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1 WHITE PAPER TARIFAS BANCÁRIAS UMA LUZ PARA O DEBATE Novembro/2007

2 Sumário 1 Conceitos Um pouco de história Esclarecendo as abordagens Evolução dos serviços e das receitas Composição da receita de serviços Portabilidade, TLA e assimetria da informação A experiência Internacional Tarifas no orçamento das famílias brasileiras Ações da Febraban Aspectos jurídico-legais A concorrência no setor bancário O lucro dos bancos... 38

3 WHITE PAPER Participaram deste trabalho: Ademiro Vian Assessor técnico de Assuntos Contábeis e Fiscais e de Produtos de Financiamento Ana Paula Harumi Higa Economista sênior André Luiz Lopes dos Santos Assessor técnico de Ouvidorias e de Relações com Clientes Antonio Carlos de Toledo Negrão Gerente-geral Jurídico Mário Sérgio Vasconcelos Diretor de Relações Institucionais Nicola Tingas Economista-chefe Selma Quaresma Economista júnior William Salasar Superintendente de Comunicação Social 4

4 1 CONCEITOS Tarifa é a contrapartida de uma prestação de serviço. Água, luz, telefone, gás, internet são serviços tarifados. Assistir ao campeonato brasileiro de futebol pela TV paga custa R$ 49,90 por mês. É o preço tarifa pela comodidade de ver o jogo em casa, ao vivo. A passagem de ônibus, trem ou metrô é uma tarifa: remunera o serviço de transportar pessoas. Reconhecer firma em cartório, dependendo de o documento ter ou não valor econômico, custa, em S. Paulo, R$ 4,30 ou R$ 2,65. As despesas de cartório de uma firma pequena, com cerca de 80 funcionários, ficam entre R$ 1.200,00 a R$ 1.300,00 por mês. Operações bancárias Em bilhões de transações 85,65% 19,8 36, Em todo o mundo, os bancos vêm se caracterizando como prestadores de serviços. Na verdade, desde seus primórdios os bancos prestam o serviço de guarda e transferência de valores. Essa função tende a se expandir, à medida que as economias modernas se caracterizam pelo crescimento expressivo do setor de Serviços. O Brasil seguiu o mesmo caminho: em 1971, o setor de Serviços respondia por 51,6% do PIB e passou a 63,9% em Portanto, não é de estranhar que a participação da receita de serviços em relação às receitas totais dos bancos esteja crescendo, no Brasil e no mundo todo. Como observou o Federal Reserve de Nova York, em 2001, nos EUA, a receita de prestação de serviços respondia por 43% da receita operacional líquida dos bancos norte-americanos, em comparação com 25% em Participação da Receita de Serviços sobre a Receita Operacional Líquida (%) Bancos Norte-americanos 50 - % Q1 - - Fonte: Stiroh, Kevin J. (2002) Q Q Q Q Q Q Q Q1 5

5 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Segundo o professor Stephen Charles Kanitz, da Faculdade de Economia, Administração e Ciências Contábeis da Universidade de São Paulo (FEA/ USP), uma série de regulamentos visando impedir que os bancos emprestem além de sua capacidade financeira, como os acordos de Basiléia I e II, enfraqueceu a capacidade de emprestar dos bancos ano após ano. Os bancos comerciais, para sobreviver, mergulharam de cabeça em outras atividades, como serviços (grifo nosso), derivativos, securitização de recebíveis, escreveu Kanitz em artigo na revista Veja (edição de 5 de setembro de 2007). O Brasil, além de seguir os parâmetros de Basiléia (e até com mais rigor), tem, entretanto, outras peculiaridades: 1) o recolhimento compulsório dos depósitos à vista no Banco Central, e 2) o leque de serviços prestados pelos bancos é bem mais amplo e variado, talvez o mais amplo e variado do mundo. O recolhimento ou depósito compulsório é um instrumento de Política Monetária que pretende controlar a inflação restringindo os empréstimos bancários. O compulsório retira dinheiro de circulação impedindo os bancos de emprestar e, com isso, criar moeda, pois cada empréstimo vira um depósito, que pode ser novamente emprestado, e assim sucessivamente. Esse processo de empréstimo virar depósito, que vira empréstimo, que vira um novo depósito é conhecido como Multiplicador Bancário. Quando o Banco Central retira dinheiro depositado nos bancos, ele inibe o multiplicador. No Brasil, o recolhimento compulsório é de 53% dos depósitos à vista. Ou seja, de cada R$ 100,00 depositados nos bancos, apenas R$ 47,00 estão disponíveis para empréstimos. 6 De cada R$ 100,00 Recolhimento compulsório R$ 53,00 Crédito Rural R$ 25,00 Encaixe obrigatório R$ 5,00 Saldo para empréstimos e financiamentos R$ 17,00 Mas, além disso, esses R$ 47,00 estão sujeitos ao chamado direcionamento do crédito. Em poucas palavras, significa que os bancos têm restrições para emprestar. É o que acontece com o crédito rural. Por lei, 25% dos depósitos à vista têm obrigatoriamente de ser emprestados a produtores rurais, a taxas muito menores do que as taxas de mercado. Assim, dos R$ 47,00 que sobraram depois do recolhimento compulsório no BC, outros R$ 25,00 são dirigidos como subsídio pago por todos os tomadores de crédito para os produtores rurais. Sobrariam, portanto, apenas R$ 22,00 para os bancos emprestarem. Mas os bancos ainda têm de manter 5% de encaixe obrigatório uma espécie de reserva de liquidez o que diminui a parcela dos depósitos à vista que realmente fica livre para empréstimos e financiamentos a R$ 17,00.

6 Assim, no Brasil, os bancos têm um incentivo a mais para se dedicarem à prestação de serviços. 2 UM POUCO DE HISTÓRIA Os bancos são prestadores de serviços, tanto quanto intermediários financeiros, ou seja, além do crédito, obtêm receitas pela administração de recursos de terceiros, por operações de comércio exterior e câmbio, pela facilitação de serviços de cobrança, arrecadação e pagamentos das empresas, indivíduos e de entidades públicas, entre um amplo leque de outros serviços. Os bancos sempre prestaram uma série de serviços. Mas, no Brasil, durante o período de inflação acelerada as distorções econômicas causadas pela disparada de todos os preços refletiram na prestação de serviços e sua remuneração. Os bancos, como a maioria das empresas brasileiras, por causa da disparada diária dos preços, tinham dificuldades em apurar seus custos. Nessas circunstâncias, uma parte importante dos custos acabava sendo coberta pelas chamadas receitas de floating a aplicação dos recursos em trânsito dentro dos bancos maximizadas pela própria inflação. Dessa forma, o floating embutia a remuneração pela prestação de serviços via tarifas, nessa época. Assim, passou praticamente ignorado o massivo investimento na infraestrutura logística, de tecnologia da informação, de sistemas e de processos montada nos anos de economia instável para fazer o dinheiro transitar pelo menos na mesma velocidade dos preços. A arquitetura das agências bancárias teve de ser sensivelmente alterada para atender a multidões de clientes e usuários que demandavam depósitos, saques, aplicações, pagamentos buscando preservar seu dinheiro da corrosão inflacionária. Daí agências com tantos caixas que mais pareciam supermercados, em tudo diferentes dos bancos antes fechados, exclusivos para poucos clientes. Foi daí que veio o grande impulso da automação e informatização do sistema bancário brasileiro, com pesados investimentos em pesquisa e desenvolvimento autônomos (a época era a da reserva de mercado na informática). Novos serviços foram introduzidos, como a cobrança com código de barras, o débito automático em conta corrente e o DOC formas mais eficientes, ágeis e seguras de cobrar, pagar e transferir dinheiro. 7

7 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Custo de uma TED Comparação pelo valor médio - em R$ R$100,00 R$50,00 0 EUA Europa Brasil A prestação de serviços tem se aprimorado, evoluído e ampliado paralelamente à crescente sofisticação dos serviços financeiros mundiais. Um exemplo bem próximo: a TED, que permite transferir dinheiro a qualquer ponto do País no mesmo dia e até em tempo real, era inexistente antes do ano Hoje, é corriqueira e substitui o cheque com muito maior comodidade e segurança. E é muito mais acessível aqui do que nos países mais desenvolvidos. Nos EUA, a transferência de crédito de pessoa física no mesmo dia custa o equivalente a R$ 97,00, mas na prática não ocorre. Na União Européia varia de R$ 26,00 a R$ 52,00 por transação. Na Grã-Bretanha, vai de R$ 58,00 a R$ 78,00 por transação. No Brasil, de R$ 8,00 a R$ 13,00 por transação. Com o fim do ambiente inflacionário e das distorções que causou na vida das empresas, o crescimento das receitas com prestação de tarifas, desde 1994, não se resumiu a uma simples substituição dos ganhos com o floating, perdidos com a estabilização econômica. Na verdade, representou a restauração da racionalidade e da transparência nos negócios, que a desordem generalizada dos preços havia comprometido e não apenas nos bancos, mas em praticamente todo o tipo de empresa ou serviço, já que a moeda havia praticamente perdido suas três funções básicas: reserva de valor, meio de pagamento e unidade de conta. Com a estabilização monetária, pode-se fazer contabilidade de custos e buscar sua remuneração adequada ao equilíbrio econômico-financeiro do negócio. Os bancos, como toda a sociedade, passaram a ganhar mais e melhor com a estabilidade econômica, que propiciou previsibilidade, juros declinantes, novos produtos de crédito com maiores garantias e extensão dos prazos dos empréstimos e financiamentos. 3 ESCLARECENDO AS ABORDAGENS 8 As tarifas bancárias ganharam notoriedade nos últimos tempos. Proliferam estudos e análises sobre o tema, dando conta de quanto a receita com a cobrança pela prestação de serviços aumentou com a estabilização monetária, desde o Plano Real, de Esses trabalhos, em regra, limitam-se a comparar a linha Receitas de Prestação de Serviços, do balanço dos bancos, de um período em que o sistema bancário brasileiro mal saía de anos e anos de desordem monetária e instabilidade econômica, com as mesmas linhas dos balanços produzidos em um novo ambiente da inflação sob controle.

