GERMINAÇÃO E SOBREVIVÊNCIA DA SOJA EM DIFERENTES MANEJOS DO SOLO

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1 GERMINAÇÃO E SOBREVIVÊNCIA DA SOJA EM DIFERENTES MANEJOS DO SOLO Alberto Kazushi Nagaoka 1 Kleber Pereira Lanças 2 Paulo Roberto Arbex Silva 3 Pedro Castro Neto 4 Antonio Carlos Fraga 5 RESUMO Do ponto de vista de germinação e emergência de plântula, um bom leito de semeadura, deve prover condições físicas que conduza à maximização da energia total, à melhor velocidade de emergência e proporcionam um leito de semeadura que favoreça um adequado contato solosemente. A redução na emergência está correlacionada com uma menor produção de grãos para diversas culturas; porém, a importância da fase de emergência sobre o desenvolvimento da cultura tem sido normalmente ignorada. Este trabalho tem como objetivo avaliar o efeito de diferentes sistemas de manejo de uma Terra Roxa Estruturada (convencional, escarificação, rolo faca, plantio direto com dessecação antes e após a semeadura) na germinação e sobrevivência da soja. Os resultados mostraram diferenças significativas entre os tratamentos, onde o sistema rolofaca apresentou os menores valores de emergência de plântulas e população de soja. Palavras-chave: germinação, preparo do solo, soja. INTRODUÇÃO A germinação de sementes pode ser definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião, manifestando sua capacidade para dar origem a uma plântula normal, sob condições ambientais favoráveis (POPINIGIS, 1977). 1 Professor Efetivo, CAV/UDESC, 2 Professor Livre Docente, FCA/UNESP, 3 Engenheiro Agrônomo, doutorando FCA/UNESP, 4 Professor Titular, DEG/UFLA, 5 Professor Titular, DAG/UFLA, 212

2 No campo, a germinação de uma cultura está relacionada com vários fatores tais como o teor de água e a fertilidade do solo, profundidade de semeadura, compactação do solo em torno da semente, espaçamento e densidade de semeadura. Esses fatores estão diretamente relacionados com o tipo de plantio e com a máquina utilizada. Num experimento conduzido na região Oeste do Estado do Paraná em Latossolo Roxo Eutrófico, a semeadura direta proporcionou emergência de plântulas de soja significativamente maior do que os tratamentos constituídos de uma operação de preparo do solo (escarificador com rolo destorroador-er e escarificador-e) e valores semelhantes aos proporcionados pelos tratamentos constituídos de duas operações (escarificador + grade-eg e grade + escarificador-ge). Os valores mais elevados observados na semeadura direta-sd, em relação aos tratamentos com uma operação de preparo do solo, podem ser explicados pelas condições de leito de semeadura proporcionado pelos diferentes tratamentos. O preparo reduzido proporcionou um leito de semeadura onde o solo apresentou baixa densidade e grande quantidade de torrões, o que dificultou o contato solo-semente e, por conseqüência, a sua germinação, enquanto a semeadura direta foi realizada sobre numa condição de maior densidade de solo e ausência de torrões no sulco de semeadura, favorecendo a germinação das sementes (BERTOL E FISCHER, 1997). AZOOZ et al. (1995), estudou o tempo de emergência de plântulas, sendo menor no tratamento convencional (arado de aivecas) e no plantio direto com retirada de palha nos 30 cm próximo à linha do que no plantio direto normal. Isso foi atribuído ao menor valor de graus-dia de crescimento na zona radicular após o plantio. Os autores explicam que o solo coberto com resíduo não recebe muita radiação solar como aquele com menor ou sem resíduo de cobertura, especialmente sobre a rua. O resíduo interceptaria uma considerável parte da radiação que poderia chegar até a plântula.. PORTELLA (1997), avaliou os conjuntos de mecanismos dosadores e de deposição de sementes de seis equipamentos de semeadura direta de soja, em condições de campo na Embrapa Trigo, Passo Fundo - RS e concluiu que a emergência de plântulas de soja foi 14% menor quando as sementes foram depositadas com sulcadores de disco sendo que as semeadoras com sulcadores do tipo facão reduziram em apenas 2,1% a emergência das plântulas. 213

