AMOR IMORTAL. Hidden Moon. Lori Handeland

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1 AMOR IMORTAL Hidden Moon Lori Handeland O SEGREDO DA LUA... Depois de sofrer uma cruel traição, Claire Kennedy retorna a Lake Bluff para recomeçar a vida como prefeita da cidade. Mas logo começam os problemas, na pessoa de Malachi Cartwright, um homem com um passado tão misterioso quanto o presente... Um homem que desperta um sentimento perigoso na sempre ajuizada Claire... Quando um turista dá queixa de ter sido mordido por um lobo, e os ataques se tornam mortais, o comportamento estranho de Malachi desperta suspeitas em Claire. Será que ele esconde algum segredo e tem algum motivo sinistro para estar em Lake Bluff? Malachi é o único homem capaz de fazer Claire se render ao desejo, mas é também a última pessoa em quem ela pode confiar. E, à medida que se aproxima a ocorrência de um eclipse, os segredos da lua escondida vêm à tona, e um inimigo perigoso será finalmente desmascarado... Digitalização: Silvia Revisão: Andréa M.

2 SOBRE A AUTORA Lori Handeland tinha dez anos de idade quando decidiu que seria escritora. Desde que conseguiu publicar seu primeiro romance, ela tem escrito histórias que variam entre os gêneros contemporâneo, histórico e mistério. Querida leitora, Prepare-se para uma viagem a um mundo de criaturas noturnas onde o desejo e o perigo se confundem, e para nunca mais olhar para a lua do mesmo jeito que você olhou até hoje... Leonice Pomponio Editora Copyright 2007 by Lori Handeland Originalmente publicado em 2007 pela St. Martin's Press PUBLICADO SOB ACORDO COM ST. MARTIN'S PRESS NY, NY USA Todos os direitos reservados. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência. Proibida a reprodução, total ou parcial, desta publicação, seja qual for o meio, eletrônico ou mecânico, sem a permissão expressa da Editora Nova Cultural Ltda. TÍTULO ORIGINAL: HIDDEN MOON EDITORA Leonice Pomponio ASSISTENTES EDITORIAIS Patricia Chaves Paula Rotta Silvia Moreira EDIÇÃO/TEXTO Tradução: Sulamita Pen Revisão: Giacomo Leone ARTE Mônica Maldonado ILUSTRAÇÃO Thomas Schluck MARKETING/COMERCIAL Andrea Riccelli PRODUÇÃO GRÁFICA Sonia Sassi PAGINAÇÃO Estúdio Editores.com 2008 Editora Nova Cultural Ltda. Rua Paes Leme, º andar CEP São Paulo SP Premedia, impressão e acabamento: RR Donnelley 2

3 CAPÍTULO I Voltei para casa com o propósito de escapar de um inferno e acabei caindo em outro. Suponho que eu merecesse tal situação, por ter saído daqui aos dezoito anos e nunca mais ter olhado para trás. Os cherokee chamam as montanhas onde eu nasci de Sah-ka-na-ga ou Grandes Montanhas Azuis de Deus. Sempre considerei a frase um exagero, mas agora não estou tão certa. No meu presente estado de espírito, as montanhas Blue Ridge me parecem um pequeno pedaço do céu. Ao mesmo tempo, um lago incandescente seria melhor do que isso murmurei, fazendo uma carranca para a confusão reinante em minha mesa. Você já viu algum lago em chamas? Para minha surpresa, Grace McDaniel estava parada na porta. Durante o ensino médio, ela e eu tínhamos sido inseparáveis. Depois, fui para a universidade, consegui um emprego numa emissora de televisão em Atlanta, cidade grande e horrível, e Grace permaneceu aqui. Grace era agora a xerife de Lake Bluff e eu, a prefeita. Os filhos seguindo os passos dos pais... O telefone tocou na outra sala. Antes de sair, com destino ignorado, Joyce, minha assistente, me informara que havia três pessoas esperando por mim. As más línguas afirmavam que Joyce Flaherty vinha sendo assistente do prefeito desde que se estabelecera a prefeitura em Lake Bluff, cidade pequena da Geórgia. Como o município fora colonizado por escoceses e irlandeses bem antes da Guerra da Independência, era possível pensar em Joyce como sobrenatural, se a declaração fosse verídica, é claro. Ela tinha sido o braço direito do meu pai durante os mais de trinta anos em que ele ocupara o cargo, e agora me servia. A mulher tinha o hábito irritante de fazer meu trabalho e relatar o fato mais tarde. Mas, na verdade, ela conhecia a tarefa bem melhor do que eu. Algum problema? perguntei. Grace não vinha com frequência ao meu escritório. Ela telefonava, deixava recados, mandava relatórios. Tínhamos sido muito amigas, mas agora... Parecia aborrecida comigo e eu não sabia o motivo. Digamos que sim ela sussurrou com o sotaque sulista que eu já perdera. Grace olhou por sobre o ombro, entrou em meu escritório e fechou a porta. Apontei a cadeira vazia, mas ela começou a andar de um lado para o outro. Ela não era o protótipo de policial que se esperava encontrar numa cidade pequena. Alta e forte como nossos ancestrais escoceses, possuía ossos malares pronunciados e cabelos 3