8 Com isso, compara-se momentos bastante distintos da história econômica do País, sem levar em consideração a complexidade do fenômeno inflacionário ou a célere evolução propiciada pelo avanço tecnológico e as novas oportunidades criadas pela estabilização. Ou seja, o estudo da evolução das tarifas também deve considerar que, além do comportamento de custos ou a evolução de índices de inflação, elas são estabelecidas a partir de diferentes estratégias de negócio e da resposta das instituições às pressões de demanda no mercado. Mas as análises em voga baseiam-se nas listas de tarifas publicadas pelo Banco Central, as quais, por sua vez, indicam apenas as tarifas máximas informadas pelos bancos não as tarifas médias, muito menos os pacotes ou cestas de tarifas de uso muito mais disseminado. O Procon-SP, em sua pesquisa sobre tarifas, constatou que um cliente hipotético economizaria, em média, 26,3% no uso de pacotes ou cestas, em comparação com o pagamento isolado das mesmas tarifas constantes do pacote ou cesta. É um percentual coerente com a média internacional, de 23% de descontos oferecidos em pacotes ou cestas de tarifas, apurado no estudo World Retail Banking Report (2007), do banco ING. Aliás, a pesquisa do Procon-SP é um caso raro de referência aos pacotes de tarifas. O mesmo Procon-SP também reconhece que sua pesquisa não leva em consideração atributos de fidelização, como saldo médio, aplicações, empréstimos e outros, que os bancos utilizam para dar descontos e até isenção do pagamento de tarifas a seus melhores clientes. Outra omissão nas abordagens usuais sobre tarifas reside em desconsiderar a própria evolução do sistema e dos produtos e serviços oferecidos. Por exemplo, só em 2002 é que a reforma e automatização do Sistema Brasileiro de Pagamentos (SPB) foi concluída e, assim, a TED não existia. Além do SPB, diversos outros canais de atendimento e distribuição dos bancos foram criados, ou passaram a ser muito mais intensamente utilizados nos últimos anos. É o caso das transferências eletrônicas ou por telefone, o que não só aumentou a oferta e a demanda por esses serviços, como os tornou muito mais acessíveis. Houve, portanto, mudanças significativas na escala de utilização de determinados serviços em detrimento 9

9 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE de outros, o que motivou uma segmentação maior dos serviços e, consequentemente, das tarifas. Também houve evolução em relação à oferta de produtos. Um exemplo é o crédito imobiliário, que vem passando por uma expansão acelerada. As antigas tabelas de tarifas dos bancos apresentavam como valor máximo para a substituição de garantias aquela que era mais comum, a dos financiamentos de veículos. Hoje, incluem o financiamento imobiliário, cujos valores são significativamente maiores. Os bancos segmentam a substituição de garantias pelos valores dos bens financiados. Dessa forma, uma substituição de garantia de imóvel tem um valor muito superior àquela envolvendo um automóvel. No entanto, as análises prendem-se unicamente à planilha do BC, que só aceita uma única tarifa máxima, no caso, a do imóvel de hoje e que, logicamente, é muito maior que a do veículo da tabela de anos atrás. Variações significativas entre tarifas praticadas por diferentes bancos em serviços pontuais são muitas vezes interpretadas como abuso na cobrança desses serviços por parte de algum banco específico ou do conjunto do sistema. No entanto, quando avaliadas sob uma perspectiva mais cuidadosa essas diferenças mostram, na realidade, um mercado caracterizado por intensa competição entre as instituições financeiras. Além disso, dependendo do perfil de clientes, porte e estratégia, diferentes bancos oferecerão seus serviços em leques distintos de canais, o que tem significativo impacto nos custos e, conseqüentemente, nas tarifas desses serviços. Por exemplo, dois bancos podem oferecer o mesmo tipo de serviço de consultas a extratos com movimentação histórica de até seis meses, porém, se um deles o disponibilizar em canais eletrônicos e outro somente pelos seus gerentes, os preços mínimos divulgados para o serviço provavelmente apresentação diferenças expressivas. E um fator que é completamente olvidado em todas as análises em voga sobre tarifas: a oferta e a demanda relacionadas aos serviços bancários. Quanto menos oferta ou mais demanda por um dado serviço, mais escasso ele será, e, portanto, maior sua tarifa. Quanto maior oferta ou menor demanda, mais abundante será o serviço, e, portanto, menor a tarifa. O exemplo da anuidade de cartões de crédito ilustra bem esse fato. 10

10 Assim, fica evidente que um dos equívocos mais comuns nos estudos e investigações sobre tarifas bancárias é sua análise a partir dos custos das instituições financeiras, ignorando totalmente o fator formação dos preços pelo equilíbrio das curvas de oferta e demanda. Sob este prisma, do equilíbrio da oferta e da demanda, não cabe falar em preços abusivos caracterizados pela diferença entre preço cobrado e custo da prestação de serviços, mas sim preço de equilíbrio. Dado que o preço de mercado é o preço de equilíbrio, qualquer influência externa será inócua, ou interferirá no equilíbrio entre oferta e demanda e retirará o mercado de seu ponto ótimo. Como se viu, grande parte das imprecisões contidas nas análises podem decorrer da carência de dados mais acurados. Nesse sentido devem ser intensificados os esforços de trazer maior transparência a um debate tão importante o que é um compromisso que a Febraban e os bancos assumiram ao criar o Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Bancários STAR, que será apresentado mais à frente. Coerente com a visão atual das autoridades bancárias ao redor do mundo, a proposta da Febraban consiste em adotar e defender iniciativas que implementem e incrementem a disciplina de mercado. Aumentar a transparência e, com isso, estimular a concorrência, constituem mecanismos disciplinares mais eficazes e mais eficientes do que o recursos a artificialismos casuísticos do gênero tabelamento ou restrições à inovação em bens e serviços. Porém, mais do que ganhar em eficiência, a disciplina de mercado é condição necessária para a promoção da estabilidade de longo prazo das instituições financeiras. 4 EVOLUÇÃO DOS SERVIÇOS E DAS RECEITAS O fator que determina o crescimento das receitas com serviços é a demanda, dada pelo aumento da base de clientes e das transações bancárias. As transações efetuadas pela rede bancária crescem ano a ano, juntamente com o crescimento exponencial não só da base de clientes, mas também da utilização dos serviços bancários. Os indicadores atestam o crescimento das transações, ou dito de outra forma, o espelho dos serviços prestados à sociedade. 11

11 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Quantidades (em milhões) Itens % Contas de água, energia, saneamento, ,5 telefone e gás Faturas de concessionárias debitadas ,8 automaticamente nas contas dos clientes Guias de tributos municipais, estaduais ,1 e federais, do FGTS, INSS, DPVAT e Ibama Pagamento do FGTS ,1 Transações com cartões de crédito ,0 Cartões de crédito 28,0 79,0 182,1 Contas correntes (ativas e inativas) 63,7 102,6 63,5 Contas correntes ativas 48,0 73,7 60,4 Total de transações dos bancos ,6 Total de dependências (em unidades) ,0 Quadro de funcionários (em unidades) ,0 Número de bancos (em unidades) ,2 No Brasil, os bancos são os arrecadadores de impostos federais, estaduais e municipais. Também são os bancos brasileiros que arrecadam as contribuições e pagam os benefícios da Previdência Social; assim como são os bancos que recebem as contas das concessionárias de serviços públicos e fazem o serviço de cobrança das empresas. A amplitude da prestação de serviços dos bancos também pode ser dimensionada pela quantidade total de transações de todos os tipos desde créditos de salários e Transferências Eletrônicas Disponíveis (TEDs), agendamento de transações e investimentos, passando por saques, depósitos e aposentadorias: 36,7 bilhões em O total de operações, aliás, cresceu 85,6% desde 2000, quando foram realizadas 19,8 bilhões de transações, enquanto que o total de contas correntes cresceu, no mesmo período, 63,5%. Ou seja, mais clientes utilizando mais e mais os serviços bancários. 12 Todos esses serviços prestados à sociedade, desde a remessa de dinheiro via DOC ou TED, até a administração de fundos de investimentos ou um prospecto para lançamento de ações, todos eles envolvem gente, muita gente, que tem de ser permanentemente qualificada, treinada e atualizada. Também envolve tecnologia, manutenção de redes de tele-

