Massivamente poderoso Por: Ricardo Fernandes A Merging acaba de lançar a versão de software Pyramix 6 que complementa uma nova arquitectura hardware já demonstrada, com o motor MassCore e a superfície de controlo Ramsés MSC. Esta nova geração do sistema Pyramix vem subir a fasquia da pós-produção e broadcast para um nível verdadeiramente espantoso. Capacitado para lidar com mais de 256 canais de entrada e outros tantos de saída, com DSP para todos os processamentos a funcionarem nesses canais em simultâneo, possibilidades de expansão num sistema de rede com bases de dados e controladores interligados em diferentes localizações, pronto a trabalhar em DSD com 48 canais, quando até ao momento o nível mais elevado era de 16, e com unidades de gravação e reprodução de vídeo, com suporte para formato SD e HD (V-Cube) integradas, a Merging decididamente surpreendeu o mercado. A Merging Technologies tem vindo a mostrar a nova versão 6 do sistema Pyramix que, já na versão anterior, se tornou uma ferramenta de estúdio altamente Kenneth Barnsley, responsável internacional pelas vendas e marketing da Merging Technologies é o melhor interlocutor que se pode desejar para uma apresentação das soluções da marca suíça considerada em alguns dos melhores estúdios de gravação de música clássica, broadcast e pós-produção do mundo. Este Pyramix Virtual Studio agora actualizado é composto por uma série de ferramentas que integram a mistura de áudio digital, processamento de efeitos, gravação e edição em disco rígido, para além de masterização em CD, DDP e DSD totalmente sem precedentes. Tivemos a possibilidade de assistir a uma apresentação do novo sistema nos estúdios da Sound Station que já eram clientes do anterior sistema Pyramix 5.1, na presença de José Raposo da parte do estúdio, António Vieira da AuvidCientífico, e Kenneth Barnsley, responsável internacional por vendas e marketing da Merging. Se podemos abordar este sistema como uma evolução do Pyramix que já existia no mercado, então impõe-se a pergunta sobre quais são os principais upgrades. MassCore Antes de mais temos o motor MassCore, uma tecnologia que tira partido dos novos processadores Dual e Quad Core de uma forma única, gerindo e criando prioridades de acesso da aplicação aos mesmos, eliminando dessa forma a primazia de acesso do sistema operativo aos núcleos do processador e por consequência toda uma série de constrangimentos criados pelo mesmo, nomeadamente a nível de latências, e libertando todo o poder dos novos processadores para tarefas inerentes ao processamento, edição e mistura de áudio digital, no seio da aplicação. Um elemento fundamental é que o novo software Pyramix 6 está totalmente preparado para sustentar plug-ins VST (para além dos plug-ins nativos VS3) nas entradas, saídas, seja onde for. Com tudo a que o VST dá direito, mas que com o MassCore está elevado a uma potência inovadora, como nos afirmou Kenneth Barnsley: O MassCore em conjunto com uma única placa Mykerinos dá-nos um potencial de processamento idêntico à capacidade de processamento de 17 placas Mykerinos. Preparámos a operação como um standard em 256 In e 256 Out, que se traduz não apenas em I/O mas também em poder de processamento. É que com este sistema ficámos preparados para sustentar todos estes canais a funcionar em simultâneo com todas as equalizações, dinâmicas e efeitos. Isto é poder de processamento. Já em data posterior a esta conversa com Ken Barnsley, onde ainda estávamos 38 produçãoáudio fevereiro 2008
O Pyramix privilegia a funcionalidade, permitindo ao técnico de som decidir como é que pretende trabalhar sem lhe dizer que necessita trabalhar de uma forma específica. Um sistema aberto, desenvolvido através de uma ampla convergência, seguindo uma tendência clara desta indústria É a primeira vez em mais de 20 anos de carreira que não preciso ouvir falar em limitações de capacidade de processamento. Esse foi sempre um problema presente. A tecnologia MassCore é verdadeiramente poderosa no sentido do que conseguimos atingir, afirma Kenneth Barnsley perante a versão beta do novo Pyramix, ficámos a saber, através da AuvidCientifico, (distribuidor da nacional da Merging) que o Masscore pode suportar mesmo até 768 entradas/saídas, o que viria a