4 negros e longos, herdados dos cherokee que habitavam essas montanhas muitos séculos antes de serem arrastados para o Oeste no episódio chamado Trilha das Lágrimas. A pele morena lembrava alguma miscigenação na árvore genealógica, o que era comum, pois os cherokee também haviam possuído escravos afro-americanos. Os olhos verdes eram luminosos e belíssimos. Poderia ter sido modelo de sucesso, mas ela não tinha consciência de sua beleza, assim como eu do cargo de prefeita. Ela amava Lake Bluff acima de tudo e jamais teria abandonado a cidade. Você tem de vir comigo ela apoiou as palmas das mãos em minha mesa. Grace não tinha meios-termos. Decidia e executava. Muitas vezes, me perguntei por que ela não era a prefeita. Mas em Lake Bluff, ou as pessoas seguiam a carreira dos pais ou saíam da cidade. Há uma caravana de ciganos acampada no lago. Você disse caravana de ciganos? Pelo visto, você continua escutando direito. Franzi a testa. Era verdade que eu estava inutilizada em outros aspectos, mas ninguém sabia disso, nem mesmo Grace. Claire, o que houve com você em Atlanta? Você costumava entender sarcasmos e era engraçada. Agora sou a prefeita. Ótimo. Ela piscou. Logo voltará a ser o que era. Eu nunca mais seria a mesma pessoa de antes, mas talvez pudesse, pelo menos, parar de me assustar com as sombras, agora que estava em casa. A campainha do telefone me fez levantar da cadeira, o coração disparado. Ou não. Grace nunca tivera medo de nada na vida? Não atenda, deve ser mais um absurdo qualquer. Ela disse uma imprecação. Não podemos perder tempo, você tem de vir comigo. Eu havia esquecido o linguajar de Grace. Tinha sentido a falta dela. Um absurdo qualquer? Você sabe como são as coisas por aqui. A vaca de Jaraie foi comer o trigo de Haroíd. O gato de Lucy deu uma surra no cachorro de Carol. Algum menino idiota ficou com a cabeça presa nas barras da grade do ginásio e gritou por uma hora. Esses assuntos são mais seus do que meus. Fiquei aliviada quando o telefone parou de tocar. ótimo. Grace abriu a porta. Assim você não terá de escutar nenhuma queixa sobre demarcação de propriedade, tributos ou injustiça dos impostos municipais. Aqueles eram problemas meus. Deixei um recado na mesa de Joyce, verifiquei a carga do celular e apontei a saída dos fundos com o polegar. Prefeita? alguém chamou e Grace empurrou-me pelas costas. 4

5 Tropecei por estar usando sandálias, que combinavam perfeitamente com o conjunto de verão cor de pêssego, e quase caí quando abri a porta dos fundos e fui jogada na luz do sol. Grace olhou o estacionamento com um sorriso. Lembra-se de quando vínhamos fumar maconha aqui? Grace! O que foi? Ela pôs os óculos de sol. Alguém pode escutar. E daí? Tínhamos dezesseis anos e estávamos na escola. Daria má impressão, pois afinal você representa a lei. E você quer que eu prenda a mim mesma pelo que fiz há dez anos? Desculpe, mas o crime já prescreveu. Grace saiu andando na minha frente com pernas longas e ágeis. Eu era apenas uns cinco centímetros mais baixa do que ela e digamos... Um pouco mais encorpada. Eu não era gorda... Ainda, mas era obrigada a controlar a alimentação. Iogurtes desnatados, molhos com baixas calorias e sobremesa apenas em ocasiões especiais. Ela entrou na viatura policial e sentou-se atrás do volante. Ocupei o assento do passageiro e praguejei quando prendi as pantalonas na porta. Não sei por que você usa essas coisas ridículas. Aqui não é Atlanta. Grace usava o conjunto de calça e blusa caqui com o distintivo de xerife. Não diga nada ela advertiu. Dizer o quê? Que vestida dessa maneira ninguém pode dar conselhos sobre moda. Está bem, não direi. Ela me fitou antes de dar partida no carro. Eu tinha voltado a Lake Bluff havia três semanas para o funeral do meu pai. Com cinquenta e cinco anos, ele nunca dera importância ao peso, ao excesso de cigarros ou de uísque. E o choque com sua morte fora tão grande quanto o de eu ter aceitado a incumbência de cumprir o restante de seu mandato como prefeito. Olhei pela janela conforme saímos da cidade e pegamos a estrada até o lago Lunar. O traçado de Lake Bluff tinha começado e se desenvolvido a partir de uma colina a poucos quilômetros do lago, que refletia seu brilho em toda a cidade. A maioria da população menos de cinco mil habitantes trabalhava em lojas, restaurantes e nas graciosas pousadas que se sucediam nas ruas principais. E boa parte dos ganhos se devia ao Festival da Lua Cheia. Turistas viajavam quilômetros para aproveitar a celebração de uma semana, durante o mês de agosto, que culminava no dia e na noite de lua cheia, com desfile, piquenique e fogos de artifício. Este ano, esperávamos um grande afluxo de pessoas, pois um raro eclipse lunar aconteceria naquela noite. A cada ano ocorriam de dois a quatro eclipses, mas poucas vezes a Lua penetrava totalmente no cone de sombra da Terra, deixando de ser visível. Pelo que me lembrava, o festival nunca coincidira com tal evento. Por isso, além do grande número de turistas de verão, estariam presentes astrônomos, tanto 5

6 amadores quanto profissionais. Como grande parte da programação ocorreria no lago, era compreensível a preocupação de Grace quanto aos ciganos. Percorremos a rodovia de duas pistas margeada de cascalho e chegamos ao vale onde resplandecia o lago Lunar. Por entre as árvores verdejantes, o sol se refletia na superfície da água. Do lado oposto, as montanhas se erguiam com o mesmo tom do lago. Você tem visto muitas caravanas de ciganos por aqui? perguntei. Grace seguiu no trecho de terra que conduzia ao lago. Nenhuma. Supus que os ciganos tivessem sido extintos junto com os indígenas. Quanto sarcasmo. Santo Deus. Grace nem sorriu. Claire, sei que existem ciganos pelo mundo todo, mas muitos nem os notam. Grace brecou na curva e eu pensei haver voltado no tempo, talvez à Romênia de Deparei-me com uma confusão de carroças, cavalos e uma infinidade de pessoas vestidas com trajes coloridos. Ainda bem que você me avisou tratar-se de ciganos ou eu nem desconfiaria murmurei e Grace lançou-me um olhar faiscante visível até por trás dos óculos escuros. Quando descemos do carro da radiopatrulha, todos nos encararam, assim como nós a eles. As pessoas pareciam ter saído da versão Disney do Corcunda de Notre-Dame. Os homens usavam calças negras e camisas coloridas. As mulheres, saias longas igualmente coloridas e blusas brancas, além de lenços na cabeça. Todos usavam braceletes, correntes de contas e brincos de argola, que brilhavam ao sol. Ao longe, em meio à mata, várias carroças amontoavam-se, sendo algumas com barras para transporte de animais. Os cavalos que puxavam as carroças eram grandes e pesados, malhados de cinza. Xerife, Departamento de Polícia de Lake Bluff. Grace tirou os óculos, pendurou-os na camisa pela haste e adiantou-se com a mão na coronha do revólver. Os que estavam na frente recuaram e murmúrios em língua estranha se elevaram. Não precisava ser tão agressiva cochichei. Eu podia ter mudado, mas ela não. Caprichei no melhor sorriso televisivo CNN e aproximei-me de Grace. Sou Claire Kennedy, prefeita de Lake Bluff, e gostaria de saber o que estão fazendo aqui. Os murmúrios cessaram e alguns fizeram o sinal-da-cruz, como se estivessem com medo. Tire a mão da arma sussurrei para Grace. Não, Você os está assustando. Será ótimo se ficarem com medo da xerife. Pressionei os lábios e os murmúrios retornaram. Quem é o porta-voz? perguntei. Alguém fala nossa língua? Grace acrescentou. 6