12 comunicações, a própria rede de agências, o transporte de dinheiro e de documentos. Aliás, a logística de transporte de documentos, unicamente documentos, de toda rede bancária implica mobilização diária de uma extensa malha logística, formada por uma frota de veículos e 78 aviões, espalhada por 27 Estados e municípios, tudo isso convergindo para 15 centros de compensação regionais. Essa estrutura, o contingente de mais de 424 mil funcionários treinados e os pontos de atendimento implica uma série de custos que envolvem a prestação dos mais diversos serviços. Os serviços bancários, como os serviços de telefonia, de saneamento, de transporte, têm custos e fazem parte do negócio bancário. Funcionários treinados $ $ $ pontos de atendimento É claro que o estabelecimento de preços de tarifas não se esgota na remuneração dos custos. Também reflete a demanda e a oferta dos serviços, dentro das estratégias e modelos de negócios de cada instituição. Daí não só a diversidade de tarifas que reproduz a diversidade de serviços como as diferenças de preços cobrados pelas instituições. A remuneração dos serviços é que possibilita ao sistema bancário ser, no Brasil, o setor que mais investe em tecnologia da informação, com reflexos para toda a sociedade. Quando o mundo parte para o que a revista britânica The Economist descreveu como o fim da era do dinheiro, com o advento da moeda virtual, a evolução tecnológica dos meios de pagamentos é imperiosa. Com ela, a prestação de serviços bancários por meio eletrônico ganhará ainda mais, em quantidade, em qualidade e em diversidade. O que para a sociedade se traduz em eficiência, segurança e comodidade. A exploração das facilidades oferecidas pelos serviços bancários faz com que sua utilização cresça a taxas maiores do que a base de clientes. Como se vê, ainda, no Adendo Estatístico 2006 do Diagnóstico dos Meios de Pagamento de Varejo do Banco Central, enquanto o número de contas de depósito cresceu 44% dos 71,4 milhões de 2001 para os 102,6 milhões de 2006, a quantidade de cartões de crédito por conta cresceu 68% e as transações de cartões de pagamento por habitante cresceram 305% no mesmo período. As transações de bloquetos de cobrança e convênios basicamente o pagamento de contas nos caixas eletrônicos, por sua vez, aumentaram 221%. 13

13 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Não só nas quantidades de transações o crescimento foi expressivo. Registra-se performance semelhante com relação aos volumes financeiros. Valores Financeiros (em milhões) Itens % Faturamento com cartões de crédito ,4 Crédito total (PF+PJ) ,9 Fundos de investimento ,4 As tarifas de prestação de serviços, portanto, cresceram não só pela expansão do número de correntistas e poupadores, como também da disseminação do uso dos cartões de crédito, do crescimento das operações de crédito, das aplicações em fundos de investimentos e pela oferta de novos serviços. O maior volume das receitas vêm de operações de crédito que participam com 50,0% do total em Com relação às tarifas de prestação serviços, estas passaram de 15,6% para 18,8%. As operações de tesouraria perderam significado; encolheram de 33,7% da receita total dos bancos, para 31,3%, nesse período. Tais números indicam que os bancos, cada vez mais, dedicam-se a suas funções fundamentais: financiar o consumo, a produção e o investimento e prestar serviços. Receitas Totais Prestação de Serviços 2000 TP (%) 2006 TP (%) IC (%) 13,4 bi 15,6 52,6 bi 18,8 292,5 Títulos e Valores Mobiliários 28,9 bi 33,7 87,7 bi 31,3 203,5 Operações de crédito 43,4 bi 50,7 140,1 bi 50,0 222,8 Totais 85,7 100,0 280,4 100,0 227,2 14

14 O efeito de expansão do acesso das pessoas aos serviços bancários é percebido com o aumento da rede de atendimento, composta por agências, postos tradicionais, postos eletrônicos e correspondentes não bancários. De 2000 a 2006 a rede de atendimento teve um aumento de 148,0%, atingindo canais. O canal correspondentes não bancários teve um crescimento de 431,9% no período, tendo atingido pontos de atendimento ao final de COMPOSIÇÃO DA RECEITA DE SERVIÇOS Tem sido comum afirmar que a cobrança de tarifas bancárias recai exclusivamente sobre os consumidores, que toda a receita auferida sai do bolso dos clientes pessoas físicas. Essa visão decorre da transcrição pura e simples do valor agregado das Receitas de Serviços e Outros das demonstrações financeiras nos balanços dos bancos. Acontece que tal item engloba um verdadeiro universo de diferentes serviços prestados não só a pessoas físicas, mas às micro, pequenas, médias e grandes empresas, que vão da administração de recursos de terceiros, operações de abertura de capital, até a manutenção de conta corrente, passando pela custódia de títulos e valores mobiliários e um mero DOC. Para melhorar a visão convencional, a Febraban consultou os principais bancos do País para desagregar aquela única linha do balanço em dez grupos de serviços e respectivas tarifas, com as respectivas participações no universo de toda a receita de serviços. O 11º bloco é composto por uma miríade de serviços/tarifas que não chegam a 1%. Como o gráfico a seguir indica, os serviços/tarifas referentes a cartões de crédito são o grupo isolado com maior participação na receita total, com 23,5%, seguido da Taxa de Abertura de Crédito (13,3%) e pela de administração de fundos (12,8%). São itens que abrangem tanto pessoas físicas quanto pessoas jurídicas. 15

15 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Composição das Receitas com Serviços (em %) Cartões de crédito TAC Administração de Fundos Renda de Cobrança Manutenção de Contas-Correntes Tarifas Interbancárias Fornecimento de extratos e talões de cheques Arrecadações Rendas e garantias prestadas Emissão e Renovação de Cartões Magnéticos Outras Tarifas 5,7 4,1 2,4 1,7 1,5 1,4 7,8 13,3 12,8 23,5 25, Fonte: Febraban Mas, segundo estimativas de grandes bancos de varejo, a receita das tarifas derivadas da prestação de serviços a pessoas físicas, somada, significa em torno de um terço da receita total. O grosso das receitas vem de serviços que têm crescido expressivamente nos últimos anos, notadamente a administração de recursos de terceiros, operações de mercado de capitais (como lançamento de ações, debêntures e notas promissórias) e operações de comércio exterior e câmbio, que acompanham o crescimento do mercado de capitais e da abertura da economia brasileira ao comércio internacional. 16 Por fim, é sempre bom lembrar que toda atividade econômica é produto da ação de vários agentes e seu resultado é distribuído por diversos outros agentes. No caso das tarifas recebidas pelos bancos como contrapartida pela prestação de serviços, um estudo feito em 2005 pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) mostra que, de cada R$ 1,00 recebido pelos bancos como nas Receitas de Serviços e Outras, 22% foram para recursos humanos, 51% para outras despesas estruturais, 15% para tributos e 12% para lucro líquido. Os percentuais podem ter mudado, mas a mensagem é clara: os bancos não ficam com tudo.