ser confirmado pela informação divulgada na nova release e onde se afirma que o MassCore é um motor de mistura totalmente novo para o Pyramix, sendo capaz de 384 E/S Live (768 simultâneas) a 1fs. Segundo nos confirmou António Vieira da Auvid, os testes foram feitos numa máquina Quad Core, recorrendo ao processamento de um só núcleo (MassCore instalado nesse core + 1 placa Mykerinos), conseguindo-se 768 canais a 48kHz (384 canais de entrada e 384 canais de saída) com todo o restante processamento. Agora, imagine-se o que vai ser possível fazer com os outros núcleos disponíveis de um Quad Core... Software e hardware Tendo em conta que a versão do software Pyramix V6.0 ainda estava em versão beta, a apresentação a que pudemos assistir concentrou-se essencialmente sobre a nova arquitectura do sistema que acompanha este lançamento. No entanto, não queremos deixar de partilhar aqui algumas das características já oficialmente confirmadas pela Merging para esta versão de software V6.0 (ver caixa Pyramix V6). Acima de tudo, como realçava Kenneth Barnsley, temos a integração do MassCore, permitindo tirar partido de um novo motor de mistura significativamente mais potente, permitindo maiores configurações de canais de mistura e a nível de I/O e/ou frequências de amostragem mais elevadas e mais plug-ins em tempo O Pyramix é o único sistema comercialmente disponível no mercado capacitado para lidar com 48 canais DSD masterizáveis em Super Audio CD real. Uma das novidades confirmadas e há muito aguardadas pela comunidade de utilizadores é a total compatibilidade com plug-ins VST e VS3 com compensação total de delay. Estes plug-ins podem ser inseridos tanto nos strips, como em busses de saída (auxiliares incluídos) e incluem suporte multicanal. De resto, a nova versão de software, acompanhando a nova integração hardware, reflecte melhoramentos a nível de automação de processos, suporte para inserts externos de efeitos e novas capacidades de monitorização (externals/talkbacks/volume Dim&Max), introdução de delay para compensação da latência de LCD s e plasmas, entre outras novidades. Menos visível mas fundamental nesta versão é a introdução de novos algoritmos SRC optimizados (conversão de frequência de amostragem) que permitem acompanhar a superior capacidade do sistema de processamento MassCore. Em termos de funcionalidades, a versão 6.0 que já irá correr em Windows Vista, acrescenta capacidade de importar ficheiros de imagem Pyramix CD, gerir janelas em formato Windows Tabs, é capaz de detectar ficheiros áudio com frequências de amostragem diferentes do projecto actual, acrescenta um novo painel de panorâmicas Surround e ainda um novo Meterbridge onde podem ser visualizados todos os níveis relativos aos canais da configuração em uso, para além de outras funcionalidades de monitorização visual a nível de automação e status da consola virtual. Com o lançamento desta versão, a Merfevereiro 2008 produçãoáudio 39
Kenneth Barnsley, António Vieira e José Raposo no final do encontro onde nos brindaram com a apresentação da nova fasquia do mercado, o Pyramix 6 O estúdio Sound Station, não aplicando a totalidade do sistema da Merging, acaba por ser um belíssimo exemplo da flexibilidade deste sistema aberto a outras marcas de consolas e controladores ging confirmou já também que irá estar disponível um novo Pyramix Native Pack, a versão exclusivamente de software dependente da CPU do computador, mas que mesmo assim terá capacidades expandidas a 96 entradas/saídas (a versão 5 estava limitada a um máximo de 8 entradas e saídas e 24 pistas audíveis), existindo uma versão Broadcast Pack Native limitada a 24 E/S. Sphynx 2 Masterizar em SACD? Como dizíamos atrás, esta sessão que decorreu em Lisboa concentrou-se sobre a apresentação dos novos componentes que estão na base do novo Pyramix 6, nomeadamente no motor MassCore e na nova superfície de controlo Ramsés MSC. O MassCore é uma plataforma de arquitectura completamente nova, especialmente desenhada pela Merging Technologies de forma a oferecer um motor áudio em tempo real, completamente previsível e sem estar dependente de sistemas operativos como o próprio Windows, apesar do software Pyramix, em si, correr numa estação de trabalho Windows 2000, XP ou