PARQUE HARMONIA AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL

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1 PARQUE HARMONIA AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL 1

2 APRESENTAÇÃO Desde 2001, o Acampamento Intercontinental da Juventude tem estabelecido questionamentos e práticas, buscando alternativas para um outro mundo possível. A Comissão Ambiental (CAM) do Comitê Organizador do Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social Mundial 2005 visa fomentar o debate, a troca de experiências e a concretização de práticas sustentáveis para a problemática sócio-ambiental. Vemos como um desafio planejar a ocupação do Parque Harmonia, levando em conta os processos energéticos deste sistema e desenvolvendo ações que minimizem o impacto ambiental. O Cronograma de atividades anuais do Parque impõe diferentes situações de estresse e impacto ao ambiente e todas as comunidades do Parque. O Acampamento Farroupilha e o Acampamento da Juventude, certamente destacam-se como os eventos mais impactantes devido ao público acolhido e a área de atuação. Infelizmente até hoje não houve um Estudo de Impacto Ambiental detalhado e efetivo para nenhum dos eventos propostos no Parque. Acreditamos porém que uma avaliação mínima dos impactos gerados deve ser feita, para que haja parâmetros para o planejamento e organização dos eventos. Além disso, o Estudo de Impacto Ambiental para atividades potencialmente poluidoras é lei de acordo com o artigo 71 do Código Estadual do Meio Ambiente (Anexo 1). Levando em consideração as diretrizes propostas pelo FSM 2005, de transformar os recursos que este processo capta para a sua viabilização em benfeitorias permanentes para a cidade de Porto Alegre e seus habitantes, o foco neste caso são ações que beneficiem o Parque Harmonia. Serão trabalhadas ações que visam suprir necessidades do Parque Harmonia, como: ampliação dos conhecimentos sobre o metabolismo da área através de levantamento de dados sobre os componentes bióticos e abióticos; elaboração e viabilização de ferramentas para o melhor manejo do Parque; desenvolvimento de atividades de orientação e alfabetização ambiental com a comunidade local (moradores, administradores e outros envolvidos no processo de utilização do espaço). 2

3 INFORMAÇÕES GERAIS Empreendimento: 5º Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social Mundial Local do Empreendimento Parque Harmonia, Bairro Centro Porto Alegre Identificação do empreendedor Comitê Organizador do 5º Acampamento Intercontinental da Juventude do Fórum Social Mundial Bióloga Responsável: Potira Preiss Consultor ambiental: Dilton de Castro - ecólogo Equipe de Trabalho: Michelle Guterres Acadêmica de Ciênicas Biológicas > ULBRA Thiers Wilberger Acadêmica de Ciênicas Biológicas > UNISINOS Carlos Eduardo Velho Acadêmica de Ciênicas Biológicas > ULBRA Tatiana Coelho Balbão Acadêmica de Ciênicas Biológicas > UNISINOS Felipe Drago Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo > UFRGS Tiago Eduardo Genehr Movimento Roessler para Defesa Ambiental 3

4 Itamaragiba Rodrigues - ONG Biosfera CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE INFLUÊNCIA O Parque Situado no Centro de Porto Alegre (Fig. 1), o Parque foi inicialmente chamado de Porto dos Casais e depois passou a denominar-se, pela lei n 5066, de 1981, Parque da Harmonia. Em 25 de março de 1987, pela lei municipal nº 5885, passou a chamar-se Parque Maurício Sirotsky Sobrinho. Com 97 hectares, durante o ano o Parque é mantido, freqüentado e utilizado por uma comunidade local composta por administradores, moradores de rua, esportistas, grupos religiosos, tradicionalistas, turistas, etc (Fig. 2-5). Também se caracteriza por sediar e receber durante o ano diferentes atividades, tais como o Acampamento Farroupilha em setembro e o Acampamento Intercontinental da Juventude do FSM em janeiro. A comunidade local também é composta por uma avifauna diversa (Anexo 2), pequenos mamíferos e uma vegetação (Anexo 3) parte exótica, parte nativa possuindo espécies imunes ao corte como a corticeira-do-banhado (Erythrina crista-galli) e figueiras nativas (Ficus organensis), bem como espécies ameaçadas de extinção (bromeliaceas, liliáceas,etc). Área de Especial Proteção - A Reserva A área do Parque Harmonia foi criada pelo aterramento da Orla do Guaíba. Em um dos processos de aterramento, uma ilha composta por resquícios de mata marginal do Lago Guaíba foi incorporada. A área mantém um ecossistema de banhado e de acordo com o artigo 51 do código Estadual do Meio Ambiente deve ser considerada uma área de especial proteção (Anexo 4). 4