16 DVA adaptada: demonstração de geração e distribuição de riqueza de instituições financeiras bancárias brasileiras (em %) 2005 Cred. Tes. Serv. Tot. Origens Receitas de Juros 100% 100% 100% (-) Prov. P/ Créd. Liq. Duvidosa - 13% - 9% Receitas de Serviços e Outras 0 % 100% 46% (-) Desp. C/ 3ºs, Deprec. e Amortiz.* - 24% - 7% - 51% - 41% Riqueza Obtida 64% 93% 49% 96% Destinações Despesas de Juros 36% 74% 48% Recursos Humanos 10% 3% 22% 18% Tributos 8% 7% 15% 15% Lucro Líquido 9% 9% 12% 15% Riqueza Distribuída 64% 93% 49% 96% Fonte: Fipecafi 6 PORTABILIDADE, TLA E ASSIMETRIA DA INFORMAÇÃO Uma outra espécie de crítica comum, ainda no tocante à questão da concorrência no setor bancário, diz respeito à dificuldade de as pessoas mudarem ou trocarem de banco o que tem sido uma preocupação do Banco Central, há vários anos. A questão de fundo, aqui, é a da portabilidade. Nesse sentido, medidas como a conta-salário, com duas versões, sendo a primeira do ano 2000 e a mais recente de 2006, facilitam aos trabalhadores com carteira assinada que recebem seus salários mediante crédito em conta bancária transferir, sem custos, os recursos depositados pelos empregadores para os bancos de sua livre escolha e esse processo será ainda mais amplo, por força da ampliação de alcance determinada na Resolução 3.424/06, do BC, revelando a clara tendência de fortalecimento desse mecanismo, nos próximos anos. O Banco Central também disciplinou a portabilidade dos cadastros e das operações de empréstimos, com o intuito de fomentar ainda mais a competição entre os bancos. 17

17 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Nesse aspecto, a crítica que se faz, em regra, é direcionada aos custos envolvidos nas operações de antecipação de pagamentos, nomeadamente à Tarifa de Liquidação Antecipada (TLA). Também aqui é preciso lançar um pouco de luz sobre o debate. A liquidação antecipada das operações de crédito é um direito garantido pelo art. 52, 2, do Código de Defesa do Consumidor. Segundo aquele artigo de lei, deve-se garantir ao tomador do crédito, nessa operação, a redução proporcional dos juros e demais acréscimos. Algumas leituras desse dispositivo, de forma equivocada, tendem a sustentar que ele implicaria a impossibilidade de incidência de quaisquer custos sobre essa operação, para o tomador que resolva antecipar seus pagamentos. O Sistema Financeiro é, cada vez mais, algo de proporções globais. Algumas de suas regras de funcionamento devem, necessariamente, ser observadas por igual, em todo o mundo, sob pena de se promover um verdadeiro isolamento dos países que não observarem essas bases operacionais comuns. Uma dessas regras básicas envolve a questão do equilíbrio entre ativos e passivos, ou seja, a necessidade de que os agentes financeiros mantenham um perfeito casamento entre suas operações de créditos e débitos. Nas operações de crédito, os bancos atuam como intermediários financeiros, tomando dinheiro de um lado e emprestando-o de outro. Quando um banco capta no mercado o dinheiro que empresta ao tomador, faz essa operação assumindo a responsabilidade de devolver esse dinheiro, devidamente remunerado, num prazo pré-determinado e a taxas pré-estabelecidas. Quando o tomador do crédito decide antecipar seus pagamentos, liquidando a operação, gera um desequilíbrio nas operações do agente financeiro, que permanecerá, na outra ponta, devedor do cumprimento exato daquilo que contratou ao captar esse dinheiro. 18 O estabelecimento de custos com os quais o tomador que decide antecipar os pagamentos deva arcar se presta, apenas, a garantir que, ao proceder à liquidação antecipada de apenas uma das pontas da operação, seu equilíbrio seja recomposto.

18 Assim, o valor maior que se busca preservar, com o estabelecimento de regras voltadas à disciplina das antecipações de pagamentos e dos custos nela envolvidos é a preservação do equilíbrio entre ativos e passivos nas operações, indispensável à higidez da atividade de intermediação financeira, aqui como em qualquer parte do mundo. Não se trata, portanto, de uma simples transferência do risco da operação ao tomador que deseja antecipar seus pagamentos, menos ainda de uma forma de garantir o lucro integral dos bancos, diante dessa antecipação, como se denota de algumas críticas mais comuns e equivocadas. A manutenção rigorosa desse equilíbrio é um dever dos agentes financeiros não uma simples opção. Sem ela, põe-se em risco não só cada uma das instituições financeiras, isoladamente consideradas, mas a solidez do sistema, absolutamente fundamental para a segurança, em última análise, da própria sociedade. Outro dado importante a considerar, nesta como em qualquer análise, é a questão do contexto em que se insere a discussão. Numa economia estável, como vem se caracterizando a brasileira, mostra-se clara a tendência de alongamento dos prazos de financiamentos. Em contrapartida, mais comum poderá se tornar, progressivamente, a prática das antecipações. Ocorre, porém, que, enquanto a estabilidade da moeda se afirma e se consolida já como uma conquista inalienável da sociedade brasileira, nosso sistema financeiro ainda carece de vários dos instrumentos mais sofisticados de proteção e diferimento de riscos hoje em dia largamente utilizados nas economias mais avançadas, como a securitização e os derivativos de crédito. Nesse cenário, mais relevante ainda se mostra a necessidade de uma sistemática segura para essas operações, capaz de garantir, de uma parte, o pleno exercício do direito à antecipação, pelo tomador; de outra, a manutenção dos equilíbrios necessários e do controle adequado sobre os riscos decorrentes dessas operações, para todo o sistema. 19

19 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Na ausência desses mecanismos de proteção (hedge, no jargão financeiro), a eliminação da TLA pode resultar em elevação indiscriminada das taxas de juros, sobretudo em mercados de riscos maiores e prazos mais longos, como o imobiliário, que só recentemente voltou a ganhar corpo no Brasil. Significaria, neste caso, um inibidor de um mercado da maior importância para fomentar o desenvolvimento econômico e social do País. Esse controle envolve, entre outros aspectos, até mesmo a questão de se garantir a preservação da viabilidade operacional dos agentes financeiros de menor porte algo fundamental à própria defesa da concorrência. Não bastasse o aspecto econômico-financeiro do equilíbrio a ser preservado, há ainda o aspecto jurídico da questão, gerador das maiores polêmicas até aqui observadas nesse tema. Parece-nos necessário observar que a mesma lei - Código de Defesa do Consumidor - que garante aos clientes o direito à antecipação, estabelece como objetivo da Política Nacional das Relações de Consumo a transparência e harmonia das relações de consumo (CDC, art. 4, caput). Para tanto, firma como princípio dessa mesma Política, a harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores (CDC, art. 4, III). Por fim, no tocante ao tema da portabilidade, vale notar que, embora necessárias, tais medidas são ainda insuficientes. Falta o cadastro positivo. O cadastro positivo é objeto do Projeto de Lei 836/2003, que disciplina o funcionamento de bancos de dados e serviços de proteção ao crédito e congêneres e dá outras providências, e que deve ser encaminhado à apreciação do Plenário da Câmara dos Deputados, já tendo sido previamente aprovado pelas Comissões de Defesa do Consumidor e de Constituição e Justiça da mesma Casa Legislativa. 20 Nesse projeto, encontra-se prevista a formação dos chamados cadastros positivos, baseados no histórico de adimplementos do consumidor.

20 As questões centrais dos debates sobre o Projeto têm estado voltadas ao tema da preservação da privacidade dos cidadãos. No entanto, parte das críticas ao Projeto tem posto como alvo central a eventual discriminação da parcela dos consumidores que não faz uso regular de mecanismos de crédito e, assim, não seria avaliada por esses cadastros. Com isso, segundo esse argumento, até mesmo bons pagadores não seriam considerados de forma favorável, com base neles, e poderiam, por isso, ter negado acesso ao crédito. A questão é da maior relevância e, cremos, pede uma análise mais objetiva. Um dos temas centrais à análise da concorrência é, justamente, a questão da assimetria da informação. Essa assimetria conduz a problemas diversos, que, em última análise, fazem dos consumidores os maiores prejudicados com esse desequilíbrio nos níveis de informação disponíveis aos agentes do mercado. No campo financeiro, a falta de informações precisas, por parte do fornecedor, quanto à real capacidade do consumidor de honrar seus compromissos, faz com que o risco seja distribuído por entre todos, de forma igual, em claro prejuízo daqueles que, na prática, oferecerem menor risco. Tem-se aí o custo da inadimplência de alguns, disseminado sobre as taxas pagas por todos. O cadastro positivo poderia, claramente, contribuir para a redução desse problema, na medida em que os riscos poderiam ser mais bem distribuídos. A Febraban, coerente com sua crença no livre mercado e na livre concorrência, contribuiu ativamente na construção da regulamentação dessas medidas, fundamentada no equilíbrio nas relações entre as partes envolvidas, no respeito aos direitos individuais e aos contratos existentes. Aliás, na proposta de resolução enviada ao Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre a conta-salário, a Febraban defendeu que a livre escolha fosse estendida não só aos trabalhadores da iniciativa privada, como também aos servidores públicos de qualquer natureza. A experiência histórica e internacional mostra que processos ligados à maior transparência e aqueles voltados a dotar os consumidores de maior poder de escolha são poderosos indutores da concorrência e têm 21

