Boletimj. Manual de Procedimentos. Legislação Trabalhista e Previdenciária. Trabalhismo. IOB Setorial. IOB Perguntas e Respostas

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1 Boletimj Manual de Procedimentos Legislação Trabalhista e Previdenciária Fascículo N o 24/2014 // Trabalhismo Transferência de empregados // IOB Setorial Saúde Telerradiologia // IOB Perguntas e Respostas Transferência de empregados Adicional Caracterização Extinção de estabelecimento - Possibilidade Mudança do local de trabalho para cidade próxima - Adicional indevido Veja nos Próximos Fascículos a Adicional de periculosidade a Aposentadoria por tempo de contribuição a Eleições Implicações trabalhistas

2 2014 by IOB FOLHAMATIC EBS > SAGE Capa: Marketing IOB FOLHAMATIC EBS > SAGE Editoração Eletrônica e Revisão: Editorial IOB FOLHAMATIC EBS > SAGE Telefone: (11) (São Paulo) (Outras Localidades) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Legislação trabalhista e previdenciária : transferência de empregados : IOB setorial : telerradiologia ed. -- São Paulo : IOB SAGE, (Coleção manual de procedimentos) ISBN Previdência social - Leis e legislação - Brasil 2. Trabalho - Leis e legislação - Brasil I. Série. CDU-34:368.4(81)(094) :331(81)(094) Índices para catálogo sistemático: 1. Brasil : Leis : Previdência social : Direito previdenciário 34:368.4(81)(094) 2. Leis trabalhistas : Brasil 34:331(81)(094) Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo, sem prévia autorização do autor (Lei n o 9.610, de , DOU de ). Impresso no Brasil Printed in Brazil Boletim IOB

3 Boletimj Manual de Procedimentos a Trabalhismo Transferência de empregados SUMÁRIO 1. Introdução 2. Concordância - Condição 3. Transferência entre empresas do mesmo grupo econômico 4. Transferência a pedido do empregado 5. Despesas com a transferência 6. Transferência para o exterior 7. Obrigações acessórias 8. Transferência - Proibição - Casos 9. Transporte de trabalhadores - Serviços em localidade diversa da residência 10. Jurisprudência 1. Introdução A transferência é caracterizada quando o deslocamento do empregado de um estabelecimento da empresa para outro implica a mudança de domicílio. Convém, no caso, distinguir domicílio de residência : Domicílio, na acepção jurídica, indica o centro ou sede de atividade de uma pessoa, o lugar em que mantêm o seu estabelecimento ou fixa sua residência com ânimo definitivo. (De Plácido e Silva) Residência, apresentando uma situação meramente de fato, é o local em que a pessoa vive, sem esse caráter definitivo ou de tê-lo como centro de atividade, advindo de permanência ou efetividade, e a intenção de mantê-la nesse sentido. (De Plácido e Silva) O empregador não pode transferir o empregado, sem sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, entretanto, não se considera transferência a que não acarretar, necessariamente, mudança de domicílio art. 468), proíbe-se ao empregador transferir o empregado, sem sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar, necessariamente, mudança de domicílio. Essa regra, no entanto, não é absoluta, admitindo exceções. Assim, em caso de real necessidade de serviço, é lícito ao empregador efetuar a transferência quando se tratar de: a) empregados que exerçam cargos de confiança; b) condição implícita ou explícita de transferência constante do contrato; c) transferência provisória; ou d) extinção do estabelecimento. 2.1 Cargo de confiança Os que exercem cargo de confiança, isto é, aqueles que exercem poder de mando amplamente, através de mandato expresso ou implícito, de modo a representarem a empresa nos atos de sua administração, estão excluídos da proibição. Por serem pessoas de confiança do empregador podem, a qualquer momento, ser removidos para lugares diversos do constante no contrato de trabalho, conforme a necessidade da empresa. 2. Concordância - Condição O local da prestação de serviços é a condição essencial e, em geral, expressamente estabelecida no contrato individual de trabalho. Em observância ao princípio da inalterabilidade do contrato (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, 2.2 Condição implícita ou explícita Verificada, no contrato de trabalho, a condição de transferência, implícita ou explícita, não há como o empregado se recusar a acatar a decisão do empregador, pois aceitou a condição no momento da celebração do contrato. Ao constar expressamente no contrato de trabalho, a condição tornou-se explícita, Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-01

