanda. 13 Orçamento Alguns dos maiores bancos brasileiros confirmam a manutenção ou até o aumento dos níveis de investimento em tecnologia. Uma das áreas que mais recebem recursos é a revisão da arquitetura de sistemas. 17 Pagamento eletrônico Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) publicaram a primeira parte da regulamentação sobre m-payment. No Brasil, algumas soluções já estão em operação. É o celular no lugar da carteira. 17 Pagamento eletrônico 21 Espaço Inovação /10 anos 25 Update Comissão Organizadora presidente: Marco Tavares - HSBC Bank Brasil vice-presidente: Gustavo de Souza Fosse Banco do Brasil Membros Adauto Del Fávero HSBC Armando Corrêa Citibank Eliane Grotti Borges Caixa Jorge Fernando Krug Santos Banrisul Jorge Luiz Viegas Ramalho Itaú Unibanco Jorge Vacarini Deutsche Bank Keiji Sakai Banco BM&F Bovespa Paulo César Duarte Cherberle Bradesco Ricardo Shigueaki Nozuma Santander Ronei Maranssati Banco do Brasil Diretoria de Eventos Nair Macedo (diretora) Marcelo Assumpção (gerente de relacionamento) Hilda Nishijima Solera (assessora) Diretoria de Comunicação William Salasar (diretor) Cleide Sanchez Rodriguez (gerente) Danilo Gregório (assessor) Diretoria Técnica Wilson Antonio Salmeron Gutierrez (diretor) Nilton César Gratão (assessor) Vitor Lee Harris (assessor) Marketing Silvia Fernanda Mazzola (assessora) Revista Ciab FEBRABAN edição Danilo Gregório Pauta, reportagens e texto ABCE Comunicação e Comunicação FEBRABAN Projeto Gráfico e editoração Ideia Visual Jornalista responsável Cleide Sanchez Rodriguez (MTb ) Esta é uma publicação da Federação Brasileira de Bancos FEBRABAN Av. Brigadeiro Faria Lima, º andar Torre Norte São Paulo SP Copyright dezembro Todos os direitos reservados dezembro de 2013 revista Ciab FEBRABAN 3

4 editorial Divulgação Marco Tavares Diretor Setorial de Tecnologia e Automação Bancária da FEBRABAN Prontos para a jogada Basta andar pelas ruas de comércio popular de São Paulo para se dar conta do quanto o consumidor brasileiro é aderente às novas tecnologias, com tablets e celulares preenchendo a vista. Tablets figuraram como objeto de desejo de 8% das crianças paulistanas para o Natal, segundo pesquisa do Datafolha, à frente de bicicletas (4%). Antes produtos caros e supérfluos, smartphones superaram as vendas de celulares mais simples no terceiro trimestre de 2013, com 10,4 milhões de unidades vendidas ante 7,5 milhões do segundo grupo, aponta a IDC Brasil. Num mundo repleto de lançamentos de produtos conectados à internet, de óculos a refrigeradores, é difícil saber com exatidão qual a próxima onda, o que cairá no gosto popular, mesmo para quem trabalha na indústria de tecnologia. Para os bancos, o desafio é claro: levar serviços e produtos para os diversos meios, até as casas das pessoas, por exemplo. Isso implica evoluir para novas funcionalidades, que permitam ao cliente fazer uma melhor gestão de seus recursos financeiros em ambiente de comodidade, segurança e rapidez. Essa discussão promete ser o fio condutor do Ciab de 2014, cujo tema central já foi definido: Estratégia digital no mundo hiperconectado. A maneira como a nova geração se comunica com o banco, tendências da internet e mobile banking, a evolução do social banking e canais eletrônicos intuitivos estarão na pauta. Marcado para os dias 4,5 e 6 de junho de 2014, o Ciab precederá a Copa do Mundo, um período excepcionalmente agitado na vida dos brasileiros e que também está afetando as áreas de tecnologia. Os milhões de turistas esperados para as cidades-sedes dos jogos exigem esforços adicionais na prestação dos serviços bancários, conforme mostra a nossa reportagem de capa. A maior parte dos turistas provavelmente vai realizar suas operações em caixas eletrônicos, muitos dos quais se comunicam em mais de um idioma, permitem saques com cartões internacionais e, em alguns casos, fazem até câmbio. Mas também haverá agências com funcionários a postos para auxiliar visitantes estrangeiros em outra língua. É o compromisso de atender bem o cliente que, afinal, norteia os nossos investimentos, seja em capital humano, seja em tecnologia. 4 revista Ciab FEBRABAN dezembro de 2013