5 Pela comunidade local do Parque a área é considerada uma Reserva (Fig. 6-8) e sustenta diversas espécies animais e vegetais que dependem da boa conservação deste ambiente. A área abriga uma vegetação de plantas nativas características de banhados e originalmente abrigava uma fauna de diversas espécies de pequenos mamíferos, aves e répteis sendo um espaço utilizado para alimentação e reprodução destes animais. A Reserva tem sofrido diferentes agressões e impactos que ao longo do tempo vem causando uma série de alterações neste sistema. A população de espécies vegetais exóticas tem aumentado gradativamente, competindo com a vegetação nativa. A dispersão da fauna também é crescente, sendo bastante raro a observação de pequenos mamíferos e répteis. Apesar de não ser permitida a circulação de pessoas neste espaço, a área é constantemente invadida por pessoas em busca de lenha para a queima e outras atividades. Tais invasões promovem a deposição de resíduos (Fig. 9) e agravam a dispersão da fauna, contribuindo para o desgaste deste ecossistema. Fig. 1 Imagem aérea IMPACTO Método de Referência Como referência para a classificação dos impactos, utilizaremos o método da Matriz de Leopold para as prováveis alterações no ambiente pelo Acampamento Intercontinental da Juventude

6 Para cada uma das 03 fases do projeto, planejamento, instalação e operação, relacionamos o fator ambiental com sua importância qualificada em 06 parâmetros: duração: se o impacto é permanente ou temporário; aspecto: se o impacto é positivo ou negativo; reversibilidade: se o impacto é reversível ou irreversível; fase de ocorrência: se o impacto ocorrerá durante o planejamento, na instalação ou operação; abrangência espacial: se o impacto é local ou regional; nível de certeza: se a ocorrência do impacto é pouco provável, provável ou certeza absoluta. Os possíveis impactos identificados para a área do parque são (Anexo 5 Matriz de Impactos). a) negativos: Alterações da Paisagem, Alteração do Padrão de Uso e Ocupação do Solo, Pisoteio na vegetação rasteira, Emissão de ruídos, Dispersão da fauna, Disposição inadequada de resíduos sólidos, Congestionamento e conseqüente aumento da emissão de gases; b) positivos: incremento na infra-estrutura do Parque (eletricidade, ampliação e melhoramento do sistema de saneamento, abastecimento de água, instalação de redes lógica, etc...), desenvolvimento das atividades econômicas, aumento da segurança do Parque e receptividade pela população. PLANEJAMENTO O planejamento de ocupação e construção do AIJ 2003 deverá levar em consideração principalmente a utilização dos espaços de acordo com as atividades 6

7 proposta. Destacamos algumas áreas e atividades que requerem um cuidado especial (Fig.10 Mapa de áreas). Área de Preservação No entorno da Área de Preservação deve ser respeitada uma área de no mínimo 30 m sem qualquer tipo de ocupação. As atividades propostas próximas à Área devem ser atividades que necessitem de pouca infra-estrutura (saneamento, eletricidade, etc...), bem como ser atividades gerem baixa emissão de ruídos. Saneamento A instalação de estruturas tais como sanitários, chuveiros e cozinhas devem ser planejada com cautela pois o Parque Harmonia possui grande deficiência no tratamento de esgotos (tanto águas cinzas como águas negras). Sistemas simples de tratamento de resíduos líquidos devem ser pensados para minimizar o impacto gerado. Espaços de Atividades A disposição dos espaços de atividade deve levar em conta a emissão de ruídos gerada, principalmente para atividades de palco e projeção que devem estar preferencialmente em locais distantes à áreas sensíveis e espaços residenciais (tanto bairros do Acampamento, como da cidade). Neste sentido, acreditamos que o espaço mais adequado para o locação de um palco seja na orla como indicado na fig. 10. Sistemas e métodos de isolamento acústico podem e devem ser pensados. Áreas alagadiças Por estar em uma região aterrada e o lençol freático ser muito raso, o solo do Parque é bastante úmido. Algumas áreas são mais alagadiças e tendem a piorar em períodos de chuva. A utilização destes espaços deve ser evitada ou usada com cautela e preferencialmente para atividades que não necessitem de estruturas construídas. Estruturas propostas Levando em conta a temporalidade do Acampamento, as estruturas propostas devem priorizar técnicas e materiais de baixo impacto ambiental tais como técnicas de bioconstrução e estruturas que não necessitam de fundações. Os espaços construídos do Parque devem ser utilizados ao máximo, diminuindo assim a demanda de recursos e impacto no local. 7