4 devendo figurar na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e no livro ou ficha de registro de empregados. É implícita, quando inerente à função, por exemplo, a de viajante, a de auditor Necessidade real de serviço Mesmo quando a transferência seja condição do contrato de trabalho, sua efetivação depende da real necessidade do serviço. A Súmula nº 43 do Tribunal Superior do Trabalho (TST) dispõe: Presume-se abusiva a transferência de que trata o 1º do art. 469 da CLT, sem comprovação da necessidade do serviço. 2.3 Transferência provisória Mesmo não havendo previsão contratual expressa ou implícita, é facultado ao empregador transferir provisoriamente o empregado para outra localidade, desde que haja necessidade do serviço. Configura-se necessidade do serviço quando a presença do empregado é imprescindível, não podendo o serviço ser executado por outra pessoa Caracterização da transferência provisória Não há na legislação trabalhista qualquer dispositivo que determine as características de uma transferência provisória. Dada a omissão legal, a matéria comporta controvérsia. Alguns doutrinadores alegam que é considerada provisória a transferência efetuada para a realização de um trabalho ou serviço específico, independentemente do tempo despendido. Assim, encerrado o trabalho ou o serviço, o empregado retorna ao local de origem, findando a transferência provisória. Outros defendem que, ocorrendo a permanência do trabalhador por mais de 2 anos no local para o qual foi transferido, estaria configurado o caráter permanente da transferência. Portanto, segundo essa corrente de entendimento, provisória seria a transferência com tempo de duração inferior ou igual a 2 anos. Outros elastecem esse tempo para até 3 ou 5 anos. Entendemos, salvo melhor juízo, que o tempo de duração da transferência, isoladamente considerado, não constitui característica suficiente para conferir- -lhe o caráter provisório ou definitivo. A nosso ver, é necessária a intenção de permanência do trabalhador na nova localidade, fato este que deve ser estabelecido tácita ou expressamente entre empregado e empregador. Caso não haja esse acordo, o tempo (2 anos ou mais) pode vir a ser considerado como elemento definidor da interinidade, ou seja, um período longo de transferência denota que a intenção não foi a de estabelecer uma situação passageira e sim definitiva. Por tais razões, sugerimos que sempre que houver a necessidade de transferência do trabalhador para localidade diversa da resultante do contrato, haja acordo expresso entre as partes que estabeleça ser ela provisória ou definitiva. Para maior compreensão da questão, reproduzimos a seguir algumas decisões judiciais. Adicional de transferência - É preciso alertar para a evidência de o 3º do artigo 468 da CLT não conceituar o que seja transferência provisória ou definitiva. Mesmo assim, para se identificar uma e outra dessas modalidades de transferência, é imprescindível a utilização do fator tempo. Embora esse posicionamento reflita ampla subjetividade do intérprete, não se pode considerar definitiva transferência que dure menos de três anos, na esteira do que ministra a experiência do dia a dia de que nessa hipótese são fortes os vínculos do empregado com o município onde iniciara o trabalho. Tendo por norte o fato de a transferência para Mariópolis ter durado menos de três anos e a de Palmas mais de três anos, não pairam dúvidas de a primeira se identificar pela provisoriedade e a segunda, pela definitividade. Desse modo, resta evidenciado que a segunda transferência se distingue da primeira pela sua definitividade, implicando no descabimento do adicional, por conta do que preconiza a OJ 115 da SBDI-I. Recurso parcialmente provido [...] (TST - RR 31/ ª Turma - Rel. Min. Barros Levenhagen - DJU de ) Adicional de transferência - Alteração do local da prestação de serviços - Condição para a execução do contrato - Definitividade - Não cabimento. O toque de pedra para se verificar o direito ou não ao adicional de transferência, reside em saber se a alteração promovida é precária ou definitiva. Para tanto, irrelevante o tempo que o empregado permaneça na nova localidade. O que efetivamente importa é se a alteração foi feita com o escopo de se estender ao longo do tempo, ou se teve um objetivo certo e determinado, ainda que o seu termo final não estivesse previamente previsto. Ademais, sendo que a alteração é condição ínsita da nova função que o laborista passou a exercer por força de promoção, tendo sido respeitadas as vantagens pecuniárias, agiganta-se ainda mais a impertinência do adicional diante da definitividade do novo quadro fático delineado. (Acórdão unânime da 2ª Turma do TRT da 15ª Região - RO / Rel. Juiz Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva - DJ SP II de , pág. 3) Adicional de transferência - Duração temporal do deslocamento - Análise da provisoriedade. A transferência, que atrai o pagamento do adicional não inferior a 25% do salário, como prescreve a norma legal, há de trazer ínsita CT Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 - Boletim IOB

5 a provisoriedade, que não há de perdurar além de um período razoável. No prisma vernacular, provisório é o passageiro, transitório. Abeberando-se ao conceito da relação de emprego com a ótica voltada ao princípio do Direito do Trabalho da presunção de continuidade do contrato, tem- -se que provisoriedade significa curta duração, episódico, fugaz. Este elemento, imprescindível para o acolhimento da pretensão, mostra-se ausente nos autos, ante a própria afirmação inicial, quanto à permanência na localidade diversa da contratação (f. 4). (Acórdão da 5ª Turma do TRT da 3ª Região - RO 1.524/ Rel. Juiz Ricardo Antônio Mohallem - DJ MG de , pág. 9) Auxílio mudança - Transferência. O fato do empregado haver permanecido um ano e quatro meses no local para onde foi transferido, não é por si só causa eficiente para caracterizar a transferência definitiva. O retorno do empregado para a localidade resultante do contrato de trabalho, como ocorreu no caso vertente, comprova o caráter provisória da transferência efetivada pela empregadora. Recurso improvido no particular por unanimidade. (Acórdão do TRT da 24ª Região - RO 2.300/ Rel. Juiz João de Deus Gomes de Souza - DJ MS de , pág. 48) Observe-se que, apesar do posicionamento adotado pelo Conselho Técnico da IOB, tendo em vista a inexistência de dispositivo legal expresso que discipline o assunto, o empregador deverá acautelar-se diante da ocorrência concreta da situação ora retratada, podendo, por medida preventiva, consultar o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) ou, ainda, o sindicato da respectiva categoria profissional acerca da questão, e lembrar que caberá à Justiça do Trabalho a decisão final caso seja proposta ação nesse sentido adicional - Direito - Natureza - Discriminação O art. 469, 2º, da CLT determina que, quando o empregado for transferido provisoriamente para localidade diversa da resultante do contrato de trabalho (deslocamento que acarreta mudança de domicílio), o empregador ficará obrigado a pagar-lhe um adicional de, no mínimo, 25% de seu salário, enquanto durar a transferência. Esse acréscimo tem natureza salarial, portanto, é computado para efeito de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, desconto do Imposto de Renda na fonte, contribuições previdenciárias, depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) etc. O pagamento do adicional deve ser discriminado na folha de pagamento e no recibo de salário, de forma que fique bem caracterizado o seu pagamento e não surja a figura do salário complessivo (pagamento englobado). Importante Cumpre notar que inexiste na legislação qualquer dispositivo que exonere do pagamento do adicional de transferência aquelas empresas que estejam efetuando o ressarcimento de despesas com alimentação, moradia, transporte etc. Assim, caberá à empresa que estiver adotando esse procedimento a decisão sobre sua manutenção ou não, lembrando-se que, na hipótese de eventual reclamação trabalhista, competirá ao Poder Judiciário decidir a demanda Cargo de confiança - Direito ao adicional Uma dúvida comumente verificada no âmbito das empresas diz respeito a ser ou não devido o pagamento do adicional de transferência quando empregados que exercem cargo de confiança são provisoriamente transferidos para localidades diversas daquela da contratação. Tal dúvida se dá em virtude de esses trabalhadores já auferirem remuneração de padrão mais elevado devido às características das funções que exercem e do poder de mando que detêm. Conforme já vimos, por serem pessoas de confiança do empregador, podem, a qualquer momento, ser removidos para lugares diversos do constante no contrato de trabalho, conforme conveniência da empresa, desde que haja necessidade de serviço. A legislação determina que, enquanto durar a transferência provisória, o empregador é obrigado a pagar ao empregado um adicional de, no mínimo, 25% de seu salário. Dessa forma, entendemos que, havendo a transferência provisória, independentemente do fato de o empregado transferido exercer cargo de confiança, será devido o pagamento de adicional de transferência, uma vez que a norma legal exige apenas, para o respectivo pagamento, que a transferência seja provisória, não excetuando qualquer empregado em função do cargo exercido. Esse é também o entendimento do TST, consubstanciado na Orientação Jurisprudencial SDI-I nº 113, assim transcrita: Adicional de transferência - Cargo de confiança ou previsão contratual de transferência - Devido - Desde que a transferência seja provisória. (Inserido em ) O fato de o empregador exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória. Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-03

