METALURGIA EXTRATIVA DO URÂNIO

Documentos relacionados
Artigo ENEM Enriquecimento de Urânio Prof. Thiago Magalhães F. Menezes

Ciclo do Combustível Nuclear no Brasil

3 O Ciclo do Combustível Nuclear

Visão estratégica da INB a 2034

Atual Estágio de Desenvolvimento Tecnológico da Produção de Energia Nuclear no Brasil. Alfredo Tranjan Filho Presidente.

Geração Elétrica. Prof. Dr. Eng. Paulo Cícero Fritzen

MATRIZ ENERGÉTICA MUNDIAL

TERMELETRICIDADE BASES TERMODINÂMICAS CICLOS DE POTÊNCIA ELEMENTOS DE MÁQUINAS CENTRAIS TERMELÉTRICAS

Processos de Concentração de Apatita Proveniente do Minério Fósforo- Uranífero de Itataia

HIDROMETALURGIA E ELETROMETALURGIA. Prof. Carlos Falcão Jr.

1 Indústrias Nucleares do Brasil

PORTARIA Nº 518, DE 4 DE ABRIL DE 2003

O DESENVOLVIMENTO DA ENERGIA NUCLEAR NO BRASIL

Tratamento do resíduo da drenagem ácida de mina para recuperação de urânio

MATÉRIAS-PRIMAS MINERAIS

RADIOATIVIDADE. É o fenômeno onde núcleos instáveis emitem partículas e radiação, transformando-se em outros átomos.

NUCLEARINSTALLATIONSAFETYTRAININGSUPPORTGROUP DISCLAIMER

LICENCIAMENTO NUCLEAR NO BRASIL

Energia. A sustentabilidade dos recursos essenciais

METALURGIA EXTRATIVA DOS NÃO FERROSOS

Metalurgia de Metais Não-Ferrosos

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Minas, Metalúrgica e Materiais

OBTENÇÃO DE CONCENTRADO DE URÂNIO A PARTIR DE LICOR SULFÚRICO POR EXTRAÇÃO POR SOLVENTES UTILIZANDO SULFATO DE AMÔNIO COMO AGENTE REEXTRATANTE

MINERAIS HIDROGEOLÓGICOS ENERGÉTICOS. de acordo com a finalidade

(a) Calcule a percentagem de urânio na carnotita. (b) Que massa de urânio pode ser obtida a partir de 1350 g de carnotita.

INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS METALÚRGICOS. Prof. Carlos Falcão Jr.

Fusão e Fissão Nuclear: uma breve introdução

PHA 3418 Tecnologia de Separação por Membranas para Tratamento de Água e Efluentes

Vantagens da Energia Nuclear sobre Combustíveis Fósseis

CAPÍTULO 6 RECURSOS E RESERVAS ENERGÉTICAS 1973 / Conteúdo

UMA VISÃO SUCINTA DAS ATIVIDADES DA CNEN

METALURGIA EXTRATIVA DOS NÃO FERROSOS

A ENERGIA QUE MOVIMENTA O MUNDO. As fontes de energia e o meio ambiente

b) Quando dissolvido em água, o CO causa diminuição do ph da mesma. Escreva a equação da dissociaçãao do ácido responsável pelo fenômeno.

BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL 2006 ano base 2005

SEPARAÇÃO SÓLIDO LÍQUIDO NAS USINAS DE PROCESSAMENTO MINERAL

Uso de Separação Gravimétrica na Concentração de Metais Provenientes de Sucatas de Placas de Circuito Impresso.

HIDROMETALURGIA E ELETROMETALURGIA

Desmantelamento e Descomissionamento de Instalações Nucleares no Brasil

The New Regulatory Body. Criação da Agência Nacional de Segurança Nuclear

Sr, assinale a alternativa em que todas as informações estão corretas. REPRE- SENTA- ÇÃO DO CÁTION. Nêutrons. 38 Sr+

Ácido nítrico concentrado: R: 8-35; S: Ácido sulfúrico concentrado: R: ; S: /37/ Realizar na hotte. Usar luvas.

PROGRAMA NACIONAL OLIMPÍADAS DE QUÍMICA XIX OLÍMPIADA DE QUÍMICA DO RIO GRANDE DO NORTE

ENERGIA RENOVÁVEIS ÍVISSON REIS

Conceitos, fontes de energia, a questão energética no futuro e o caso brasileiro

RADIAÇÃO: O que é isso?

PROCESSOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS I

ESTUDO DA APLICAÇÃO DE RESÍDUOS DE ARDÓSIA COMO FONTE DE MAGNÉSIO PARA SÍNTESE DE FERTILIZANTES MINERAIS

GEOGRAFIA 6º ANO SEDE: EBS PROF. GABRIEL ROCHA. PERCURSO 31 Indústrias e Fontes de Energia

GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA DE ELÉTRICA

Determinação de Boro em U 3 O 8

Aula 02 Fontes de energia primária, cadeia energética e hidrelétrica, eólica, nuclear e biomassa

20/11/2015. Absorção de Ácido Nítrico

Balanceamento de equações

Disponível em: Acesso em: 27 jun (Adaptado)

processo sub-produtos rejeitos matérias primas e insumos

BENEFICIAMENTO DE PIRITA PROVENIENTE DA MINERAÇÃO DE CARVÃO

Hidrogênio. Preparação do hidrogênio

Gabarito de Química Frente 2

FUVEST 1981 Primeira fase e Segunda fase

12 GAB. 1 1 o DIA PASES 2 a ETAPA TRIÊNIO QUÍMICA QUESTÕES DE 21 A 30

PROCESSOS QUÍMICOS INDUSTRIAIS I

Experimentos de Química Orgânica

Olimpíadas de Química+ Final, Aveiro 9 de maio de 2015

Radioatividade X Prof. Neif Nagib

LEI 9.765, DE 17 DE DEZEMBRO DE 1998 Institui taxa de licenciamento, controle e fiscalização de materiais nucleares e radioativos e suas instalações.

Química A Extensivo V. 8

Fissão Nuclear. Danilo Leal Raul Miguel Angel Mosquera Molina

ENERGIA NUCLEAR. Professora: Thamilis Aguiar Colégio Energia Barreiros

CHUVA ÁCIDA. Castelo (construido em 1702) em Westphalia, Alemanha

O Homem sempre utilizou materiais de origem geológica que a Natureza lhe fornecia. Idade da Pedra Idade do Bronze Idade do Ferro

COMPOSTOS INORGÂNICOS Profº Jaison Mattei

3º Trimestre Sala de estudos Química Data: 03/12/18 Ensino Médio 3º ano classe: A_B Profª Danusa Nome: nº

9º Ano/Turma: Data / / ) Observe os sistemas onde as esferas representam átomos. Sobre esses sistemas, a afirmação incorreta é:

Química. Questão 17 A gasolina é uma mistura de hidrocarbonetos diversos que apresenta, dentre outros, os seguintes componentes:

Lista 1 - Radioatividade

SE18 - Química. LQUI1A3 - Introdução à estequiometria. Questão 1

PMT 2420 Metalurgia Geral

P&D E O CICLO DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR NO BRASIL - PRESENTE E FUTURO. Elita F.Urano Carvalho IPEN/CNEN-SP

LIXIVIAÇÃO DE SCHEELITA UMA REVISÃO DO ESTADO DA ARTE

QUÍMICA LISTA DE RECUPERAÇÃO 3º BIMESTRE - 1º ANO. Professor: GIL KENNEDY DATA: 25 / 09 / 2017

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA METALÚRGICA. Introdução à metalurgia dos não ferrosos

Transcrição:

METALURGIA EXTRATIVA DO URÂNIO ANA CAROLINA Z. OLIVEIRA ISRAEL GARCIA CHAGAS LUIZ FELIPE ABRILERI FÁBIO GONÇALVES RIZZI LUCAS LANDI MARTINS 1

AGENDA Introdução Usos Propriedades Minérios Tipos de depósitos Reservas Produção de urânio Mineração Beneficiamento Concentração Combustível Nuclear Produção Reciclagem Conclusão 2

INTRODUÇÃO USOS E PROPRIEDADES DO URÂNIO 3

ELEMENTO URÂNIO Último elemento da tabela periódica que ocorre naturalmente: Número atômico 92 Isótopos mais comuns: U 234, U 235, U 238 (99,3%) Encontrado a concentrações de 2,8 ppm na crosta terrestre Somente o isótopo 235 é físsil 4

PRINCIPAIS USOS A principal aplicação é para a produção do combustível nuclear 5

PRINCIPAIS USOS Outras aplicações: Medicina nuclear: ressonância magnética, raios-x, injeções de radioisótopos Pesquisa científica Agricultura: irradiação de alimentos e sementes Produtos de consumo: detectores de fumaça, relógios, componentes de computador 6