3 MATERIAL E MÉTODOS O presente trabalho foi desenvolvido na Fazenda Experimental Lageado, da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) da Universidade Estadual Paulista (UNESP) em Terra Roxa Estruturada. A área estava coberta com a cultura de aveia preta. Utilizou-se uma semeadora (marca TATU, modelo PST2, com 6 módulos semeadoras), regulada para semear 15 sementes/metro. Foi utilizado o delineamento experimental em blocos casualizados, com cinco repetições e cinco tratamentos, a saber: Tratamento 1: uma gradagem pesada e duas gradagens leves (convencional) Tratamento 2: plantio direto, com dessecação antes do plantio Tratamento 3: plantio direto, com dessecação após o plantio Tratamento 4: escarificação a 0,30 m de profundidade Tratamento 5: rolo faca duplo Cada parcela constou de 18 linhas espaçadas de 0,45 m com comprimento de 20 m, mantendo-se áreas de manobras com 15 m de comprimento entre as parcelas e com 5 metros de largura entre os blocos. A coleta dos dados foram realizados em 3 etapas, sendo a primeira executada no 13 o dia após a semeadura, contando-se as plantas germinadas em 6 linhas de 1m de comprimento por parcela. Na segunda e na terceira contagens foram adotados os mesmos procedimentos após 37 dias da primeira contagem e 142 dias da segunda contagem, respectivamente. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados obtidos no campo foram analisados em planilhas eletrônicas pelo cálculo das médias. Até o presente momento obteve-se os dados apresentados nos quadros 1, 2 e 3. Para possibilitar conclusões seguras, estes dados serão submetidos a análise de variância e, quando houver diferenças significativas, as médias serão comparadas pelo teste de Tuckey ao nível de 5% de significância. Observa-se no Quadro 1 que, nos primeiros dias após a semeadura, houve uma tendência da germinação ser maior no plantio direto (T2 e T3) e, após um mês da semeadura, o preparo com escarificador mostrou tendências superiores aos demais tratamentos até o momento da colheita. 214

4 Quadro 1: Médias da população da soja (plantas/m) na primeira coleta (12/11/98) após 13 dias da semeadura, em diferentes manejos do solo: T1 = preparo convencional; T2 = plantio direto com dessecação antes da semeadura; T3 = plantio direto com 1 18,2 13,2 9 16,2 11,4 13, , ,8 13,0 3 12,4 13,4 19,8 15,8 10,6 14,4 4 14,8 15,8 19,8 15,2 10,8 15,3 5 11,6 14, ,6 11,4 13,8 6 13,8 14, ,1 Média 13,6 14,4 15,8 14,3 12 Quadro 2: Médias da população da soja (plantas/m) na segunda coleta (19/12/98) após 37 dias da semeadura, em diferentes manejos do solo: T1 = preparo convencional; T2 = plantio direto com dessecação antes da semeadura; T3 = plantio direto com 1 18,6 13,2 7,8 17,4 10,6 13,5 2 11,8 14,2 15,4 15, , ,6 15,6 16,2 10,2 13, , ,8 15,6 5 13,8 16,2 18,8 13,6 11,4 14,8 6 12,4 14,2 13, ,6 14,1 Média 14,3 14,9 14,5 15,4 11,8 215

5 Quadro 3: Médias da população da soja (plantas/m) na terceira coleta (10/05/99) após 142 dias da semeadura, em diferentes manejos do solo: T1 = preparo convencional; T2 = plantio direto com dessecação antes da semeadura; T3 = plantio direto com 1 17,2 12 7,6 15,2 12,2 12,8 2 10,6 15, , ,4 3 12,8 14, , ,4 4 17, ,8 16,6 12,4 15, ,6 16,8 13,6 11,6 13,9 6 11,6 13,2 12,2 13,6 16,4 13,4 Média 13,6 14,6 14,1 15,3 12,1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZOOZ, R. H; LOWERY, B; DANIEL, T. C. Tillage and residue management influence on corn growth. Soil & Tillage Research. V.33, n.3, P BERTOL, O. J; FISCHER, I. I. Semeadura direta versus sistema de preparo reduzido: efeito na cobertura do solo e no rendimento da cultura da soja. Engenharia Agrícola. V.17, n P POPINIGIS, F. Fisiologia da semente. Brasília, AGIPLAN, P. PORTELLA, J. A; SATLER, A; FAGANELLO, A. Índice de plântulas de soja e de milho em semeadura direta no sul do Brasil. Engenharia Agrícola, v.17, n.02, p.71-78,

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