6 Reproduzimos, a seguir, algumas decisões judiciais acerca do assunto. [...] Adicional de transferência - De acordo com a OJ nº 113 da SDI-1 do TST, o fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória. Divergência inservível. Aplicação da Súmula nº 296 do TST e do 4º do art. 896 da CLT. Recurso não conhecido... (TST - RR / ª Turma - Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula - DJU de ) Agravo de instrumento - Recurso de revista - Adicional de transferência - O fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória (OJSBDI1 de nº 113). Estando, pois, a decisão regional em harmonia com o entendimento jurisprudencial impõe-se a ratificação do deliberado. Ademais, o procedimento para verificação de que as transferências cingiam-se a meros deslocamentos, por importar em revolvimento de fatos e provas, como cediço, é vedado em sede extraordinária (Súmula de nº 126/TST). Agravo de Instrumento a que se nega provimento. (TST - AIRR 74766/ ª Turma - Rel. Juiz conv. Ricardo Machado - DJU de ) Adicional de transferência - A OJ 113 da SDI-1/TST - Consagra que o fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência, no contrato de trabalho, não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória [...] (TST - RR 1473/ ª Turma - Rel. Min. Carlos Alberto Reis de Paula - DJU de ) [...] Adicional de transferência - Consoante a Orientação Jurisprudencial nº 113 da SBDI1 do TST, o fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória. Recurso provido... (TST - RR 1114/ ª Turma - Rel. Min. Barros Levenhagen - DJU de ) Adicional de transferência - No presente caso, o egrégio TRT de origem ao registrar que o reclamante fora transferido da agência Itapeva para a agência de Lençóis Paulista e desta para a agência de Perdeneiras, leva à conclusão forçosa de que estas ocorreram em caráter provisório, portanto, não poderia tê-lo incluído na exceção do artigo 469, 1º da CLT, apenas porque ocupante de cargo de confiança. Nesse sentido é a Orientação Jurisprudencial nº 113 da SBDI-I desta colenda Corte Superior, verbis: Adicional de transferência - Cargo de confiança ou previsão contratual de transferência - Devido - Desde que a transferência seja provisória - O fato de o empregado exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória... Recurso de revista conhecido e provido parcialmente. (TST- RR / ª Turma - Rel. Juíza conv. Maria Doralice Novaes - DJU de ) Adicional de transferência - O adicional previsto no parágrafo 3º do art. 469 da CLT é devido desde que seja provisória a remoção, pouco importando que o empregado exerça cargo de confiança ou que do seu contrato conste cláusula expressa ou implícita de transferência. Estas apenas a legitimam, não sendo suficientes, entretanto, para afastar o direito ao adicional vindicado. Sendo definitiva a transferência, torna-se indevido o adicional, não sendo esta a hipótese dos autos. - Inteligência do Precedente Jurisprudencial 113 da SDI, c. TST. (Acórdão da 1ª Turma do TRT da 3ª Região - RO 8.219/00 - Rel. Juíza Maria Cecília Alves Pinto - DJ MG de , pág. 9) Apesar do posicionamento adotado pelo Conselho Técnico IOB, tendo em vista a inexistência de dispositivo legal expresso acerca da situação daqueles que exercem cargo de confiança, o empregador deverá acautelar-se diante da ocorrência concreta da situação ora retratada, caso em que é aconselhável, por medida preventiva, consultar antecipadamente o MTE, bem como o sindicato da respectiva categoria profissional, e lembrar que caberá ao Poder Judiciário a decisão final da controvérsia caso seja proposta ação nesse sentido. 2.4 Extinção do estabelecimento Ocorrendo extinção do estabelecimento, o empregador pode transferir o empregado para outra filial da empresa, ou então para um novo estabelecimento. Note-se que, nessa hipótese, não há sujeição à existência de consentimento do trabalhador, pois o próprio fato cria a necessidade de transferência Empregado estável (não optante pelo FGTS) Tratando-se de estável, ou seja, empregado com 10 ou mais anos de serviço na mesma empresa, como não optante pelo FGTS, antes da promulgação da Constituição Federal/1988, pode recusar-se a acompanhar o empregador. Nesse caso, garante-se o direito à indenização em dobro, desde que a extinção não tenha ocorrido por motivo de força maior (CLT, art. 497). Lembramos, por oportuno, que a Súmula nº 221 do Supremo Tribunal Federal (STF) dispõe: A transferência de estabelecimento, ou a sua extinção parcial, por motivo que não seja de força maior, não justifica a transferência de empregado estável Empregado em gozo de estabilidade provisória Inexiste dispositivo legal expresso que trate da obrigatoriedade ou não de transferência de empregados com estabilidade provisória quando ocorre a CT Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 - Boletim IOB