MINERAIS E RESERVAS PRODUÇÃO MUNDIAL, TIPOS DE DEPÓSITOS 7

PRINCIPAIS MINERAIS uraninita UO 2 pechblenda U 2 O 5.UO 3 (65-75% U) carnotita autunita K 2 ( UO 2 ) 2 ( VO 4 ) 2 3H 2 O Ca( UO 2 ) 2 ( PO 4 ) 2 10H 2 O 8

RESERVAS MUNDIAIS 3. Rússia 4. Canadá 2. Cazaquistão 5. Nígeria 7. Brasil 1. Austrália 9

PRODUÇÃO MUNDIAL O maior produtor em 2013 foi o Cazaquistão, com 22451 t A produção total de U em 2013 foi de 59 t, o que corresponde a 92% da demanda 59 t U = 70 t U 3 O 8 10

PRODUÇÃO MUNDIAL A produção mundial sofreu uma queda no fim dos anos 80 e vem crescendo desde o ano 2000 11

CONSUMIDORES DE URÂNIO Maior consumidor: EUA 104 usinas nucleares Brasil: 24 maior consumidor 2 usinas (Angra I e II) 12

NO BRASIL... Reservas: Bahia: Caetité/Lagoa Real Minas Gerais: Caldas Ceará: Santa Quitéria 13

NO BRASIL... Produção: A única mina de urânio em operação: Caetité/BA - 400t de concentrado de urânio (U 3 O 8 ) por ano Controlada pela INB Indústrias Nucleares Brasileiras Usinas nucleares Angra I e Angra II: 3% da energia elétrica do país 14

TIPOS DE DEPÓSITOS Em brecha Em veios Conglomerados Em falhas Arenito 15

DEPÓSITOS EM FALHAS Região entre duas unidades de rochas onde a unidade inferior foi deformada, e as unidades subjacentes foram menos deformados. Unidades subjacentes: porosidade e permeabilidade das rochas. Unidades sobrepostas : arenito que permite a concentração de urânio Em falhas 16

DEPÓSITOS EM BRECHAS Brechas são rochas pré-existentes que foram quebrada em pedaços por qualquer tipo de intempérie, colapso ou fratura (hidráulica ou tectônica). Os blocos formam uma região de alta porosidade e permeabilidade para a precipitação de urânio Em brecha 17

ARENITO E DEPÓSITOS CONGLOMERADOS Os depósitos são encontrados entre as unidades impermeáveis que contêm restos orgânicos abundantes ou outros materiais para promover as condições de redução e causar a precipitação de urânio. 18

DEPÓSITOS EM VEIOS Minério de urânio é associado com veias em rochas ígneas, metamórficas ou sedimentares, originadas de rachaduras, falhas e brechas. Depósitos deste tipo são encontrados na Austrália, França, República Checa, Alemanha e Zaire. Em veios 19

PRODUÇÃO DE URÂNIO MINERAÇÃO, BENEFICIAMENTO, CONCENTRAÇÃO 20

CICLO DA PRODUÇÃO Fabricação do combustível 3-5% U 235 elementos combustíveis Reator Enriquecimento 0,7% U 235 MOX combustível usado Armazenamento Mineração U 3 O 8 Conversão para UF 6 U reprocessado Reprocessamento rejeitos Rejeitos Vitrificação Descarte 21

MINAS DE URÂNIO A maioria dos depósitos de minério de urânio apresenta concentrações superiores a 0,10% do urânio - ou seja, mais de mil partes por milhão Existem minas de urânio operando em cerca de vinte países, dentre eles principalmente Austrália e Canadá. São a céu aberto ou subterrâneas Mina subterrânea de McArthur River, Canadá 22

BENEFICIAMENTO Extração do urânio do minério, purificação e concentração para produção de yellow cake U 3 O 8 Após a extração, o minério é conduzido a uma etapa de britagem e moagem Em seguida, é encaminhado para a etapa de lixiviação 23

LIXIVIAÇÃO DO URÂNIO In situ ou em pilha Pode ser realizada em soluções ácidas ou em soluções alcalinas 24

LIXIVIAÇÃO DO URÂNIO - ÁCIDA É utilizada uma mistura de ácido sulfúrico com H 2 O 2 em presenca de ferro: 2Fe 3+ + UO 2 UO 2 2+ + 2Fe 2+ Características: Rápida, pouco seletiva, maior gasto de reagente em minerais carbonatados 25

LIXIVIAÇÃO DO URÂNIO - ALCALINA Utiliza o carbonato de sódio como lixiviante: 2UO 2 + O 2 2UO 3 Características: menos efetiva, maior seletividade, economia de reagentes em relação ao anterior 26