5 Segurança bancária Quando o corpo é a senha Avanço da biometria reflete engajamento das instituições financeiras no combate a fraudes eletrônicas Por Leandro Esteves Uma nova geração de caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês) interativos chegará ao Banco do Brasil a partir de Inicialmente, o banco pretende colocar até 30 equipamentos que conversam com o consumidor em agências-conceito. Por meio de sensores, esse modelo de ATM identifica quem se aproxima, fazendo seu reconhecimento facial e oferecendo possibilidades de operação por meio de toque ou voz. O equipamento funciona como um atendente virtual, com biometria tripla rosto, íris e voz para reconhecer cada cliente e autenticar as transações. Mais do que uma ideia futurista, a iniciativa do banco é reflexo do grande esforço das instituições financeiras brasileiras em combater tentativas de fraudes eletrônicas e levar as transações bancárias a níveis de segurança bem mais altos. A fim de evitar que criminosos usem dados roubados de clientes para fazer movimentação financeira, os bancos têm modernizado seus sistemas e coletado dados biométricos, multiplicando o uso de tecnologias de segurança. Confiança Como se baseia em características pessoais biológicas ou comportamentais -, a biometria depende da aceitação dos clientes para crescer em adoção. Mas o público está cada vez mais disposto a entregar seus dados em troca de maior segurança e praticidade. Segundo uma pesquisa internacional da Unisys, que avalia a percepção de segurança dos consumidores em relação a uma série de ameaças, 75% dos mais de mil brasileiros ouvidos afirmaram confiar, de alguma forma, na capacidade das tecnologias biométricas tais como impressão digital, identificação por íris, retina ou reconhecimento facial para proteger suas transações financeiras. No último mês de outubro, o Bradesco atingiu a marca de 14,5 milhões de clientes - Divulgação Solução de biometria da Fujitsu é destaque nos bancos japoneses Tokyo-Mitsubishi e Ogaki Kyoritsu Bank e no Bradesco dezembro de 2013 revista Ciab FEBRABAN 5

6 chapéu Segurança bancária Divulgação Novos caixas eletrônicos do Banco do Brasil vão conversar com os clientes, além de fazer reconhecimento facial mais da metade de sua base total de 26 milhões de correntistas cadastrados em seu sistema de biometria, que utiliza as veias da palma da mão. O próximo passo será prover os clientes pessoas jurídicas de equipamentos de identificação biométrica para operações de internet banking, na sede dessas empresas, a exemplo do uso disseminado de máquinas leitoras de código de barras. Para esses usuários, será o fim das senhas digitadas. Não é difícil imaginar que, logo adiante, os clientes pessoas físicas venham a desfrutar um recurso semelhante, até para as transações mobile, pois já existem modelos de smartphones dotados de sensores biométricos para identificar seus proprietários. Abertura de conta A Perto, uma das maiores fornecedoras de ATMs no Brasil, informa que seu produto Perto Palm Bio realiza o mapeamento das veias da palma da mão do cliente no momento da abertura da conta no Bradesco. Nelson Yassuo Osanai, diretor executivo de vendas da Fujitsu, outro grande fornecedor de biometria para o Bradesco, conta que quatro anos após adotar a leitura de veias da palma da mão nos seus ATMs, o Bradesco realizou mais de 700 milhões de transações sem registro de fraudes. Osanai enfatiza que o PalmSecure oferece autenticação mais segura por eliminar o uso de senhas e cartões. O Bradesco foi