7 Um movimento surgiu nos fundos, as pessoas curvaram a cabeça em sinal de deferência e um homem surgiu. Grace sussurrou uma imprecação digna da ralé. Engasguei, não apenas pelo que ela tinha dito, mas por causa do homem. Sobre as calças pretas, ele usava botas longas igualmente negras. O peito desnudo brilhava, de suor ou da água do lago. A pele era bronzeada e lisa por cima de músculos firmes e abdômen definido. Ele ficou tenso e flexionou os bíceps por causa do vento frio das montanhas. E não foi apenas o físico dele que me deixou sem fala, mas também o olhar profundamente negro e o rosto que lembrava uma escultura. Alguém lhe entregou uma toalha e ele esfregou-a no peito com movimentos eficientes e sugestivos. Senti o estômago apertado e tive de fazer um esforço para não seguir o caminho das mãos dele. Passou o tecido felpudo nos cabelos negros e ondulados que cobriam a nuca. Gotas voaram e as mechas brincavam de escondeesconde com uma cruz de prata pendurada na orelha esquerda. Ele jogou a toalha para trás. Alguém a pegou antes de entregar-lhe uma camisa que brilhava de tão branca. Enquanto ele a vestia pela cabeça, fitei Grace, que revirou os olhos. Xerife, prefeita Kennedy ele saudou com forte sotaque irlandês. Sou Malachi Cartwright. Fez uma ligeira mesura. Podem me chamar de Mal. Intimidades são desnecessárias Grace afirmou. Vocês não podem ficar aqui. Não? Ele ergueu as sobrancelhas. Grace tomou a adiantar-se, apertando o cabo da arma. Estendi o braço para o lado e acertei-o no peito sem querer. Pare com isso, Grace. Eu resolverei o impasse. Eu sempre tinha concordado com meu pai quando ele dizia que se pegavam mais moscas com mel do que com vinagre, mas o pai de Grace achava que o correto tinha de ser imposto. Grace me ignorou e passou na minha frente, segurando o revólver. Não será possível acampar aqui, meu caro, pois em poucos dias começará nosso festival. E foi exatamente por isso que viemos, querida. Cartwright estendeu o braço e algumas folhas de papel apareceram em sua mão, certamente entregues por alguém muito ágil, e ele fez outra mesura, dessa vez caprichada. Fomos contratados para diverti-las. Senti um calor no estômago pela maneira como ele falou. A ideia dele de diversão devia ser diferente da minha. Ou não. Grace olhou para mim, carrancuda. Não fui eu defendi-me. Ela pegou as folhas da mão de Cartwright, espiou a primeira e olhou para mim. 7

8 Joyce. Ela me passou o contrato. Minha assistente contratara o grupo para fazer apresentações durante a semana do Festival da Lua Cheia. O planejamento para as festividades havia começado muito antes de eu chegar à cidade e eu deveria ter ficado mais atenta ao que acontecia. Os habitantes de Lake Bluff na certa não ficariam contentes ao descobrir que ciganos itinerantes haviam acampado no lago. E, pelo olhar de Grace, ela também não. Infelizmente, eles tinham sido pagos com dinheiro público e era tarde demais para contratar outras pessoas, mesmo que houvesse verba disponível. Os festivais eram nossa fonte de renda. Sem eles, Lake Bluff não sobreviveria. Tudo certo? Cartwright perguntou. Novamente fui atraída por aquele olhar escuro e profundo. Por que ele me fitava daquele jeito? Eu não era a única ruiva de olhos azuis na cidade, embora ali eu fosse. Sim, parece estar tudo certo. Devolvi o contrato para ele. Os dedos dele tocaram os meus e eu puxei a mão, quase rasgando as folhas. Os ciganos resmungaram, Cartwright ficou sério e Grace fitou-me com exasperação. A brusquidão de meu gesto deveu-se não ao fato de ele ser um cigano, mas de ser um homem. E isso me apavorava. Bem, vocês podem ficar Grace permitiu. Mas tenho de avisá-los que não será permitido sair daí. O que está pretendendo dizer, xerife? Todos na cidade têm uma arma e sabem usá-la. Perambular por aí no escuro será um convite para receber um tiro. Acha que pretendemos roubá-los ou raptar alguma criança? Cartwright fitou Grace de alto a baixo sem demonstrar aprazimento, um fato inédito na história dela. A senhora não deveria acreditar em tudo o que escuta. Nem todos os ciganos são ladrões e sequestradores, assim como nem todos os indígenas são beberrões. Grace corou. Tem razão, desculpe-me. Mais um fato inédito. Mas o aviso permanece. Os habitantes da cidade podem não ser tão esclarecidos quanto eu. Tenho certeza de que não ele ironizou. Em seguida, falou com os demais no idioma deles, o que causou movimentos, conversas e olhares espantados. O que disse a eles? indaguei. Para ficarem no acampamento à noite. Alguém mais fala nossa língua? Sim, mas preferimos usar o romani, o idioma dos rom ou ciganos. Não queremos perder nossa herança cultural. Compreensível Grace concedeu. Quando éramos crianças, Grace passava muito tempo com a bisavó, uma curandeira cherokee, e a velha senhora dizia que os conhecimentos antigos deviam ser 8

