Objetivo. Letras Profa. Dra. Leda Szabo. Prática de Ensino de Língua Portuguesa. Prática de ensino: uma prática social

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1 Letras Profa. Dra. Leda Szabo Prática de Ensino de Língua Portuguesa Objetivo Apresentar um breve panorama do ensino e aprendizagem da língua portuguesa. Abordar o ensino e a aprendizagem da língua portuguesa no contexto do currículo por competências. Discutir o conceito de competência à luz do panorama social de nossos dias. Prática de ensino: uma prática social Personagens: professores / alunos. Cenário: sala de aula. Contexto: escola, sistema educacional, sociedade. 1

2 Os alunos: identificação Fase de vida: pré-adolescentes, adolescentes. Ensino Fundamental: de 5a. a 8a. Séries. Ensino Médio. Transformações, conflitos, transgressão. A Língua Portuguesa na Década de 1960 Ensino da Língua Portuguesa Tradição, normas do bem falar e bem escrever, Modelo: textos literários (bons autores). Aulas de Gramática (Gramática Normativa) Leitura Redação Transformações Sociais no final da década de 1960 Democratização do Ensino Alunos, provenientes das camadas menos privilegiadas economicamente, passam a ter acesso à educação. A abordagem normativa no ensino da língua materna difere muito da norma linguística da nova clientela. Consequência: insatisfação com a ineficiência do ensino do português e com os altos índices de fracasso escolar. 2

3 A Década de 1970 e a LDB Lei de Diretrizes e Bases, lei 5672/71 Objetivo geral da educação básica (ensino de primeiro e segundo graus): proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de autorrealização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania". (Art. 1 o.) A Língua Portuguesa na Década de 1970 Sobre o ensino da língua materna: No ensino de 1º e 2º graus: Estudo da língua nacional como instrumento de comunicação e como expressão da cultura brasileira.( 2º) Nomenclatura: 1 a. a 4 a. Séries: Comunicação e Expressão. 5 a. a 8 a. Séries: Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa. 2o. Grau: Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. A Língua Portuguesa na Década de 1970 Comunicação e Expressão: expressão corporal (Educação Física), expressão artística (Artes), expressão através de textos (Português). Tentativas de aproximar a linguagem da escola da linguagem do aluno para estabelecer a comunicação: livros didáticos mais ilustrados e coloridos. Conteúdo simplificado, superficial. Atividades simples, para não desmotivar o aluno. Superficialidade em detrimento da reflexão. 3

4 A Língua Portuguesa na Década de 1970 Visão utilitária da língua materna: a necessidade de profissionalizar o novo contingente de estudantes Proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de autorrealização, qualificação para o trabalho e preparo para o exercício consciente da cidadania". (Art. 1 o.) Década de 1980: nova proposta educacional Redemocratização: eleições diretas, fim da ditadura. Constituição Federal de 1988; art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Objetivos da educação LDB 5672/71 Constituição de 1988 Elemento de realização pessoa Exercício consciente da cidadania Qualificação para o trabalho Desenvolvimento da pessoa Preparo para o exercício da cidadania Qualificação para o trabalho 4

5 Década de 1980: nova proposta educacional Nova proposta educacional e o ensino da língua materna Ensino da língua materna embasado em três práticas: Leitura de textos Produção de textos Análise linguística INTERVALO Década de 1980: O trabalho com textos: leitura DIVERSIDADE DE TEXTOS Textos jornalísticos Textos literários Letras de música Quadrinhos Etc Objetivo: expor o aluno a diferentes tipos de textos, de diferentes gêneros, com diferentes funções, produtos de diferentes variedades linguísticas. 5

6 Década de 1980: O trabalho com textos: produção DIVERSIDADE DE TEXTOS Textos orais Textos escritos Textos mistos (textos escritos, pictóricos, expressão oral) Objetivo: proporcionar ao aluno diferentes formas de expressar suas experiências. Década de 1980: O trabalho com textos: produção FEITA A PARTIR DOS TEXTOS DOS ALUNOS Objetivo: Levar o aluno a reconhecer os diferentes tipos de modalidades linguísticas, adquirir a modalidade culta, sem abandonar a variedade que já dominava, mesmo se considerada errada pelos padrões normativos. Década de 1980: Problemas da nova proposta INTEGRAÇÃO DAS TRÊS PRÁTICAS Reflexão linguística: não se consegue a proposta de trabalhar a língua a partir das produções do aluno. Consequências Reflexão linguística abandonada ou Proposta normativa. 6