pioneiro e outros também estão adotando, como a TecBan, informa. A exemplo de outros fornecedores, a Fujitsu experimenta um crescimento no uso de sua alternativa de biometria em todo o mundo. Entre os clientes internacionais, destacam-se os japoneses Tokyo-Mitsubishi e Ogaki Kyoritsu Bank. No Brasil, segundo a Fujitsu, a aplicação de biometria interessa não apenas ao setor financeiro, mas também ao varejo. Uma das propostas é identificar clientes para controle de acesso em edifícios e áreas de alta segurança (como portos e centros de processamento de dados), incluindo áreas de saúde e segurança do trabalho. Troca de ATMs As maiores fornecedoras de ATMs no Brasil estão prestes a comemorar um bom ano em função da multiplicação de recursos de segurança, ampliação da base instalada e substituição de equipamentos por máquinas com maior número de recursos. Foram expedidos de janeiro a setembro deste ano 4,2 mil equipamentos, número menor que o registrado em igual período do ano passado, mas dentro de nossas previsões, detalha Wilton Ruas, vice-presidente de automações da Itautec. Ele salienta que o número sofre oscilações previsíveis em função das estratégias dos clientes e destaca que o movimento de ATMs no País se deve mais à substituição do que à expansão: Temos notado uma tendência maior de atualização do parque, com introdução de novas funções, como biometria, por exemplo, do que expansões. Carlo Benedetto, vice-presidente de vendas e marketing da Diebold Brasil, informa que, atualmente, o mercado financeiro brasileiro demanda cerca de 25 mil equipamentos ao ano entre troca e expansão. A Diebold responde por quase 50% desse mercado e, segundo estudos da RBR, o crescimento anual até revista Ciab FEBRABAN dezembro de 2013

7 Divulgação Praticamente 100% dos equipamentos que saem da nossa fábrica, em Manaus, vêm com dispositivos biométricos instalados Benedetto, da Diebold Brasil será de 5% no canal autoatendimento. Tudo indica que o Brasil, para aumentar a eficiência do canal autoatendimento e diminuir as fraudes, sai na frente com esse tipo de tecnologia em relação ao restante do mundo, pondera Benedetto. Praticamente 100% dos equipamentos que saem da nossa fábrica, em Manaus, vêm com dispositivos biométricos instalados. As alternativas mais solicitadas à Diebold são as de palm vein (leitor de veias), finger vein (leitores de veias dos dedos) e a mais conhecida: a finger print (usada para impressões digitais). A biometria deve, em médio prazo, substituir definitivamente as senhas, reconhece Benedetto. Na mesma direção vai a previsão do vice presidente da NCR América Latina e Caribe, Elias Silva. A biometria é uma das principais tendências do mercado e pode substituir o uso de cartões, já que temos índices importantes de clonagem. No futuro, em vez de carregar todos os cartões de débito, de crédito e de lojas, as pessoas poderão utilizar simplesmente a biometria como identificador de operações, o que é bem mais seguro e conveniente. Silva informa que a participação de mercado da NCR mais do que dobrou em três anos e aponta motivos macroeconômicos para esse impulso na economia local. O poder de consumo dos brasileiros aumentou muito nos últimos anos e continua em alta. Além disso, eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2014, e outros tantos que estão sendo realizados no País também contribuem para esse cenário. Ásia puxa aumento do parque mundial de ATMs base instalada mundial de A ATMs deve crescer em até 44% entre 2012 a 2018, atingindo o número de 3,7 milhões de unidades. Essa é a principal conclusão da RBR no seu mais recente estudo global. A RBR é uma consultoria global, com sede em Londres e três décadas de experiência no varejo, automação bancária e sistemas de pagamento. No relatório Global ATM Market and Forecasts to 2018, a RBR destaca que as regiões que mais vão acelerar o uso de caixas eletrônicos serão a Ásia (lado do Pacífico), o Oriente Médio e a África, que apresentam crescimento de 75%. O país responsável pelo maior crescimento é a China, onde são emitidos um milhão de cartões por dia, criando uma demanda sem precedentes para a indústria de ATMs. A RBR aposta também em aumento expressivo, de até 300% nos próximos anos, na Índia, Bangladesh e Nigéria, considerando a utilidade que caixas eletrônicos têm em regiões de população não bancarizada. dezembro de 2013 revista Ciab FEBRABAN 7