9 preservados. Seria interessante saber o quanto de seu passado Grace conservara, mesmo sendo uma funcionária pública. O xerife de Lake Bluff era eleito, e a população local estava acostumada com descendentes de indígenas na cidade, mas certamente não aprovaria se a autoridade policial executasse uma dança da chuva ao luar, se é que os cherokee tinham esse hábito. Sobre que tipo de diversão estamos falando? perguntei a Cartwright. Se fossem dançar despidos, isso não combinaria com nosso festival familiar. Sacrifícios humanos e coisas do gênero. Eu e Grace ficamos de queixo caído, e alguns ciganos começaram a rir. Perdão. Ele espalmou as mãos. Não pude resistir. Disse algumas palavras à sua gente e todos se dispersaram. Nossas apresentações são as mesmas de nossos ancestrais e nós nos empenhamos em trazer o sabor antigo ao mundo moderno. Os rom têm sido viajantes ao longo do tempo. E por quê? Grace perguntou. Foi o meio mais fácil de evitar a prisão por roubo ou sequestro. Dessa vez eu ri com a ironia. Falando sério Grace sugeriu o que há de tão especial nessa sua droga de diversões do passado? As pessoas gostam porque somos diferentes, e assim não nos falta trabalho. Diferentes? Sabemos ler a sorte e fazemos apresentações com animais, entre outras coisas. Grande porcaria Grace murmurou. Sempre a mesma coisa. Nem sempre. Ele se voltou para mim. Se quiser aparecer uma outra hora, prefeita Kennedy, eu poderia mostrar-lhe o que nos torna tão especiais. Ele ficou atraído por você Grace falou quando nós nos afastamos. Espiei para trás e vi Cartwright observando nossa partida. Que nada. Ora, vamos. Prefeita Kennedy, venha de preferência sozinha, sem aquela xerife antipática e eu lhe mostrarei os encantos que mantenho dentro da calça. Grace caçoou, imitando a voz dele. Grace, por favor eu disse depois de parar de rir. Ele estava apenas querendo ser amável e... Ele não tirava os olhos de você e mal me dava atenção ela me interrompeu. Aposto que você não está acostumada com isso. Não. Mas eu nem queria que ele reparasse em mim. Os olhos dele são negros demais... como os do demônio ou algo assim. Grace, você andou quebrando de novo o cachimbo da paz? Ninguém tem olhos absolutamente negros. 9

10 Nem ele. Os olhos de Cartwright são castanho-escuros. Deve ter sido algum efeito de luz e sombra... Deve ser. Discutir com Grace não valia a pena. Era dor de cabeça na certa. Chegamos ao edifício da prefeitura e ela parou o carro. Você não vai entrar? perguntei. Não. Tenho visitas para fazer e alguém para prender. Saí do carro e encostei-me na janela quando Grace me chamou, Obrigada por ter ido comigo. Por que você me chamou? Notei as sobrancelhas erguidas por cima dos óculos. Não pude fazer nada mesmo. Apontei as pantalonas sujas e as sandálias estragadas. Bem, você não carrega uma arma nem sabe atirar... Xerife McDaniel, seu profissionalismo chega a me assustar. Mas Grace continuou você tem a loquacidade de seu pai... Jeremiah Kennedy fora um político nato. Conhecia todos por nome e endereço, inclusive dos filhos, netos e cachorros. Eu jamais alcançaria a perfeição dele. Aliás, eu atualmente imaginava se chegaria a ser eficiente em qualquer carreira. Na escola, eu fizera parte da torcida, tinha sido capitã dos debates e campeã estadual dos oradores. Ficava excitada diante de uma multidão. Seguindo os conselhos de meu orientador, eu havia feito o curso de Jornalismo, sonhando com uma carreira sob os holofotes da CNN. E descobrira que não era bonita nem talentosa para ter sucesso. Com exceção de hoje. Grace me fez voltar ao assunto em questão. Aquele camarada a fez parecer uma menininha. Nada disso! Ela me ignorou. Farei uma investigação no acampamento mais tarde. Veja o que consegue com Joyce. Certo. Eu me endireitei e ela soltou os freios. Grace nunca dera importância às brincadeiras de meninas, o que era compreensível. Ela era a caçula de cinco irmãos e a única garota. A mãe dela fugira quando ela tinha três anos, na mesma época em que a minha havia morrido numa estrada montanhosa de gelo na qual não deveria estar. Mamãe sempre sentira falta de Atlanta, sua terra natal. Ela era repórter e conheceu meu pai quando preparava uma matéria sobre prefeitos de cidades pequenas. Eles tinham se apaixonado, ela desistira da carreira que adorava e tinha vindo para Lake Bluff. Passara quatro anos tentando voltar até encontrar a morte. Grace e eu crescemos juntas, sem mãe e ignoradas por pais devotados a objetivos muito mais importantes do que nós. Éramos fascinadas com as diferenças uma da outra e caçoávamos implacavelmente das mesmas. Éramos como irmãs, e essa intimidade era o que eu mais desejava de volta. 10