8 Fig Mapa de áreas INSTALAÇÃO Aumento da circulação de pessoas A partir de novembro o Comitê Organizador do Acampamento Intercontinental da Juventude (COA) estará freqüentando o Parque de forma mais intensa, desenvolvendo as etapas finais do processo de articulação e construção do 5º Acampamento. O aumento do fluxo de pessoas no Parque pode ser considerado como algo positivo no sentido de aumento de segurança, bem como uma aproximação maior entre o projeto do Acampamento e a comunidade local do Parque. Obras Durante a fase de implementação, uma série de obras estarão ocorrendo na área do Parque. As atividades variam desde aumento da estrutura de saneamento básico, instalação de rede elétrica e lógica até a construção dos espaços do AIJ. Entre os impactos negativos destas atividades podemos citar a remoção da cobertura vegetal existente, movimento do solo, circulação de veículos e aumento da emissão de ruídos. Como medida mitigadora à realização destas atividades deve respeitar os horários previstos pela legislação municipal, das 7 às 19h. Entre as obras, já podemos citar a construção do espaço para ser utilizado como escritório pelo COA, utilizando a tecnologia Epotec (paredes com estruturas prémoldadas) e telhado com Tetra-pak reutilizado. Após o Acampamento a estrutura ficará como patrimônio do Parque, podendo ser considerado portanto um impacto positivo. OPERAÇÃO Trânsito Respeitando o artigo XVII do decreto n Regulamento dos Parques Municipais de Porto Alegre (aprovado em 9 de março de 1998), com o objetivo de minimizar o impacto tanto no solo, como da emissão e gases e ruídos, o trânsito de veículos dentro do Parque durante o Acampamento deverá ser restringido à prestação de serviços essenciais de infraestrutura (abastecimento de alimentos, recolhimento de resíduos, etc...) e atendimentos de emergência. O trânsito nas Av. Beira Rio e Av. Augusto de Carvalho deve ser bloqueado, não só pelo possível impacto gerado pela saturação do trânsito mas também por questões de 8

9 segurança devido ao grande fluxo de pedestres esperado e pelo uso planejado para ciclovia durante o Fórum. Gestão e tratamento dos resíduos sólidos A gestão e o tratamento de resíduos durante o 5º Acampamento devem ser estruturados. As experiências desenvolvidas nos Acampamentos passados de Unidades de Triagem, Unidades de Compostagem e políticas de redução de resíduos cumprem esta necessidade e estarão sendo reeditadas pelo COA. Em anexo (Anexo 6) segue o projeto de Gestão de Resíduos para 2005 na integra. Tratamento dos resíduos líquidos O tratamento dos resíduos líquidos também deve ser pensado, tanto para águas cinzas (águas servidas dos chuveiros) como águas negras (resíduos dos sanitários e cozinha), principalmente pela carência de estruturas de saneamento básico no Parque. Os resíduos líquidos que devem receber maior atenção são os resíduos provenientes das cozinhas e praças de alimentação, assim como os resíduos dos sanitários e chuveiros. Sistemas de tratamento e filtragem podem ser elaborados e iniciativas já desenvolvidas em Acampamentos anteriores podem ser reeditadas. Sinalização e informação A sinalização do Acampamento deve levar em conta não só a facilitação do fluxo de pessoas e atividades, mas também a informação sobre áreas mais sensíveis, limites quanto a utilização dos espaços, questões de segurança e saúde (não balneabilidade do Lago Guaíba, potabilidade da água, etc...). AÇÕES PROPOSTAS Buscando evitar situações tais como as exemplificadas no Registro de Impactos e Danos em anexo (Anexo 7), e buscando compensar os impactos causados pelo 5 º AIJ, propomos algumas ações para melhoria da área do Parque. Programa de recuperação de áreas degradadas: Aumento da vegetação Tendo em vista o desmatamento que o Parque vem sofrendo propomos um incremento na vegetação através do plantio de espécies arbóreas nativas. Um 9