Vista. Separando os processos lógicos do sistema operativo das funções críticas do motor de áudio, o Pyramix utiliza o Windows apenas para as funções de interface e compatibilidade de ficheiros. Com o MassCore ficam assim ultrapassadas as latências inerentes aos computadores e as próprias restrições de processamento, permitindo multiplicar o número de canais/pistas de 16 para mais de 256 entradas e saídas e uma estrutura massiva de barramentos de mistura. O MassCore, para além do número de Se este sistema tem a fasquia assim tão elevada é óbvio que todos os elementos separados são benchmarks da Merging, e o conversor Sphynx 2 não é alheio a esse facto. Também não o poderia ser pois muita da qualidade sónica com que se opera num sistema fica comprometida precisamente com a qualidade dos conversores, que neste caso para além da qualidade elevadíssima estão preparados para comunicar com sistemas de qualquer outro fabricante. Controlável em rede pelo Ramses MSC, a unidade Sphynx 2 disponibiliza 8 canais de conversão AD-DA numa única unidade capacitada para frequências de amostragem dos 44.1kHz aos 384kHz em modo PCM, assim como nos 2.8Mhz a 1bit dos modos DSD e DXD. Também esta unidade é modular de modo a se adaptar às necessidades de cada situação, abrangendo módulos de 4 canais D/A, dual AES3- S/PDIF digital I/O, 8 canais AES3 digital I/O, 8 canais MADI digital I/O, 8 canais SDIF-3 digital I/O, 8 canais TDIF digital I/O e 8 canais compatíveis com ProTools Mix 24 I/O. canais, suporta também a frequência de amostragem que for desejada. Podemos ter todas as entradas e saídas a funcionar em simultâneo a 192kHz e vamos ter uma definição excelente. Mas se estivermos a falar de HD, então ainda não estamos sequer perto das reais necessidades. O Pyramix, em modo PCM, vai até 384kHz e em modo DSD opera nos 2.8Mhz, o que significa que estamos perante o primeiro sistema de edição e mistura do mundo que consegue operar 48 canais DSD em simultâneo, com todos os processamentos adicionais que se possam pretender, capacitados para trabalharem com grandes produtoras que necessitam frequências de amostragem enormes, em formatos como DSD ou mesmo em DXD (Digital extreme Definition), que é um formato ainda recente mas já reconhecido como um dos melhores formatos para gravação de fontes DSD. Todo este potencial está aplicado na mesma filosofia de conseguir trabalhar com todos os canais em todo o seu exercício de processamento de efeitos, equalizações, dinâmicas, surround e masterização, totalmente compatível com a finalização em SACD. A flexibilidade impõe-se A arquitectura do Pyramix 6 está realmente desenhada de um modo mais aberto que o tradicional. Estamos perante um sistema que não pretende, em circunstância alguma, condicionar os canais de input físicos à numeração dos canais dentro da mesa. E se falamos de um sistema preparado para lidar com centenas de sinais independentes em canais separados, é perfeitamente compreensível que não se 40 produçãoáudio fevereiro 2008
O exemplo Sound Station O estúdio Sound Station é um dos mais reputados centros de sonorização e pós-produção do país, com amplas tradições em trabalhos para o mercado da publicidade, rádio e televisão. Fundado por João Canedo, um dos fundadores da TSF e um dos mais reputados técnicos de som nacionais, recentemente falecido, o estúdio Sound Station continua agora pela mão de José Raposo a sua tradição de qualidade e serviço ao mercado nacional. A Sound Station já era cliente do Pyramix na versão 5.1 e por isso pareceu aos responsáveis da AuvidCientífico, representantes da Merging em Portugal, que este seria o local ideal para fazer a apresentação em Lisboa do novo Pyramix 6. Durante vários dias, decorreram ali apresentações e mesmo acções de formação, sendo natural o interesse de muitos profissionais nacionais em experimentar uma configuração completa deste novo sistema com a consola Ramsés MSC. Este estúdio é também um belo exemplo para perceber a lógica aberta do Pyramix, dado que quando abriram as portas ao Pyramix já tinham uma série de equipamentos dos quais não estavam dispostos a abdicar, sendo um deles a consola digital Sony DMX R100. Esta consola, tal como imensas outras totalmente consolidadas no mercado está preparada para