7 extinção do estabelecimento em que trabalham. O que pode ocorrer é que aquela situação esteja prevista em documento coletivo de trabalho da respectiva categoria profissional, que deverá ser cumprido pelas partes. Ressaltamos, por oportuno, que o 2º, art. 469, da CLT preceitua que é lícita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento em que trabalhar o empregado. Assim, entendemos que, no caso de existirem outros estabelecimentos da empresa, havendo empregados estáveis provisoriamente, cuja garantia (estabilidade) seja uma vantagem pessoal, como é o caso, por exemplo, da gestante e do acidentado, e desde que possível a transferência, eles deverão normalmente, por ato do empregador, ser transferidos para outra unidade, outra filial ou outro setor da empresa. Em relação aos empregados que gozam de estabilidade que não configure vantagem pessoal, como é o caso do cipeiro e do dirigente sindical, entendemos que por representar a estabilidade uma garantia para o exercício a contento da função, a qual é exercida no âmbito da representação (empresa e município, respectivamente), extinto o estabelecimento, cessa a estabilidade, razão pela qual não há que se falar na obrigatoriedade de transferência do trabalhador para estabelecimentos remanescentes. Apesar do posicionamento adotado pelo Conselho Técnico IOB, tendo em vista a inexistência de dispositivo legal expresso acerca da situação ora retratada, bem como a existência de algumas decisões judiciais em sentido contrário, o empregador deverá acautelar-se diante da ocorrência concreta da situação em comento, caso em que é aconselhável, por medida preventiva, consultar antecipadamente o MTE, bem como o sindicato da respectiva categoria profissional, e lembrar que caberá ao Poder Judiciário a decisão final da controvérsia, caso seja proposta ação nesse sentido. 3. Transferência entre empresas do mesmo grupo econômico Nos termos da CLT, art. 2º, 2º: Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Assim, entende-se que é lícita a transferência do empregado de uma para outra empresa do mesmo grupo econômico, desde que haja sua concordância. Se as empresas estiverem na mesma localidade, e não houver a necessidade de mudança de domicílio do empregado, desde que tenha havido a previsão de que a prestação dos serviços se daria a qualquer empresa do grupo, não será necessária, por conseguinte, a concordância daquele. Isto porque, neste caso, haverá somente o deslocamento do empregado. Não existirá, também, neste caso, o direito ao adicional. 4. Transferência a pedido do empregado Na hipótese de a transferência ocorrer a pedido do empregado, seja ela provisória ou definitiva, não lhe será devido o adicional de transferência, tampouco o ressarcimento de despesas dela resultantes. 5. Despesas com a transferência As despesas com a transferência correrão por conta do empregador. Relacionam-se, entre outras, as relativas a passagens, fretes, carretos de mudança etc. 5.1 Deslocamento - Mesmo domicílio - Despesas de transporte No caso de simples deslocamento do empregado, por exemplo, mudança do local de trabalho dentro da mesma cidade, não configura transferência (mudança de domicílio). Nesse caso, o TST, por meio da Súmula nº 29, determina: Empregado transferido, por ato unilateral do empregador, para local mais distante de sua residência, tem direito a suplemento salarial correspondente ao acréscimo da despesa de transporte. Assim, se a mudança do local de trabalho acarretar aumento das despesas com transporte, a empresa deverá pagá-las ao empregado. 6. Transferência para o exterior 6.1 Lei nº 7.064/ Campo de aplicação A Lei nº 7.064/1982, com alteração introduzida pela Lei nº /2009, e o Decreto nº /1984 regulam a situação dos trabalhadores contratados no Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-05

8 Brasil ou transferidos por seus empregadores para prestar serviços no exterior. Nota Até a entrada em vigor da Lei nº /2009 ( ), o caput do art. 1º da Lei nº 7.064/1982 assim dispunha: Art. 1º Esta Lei regula a situação de trabalhadores contratados no Brasil, ou transferidos por empresas prestadoras de serviços de engenharia, inclusive consultoria, projetos e obras, montagens, gerenciamento e congêneres, para prestar serviços no exterior. [...] 6.2 Lei nº 7.064/ Exclusão Está excluído do campo de aplicação da lei, de que trata o subtópico 6.1, o empregado designado para prestar serviços de natureza transitória, por período não superior a 90 dias, desde que: a) tenha ciência expressa dessa transitoriedade; b) receba, além da passagem de ida e volta, diárias durante o período de trabalho no exterior, as quais, independentemente do respectivo valor, não se revestem de natureza salarial. 6.3 Transferência Considera-se transferido para o exterior o empregado: a) removido para o estrangeiro, cujo contrato estava sendo executado no território brasileiro; b) cedido a empresa sediada no estrangeiro para trabalhar no exterior, desde que mantido o vínculo trabalhista com o empregador brasileiro; c) contratado por empresa sediada no Brasil para trabalhar a seu serviço no exterior direitos assegurados ao empregado transferido A empresa responsável pelo contrato de trabalho do empregado transferido deve assegurar-lhe, independentemente da observância da legislação do local da execução dos serviços: a) os direitos previstos na referida Lei nº 7.064/1982; b) a aplicação da legislação brasileira de proteção ao trabalho, naquilo que não for incompatível com o disposto na citada Lei, quando mais favorável do que a legislação territorial, no conjunto de normas e em relação a cada matéria. Respeitadas as disposições especiais da Lei nº 7.064/1982, aplicam-se aos empregados as regras contidas no direito brasileiro sobre Previdência Social, FGTS e Programa de Integração Social (PIS/Pasep) Salário-base e adicional de transferência O salário-base e o adicional de transferência devem ser ajustados por escrito, entre empregado e empregador, não podendo o salário-base ser inferior ao mínimo fixado para a categoria profissional do empregado no Brasil Reajustes O salário-base fica sujeito aos reajustes e aumentos dispensados à categoria mediante documento coletivo de trabalho. Tais reajustes e aumentos, contudo, incidem apenas sobre os valores que tiverem sido ajustados em moeda nacional. Nota Embora o art. 4º, 1º, da Lei nº 7.064/1982 se refira a aumentos compulsórios previstos na legislação, atualmente inexiste dispositivo legal determinando reajustes salariais compulsórios, uma vez que estes dependem de livre negociação Forma de pagamento - Moeda estrangeira - Possibilidade O salário-base do contrato deve ser obrigatoriamente estipulado em moeda nacional, mas a remuneração devida durante a transferência do empregado, computado o adicional de transferência, poderá, no todo ou em parte, ser paga no exterior, em moeda estrangeira. Nota São asseguradas ao empregado, enquanto estiver prestando serviço no exterior, a conversão e a remessa dos correspondentes valores para o local de trabalho. 6.4 Retorno do empregado ao Brasil O retorno do empregado ao Brasil poderá ser determinado pela empresa quando: a) não se tornar mais necessário ou conveniente o serviço do empregado no exterior; b) der o empregado justa causa para a rescisão do contrato Hipóteses em que se assegura ao empregado o retorno ao Brasil O empregado, por sua vez, tem o direito de retornar ao Brasil por ocasião do término do prazo de transferência ou, antes deste, na ocorrência das seguintes hipóteses: a) após 3 anos de trabalho contínuo; CT Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 - Boletim IOB

