Atributos químicos do solo sob diferentes tipos de vegetação na Unidade Universitária de Aquidauana, MS

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1 Atributos químicos do solo sob diferentes tipos de vegetação na Unidade Universitária de Aquidauana, MS JEAN SÉRGIO ROSSET 1, JOLIMAR ANTONIO SCHIAVO 2 Bolsista CNPq 1 Orientador 2 RESUMO O objetivo deste trabalho foi determinar os atributos químicos do solo, sob diferentes tipos de vegetação, na fazenda da Unidade Universitária de Aquidauana, MS. O experimento foi conduzido no Campus da UEMS de Aquidauana, sendo que os tratamentos utilizados foram constituídos em função da cobertura vegetal (pastagem, eucalipto, leucena, mata de galeria, Cerrado sensu stricto, vereda e área de sistema de plantio direto (SPD)). Foram coletadas três amostras compostas formadas por dez amostras simples por área de 300 m 2, nas profundidades de 0-5, 5-10, e cm. As amostras foram secadas e peneiradas, e suas características químicas avaliadas. Os maiores valores de ph nas camadas de 0-5 e 5-10 cm foram observados nas áreas sob SPD e pastagem, variando de 5,78 a 5,93, já nas camadas e 20-30, os maiores valores foram encontrados sob vegetação de vereda, 6,34 e 6,73 respectivamente. Para COT, os maiores valores na camada superficial foram obtidos sob vegetação de vereda (30,59 g kg -1 ). De maneira geral, as áreas de Cerrado, vereda e mata de galeria, apresentaram os maiores valores de acidez potencial e Al trocável e menores teores de Ca, Mg e P. Palavras-Chave: (solos; cerrado; fertilidade). Introdução A determinação das características químicas de um solo é muito importante, pois através dos dados obtidos, pode-se fazer inferência aos diferentes métodos culturais que podem ser empregados, tipo de vegetação a ser cultivada, utilizando de uma forma mais racional os recursos produtivos disponíveis, praticando assim, uma agricultura sustentável no ponto de vista ambiental e econômico. Como a qualidade do solo envolve sua avaliação correlacionando-a com o seu uso específico, tornou-se imprescindível o monitoramento desse recurso para que, modificações no seu manejo possam ser sugeridas com o objetivo de reduzir sua degradação [1], e manter a sustentabilidade do sistema [2]. Silva [3] relata que a avaliação da fertilidade do solo é o primeiro passo para a definição das medidas necessárias para correção e manejo da fertilidade de um solo, sendo a análise química, um dos métodos quantitativos mais utilizados para diagnosticar a fertilidade do solo. A região centro-oeste do Brasil se caracteriza por ser uma das regiões brasileiras, de modo geral, com boas características de solo, clima e relevo, que favorecem o desenvolvimento da agropecuária. Em relação a esse benefício, o uso apropriado do solo, em relação às características químicas, favorece a manutenção de uma alta produção em todas as áreas do sistema agropecuário. Levando-se em consideração que, os solos existentes nessa região, em sua maioria, são solos de baixa fertilidade natural, o que eleva ainda mais a importância de estudos mais detalhados de suas características químicas, em relação aos sistemas de cultivos e plantas de cobertura. O objetivo deste trabalho foi determinar os atributos químicos do solo, sob diferentes tipos de vegetação, na fazenda da Unidade Universitária de Aquidauana, MS.