trabalhar com o Pyramix, e assim puderam explorar todo o potencial da solução, controlando as misturas manualmente com a consola a que já estavam adaptados e utilizando na mesma o edit bay Isis da Merging. José Raposo falou-nos das aplicações do Pyramix no seu estúdio. Temos dois monitores aqui ligados à placa gráfica que nos permitem escolher quais as soluções da visualização que mais nos interessam. Podemos ter o Pyramix nos dois monitores, o V- Cube nos dois, ou um monitor com cada uma das aplicações, pois podemos saltar entre qualquer um destes modos em qualquer altura, tratando-se sempre de máquinas independentes. A nossa opção foi não fazer a mistura interna no Pyramix mas na DMX R100 da Sony pois estava já integrada no nosso processo de trabalho. Temos toda a media e bases de dados com bibliotecas de efeitos e de equalizações na central à qual acedemos a partir de qualquer dos nossos controladores em ambas as régies, e podemos mesmo fazer as pré-escutas a partir da rede sem necessitar importar. Desde que tenha a placa Mykerinos, o Pyramix gera o timecode, e podemos ter as máquinas que quisermos desde que estejam referenciadas pois os protocolos de comunicação identificam tudo. www.soundstation.pt pretendam alterar constantemente os patches físicos, de acordo com a organização interna dos ficheiros de cada projecto. Assim, a numeração e configuração interna de cada projecto está sempre alocada a esse projecto em particular, com todos os parâmetros mais peculiares de estruturação da consola incluídos na memória. Do mesmo modo que todos os canais estão preparados para lidar com todas as equalizações e processamentos dinâmicos em simultâneo, e com plug-ins a levarem os motores de processamento ao extremo, todas as funções da mesa e processamentos estão desenhados de modo a não necessitarem tempos de rendering, sendo absolutamente em tempo real. Por exemplo, quando estamos a aplicar as funções de crossfade a clips de áudio de um canal isolado ou inserido num grupo de canais, a operação é concretizada em tempo real. Incluído vem um medidor de fase que nos dá a relação a ocorrer entre dois sinais seleccionados pelo utilizador. A informação vem no formato de +1, quando ambos os canais estão totalmente em fase até -1 quando estão com uma rotação de 180º. O Pyramix está também preparado para gerar sinais de teste de modo a calibrar dispositivos ou verificar envios. Para além das formas sinusoidais, dentes de serra ou quadradas, há ainda o ruído rosa e branco. HD não apenas para o áudio! O V-Cube é a unidade servidora de vídeo preparada para integrar este sistema e tomar conta de todas as necessidades a nível de imagem, que a pós-produção mais sofisticada pode pretender. Preparado para reprodução e gravação de vídeo, o V- Cube sincroniza totalmente com qualquer formato de TV ou HDTV e inclui opções para integração com o Final Cut Pro e intercâmbios de ficheiros e projectos em AAF, XML, AES-31 e OMF, para além de ler e gerar ficheiros nos formatos mais utilizados, tais como QuickTime, MPEG, AVI etc. Disponibiliza sincronismo para PAL, NTSC, vídeo a 24fps, ou para quaisquer frame-rates necessários a HDTV e ainda permite a ligação a qualquer sistema externo DAW, permitindo também o cálculo de imagem e conversões de vídeo, adição de marca de água, adição de texto no vídeo e montagem de samples de vídeo na timeline, entre outros. O sistema opcional V-Cube faz todo o sentido quando ligado a uma rede de V-Cubes ligados entre si por Gigabit Ethernet, trabalhando assim como central digital offline transferindo vídeos pela rede para todos os controladores. Este é capaz de importar directamente e processar composições Avid Video OMF, seja através de drive ou ligado a um sistema de armazenamento centralizado Avid Unity Network. Seja como for, se estivermos perante um estúdio de aplicações que não tenha interesse em obter um controlo de vídeo tão especializado como o V-Cube, o próprio Pyramix permite ter janelas de vídeo com todos os formatos de vídeo desejados, utilizando as aplicações Direct Show e Quicktime, inseridas no Virtual Transport, assim como uma janela de timecode para acompanhá-la constantemente. Não permite fazer quaisquer funções adicionais sobre o vídeo, mas permite a sincronização com o vídeo exibido de acordo com o timecode, função para a qual o próprio Pyramix já está preparado. Ramses MSC à cabeça A consola Ramses MSC, da qual a Produção Áudio já falou aquando do seu lançamento, é uma das opções em termos de superfície de controlo DAW do sistema Pyramix com integração de vídeo e de áudio. Se o cliente não pretender utilizar a consola de controlo Ramses MSC como um standard deste potencial de mistura, 42 produçãoáudio fevereiro 2008
