DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DA SOJA EM FUNÇÃO DO MANEJO E TIPO DE COBERTURA DO SOLO

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1 DESENVOLVIMENTO DA CULTURA DA SOJA EM FUNÇÃO DO MANEJO E TIPO DE COBERTURA DO SOLO Alberto Kazushi Nagaoka 1 Pedro Castro Neto 2 Antônio Carlos Fraga 3 Marcos Antonio Piccini 4 Saulo Philipe Sebastião Guerra 5 Pierri Spolti 6 RESUMO Este trabalho teve como objetivo avaliar a melhor cobertura vegetal e tipo de preparo do solo a ser utilizado no período de outono/inverno, levando em consideração a produtividade da cultura de soja, cultivada sobre cobertura de aveia preta (AP) e nabo forrageiro (NF), em dois tipos de preparo de solo na região de Lages, SC. Neste trabalho utilizou-se o delineamento experimental em blocos casualizados no esquema de parcelas subsubdivididas, tendo nas parcelas os preparos (com escarificação e sem escarificação), nas subparcelas as culturas de inverno (AP e NF) e nas sub subparcelas a cultura de verão (soja), com cinco repetições. Para obtenção dos dados foram amostras de 1m 2 dentro das sub subparcelas contendo as 3 linhas de plantio da semeadora. O número de plantas emergidas e estabelecidas não sofreu influencia da cobertura e manejo de solo. As maiores alturas de soja foram sobre cobertura de aveia preta e solo escarificado. A produtividade não foi influenciada pelo tipo de cobertura, mas para cobertura de aveia preta com escarificação obteve-se maior produtividade. Palavras-chave: Nabo forrageiro, aveia preta e escarificação. 1 INTRODUÇÃO A busca de novas tecnologias é fundamental na agricultura moderna, estabelecida bases conservacionistas. A utilização de culturas destinadas à cobertura do solo é estabelecida 1 Professor Efetivo CAV-UDESC, 2 Professor Titular DEG-UFLA, 3 Professor Titular DAG-UFLA, 4 Acadêmico de Agronomia, CAV/UDESC, bolsista Pibic/CNPq 5 Professor/doutorando, FCA-UNESP 6 Acadêmico de Agronomia, CAV/UDESC 156

2 em estratégica na melhoria da qualidade ambiental, atenuando-se problemas do monocultivo (DERPSCH et al, 1985). A escarificação visa proteger o solo da erosão pela não incorporação total da resteva da cultura anterior e menor pulverização do solo, além de romper camadas compactadas à profundidades de 15 a 30 cm, permitindo melhor infiltração da água e diminuir as enxurradas (SILVEIRA, 1989). A soja é o principal produto agrícola de exportação no país, sendo o Brasil o segundo produtor e exportador mundial, superado apenas pelos Estados Unidos (EMBRAPA, 2004). A semeadura da soja em época inadequada pode causar redução drástica no rendimento, bem como dificultar a colheita mecânica, isto porque ocorrem alterações na altura das plantas, altura de inserção das primeiras vagens, número de ramificações, diâmetro do caule e acamamento (EMBRAPA, 2005). A semente de soja necessita absorver, no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar boa germinação (EMBRAPA, 2004). A compactação do solo diminui o crescimento do sistema radicular, podendo afetar tanto o desenvolvimento, quanto a produtividade da soja, onde o aumento da densidade do solo diminui o acúmulo de matéria seca radicular da soja, principalmente na camada compactada (GREGO, 2002). O presente trabalho teve como objetivo avaliar a emergência, população final, altura da parte aérea e a produtividade da cultura da soja cultivada sobre cobertura de aveia preta e nabo forrageiro, em dois tipos de manejo de solo na região de Lages, SC. 2 MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi implantado na Área Experimental de Gado Leiteiro do Centro de Ciências Agroveterinárias - CAV da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC, em uma área de pastagem. Para avaliar a emergência, população final, altura da parte aérea e produtividade da cultura da soja, cultivada sobre cobertura de aveia preta (AP) e nabo forrageiro (NF), em dois tipos de manejo de solo (com escarificação C/ESC e sem escarificação S/ESC), utilizou-se o delineamento experimental em blocos no esquema de parcelas sub subdivididas, tendo nas parcelas os preparos (C/ESC e S/ESC), nas subparcelas as culturas de inverno (AP e NF) e nas sub subparcelas a cultura de verão (soja), com cinco repetições. Cada parcela foi composta por uma área 10x20 m, cada subparcela de 4x10 m e as sub subparcelas de 12 linhas da cultura com 4 metros de comprimento. Os dados foram analisados estatisticamente, por meio da análise de variância, adotando-se o nível de 5% de probabilidade para o teste estatístico, utilizando teste de Tukey. 157

