Tribunal de Contas da União Dados Materiais: Decisão 41/96 - Plenário - Ata 05/96 Processo nº TC 010.652/95-7 Interessado: Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul - Dr. Vilson Farias. Entidade: Banco do Brasil S.A Relator: Ministro IRAM SARAIVA Representante do Ministério Público: Não atuou Unidade Técnica: 8ª SECEX Especificação de "quorum": Ministros presentes: Homero dos Santos (na Presidência), Adhemar Paladini Ghisi, Paulo Affonso Martins de Oliveira, Iram Saraiva (Relator), Humberto Guimarães Souto, Bento José Bugarin e o Ministro José Antonio Barreto de Macedo. Assunto: Pedido de Informação Ementa: Requerimento formulado por Promotor de Justiça. Solicitação de Inspeção no Banco do Brasil em Pelotas RS. Irregularidades envolvendo orizicultores inadimplentes e infiéis depositários. Conhecimento do documento como pedido de informação. Arquivamento. Data DOU: 04/03/1996 Página DOU: 3542 Data da Sessão: 07/02/1996 Relatório do Ministro Relator: Grupo II - Classe VII - Plenário TC 010.652/95-7 Natureza: Pedido de Informação Interessado: Vilson Farias - Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul.
Ementa: Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul. Solicitação de Inspeção no Banco do Brasil de Pelotas/RS acerca de possíveis irregularidades envolvendo orizicultores. Conhecimento como pedido de informação. Encaminhamento de cópia de documento e Decisões referentes a processo de denúncia que abrange a matéria apurada por este Tribunal. Arquivamento. Em exame expediente encaminhado pelo Dr. Vilson Farias, Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul, no qual o interessado solicita a realização de inspeção na agência do Banco do Brasil de Pelotas/RS, para apuração de possíveis irregularidades envolvendo os orizicultores, requerendo que o relatório da mencionada inspeção seja enviado àquela Promotoria para análise sob o ponto de vista criminal. 2. Para tanto, apresenta documentação referente às transações de arroz por parte dos orizicultores daquele Município junto ao referido agente financeiro. 3. Informa, ainda, que foi instaurado inquérito policial na 1ª Delegacia de Polícia do Município de Pelotas/RS. 4. A SECEX/RS, por despacho, juntou aos autos cópia da Decisão nº 101/95 - Plenário e do Relatório e Voto que a fundamentaram (TC 013.092/93-6, Ministro-Relator: Adhemar Paladini Ghisi), a qual trata de denúncia acerca de desvio de estoque de arroz "egefado", beneficiado pela Política de Garantia de Preços Mínimos, sob a forma de Empréstimo do Governo federal - EGF. 5. Informa, ainda, o titular da SECEX/RS que os trabalhos referentes ao TC 013.092/93-6 bem como o de nº 625.310/93-4 envolvem matérias que tratam de arroz depositado com EGF (Empréstimo do Governo Federal) e AGF (Aquisição do Governo Federal), orizicultores inadimplentes e infiéis depositários, estoques reguladores, CONAB e Banco do Brasil S.A. 6. Ao dar prosseguimento à instrução do feito, os autos foram encaminhados à 8ª SECEX, cuja instrução opina pelo não conhecimento da solicitação, uma vez que o artigo 71 da Constituição Federal e art. 38 da Lei 8.443/92 c/c o artigo 184 do Regimento Interno do Tribunal prevêem como requisito essencial para acolhimento de solicitação de Auditorias e Inspeções que a mesma tenha sido encaminhada pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, por suas comissões técnicas ou de inquérito, ou pela Comissão Mista Permanente a que se refere o 1º do art. 166 da Constituição Federal.