7 Década de 1980: Problemas da nova proposta INTEGRAÇÃO DAS TRÊS PRÁTICAS Leitura de textos: não se consegue a proposta de familiarizar o aluno com diversos tipos de texto, de diferentes gêneros: ausência de bibliotecas nas escolas, falta de material que pudesse atrair o jovem, falta de motivação do jovem. Estudos literários: limitados a aspectos históricos. Década de 1980: Problemas da nova proposta INTEGRAÇÃO DAS TRÊS PRÁTICAS Produção de textos: não se consegue a proposta de levar o aluno a expressar-se em diversas formas, em diferentes modalidades, bem como adquirir a língua de cultura. Década de 1990: Brasil conforma-se a padrões internacionais PLANO DECENAL PARA A EDUCAÇÃO ( ) Financiamento do Banco Mundial (Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento - BIRD). Educação para todos: nenhuma criança sem escola Preferência pela educação de base. 7

8 Década de 1990: Brasil conforma-se a padrões internacionais PLANO DECENAL PARA A EDUCAÇÃO ( ): Dentre as metas Incrementar em cerca de 50% os atuais níveis de aprendizagem nas matérias do núcleo comum, tomando como referência os novos padrões de conteúdos mínimos nacionais e de competências básicas a serem determinadas para o sistema. Assegurar a melhoria do fluxo escolar, reduzindo as repetências. Ampliar o atendimento de jovens e adultos. Década de 1990: Brasil conforma-se a padrões internacionais Interferência do BIRD nas decisões sobre a educação em vários países, entre os quais, o Brasil. Já na década de 1970: "Inovações educacionais": uso de alternativas inovadoras de ensino diminuição dos custos. recursos materiais mais importantes que os recursos humanos. Década de 1990: Brasil conforma-se a padrões internacionais Por esta razão, os projetos do Banco deverão privilegiar a distribuição de livros e de outros pacotes instrucionais, assim como o treinamento dos professores para a adequada utilização dos mesmos (BIRD, 1995-a, p Apud Fonseca, 1998.) 8

9 Década de 1990: Brasil conforma-se a padrões internacionais Necessidade de instrumentos legais para o cumprimento do plano decenal Lei de Diretrizes e Bases (LDB Lei 9394/1996) 2º: A educação escolar deverá vincularse ao mundo do trabalho e à prática social. Lei de Diretrizes e Bases (LDB Lei 9394/1996) O art. 9 o. Estabelece as incumbências da União. Dentre elas: I - elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; IV - estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; V - coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; Lei de Diretrizes e Bases (LDB Lei 9394/1996) VI - assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior; VII - baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; VIII - assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; IX - autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. 9

10 INTERVALO Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Necessidade de instrumentos legais para o cumprimento do plano decenal: PCN (art. 9 O. da LDB) PARÂMETROS: referências CURRICULARES > CURRÍCULO > CAMINHO NACIONAIS: válidos para todo o país Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Os Parâmetros Curriculares Nacionais nascem da necessidade de se construir uma referência curricular nacional para o ensino fundamental que possa ser discutida e traduzida em propostas regionais nos diferentes estados e municípios brasileiros, em projetos educativos nas escolas e nas salas de aula. (PCN, 5ª. a 8ª. séries, p. 4) 10

11 O currículo e os anseios da sociedade Currículo (< latim): carreira, percurso. Elaboração: setores de poder da sociedade. Objetivo: formar o ser social : o tipo de pessoa que interessa à sociedade. Caminho percorrido pelos alunos, no período de sua formação escolar, sob a orientação dos professores. O currículo e os anseios da sociedade Qual é a sociedade do século XXI? Sociedade em contínua transformação; Instabilidade econômica > risco de perda do emprego Avanço tecnológico > mudança de parâmetros. O currículo e os anseios da sociedade Que indivíduo interessa a essa sociedade do século XXI? Indivíduo capaz de adaptar-se às contínuas transformações; trabalhar em equipe; enfrentar novos problemas e resolvê-los; comunicar-se com desenvoltura; aprender sempre; não se acomodar. 11