21 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE poder de disciplinar o mercado, sem a necessidade de regulação mais intensa ou mais intrusiva. 7 A EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL O crescimento da participação das receitas de serviços em relação às receitas totais dos bancos é uma tendência mundial. Estudos internacionais mostram que a definição de preços dos serviços bancários é mais aderente a uma estratégia de relacionamento com o cliente, do que um meio para aumentar as receitas. Estudo de 2002 do Federal Reserve de Nova York já mostrava que o setor bancário norte-americano havia passado por um processo de transformação, com maior participação das receitas de serviços no total das receitas. Em 2001, nos EUA, a receita de prestação de serviços (non interest income) respondeu por 43% da receita operacional líquida ante 25% em Estima-se que atualmente supere os 50%. Em países como França, Suíça, Finlândia, Austrália e Áustria, a receita líquida de serviços tem participação superior a 50% em relação à receita total dos bancos. Em países como Bélgica, Polônia e Holanda a participação da receita de serviços gira em torno de 43% da receita total. Introdução Participação da Receita Líquida de Serviços em Relação à Receita Líquida Total Países Selecionados (%) França Suíça Finlândia Austrália Áustria Bélgica Polônia Holanda Irlanda Nova Zelândia Alemanha Itália Espanha Noruega 25,3 37,0 35,7 32,3 32,2 31,1 44,3 42,8 42,7 50,8 49,8 49,6 58,7 58, Fonte: OECD Database on Bank Profitability Financial Statements of Banks

22 8 TARIFAS NO ORÇAMENTO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS Gastos familiares renda mensal entre R$ 4.000,00 e R$ 6.000,00 Tem-se afirmado que as tarifas bancárias pesam extraordinariamente no bolso dos consumidores, principalmente os de menor renda. Não é o que pesquisou e apurou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) aponta que gastos com serviços bancários são maiores para faixas de renda mais elevadas. Energia Elétrica Telefonia fixa Telefone celular R$ 42,42 Tarifas bancárias R$ 44,39 R$ 81,95 R$ 82,51 Famílias com renda mensal entre R$ 4.000,00 e R$ 6.000,00 gastavam, por mês, R$ 44,39 ou 1% da despesa total com serviços bancários. Para esta mesma faixa de renda as famílias gastavam, mensalmente, R$ 81,95 em energia elétrica, R$ 82,51 em telefonia fixa, e R$ 42,42 em telefonia celular. Já as famílias com renda mensal entre R$ 600,00 e R$ 1.000,00 gastavam R$ 2,23 ou 0,2% da despesa total com serviços bancários. Ou seja, quanto maior renda, o que pressupõe maior utilização de serviços bancários, maior a parcela do orçamento destinada a tarifas bancárias. Serviços Bancários no Orçamento Familiar Famílias com renda mensal entre R$ 600,00 e R$ 1000,00 gastam R$ 2,23 ou 0,2% da despesa total com serviços bancários. Para esta mesma faixa de renda as famílias gastam mensalmente, R$ 28,79 em energia elétrica; R$ 20,28 em gás doméstico e R$ 17,72 em telefone fixo. R$ ,79 Comparativos Gastos com Serviços e Taxas x Serviços Bancários Renda Média Mensal Familiar: R$ 770,79 20,28 17,52 11,05 3,21 2,37 2,23 Energia Gás Telefone Água e Telefone Outros Serviços elétrica doméstico fixo esgoto Celular Bancários Fonte: IBGE, POF

23 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Serviços Bancários no Orçamento Familiar Famílias com renda mensal entre R$ 1200 e R$ 1600 gastam R$ 6,99 ou 0,5% da despesa total com serviços bancários. Para esta mesma faixa de renda as famílias gastam mensalmente, R$ 41,49 em energia elétrica; R$ 35,36 em telefonia fixa e R$ 21,35 em gás doméstico ,49 35,36 Comparativos Gastos com Serviços e Taxas x Serviços Bancários Renda Média Mensal Familiar: R$ 1366,31 21,35 14,64 8,15 6,75 6,99 Energia Telefone Gás Água e Outros Serviços Telefone elétrica fixo doméstico esgoto Bancários Celular Fonte: IBGE, POF Serviços Bancários no Orçamento Familiar Famílias com renda mensal entre R$ 2000 e R$ 3000 gastam R$ 18,45 ou 0,8% da despesa total com serviços bancários. Para esta mesma faixa de renda as famílias gastam mensalmente, R$ 58,62 em energia elétrica; R$ 54,79 em telefonia fixa e R$ 13,81 em telefonia celular p ç ç 58,62 54,79 Comparativos Gastos com Serviços e Taxas x Serviços Bancários Renda Média Mensal Familiar: R$ 2.411,04 22,24 21,98 19,81 18,45 13,81 Energia Telefone Outros Gás Água e Serviços Telefone elétrica fixo doméstico esgoto Bancários Celular Fonte: IBGE, POF Serviços Bancários no Orçamento Familiar Famílias com renda mensal entre R$ 4000 e R$ 6000,00 gastam R$ 44,39 ou 1% da despesa total com serviços bancários. Para esta mesma faixa de renda as famílias gastam mensalmente, R$ 81,95 em energia elétrica; R$ 82,51 em telefonia fixa e R$ 42,42 em telefonia celular Fonte: IBGE, POF ,67 82,51 81,95 Comparativos Gastos com Serviços e Taxas x Serviços Bancários Renda Média Mensal Familiar: R$ 4.815,21 44,39 42,42 22,46 23,25 Outros Telefone Energia Serviços Telefone Água e Gás fixo elétrica bancários celular esgoto Doméstico

24 Como demonstram estes quadros, são outras as tarifas que efetivamente pesam no bolso dos consumidores, de todas as faixas de renda. E um detalhe muito importante: a CPMF está incluída nos serviços bancários da Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE. Além desse imposto que os bancos cobram para o governo sem serem remunerados, o IBGE abrangeu as seguintes despesas: anuidade de cartão de crédito, talão de cheques, extrato bancário, cadastro bancário, transferência interbancária, cartão especial (taxas), taxa de saque eletrônico, taxa para sustar cheques, juros de cheque especial e cartão de crédito, encargos totais com serviços bancários e seguro de cartão de crédito. 9 AÇÕES DA FEBRABAN A Febraban está iniciando um programa amplo de auto-regulação. O primeiro tópico é justamente a divulgação de Tarifas de Produtos e Serviços Financeiros em sua página na internet (www.febraban.org.br), de uma forma que privilegia a transparência e permite a comparação entre as diversas instituições financeiras. Foi desenvolvido um sistema mais claro e eficaz de registro e divulgação das tarifas bancárias, com o objetivo de facilitar o acesso a essas informações pelo público em geral: o STAR - Sistema de Divulgação de Tarifas de Produtos e Serviços Financeiros da Febraban. Inicialmente, foram identificados os 46 produtos e serviços mais utilizados pelos clientes pessoas físicas e foi padronizada a nomenclatura desses produtos e serviços, distribuídos em 7 grupos temáticos básicos: Grupo 1 CADASTROS 2 CONTAS CORRENTES 3 MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS 4 CHEQUES 5 CARTÕES 6 EXTRATOS 7 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS 25

25 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Para os bancos, foram disponibilizados módulos de cadastramento de dados, como o do exemplo a seguir: O lançamento e a manutenção das informações será de total responsabilidade das instituições financeiras, as quais informarão à Febraban os dados dos responsáveis pelos lançamentos e atualizações, mediante logins e senhas de acesso. Todo acesso ao sistema será identificável e permanecerá registrado na Febraban. As tarifas serão cadastradas em valores e em percentuais (quando necessário). Serão cadastrados valores máximos e mínimos, nos casos em que as tarifas sejam expressas em percentuais. Haverá campo para inserção do histórico (sigla) que será lançado no extrato. Com a inserção desse histórico, será mais fácil para o consumidor entender seu extrato bancário minimizando ainda possíveis dúvidas e insatisfações. Para o público, o módulo de consultas do sistema estará disponível no site da Febraban, e permitirá: a) consulta das tarifas vigentes no dia; b) sua evolução, com base no último dia do mês; c) comparação entre as tarifas praticadas pelas Instituições Financeiras (IFs). As instituições poderão conhecer o número de acessos a suas respectivas tabelas e às séries históricas, contendo todos os registros, que serão mantidas para consulta interna. 26 É importante salientar que a implementação do STAR não substitui as regras do BC, instituição à qual, aliás, o sistema já foi apresentado.