2 Metodologia O experimento foi conduzido no Campus da Unidade Universitária de Aquidauana, MS, em diferentes tipos de vegetação. Geograficamente, a região localiza-se entre as coordenadas 20º27 20 de latitude S e 55º40 17 de longitude W. O clima da região, segundo classificação de Köppen, pertence ao tipo Aw, (tropical úmido), com precipitação média anual de mm; temperaturas máximas e mínimas de 33 0 C e 19,6 0 C respectivamente. Os tratamentos foram constituídos em função da cobertura vegetal como a seguir: 1) área com pastagem de Brachiaria Brizantha, 2) área com plantio de Eucalipto (Eucalyptus spp), 3) área com plantio de Leucena (Leucaena leucocephala), 4) mata de galeria (formação ribeirinha), 5) cerrado sensu stricto, 6) vereda e 7) área com sistema de plantio direto (SPD) (soja (Glycine max (L.) Merrill) no verão e nabo forrageiro (Raphanus sativus L.) no inverno). Em cada tratamento, a coleta de amostras de solo foi realizada em quatro profundidades (0-5; 5-10; 10-20; cm), em três amostras compostas formadas por dez amostras simples por área de 300 m 2. Após a coleta, as amostras foram secadas e peneiradas (2 mm), constituindo a terra fina seca ao ar (TFSA), e as características químicas foram determinadas de acordo com [4]. As alterações nos atributos químicos do solo foram estudadas por meio do delineamento inteiramente casualizado (com os tratamentos, pastagem, eucalipto, leucena, cerrado, mata de galeria, vereda e sistema de plantio direto). A análise de variância foi realizada pelo teste F e, quando cabível, as médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5 %. Resultados Com relação ao ph do solo, na profundidade de 0-5 cm, os maiores valores foram observados nas coberturas pastagem e SPD, 5,93 e 5,92 respectivamente. Já para as demais profundidades, os maiores valores foram observados na área sob vereda (6,34 e 6,73) para as camadas de e cm respectivamente. Os menores valores em todo o perfil foram observados na área sob mata de galeria, variando de 4,89 e 4,92. Os maiores valores de C (g kg -1 ), foram obtidos nas áreas sob vegetação de vereda (0-5 e 5-10 cm) e leucena (10-20 e cm) (Tabela 1). De modo geral o C apresentou diminuição no seu valor com a profundidade em todas as coberturas, com exceção do Eucalipto, onde na profundidade de foi observado maior valor de C. O solo sob vegetação de Cerrado apresentou os maiores valores de acidez potencial (H + +Al 3+ ) nas quatro profundidades estudadas, chegando á 6,87 cmol c kg -1 na camada mais superficial, sendo as coberturas SPD, Pastagem e Leucena, apresentando os menores valores. Na área sob vegetação de vereda, houve uma diminuição brusca nos valores em profundidade. Em relação ao teor de Al 3+ trocável, os maiores valores foram obtidos sob vegetação de mata de galeria e cerrado, 0,47 e 0,37 cmol c Kg -1, na profundidade de 0-5 cm, sendo esses valores praticamente constantes com o aumento da profundidade. As coberturas SPD, Eucalipto e Pastagem apresentaram os maiores valores de P, dando destaque ao SPD, 65,37 mg kg -1 na camada de 0-5 cm. Os solos sob Mata e Vereda apresentaram os menores teores de P em todas as profundidades. De modo geral, quanto maior a profundidade, menor foi o teor de P, em todas as áreas (Tabela 1). Os maiores valores de Ca 2+ e Mg 2+ foram verificados sob área de SPD na profundidade de 0-5 cm, 3,63 e 2,23 cmol c Kg -1 respectivamente. Com relação ao Mg 2+, a área de leucena apresentou os maiores valores nas demais profundidades.

3 De modo geral, as áreas sob vegetação de Cerrado, Vereda e Mata de galeria apresentaram maiores valores para H+Al e Al 3+ e menor concentração de Ca, Mg e P em relação ás outras coberturas vegetais presentes na área estudada. Discussão Os menores valores de ph observados em solo sob mata, em relação às outras coberturas vegetais, provavelmente é devido aos maiores teores de ácidos orgânicos nesse solo. Os maiores valores de P (mg kg -1 ) na área sob sistema de plantio direto, se deve ao fato das adubações constantes que essa área recebeu na semeadura da cultura da soja, usada no sistema de sucessão. Quanto maior a profundidade, menor foi o teor de P obtido, comprovando a baixa mobilidade do elemento e, ou, elevada ciclagem biogeoquímica, estando em concordância com o trabalho de [5]. Nas áreas de SPD e leucena, os maiores valores de Ca 2+ e Mg 2+, em relação às outras coberturas vegetais, podem ser devidos á calagens efetuadas em anos anteriores nessas áreas. Para o SPD, foram observados maiores teores de Ca 2+ e Mg 2+ na camada mais superficial (0-5 cm), mostrando uma maior concentração desses elementos nessa camada, estando de acordo com o estudo de [6]. Nas áreas de cerrado, vereda e mata de galeria, foram observados maiores valores para acidez potencial e Al trocável e menores valores para Ca, Mg e P, concordando com o estudo de [2] em solo de cerrado, indicando que esses solos são naturalmente distróficos. Conclusões De modo geral, os maiores teores de carbono ocorreram na área sob vegetação de vereda, seguida da área de leucena. Maiores valores de acidez potencial e Al trocável foram observados nas áreas sob vegetação de vereda, mata de galeria e cerrado. Na camada de 0-5 cm, a área sob SPD apresentou os maiores valores para ph, Ca, Mg e P, em relação às outras coberturas vegetais. Referências [1] CANELLAS, L.P.; BUSATO, J.G. & CAUME, D.J. O uso e manejo da matéria orgânica humificada sob a perspectiva da Agroecologia. In: CANELLAS, L.P. & SANTOS, G.A. Humosfera. Tratado preliminar sobre a química das substâncias húmicas. Campos dos Goytacazes UENF. 2005, p [2] CARNEIRO, M.A.C; SOUZA, E.D. de; REIS. E.F. dos; PEREIRA, H.S. & AZEVEDO, W.R. de. Atributos físicos, químicos e biológicos de solo de cerrado sob diferentes sistemas de uso e manejo. Revista Brasileira de Ciência do Solo. Viçosa, v. 33, n. 1, p , [3] SILVA, F.C.; EIRA, P.A.; BARRETO, W.O.; PÉREZ, D.V. & SILVA, C.A Análises químicas para avaliação da fertilidade do solo. EMBRAPA CNPS. [4] EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA EMBRAPA. CNPS Manual de métodos de análise de solo. Rio de Janeiro, Embrapa. 212p. [5] SILVA, R.C.; PEREIRA, J.M.; ARAÚJO, Q.R.; PIRES, A.J.V. & DEL REI, A.J. Alterações nas propriedades químicas e físicas de um Chernossolo com diferentes coberturas vegetais. Revista Brasileira de Ciência do Solo. Viçosa, v. 31, p , 2007.