11 Center Street fervilhava com os últimos preparativos para o festival. Em frente à prefeitura, Bobby Turnbaugh, dono do café Good Cookin, estendera uma faixa com os dizeres: Os melhores jantares de Blue Ridge. Molho de chocolate do Sul e biscoitos. Os petiscos não me agradaram e fiz uma careta. Bobby acenou e eu retribuí. Namoramos quando éramos bem jovens e, no banco da frente da caminhonete do pai, Bobby ensinou-me algumas coisas das quais me lembrei durante anos. Ao lado do café havia uma livraria que também vendia bugigangas indígenas, dos Apaiaches e toda a parafernália da Guerra da Secessão. Do outro lado, um salão de beleza, a loja de armas e uma cafeteria que vendia uma boa variedade de chás e de fumos aromáticos encontrados nas grandes cidades. Mais ao sul, o hotel oferecia um bom restaurante e uma loja de presentes finos. Nas outras ruas, havia lojas onde se vendiam artigos de cama e mesa, velas, doces, joias, bijuterias. Eu sempre me surpreendia como as pessoas em férias podiam comprar tantas bugigangas. Os cidadãos se mesclavam com os turistas e não pude deixar de pensar se Grace contratara mais policiais para a ocasião. Claire! A voz estridente de Joyce ecoou no recinto de pé-direito elevado assim que entrei no saguão. A prefeitura fora construída antes da Guerra da Secessão, com pedras e mármore. O lugar era tão sólido que certamente resistiria até o final dos tempos. Joyce tinha quase um metro e oitenta, e era sólida como um carvalho, tanto em estatura como em temperamento. Os cabelos muito curtos eram negros desde o dia em que ela nascera, graças aos cuidados da srta. Clairol. Ela se vestia à maneira de seu pai, um lenhador. Jeans, camisa de flanela e botas no outono e inverno. Na primavera e no verão, usava bermudas cáqui, camisas sem manga, manta xadrez e sapatilhas. Começara a vida como professora de Física, mas a má-criação das crianças a tinha levado a trabalhar na prefeitura. Nunca se casara, dedicando-se exclusivamente ao emprego e a meu pai. Muitas vezes cheguei a me perguntar se eles eram amantes, mas logo esquecia o assunto. Todos foram embora. Joyce estreitou os lábios em desaprovação. Todos, quem? Os que a esperavam até você sair pela porta dos fundos. Ah. Assim que virei as costas, tive certeza de que você e Grace estariam de volta às antigas proezas. Sorri ao lembrar do que fazíamos e duvidei de que voltaríamos a ficar enjoadas por tomar vinho barato. Pela primeira vez, achei que o retorno fora uma boa medida, e não mais uma estupidez como a que eu cometera antes. 11

12 Você tem de se comportar com sobriedade, pois a cidade inteira a está observando. Eu sei. Eu não tinha planejado ficar depois do funeral de meu pai, embora não tivesse para onde ir. Tinha pedido demissão do meu cargo de produtora de uma das mais importantes emissoras de televisão de Atlanta. Havia sido eficiente no trabalho, mas sem maior destaque. E, pela primeira vez, Atlanta tinha perdido os atrativos. O brilho dourado que eu conferira à cidade, talvez por minha nãoe adorá-la, fora embaciado. Balthazar esteve aqui Joyce afirmou. Isso não é novidade. Balthazar Monahan viera do Norte, ninguém sabia de que cidade, talvez com a vontade de se eleger prefeito, pois não ocultara a insatisfação quando o cargo me fora oferecido. Ele passara as três últimas semanas trombeteando meus erros no Lake Bluff Gazette, o jornal que ele adquirira. O que era dessa vez? perguntei. Ela deu de ombros. Sei lá. Quando descobriu que você não estava, começou a cochichar com as pessoas que a esperavam. Droga! Relaxe. As pessoas têm de lhe dar uma oportunidade de se acostumar ao cargo. Ser prefeito não é fácil. Diga isso a Balthazar. Homens sempre são teimosos e esse é um idiota. Joyce percebera o caráter dele de imediato, como sempre acontecia. Talvez por sua experiência de professora ou pelos anos de prefeitura, ela era capaz de deslindar a mente das pessoas com um olhar. Por isso, ela ainda trabalhava para mim, apesar de sua tendência para agredir, queixar-se e fazer papel de mãe. Por falar nisso, de onde você tirou a ideia de contratar ciganos para o festival? Eles já vieram? Ela se animou. Esfreguei a testa. Por que ciganos? Eles me procuraram. O quê? O chefe deles... Joyce franziu os lábios. O nome está na ponta da língua. Malachi Cartwright? Esse mesmo. Ah, que droga! É melhor controlar essa sua língua, agora que você está na política. Ela estava certa, como de costume. Em Lake Bluff eu teria de manter a sobriedade, inclusive a verbal. 12

13 Cartwright fez contato comigo depois que soube do festival e me fez uma oferta irrecusável. Sim? Eles trabalhariam todas as noites durante a semana toda e pela metade do preço dos outros grupos que eu consultara. Por quê? Não perguntei. A cavalo dado... E você sabe como nossos cofres estão vazios. Eu sabia. Se não tivéssemos um bom lucro com o festival deste ano, tudo ficaria ainda pior. Eles são bons? É o que veremos. E as referências? Joyce desatou a rir. Eles são ciganos. É o que se percebe pelas joias, vestimentas e pelas carroças puxadas a cavalo que formavam um cercado. Essa é a maneira deles de organizar um espetáculo. Eles podem ser um bando de serial killers argumentei. Grace fará uma pesquisa nos computadores. Ela poderia ter feito isso antes de você contratá-los. Esqueci de falar com ela. O que não era do feitio de Joyce. O restante do dia foi passado numa azáfama, pois a prefeita de Lake Bluff era encarregada de todos os problemas municipais que não eram resolvidos pela xerife e só contava com a ajuda de Joyce. Eu tinha quatro reuniões semanais com o conselho dos munícipes, o que era um exagero. Mas, como todos os membros eram homens idosos e não tinham o que fazer, eles gostavam de reunir-se. As reuniões seguiam um padrão. Estes perguntavam, eu respondia e raramente decidíamos alguma coisa. Às nove da noite eles se reuniam no American Legion Hall para tomar cerveja e, embora meu pai sempre fosse convidado, eles nunca tinham me chamado. Infelizmente, aquela era uma noite de reunião. Antes de entrar no salão comunitário, escutei as altercações e tive vontade de sumir. Eles notariam a minha falta? Precisamos de uma nova calçada na frente da escola fundamental. Sou contra. Talvez devêssemos esperar um pouco para avaliar os dois pontos de vista. Os impostos têm de ser diminuídos. Eles precisam ser elevados... Inspirei fundo e entrei. O recinto ficou em silêncio. Senhores. Claire. 13