7. Por outro lado, a análise dos elementos acostados aos autos, efetivada pela 8ª SECEX, levou à constatação da impossibilidade de acolhimento do pleito como denúncia, uma vez que não foram apresentados indícios que viabilizassem o enquadramento nos arts. 212 e 213 do Regimento Interno. 8. De fato, a instrução verificou que se tratava de ofícios da Promotoria do Ministério Público do Rio Grande do Sul dirigidos a estabelecimentos de armazenagens, solicitando informações acerca da quantidade e qualidade dos estoques de arroz em AGF (Adquiridos do Governo Federal) por eles armazenados, sendo que, dentre os diversos destinatários, apenas 01(um) respondeu que armazenava arroz em AGF de baixa qualidade. 9. Desta forma, a Unidade Técnica opina no sentido do não acolhimento da solicitação, uma vez que não preenche requisitos legais e regulamentares, propondo, também, o arquivamento dos autos e comunicação ao Sr. Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul do inteiro teor da Decisão que for proferida, bem como do Relatório e Voto que a fundamentarem. É o Relatório. Voto do Ministro Relator: Trata-se de solicitação de inspeção no Banco do Brasil de Pelotas/RS proveniente do Ministério Público do Rio Grande do Sul, com a finalidade de apurar possíveis irregularidades envolvendo orizicultores junto ao referido Agente Financeiro. 2. Registre-se, a princípio, que a solicitação de que trata os presentes autos não preenche os pressupostos estabelecidos no art. 71, VII, da Constituição Federal e no artigo 38, incisos I e II, da Lei nº 8.443/92, como bem o frisou a Unidade Técnica. 3. Ademais, a documentação encaminhada pelo requerente não é suficiente para atender, a contento, a presente solicitação. 4. Todavia, este Tribunal tem acatado, com base no artigo 26, inciso I, alínea " b", da Lei 8.625, de 12.02.93 -Lei Orgânica Nacional do Ministério Público-, pedidos provenientes desta Instituição, a exemplo da Decisão 108/93- Plenário, Ata 11/93, TC 225.216/92-2, Ministro-Relator Luciano Brandão Alves de Souza; e da Decisão 498/93- Plenário, Ata 55/93, TC 008.123/93-4, Ministro-Relator Fernando Gonçalves. 5. Com efeito, o referido estatuto prevê que o Ministério Público poderá, no exercício de suas funções, " requisitar
informações, exames periciais e documentos de autoridades federais, estaduais e municipais, bem como dos órgãos e entidades da administração direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para instaurar inquéritos civis e outras medidas e procedimentos administrativos pertinentes." 6. Há de ser ressaltado, ainda, que a matéria já mereceu a atenção desta Corte quando da apuração de denúncia formulada pelo, então, Deputado Jackson Pereira, protocolada sob o TC nº 013.092/93-6 e juntada às contas de 1994 do Banco do Brasil, em Decisão de 08.03.1995, conforme registrado pela instrução. 7. Naquela oportunidade, comprovada a denúncia, foi determinado ao Agente Financeiro a alteração de procedimentos e condutas com base em verificação realizada pelo Banco Central/Delegacia Regional de Porto Alegre, em cumprimento à Decisão deste Tribunal, oportunidade em que se vistoriou agências do Banco do Brasil situadas na praça de Pelotas e em outros municípios do estado do Rio Grande do Sul. 8. Desta forma, como o assunto já foi objeto de análise no âmbito desta Corte, entendo que o expediente poderá ser recebido como pedido de informação, para remeter ao requerente cópia do documento de fls. 47 a 69 do TC 013.092/93-6 e das Decisões Plenárias nºs 101/95 e 515/95 juntamente com os Relatórios e Votos que as fundamentaram, conforme levantamento complementar realizado no meu Gabinete. Em razão do exposto, VOTO por que seja adotada a Decisão que ora submeto à deliberação deste Egrégio Plenário. Decisão: O Tribunal Pleno, diante das razões expostas pelo Relator, DECIDE: 1 - conhecer do pedido em pauta como pedido de informação; 2 - encaminhar ao requerente cópia do documento de fls. 47 a 69 do TC 013.092/93-6 e das Decisões Plenárias nºs 101/95 e 515/95 juntamente com os Relatórios e Votos que as fundamentaram, como também cópia dos presentes Relatório, Voto e Decisão; 3 - determinar o arquivamento destes autos. Indexação: Requerimento; Promotor de Justiça; Banco do Brasil SA; Pelotas RS; Inspeção; Estoque; Produto Agropecuário; Empréstimo; Recursos
Federais; Política Governamental; Informação;