9 b) para atender a necessidade grave de natureza familiar, devidamente comprovada; c) por motivo de saúde, conforme recomendação contida em laudo médico; d) quando der o empregador justa causa para a rescisão do contrato; e) não se tornar mais necessário ou conveniente o seu serviço no exterior Custeio do retorno Cabe à empresa o custeio do retorno do empregado ao Brasil. Contudo, quando o retorno se verificar, por iniciativa do empregado, ou quando der justa causa para rescisão do contrato, ficará ele obrigado ao reembolso das respectivas despesas, ressalvadas as hipóteses previstas no subitem anterior Vantagens indevidas O adicional de transferência, as prestações in natura, bem como quaisquer outras vantagens a que fizer jus o empregado em função de sua permanência no exterior, não serão devidas após o retorno ao Brasil. 6.5 Período de duração da transferência - Cômputo no tempo de serviço do empregado O período de duração da transferência será computado no tempo de serviço do empregado para todos os efeitos da legislação brasileira, ainda que a lei local de prestação do serviço considere essa prestação como resultante de um contrato autônomo e determine a liquidação dos direitos oriundos da respectiva cessação. 6.6 FGTS Na hipótese de liquidação de direitos mencionados no subitem 6.5, a empresa empregadora fica autorizada a deduzir esse pagamento dos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em nome do empregado, existentes na conta vinculada. Se o saldo da conta não comportar tal dedução, a diferença poderá ser novamente deduzida do saldo dessa conta quando da cessação, no Brasil, do respectivo contrato de trabalho. O levantamento pelo empregador, decorrente da dedução em comento, dependerá de homologação judicial. 7. Obrigações acessórias O empregador tomará as seguintes providências ao transferir o empregado: a) efetuará, na parte destinada a observações da ficha ou folha do livro de registro, esta anotação: Empregado transferido para (localidade) em (data), com garantia de todos os direitos trabalhistas adquiridos, onde terá o número de registro... ; b) anotará na CTPS do empregado, na parte destinada a anotações gerais, os mesmos dados referidos na letra a supra; c) encaminhará fotocópia autenticada da ficha ou folha do livro de registro, com a referida anotação, ao estabelecimento para onde o empregado foi transferido, a qual deverá ser anexada ao novo registro especificado na letra d a seguir; d) efetuará novo registro do empregado no local para o qual foi transferido, transcrevendo na ficha ou folha do livro os dados do anterior, sem modificar a data original de admissão e anotando na parte destinada a observações os seguintes elementos: Empregado transferido de... (local)... em... (data), com garantia de todos os direitos trabalhistas adquiridos, onde estava registrado sob nº.... Importante A despeito dos procedimentos ora transcritos, recomendamos consultar antecipadamente o órgão local do MTE, dada a ausência de legislação expressa sobre o assunto. 7.1 Informação na GFIP Ocorrendo a transferência do empregado, deve ser informada na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) a movimentação em questão com a data de afastamento e retorno e códigos N1, no caso de transferência para outro estabelecimento da mesma empresa, e N2, no caso de transferência para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas sem ter havido rescisão do contrato de trabalho (Manual de Instruções para preenchimento da GFIP e do Sistema Empresa de Recolhimento do Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-07

10 FGTS e Informações à Previdência Social - Sefip - para usuários do Sefip, versão 8.4, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880/2008, pela Circular Caixa nº 451/2008 e pelo Comunicado Caixa s/nº - DOU 3 de , Capítulo III, subitem 4.9). 7.2 Caged As informações sobre a transferência do empregado devem constar do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o qual, desde a competência março/2003, é enviado por meio eletrônico (Internet ou disquete) com a utilização do Aplicativo do Caged Informatizado (ACI) ou outro aplicativo fornecido pelo MTE (Portaria MTE nº 235/2003). Nota A Portaria MTE nº 768/2014, que entrará em vigor no prazo de 60 dias da data de sua puplicação (DOU 1 de ), determina, entre outras alterações, que as informações ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) relativas a admissões deverão ser prestadas: a) na data de início das atividades do empregado, quando este estiver em percepção do seguro-desemprego ou cujo requerimento esteja em tramitação; b) na data do registro do empregado, quando o mesmo decorrer de ação fiscal conduzida por Auditor Fiscal do Trabalho. O Aplicativo do Caged Informatizado (ACI) continua a ser utilizado para gerar e/ou analisar o arquivo do Caged e deve ser enviado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), via Internet, até o dia 7 do mês subsequente àquele em que ocorreu a movimentação de empregados. Ressalte-se que a cópia do arquivo, o recibo de entrega e o extrato da movimentação processada devem ser mantidos no estabelecimento a que se referem pelo prazo de 5 anos (anteriormente, o prazo era de 36 meses), a contar da data do envio, para fins de comprovação perante a fiscalização do trabalho. 7.3 Rais Os dados correspondentes serão informados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de cada estabelecimento, o qual será enviado por meio eletrônico, observadas as instruções gerais para a declaração da Rais do ano-base correspondente à movimentação ocorrida. 8. Transferência - Proibição - Casos Existem casos especiais que não admitem a transferência de empregados, por exemplo, em razão do cargo que ocupam, como acontece com o dirigente sindical e o membro titular eleito da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). Contudo, na hipótese de extinção do estabelecimento, é lícita a transferência desses empregados para outra filial da empresa. Veja, se necessário, o disposto no subitem Medida liminar É vedado transferir o empregado arbitrariamente, com o intuito de puni-lo, ou sem que haja real necessidade. O empregado que entender ser sua transferência ilegal, pode ingressar em juízo, pedindo a concessão de medida liminar, a qual, uma vez deferida, torna sem efeito a transferência do local de trabalho, até decisão final do processo. 9. Transporte de trabalhadores - Serviços em localidade diversa da residência 9.1 Comunicação ao MTE - Obrigatoriedade Para o transporte de trabalhadores contratados em qualquer atividade econômica urbana, recrutados para trabalhar em localidade diversa da sua origem, é necessária a comunicação do fato ao órgão local do MTE por intermédio da Certidão Declaratória de Transporte de Trabalhadores (CDTT), na forma da Instrução Normativa SIT nº 90/2011. Nota Considera-se, para efeito de localidade diversa de sua origem, o recrutamento que implique a mudança transitória, temporária ou definitiva de residência do trabalhador. 9.2 Aliciamento e transporte irregular de trabalhadores - Crimes - Configuração O aliciamento e o transporte irregular de trabalhadores para localidade diversa de sua origem constituem, em tese: a) crime previsto no art. 207, do Decreto-lei nº 2.848/1940 (Código Penal), quando se tratar de trabalhador nacional; e b) crime previsto no art. 125, inciso XII, da Lei nº 6.815/1980, quando se tratar de trabalhador estrangeiro. Nota As normas legais citadas nas letras a e b dispõem, respectivamente: Art Aliciar trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional: Pena - detenção de um a três anos, e multa. 1º Incorre na mesma pena quem recrutar trabalhadores fora da localidade de execução do trabalho, dentro do território nacional, mediante fraude ou cobrança de qualquer quantia do trabalhador, ou, ainda, não assegurar condições do seu retorno ao local de origem. 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. Art Constitui infração, sujeitando o infrator às penas aqui cominadas: [...] XII - introduzir estrangeiro clandestinamente ou ocultar clandestino ou irregular: CT Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 - Boletim IOB