14 Todos me conheciam desde que eu usava fraldas e seria impossível exigir que se dirigissem a mim formalmente, embora chamassem meu pai de prefeito Kennedy. Meu pai tinha apelidos secretos para eles: Não Vejo Maldade, Não Escuto, Não Falo Nada e Não Acho Graça. E na primeira reunião descobri de quem eram os apelidos. O que está em pauta esta noite? indaguei. Calçadas e impostos. Por que tive de perguntar? Não discutimos sobre calçadas a semana passada? Não decidimos nada Wilbur Mcandless afirmou. Depois de ter transferido a loja de ferragens para o filho, passava o tempo inteiro pensando nos passeios públicos. Wilbur nada resolvia e concordava com todos. Na certa era o Não Falo Nada. Também não terminamos a discussão sobre os impostos. Hoyt Abernathy, primeiro presidente do Banco Lake Bluff, adorava falar sobre dinheiro. Diziam que, no dia seguinte à sua aposentadoria, queimara todos os sapatos sociais, e agora usava chinelos em todo lugar. O que não era uma má ideia. Hoyt devia ser o Não Acho Graça. Tudo para ele representava um desastre de proporções enormes. Não podemos aumentar os impostos! Malcom Frasier gritou, não por estar irritado, mas por ser surdo. Era o Não Escuto. Por que não? Hoyt berrou. Impostos mais altos farão as pessoas saírem de Lake Bluff. Ninguém faria isso Joe Cantrell, chefe de bombeiros aposentado, alegou. Aqui é uma maravilha. Os homens olharam para mim. Eu não soube o que dizer. Eu havia saído da cidade por necessidade e voltara pelo mesmo motivo. Endireitei as costas. Estava na hora de ser uma prefeita de verdade. Muito bem. Bati os nós dos dedos na mesa. Já tagarelamos demais. Como é? Malcom levou a mão em concha ao ouvido. Chega de falatórios gritei. Vamos votar esta noite e tomar uma decisão. É para isso que os senhores foram eleitos. Votar? Wilbur admirou-se. Tem certeza de que devemos fazer isso? Tenho. Senhores, peguem seus lápis. Quinze minutos depois os assuntos antigos tinham sido resolvidos. Novas calçadas na frente da escola e ligeiro aumento de impostos. Foi engraçado Joe comentou. Temos de fazer isso de novo. Algum outro assunto? Ignorei o comentário. Todos deram de ombros. Estávamos tão preocupados com os assuntos antigos que nos esquecemos dos novos Wilbur admitiu. Felizmente, por ora. Eles logo inventariam outros problemas. Seu pai nunca nos fez votar Hoyt resmungou. 14

15 Talvez tenha sido uma falha. Os quatro abriram a boca e eu fiquei tensa, esperando um sermão. Meu pai fizera um ótimo trabalho durante trinta anos. A sessão está suspensa. O quê? Malcom gritou. Os outros três foram até a porta, na certa pensando na cerveja, e Malcom seguiu-os. Olhei o relógio, orgulhosa de mim mesma. A reunião fora concluída em meia hora. Talvez eu me saísse bem no cargo. Era uma questão de tempo. Uma hora mais tarde, fechei e tranquei a porta da frente da prefeitura. Entardecia e as luzes das ruas ainda não tinham sido acesas. Joyce saíra às seis, apressada para vencer os dois quilômetros e meio para chegar em casa. Meu trajeto era bem mais curto. Eu tinha de virar do lado oposto às lojas da Center Street e subir três quarteirões. Meu pai me deixara a maior casa de Lake Bluff. Branca, imponente, de dois andares, tinha uma varanda que rodeava o primeiro andar e se juntava a um deque nos fundos. O barulho dos saltos ecoava na rua vazia, mas não havia o que temer. Crimes eram virtualmente inexistentes em Lake Bluff. Se algo acontecia, era em geral durante os festivais, devido aos estranhos. Não se via um assassinato havia décadas. Por que, então, esse estremecimento que me fazia andar mais depressa? As montanhas que se erguiam ao longe, majestosas, acabaram por me acalmar. O sol sumia no horizonte, espalhando névoa cinzenta sobre meu mundo. Um pedregulho caiu do meu lado direito e notei uma sombra entre as árvores. Olhei para trás. A prefeitura já estava mais distante que minha casa. Determinada, continuei em frente. Havia três semanas eu fazia esse caminho duas vezes por dia e nunca tinha ficado nervosa. No entanto, era a primeira vez que eu sentia algo diferente. Escutei um uivo incomum. Ouvira coiotes milhares de vezes, mas nenhum som era parecido com esse. Apesar da imensidão de terras e árvores, fazia muito tempo que não se viam lobos naquelas montanhas. Esperei por um novo lamento, mas não houve nenhum, o que também era estranho. Os coiotes não andavam sozinhos e um uivo sucedia o outro. Um barulho ao meu lado assustou-me ainda mais. Balthazar. Soltei a respiração. O que você está fazendo aqui? A presença dele era sufocante. Não sei se era por ele falar demais ou por seu tamanho, que intimidava. Ele devia ter um metro e noventa e pesava cento e trinta quilos. O peito vasto surgiu diante de meus olhos, coberto por uma camisa preta apertada que permitia ver pelos também pretos por entre os botões esticados. Recuei, fitando as narinas pilosas. Finalmente, as luzes da rua se acenderam e o reflexo trouxe um brilho dourado aos seus olhos castanhos. 15