8 Capa Divulgação Teremos oportunidades claras de negócios se levarmos em conta, por exemplo, o volume de tráfego de dados no caso da transmissão de vídeos em tempo real Carvalho, da Alog Atendimento especial Bancos e empresas de tecnologia se preparam para suprir demanda diferenciada por serviços financeiros durante a Copa do Mundo Por Danilo Gregório e Gutemberg Medeiros A chegada de milhões de turistas às 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 mobiliza um exército de pessoas, empresas e agentes do governo para que a maior festa esportiva do planeta deixe uma ótima impressão aos olhos de uma plateia global. Os departamentos de tecnologia dos bancos e seus fornecedores não estão fora dessa lista, já que se espera uma intensificação do uso de serviços financeiros durante as semanas dos jogos. No período de 12 de junho a 13 de julho de 2014, o governo projeta uma visita de cerca de 3,7 milhões de turistas, entre os quais 600 mil estrangeiros. Juntos, eles devem gastar um total de R$ 25,2 bilhões, segundo cálculos do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur). Atentos a esse movimento atípico, bancos e empresas de tecnologia estão se preparando para dar conta do recado. A Revista Ciab FEBRABAN ouviu alguns dos principais bancos e fornecedores do mercado de tecnologia para apresentar as novidades que estarão em campo em Nesta reportagem, buscamos ressaltar serviços, procedimentos e canais de atendimento que receberam tratamento especial para a demanda provocada pela Copa. 8 revista Ciab FEBRABAN dezembro de 2013

9 A BRQ Financial Services, que presta consultoria para o setor financeiro, identificou alguns impactos e oportunidades que a Copa deve trazer para bancos de varejo e atacado. Alexandre Camilo Perez, diretor de marketing da empresa, aponta o aumento da demanda por canais remotos (internet, telefone, dispositivos móveis, ATMs); picos de transações de crédito, débito e saques fora dos padrões habituais; operações de câmbio e tesouraria com maiores volumes; e o lançamento de produtos, serviços de câmbio e meios de pagamento, estimulados pela chegada de uma massa de turistas internacionais. O ponto mais importante é a mudança que o evento causará no comportamento da demanda por transações de débito, crédito e saque, tanto em termos de dias e horários, como locais de utilização, diz Perez. ATMs globais As mudanças mais óbvias em sistemas e equipamentos aparecem nos caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês). O Bradesco está trocando seus ATMs localizados nos principais shopping centers e aeroportos das 12 cidades em que ocorrem as partidas da Copa. O plano é substituir, até lá, os equipamentos de 80 shoppings e 15 aeroportos por terminais dotados de tecnologia sem contato (contactless), que permite a identificação do cartão por meio de aproximação física do terminal, sem a necessidade de inserção do código PIN. Estamos falando de algo em torno de mil máquinas, diz Mauricio Minas, diretor executivo do Bradesco. Segundo o executivo, essa tecnologia é comum em cartões europeus e já está presente em mais de um terço do parque total de ATMs do Bradesco, estimado em 34 mil. Durante o período da Copa, o Itaú vai tornar disponível, em algumas agências, o câmbio de dólares e euros para clientes e não clientes (estrangeiros). Na sua rede de caixas eletrônicos, ao menos nas 12 praças dos jogos, a novidade serão os saques em reais para estrangeiros portadores de cartões das bandeiras Visa Plus, MasterCard Cirrus e China UnionPay (CUP). Esses clientes também poderão consultar saldos na moeda de origem do cartão internacional. A Caixa Econômica Federal (CEF) estuda adotar medida semelhante. A Caixa vislumbra alocar terminais de autoatendimento habilitados para essa operação e com possibilidade de comunicação em mais de um idioma, adianta o superintendente nacional de canais de distribuição da instituição, Ademir Losekann. Os bancos estrangeiros com atuação no Brasil não fogem à regra. Ofereceremos a qualquer cliente, não importando a sua origem, a oportunidade de realizar saques em moeda local em nossa rede de autoatendimento, pri- Pontos estratégicos Bancos concentram atendimento diferenciado para turistas nas 12 cidades-sedes da Copa do Mundo Manaus (AM) Cuiabá (MT) Curitiba (PR) Brasília (DF) Fortaleza (CE) Natal (RN) Recife (PE) Salvador (BA) Belo Horizonte (MG) Rio de Janeiro (RJ) São Paulo (SP) Porto Alegre (RS) dezembro de 2013 revista Ciab FEBRABAN 9

10 chapéu Capa vilegiando as praças esportivas que receberão os jogos em 2014, diz o diretor executivo de tecnologia do Santander, Fernando Diaz. O modelo em desenvolvimento contará com informações em mais de um idioma. Para executar transações no Brasil para clientes estrangeiros, o HSBC, de origem inglesa, se beneficia de uma plataforma global. O banco afirma que toda a sua rede de ATMs suporta os principais emissores mundiais de cartões (como Visa e MasterCard) para operações de saque em reais e extrato de forma online. Nossos ATMs já possuem as opções português, inglês e espanhol para as transações com cartões internacionais (Visa Plus e Cirrus), ressalta Marco Tavares, Chief Operating Officer (COO) e diretor executivo de operações, tecnologia e serviços do HSBC Bank Brasil. Câmbio automático Uma das expectativas fica por conta da adoção de caixas eletrônicos que realizam o câmbio manual de moeda estrangeira para nacional e vice-versa. Esse tipo de operação é bastante recente no Brasil: foi autorizado pela Resolução 4.113, do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 2012, limitado ao valor de US$ 3 mil por transação. A Revista Ciab FEBRABAN ouviu quatro fabricantes desse tipo de produto. O ATM Adattis modelo CX3, da Itautec, é um caixa eletrônico com função de câmbio, capaz de reconhecer moedas estrangeiras em euro ou dólar e trocá-las por reais. O vice-presidente de automações da Itautec, Wilton Ruas, conta que a companhia já domina essa tecnologia há mais de 10 anos, tendo desenvolvido e fornecido ATMs com essa funcionalidade para Aplicativos trazem orientações Dos 141 postos de câmbio da Caixa em todo o País, 68 estão situados em cidades que abrigarão os jogos da Copa. Para ajudar os turistas a localizarem os pontos mais próximos, a Caixa pretende mostrar na internet e em aplicativos de dispositivos móveis a relação dos postos de câmbio, com comunicação em inglês e espanhol. A maioria dos aplicativos de bancos já embute a tecnologia de localização de agências e ATMs, mas nem todos eles informam postos com serviço de câmbio. Essa informação pode ser obtida no aplicativo Câmbio Legal, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil (BC) com dados fornecidos pelos bancos. O app foi concebido para atender, principalmente, à demanda de turistas da Copa das Confederações e da Jornada Mundial da Juventude. Está disponível para download gratuito nas lojas de aplicativos da Apple e do Google desde junho de Indica os locais mais próximos onde é possível comprar e vender moedas estrangeiras ou sacar reais com cartões internacionais. Estão à disposição informações de mais de 13 mil pontos localizados em todo o Brasil de 46 instituições, relata Geraldo Magela Siqueira, secretário executivo do BC. 10 revista Ciab FEBRABAN dezembro de 2013