10 planejamento paisagístico mais de acordo com bioma do estado deve ser trabalhado. A escolha das espécies também deve levar em conta a fauna local, dando preferência a espécies cujos frutos possam servir de alimento, tais como espécimes do gênero Ficus nativas do estado (Ficus organensis, F. insipida, F. enormis) e gerivás (Syagrus romanzoffiana). Programa de Proteção Ambiental Proteção das Corticeiras A corticeira-do-banhado (Erythrina crista-galli) é nativa do estado e é espécie imune ao corte de acordo com o Art. 33, parágrafo I do Código Florestal Estadual de 21 de janeiro de Atualmente existem cerca de 8 espécimes de corticeira-do-banhado, espalhadas pela área do Parque Harmonia. Devido à importância extrema desta espécie, propomos a execução de uma proteção natural ao redor dos indivíduos do Parque. A proteção pode ser feita através do plantio de espécies arbustivas nativas (tais como as cactáceas do gênero Opuntia e Cereus) ou exóticas como a coroa-de-cristo (Euphorbia millii) evitando assim o mau trato e depredação dos indivíduos, contribuindo para a conscientização e cumprimento da Legislação Ambiental. Proteção da Área de Especial Proteção - A Reserva Com os objetivos de proteger este espaço de forma mais efetiva, propomos a substituição da cerca atual por uma nova cerca que onde seja respeitado um espaço de respiro e o transito de animais silvestres seja facilitado. Deve haver um espaço de respiro entre a cerca e a vegetação, permitindo assim um espaço mais amplo para o desenvolvimento e reprodução das espécies arbóreas, bem como a formação de uma vegetação de transição entre a vegetação da reserva e o gramado do Parque. 10

11 A cerca deve ser alocada a uma altura de cerca de 20 a 25 cm do solo permitindo a passagem de animais, incentivando assim o resgate de um corredor ecológico entre a Reserva e a Orla. Por outro lado, o transito de humanos deve ser evitado através do aumento da altura da cerca (3m de altura). Além disso propomos um manejo da vegetação da área através da gradual introdução de espécies nativas características deste ambiente e conseqüente diminuição de exóticas. Programa de Medidas Compensatórias e Mitigadoras Reaproveitamento dos resíduos orgânicos Tendo ciência da quantidade de resíduos orgânicos produzidos durante o Acampamento, bem como a grande quantidade de resíduos gerados pela manutenção do Parque Harmonia, estaremos construindo composteiras para o tratamento destes resíduos. Através da decomposição natural, os resíduos orgânicos são transformados em composto/fertilizante, proporcionando assim a ciclagem dos nutrientes. O composto gerado será utilizado para a melhoria do solo do Parque, servindo também de certa forma como medida mitigadora ao impacto causado pelo Acampamento na cobertura do solo do Parque Harmonia. A proposta visa também estimular os acampados a mudarem suas atitudes em relação aos resíduos orgânicos, através da informação e a alfabetização ambiental. Devido ao tempo que o composto necessita para amadurecer, pretendemos iniciar a construção e manutenção das composteiras no período de novembro para que o processo de decomposição possa realmente ser observado durante o Acampamento. Com a intenção de que o trabalho e os recursos investidos neste projeto tenham uma continuidade, propomos que as composteiras sejam consideradas patrimônio do Parque Harmonia e que sejam utilizadas para manutenção e melhoria do Parque. Sendo assim, este período de organização (novembro/dezembro) servirá para a orientação e conhecimento da comunidade local do Parque sobre o processo de compostagem, seus métodos, tipos de resíduos, necessidades e formas de manutenção. 11

12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Efe,M.A., Mohr, L.V., Bugoni, L. Guia Ilustrado das Aves dos Parques de Porto Alegre. Porto Alegre: PROAVES, SMAM, COPESUL, CEMAVE,

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