16 Ele deu um sorriso afetado. Provavelmente tinha se escondido entre as árvores para me assustar. Procurei disfarçar meu medo de homens, mas Balthazar, como os animais selvagens, tinha sentido a fraqueza e a explorara. Quero informações sobre os intrusos do lago. Como ele descobrira tão rápido? Parecendo sentir também minha dúvida, respondeu: Um de meus repórteres a viu conversando com o chefe deles afirmou, com um detestável sotaque ianque. Ele era racista e um machista intolerante, atém de outros istas que eu ainda não descobrira, o que desagradava muito a Grace e a mim. Ele se referia a Grace como a chefa de polícia, caçoando. O camarada teria de sair da cidade o quanto antes. As duas estavam com tanta pressa, que ele resolveu segui-las. Os repórteres de Balthazar assemelhavam-se a espiões. E imagine a surpresa dele ao deparar-se com os ciganos. Imagine a minha murmurei. Ele sorriu e eu quis morder a língua. Pude ver minhas palavras nas manchetes do dia seguinte. A caravana ficará encarregada das diversões durante o festival. Se quiser mais informações, fale com Joyce. Prefiro falar com você. Rangi os dentes, pensando no ser que estivera uivando, mas voltei ao problema de imediato. Eles se dedicam aos entretenimentos ciganos antigos como, por exemplo, ler a sorte. Se é só isso, por que você e aquela pele-vermelha saíram correndo no meio do expediente? Estremeci, sem responder. Grace lhe daria uma lição em breve e eu pensava em ajudar. Fazia tempo que nós não fazíamos algo engraçado juntas. Nós pretendíamos dar a eles as boas-vindas menti. E você não tinha nada melhor a fazer com seu dia? Procurei lutar contra o medo de ficar sozinha no escuro com um homem, mas de repente a raiva começou a ameaçar meu controle. Já são quase nove horas e acabei de sair da prefeitura, onde entrei às nove da manhã. Por que não publica isso em seu jornal? Ele apertou os lábios finos e corou. Furioso, tentou agarrar meu braço. Antes que o fizesse, outro uivo irrompeu da mata. O volume e a proximidade do som fizeram-me engasgar e meu coração ameaçou sair do peito. O que diabos é isso? Balthazar murmurou. Parece um lobo. Olhei o bosque escuro, esperando ver o animal pular para acabar com nossa curiosidade e também com nossas vidas. Pensei que Balthazar fosse ironizar, dizendo que os lobos cinzentos estavam extintos havia muito tempo e que os vermelhos não tinham vingado. Os animais de 16

17 grande porte daquelas montanhas eram linces e ursos, e não uivavam. Porém, ele nada disse e saiu correndo. Uma imensa onda de alívio me deixou zonza. Nem me importei de ficar sozinha com... Qualquer coisa, contanto que Balthazar estivesse longe. Obrigada, cãozinho sussurrei e recomecei a subida para casa, sem tirar os olhos das árvores. Se eu tivesse que ser estraçalhada por um animal que não deveria estar ali, queria vê-lo avançar. Muitas coisas ruins em minha vida haviam acontecido por eu estar de costas. Subi aos poucos, batendo os saltos no calçamento, arfando. As árvores farfalharam e uma sombra passou. Seria o vento ou algo mais substancial e aterrador? Poderia jurar que olhos me fitavam. Pisquei com força. Eu havia trabalhado o dia inteiro e parte da noite, e estava cansada. Abri os olhos e não vi mais nada. Virei-me e bati em Malachi Cartwright com tanta força que me desequilibrei. Ele me segurou e as palmas ásperas arranharam minhas mangas. Espantada, levantei a cabeça e a beleza dele prendeu meu olhar. Havia passado muito tempo entre homens e mulheres bonitos que lotavam os estúdios de televisão. Aprendi que os mais belos eram os que menos se esforçavam. Cartwright parecia diferente. Seu rosto e seu físico fariam sucesso em qualquer passarela. No entanto, ele percorria o país numa carroça, trabalhando com animais até ficar com as mãos calosas. Por acaso existe um lobo entre os animais usados nas exibições? Por que a pergunta? Escutei um uivo. Ele mirou as árvores. Agora? Há poucos minutos. Não escutou? Ele sacudiu a cabeça e continuou fitando a mata. Estranho. O que está fazendo aqui? Conhecendo sua adorável cidade. A xerife McDaniel já o avisou para não sair à noite. Não aceito ordens da xerife McDaniel. E certamente de ninguém. Lembrei-me de como a toalha, a camisa e o contrato haviam aparecido na mão dele. Sorri, sem querer. Eu a estou divertindo? Não. Na realidade, os sentimentos que afloravam toda vez que eu o via eram quase tão assustadores quanto o uivo do lobo que não poderia existir. Ainda não respondeu à minha pergunta. Qual delas, minha querida? Ignorei o tom carinhoso. Existe algum lobo numa daquelas jaulas? Não. 17

18 Ele olhou a mata como se procurasse algo, o que me levou a insistir. Por acaso ele fugiu? Não tenho nenhum lobo, eles são... Problemáticos. Em que sentido? Eles não se prestam a boas exibições, são difíceis de treinar e assustam os cavalos. Parece conhecê-los, embora não tenha nenhum. Cartwright parou de investigar as árvores. Sou domador de animais, e entendê-los faz parte de minha profissão. Sempre pensei que a habilidade do treinador definisse a atitude dos animais. Ele sorriu com ironia, sem retrucar. Com quem estava conversando há pouco? Com Balthazar Monahan, dono do jornal local. Ele queria mais detalhes a seu respeito. Nós preferimos o anonimato. Avaliei o traje vistoso, os cabelos longos e o crucifixo pendurado na orelha. Não é o que parece. O público espera de nós esse tipo de vestimenta. Como consegue ser contratado sem publicidade? Nunca nos falta trabalho e até podemos escolher quando e onde desejamos fazer nossas apresentações, ou seja, vamos a locais que gostaríamos de conhecer. O que explicava como ele entrara em contato com Joyce. Devia ser agradável poder definir onde, como e por quanto tempo trabalhar. Cartwright olhou o céu e inspirou o ar refrescante. Quando abaixou a cabeça, os olhos lembraram duas lagoas negras sem fundo. Recuei e o reflexo mudou, tornando-os castanhos. Eu a levarei para casa. Não é preciso. Eu moro... Eu deveria revelar? Acha que não sei? Ele seria capaz de ler minha mente? Vamos. Começou a subir a ladeira. Não é aconselhável andar sozinha à noite. Estamos em Lake Bluff. Cheguei perto dele. Acredita que está segura aqui? Era o que eu pensava, pelo menos até aquele momento. A segurança fora um dos principais atrativos para que eu aceitasse o cargo que tinha sido de meu pai. Isso e não haver alternativa. O senhor acumula as habilidades de treinador de animais e de adivinho? Somente nossas mulheres possuem o dom de predizer o futuro, ou pelo menos, é o que elas pretendem que acreditemos. Viramos a esquina e minha casa apareceu, grande e escura sob o luar que se erguia atrás dela. Imaginei-a mal-assombrada e estremeci. 18