António Vieira e José Raposo frente ao Ramses Edit Bay e a um par de ecrãs com comutadores que permitem trabalhar com o Pyramix ou com o V-Cube em simultâneo, ou com cada dispositivo em cada um dos ecrãs A workstation Ramses MSC oferece-nos o hands-on de todo o potencial do Pyramix. Esta superfície de controlo está disponível nos formatos de 8, 16 ou 24 canais, para além das combinações de mais que uma unidade para vários operadores simultâneos Pormenores do controlador Ramsés Edit Bay com a roda de jog shuttle que permite edição rápida e as teclas de função onde se podem mapear as principais funções do Pyramix isso não representa um problema pois o Pyramix está preparado para trabalhar com as mesas de controlo da Euphonix, Smart AV, AMS-Neve, Harrison, Yamaha, Sony e Radikal Technology, entre outras, reconhecendo o protocolo de rede Oasis criado pela Merging há 3 anos, e agora aplicado como parte integrante desta filosofia de sistema de rede aberta, sem deixar ninguém de fora. Isto já para não falar dos controladores Isis, desenvolvidos pela própria Merging e até agora utilizados pelos utilizadores que desejavam um controlo táctil mais avançado. Mas a consola Ramses MSC acaba por ser a cereja em cima do bolo, com os controlos deste sistema reflectindo totalmente os melhoramentos da nova versão de software e potenciando a operação de todo o sistema. O desenvolvimento da solução Ramses MSC foi feito em parceria com a empresa australiana Smart AV, cujos módulos eram cobiçados pela Merging apesar de não pretender utilizar aquele tipo de interface. Portanto, foram utilizados os módulos internos de tecnologia ARC daquela empresa, com um desenho de superfície de controlo mais adaptado às necessidades de pós-produção e broadcast requeridas pelas funcionalidades do Pyramix. Potenciada pelo próprio motor Mass- Core, a consola Ramses MSC pode ser pré-configurada ou programada de forma completamente livre pelo utilizador, em termos de entradas, saídas, barramentos de mistura e monitorização, comunicações ou retorno de gravação multipista. Todas as funções podem ser controladas a partir da superfície de controlo ou em conjunto com o rato. No topo da consola temos o Management System. Aqui podemos controlar até 4 workstations de diferentes marcas, incluindo o ProTools, por exemplo. Mas o utilizador levanta imediatamente a questão de que o layout do controlador Ramses MSC está preparado para controlar o Pyramix e não terá funções específicas que são exclusivas dos outros sistemas. Pois e até nisso a Merging pensou para poder verdadeiramente falar em sistema aberto de rede. O controlador Ramses MSC tem a capacidade de adquirir as propriedades de controlo de funções que são específicas de outras marcas. Foram aplicadas as particularidades de cada fabricante e gravadas no sistema, sendo que basta ir ao menu e chamar o modo de controlador para uma grande quantidade de sistemas de estúdio no mercado e passamos a utilizar o controlador que pretendemos, sem que para isso tenhamos que alterar todo o sistema. Dessa forma evitase a adaptação de operadores habituados a trabalhar com determinadas funções, características de outros modelos. Este controlador integra a tecnologia DAW do Pyramix que lhe permite trabafevereiro 2008 produçãoáudio 43