12 Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Explicitar a necessidade de que as crianças e os jovens deste país desenvolvam suas diferentes capacidades, enfatizando que a apropriação dos conhecimentos socialmente elaborados é base para a construção da cidadania e da sua identidade, e que todos são capazes de aprender e mostrar que a escola deve proporcionar ambientes de construção dos seus conhecimentos e de desenvolvimento de suas inteligências, com suas múltiplas competências. (PCN, 5ª. a 8ª. séries, p. 5) Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa OBJETIVO DO ESTUDO DA LÍNGUA MATERNA Toda educação comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para que o aluno possa desenvolver sua competência discursiva. (PCN, 5ª. a 8ª. séries, p. 23) Competências e os PCN do Ensino Médio [...] a formação básica a ser buscada no Ensino Médio se realizará mais pela constituição de competências, habilidades e disposições de condutas do que pela quantidade de informação. [...] às escolas de Ensino Médio cabe contemplar, em sua proposta pedagógica e de acordo com as características regionais e de sua clientela, aqueles conhecimentos, competências e habilidades de formação geral e de preparação básica para o trabalho. (PCN: Ensino Médio, pp grifo nosso 12

13 Currículo por competências e reforma educacional O currículo por competências articula-se com proposta de reforma educacional patrocinada por organismos internacionais para fazer face aos desafios da sociedade do século XXI. Os PCN convocam estados e municípios à discussão sobre o assunto e a colocar em prática a nova orientação. Proposta Curricular do Estado de São Paulo Necessidade de instrumentos legais para o cumprimento do plano decenal: Proposta Curricular do Estado de São Paulo LDB: LEI 9394, de 20 de dezembro de 1996 Art. 10. Os Estados incumbir-se-ão de: V - baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. Competências e a Proposta Curricular do Estado de São Paulo Um currículo que promove competências tem o compromisso de articular as disciplinas e as atividades escolares com aquilo que se espera que os alunos aprendam ao longo dos anos.[...] que se tornem adultos preparados para exercer suas responsabilidades (trabalho, família, autonomia etc.) e para atuar em uma sociedade que muito precisa deles. (Proposta Curricular do Est. SP, p. 13) 13

14 Reorientação Curricular para o Estado do Rio de Janeiro Como a disciplina Língua Portuguesa tem como objetivo ampliar a competência discursiva do estudante, tornando-o capaz de fazer leitura crítica do mundo, interagir conscientemente, desenvolver sua autoestima e valorizar sua identidade sociocultural, é fundamental um planejamento que preveja atuação integrada entre os professores das diversas disciplinas, tanto os da área de Linguagens e Códigos quanto os de outras áreas. (p. 4) Diferentes Estados: diferentes desafios Ampliação da oferta de Educação Básica para a população residente em áreas distantes; Capacitação e formação teóricametodológica do corpo técnico que atua na educação indígena; A implantação de programa de formação do magistério indígena, em nível médio. (Conf. Est. Ed. Básica do Est. Do Acre. Nov. 2007) Avaliação da Educação Lei de Diretrizes e Bases (LDB Lei 9394/1996. Art. 9º., VI): assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior. IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) 14

15 Avaliação em vários Níveis Órgão responsável: INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira Avaliação dos cursos de Graduação Avaliação Institucional Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) Mudanças? Resultados? O sistema de avaliação da educação inserese em proposta mais ampla, como a Avaliação Educacional das Américas. Os resultados contribuirão para a solução dos problemas da educação? Bibliografia BRASIL, Secretária de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa: 5ª. a 8ª. Séries.. Brasília: MEC, BRASIL, Secretária de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa: Ensino Médio. Brasília: MEC, BRASIL, INEP. O que é o plano decenal de educação para todos: Brasília: MEC, Disponível em: o/me pdf. 15

16 Bibliografia FONSECA, Marília. O Banco Mundial como referência para a justiça social no terceiro mundo: evidências do caso brasileiro. Rev. Fac. Educ. vol.24 n.1 São Paulo Jan./Jun Disponível em GOVERNO DO ESTADO DO ACRE. Relatório da Conferência Estadual de Educação Básica do Estado do Acre. Conselho Estadual de Educação. SEE, Disponível em s/acre.pdf Bibliografia GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. Reorientação Curricular. Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Educação, Disponível em: GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Proposta curricular do Estado de São Paulo: Língua Portuguesa. (Coord. Maria Inês Fini). São Paulo: SEE, Boa Semana Profa. Dra. Leda Szabo Referência de imagens: Todas as imagens são originárias de banco de imagens. 16

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