PURIFICAÇÃO EXTRAÇÃO POR SOLVENTE Separação sólido-líquido: geralmente são utilizados filtros à vácuo em tambor, em disco ou em correia horizontal. A purificação da solução é realizada por extração por solvente: Extratante ácido: DEHPA (ácido di (2 - etilhexilfosfórico)) Extratante básico: alamina 336 Extratante neutro: TBP (tributilfosfato) 27

PURIFICAÇÃO EXTRAÇÃO POR SOLVENTE A purificação da solução é realizada por extração por solvente: Extratante ácido: DEHPA (ácido di (2 - etilhexilfosfórico)) Extratante básico: alamina 336 Extratante neutro: TBP (tributilfosfato) utilizada na reciclagem de elementos combustíveis 28

PRECIPITAÇÃO Realizada com amônia, soda cáustica ou cal: 2UO 2 SO 4 + 6NH 4 O (NH 4 ) 2 U 2 O 7 + 2(NH 4 ) 2 SO 4 + 3H 2 O Diuranato de amônia - DUA DUA = yellow cake Separação sólido-líquido: geralmente são utilizados filtros à vácuo em tambor, em disco ou em correia horizontal 29

PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEL NUCLEAR PRINCIPAIS ETAPAS, RECICLAGEM 30

CALCINAÇÃO E REDUÇÃO O diuranato de amônia (DUA) é calcinado após a precipitação: (NH 4 ) 2 U 2 O 7 Δ 2UO 3 + 2NH 3 + H 2 O Redução: 2UO 3 + H 2 800 UO2 + H 2 O 31

ENRIQUECIMENTO Aumetar a porcentagem de U 235 0,7% Reatores: 3 a 5% Submarino nuclear: 20% Bomba atômica: 95% Principais processos Difusão gasosa Ultracentrifugação: processo utilizado no Brasil 32

PRODUÇÃO DE UF 6 Fluoretação do dióxido de urânio a 450 C: UO 2 + 4HF 250 450 UF 4 + 2H 2 O Fluoretação do UF 4 : UF 4 + F 2 + UF 6 33

PRODUÇÃO DE UF 6 Difusão gasosa: o UF 6 é passado por um membrana porosa, separando-se o U 235 do U 238 Ultracentrifugação: a separação dos dois isótopos se dá pela força centrífuga 34

RECONVERSÃO DO UF 6 Transforma o gás UF 6 em dióxido de uranio UO 2, na forma de pó, para ser utilizado como combustível. 35

PRODUÇÃO DOS ELEMENTOS COMBUSTÍVEIS Metalurgia do pó 36

PRODUÇÃO DOS ELEMENTOS COMBUSTÍVEIS Montagem dos elementos combustíveis São colocadas em tubos de zircaloy 37

RECICLAGEM DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR Objetivos Separar qualquer elemento utilizável do combustível nuclear já utilizado nos reatores através da dissolução das pastilhas combustíveis Novo combustível Mixed-Oxide Fuel (MOX). Conversão dos rejeitos radioativos em formas seguras de transporte e armazenamento (como a vitrificação) 38

RECICLAGEM DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR Combustível irradiado: Já foi utilizado nos reatores nucleares Elementos Transurânicos 239 Pu, Np,Am, Cm Produtos de Fissão Sr, Cs, Ba, I, dentre outros Volume de Rejeito 238 U Composição do Combustível Irradiado 93% 2% 5% Elementos Transurânicos Produtos de Fissão Urânio (volume de rejeito) 39

RECICLAGEM DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR Problemas: Processo muito caro, não é utilizado em escala industrial escala laboratorial Risco de proliferação da tecnologia nuclear o plutônio recuperado pode ser utilizado para produção de armas nucleares Utilizado na França, Japão, Rússia, Inglaterra, dentre outros 40

RECICLAGEM DO COMBUSTÍVEL NUCLEAR Processo PUREX: dissolução das pastilhas com ácido nítrico e extração por solvente com TBP U (s) + 4HNO 3(aq) UO 2 (NO 3 ) 2(aq) + 2H 2 O (l) + NO (g) UO 2 (NO 3 ) 2(aq) + 2 TBP (o) UO 2 (NO 3 ) 2.2TBP (o) 41

CONCLUSÃO Importância Forma alternativa de energia: não emite gases causadores do efeito estufa Eficiência energética Problemas Rejeitos Reciclagem Uso bélico 42

FIM! OBRIGADO! 43