26 O STAR constitui um aprimoramento do modelo oferecido pelo BC em suas páginas na internet. Ele permitirá o agrupamento e a comparação dos dados de forma segmentada, por tipo de instituição financeira: banco comercial, banco múltiplo, leasing, por exemplo. Nas páginas seguintes, uma amostra do que o consumidor encontrará no STAR: STAR Tela Inicial STAR Opção Consultar Tarifas por Banco 27

27 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE STAR Opção Comparar Tarifas entre os Bancos 1. Selecionar Bancos 2. Selecionar Tarifa 3. Selecionar Comparativo 28

28 Como próximos passos o STAR tratará das Cestas de Serviços e Tarifas também chamadas de Pacotes de Serviços e Tarifas, para finalizar com o capítulo referente às pessoas jurídicas. Evidentemente, os bancos são os maiores interessados em proporcionar a seus respectivos clientes um atendimento que não só atenda às suas expectativas como seja, também, fator de fidelização destes clientes e, portanto, de sustentabilidade de seus negócios. O processo de auto-regulação em curso e o STAR situam-se neste contexto. Não são iniciativas isoladas. Os vários canais e alternativas de atendimento oferecidas pelos bancos somam-se a estas iniciativas. Isto ficou bastante evidenciado em 2006 quando apenas 10,3 % do total das transações bancárias (37 bilhões) foram realizadas, presencialmente, nos caixas das agências. De outro lado, o continuado investimento nos Serviços de Atendimento ao Cliente (SAC) e a implantação das Ouvidorias reforçam as alternativas de contato para os clientes registrarem suas eventuais reclamações quanto à qualidade dos serviços. Cabe lembrar que a implantação das Ouvidorias nos maiores bancos de varejo antecedeu à atual legislação do Banco Central, que exige e disciplina sua implantação e funcionamento em todo o sistema financeiro. 10 ASPECTOS JURÍDICO-LEGAIS Um dos aspectos mais críticos com respeito às tarifas de serviços bancários refere-se à sua legalidade. Advogados consumeristas questionam a legalidade da cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte dos bancos. Segundo alguns deles, a cobrança de certas tarifas desrespeita o Código de Defesa do Consumidor, sendo comum a acusação de que a cobrança de tarifas é abusiva. Especialistas em Direito Bancário que se debruçaram sobre o assunto observam que as alegadas abusividades das tarifas apenas podem ser constatadas por força de alguma das seguintes circunstâncias: a tarifa não corresponde a um efetivo serviço prestado ao cliente ou não corres- 29

29 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE ponde a um serviço por ele contratado. Fora dessas duas hipóteses, não pode existir preço abusivo. Observada a relação tarifa e serviço prestado e garantida a prestação de informações, o relacionamento banco/cliente terá o seu equilíbrio jurídico. Cabe ao Poder Judiciário exercer o controle desse equilíbrio e, caso o banco não demonstre que prestou serviços ao cliente devidamente informado, a cobrança da tarifa será abusiva, não pelo valor cobrado, mas por violação do equilíbrio jurídico. E o controle jurídico vem sendo exercido ativamente pelos órgãos de fiscalização e de proteção ao consumidor. Por outro lado, os bancos dispõem de serviços de atendimento ao consumidor, de funcionamento contínuo, que podem fornecer as informações correspondentes às tarifas existentes, além do Sistema de Divulgação de Tarifas de Serviços Bancários-STAR. Por outro lado, é necessário coibir condutas pontuais passíveis de burlar a livre concorrência. O direito brasileiro garante o equilíbrio econômico pertinente às tarifas bancárias em duas diferentes vertentes: a) quanto à formação de preços, às curvas de oferta e demanda, que constitui o cerne do equilíbrio econômico, a competência é atribuída ao Banco Central, como órgão técnico máximo do mercado bancário, e b) no que se refere ao juízo sobre atos específicos anti-concorrenciais, tanto o BC quanto o Poder Judiciário poderão julgar a questão. Quanto à legislação, o marco regulatório vigente é dado por cinco resoluções e uma Carta-Circular do Banco Central. São os seguintes os normativos que regulamentam a cobrança das Tarifas Bancárias: Resolução 1631 (24/08/1989) Baixar o Regulamento anexo para a abertura e movimentação de contas de depósitos à vista. Resolução 2303 (25/07/1996) Disciplina a cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. 30

30 Resolução 2343 (19/12/1996) Disciplina a remessa de informações de que trata a Resolução n , de Carta-Circular 2715 (15/01/1997) Dispõe sobre a cobrança de tarifas pela utilização de documento de crédito - DOC D e cheque específico previstos na Circular n , de Resolução 2747 (28/06/2000) Altera normas relativas a abertura e ao encerramento de contas de depósitos, a tarifas de serviços e ao cheque. Resolução 3211 (30/06/2004) Altera e consolida as normas que dispõem sobre a abertura, manutenção e movimentação de contas especiais de depósitos à vista e de depósitos de poupança. Para facilitar a leitura, o Manual de Normas e Instruções do Banco Central agrupa e detalha toda a regulamentação referente às Tarifas Bancárias, como segue: Título 2 Normas Operacionais de Instituições Financeiras e Assemelhadas Capítulo 1 Disposições Especiais Seção 11 Tarifas Bancárias MNI É vedada as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil a cobrança de remuneração pela prestação dos seguintes serviços: (Res 2303 art. 1. I/VI; Res 2747 art. 2.,4.) a) fornecimento de cartão magnético ou, alternativamente, a critério do correntista, de um talonário de cheques com, pelo menos, 10 (dez) folhas, por mês, facultada a instituição financeira a prerrogativa de suspender o fornecimento de novos talonários de cheques quando: (Res 2303 art. 1. I a,b; Res 2747 art. 2.) I - 20 (vinte) ou mais folhas de cheque, já fornecidas ao correntista, ainda não tiverem sido liquidadas; (Res 2303 art. 1. I a; Res 2747 art. 2.) 31

31 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE II - não tiverem sido liquidadas 50% (cinqüenta por cento), no mínimo, das folhas de cheque fornecidas ao correntista nos últimos 3 (três) meses; (Res 2303 art. 1. I b; Res 2747 art. 2.) b) substituição do cartão magnético referido na alínea anterior, exceto nos casos de pedidos de reposição formulados pelo correntista decorrentes de perda, roubo, danificação e outros motivos não imputáveis a instituição emitente; (Res 2303 art. 1. II; Res 2747 art. 2.) c) expedição de documentos destinados a liberação de garantias de qualquer natureza, inclusive por parte de administradoras de consórcio; (Res 2303 art. 1. III; Res 2747 art. 2.) d) devolução de cheques pela Centralizadora da Compensação de Cheques e Outros Papéis (Compe), exceto por insuficiência de fundos, hipótese em que a cobrança somente poderá recair sobre o emitente do cheque; (Res 2303 art. 1. IV; Res 2747 art. 2.) e) manutenção de contas de depósitos de poupança, a ordem do poder judiciário, e de depósitos em consignação de pagamento de que trata a Lei 8951, de 13/12/1994; (Res 2303 art. 1. V; Res 2747 art. 2.) f) fornecimento de um extrato mensal contendo toda a movimentação do mês; (Res 2303 art. 1. VI; Res 2747 art. 2.) g) renovação de sustação, de contra-ordem e de cancelamento de cheques, que, uma vez realizados, mediante o correspondente pedido nos termos da legislação e regulamentação em vigor, devem produzir os respectivos efeitos legais sem prazo predeterminado. (Res 2747 art. 4.) 2. Com relação ao disposto no item anterior deve ser observado: (Res 2303 art. 1. Parágrafo 1./3.; Res 2747 art. 2.) a) a vedação a cobrança de remuneração pela manutenção de contas de poupança não se aplica aquelas: (Res 2303 art. 1. Parágrafo 1. I,II) 32 I - cujo saldo seja igual ou inferior a R$20,00 (vinte reais); (Res 2303 art. 1. Parágrafo 1. I; Res 2747 art. 2.)

32 II - que não apresentem registros de depósitos ou saques, pelo período de 6 (seis) meses; (Res 2303 art. 1. Parágrafo 1. II; Res 2747 art. 2.) b) na ocorrência das hipóteses de que trata a alínea anterior, a cobrança de remuneração somente pode ocorrer após o lançamento dos rendimentos de cada período, limitada ao maior dos seguintes valores: (Res 2303 art. 1. Parágrafo 2. I,II; Res 2747 art. 2.) I - o correspondente a 30% (trinta por cento) do saldo existente em cada mês; (Res 2303 art. 1. Parágrafo 2. I; Res 2747 art. 2.) II - R$4,00 (quatro reais) ou o saldo existente, quando inferior a esse valor; (Res 2303 art. 1. Parágrafo 2. II; Res 2747 art. 2.) c) os serviços são de caráter obrigatório, observadas as características operacionais de cada tipo de instituição financeira e, quanto ao fornecimento de talonário de cheques, as condições estabelecidas na ficha-proposta relativa a conta de depósitos a vista. (Res 2303 art. 1. Parágrafo 3.; Res 2747 art. 2.) 3. É obrigatória a afixação de quadro nas dependências das instituições citadas no item 1, em local visível ao público, contendo: (Res 2303 art. 2. I/III) a) relação dos serviços tarifados e respectivos valores; (Res 2303 art. 2. I) b) periodicidade da cobrança, quando for o caso; (Res 2303 art. 2. II) c) informação de que os valores das tarifas foram estabelecidos pela própria instituição. (Res 2303 art. 2. III) 4. Com relação ao disposto no item anterior deve ser observado que: (Res 2303 art. 2. Parágrafo 1./4.) a) apenas as tarifas relativas aos serviços listados no quadro podem ser cobradas; (Res 2303 art. 2. Parágrafo 1.) b) a remuneração cobrada pela prestação de serviços, quando debitada 33