11 Pena: detenção de 1 (um) a 3 (três) anos e, se o infrator for estrangeiro, expulsão. [...]. 9.3 Exames médicos admissionais O empregador poderá optar por realizar os exames médicos admissionais na localidade onde será prestado o serviço, caso não haja serviço médico adequado no local da contratação, desde que tal providência ocorra antes do início da atividade laboral Trabalhador inapto - Providências do empregador Na hipótese de o trabalhador não ser considerado apto para o trabalho, o empregador será responsável pelo custeio das despesas de transporte até o local de origem, bem como pelo pagamento das verbas salariais decorrentes do encerramento antecipado do contrato de trabalho. 9.4 CDTT Emissão A Certidão Declaratória de Transporte de Trabalhadores (CDTT), mencionada no subitem 9.1 (modelo anexo à Instrução Normativa SIT nº 90/2011), deverá ser devidamente preenchida e entregue nas unidades descentralizadas do MTE, ou seja, nas Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego (SRTE) ou nas Gerências Regionais do Trabalho e Emprego (GRTE) da circunscrição dos trabalhadores recrutados, acompanhada dos documentos relacionados no art. 3º da citada Instrução Normativa. A SRTE, entre outras providências: a) receberá uma via da CDTT, devolvendo outra via ao empregador devidamente protocolada; b) formará processo a partir do recebimento da documentação, encaminhando-o à SRTE da circunscrição onde ocorrerá a prestação dos serviços, para que a situação seja analisada e, quando necessário, ocorra o devido acompanhamento in loco das condições de trabalho Empregador - Exibição à fiscalização do MTE O empregador, ou seu preposto, deverá manter cópia da CDTT à disposição da fiscalização, juntamente com a cópia da relação nominal dos trabalhadores recrutados: a) durante a viagem, no veículo de transporte dos trabalhadores; e b) no local da prestação de serviços Transporte de trabalhadores sem a CDTT - Consequências Identificado o transporte de trabalhadores sem a CDTT, o Auditor Fiscal do Trabalho comunicará o fato imediatamente à Polícia Rodoviária Federal e à Polícia Rodoviária Estadual, diretamente ou através de sua chefia imediata, ao tempo em que adotará as medidas legais cabíveis e providenciará relatório contendo a identificação do empregador, dos trabalhadores e demais dados relativos aos fatos apurados. A chefia da fiscalização encaminhará o relatório ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Trabalho para as providências aplicáveis ao aliciamento e transporte irregular de trabalhadores. 10. Jurisprudência Adicional de transferência. Maringá. Exercício de cargo de confiança e/ou existência de previsão contratual. irrelevância. Adicional devido. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do adicional é a transferência provisória, visto que o legislador não faz nenhuma outra exigência e, muito menos, qualquer diferenciação quanto aos destinatários de referida parcela salarial. Assim, o fato de o empregado exercer cargo de confiança, ou de seu contrato prever, implícita ou expressamente, a possibilidade de sua transferência para localidade diversa da que resultar do contrato, não é óbice capaz de afastar a obrigação patronal de pagar o adicional. Esta é a dicção lógica que se extrai do artigo 469 da CLT. Recurso de revista conhecido e desprovido quanto ao tema. (Acórdão unânime da 5ª Turma do TST - RR / Rel. Juiz conv. Marcus Pina Mugnaini - DJU de ) Direito do trabalho. Alteração do local de trabalho. Transferência. Provisoriedade e definitividade. Caracterização. É considerada definitiva a transferência que, além das circunstâncias sociais e familiares que a cercaram, perdurou por três anos e só foi interrompida pela extinção do contrato de trabalho, não fazendo jus o empregado, ao adicional respectivo. Recurso de revista conhecido, em parte, e provido. (Acórdão unânime da 5ª Turma do TST - RR / Rel. Juiz conv. Aloysio Santos - DJU de ) [...] Adicional de transferência - Integração natureza jurídica. [...] 2) Não se vislumbra violação ao artigo 469, 3º, da CLT, porque o adicional de transferência possui natureza salarial e, enquanto percebido pelo empregado, integra o salário para todos os efeitos legais. Embargos não conhecidos. (Acórdão unânime da SBDI 1 - ERR / Rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi - DJU de ) [...] Adicional de transferência. Quando não há transferência definitiva, é devido o adicional de transferência para o empregado que exerce função de confiança. Incidência da Orientação Jurisprudencial nº 113 da SBDI-1 deste TST [...] (Acórdão unânime da 2ª Turma do TST - RR / Rel. Min. José Simpliciano Fernandes - DJU de ) Adicional de transferência. Diárias. Compensação. Violação ao art. 469, 3º, da CLT. 1. O direito ao pagamento de adicional de transferência, em caso de remoção provisória do empregado, não se compensa mediante o pagamento de diárias de viagem, pois se cuida de contraprestações pecuniárias de finalidade e natureza jurídica diversas. Ade- Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-09