19 Está com frio? Cartwright estava de costas para mim. Na certa, devo ter emitido algum som que lembrasse calafrios. Não, estou bem. Ele abriu o portão e inclinou a cabeça numa mesura. Bem, aproveitarei para desejar-lhe uma boa noite. Desde quando ciganos são irlandeses? Não me furtei à pergunta. Ele sorriu, exibindo o brilho dos dentes muito brancos. Passou o dia todo intrigada com isso, não é? Dei de ombros. Esteve pensando que não sou um cigano de verdade? Não me lembrava do senhor até vê-lo surgir do nada. Mentirosa. Pensava nele desde o momento em que o havia conhecido. Poderia ser diferente? O sorriso aumentou, demonstrando saber que eu mentira, o que na certa o agradava. A mentira não era um traço característico dos ciganos? Passei a mão na testa. Eu era tão mesquinha quanto Balthazar. Meu conhecimento a respeito dos ciganos resumia-se ao que eu vira no cinema e na televisão. Somos também conhecidos como rom e provavelmente originários da índia. E como foram parar na Irlanda? Sempre morei na Irlanda, de onde saí há pouco tempo. Quando os rom deixaram sua terra natal, espalharam-se pelo mundo. Grécia, Rússia, Hungria, Inglaterra, Escócia e Irlanda. E a Romênia? Lá estão os ludar. Não são ciganos? Nós preferimos ser chamados de rom. Os da Romênia são conhecidos como ludar, os ingleses como romnichels, os russos como seres e os húngaros como uzax. São tribos? De certa maneira. Éramos um povo único, mas mudamos após séculos de separação. A informação era tão fascinante quanto a voz profunda. Como dentro de casa me esperavam um gato e a televisão, preferi aprender mais sobre os ciganos. Como são chamados os irlandeses? Itinerantes. Não gostamos de ficar muito tempo num lugar só. Grace diria que eles estavam fugindo ou escondendo algo. Talvez apenas gostassem de conhecer o mundo, o que não era um crime. O grito agudo de um coiote a oeste foi respondido por outros a leste, e ficamos em silêncio até os sons desaparecerem. Aquilo não eram lobos, mas coiotes Cartwright afirmou. Eu já ouvi centenas de coros de coiotes por aqui. O que escutei antes nada teve a ver com isso. 19

20 Mas também não poderia ter sido um lobo. Eles não toleram coiotes em seu território. Onde fica um, não encontramos o outro. Os coiotes tornaram a ganir, dessa vez bem mais perto. Se houvesse um lobo por aqui, os coiotes teriam fugido. Seu conhecimento a respeito deles é bem grande. O sorriso indolente e sensual fez com que eu perdesse a estabilidade, e quando ele estendeu o braço, bati o cotovelo na grade. Cartwright apenas segurou minha mão e levou-a aos lábios. Depois, ele me fitou com o olhar ainda mais escurecido. E também a respeito de muitas outras coisas, prefeita Kennedy ele sussurrou antes de tocar novamente na minha mão. Dessa vez, senti o roçar dos dentes, a sucção dos lábios, o toque da língua, e um arrepio percorreu meu braço, enrijeceu meus mamilos e causou formigamento em locais havia muito adormecidos. Ele me soltou antes de eu pensar em desvencilhar-me, fez uma mesura e voltou por onde viera, desaparecendo na curva. Eu continuei olhando a rua como uma idiota. Claro que já tinha sido beijada, mas certamente não daquela maneira. Ergui minha mão e a umidade brilhou ao luar, revelando um leve arranhado dos dentes e uma marca mais escura onde a pele fora sugada. Sem refletir, passei os lábios sobre a mão. Os faróis de um carro me iluminaram. Apressei-me a fechar o portão, tirei a chave da bolsa e entrei em casa. Atravessei o saguão e fui para a cozinha sem acender as luzes. Joguei a bolsa no balcão e fiquei no escuro, pensando no jantar, numa tentativa de esquecer Malachi Cartwright. Desisti das duas coisas. Não estava com fome nem conseguia esquecê-lo. Que tipo de homem beijava a mão de uma mulher? Apenas os que abundavam nos romances históricos. E eu nunca soube de um cavalheiro que usasse a língua e os dentes num beijo desses. Mas também a vida não era nenhum romance, e eu aprendera isso duramente em Atlanta. Não deveria esquecer por que retornara a Lake Bluff. Exausta e solitária, subi os degraus e fui para o meu quarto. Acendi a luz e escutei um miado de protesto da minha gata malhada que dormia sobre o meu travesseiro. Oprah, que chegara numa manhã ensolarada de Natal, piscou com desdém e começou a lamber a pata traseira. Atravessei o quarto e puxei o travesseiro. A gata foi para o chão e saiu com a cabeça erguida. Nós duas morávamos na casa, mas eu desconfiava que Oprah me tolerava por falta de coisa melhor. Embora soubesse que eu deveria evitar a rotina de trabalho e cama, que contribuíra para as péssimas decisões tomadas em Atlanta, tirei a roupa e deitei-me sem pensar no pijama. Sonhei que a lua se transformava num nevoeiro e penetrava pela janela do meu quarto. Suave e cinzenta, flutuou e parou sobre mim, trazendo-me paz. Suspirei e 20

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