Principais novidades Pyramix V6 MassCore Novo motor de mistura capaz de suportar até 384 E/S Live (768 simultâneas) a 1fs com latência extremamente reduzida. A opção MassCore na V6.0 possui três níveis: MassCore 48 (base), 128 e 256+. É necessária uma placa Mykerinos para instalar o MassCore Requisito mínimo de computador: PC com processador Intel Core2 Duo com Windows Vista Business 32bit ou Windows XP-SP2 Plug-ins Inserts VST em barramentos e auxiliares (MassCore) Suporte multicanal VST (MassCore) Possibilidade de inserir ou remover plug-ins VST sem reconstruir a mesa de mistura Suporte para inserts externos (com MassCore e Mykerinos Mono instaladas) É possível alterar a ordem de processamento VST/VS-3 numa strip ou bus (MassCore) Botões separados de on/off e bypass nos plug-ins VS3 Melhor grafismo das Strip Tools para grandes mesas de mistura Novas funções e melhoramentos Novo Meter Bridge Nova secção de monitorização Melhoramentos na automação Menu reorganizado para ser mais explícito Nova janela Automation Track Nova opção Hide Empty Tracks Nova opção Create New Virtual Track Mesa de mistura com indicador de delay de compensação Nova opção pop up para encaminhamento All On ou All Off em Strip to Bus lhar sobre tudo quanto é formato de áudio reconhecido, como PMF, BWF, WAV, MXF, AIFF, SDII, OMF, Akai, DSD, AC3, permitindo mesmo misturar diferentes formatos na mesma timeline. A superfície de controlo está dimensionada com as teclas, de modo a não ser sobrecarregada com quantidades abusivas de teclas que acabem por se tornar menos intuitivas. Os encoders têm dupla função, controlando o ganho no topo que é sensível ao toque e controlando a frequência na base que não o é. A visualização do ganho Novos presets de mesa de mistura Melhoramentos nas funções CD Editing e SACD Authoring Melhoramentos na Timeline e funções de edição Novidades na Interface gráfica Pyramix Indicador de erros de frequência de amostragem entre clips Novo Surround Panner Novas opções Skin Display Novo indicador de actividade dos núcleos de processador (Core) Suporte Windows Tabs Janela Tab Window flutuante Possibilidade de guardar o Tabs Layout em cada projecto Suporte drag & drop das Tabs Nova função Save/Recall Tabs Layout Presets Nova opção de visualização da actual listagem de ficheiros em folders do projecto em curso Novas opções Jog/Chase Melhoramentos no controlo remoto e controlo de máquinas Suporte e integração da superfície de controlo Ramses MSC Melhoramentos no protocolo OASIS Remote Control Novo controlador offline em Mixdown Novas funções de mapeamento ISIS Suporte Sony 9-Pin: armar doze pistas de áudio, pista Audio Cue e TimeCode Novas opções Hardware Suporte a placas Dual Daughter em Multi Board (MassCore) Suporte a placas ADAT Daughter 16 I/O em Multi-board (MassCore) Suporte a novas placas AES II I/O Daughter Nova placa MYK-X50 Nova opção Merging CON-USB-VTC Sync box fica sempre explícita com a cor vermelha para níveis negativos e com a cor verde para níveis positivos. A informação fica tanto exposta no canal em causa como no painel central, o que será importante para os diferentes modos de trabalhar sobre apenas um canal ou sobre grupos de canais. Os acessos a todas as funções de filtros, equalizações, dinâmicas, plug-ins, panorâmicas definidas como estéreo, mono ou surround, estão expostos de forma óbvia e inequívoca. Para facilitar esta exposição acessível, os canais exibem 3 níveis Desvalorizando a componente software do Pyramix, Kenneth Barnsley afirma que esta é apenas a reprodução em software do que podemos fazer na máquina, e tem mais exibições gráficas apesar de nós acharmos que os profissionais mais inexperientes é que sentem necessidade de gráficos para tudo, enquanto que na realidade o importante é ouvir, conhecer as frequências muito bem e saber ouvir o que se está a fazer com ou sem gráficos diferentes de informação que podem ser configurados pelo utilizador, entre ganhos, equalizações, nomes, dinâmicas, etc. Estão também presentes as incontornáveis funções de agrupamentos, que vão muito além dos faders ou dos canais. Podemos agrupar também equalizações, e depois basta seleccionar o grupo-alvo e aplicar a todos as mesmas alterações, por exemplo. Os canais podem ser inseridos em qualquer altura e em qualquer quantidade no local mais adequado, o que vai de encontro à filosofia de não associar directamente os canais de operação na consola à numeração física dos inputs. Acaba por ser como se houvesse uma nova matriz entre o I/O e a workstation, o motor de mistura, o que leva a possibilidades como ter várias pistas a correrem num único canal. As saídas para monitores podem ser configuradas também de modo aberto, ou seja, podemos ter sets de monitores estéreo, mono, com coluna central ou modos mais complexos de surround, que a consola permite-nos aplicar a cada projecto os envios devidos que pretendemos utilizar. 44 produçãoáudio fevereiro 2008