12 mais, o acolhimento de compensação das parcelas supõe necessariamente argüição em contestação. 2. Embargos conhecidos, por violação ao artigo 896 da CLT, e providos. (Acórdão unânime da SBDI 1 - ERR / Rel. Min. João Oreste Dalazen - DJU de ) [...] Adicional de transferência. Nos termos da iterativa e atual jurisprudência desta Corte, consubstanciada na Orientação Jurisprudencial nº 113 da c. SDI, a provisoriedade constitui o pressuposto legal apto a legitimar a percepção do adicional de transferência. Caracterizada como definitiva a transferência do Reclamante, revela-se indevido o pagamento do adicional respectivo. Revista parcialmente conhecida e, em parte, provida. (Acórdão unânime da 2ª Turma do TST - RR / Rel. Min. José Simpliciano Fernandes - DJU de ) [...] Adicional de transferência. Empresa do ramo da construção civil. Tendo em vista o ramo de atividade da empresa, na qual se exige a transferência dos empregados para diversos locais, em função do desenvolvimento das obras, a natureza da transferência só pode ser provisória. O fato de o Reclamante manter sua residência no local onde iniciou a prestação dos serviços, apenas corrobora o caráter provisório da transferência, mormente pela circunstância de pernoitar o Obreiro nas instalações da Reclamada. Recurso de Revista parcialmente conhecido e provido. (Acórdão unânime da 2ª Turma do TST - RR / Rel. Min. José Simpliciano Fernandes - DJU de ) Recurso de revista. Adicional de transferência. Cargo de confiança. A decisão, sobre o entendimento de que o art. 469 da CLT não exclui o direito à percepção do adicional de transferência, no caso do empregado que exerça cargo de confiança, tem conformidade com a orientação jurisprudencial desta Corte (OJ nº 113 da SDI/TST). No caso do acórdão recorrido, não se afirma ser definitiva a transferência do Reclamante. Tampouco se fala em transferência resultante de promoção concedida ao demandante ou em cláusula contratual de removibilidade. Incidência do Enunciado nº 333 do TST. Recurso não admitido [...] (Acórdão unânime da 5ª Turma do TST - RR / Rel. Juiz conv. Guedes de Amorim - DJU de ) Adicional de transferência. A sentença entendeu que a transferência não foi definitiva, logo, o reclamante teria direito à percepção do adicional de transferência. De fato, o adicional de transferência não é devido para as diferenças definitivas. Saliente-se, ainda, que o adicional é devido quando se tem a transferência da residência, ou seja, tem-se a mudança do aspecto objetivo (= da moradia) do trabalhador, contudo, sem a mudança de seu domicílio. O que comprova que a transferência não foi definitiva é o fato de que o autor sempre retornava a cidade do Rio de Janeiro. Nesse sentido, vide os documentos relativos a despesas de viagens. Portanto, mantém-se a condenação quanto ao pedido de adicional de transferência. (Acórdão unânime da 4ª Turma do TRT da 2ª Região - RO Rel Juiz Francisco Ferreira Jorge Neto - DJ SP de , pág. 83) a IOB Setorial Telerradiologia 1. Introdução Saúde Assim como em outros setores de atividade, o constante desenvolvimento de novas técnicas de informação e comunicação tem facilitado o intercâmbio de informações. Tal avanço também se verifica entre médicos e entre estes e os pacientes. Entretanto, a despeito das consequências positivas da telerradiologia, existem muitos problemas éticos e legais decorrentes de sua utilização. As informações sobre o paciente identificado só podem ser transmitidas a outro profissional com prévia permissão do paciente, mediante seu consentimento livre e esclarecido e sob rígidas normas de segurança capazes de garantir a confidencialidade e a integridade das informações. O médico que exerce a radiologia a distância, sem contato com o paciente, deve avaliar cuidadosamente a informação que recebe e só pode emitir o relatório radiológico ou tomar decisões médicas se a qualidade da informação for suficiente e adequada ao caso em questão. 2. Definição Define-se telerradiologia como o exercício da medicina, onde o fator crítico é a distância, utilizando a transmissão eletrônica de imagens radiológicas com o propósito de consulta ou relatório CT Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 - Boletim IOB

13 3. Infraestrutura tecnológica Os serviços prestados pela telerradiologia deverão ter a infraestrutura tecnológica apropriada e obedecer às normas técnicas e éticas do Conselho Federal de Medicina (CFM) pertinentes a guarda, manuseio, transmissão de dados, confidencialidade, privacidade e garantia do sigilo profissional. 4. Consentimento A transmissão dos exames por telerradiologia deverá ser acompanhada dos dados clínicos necessários do paciente, colhidos pelo médico solicitante, para a elaboração do relatório. O paciente deverá autorizar a transmissão eletrônica das imagens e de seus dados por meio de consentimento informado, livre e esclarecido. 5. Profissional especialista Para efeitos de transmissão de exames e relatório a distância, são reconhecidos como especialista os profissionais com registro específico no respectivo Conselho Regional de Medicina (CRM), nas especialidades ou áreas de atuação indicadas nos subitens seguintes. 5.1 Especialidades a) radiologia e diagnóstico por imagem; b) diagnóstico por imagem: b.1) atuação exclusiva em ultrassonografia geral; b.2) atuação exclusiva em radiologia intervencionista e angiorradiologia; c) medicina nuclear. 5.2 Áreas de atuação a) angiorradiologia e cirurgia endovascular; b) densitometria óssea; c) ecografia vascular com doppler; d) mamografia; e) neurorradiologia; f) radiologia intervencionista e angiorradiologia; g) ultrassonografia em ginecologia e obstetrícia. 5.3 Suporte diagnóstico a distância Em caso de radiologia geral não contrastada, exceto mamografia, e em caso de emergência, quando não existir médico especialista na cidade, o médico responsável pelo paciente poderá solicitar ao médico especialista o devido suporte diagnóstico a distância. Nos demais exames, obrigatoriamente, deverá haver a presença do médico especialista no local da sua execução. 5.4 Responsabilidade A responsabilidade profissional do atendimento cabe ao médico especialista assistente do paciente, que realizou o exame. O médico especialista que emitiu o relatório a distância é solidário nesta responsabilidade. 5.5 Infração ética - Apuração A apuração de eventual infração ética desses serviços será feita pelo Conselho Regional da jurisdição onde foi realizado o procedimento. 5.6 Identificação Na emissão do relatório deverá constar o número do registro médico, nos respectivos CRM, dos médicos envolvidos no atendimento. 6. Pessoa jurídica - Inscrição no CRM As pessoas jurídicas que prestarem serviços em telerradiologia deverão inscrever-se no Cadastro de Pessoa Jurídica do Conselho Regional de Medicina do Estado onde estão situadas, com a respectiva responsabilidade técnica de um médico com título de especialista em radiologia e diagnóstico por imagem, regularmente inscrito no Conselho Regional, e a apresentação da relação dos demais médicos especialistas componentes do quadro funcional. 7. Medicina nuclear Para atividades específicas e únicas em medicina nuclear, o responsável técnico deverá ser médico portador de título de especialista em medicina nuclear, devidamente registrado no CRM e autorizado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). 8. Prestador pessoa física No caso do prestador ser pessoa física, este deverá ser médico portador de título de especialista ou certificado de área de atuação, conforme item 5, devidamente registrado no CRM da sua jurisdição. (Resolução CFM nº 1.890/2009) N Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-11