33 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE a conta, deve ser claramente identificada no extrato de conferência; (Res 2303 art. 2. Parágrafo 2.) c) a cobrança de nova tarifa e o aumento do valor de tarifa existente devem ser informados ao público com, no mínimo, 30 (trinta) dias de antecedência; (Res 2303 art. 2. Parágrafo 3.) d) a inobservância do disposto no item anterior e neste item sujeita a instituição ao pagamento de multa na forma prevista na seção (Res 2303 art. 2. Parágrafo 4.) 5. Os bancos múltiplos com carteira comercial, de investimento e/ou de crédito, financiamento e investimento, os bancos comerciais, a Caixa Econômica Federal (CEF), os bancos de investimento e as sociedades de crédito, financiamento e investimento devem remeter ao Banco Central do Brasil a relação dos serviços tarifados e respectivos valores vigentes, observado que: (Res 2303 art. 3. Parágrafo 1.,2.; Res 2343 art. 1.) (*) a) as alterações de valores efetuadas nos serviços tarifados devem ser comunicadas sempre que ocorrerem, observado o prazo mínimo de 10 (dez) dias úteis antes de sua vigência; (Res 2303 art. 3. Parágrafo 1.; Res 2343 art. 1.) b) as informações devem ser encaminhadas na forma do disposto na seção (Res 2303 art. 3. Parágrafo 2.; Res 2343 art. 1.) 6. A inobservância do disposto no item anterior sujeita a instituição ao pagamento de multa na forma prevista na seção (Res 2303 art. 3. Parágrafo 3.; Res 2343 art. 1.) 7. Permanece facultado, na devolução de cheques pela Compe, o repasse, ao cliente, das taxas previstas na regulamentação vigente. (Res 2303 art. 4.) Com relação as ocorrências do Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF), de que trata a seção , deve ser observado que não pode ser cobrada, de interessado cujo nome figure naquele Cadastro, qualquer remuneração pela consulta ou pela atualização de ocorrência ali constante, exceto quando configurada a hipótese

34 prevista no item (Res 1631 Regulamento anexo (RA) art. 28; Res 1682 art. 1.) 9. A cobrança de tarifas pela utilização do documento de transferência DOC D ou do cheque específico, previstos na seção , somente poderá ocorrer após 30 (trinta) dias da data da informação ao público dos respectivos valores, em consonância com o disposto na alínea c do item 4. (Cta- Cerca 2715) 10. É vedada aos bancos múltiplos com carteira comercial, aos bancos comerciais e a CEF a cobrança de remuneração pela abertura e pela manutenção das contas de depósitos de que trata o item , exceto nas hipóteses de: (Res 3211 art. 7. I/IV) (*) a) realização de mais de 4 (quatro) saques de recursos por mês; (Res 3211 art. 7. I) b) fornecimento de mais de 4 (quatro) extratos por mês; (Res 3211 art. 7. II) c) realização de mais de 4 (quatro) depósitos por mês, não considerado para esse efeito o crédito concedido nos termos da seção e alterações posteriores; (Res 3211 art. 7. III) d) fornecimento de folha de cheque avulso ou de recibo destinado a realização de saque de recursos, conforme admitido no item (Res 3211 art. 7. IV) 11. É vedada a cobrança de remuneração pela abertura e pela manutenção das contas de depósitos de poupança, mediante a adoção das disposições contidas no item , observadas as demais disposições estabelecidas na legislação e na regulamentação em vigor, exceto nas hipóteses previstas nesta seção. (Res 3211 art. 8. e parágrafo único) (*) Atualização MNI 1.645, de 02/08/

35 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE 11 A CONCORRÊNCIA NO SETOR BANCÁRIO Os comentários sobre tarifas costumam resvalar na imputação de que a concorrência no setor é baixa. A acusação geralmente é acompanhada da constatação não raro indignada - de que há enorme variação de preços nos serviços oferecidos pelos bancos. Isso é o oposto da cartelização, a unificação de preços. As acusações remetem à observação de que os onze maiores bancos com redes de agências detêm 73,1 % dos ativos dos bancos de varejo. A verdade é que não se observou concentração, de acordo com o estudo Análise da reforma da concorrência no setor bancário, da Tendências Consultoria, liderado por Gesner de Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Os índices HHI (Índice de Herfindahl-Hirschman) e o CR3 (participação das três maiores instituições) são os indicadores habituais de concentração. Medido pelo HHI, o setor bancário brasileiro registra um índice de 0,13, inferior a 0,18, o limiar de mercados altamente concentrados na definição das autoridades americanas, embora superior a 0,1, o limite do mercado desconcentrado. A situação é parecida com a do México (0,14), Hungria (0,12) e República Tcheca (0,18). Por outro indicador, a Estatística H, o Brasil é o quarto mercado mais competitivo, com 0,83, abaixo de Costa Rica, Holanda e África do Sul. Quanto menor o índice, maior a concentração; quanto mais próximo de 1, maior a concorrência. A posição é melhor que as da Austrália, Grã- Bretanha, Bélgica, França, Áustria, Itália e Dinamarca. Em comparação com outros setores da indústria brasileira, o setor bancário tampouco apresenta concentração preocupante. Com um HHI de 0,13, está distante dos fabricantes de cervejas, chopes e malte (0,20), brinquedos (0,21) e produtos de fumo (0,29), por exemplo. 36

36 Evidências do setor bancário no Brasil: Comparação Internacional Estatística H para o setor bancário países selecionados 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1 Costa Rica Brasil Australia Grécia Reino Unido Bélgica Perú França Malásia Nigéria Áustria Letônia Itália Quênia Rússia Dinamarca Turquia Fonte: Claessens e Laeven, Média estimada da estatística-h para os anos Em 1994, quando havia 245 bancos, o HHI era de 0,12; em 2006, com 164 bancos, era de 0,13. Em suma, as comparações internacionais, intersetoriais e intertemporais não corroboram com a percepção de que há concentração no setor bancário. 37

37 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE Evidências do setor bancário no Brasil: Comparação Intersetorial Evidências do setor bancário no Brasil: Comparação Intersetorial HHI para setores da indústria manufatureira e setor bancário Indústria HHI 0,1 HHI 1997 Fab. de Diversos Artigos de Material Plástico 0,01 Fab. de Outras Máquinas e Aparelhos 0,01 Fab. de Combustíveis e Lubrificantes 0,02 Fab. de Açúcar 0,02 Fiação de Tecelagem 0,03 Fab. de Massas Alimentícias e Biscoitos 0,03 Serralheria, Recip. Metal. e Art. de Caldeireiro 0,04 Prod. de Ferro-Gusa 0,04 Fab. Artef. de Papel, Papelão, Cartolina etc 0,05 Fab. de Estruturas Metálicas 0,05 Fab. Prod. de Padaria, Confeitaria e Pastelaria 0,06 Execução de Outros Serviços Gráficos 0,06 Fab. de Acessórios do Vestuário 0,07 Fab. Apar. e Equip. Elét. p/ Fins Terapêuticos 0,08 Fab. de Máq.-Ferramenta e Máq. Operatrizes 0,09 Fab. e Elaboração de Vidro e Cristal 0,10 Indústria 0,1 < HHI 0,18 HHI 1997 Fab. de Carroçarias p/ Veículos Automotores 0,11 Metalurgia dos Metais Não-Ferrosos 0,11 Têmpera e Cement. de Aço e Galvanotécnica 0,12 Fab. de Máq. para Inst. Indust. E Comerciais 0,12 Setor bancário* 0,13 Fab. de Laminados Pláticos 0,13 Metalurgia de Pó 0,14 Fab. de Material Elétrico para Veículos 0,15 Fab. de Tecidos Especiais 0,16 Indústria 0,1 < HHI 0,18 HHI 1997 Engarrafamento e Gaseificação Águas 0,17 Trab. Concernentes à Prod. Cinematográfica 0,18 Indústria HHI > 0,18 HHI 1997 Fab. de Cervejas, Chopes e Malte 0,20 Prod. de Forjado de Aço 0,20 Fab. de Brinquedos 0,21 Fab. de Art. de Joalheria e Ourivesaria 0,21 Fab. Material p/ Uso Médico e Odontológico 0,22 Prod. Ferro, Aço e Ferro-liga em Forma Primária 0,23 Fab. de Escovas, Pincéis, Vassouras e Outros 0,23 Fab. de Artef. de Trefilados de Ferro e Aço 0,25 Fab. de Sorvetes, Bolos e Tortas Gelados 0,25 Const. E Montagem de Veículos Ferroviários 0,26 Fab. de Materiais e Produtos Petroquímicos 0,26 Fab. de Material Elétrico Excl. para Veículos 0,27 Fab. de Pólvoras, Explosivos e Outos 0,27 Fab. de Instrumentos e Materiais Óticos 0,27 Fab. de Produtos de Fumo 0,29 Fab. de Pneumáticos e Câmaras-de-ar 0,30 Refeições Conservadas e Fab. Doces 0,30 Fab. de Café e Mate Solúveis 0,32 Refinação e Moagem de Açúcar 0,44 Fab. de Sabões, Detergentes e Glicerina 0,63 Repar. Aeronaves, Turbinas e Motores Avião 0,65 Fab. de Máq. Matrizes Não-Elét. Industriais 0,75 Construção de Montagem de Aeronaves 0,86 Fonte: Moreira, *Dados FMI, O LUCRO DOS BANCOS 38 Os bancos brasileiros estão distantes da lucratividade de seus pares na Colômbia, Peru, Chile e México na comparação da relação entre o lucro e a taxa básica de juros, o custo de oportunidade. Custo de oportunidade é aquilo de que você abre mão para obter um item. Atletas universitários que podem ganhar milhões se abandonarem os estudos e se dedicarem ao esporte estão cientes de que, para eles, o custo de oportunidade de cursar a faculdade é muito elevado.