Onde cabe uma Ramsés MSC? No que respeita à formatação física das superfícies de controlo, é óbvio que muitos estúdios terão opções diferentes de instalação, desde o que necessitam de aplicar o equipamento no menor espaço possível, aos que têm imenso espaço e preferem adquirir o sistema completo com suportes incluídos e pronto a colocar no espaço do estúdio, passando pelos que já têm mobiliários de estúdio instalados e pretendem aplicar as consolas e upgrades apenas recortando o espaço necessário para embutir o equipamento novo. E sendo esta uma realidade múltipla e incontornável, claro que a Merging preparou o Ramses MSC para ser instalado de formas diversas, com variações de 8, 16 ou 24 canais por módulo, podendo-se instalar mais que uma unidade de 24 canais para múltiplos operadores, e com possibilidade de ficar instalado em linha recta ou com uma curvatura adaptada aos movimentos do corpo do operador. O Arc aparenta ser um mero VU-meter típico da consola mas também interage com esta. Quando gravamos 72 canais estamos a observar no Arc os níveis desses canais todos em simultâneo, e quando tocamos num sítio, automaticamente a consola assume os comandos e informações relativas ao canal seleccionado no Arc. É muito útil quando estamos a operar com uma grande quantidade de canais num espaço físico restrito e podemos aceder rapidamente ao canal que exiba riscos ou problemas que se estejam a passar com os níveis, apesar de essa não ser uma necessidade muito premente em pós-produção. Duas diferentes configurações da superfície Ramsés MSC apresentadas na AES de 2007 em Viena, com os medidores ARC e em versão de dupla baía embutida O ecrã da versão beta do Pyramix V6.0 reflecte as novas capacidades de mistura, automação e processamento do motor MassCore Automação desenhada à mão Outra característica muito importante para definir uma consola é também a automação, e nesta consola tudo foi também preparado dentro do melhor nível. Podemos separar a automação de funções específicas dos modos de automação de outras funções, visualização posterior e edição das automações de modo perfeitamente intuitivo arrastando o cursor do rato sobre a curva da automação, abrangendo dinâmicas e snapshots. A automação abrange os parâmetros dos plug-ins utilizando o sistema de timecode como referência de localização, permitindo uma reprodução fiel quer se tratem das relações internas do Pyramix, quer se trate da relação deste com dispositivos externos. Compatibilizada com controladores MI- DI externos para todas as funções internas de automação, estes controlos enviam informação MIDI sobre o estado on/off assim que são estimulados ou libertados, sem haver a necessidade de os mover. Assim, quando activado o modo auto-write, o Pyramix pode iniciar a gravação da automação no instante em que o controlo é activado do mesmo modo que seria com o clique de um rato. Ramses Edit Bay O controlador Ramses Edit Bay é outra das opções agora disponíveis para os sistemas Pyramix, que acaba por ser uma espécie de teclado da consola, tendo imensas semelhanças com o anterior controlador Isis, no que respeita a funcionalidades. A grande diferença entre este e outros sistemas de controlo é que não se trata apenas de um teclado. A maior parte dos controladores baseiam-se apenas nas informações que recebem da consola e aplicam funções às teclas. O Ramses tem a particularidade de conter processamento adicional, o que permite desenvolver funções independentemente da workstation. A automação do Ramses tem o seu próprio controlo e mimetiza tudo o que se passa no Pyramix. Quando gravamos o ficheiro, ele grava a automação e tudo o que se relaciona com o Ramses. Também podemos gravar a automação independentemente dentro do Ramses pois é aqui que a automação é feita. Esta unidade de controlo adicional, que pode ser instalada independentemente no estúdio ou integrada no chassis do controlador principal, tem uma série de funções como teclas de entrada de timecode, con- 46 produçãoáudio fevereiro 2008