14 a IOB Perguntas e Respostas Transferência de empregados Adicional 1) A transferência do empregado para outro estabelecimento da empresa pode ser feita provisoriamente, ainda que o contrato de trabalho não tenha cláusula que preveja essa condição? O que caracteriza transferência provisória? É facultado ao empregador transferir provisoriamente o empregado para outra localidade, desde que haja necessidade do serviço, mesmo não prevendo expressa ou implicitamente o contrato. Configura-se necessidade do serviço quando a presença do empregado é imprescindível, não podendo o serviço ser executado por outra pessoa. Cabe salientar que, enquanto durar a transferência provisória, o empregador obriga-se a pagar ao empregado um adicional de, no mínimo, 25% de seu salário. O referido adicional tem natureza salarial, portanto, é computado para efeito de férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, desconto do Imposto de Renda na fonte, contribuições previdenciárias, depósito do FGTS etc. O pagamento do adicional deve ser discriminado na folha de pagamento e no recibo de salário, de forma que fique bem caracterizado o seu pagamento e não surja a figura do salário complessivo (pagamento englobado). Inexiste na legislação qualquer prazo para se caracterizar a transferência como provisória. Assim, entende-se que provisório deve ser aquele tempo necessário para a realização de determinado serviço. Por sua vez, a execução desse serviço deverá exigir a presença do empregado a ser transferido, não se admitindo que possa ser realizado por outra pessoa. Dessa forma, entende-se que o fato de o empregado permanecer por mais de 1 ano no local para onde foi transferido, por exemplo, não é por si só causa eficiente para caracterizar a transferência definitiva. O retorno do empregado para a localidade resultante do contrato de trabalho comprova, via de regra, o caráter provisório da transferência. Contudo, esse posicionamento não é pacífico, existindo, de outro lado, quem entenda estar caracterizada a transferência definitiva do empregado que permanecer no novo local de trabalho por tempo superior a 1 ano. Conclui-se, assim, que cada caso em concreto deva ser verificado com cautela, para que se possa analisar se a transferência é realmente provisória ou definitiva. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, art. 469, 3º) Caracterização 2) O empregado que exerce cargo de confiança pode ser transferido? Sendo a transferência provisória, terá direito ao adicional? Sim. Ao empregador é lícito efetuar a transferência quando se tratar de empregados que exerçam cargos de confiança, isto é, aqueles que exercem poder de mando amplamente, por meio de mandato expresso ou implícito, de modo a representarem a empresa nos atos de sua administração. Havendo transferência provisória, independentemente do fato de o empregado transferido exercer cargo de confiança, será devido o pagamento do adicional de transferência de, no mínimo, 25% de seu salário, tendo em vista que a norma legal exige apenas, para o respectivo pagamento, que a transferência seja provisória, não excetuando qualquer empregado em função do cargo exercido. Nesse sentido, é o entendimento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), consubstanciado na Orientação Jurisprudencial SDI-I nº 113, que assim dispõe: Adicional de transferência - Cargo de confiança ou previsão contratual de transferência - Devido - Desde que a transferência seja provisória. (Inserido em ) O fato de o empregador exercer cargo de confiança ou a existência de previsão de transferência no contrato de trabalho não exclui o direito ao adicional. O pressuposto legal apto a legitimar a percepção do mencionado adicional é a transferência provisória. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, art. 469, 1º e 3º) CT Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 - Boletim IOB

15 Extinção de estabelecimento - Possibilidade 3) A empresa que extinguiu sua filial poderá transferir os empregados para a matriz, que se situa em local próximo do extinto estabelecimento? Sim. A princípio, é vedado ao empregador transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio. Entretanto, considera-se lícita a transferência quando ocorrer extinção do estabelecimento em que trabalhar o empregado. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, art. 469, 2º) Mudança do local de trabalho para cidade próxima - Adicional indevido 4) Quando ocorre mudança do local de trabalho para cidade próxima, sem alteração de domicílio do empregado, é devido o pagamento de algum adicional? Não. A mudança do local de trabalho para cidade próxima, sem alteração do domicílio, não se considera transferência, devendo apenas a empresa fazer uma anotação no contrato de trabalho, bem como na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), mencionado o novo endereço. Nessa hipótese, ou seja, na simples mudança de endereço da empresa, salvo previsão em contrário no documento coletivo, não é devido nenhum adicional salarial ao empregado, visto não se tratar de transferência deste, especificamente. Contudo, a empresa deve custear a despesa de transporte que o empregado despender a mais, em virtude de tal alteração, que poderá ser através do vale-transporte. Caso contrário, ou seja, havendo necessidade de o empregado mudar o seu domicílio para outra localidade, mesmo assim, não terá direito ao adicional salarial se a transferência se der em caráter definitivo, situação em que as despesas com transferência correrão por conta do empregador. Ressalta-se que só existirá obrigatoriedade de pagamento de adicional de transferência caso a transferência do empregado seja transitória. (Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, art. 469, caput e 3º, e art. 470; Lei nº 7.418/1985, art. 1º) Boletim IOB - Manual de Procedimentos - Jun/ Fascículo 24 CT24-13

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