4 [6] SILVEIRA, P.M.; ZIMMERMANN, F.J.P.; SILVA, S.C. & CUNHA, A.A. Amostragem e variabilidade espacial de características químicas de um Latossolo submetido a diferentes sistemas de preparo. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, v. 35, p , 2000.

5 Tabela 1. Atributos químicos do solo sob diferentes coberturas vegetais nas profundidades de 0-5 cm, 5-10 cm, cm e cm na Unidade Universitária de Aquidauana, MS. Coberturas ph C H + Al 3+ H + +Al 3+ P Ca 2+ Mg 2+ g kg -1 cmol c Kg -1 mg kg -1 cmol c kg cm Leucena 5,69 a b 19,06 b 1,33 b 0,30 b 1,63 b 20,55 b c 1,70 b 1,73 a b Pastagem 5,93 a 12,22 c 1,67 b 0,27 b c 1,93 b 43,99 a b 1,57 b 1,00 b Mata de galeria 4,91 c 17,40 b c 2,53 b 0,47 a 3,00 b 11,40 c 1,23 b 0,87 b Eucalipto 5,48 a b c 16,94 b c 2,20 b 0,23 b c 2,43 b 41,92 a b 1,30 b 1,37 a b SPD 5,92 a 21,46 b 1,40 b 0,13 c 1,53 b 65,37 a 3,63 a 2,23 a Vereda 5,54 a b 30,59 a 6,47 a 0,33 a b 6,80 a 10,84 c 2,27 b 1,90 a b Cerrado 5,20 b c 23,30 b 6,50 a 0,37 a b 6,87 a 36,35 b 1,23 b 0,97 b CV (%) 3,88 11,65 23,92 17,82 22,05 26,55 21,52 26, cm Leucena 5,44 b c 20,71 a b 1,53 c 0,30 a b c 1,83 c 15,94 c 1,33 b c 1,70 a Pastagem 5,78 a b 14,07 a b 1,90 c 0,20 b c 2,10 c 36,05 b 1,43 b c 0,97 b c d Mata de galeria 4,89 e 20,71 a b 2,53 c 0,33 a b 2,87 c 10,16 c 1,07 b c 0,50 d Eucalipto 5,34 c d 13,25 b 2,07 c 0,27 a b c 2,33 c 51,15 a b 1,30 b c 1,13 a b c d SPD 5,83 a b 17,35 a b 2,27 c 0,13 c 2,40 c 57,64 a 2,80 a 1,47 a b Vereda 5,87 a 21,56 a 4,53 b 0,30 a b c 4,83 b 8,62 c 1,53 b 1,30 a b c Cerrado 4,99 d e 19,92 a b 6,43 a 0,40 a 6,83 a 15,31 c 0,77 c 0,60 c d CV (%) 2,75 14,78 17,01 23,70 15,50 20,71 18,58 23, cm Leucena 5,64 b a 1,27 d 0,33 a b 1,63 d 17,25 c 1,47 b 1,80 a Pastagem 5,68 b b c 1,90 c d 0,20 b c d 2,10 c d 34,97 b 1,37 b 1,27 a b Mata de galeria 4,91 c a b 2,90 b 0,33 a b 3,23 b 8,52 c 0,97 b c 0,60 b Eucalipto 5,43 b c c 2,40 b c 0,27 a b c 2,67 b c 41,31 b 1,07 b c 1,10 a b SPD 5,83 a b b c 2,50 b c 0,10 d 2,60 b c 57,85 a 3,07 a 1,37 a b Vereda 6,34 a a b 2,03 c d 0,13 c d 2,17 c d 5,33 c 0,83 b c 0,80 b Cerrado 5,35 b c b c 5,30 a 0,37 a 5,67 a 11,36 c 0,67 c 0,50 b CV (%) 3,37 12,42 11,54 19,71 10,77 22,6 17,36 29, cm Leucena 5,65 b a 1,23 d e 0,20 b c 1,43 c d c 1,43 b c 1,80 a Pastagem 5,60 b 9.34 a 2,10 c d 0,20 b c 2,30 b c a b 1,77 b 0,87 b c Mata de galeria 4,92 c a 3,53 b 0,37 a 3,90 a 9.36 c d 0,97 c d e 0,57 c Eucalipto 5,72 b a 2,40 c 0,13 c 2,53 b b 1,33 b c d 1,20 b SPD 5,89 b a 1,60 c d e 0,10 c 1,70 b c d a 2,43 a 1,37 a b Vereda 6,73 a 9.34 a 0,73 e 0,10 c 0,83 d 3.03 d 0,50 e 0,40 c Cerrado 5,48 b a 4,63 a 0,30 a b 4,93 a 6.04 d 0,70 d e 0,57 c CV (%) 3,47 30,66 15,14 24,40 14,73 18,26 17,54 19,68 Letras minúsculas iguais na mesma coluna, não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

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