38 Neste caso, trata-se de escolher entre aplicar em títulos públicos, praticamente sem riscos, ou emprestar para pessoas e empresas correndo riscos. Menores taxas de juros de papéis do governo correspondem a maior volume de crédito como proporção do PIB. Classif. Ranking de Rentabilidade vs. Taxa de Juro por Paises Selecionados em 2006 País* Lucro sobre Taxa de Juros*** Lucro/Taxa Crédito/PIB Patrimônio**(%) (% ao ano) de Juros (%) (%) (2005) 1 Japão 18,7 0, % 186,9 2 Suíça 32,3 1, % 166,8 3 Bélgica¹ 29,9 3,08 871% 75,1 4 Espanha 26,9 2,83 852% 146,1 5 Colômbia 60,8 6,49 836% 23,9 6 Itália 27,8 3,09 799% 90,2 7 Rússia 29,8 3,43 769% 25,7 8 Áustria¹ 26,0 3,08 744% 112,9 9 Peru 35,6 4,51 690% 19,4 10 França¹ 23,1 3,08 651% 93,1 11 Portugal¹ 21,9 3,08 611% 147,3 12 Hong Kong 26,4 3,94 570% 146,2 13 Canadá 25,4 4,02 531% 181,4 14 Estados Unidos 30,0 4,96 505% 194,8 15 Reino Unido 27,0 4,77 467% 165,5 16 Austrália 32,7 5,81 463% 104,6 17 Holanda¹ 16,4 3,08 434% 173,4 18 China 17,7 3,33 432% 114,4 19 Chile 26,6 5,02 430% 82,3 20 Coréia do Sul 22,0 4,19 424% 102,1 21 Alemanha¹ 15,5 3,08 404% 111,4 22 África do Sul 35,8 7,19 397% 143,5 23 México 34,7 7,51 362% 18,2 24 Indonésia 22,3 9,18 143% 26,9 25 Turquia 29,0 15,59 86% 26,1 26 Brasil 27,8 15,28 82% 28,1 27 Irã² 24,6 16,00 54% 40,9 Fontes: The Bankers 1.000, julho 2007; World Development Indicators 2006 (World Bank) e Bacen. 1 Taxa de juros interbancária (prazo três meses para a área do EURO). 2 Taxa de empréstimo em Notas metodológicas: *Selecionamos os dez maiores bancos de cada país. A revista The Bankers publica anualmente um ranking dos maiores bancos do mundo. Há países que possuem muitos bancos, como é o caso dos EUA, que têm 202 bancos neste ranking, e outros que possuem número inferior a dez, por exemplo, a África do Sul com seis bancos. Dessa forma, adotamos, como critério para compilar os dados, reunir informações dos dez maiores bancos dos países selecionados para aqueles que possuem número superior de bancos no ranking. Para aqueles países que possuem número de bancos inferior a 10, compilamos dados da totalidade de bancos listados. **Calculamos a rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) como sendo a média ponderada da relação entre o lucro antes dos impostos sobre o patrimônio de referência nível 1. O patrimônio de referência do nível 1 é calculado para fins de avaliação de cumprimento de limites operacionais no âmbito de Basiléia II. ***Taxa de juros de curto prazo. 39

39 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE O retorno que os bancos dão aos acionistas pelo capital que empataram neles, ou o lucro sobre o patrimônio, tampouco é exagerado. O gráfico abaixo, baseado no levantamento anual da respeitadíssima revista The Banker, mostra que os campeões de rentabilidade são os bancos colombianos, com um lucro sobre o patrimônio de 61%. Em seguida, com 36%, vêm a África do Sul e o Peru. O México tem 35%. O Brasil empata com a Itália, com um lucro sobre o patrimônio de 28%. Lucro sobre Patrimônio** (%) 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 Colômbia 61 África do Sul 36 Peru 36 México 35 Austrália 33 Suíça 32 Estados Unidos 30 Bélgica 30 Rússia 30 Turquia 29 Itália 28 Brasil 28 Reino Unido 27 Espanha 27 Chile 27 Hong Kong 26 Áustria 26 Canadá 25 Irã 25 França 23 Indonésia 22 Coréia do Sul 22 Portugal 22 Japão 19 China 18 Holanda 16 Alemanha Fonte : The Banker (julho/07)

40 Mesmo na comparação entre os setores, os bancos não são os campeões de lucratividade. Os maiores bancos brasileiros não chegam a 30%. O BB apresenta uma rentabilidade sobre o PL de 29,1% e a Caixa, de 26%. O Bradesco tem 20,5%. Mas os bancos perdem feio para a Copersucar, com astronômicos 415,1%. Já a Natura apresenta uma rentabilidade de 72,1%. INFORMAÇÕES SETORIAIS Patrimônio Lucro Líquido Rentabilidade Liquido R$ Milhões sobre PL (%) R$ Milhões 1º Mineração Companhia Vale do Rio Doce , ,0 34,4 2º Mecânica WEG Equipamentos 1.020,4 373,1 36,6 3º Petróleo e Gás Petrobras , ,2 26,2 4º Metalurgia e Siderurgia Usiminas , ,0 23,9 5º Serviços Especializados Correios 2.196,1 526,9 17 6º Comércio Exterior WEG Exportadora 378,1 123,8 32,7 7º Farmacêutica e Cosméticos Natura 651,0 469,3 72,1 8º Veículos e Peças Fiat Automóveis 1.686,6 803,7 47,7 9º Bancos* Banco do Brasil , ,8 29,1 Bradesco , ,0 20,5 Itaú Holding Financeira , ,9 17,3 Caixa 9.182, ,2 26 ABN AMRO Real , ,8 19,8 10º Bebidas e Fumo Ambev , ,3 14,6 Souza Cruz 1.680,7 822,9 49,1 11º Plásticos e Borracha Pirelli Pneus 796,3 177,8 22,3 12º Comércios Atacadista Makro 347,2 116,2 33,5 41

41 TARIFAS BANCÁRIAS - UMA LUZ PARA O DEBATE INFORMAÇÕES SETORIAIS Patrimônio Lucro Líquido Rentabilidade Liquido R$ Milhões sobre PL (%) R$ Milhões 13º Papel e Celulose Suzano Papel e Celulose 4.035,2 455,3 11,3 Klabin 2.460,8 473,5 19,2 VCP 5.118,7 630,1 12,3 Aracruz Celulose 4.879, ,3 23,5 14º Tecnologia da Informação Serpro 688,2 157,0 22,8 15º Agricultura Coamo 1.243,0 190,3 15,3 16º Química e Petroquímica Copesul 1.300,2 615,2 47,3 17º Eletroeletrônica Whirlpool 1.969,8 372,0 18,9 18º Energia Elétrica AES Eletropaulo 2.196,1 373, º Serviços Médicos Hospital Albert Einstein 1.009,5 131, º Telecomunicações Telemar , ,5 13,5 Telefônica São Paulo , ,2 26,5 21º Alimentos Sadia 2.466,1 379,9 15,4 22º Água e Saneamento Sabesp 9.112,2 872,7 9,6 23º Transportes e Logística TAM 1.353,4 502,5 37,1 Gol Linhas Aéreas 700,7 335,9 47,9 24º Construção e Engenharia Odebrecht 1.462,9 111,6 7,6 25º Materiais de Construção e Decoração Duratex 1.396,0 223, º Açúcar e Álcool Copersucar 324, ,9 415,1 27º Têxtil, Couro e Vestuário Alpargatas 757,6 126,6 16,7 28º Comércio Varejista Pão de Açúcar 4.842,1 85,5 1,8 Fontes: Valor 1000 (agosto/07) e Valor Financeiro (junho/07) 42

42 Federação Brasileira de Bancos Brigadeiro Faria Lima nº 1485, Torre Norte, 15º andar São Paulo - CEP.: São Paulo PABX.: FAX.:

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