11 clientes no exterior. O equipamento visa a atender o grande afluxo de pessoas previsto para grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas. Além de realizar consultas e saques, o ATM Adattis modelo CX3 permite pagamento de contas em dinheiro, com possibilidade de troco. Sem revelar nomes, Ruas adianta que a solução da Itautec está em processo de avaliação técnica em dois bancos nacionais. Ele lembra que, nas duas últimas edições do Ciab FE- BRABAN, a Itautec expôs alguns ATMs que oferecem recursos convenientes para grandes eventos esportivos como a Copa. Um exemplo são equipamentos capazes de carregar cartões contactless com créditos ou de controlar a liberação de passagem em áreas de acesso restrito. O executivo ainda cita dispositivos de hardware para imprimir ingressos personalizados na hora. Neste momento, vários bancos estão avaliando as soluções e verificando, dentro de suas estratégias, a melhor forma e momento para sua adoção, sinaliza Ruas. Para Carlo Benedetto, vice-presidente de vendas e marketing da Diebold, a Copa do Mundo é uma oportunidade de oferecer ao setor bancário mais opções de autoatendimento, como máquinas de câmbio ou saques para cartões internacionais. Esses serão os serviços financeiros mais solicitados durante o Mundial, de acordo com bancos e corretoras de câmbio ouvidos pela Diebold. Nessa área, a fabricante oferece o terminal Diebold 4500, munido de validador de cédulas que reconhece dólares, euros e reais. A Diebold afirma que a tecnologia está em processo de homologação em um cliente. E toda a linha de ATMs da Diebold Para se dar bem com os gringos Um dos investimentos dos bancos para o período da Copa é na capacitação dos profissionais que vão lidar diretamente com a clientela que não fala português. Nas principais agências das cidades-sedes, estamos treinando funcionários bilíngues, diz Mauricio Minas, diretor executivo do Bradesco. O banco prevê prestar um pré-atendimento especial para estrangeiros durante 30 minutos antes da abertura ao público da agência. O funcionário vai identificar a transação desejada e direcioná-la para o canal apropriado. Acreditamos que a maioria das operações poderá ser feita nos caixas eletrônicos. Mas, se o cliente quiser câmbio e a agência não oferecer esse serviço, será informado o local mais próximo para isso, explica Minas. Os canais eletrônicos, como internet, mobile banking e call center, terão informações em inglês e espanhol. Para seus clientes da Argentina, Chile, México, Paraguai e Uruguai, o Itaú também vai oferecer, em suas agências, contato telefônico para atendimento especializado e bilíngue. Com o objetivo de aperfeiçoar o atendimento a clientes e turistas estrangeiros, especialmente durante os grandes eventos esportivos que o País sediará nos próximos anos, o Banco do Brasil incluiu na sua política de distribuição de bolsas o curso de inglês de nível básico. Além dessas bolsas, o BB informa que continua oferecendo incentivos para cursos de inglês à distância e para cursos presenciais de inglês e espanhol em vários níveis e modalidades. No HSBC, gerentes de relacionamento das agências Premier estão prontos para se comunicar em inglês quando preciso. dezembro de 2013 revista Ciab FEBRABAN 11