3 O preparo das parcelas com escarificação foi realizado com um escarificador marca Baldan contendo 13 hastes, a uma profundidade média de 25 cm, com velocidade média de operação igual a 5 km.h -1. Foi realizada dessecação da área onde continha cobertura de inverno utilizando glifosato numa dosagem de 1 L.ha -1 diluído em 200 litros de água, sendo realizada a pulverização com pulverizador P 600 marca Montana. A operação de semeadura foi realizada na profundidade média de 3 cm; velocidade média de 5 km.h -1 e espaçamento entre linhas de 42 cm, sendo utilizado uma densidade 30 a 35 viáveis.m -2. A operação de semeadura foi realizada com semeadora da marca Semina com três linhas. No dia da semeadura o solo apresentava um teor de água médio de 21,5%. Para tracionar os equipamentos, foi utilizado um trator da marca New Holland modelo TL70 com 47,8 kw de potência no motor. Para obtenção dos dados foram coletadas amostras de um metro quadrado previamente selecionadas aleatoriamente dentro da sub subparcela contendo as três linhas de plantio da semeadora. Foram realizadas coletas de dados quinzenais, sendo que, a emergência foi realizada 15 dias após a semeadura e a população 160 dias após a semeadura. Para os dados de altura da parte aérea, foi efetuada a medição utilizando régua, sendo que a medição utilizada foi a dos 80 dias após a semeadura. A coleta das amostras de produtividade foi efetuada 160 dias após a semeadura. 3 RESULTADOS Nos dados apresentados na Tabela 1, nota-se que a cultura de inverno e manejo de solo não influenciou nas variáveis emergência e população, já que a cobertura proporcionada pelas duas foi semelhante (Tabela 2), contribuindo da mesma forma na manutenção da umidade do solo, e por conseqüência, números semelhantes de plantas emergidas e estabelecidas. O desenvolvimento da parte aérea mostrou-se superior quando cultivada sobre aveia preta e manejo de solo com escarificação, podendo ser observado na Tabela 3. A produtividade não sofreu influência da cobertura, porém, o manejo de solo atuou nas diferenças de produtividade, que também pode ser verificado na Tabela 3. Nota-se na Tabela 3, a interação entre os fatores cobertura do solo e manejo do solo para as variáveis altura e produtividade da soja. A soja quando cultivada sobre nabo forrageiro apresentou maiores alturas nas parcelas que não foram escarificadas, justificando a utilização desta cultura no período de inverno como condicionante do solo, não havendo necessidade da escarificação. No entanto, quando cultivada sobre aveia preta, as alturas apresentaram-se 158

4 maiores nas parcelas escarificadas, mostrando uma menor eficiência da aveia como condicionante de solo em plantio direto. Ao analisarmos o manejo de solo, nas parcelas escarificadas o desenvolvimento da parte aérea foi maior quando cultivada sobre aveia preta, já para as parcelas não escarificadas, o maior desenvolvimento deu-se quando cultivada sobre nabo forrageiro. A produtividade não sofreu influência da cultura utilizada como cobertura, no entanto, a cobertura de aveia preta quando cultivada sobre plantio direto proporcionou uma maior produtividade de soja. Vale ressaltar que o experimento foi conduzido em um ano de seca na região sul, a cultura da soja conseguiu inicialmente nas parcelas com aveia e escarificação um maior desenvolvimento da parte aérea em função do bom suprimento hídrico. No final do ciclo, as precipitações diminuíram, fazendo com que o tratamento que possibilitou maior manutenção de umidade garantisse uma maior produtividade, como é o caso da aveia preta em plantio direto. Tabela 1 - Média dos valores de emergência, população, altura da parte aérea e produtividade da cultura da soja em dois manejos e dois tipos de cobertura de solo. Tratamento Emergência População Altura Produtividade (inverno) (plantas/m²) (plantas/m²) (cm) (Kg.ha -1 MS) Com escarificação 18,8 A 17,9 A 46,6 A 282,14 B Sem escarificação 19,6 A 18,2 A 42,1 B 431,34 A Nabo forrageiro 20,7 A 19,3 A 42,1 B 310,91 A Aveia preta 17,7 A 16,8 A 46,6 A 402,57 A Em cada coluna para cada fator, médias seguidas de mesma letra, não difere entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade Tabela 2 - Média da produtividade em matéria seca do cultivo da aveia preta e nabo forrageiro em dois tipos de manejo do solo. Tratamento Produtividade kg MS.ha -1 Com escarificação 5866,28 A Sem escarificação 4220,83 B Nabo forrageiro 5075,38 A Aveia preta 5011,73 A Em cada coluna para cada fator, médias seguidas de mesma letra, não difere entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade 159

5 Tabela 3 - Interação entre os fatores cobertura do solo e manejo do solo, para as variáveis altura (cm) e produtividade (kg.ha -1 ). Causas Altura (cm) Produtividade (kg.ha -1 ) Da variação Com escarif. Sem escarif. Com escarif. Sem escarif. Nabo forrageiro 39,0 Bb 45,2 Aa 291,80 Aa 330,02 Aa Aveia preta 54,2 Aa 39,0 Bb 272,48 Ba 532,66 Aa Em cada coluna, para cada fator, médias seguidas de mesma letra minúscula, não difere entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Em cada linha, para cada fator, médias seguidas de mesma letra maiúscula, não difere entre si, pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. 4 CONCLUSÕES A partir dos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir que o número de plantas emergidas e estabelecidas não sofreu influencia da cobertura e manejo de solo. As maiores alturas de soja foram sobre cobertura de aveia preta e solo escarificado. A produtividade não foi influenciada pelo tipo de cobertura, mas para cobertura de aveia preta com escarificação obteve-se maior produtividade. 5 REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS DERPSCH, R., SIDIRAS, N., HEINZMANN, F.X. Manejo do solo com coberturas verdes de inverno. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.20, p , EMBRAPA. Tecnologias de produção de soja. Londrina. Capturado em março de Disponível na internet: index.htm. EMBRAPA. XXXII Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul. Passo Fundo. Capturado em abril de Disponível na internet: GREGO, C. R.. Sistemas de manejo de solo, de semeadura e época de dessecação da cobertura vegetal na cultura da soja. Botucatu, p. Tese (Doutorado em Agronomia/Energia na Agricultura) Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista. SILVEIRA, G. M. da. O preparo do solo: Implementos corretos. 2. ed. Rio de Janeiro: Globo, 1998, 243p. 160

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