Pormenor da Ramses MSC onde se percebem os 3 níveis de informação disponíveis nas exibições por canal. Estes 3 níveis podem ser configurados pelo utilizador para exibir a informação preferida. Neste caso, a opção foi a distribuição multicanal, o ganho e a equalização Racks com as unidades centrais do estúdio Sound Station, onde se podem ver o Pyramix com todo o áudio, o V-Cube com o vídeo, e o Luxor com o servidor especializado da Merging trolos de media do Pyramix e edição ultrarápida com uma jog-wheel, para além de teclas com funções variáveis e definíveis pelo utilizador. A Rede nção O fascínio com que Kenneth Barnsley nos fala do novo Pyramix é totalmente compreensível. O sistema foi preparado para ser totalmente interligável em rede, não sendo apenas uma caixa fechada com todas estas capacidades. Preparado de base para ser utilizado com o sistema Windows, é muito importante voltar a sublinhar que o Windows apenas intervém ao nível da distribuição da rede e exibição gráfica nos ecrãs, não tendo quaisquer responsabilidades aos níveis de mistura, edição, processamento, etc. Uma das razões principais para esta opção, segundo Kenneth Barnsley, é que os plug-ins VST não correm devidamente com base no sistema Mac OS (necessitam de uma emulação AU ou RTAS), para além de a Merging considerar a rede Windows a mais eficiente e compatível do mercado. Para além dos plug-ins VST, também se pode trabalhar com o novo formato VST3 da Steinberg, sendo que o Direct X deixará de ser suportado nesta versão 6. No futuro talvez possamos ter os plug-ins VST aqui na própria máquina em vez de os ter no PC. Não há razão para estarem no PC. A velocidade de processamento é muito interessante porque os plug-ins VST funcionam apenas em Windows, pelo que num Macintosh não podem fazer uso do motor MassCore. Estamos a planear lançar uma alternativa, uma espécie de kit de desenvolvimento, que permita às empresas de plug-ins implantarem os seus produtos directamente no motor MassCore. Mas lá está, no que toca a processamento, o sistema operativo apenas lida com a rede e com a interface gráfica. Num ambiente de estúdio broadcast e pós-produção, em que as escalas de trabalho, dimensões dos estúdios e quantidade de intervenientes podem envolver equipas numerosas e múltiplas sessões, é muito importante manter a capacidade de armazenar dados de modo central, como um sistema que permita controlos diferentes em diferentes locais para trabalharem sobre a mesma matéria-prima. Toda esta rede está sustentada pelo servidor de media da Merging, o Luxor, que garante a mesma filosofia de compatibilidade e expansibilidade de todo este sistema Pyramix. Um dos melhores exemplos para perceber este potencial é o facto de a solução estar preparada para lidar com vários sistemas operativos, independentemente de neste momento o Pyramix ser baseado na rede Windows. Quase que nem é necessário afirmar a facilidade de utilização, segurança e garantia de compatibilidade futuras. E o que o Pyramix faz com o áudio, a unidade V-Cube faz com o vídeo, que também está preparado para trabalhar sobre qualquer formato de vídeo actualmente reconhecido, sendo que ambos podem estar instalados em rede nas quantidades que se pretenderem à escala do trabalho, sempre garantindo a devida sincronização entre dispositivos. Todas estas características vão de encontro a uma filosofia de não fechar a rede de trabalho a sistemas Pyramix. Imensos estúdios poderão pretender utilizar este potencial de rede sem que para isso precisem de alterar a totalidade dos equipamentos com que trabalham. Kenneth sublinha esta ideia se não puderem trabalhar com todos os formatos, não podem operar de todo. Até o Pro Tools foi forçado a integrar AIFF, sendo que assim também nós podemos importar e exportar ficheiros Pro Tools na nossa rede. E a palavra rede continua a ser uma das chaves. Em Londres há estúdios com equipamentos Pyramix distribuídos por três localizações diferentes, interligados por fibra óptica, mas que permitem um controlo do total da informação no ecrã de cada posto de trabalho. Mas para considerar situações de mais pequena escala, o Pyramix está capacitado para ser ligado em rede até um máximo de 10 utilizadores sem que para isso seja necessário um servidor dedicado. www.merging.com www.auvid.pt fevereiro 2008 produçãoáudio 47