12 chapéu Capa Grandes números da Copa Impactos diretos 0,6 milhão de turistas internacionais Origem dos visitantes Fonte: Embratur e Ministério do Turismo 3,1 milhões de turistas nacionais R$ 25,2 bilhões de gastos por 3,7 milhões de turistas está preparada para saques por meio de cartões internacionais, sejam pré ou pós pagos, garante Benedetto. Conhecida pelos seus ATMs, a Perto aposta nos terminais Paystation, equipamentos multifuncionais que podem ser usados como meios de pagamento no varejo, estacionamentos, estações de transporte público e banco. O hardware aceita cédulas, moedas, cartões de crédito e de débito e também pode fazer o pagamento de contas por meio de código de barras, check-in em aeroportos e recarga de crédito de cartões que servem de bilhetes de transporte público. Está presente, inclusive, em estações de metrô. Já o Paystation Full Câmbio faz a conversão de cédulas de diferentes origens, conforme a cotação do dia. Nos Estados Unidos e na Europa, o autoatendimento é uma realidade em vários segmentos do mercado. No Brasil, vem crescendo e é irreversível essa tendência, constata o gerente de negócios para software e outsourcing da Perto, Fernando Mitidieri. Outra fornecedora de soluções de autoatendimento é a Hess Latam. Dentre seus produtos se destaca um equipamento de câmbio capaz de reconhecer moedas de 15 nacionalidades. Com um conjunto de hardware e software adaptados às necessidades do mercado brasileiro, dá a opção de pagamento em até três tipos de moeda. André Salvador, gerente comercial da empresa, revela que a solução está em fase de homologação em diversos clientes e entra em operação em instituições financeiras e corretoras de câmbio do País ainda em Oportunidade para a cloud É fato que o aumento e o uso diferenciado de serviços financeiros na época da Copa tendem a exigir mais das áreas de armazenamento e processamento de dados. Para evitar eventuais sobrecargas, uma alternativa à pura expansão de infraestrutura é a computação em nuvem. A nuvem permite atingir maior agilidade, que evitaria perda de clientes e de renda e até serviços negados. A realidade é que um incidente desses causa grandes prejuízos às marcas hoje em dia, lembra Rodrigo Gazzaneo, gerente de soluções de virtualização da EMC para a América Latina. A Alog tem a postos para a Copa 2014 serviços previamente pensados na expansão de fluxo de dados. Acreditando nesse potencial de negócios, acabou de inaugurar seu segundo data center no Rio de Janeiro, com investimento de R$ 40 milhões. Eduardo Carvalho, presidente da Alog Data Centers do Brasil, detalha que são quatro sites no País dois no Rio, um em Tamboré (bairro de Barueri, na Grande São Paulo) e outro na capital paulista. Teremos oportunidades claras de negócios se levarmos em conta, por exemplo, o volume de tráfego de dados no caso da transmissão de vídeos em tempo real, projeta o presidente. 12 revista Ciab FEBRABAN dezembro de 2013

13 Orçamento Divulgação Em termos de desenvolvimento, que é onde gastamos mais, 90% da nova arquitetura já está pronta Minas, do Bradesco meçaram a aparecer. Nos caixas eletrônicos (ATMs, na sigla em inglês), o tempo médio das transações de saque foi reduzido em 25% em já sob os efeitos do novo modelo -, segundo Minas; nos caixas tradicionais das agências, as transações ficaram 15% mais rápidas. Na hora de conceder um financiamento de veículo, o funcionário de uma agência levava entre 15 e 16 minutos até acessar toda a base de dados do cliente que queria fechar negócio. A partir do primeiro semestre de 2013, esse mesmo processo leva apenas 9 segundos. Outro ganho menos visível, mas não menos relevante, é no desenvolvimento de aplicações, destino de 15% dos gastos de tecnologia do Bradesco - fatia que só perde em volume para a manutenção de infraestrutura e para a rede de comunicações. A arquitetura orientada a serviços permite levar produtos e serviços ao mercado de maneira mais ágil, afirma Minas. Isso porque a SOA reutiliza componentes para a produção de software, evitando retrabalhos e aumentando a eficiência no processo de desenvolvimento. Com ela, o departamento de tecnologia do Bradesco conseguiu reduzir 40% do tempo de lançamento de produtos. Seja para a mobilidade, seja para a internet ou para uso interno da gestão, o produto vai para o mercado com mais competitividade, pois ganhamos com a economia de custos e quando chegamos antes da concorrência. Para um cenário de múltiplas plataformas e predominância dos meios digitais, essa agilidade é fundamental. No Bradesco, 87% das transações já são feitas pelos canais eletrônicos: internet (48%), ATMs (24%), mobile banking (10%) e telefone (5%). Arquitetura multicanal As declarações de Luis Antonio Rodrigues, diretor executivo de tecnologia do Itaú Unibanco, também revelam a ligação direta entre a atuação em múltiplos canais e a necessidade de revisão da arquitetura de sistemas. Seguimos uma estratégia de evolução da arquitetura de sistemas, focada em serviços, com modelos ainda mais alinhados com as necessidades das áreas de negócios, agilizando o suporte à inovação e o lançamento de produtos, conta Rodrigues. Como exemplo, podemos citar o projeto Arquitetura Multicanal, desenvolvido com a visão aberta às novas possibilidades, em que a solução técnica adotada permite disponibilizar produtos e serviços em todos os canais, com maior facilidade na navegação, visão integrada dos produtos, proporcionando melhor experiência para o cliente e maior disponibilidade. Outro projeto tecnológico ressaltado por Rodrigues para 2014 é o aperfeiçoamento de canais no celular. Alinharemos a utilização da nova plataforma de dados à nossa plataforma de mobilidade, gerando ao cliente uma experiência melhor e muito mais completa, tanto no celular quanto nos tablets. Sinais da aposta na plataforma móvel foram dados ao longo de 2013, com o lançamento de aplicativos voltados exclusivamente para pagamentos, como o Itaú QR Card (leitor de código de barras), 14 revista Ciab FEBRABAN dezembro de 2013

14 Alinharemos a utilização da nova plataforma de dados à mobilidade, gerando uma experiência melhor e muito mais completa para o cliente Rafael Rezende/Assunto Digital Rodrigues, do Itaú Unibanco Itaú Mobile Card (equivalente a cartão de crédito registrado no smartphone), Itaú tokpag (aplicativo que realiza transferências rápidas entre os usuários) e o piloto de NFC (sigla em inglês para comunicação por proximidade) em parceria com a operadora TIM. Assegurar que tudo permaneça no ar para não frustrar o consumidor é prioridade da área de tecnologia. O Itaú Unibanco mantém fóruns específicos para discutir e garantir a disponibilidade em todos os canais: agências, centrais telefônicas, internet e mobile. Processos e investimentos em software e hardware são priorizados até mesmo sobre necessidades Santander prepara estreia de data center Adata ainda não foi divulgada, mas o Santander Brasil caminha para inaugurar seu novo Centro de Processamento de Dados (CPD) no início de Nosso data center já está em fase de instalação dos servidores e migração de aplicações, revela o diretor executivo de tecnologia do banco, Fernando Diaz. O CPD foi construído em Campinas (SP) em uma área de 660 mil metros quadrados. Este novo e importante componente do nosso modelo de TI nos permitirá atingir níveis ainda mais altos de disponibilidade de sistemas e serviços, além de permitir aperfeiçoar nossa malha de processamento de forma mais eficiente, utilizando os melhores conceitos da virtualização de tecnologia em componentes como servidores, storage e rede Divulgação chegando ao modelo de virtual data center, afirma Diaz. Os investimentos em tecnologia em 2014 não se limitam ao CPD. O banco também planeja elevar seu nível de eficiência, por meio da melhoria de processos e consolidação de canais eletrônicos, por exemplo. Outros projetos esperados são a introdução de leitura biométrica e o aperfeiçoamento dos sistemas de apoio a gestão e controle de fraudes. Nosso data center já está em fase de instalação dos servidores e migração de aplicações Diaz, do Santander dezembro de 2013 revista Ciab FEBRABAN 15

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